Ruy Duarte de Carvalho - a mitopoética das africanidades

Ruy Duarte de Carvalho
Ruy Duarte de Carvalho (escritor, antropólogo e cineasta). Nasceu em Santarém, Portugal em 1941 mas passou a sua infância e adolescência no sul de Angola.Regente agrícola, foi criador de ovelhas caracul, mais tarde estudou cinema em Londres e antropologia em Paris. É doutor em Antropologia, pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris.
Doutorando-se com uma tese sobre os pescadores da Ilha de Luanda foi professor universitário, lecionou na Universidade de Luanda, foi Professor Convidado na Universidade de Coimbra e da Universidade de São Paulo.
Em 1982, levou a cabo um pioneiro exercício de tradução/apropriação da grande tradição lírica oral nas várias línguas autóctones africanas que reuniu em Ondula Savana Branca,
Autor referência da língua portuguesa, publicou, entre outras obrasÉ autor de Vou lá visitar pastores (1999), sobre os Kuvale, sociedade pastoril do sudoeste de Angola.
Na poesia, salienta Chão de Oferta (1972), A Decisão da Idade (1976), Observação Directa (2000), entre outros, tendo reunido em Lavra poemas de 1970 a 2000.
É ainda autor de obras de ficção (e Como se o mundo não tivesse Leste, (1977 e 2003), Vou lá visitar pastores (1999), vasto fresco sobre os kuvale, sociedade pastoril do sudoeste de Angola e adaptado ao cinema e "Os Papéis do Inglês"(2000)
Para além da atividade literária, realizou as longas-metragens Nelisita: narrativas nyaneka (1982) e Moia: o recado das ilhas (1989). Profundo conhecedor das práticas agro-pastoris tradicionais situou o cenário das suas pesquisas na região etnocultural Kuvale, no sul do país, como cineasta e antropólogo.
Recebeu o Premio Literário Casino da Póvoa com Desmedida - Luanda, São Paulo, São Francisco e volta (2008). Também em 2008 o Centro Cultural de Belém realizou um ciclo sobre a sua vida e obra, o primeiro que dedicou a um autor de língua portuguesa.
Em 2010 residia em Swakopmund, na Namíbia onde faleceu.
:: Fonte: Lusofonia Poética (acessado em 11.2.2016).


"Os  poderes  actuais  herdaram  dos  poderes  coloniais  não  só  o  lugar  de  decisão  mas também o ângulo da visão. E nem a cena podia ser outra, porque afinal os instrumentos cognitivos  que  uns  e  outros  utilizaram  e  utilizam,  independente  da  forma  como  o fizeram ou fazem, são os mesmos (as elites a quem foi transmitido o poder – de uma maneira  ou  de  outra – foram,  naturalmente,  as  mais  ocidentalizadas.  Como  se  o ocidente tivesse estendido um espelho à África no qual os africanos são hoje obrigados a ver-se)."
- Ruy Duarte de Carvalho, em "A câmara, a escrita e a coisa dita... fitas, textos e palestras". Lisboa: Cotovia, 2008, p. 43.



PRÊMIOS LITERÁRIOS
1972 - Prémio Motta Veiga de Poesia, Luanda|Angola, pela livro "Chão de oferta".
1982 - Menção honrosa, Exposição dos Livros Mais Belos do Mundo, Leipzig, pela obra "Ondula, savana branca".
1989 - Prémio Nacional de Literatura, Luanda|Angola, pelo livro "Hábito da terra" (1988).

2008 - Prémio Casino da Póvoa, Póvoa de Varzim, pelo livro "Desmedida. Luanda - São Paulo - São Francisco e volta. Crônicas do Brasil".


"[...] partindo da poesia e entrando pela antropologia adentro pela ponte do cinema, e deixando que a antropologia, por sua vez, me catapultasse para a ficção que ando finalmente a arriscar... Se foi a poesia, passando pela ponte do cinema, que me transportou à antropologia, à apreensão fundamentada no conhecimento dito objetivo disponível sobre a substância humana com que a vida me implicou, foi a antropologia – embora sem programa prévio mas sempre como via também de expressão e de intervenção – que me transportou à ficção…"
 
- Ruy Duarte de Carvalho, em "A câmara, a escrita e a coisa dita... fitas, textos e palestras". Lisboa: Cotovia, 2008, p. 12.


Ruy Duarte de Carvalho

OBRA DE RUY DUARTE DE CARVALHO
Poesia
:: Chão de oferta. Luanda: Culturang, 1972.
:: A decisão da idade: poemas. Luanda|Lisboa: UEA; Sá da Costa Editora, 1976.
:: Exercícios de  crueldade. Lisboa: E Etc., 1978.
:: Ondula, savana branca. Luanda|Lisboa: UEA; Sá da Costa Editora, 1982.
:: Lavra paralela. Luanda:
União dos Escritores Angolanos - UEA, 1987.
:: Hábito da Terra. Luanda: União dos Escritores Angolanos - UEA, 1988.
:: Memória de tanta guerra: antologia poética. Lisboa: Editora Vega, 1992.
:: Ordem de esquecimento. Lisboa: Quetzal Editores, 1997.
:: Lavra reiterada. Luanda: Edições Nzila, 2000
:: Observação directa. Lisboa: Edições Cotovia, 2000.
:: Lavra: poesia reunida 1970-2000. Lisboa: Edições Cotovia, 2005,  445p.


Ruy Duarte de Carvalho, por Nelson Paim
Contos
:: Como se o mundo não tivesse leste. Luanda|Porto: UEA; Limiar 2, 1977 | Lisboa: Cotovia, 2003, 159p.

:: Vou lá visitar pastores: exploração epistolar de um percurso angolano em território Kuvale (1992-1997). Lisboa: Cotovia, 1999. 185p. | Rio de Janeiro: Gryphus, 2000.
:: Os papéis do inglês ou o Ganguela do Coice. Lisboa: Edições Cotovia, 2000, 371p.; São Paulo: Companhia Letras, 2007. 
:: As paisagens propícias. Lisboa: Edições Cotovi, 2005.
:: A terceira metade. Lisboa: Edições Cotovia, 2009.

Narrativa - prosa
:: Sinais misteriosos ... já se vê...[7 textos e 10 desenhos de inspiração mumuíla].
Luanda|Lisboa: UEA; Edições 70, 1980.
:: Actas da maianga: dizer das guerras em Angola. Lisboa: Livros Cotovia, 2003.
:: Desmedida: Luanda - São Paulo - São Francisco e volta. Crônicas do Brasil. Lisboa: Cotovia, 2006, 323p. | Rio de Janeiro: Língua Geral 2010.

Ensaio
:: O camarada e a câmara, cinema e antropologia para além do  filme   etnográfico. Luanda: INALD, 1980.
:: Ana a Manda- os filhos da rede:  identidade colectiva, criatividade social e produção da diferença cultural: um casomuxiluanda. Lisboa: Instituto de Investigação Científica Tropical, 1989.

:: A câmara, a escrita e a coisa dita... fitas, textos e palestras. Luanda: INALD, 1997; Lisboa: Cotovia, 2008, 461p.
:: Aviso á navegação: olhar sucinto e preliminar sobre os apstores Kuvale da província do Namibe com um relancesobre as outras sociedades pastoris do sudoeste de Angola. Luanda: INALD, 1997.
:: Os Kuvale na história, nas guerras e nas crises: artigos e comunicações. Luanda: N'Zila, 2000.


Ensaios e artigos em jornais e revistas
CARVALHO, Ruy Duarte de.. Falas & vozes, fronteiras & paisagens ... escritas, literaturas e entendimentos. in: Setepalcos, n. 5. Coimbra: Cena Lusófona, julho de 2006.

_________ . Audiovisual e antropologia uma experiência angolana / Ruy Duarte de Carvalho. in: África. - nº 12/13 (1989-1990), p. 209/212.
_________ . Decálogo neo-animista - Ruy Duarte de Carvalho. in: BUALA: cultura africana contemporânea, 15 Abril 2010. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016). 
_________ . Cinema e antropologia para além do filme etnográfico - sobre a série Presente Angolano, tempo Mumuíla (1979). in: BUALA: cultura africana contemporânea, 2 Julho 2010. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016).
_________ . Uma espécie de habilidade autobiográfica. in: BUALA: cultura africana contemporânea, 12 Agosto 2010. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016). 
_________ . Desmedida - pré-publicação Ruy Duarte de Carvalho. in: BUALA: cultura africana contemporânea, 14 Agosto 2010. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016).
_________ . O direito à exigência. in: BUALA: cultura africana contemporânea, 11 Julho 2011. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016).
_________ . Tempo de ouvir o ‘outro’ enquanto o “outro” existe, antes que haja só o outro... Ou pré - manifesto neo-animista. in: BUALA: cultura africana contemporânea, 17 Junho 2011. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016).
_________ . Da tradição oral à cópia standard, a experiência de Nelisita. in: BUALA: cultura africana contemporânea, 10 Setembro 2011. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016).
_________ . "A Construção da Nação e a Consciência Nacional", entrevista a Ruy Duarte de Carvalho. in: BUALA: cultura africana contemporânea, 17 Setembro 2011. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016).
_________ . O futuro já começou?. in: BUALA: cultura africana contemporânea, 1 Setembro 2013. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016).

Antologia (participação - poesia e ensaios)
CAHEN, Michel (coord.). Transitions liberales en afrique lusophone. (ensaio). Paris: Editions Karthala, 1995. 
CECHIN, Lúcia (sel. e org.). Antologia angolana: poesia e conto. Porto Alegre: [s.n.], 1985.
FERREIRA, Vergílio Alberto Ferreira (sel.). Monangola: a jovem poesia angolana. Porto: Limiar, 1976. 

FERREIRA, Manuel (org.). No reino de Caliban: antologia panorâmica da poesia africana de expressão portuguesa - Vol. II: Angola e São Tome e Príncipe. Lisboa: Seara Nova, 1976.
GALANO, Ana Maria (coord.). Língua mar: criações e confrontos em português. (ensaio). 2ª ed., Rio de Janeiro: Funarte, 1997. 
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro (coord.). Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX: Cabo Verde /Angola/Moçambique/.../. Rio de Janeiro: UFRJ, 1999. 
SOARES, Francisco (org.). Antologia da nova poesia angolana (1985–2000). Lisboa: Imprensa Nacional- Casa da Moeda, 2001. 
TORIELLO, Fernanda (org.). Poesia angolana moderna. [direção Giuliano Macchi, Luciana Stegnano Picchio, Fernanda Toriello]. Bari: Adriatica Editrice, 1981.
VASCONCELOS, Adriano Botelho de (org.) Todos os sonhos. Antologia da Poesia Moderna Angolana. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2005, 593p.

Ruy Duarte de Carvalho
Filmografia
1976 - Uma festa para viver. 40', p/b, 16mm, TPA
- Prémio da Solidariedade Afro-Asiática, Taschkent.
1976 - Angola 76: é a vez da voz do povo. (série de 3 documentários), 100’, p/b, 16 mm, TPA.

1976 - Sacode o pó da batalha. 4O’, p/b, TPA.
1976 - Está tudo sentado no chão. 4O’, p/b, 16mm, TPA;
1976 - Como foi como não foi. 2O’, p/b, 16mm, TPA - Prémio da Solidariedade Afro-Asiática, Festival de Moscovo.
1976 - Faz lá coragem, camarada. 12O', p/b, 16 mm, TPA.
1976 - O deserto e os Mucubais. 2O', p/b, 16mm, TPA.
1979 - Presente angolano, tempo Mumuíla - série de 10 documentários:

     :: A Huíla e os Mumuílas. 2O’, p/b, 16 mm, TPA.
     :: Lua da seca menor. 6O’, p/b, 16mm, TPA.
     :: Pedra sozinha não sustém panela. 4O’, p/b, 16 mm, TPA.
     

     :: Hayndongo - o valor de um homem. 4O’, p/b, 16 mm, TPA.     
     :: Makumukas. 3O’, p/b, 16 mm, TPA.     
     :: O kimbanda kambia. 4O’, p/b, 16 mm, TPA.    
     :: Kimbanda. 2O’, cor, 16 mm, TPA.     
     :: Ekwenge. 2O’, p/b, 16 mm, TPA.     
     :: Ondyelwa. 4O’, cor, 16 mm, TPA.     
     :: Ofícios. 3O’, p/b, 16 mm, TPA.
1982 - O balanço do tempo na cena de Angola. 45', cor, 16 mm, IAC - Prémio para a melhor média metragem, Festival de Aveiro (1984).
1982 - Nelisita. 7O', p/b, 16 mm, IAC - Prémio especial do júri, Festival de Cartago; Prémio Cidade de Amiens (1983);  Prémio para a melhor realização e prémio da UNESCO.
1986 Videocarta para o meu irmão Antoninho. 40', cor, video.
1989Moia: o recado das ilhas. 90’ cor, 35 mm, Madragoa Filmes / Gemini Films.


"não há tempo sem espaço e sem movimento,
é essa a condição de todas as percepções
e de todas as relatividades."
 

- Ruy Duarte de Carvalho, em "Vou lá visitar pastores". Rio de Janeiro: Gryphus, 2000. 

Ruy Duarte de Carvalho

POEMAS ESCOLHIDOS DE RUY DUARTE DE CARVALHO

Adoço-te as costas
com licor de acácia.
Espremo-te os rins:
um favo de dem-dém.

Vou fundo em ti
feroz
e oiço-te um ai:
faz eco em mim
a voz
do meu país in-tacto.

- Ruy Duarte de Carvalho, em "Chão de oferta". Luanda: Culturang, 1972.

§ 

A gravação do rosto
Na superfícia branca do deserto
na atmosfera ocre das distâncias
no verde breve da chuva de Novembro
deixei gravado meu rosto
minha mão
minha vontade e meu esperma;
prendi aos montes os gestos de entrega
cumpri as trajectórias do encontro
gravei nas águas a fúria da conquista
            da devolução do amor.

Os calcários e os granitos desta terra
foram por mim pesados.
Dei-lhes afagos
leves olhares
insónias longas
impacientes esperas.

- Ruy Duarte de Carvalho, em "Chão de oferta". Luanda: Culturang, 1972.

§

A terra que te ofereço

1
Quando,
ansiosa,
pela primeira vez
pisares
a terra que te ofereço,
estarei presente
para auscultar,
no ar,
a viação suave do encontro
da lua que transportas
com a sólida
a materna nudez do horizonte.

Quando,
ansioso,
te vir a caminhar
no chão de minha oferta,
coloco,
brandamente,
em tuas mãos,
uma quinda de mel
colhido em tardes quentes
de irreversível
votação ao Sul.

2
Trago
para ti
em cada mão
aberta,
os frutos mais recentes
desse Outono
que te ofereço verde:
o mês mais farto de óleos
e ternura avulsa.
E dou-te a mão
para que possas
ver,
mais confiante,
a vastidão
sonora
de uma aurora
elaborada em espera
e reflectida
na rápida torrente
que se mede em cor.

3
Num mapa
desdobrado para ti,
eu marcarei
as rotas
que sei já
e quero dar-te:
o deslizar de um gesto,
a esteira fumegante
de um archote
aceso,
um tracejar
vermelho
de pés nus,
um corredor aberto
na savana,
um navegável
mar de plasma
quente.

- Ruy Duarte de Carvalho, em "A decisão da idade". Luanda: União dos Escritores Angolanos, 1976.

§

Ruy Duarte de Carvalho, 
por Fernando Campos
Canção de guerra
(Origem Kwanyama)
 
O covarde ficou
voltou para trás
agiu de acordo com a mãe.
De nós porém
bravos homens
muitos morreram
porque lutaram.

(chora a hiena chora a hiena chora)

O nosso camarada jaz no chão
não dormirá conosco.
Ali o deixamos
pernas e pés na berma da estrada
a cabeça tombada
no meio da rama.

Soldados de Nekanda
conquistadores de gado para Hayvinga
filho de Nasitai:
somos rivais em casa
pelas mulheres.
Na guerra, na floresta
somos da mesma mãe.
 

- Ruy Duarte de Carvalho, em "Ondula, savana branca". Lisboa: Sá da Costa Editora, 1982.

§ 

Chagas de salitre
Olha-me este país a esboroar-se
em chagas de salitre
e os muros, negros, dos fortes
roídos pelo vegetar
da urina e do suor
da carne virgem mandada
cavar glórias e grandeza
do outro lado do mar.
Olha-me a história de um país perdido:
marés vazantes de gente amordaçada,
a ingénua tolerância aproveitada
em carne. Pergunta ao mar,
que é manso e afaga ainda
a mesma velha costa erosionada.
Olha-me as brutas construções quadradas:
embarcadouros, depósitos de gente.
Olha-me os rios renovados de cadáveres,
os rios turvos do espesso deslizar
dos braços e das mães do meu país.
Olha-me as igrejas restauradas
sobre ruínas de propalada fé:
paredes brancas de um urgente brio
escondendo ferros de educar gentio.
Olha-me a noite herdada, nestes olhos
de um povo condenado a amassar-te o pão.
Olha-me amor, atenta podes ver
uma história de pedra a construir-se
sobre uma história morta a esboroar-se
em chagas de salitre.

- Ruy Duarte de Carvalho, em "A decisão da idade". Luanda: União dos Escritores Angolanos, 1976.

§
 
Noção geográfica
A esses que me perguntam
donde lhes vem a direcção escolhida
e são apenas a direcção lançada
ao centro indefinido da razão;

e que empunham as armas sem saber
razão fundamental para o seu uso;
e que indecisos se erguem para indagar
a que futuro apontam

elevo a voz para dizer
das múltiplas razões para uma entrega
ao tempo de partir e edificar
as naves de arremesso

e construir uma nação sem muros
onde se expanda o eco da alegria
cavada em vossos peitos
pelo resgatar dos corpos e da cor
de encontro à bruma que ficou contida
entre os dois tempos de uma manhã morta
adonde nos jazia a decisão
e atônitos olhávamos os dias
perdidos entre a noite e sem saber-lhe o fim.

- Ruy Duarte de Carvalho, em "Lavra: poesia reunida 1970-2000." Lisboa: Edições Cotovia, 2005, p. 79.

§ 

Profecia de Nakulenga 
(Origem Kwanyama)
 

Algo de estranho se agita nas águas
algo de estranho se arrasta na terra.
Era longe, ficou perto, agora é cá.
E o povo já foge.
Talvez até caia
um pau de omuhama

na estrada a indicar que para o rei
a morte vai chegar
a vida é breve.

Eles vêm de um país muito distante
e trazem para dizer coisas diferentes
que é preciso avaliar com atenção.
Cruzava o país e dos nobres eu via
os ricos currais.

Renovo a viagem
e que vejo agora?
Dos nobres agora não vejo os currais
mas vejo dos brancos
suas construções.
 

- Ruy Duarte de Carvalho, em "Ondula, savana branca". Lisboa: Sá da Costa Editora, 1982.

§

Venho de um sul
Eu vim ao leste
dimensionar a noite
em gestos largos
que inventei no sul 
pastoreando mulolas e anharas 
claras
como coxas recordadas em maio. 


Venho de um sul
medido claramente
em transparência de água fresca de amanhã.
De um tempo circular
liberto de estações.
De uma nação de corpos transumantes
confundidos
na cor da crosta acúlea
de um negro chão elaborado em brasa.  

- Ruy Duarte de Carvalho, em "Chão de oferta". Luanda: Culturang, 1972, p. 35.



Ruy Duarte de Carvalho

FORTUNA CRÍTICA DE RUY DUARTE DE CARVALHO
BARBOSA, Giliard Avila. As tramas discursivas do gênero em 'Desmedida', de Ruy Duarte de Carvalho. In: Colóquio Fluxos Literários: Ética e Estética, 2012, Florianópolis. Anais do Colóquio Fluxos Literários: Ética e Estética. Florianópolis: Editora da UFSC, 2011. p. 355-363. 
CARDOSO, Claudia Fabiana de Oliveira. O deserto sagrado da poesia: experiências de sentido em Ruy Duarte de Carvalho e Paula Tavares. (Tese Doutorado em Literatura Comparada). Universidade Federal Fluminense, UFF, 2013.
CARDOSO, Claudia Fabiana de Oliveira. A poesia de Ruy Duarte de Carvalho para além de fronteiras. Via Atlântica (USP), p. 57-73, 2015. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016).
CARDOSO, Claudia Fabiana de Oliveira. O poeta viajante e a experiência da modernidade: os casos de Ruy Duarte de Carvalho e Paula Tavares. Revista e-scrita: revista do curso de Letras da UNIABEU, v. 5, p. 26-38, 2014.  
CARDOSO, Claudia Fabiana de Oliveira. A jornada do herói em dois poemas de Ruy Duarte de Carvalho. Mulemba, v. 1, p. 4, 2011. 
CARDOSO, Claudia Fabiana de Oliveira. Da noção geográfica do deserto: a narrativa de Ruy Duarte de Carvalho. In: Maria Nazareth Soares Fonseca; Maria Zilda Ferreira Cury. (Org.). África: dinâmicas culturais e literárias. 1ª ed., Belo Horizonte: Ed. PUC Minas, 2012, v. , p. 461-469.
CASTRILLON, Susanne Maria Lima. O Surrealismo na poética de Lobivar Matos e Ruy Duarte de Carvalho. In: II Congresso Internacional de Educação, 2014, Cáceres-MT. Linguagem e Arte. Cáceres-MT, 2014. v. 2. p. 11-13. 
CAVACAS, Fernanda; GOMES, Aldónio. Dicionário de Autores de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. Lisboa: Editorial Caminho, 1997.
CHAVES, Rita. A formação do romance angolano. 1ª ed., São Paulo: Via Atlântica / Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, 1999. v. 1. 224p.  
CHAVES, Rita. Ruy Duarte de Carvalho: escritas de viagem. in: Cerrados (UnB. Impresso), v. 30, p. 281-293, 2010. 
CHAVES, Rita. Ruy Duarte de Carvalho's Desmedida; The voyage as Sintheses and Invetion. In: Ana Leite; Hilary Owen, LIvia Apa, Rita Chaves. (Org.). Narrating the postcolonial nation. 1ª ed., Berna: Peter Lang, 2014, v. 1, p. 143-161.
CHAVES, Rita. A propósito da narrativa contemporânea em Angola: notas sobre a noção de espaço em Luandino Vieira e Ruy Duarte de Carvalho. In: Carmen Tindó Secco; Maria Teresa Salgado; Sílvio Renato Jorge. (Org.). África, escritas literárias. 1ª ed., Rio de Janeiro / Luanda: Editora da UFRJ / União dos Escritores Angolano, 2010, v. 1, p. 13-21.
CHAVES, Rita; APA, Livia; LEITE, Ana Mafalda. A desmedida de Ruy Duarte de Carvalho: a viagem como síntese e invenção. In: CHAVES, Rita; APA, Livia: LEITE, Ana Mafalda. (Org.). Nação e narrativa pós-colonial I. 1ª ed., Lisboa: Colibri, 2012, v. 1, p. 143-157.  
CHAVES, Rita; CURY, Maria Zilda; WALTY, Ivete. L.; ALMEIDA, Sandra. Do curso e do discurso das viagens: Desmedida, de Ruy Duarte de Carvalho. In: WALTY, Ivete L. C.; CURY, Maria Zilda F.; ALMEIDA, Sandra Regina G.. (Org.). Mobilidades culturais: agentes e processos. Belo Horizonte:: Veredas & Cenários, 2009, v. , p. 177-188. 
CHAVES, Rita; MACÊDO, Tania; VECCHIA, Rejane. Ruy Duarte de Carvalho - a educação pela terra. In: Rita Chaves; Tania Macêdo; Rejane Vecchia. (Org.). A kinda e a misanga - Encontros brasileiros com a literatura angolana. 1ª ed., São Paulo / Luanda: Cultura Acadêmica / Nzila, 2007, v. 1, p. 109-116.
Ruy Duarte de Carvalho
CHAVES, Rita; MACÊDO, Tania; VECCHIA, Rejane. Modos de ver e escrever o mundo em Ruy Duarte de Carvalho. In: Rita Chaves; Tania Macêdo; Rejane Vecchia. (Org.). A kinda e a misanga - Encontros brasileiros com a literatura angolana. 1ª ed., São Paulo / Luanda: Cultura Acadêmica / Nzila, 2007, v. 1, p. 335-347.
CHAVES, Rita. Ruy Duarte de Carvalho: literatura e identidade para além do mundo do tino comum. In: Maria da Penha Campos Fernandes. (Org.). História(s) da Literatura. Coimbra: Almedina, 2005, v. 1, p. 301-309.
 CHAVES, Rita. Ruy Duarte de Carvalho: a palavra entre as decisões motivadas. Sete Palcos, Coimbra, v. 5, p. 19-24, 2006.  
CHAVES, Rita. Ruy Duarte de Carvalho: antropologia e ficção na representação do mundo. Africa Review Of Books, Moçambique, p. 7-8, 2005. 
CHAVES, Rita. Ruy Duarte de Carvalho: anthropologie, fiction et la représentation du monde. Africa Review Of Books, Maputo, p. 7-8, 2005.
CHAVES, Rita. Desmedida: o Brasil, para além da paisagem, em Ruy Duarte de Carvalho. in: Remate de Males – 26(2) – jul./dez. 2006. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016). 
CHAVES, Rita. Literatura e identidade(s): algum percurso de Ruy Duarte de Carvalho. in: VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, 2004. 
CHAVES, Rita. Ruy Duarte de Carvalho: antropologia e ficção na representação do mundo. in: Africa Review Of Books, Moçambique, p. 7-8, 2005. 
CHAVES, Rita. "Vou lá visitar pastores" - literatura, antropologia e identidade(s). in: Carta Maior, 25.10.2006. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016). 
CHAVES, Rita. Os papéis do inglês, de Ruy Duarte de Carvalho. in: Carta Maior, 6.6.2007. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016). 
CROSARIOL, Isabelita Maria. O legado de Próspero: Uma investigação do projeto narrativo de Ruy Duarte de Carvalho. (Tese Doutorado em Letras). Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, 2013.
CROSARIOL, Isabelita Maria. Impérios desmitificados: Ruy Duarte de Carvalho e o passado colonial reescrito. (Dissertação Mestrado em Letras). Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, 2009.
CROSARIOL, Isabelita Maria. Corpo negro em liberdade na obra de Ruy Duarte de Carvalho. In: Nágila Oliveira dos Santos; André Luiz dos Santos Silva. (Org.). Cadernos África e Africanidade 1: Literaturas Africanas e Afro-brasileiras. 1ª ed., Rio de Janeiro: África e Africanidades, 2009, v. 1, p. 74-81.  
CROSARIOL, Isabelita Maria. Discurso sobre o discurso: uma reflexão sobre a obra Os papéis do Inglês. In: Maria Célia Lima-Hernandes; Maria João Marçalo; Guaraciaba Micheletti; Vima Lia de Rossi Martin.. (Org.). A língua portuguesa no mundo. São Paulo: FFLCH-USP, 2008, v. 1, p. -. 
CROSARIOL, Isabelita Maria. Violência e testemunho na produção literária de Ruy Duarte de Carvalho. In: Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Seco; Sílvio Renato Jorge; Maria Teresa Salgado Guimarães da Silva. (Org.). PENSANDO ÁFRICA - III Encontro de Professores de Literaturas Africanas. 1ª ed., Rio de Janeiro: -----, 2008, v. 1, p. 1-1.  
CROSARIOL, Isabelita Maria. O dizer da guerra na poética de Ruy Duarte de Carvalho. Darandina - revisteletrônica – Programa de Pós-Graduação em Letras / UFJF – vol. 2 – n 2, 2010. Disponível no link. (acessado em 11.2.2016).
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Ruy Duarte de Carvalho - foto: Walter Fernandes
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"Todas as expressões literárias locais se constituiriam assim como literaturas de fronteira em que a paisagem seria a língua maior, e que aí, uma vez realizadas, se transmudariam em voz... virando fala que passa a ser voz, perturbe a expressão do poder que a língua também é..."
- Ruy Duarte de Carvalho, em "A câmara, a escrita e a coisa dita... fitas, textos e palestras". Lisboa: Cotovia, 2008, p. 22. 

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"Na memória íntima que consigna o registro das minhas emoções, porém, o que retenho não contempla essa margem de apreensão de conhecimento mas antes a dilatação dos horizontes da minha própria experiência pessoal (...) Vou ter que contar-me, tratar-me, pois, enquanto personagem dessa estória. E essa então será, comigo a actuar lá dentro e a primeira inscrita nela, a tal estória que tenho para contar-te. E quem narra não há-de ter, ele também que dar-se a contar?" 
- Ruy Duarte de Carvalho, em "Os papéis do inglês". Lisboa: Cotovia, 2000, p. 38.




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Por toda a parte os há
e por toda a parte se revelam,
manifestam, no espaço
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que os poderes, lhes consignam..."

- Ruy Duarte de Carvalho, em "Como se o mundo não tivesse leste". Lisboa: Cotovia, 2003.



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FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Ruy Duarte de Carvalho - a mitopoética das africanidades. Templo Cultural Delfos, fevereiro/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 11.2.2016.



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Um comentário:

  1. ..apenas um senão: o Pai do Rui não era um aventureiro nem caçador de elefantes. De vez em quando ia á caça, o que é diferente. De resto, obrigado.

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