José Craveirinha - os tambores poéticos do grito negro

José Craveirinha - foto: Macua/Divulgação
José Craveirinha (José João Craveirinha). Poeta, ensaísta e jornalista, nasceu em 28 de Maio de 1922, em Lourenço Marques, hoje Maputo - e faleceu em 6 de Fevereiro de 2003, em Maputo/ Moçambique. Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.  Como jornalista trabalhou em O Brado Africano, Notícias, A Tribuna, Notícias da Beira, O Jornal e Voz de Moçambique, teve ainda colaboração em outros jornais e revistas de Moçambique, além da colaboração em jornais portugueses, brasileiros e de outros países estrangeiros. Em Moçambique utilizou mais de um pseudónimo. Foi também cronista desportivo. Devido às suas actividades políticas esteve preso pela PIDE/DGS de 1965 a 1969. A sua obra recebeu vários prémios, nomeadamente: Prémio Alexandre Dáskalos, Lisboa 1960; Prémio Cidade Lourenço Marques; Prémio Reinaldo Ferreira, da Cidade da Beira; Prémio Nacional de Poesia, de Itália; Medalha de Ouro da Cidade de Brescia; Medalha de Ouro do Prémio Lotus (Escritores Afro-Asiáticos); Medalha de Mérito "Cultura na Rua" conferida pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (Brasil); Medalha de Ouro Participação no "Seminário Internacional de Estudo da Nova Literatura Africana" (Roma).  Participação na representação moçambicana à VI Conferência dos Escritores Escritores Afro-Asiáticos (Luanda, 1979) onde foi eleito membro permanente do Júri do Prémio Lotus. Prémio Camões, 1991; Prémio Vida Literária, da AEMO.
Posteriormente tem participado e representado a República Popular de Moçambique em vários Congressos, Conferências, Encontros internacionais. Poemas seus foram traduzidos em várias línguas e está representado em dezenas de antologias de poesia, não só em língua portuguesa como inglesa, francesa, russa, suali, alemã, etc. Publicou os seguintes livros: Chigubo, 1964; Cântico a um Dio de Catrame (edição bilinge italiana, 1966); Karingana ua Karingana, 1974; Cela1, 1981; Maria, 1988; Babalaze das hienas, 1997; Haminas e outros contos, 1996; Maria (edição ampliada), 1998; Contacto e outras crónicas, 1999.
Foi o primeiro Presidente da AEMO -Associação dos Escritores Moçambicanos. Sendo um grande poeta da língua portuguesa é também um dos maiores poetas africanos.

José Craveirinha, Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo ou Abílio Cossa, seja como for, o poeta da luta, nasceu várias vezes como o diz na sua autobiografia:


“Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Isto por parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai, fiquei José. Aonde? Na Av. Do Zihlahla, entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres. Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato… A seguir, fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros. Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: seu irmão. E a partir de cada nascimento, eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique. A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe preta. Nasci ainda outra vez no jornal O Brado Africano. No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa. Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso. Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por parte de minha mãe, só resignação. Uma luta incessante comigo próprio. Autodidacta. Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis. Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes, altas horas a noite.” (José Craveirinha em 'notas autobiográficas').
:: Fonte: CRAVEIRINHA, José. 'Maria'. ALAC, 1988; Cronópios (As informações foram atualizadas em 5.6.2015, pelos editores deste site).


José Craveirinha, por Fabiana Miraz de Freitas Grecco

PRÉMIOS E CONDECORAÇÕES
1959 - Prémio Cidade de Lourenço Marques.
1960 - Prémio Alexandre Dáskalos, da Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, Portugal.
1961 - Prémio Reinaldo Ferreirada Cidade da Beira.
1961 - Prémio de Ensaio do Centro de Arte e Cultura da Beira.
1975 - Prémio Nacional de Poesia, de Itália.
1975 - Medalha de Ouro da Comuna de Concesio, da Cidade de Brescia.
1983 - Prémio Lotus, da Associação de Escritores Afro-Asiáticos.
1985 - Medalha Nachingwea, do Governo de Moçambique.
1987Medalha de Mérito "Cultura na Rua" conferida pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, SP/Brasil.
1991 - Prémio Camões.
1997 - Comendador da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal, em 21 de Abril.
1998 - Prémio Vida Literária, da Associação dos Escritores Moçambicanos (Aemo).


Remendos de estrelas
passajadas no espaço
reconstroem todo o céu.

Mãe:
E se não houvesse estrelas
se o teu ventre me não gerasse
e se o céu em vez de infinito
fosse de pergamóide azul?

Que espécie de poesia, mãe
faria um poeta que não renuncia
exatamente como eu
à cor com que nasceu?
- José Craveirinha, em "José Craveirinha: antologia poética". [organização Ana Mafalda de Morais Leite; nota bibliográfica de Emílio Maciel]. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.


OBRA DE JOSÉ CRAVEIRINHA - ´PRIMEIRAS EDIÇÕES
:: Chigubo  [título da 1ª ed., rebatizada nas seguintes de Xigubo]. Lisboa: Casa dos Estudantes do Império, 1964;  Xigubo (batuque)..2ª ed., Maputo: INLD, 1980.
José Craveirinha - foto:  (...)
:: Cântico a um dio de catrane. [tradução e prefácio de Joyce Lussu]. Edição bilingue. Milano/Itália: Lerici, 1966.
:: Nkaringana ua Nkaringana (era uma vez)Lourenço Marques: Académica, 1974; 2ª ed., Maputo: INLD, 1982; 3ª ed., Maputo: AEMO, 1996.
:: Cela 1. Maputo: INLD, 1980.
:: Izbrannoe. Moskva: Molodaya Gvardiya, 1984.
:: Maria. [prefácio Rui Knopfli; posfácio Mário Pinto de Andrade; ilustrações Chichorro]. Maputo: Alac - África, Literatura, Arte e Cultura, Lda, 1988.
:: Haminas e outros contosMaputo: Ndjira, 1996.
:: Babalaze das hienasMaputo: Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), 1997, 54p.
:: Maria. (edição ampliada). Maputo: Ndjira, 1998.
:: Contacto e outras crónicas. Maputo: Instituto Camões, 1999.
:: Vila Borghesi e outros poemas de viagem*. [apresentação Gilberto Matusse]. Maputo: JC Editores, 2012.
:: Tâmaras Azedas de Beirute*. [apresentação Gilberto Matusse]. Maputo: JC Editores, 2012.
* Publicação póstuma

Coletâneas e outros textos
:: Obra Poética - José Craveirinha. Maputo: Direcção de Cultura, Universidade Eduardo Mondlane, 2002, 367p.
:: Poemas de prisão. [reúne trabalhos escritos por Craveirinha durante o tempo em que esteve preso pela PIDE, a polícia política do Estado Novo português, entre 1965 e 1969, são 54 poemas e 17 textos]. Maputo: Ndjira, 2003, 107p.
:: Poemas eróticos. [organização e seleção Fátima Mendonça].  Moçambique Editora/Texto Editores, 2004.
:: Folclore moçambicano e suas tendências. (ensaios).. [selecção e organização dos textos José Craveirinha (filho); nota introdutória Aurélio Rocha; prefácio José Luís Cabaço]. Maputo: Alcance Editores/ Museu José Craveirinha, 2009, 298p.

Antologia [participação]
:: 50 poetas africanos. [organização e seleção Manuel Ferreira]. Lisboa: Plátano Editora, 1989.
:: Colectânea breve de literatura moçambicana. [organização Rogério Manjate]. Maputo: Identidades Intercâmbio Artístico, 2000, 148p.
:: Nunca mais é sábado: antologia de poesia moçambicana. [organização Nelson Saúte]. Lisboa: D. Quixote, 2004.


Gumes de névoa
Lágrimas?

Ou apenas
dois intoleráveis
ardentes gumes de névoa
acutilando-me cara abaixo?
- José Craveirinha, em "Maria". Maputo: Ndjira, 1998.



José Craveirinha
OBRAS DE JOSÉ CRAVEIRINHA PUBLICADAS EM PORTUGAL
:: Chigubo (batuque).. [título da 1ª ed., rebatizada de Xigubo nas seguintes]. Lisboa: Casa dos Estudantes do Império, 1964
:: Xigubo. 2ª ed., Lisboa: Edições 70, 1980.
:: Cela I. Lisboa: Edições 70, 1980.
:: Karingana ua karingana. Lisboa: Edições 70, 1982.
:: Maria. Lisboa: Lisboa: Alac, 1988.
:: Hamina e outros contosLisboa: Editorial Caminho,  1997.
:: MariaLisboa: Editorial Caminho,1998.
:: Obra Poética I - José Craveirinha. [inclui os livros 'Xigubo' 1964 e 'Karingana ua Karingana' 1974]. Lisboa: Editorial Caminho, 1999, 223p.
:: Poemas de prisãoLisboa: Texto Editora, 2004.


EDIÇÕES ITALIANAS
:: Cântico a um dio de catrane. [tradução e prefácio de Joyce Lussu]. Edição bilingue. Milano/Itália: Lerici, 1966.
:: Voglio essere tamburu. Venezia: Centro Internacional delle Gráfica de Venezia, COOP, 1991.


O coval
Excêntrica
é a minha indignada
mesquinha forma de sofrer.

Lúcido
eu a desencher o mundo
tapando-me no mesmo coval.
- José Craveirinha, em "Maria". Maputo: Ndjira, 1998.


OBRAS DE JOSÉ CRAVEIRINHA PUBLICADAS NO BRASIL
:: José Craveirinha: antologia poética. [organização Ana Mafalda de Morais Leite; nota bibliográfica de Emílio Maciel]. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010, 198p. 


POEMAS ESCOLHIDOS DE JOSÉ CRAVEIRINHA
José Craveirinha, por  Junior Lopes Cunha

A boca
Jucunda boca
deslabiada a ferozes
júbilos de lâmina
afiada.

Alva dentadura
antónima do riso
às escancaras desde a cilada.

Exotismo de povo flagelado
esse atroz formato
da fala.
- José Craveirinha, em "Babalaze das hienas". Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), 1997.


Adágio
Tinhas razão Maria. 
Sorrisos peculiares de ofídeo 
gente que mais bajula 
mais periculosa.
- José Craveirinha, em "Maria". Maputo: ALAC, 1988.


Canção negreira
Amo-te
com as raízes de uma canção negreira
na madrugada dos meus olhos pardos.

E derrotas de fome
nas minhas mãos de bronze
florescem languidamente na velha
e nervosa cadência marinheira
do cais donde os meus avós negros
embarcaram para hemisférios da escravidão.

Mas se as madrugadas
das minhas órbitas violentadas
despertam as raízes do tempo antigo ...
mulher de olhos fadados de amor verde-claro
ventre sedoso de veludo
lábios de mampsincha madura
e soluções de espasmo latejando no quarto
enche de beijos as sirenas do meu sangue
que meninos das mesmas raízes
e das mesmas dolorosas madrugadas
esperam a sua vez.
* fruto comestível de planta rasteira.
- José Craveirinha, em "Obra Poética - José Craveirinha".  Maputo: Direcção de Cultura, Universidade Eduardo Mondlane, 2002.


Cântico a um deus de alcatrão
     Ao
     António Bronze

Máquina começou trabalhar

com sol
com chuva
com farinha e feijão
máquina começou abrir chão. 

Lua escondeu coração

saiu ouro
saiu pedra de lapidação
saiu barco cheio de máquina gente no porão
saiu notícia de menino morto boneco de carvão
saiu Cadillac novo de patrão. 

Máquina começou trabalhar

com farinha de pilão
nasceu milho
nasceu machamba de feijão
nasceu máquina grande
nasceu pequenino deus de alcatrão. 

Máquina começou trabalhar

máquina está trabalhar
até um dia enraivar
com farinha de pilão!...
- José Craveirinha, em "Cântico a um dio de catrane". [tradução e prefácio de Joyce Lussu]. Edição bilingue. Milano/Itália: Lerici, 1966.


Contra-senha
Êxtase
de esferas de beijos.
Fomes azuis de horizonte
e tu, querida
flor inânime na madrugada
espírito presente
artérias em assombrações.

Minutos gritados em vão.
Crânios estilhaçados.
Cúmulos de estertor.
E no desbotado anil do céu
as pupilas vazadas a bicos de baioneta
pintam um pesadelo de gengivas amarelas

Leve
teu corpo de impala
e o bico de teus peitos
arando-me o tórax na alucinação.
- José Craveirinha, em "Karingana Ua Karingana (Era uma vez). Lisboa: Edições 70, 1982.


De profundis
Extenso dia taciturno de nuvens.
Nas ramadas passarinhos de mágoa
lacrimejando chilros. Um braçado
polícromo de flores
perfumando
De profundis
de coroas.

Tão duro
assim lacônico
nossos adeus de rosas, Maria. 
- José Craveirinha, em "Obra poética - José Craveirinha".  Maputo: Direcção de Cultura, Universidade Eduardo Mondlane, 2002.


Esperança
No canhoeiro
um galagala hesita
a cabeça azul,

Nos roxos sótãos do crepúsculo
a aranha vai fiando
sua capulana de teia.

E nós?
Ah, nós esperamos
na euforia das costas suadas
que o sol do vexame acumulado
deflagre.
- José Craveirinha, em "Karingana ua Karingana". Lisboa: Edições 70, 1982, p. 31. 


Estrelas
A intensa carícia que me afaga 
vem-me de ti como o longínquo 
hálito das estrelas
que nos seus aondes 
já não existem.
mas continuam puras 
a brilhar.
- José Craveirinha, em "Maria". Maputo: ALAC, 1988.


Grãos d.areia
Um só ínfimo grão d.areia 
nunca imaginei 
pesar tanto
Quanto mais em teu repouso 
constrangidos torrões 
às mãos cheias.
- José Craveirinha, em "Maria". Maputo: ALAC, 1988.


Grito negro
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.
- José Craveirinha, em "Karingana Ua Karingana (Era uma vez). Lisboa: Edições 70, 1982.


Hino à minha terra
         O sangue dos nomes
         é o sangue dos homens.
         Suga-o tu também se és capaz
         tu que não nos amas.

Amanhece
sobre as cidades do futuro.
E uma saudade cresce no nome das coisas
e digo Metengobalame e Macomia
e é Metengobalame a cálida palavra
que os negros inventaram
e não outra coisa Macomia. 

E grito Inhamússua, Mutamba, Massangulo!!!
E torno a gritar Inhamússua, Mutamba, Massangulo!!!
E outros nomes da minha terra
afluem doces e altivos na memória filial
e na exacta pronúncia desnudo-lhes a beleza.
Chulamáti! Manhoca! Chinhambanine!
Morrumbala, Namaponda e Namarroi
e o vento a agitar sensualmente as folhas dos canhoeiros
eu grito Angoche, Marrupa, Michafutene e Zóbuè
e apanho as sementes do cutlho e a raíz da txumbula
e mergulho as mãos na terra fresca de Zitundo.
Oh, as belas terras do meu áfrico País
e os belos animais astutos
ágeis e fortes dos matos do meu País
e os belos rios e os belos lagos e os belos peixes
e as belas aves dos céus do meu país
e todos os nomes que eu amo belos na língua ronga
macua, suaíli, changana,
xitsua e bitonga
dos negros de Camunguine, Zavala, Meponda, Chissibuca
Zongoene, Ribáuè e Mossuril.
– Quissimajulo! Quissimajulo! – gritamos
nossas bocas autenticadas no hausto da terra.
– Aruángua! – Responde a voz dos ventos na cúpula das micaias. 

E no luar de cabelos de marfim nas noites de Murrupula
e nas verdes campinas das terras de Sofala a nostalgia sinto
das cidades inconstruídas de Quissico
dos chindjiguiritanas no chilro tropical de Mapulanguene
das árvores de Namacurra, Muxilipo, Massinga
das inexistentes ruas largas de Pindagonga
e das casas de Chinhanguanine, Mugazine e Bala-Bala
nunca vistas nem jamais sonhadas ainda.
Oh! O côncavo seio azul-marinho da baía de Pemba
e as correntes dos rios Nhacuaze, Incomáti, Matola, Púnguè
e o potente espasmo das águas do Limpopo.
Ah! E um cacho das vinhas de espuma do Zambeze coalha ao sol
e os bagos amadurecem fartos um por um
amuletos bantos no esplendor da mais bela vindima. 

E o balir pungente do chango e da impala
o meigo olhar negro do xipene
o trote nervoso do egocero assustado
a fuga desvairada do inhacoso bravo no Funhalouro
o espírito de Mahazul nos poentes da Munhuana
o voar das sécuas na Gorongoza
o rugir do leão na Zambézia
o salto do leopardo em Manjacaze
a xidana-kata nas redes dos pescadores da Inhaca
a maresia no remanso idílico de Bilene Macia
o veneno da mamba no capim das terras do régulo Santaca
a música da timbila e do xipendana
o ácido sabor da nhantsuma doce
o sumo da mampsincha madura
o amarelo quente da mavúngua
o gosto da cuácua na boca
o feitiço misterioso de Nengué-ua-Suna. 

Meus nomes puros dos tempos
de livres troncos de chanfuta umbila e mucarala
livres estradas de água
livres pomos tumefactos de sémen
livres xingombelas de mulheres e crianças
e xigubos de homens completamente livres! 

Grito Nhanzilo, Eráti, Macequece
e o eco das micaias responde: Amaramba, Murrupula,
e nos nomes virgens eu renovo o seu mosto em Muanacamba
e sem medo um negro queima as cinzas e as penas de corvos de agoiro
não corvos sim manguavavas
no esconjuro milenário do nosso invencível Xicuembo! 

E o som da xipalapala exprime
os caninos amarelos das quizumbas ainda
mordendo agudas glandes intumescidas de África
antes da circuncisão ébria dos tambores incandescentes

da nossa maior Lua Nova.
- José Craveirinha (1958), em "Xigubo". Lisboa: Edições 70, 1980, p. 21-22.
Capa do livro Karingana ua Karingana,
de José Craveirinha


Karingana ua Karingana
De hora a hora
e minuto a minuto cresce
cresce devagarinho a semente na terra escura.
E a vida curva-nos mais ao ritmo fantástico
do nosso chicomo relampejante áscua de chanfuta
subafricano amadurecendo as jejuadas manhãs
ao velho calor dos braçais intensos
na lavra das lavras de uma lua
esfarrapada no meio do chão.

E a semente de milho cresce
cresce na povoação que a semeou com ternura
desidratada à preto nos sovacos da machamba
e a estrada passando ao lado vai-se abrindo
como uma mulher vai-se abrindo quente e comprida
aos beijos das rodas duplas da Wenela de cus
e dorsos a germinar os pesadelos dos mochos
bacilarmente
imperceptivelmente
desabrochando os profilácticos
férteis sudoríperos cereais em manuração.

E depois...
de capulanas e tangas supersticiosa a vida
vai espiando no céu os indecifráveis agoiros
que hão-de rebentar a nhimba da missava culimada
e na mórbida vigília dos ouvidos ao - Karingana
ua Karingana!? - todos juntos prescrutando a mafurreira
longínqua no horizonte e as mãos batendo a forja dos mil
sóis da tingoma dos corações enroscados de mambas
de ansiedade à luz da fogueira, respondendo - Karingana!

Oh! Os Xicuembos a chamar a chamar
nas facas de esmeraldas de milhos verticais na terra!

Ah, o dia bom da colheita destes milhos de amor
e tédio vai começar e recomeçar nos inumeráveis chicomos
desalgodoando os algodões a mais sofisticados
de tractores que deviam estar e não estão
- José Craveirinha (2ª versão - 29/2/51-63), em "Karingana Ua Karingana (Era uma vez). Lisboa: Edições 70, 1982.


Lâmpada
Sei
que depois a pele transpira
até à lâmpada replandecente
e que no Verão dos vóltios
os meus dentes batem de frio.

Obviamente então
a metamorfose dos mudos
quando tem de suceder
sucede luminosamente.
- José Craveirinha, em "Cela 1". Maputo: INLD, 1980.


Manifesto
Oh!
Meus belos e curtos cabelos crespos
e meus olhos negros como insurrectas
grandes luas de pasmo na noite mais bela
das mais belas noites inesquecíveis das terras do Zambeze.
Como pássaros desconfiados
incorruptos voando com estrelas nas asas meus olhos
enormes de pesadelos e fantasmas estranhos motorizados
e minhas maravilhosas mãos escuras raízes do cosmos
nostálgicas de novos ritos de iniciação
duras da velha rota das canoas das tribos
e belas como carvões de micaia
na noite das quizumbas
E minha boca de lábios túmidos
cheios da bela viribilidade ímpia de negro
mordendo a nudez lúbrica de um pão
ao som da orgia dos insectos urbanos
apodrecendo na manhã nova
cantando a cega-rega inútil das cigarras obesas.
Oh! e meus dentes brancos de marfim espoliado
puros brilhando na minha negra reincarnada face altiva!
e no ventre maternal dos campos da nossa indisfrutada colheita
de milho
o cálido encantamento selvagem da minha pele tropical.
Ah! E meu
corpo flexível como o relâmpago fatal da flecha de caça
e meus ombros lisos de negro da Guiné
e meus músculos tensos e brunidos ao sol das colheitas e da carga
na capulana austral de um céu intangível
os búzios de gente soprando os velhos sons cabalísticos de África.
Ah!
o fogo
a lua
o suor amadurecendo os milhos
a irmã água dos nossos rios moçambicanos
e a púrpura do nascente no gume azul dos seios das montanhas
Ah, Mãe África no meu rosto escuro de diamante
de belas e largas narinas másculas
frementes haurindo o odor florestal
e as tatuadas bailarinas macondes
nuas
na bárbara maravilha eurítmica
das sensuais ancas puras 
e no bater uníssono dos mil pés descalços.
Oh! e meu peito da tonalidade mais bela do breu
e no embondeiro da nossa inaudita esperança gravado
o totem mais invencível tótem do Mundo
e minha voz estentória de homem do Tanganhica
do Congo, Angola, Moçambique e Senegal.
Ah! Outra vez eu chefe zulo
eu azagaia banto
eu lançador de malefícios contra as insaciáveis
pragas de gafanhotos invasores
Eu tambor
Eu suruma
Eu negro suaíli
Eu Tchaca
Eu Mahazul e Dingana
Eu Zichacha na confidência dos ossinhos mágicos do Tintholo
Eu insubordinada árvore da Munhuana
Eu tocador de presságios nas teclas das timbila chopes
Eu caçador de leopardos traiçoeiros
Eu xiguilo no batuque
E nas fronteiras de águas do Rovuna ao Incomáti
Eu-cidadão dos espíritos das luas
carregadas de anátemas de Moçambique. 
- José Craveirinha, em "Xibugo". Maputo: AEMO, 1995.


Monograma
A sotavento da face
colar aquoso
se desfia

E em sua fímbria macia
meu lenço azul-escuro
discreto humedece
o monograma
Jota
Cê.

Colar
que se desfia
no próprio lapso.
- José Craveirinha, em "Obra poética - José Craveirinha".  Maputo: Direcção de Cultura, Universidade Eduardo Mondlane, 2002.


Na cantiga do negro de batelão
Se me visses morrer
Os milhões de vezes que nasci...
Se me visses chorar
Os milhões de vezes que te riste...
Se me visses gritar
Os milhões de vezes que me calei
Se me visses cantar
Os milhões de vezes que morri
E sangrei
Digo-te, irmão europeu
Também tu
Havias de nascer
Havias de chorar
Havias de cantar
Havias de gritar
Havias de morrer
E sangrar...
Milhões de vezes como eu
- José Craveirinha. in: Via Atlântica, nº 5. Revista do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH da USP. São Paulo, 2002 p.100.


O meu preço
Eu cidadão anónimo
do País que mais amo sem dizer o nome
se é para me dar de corpo e alma
dou-me todo como daquela vez em Chaimite.
Dou-me em troca de mil crianças felizes
nenhum velho a pedir esmola
uma escola em cada bairro
salário justo nas oficinas
filas de camiões carregados de hortaliças
um exército de operários todos com serviço
um tesouro de belas raparigas maravilhando as praias
e ao vento da minha terra uma grande bandeira sem quinas.

Se é para me dar
dou-me de graça por conta disso.

Mas se é para me vender
vendo-me mas vendo-me muito caro.
- José Craveirinha, em "Cela 1". Maputo: INLD, 1980, p. 43.


Os dois eus e a solidão
Em mim
a solidão
é já uma pessoa.

Onde
a um eu que não chora
um meu outro eu
chora tudo
pelos três 
- José Craveirinha, em "Maria". Maputo: Ndjira, 1998, p. 221.


Outra beleza
Uns exibem insólitos perfis
de outra beleza
maquilhada
no mato.

ou
do viés
ou de frente
perfeitos modelos de caveira
desfilam sem nariz.
- José Craveirinha, em "Babalaze das Hienas". Maputo: AEMO, 1997.


Para um idílio clandestino
Deixa-me que te beije
ao de leve o rosto na manhã nova
e meus dedos acariciem
nervosos a curva meiga do teu seio.

Meu amor:
o senso fragmenta-me a sensibilidade
e o que seu sinto-o
larva plena do que há-de vir.

Tu e eu
envolvidos nesta aventura
esperamos o comprometido instante
nalguma parte de nós.

Vai. Não te esqueças.
Nesta manhã do Infulene
ao quilômetro dez da liberdade
o sobrenatural acontece:
É assim.
Eu preso.
E tu minha mulher
depois da visita partes à vontade
mas não livre.
- José Craveirinha (Julho de 1967), em "Obra poética - José Craveirinha".  Maputo: Direcção de Cultura, Universidade Eduardo Mondlane, 2002.
                            

Poemazinho eterno
Os amigos
 eram falsos como Judas.
 Ah, como Judas, não.
 Judas arrependeu-se.
 Os amigos
 eram mesquinhos como Judas.
 Ah, mesquinhos como Judas também não.
 Judas vendeu Cristo
 e enforcou-se.

- José Craveirinha, em "Karingana wa Karingana". Lisboa: Edições 70, 1982, p. 23.


Quero ser tambor
Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.

Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.

Nem nada!

Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.

Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.

Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor

só tambor!
- José Craveirinha, em "Karingana Ua Karingana (Era uma vez). Lourenço Marques: Académica, 1974.

Sacrário
A ausência do corpo.
Amor absoluto.

Hossanas de sol.
De chuva.
De brisa.
E de andorinhas
resvalando as asas
no ombro de uma nuvem.

Com uma hérbia mantilha
por cima velando
o teu sacrário.
- José Craveirinha, em "Maria". Maputo: Ndjira, 1998, p. 41.


Sementeira
Cresce a semente
lentamente
debaixo da terra escura.

Cresce a semente
enquanto a vida se curva no chicomo
e o grande sol de África
vem amadurecer tudo
com o seu calor enorme de revelação.

Cresce a semente
que a povoação plantou curvada
e a estrada passa ao lado
macadamizada quente e comprida
e a semente germina
lentamente no matope
imperceptível
como um caju em maturação.

E a vida curva as suas milhentas mãos
geme e chora na sina
de plantar nosso suor branco
enquanto a estrada passa ao lado
aberta e poeirenta até Gaza e mais além
camionizada e comprida.

Depois
de tanga e capulana a vida espera
espiando no céu os agoiros que vão
rebentar sobre as campinas de África
a povoação toda junta no eucalipto grande
nos corações a mamba da ansiedade.

Oh! Dia de colheita vai começar
na terra ardente do algodão!
- José Craveirinha, em "Obra poética I". Lisboa:  Editorial Caminho, 1999. 


Sinfonia do Zé
Entretanto
quando me gemes
as duas simples letras
do meu banal diminutivo
ao meu ouvido
o sussurrante som da sílaba
na pauta dos teus lábios
ultrapassa um sinfónico
ditirâmbico universo
de milhentos Zés.
- José Craveirinha, em "Poemas eróticos".[organização e seleção Fátima Mendonça].  Moçambique Editora/Texto Editores, 2004.


Xigubo
    Para Claude Coufon
Xigubo, ilustrações de José Craveirinha Junior
(Lisboa: Edições 70, 1980)

Minha mãe África
meu irmão Zambeze
Culucumba! Culucumba!

Xigubo estremece terra do mato
e negros fundem-se ao sopro da xipalapala
e negrinhos de peitos nus na sua cadência
levantam os braços para o lume da irmã lua
e dançam as danças do tempo da guerra
das velhas tribos da margem do rio.
Ao tantã do tambor
o leopardo traiçoeiro fugiu.
E na noite de assombrações
brilham alucinados de vermelho
os olhos dos homens e brilha ainda
mais o fio azul do aço das catanas.
Dum-dum!
Tantã!

E negro Maiela
músculos tensos na azagaia rubra
salta o fogo da fogueira amarela
e dança as danças do tempo da guerra
das velhas tribos da margem do rio.

E a noite desflorada
abre o sexo ao orgasmo do tambor
e a planície arde todas as luas cheias
no feitiço viril da insuperstição das catanas.

Tantã!
E os negros dançam ao ritmo da Lua Nova
rangem os dentes na volúpia do xigubo
e provam o aço ardente das catanas ferozes
na carne sangrenta da micaia grande.

E as vozes rasgam o silêncio da terra
enquanto os pés batem
enquanto os tambores batem
e enquanto a planície vibra os ecos milenários
aqui outra vez os homens desta terra
dançam as danças do tempo da guerra
das velhas tribos juntas na margem do rio. 
- José Craveirinha (1958), em "Xigubo". Maputo: INLD, 1980.

José Craveirinha segurando o retrato da esposa - foto:  Sérgio Santimano (Maputo- 2000)
FORTUNA CRÍTICA DE JOSÉ CRAVEIRINHA
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José Craveirinha - foto: (...)
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José Craveirinha - foto:  (...)
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SILVA, Raul Alves Calane da..Do léxico à possibilidade de campos isotópicos literários. (Dissertação Mestrado em Letras). Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2009. Disponível no link. (acessado em 5.6.2015).
SILVEIRA, Jorge Fernandes da.. José Craveirinha: "Impoética poesia". Via Atlântica (USP), USP - São Paulo, v. 5, p. 78-87, 2002. Disponível no link. (acessado em 5.6.2015).
SOUZA, Luana Soares de.. Oralidade e linguagem na poética de José Craveirinha. (Dissertação Mestrado em Estudos de Linguagem). Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT, 2014. Disponível no link. (acessado em 5.6.2015).
SOUZA, Luana Soares de.. A negritude na poética de José Craveirinha e Lobivar Matos. In: O canto da palavra, 2013, Garanhuns. O canto da palavra, 2013.
SOUZA, Luana Soares de.. A oralidade na poética de José Craveirinha e Lobivar Matos. In: Seminário Internacional de Literatura Afrolatina, 2012, Uberlândia. Anais do Siliafro, 2012. Disponível no link. (acessado em 5.6.2015).
SOUZA, Luana Soares de.. Lobivar Matos e José Craveirinha: diálogos poéticos para além do tempo e espaço. In: XII Encontro de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, São Paulo, 2013. 
TORRES, Gonçalo. Craveirinha em diálogo subversivo com o mundo. Duas propostas de aproximação: Jorge de Sena e Henri Michaux. SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 6, n. 12, p. 368-387, 1º sem. 2003. Disponível no link. (acessado em 5.6.2015).


"Na ponte-cais, Sonto vende jacarés de pau. Tem que vender para comprar pão. Tem seis anos de vida o Sonto mas cem anos de fomes e sem escola, sem sapato, sem casa. Nem de caniço e zinco. Este velho de seis anos é Sonto. Juro é Sonto mesmo."
- José Craveirinha, em "Hamina e outros contos". 2ª. ed., Lisboa: Caminho, 1998, p. 46.


Naguib, Rodrigo Pombeiro, embaixador Francisco Knopfli, Malangatana,  Maria da Luz,
José Craverinha, Alberto Chissano
, na 'Inauguração da exposição 'Reencontro I'' 23.3.1990 na
embaixada portuguesa. Publicada no Boletim Informativo dos Serviços Culturais
 da Embaixada de Portugal (Outuno 1990) - fonte: Ma-schamba

Samora Machel, José Craveirinha e Jacinto Veloso

José Craveirinha e Noémia de Sousa (poeta)

Todo o poeta quando preso
é um refugiado livre no universo
de cada coração
na rua.

O chefe da polícia
de defesa de segurança do estado
sabe como se prende um suspeito
mas quanto ao resto
não sabe nada.

E nem desconfia.
- José Craveirinha, em "Obra poética I". Lisboa:  Editorial Caminho, 1999. 

José Craveirinha na Prisão - desenho feito a esferográfica em 1968
 em Nachingueia - fonte: Malambas
África
Em meus lábios grossos fermenta
a farinha do sarcasmo que coloniza minha Mãe África
e meus ouvidos não levam ao coração seco
misturado com o sal dos pensamentos
a sintaxe anglo-latina de novas palavras.

Amam-me com a única verdade dos seus evangelhos
a mística das suas missangas e da sua pólvora
a lógica das suas rajadas de metralhadora
e enchem-me de sons que não sinto
das canções das suas terras
que não conheço.

E dão-me
a única permitida grandeza dos seus heróis
a glória dos seus monumentos de pedra
a sedução dos seus pornográficos Rolls Royce
e a dádiva quotidiana das suas casas de passe.
José Craveirinha - foto:  (...)

Ajoelham-me aos pés dos seus deuses de cabelos lisos
e na minha boca diluem o abstracto
sabor da carne de hóstias em milionésimas
circunferências hipóteses católicas de pão.

E em vez dos meus amuletos de garras de leopardo
vendem-me a sua desinfectante benção
a vergonha de uma certidão de filho de pai incógnito
uma educativa sessão de striptease e meio litro
de vinho tinto com graduação de álcool de branco
exacta só para negro
um gramofone de magaíza
um filme de heróis de carabina ao vencer traiçoeiros
selvagens armados de penas e flechas
e o ósculo das balas e aos gases lacrimogéneos
civiliza o meu casto impudor africano.

Efígies de Cristo suspendem ao meu pescoço
rodelas de latão em vez dos meus autênticos
mutovanas da chuva e da fecundidade das virgens
do ciúme e da colheita de amendoim novo.
E aprendo que os homens que inventaram
A confortável cadeira eléctrica
a técnica de Buchenwald e as bombas V2
acenderam fogos de artifício nas pupilas
de ex-meninos vivos de Varsóvia
criaram Al Capone, Hollywood, Harlem
a seita Ku-Klux-Klan, Cato Mannor e Sharpeville
e emprenharam o pássaro que fez o choco
sobre o ninho morno de Hiroshima e Nagasaki
conheciam o segredo das parábolas de Charlie Chaplin
lêem Platão, Marx, Gandhi, Einstein e Jean-Paul Sartre
e sabem que Garcia Lorca não morreu mas foi assassinado
são os filhos dos santos que descobriram a Inquisição
perverteram de labaredas a crucificada nudez
da sua Joana D’Arc e agora vêm
arar os meus campos com charruas «made in Germany»
mas já não ouvem a subtil voz das árvores
nos ouvidos surdos do espasmo das turbinas
não lêem nos meus livros de nuvens
o sinal das cheias e das secas
e nos seus olhos ofuscados pelos clarões metalúrgicos
extinguiu-se a eloquente epidérmica beleza de todas
as cores das flores do universo
e já não entendem o gorjeio romântico das aves de casta
instintos de asas em bando nas pistas do éter
infalíveis e simultâneos bicos trespassando sôfregos
a infinita côdea impalpável de um céu que não existe.
E no colo macio das ondas não adivinham os vermelhos
sulcos das quilhas negreiras e não sentem
como eu sinto o prenúncio mágico sob os transatlânticos
da cólera das catanas de ossos nos batuques do mar.
E no coração deles a grandeza do sentimento
é do tamanho cow-boy do nimbo dos átomos
desfolhados no duplo rodeo aéreo do Japão.

Mas nos verdes caminhos oníricos do nosso desespero
Perdoo-lhes a sua bela civilização à custa do sangue
ouro, marfim, améns
e bíceps do meu povo.

E ao som másculo dos tantãs tribais o eros
do meu grito fecunda o húmus dos navios negreiros…
E ergo no equinócio da minha Terra
o moçambicano rubi do mais belo canto xi-ronga
e na insólita brancura dos rins da plena Madrugada
a necessária carícia dos meus dedos selvagens
é a táctica harmonia de azagaias no cio das raças
belas como altivos falos de ouro
erectos no ventre nervoso da noite africana.
- José Craveirinha, em "Xigubo". Maputo: INLD, 1980.


CASA-MUSEU JOSÉ CRAVEIRINHA
José Craveirinha - foto: (...)
A Casa-Museu José Craveirinha é o espaço onde o poeta viveu desde 1976 até à sua morte, em 2003.  A casa-museu foi doada pelo Estado Moçambicano no ano de 1980, pelo falecido presidente Samora Machel. Transformada em Museu José Craveirinha, a casa teve o seu reconhecimento público em 2007.
O Núcleo dos Amigos de José Craveirinha (NAJOC) fundado em 2007, com o objectivo de divulgar a Casa Museu, promover actividades de natureza cultural e estimular a criatividade artística e literária.
Acervo: Obras de pintura, desenho, escultura, cerâmica e instrumentos tradicionais, são alguns elementos que fazem parte do acervo da Casa Museu José Craverinha
Localização: situada na Av. Romão Fernandes Farinha nº 1504, no Alto-Maé, bairro da Mafalala, no Maputo/Moçambique.



Fraternidade das palavras
O céu
é uma m´benga
onde todos os braços das mamanas
repisam os bagos de estrelas.

Amigos:
as palavras mesmo estranhas
se têm música verdadeira
só precisam de quem as toque
ao mesmo ritmo para serem
todas irmãs.

E eis que num espasmo
de harmonia como todas as coisas
palavras rongas e algarvias ganguissam
neste satanhoco papel
e recombinam em poema.
- José Craveirinha, em "Obra poética I". Lisboa: Editorial Caminho, 1999.


Karingana wa Karingana
Este jeito
 de contar as nossas coisas
 à maneira simples das profecias
 - Karingna wa Karingana! -
 é que faz o poeta sentir-se
 gente.
 E nem
 de outra forma se inventa
 o que é proriedade dos poetas
 nem em plena vida se transforma
 a visão do que parece impossível
 em sonho do que vai ser.
 - Karingana!
- José Craveirinha, em "Karingana wa Karingana". Lisboa: Edições 70, 1982.




José Craveirinha - foto (...)
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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). José Craveirinha - os tambores poéticos do grito negro. Templo Cultural Delfos, junho/2015. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
____
** Página atualizada em 7.6.2015.



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