Mia Couto - o afinador de silêncios

Mia Couto - foto: © Pedro Cordeiro

“Eu nasci para estar calado. Minha única vocação é o silêncio. Foi meu pai que me explicou: tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios. Escrevo bem, silêncios, no plural. Sim, porque não há um único silêncio. E todo o silêncio é música em estado de gravidez.


Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios.”

- Mia Couto, em "Antes de Nascer o Mundo". São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2009.


Mia Couto, aos 10 anos (1965), na Beira, com um leopardo bebé
(foto acervo da família/publicado em Expresso/pt)
Antônio Emílio Leite Couto, mais conhecido por Mia Couto (biólogo, jornalista e escritor), nasceu em 5 de Julho de 1955, na cidade da Beira, em Moçambique/África. É filho de Maria de Jesus e Fernando Coutoemigrantes portugueses. Mia Couto publicou os seus primeiros poemas no jornal Notícias da Beira, com 14 anos. Iniciava assim o seu percurso literário dentro de uma área específica da literatura – a poesia –, mas posteriormente viria a escrever as suas obras em prosa. Em 1972 deixou a Beira e foi para Lourenço Marques para estudar medicina. A partir de 1974 enveredou pelo jornalismo, tornando-se, com a independência, repórter e diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) - de 1976 a 1976; da revista semanal Tempo - de 1979 a 1981 e do jornal Notícias - de 1981 a 1985. Em 1985 abandonou a carreira jornalística.
Reingressou na Universidade de Eduardo Mondlane para se formar em biologia, especializando-se na área de ecologia, sendo atualmente professor da cadeira de Ecologia em diversas faculdades desta universidade. Como biólogo tem realizado trabalhos de pesquisa em diversas áreas, com incidência na gestão de zonas costeiras e na recolha de mitos, lendas e crenças que intervêm na gestão tradicional dos recursos naturais. É diretor da empresa Impacto, Lda. - Avaliações de Impacto Ambiental. Em 1992, foi o responsável pela preservação da reserva natural da Ilha de Inhaca.
Mia Couto - foto: © Cato Lein
 /Högupplöst pressbild
Mia Couto é um "escritor da terra", escreve e descreve as próprias raízes do mundo, explorando a própria natureza humana na sua relação umbilical com a terra. A sua linguagem extremamente rica e muito fértil em neologismos, confere-lhe um atributo de singular percepção e interpretação da beleza interna das coisas. Cada palavra inventada como que adivinha a secreta natureza daquilo a que se refere, entende-se como se nenhuma outra pudesse ter sido utilizada em seu lugar. As imagens de Mia Couto evocam a intuição de mundos fantásticos e em certa medida um pouco surrealistas, subjacentes ao mundo em que se vive, que envolve de uma ambiência terna e pacífica de sonhos - o mundo vivo das histórias. Mia Couto é um excelente contador de histórias. É o único escritor africano que é membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), como sócio correspondente, eleito em 1998, sendo o sexto ocupante da cadeira nº 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa.
Atualmente é o autor moçambicano mais traduzido e divulgado no exterior e um dos autores estrangeiros mais vendidos em Portugal. As suas obras são traduzidas e publicadas em 24 países. Várias das suas obras têm sido adaptadas ao teatro e cinema. Tem recebido vários prêmios nacionais e internacionais, por vários dos seus livros e pelo conjunto da sua obra literária.
É, comparado a Gabriel Garcia Márquez e Guimarães Rosa. Seu romance Terra sonâmbula foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX.  Recebeu uma série de prêmios literários, entre eles o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto de sua obra em 1999, o prêmio União Latina de Literaturas Românicas em 2007, o Prêmio Camões de 2013, o mais prestigioso da língua portuguesa, e o Neustadt Prize de 2014. 
Fonte: mozindico. (texto editado e atualizado pelos editores deste site).  


De que vale ter voz
se só quando não falo é que me entendem?
De que vale acordar
se o que vivo é menos do que o que sonhei?

(Versos do menino que fazia versos)
- Mia Couto, do conto "O menino que escrevia versos".  em "O fio das missangas". Lisboa: Editorial Caminho, 2003.

Mia Couto no Cais do Porto - Porto Alegre/RS, em 11.11.2012.
- foto: © Sérgio Saraiva


MIA COUTO - PRÊMIOS RECEBIDOS
:: Prêmio Anual de Jornalismo Areosa Pena (Moçambique) com o livro Cronicando, em 1989;
:: Prêmio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora, em 1990;
:: Prêmio Nacional de Ficção da Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO), com o livro Terra Sonâmbula - Considerado por um júri especialmente criado para o efeito pela Feira Internacional do Zimbabwe, um dos melhores livros africanos do Século XX, em 1995;
:: Prêmio Mário António (ficção) da Fundação Calouste Gulbenkian, com o livro O Último Voo do Flamingo, em 2001;
:: Prêmio União Latina de Literaturas Românicas, em 2007;
:: Prêmio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, com o livro O Outro Pé da Sereia, em 2007;
:: Prêmio Eduardo Lourenço, em 2011;
:: Prêmio Camões, em 2013;
:: Prêmio Internacional Literatura Neustadt, da Universidade de Oklahomade, em 2014.


"O bom do caminho é haver volta.
Para a ida sem vinda basta o tempo."
- Corozero Muando, em "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", de Mia Couto. São Paulo: Companhia das Letras, 12ª ed., 2013.


OBRA DE MIA COUTO – PRIMEIRAS EDIÇÕES
(Moçambique e Portugal)
Poesia
:: Raiz de orvalho. [Cadernos Tempo], Maputo/Moçambique:  Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO), 1983.
:: Raiz de orvalho e outros poemas. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 1999.
:: Idades, cidades, divindadesMaputo/Moçambique: Sociedade Editorial Ndjira, 2007; 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2007.
:: Tradutor de chuvas. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2011.
:: Vagas e lumes1ª ed., Lisboa: Editorial Caminho, 2014.


Contos
Livros de Mia Couto
:: Vozes anoitecidas. 1ª ed., da Associação dos Escritores Moçambicanos, 1986; 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho,1987.
:: Cada homem é uma raça. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho,1990.
:: Estórias abensonhadas. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho,1994.
:: Contos do nascer da terra. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho,1997.
:: Na Berma de nenhuma estrada. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 1999.
:: O fio das missangas1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2003.


Crônicas
:: Cronicando1ª ed. em 1988; 1ª ed.,  Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 1991.
:: O país do queixa andar. 1ª ed., Maputo/Moçambique: Sociedade Editorial Ndjira, 2003.
:: Pensatempos. [Textos de opinião].1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2005.
:: E se Obama fosse Africano? e outras interinvenções1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2009.
:: Pensageiro frequenteLisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2010; 2ª ed., 2014.


Romances
:: Terra sonâmbula. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 1992. Disponível online.
:: A varanda do frangipani. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 1996.
:: Mar me quer. 1ª ed., Parque Expo/NJIRA em 1998, [como contribuição para o pavilhão de Moçambique na Exposição Mundial Expo '98 em Lisboa]; e 1ª ed., [ilustrações João Nasi Pereira]. Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2000.
:: Vinte e zinco. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 1999.
:: O último voo do flamingo. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2000.
:: Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2002.
:: O outro pé da sereia. 1ª ed.Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2006.
:: Venenos de Deus, remédios do diabo. Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2008.
:: Jesusalém [no Brasil, o título do livro é "Antes de nascer o mundo"], Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2009.
:: A Confissão da leoa. 1ª ed.Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2012.
:: Mulheres de cinza (1º livro da trilogia 'As areias do Imperador'). 1ª ed.Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2015.


Infantil
:: O gato e o escuro. [Ilustrações de Danuta Wojciechowska], 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2001; e [com ilustrações de Marilda Castanha]. 1ª ed., brasileira, da Cia. das Letrinhas, em 2008.
:: A chuva pasmada. [Ilustrações de Danuta Wojciechowska], 1ª ed., Maputo/ Moçambique: Sociedade Editorial Ndjira, 2004; 1ª ed., Lisboa: Editorial Caminho, 2004; 2ª ed., 2012.
:: O beijo da palavrinha. [com ilustrações de Malangatana], 1ª ed., Editora Língua Geral, 2006; 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2008.
:: O menino no sapatinho. [Ilustrações Danuta Wojciechowska], 1ª ed., Lisboa/Portugal: Editorial Caminho, 2013, 32p.
*Editorial Caminho, [editora portuguesa de Mia Couto].


Edições de bolso (Bis/Editora Leya)
:: Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. Alfragide/Portugal: Editora Leya, 2012.
:: Venenos de Deus remédios do diabo. [livro de bolso]. Alfragide/Portugal: Editora Leya, 2014.


"Como ele sempre dissera: o rio e o coração, o que os une? O rio nunca está feito, como não está o coração. Ambos são sempre nascentes, sempre nascendo. Ou como eu hoje escrevo: milagre é o rio não findar mais. Milagre é o coração começar sempre no peito de outra vida."
- Mia Couto, na contracapa do livro"A chuva pasmada". Lisboa: Editorial Caminho, 2004.


Detalhe do livro 'A chuva pasmada', de Mia Couto
[Ilustrações de Danuta Wojciechowska]

"Talvez minha voz seja um pano; sim, um pano que limpa o tempo." 
- Mia Couto, em "O fio das missangas". Lisboa: Editorial Caminho, 2003.


Mia Couto - foto: © Flip

OBRA DE MIA COUTO PUBLICADA NO BRASIL
Editora Companhia das Letras
:: Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
:: O último voo do flamingo  [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
:: O outro pé da sereia [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
:: A varanda do frangipani [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
:: Terra sonâmbula [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
:: O gato e o escuro  [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
:: Venenos de Deus remédios do diabo [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
:: Antes de nascer o mundo (título original “Jesusalém”).. [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
:: O Fio das missangas  [contos]. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
:: E se Obama fosse africano? [crônica]. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
:: A confissão da leoa [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
:: Estórias abensonhadas [contos]. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
:: Cada homem é uma raça [contos]. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
:: A menina sem palavra [romance]. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
:: Vozes anoitecidas [contos]. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
:: Contos do nascer da terra [contos]. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
:: Terra sonâmbula [romance]. Edição de Bolso. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
:: Na berma de nenhuma estrada e outros contos [contos].  São Paulo: Companhia das Letras, 2015, 160p.
:: Mulheres de cinzas (1º livro da trilogia As Areias do Imperador).. [ilustrações Marcelo Cipis; capa Aleceu Chiesorin Nunes]. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2015, 344p.
** Fonte e informações disponíveis em: Editora Companhia das Letras.

Editora Nova Fronteira
:: Estórias abensonhadas [contos]. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1986.
:: Cada homem é uma raça: estórias [contos]. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1990.
:: Terra sonâmbula [romance]. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993.
:: A varanda do frangipani [romance]. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1996.


"Estas estórias desadormeceram em mim sempre a partir de qualquer coisa acontecida de verdade mas que me foi contada como se tivesse ocorrido na outra margem do mundo. Na travessia dessa fronteira de sombra escutei vozes que vazaram o sol. Outras foram asas no meu voo de escrever."
- Mia Couto, em "Vozes anoitecidas". Lisboa: Editorial Caminho, 1987.



Mia Couto - foto: ©Cia das Letras
TRADUÇÕES
Muitos dos livros de Mia Couto são publicados em mais de 24 países e traduzidos para o alemão, francês, espanhol, catalão, inglês e italiano.


"O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro."
- (Fala de Tuahir), em "Terra sonâmbula", de Mia Couto. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2007.


ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
É sócio correspondente, eleito em 1998, da Academia Brasileira de Letras, sendo sexto ocupante da cadeira 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa.



"Sou um menino que envelheceu logo à nascença. Dizem que, por isso, me é proibido contar minha própria história. Quando terminar o relato eu estarei morto. [...] Mesmo assim me intento, faço na palavra o esconderijo do tempo."
- Mia Couto, em  "A varanda do frangipani", Lisboa: Editorial Caminho, 1991.



ENTREVISTAS CONCEDIDAS POR MIA COUTO

COUTO, Mia. Entrevista"Criamos uma rede que não tem cheiro" [concedida à Gabriela Longman]. Ilustrada/Folha de São Paulo, 06.08.2009. Disponível no link. (acessado em 22.12.2013). 
__________ . Inegável valor do silêncio [entrevista concedida a Ubiratan Brasil]. O Estado de S.Paulo, 7.8.2009. Disponível no link. (acessado em 22.12.2013). 
__________ . Uma Entrevista com Mia Couto [concedida a Carlos Alberto Jr.]. Diário da Africa, 10.11.2009. Disponível no link. (acessado em 22.12.2013). 
__________ . Entrevista com Mia Couto - a escrita como modo de vida. [concedida a Nádia Issufo; e edição de: Cristina Krippahl/DW]. Contraste/DW., 3.9.2011. Disponível no link. (acessado em 22.12.2013). 
__________ . Mia Couto e o exercício da humildade. (entrevista concedida a Marilene Felinto). p.php.uol - tropico. Disponível no link. (acessado em 17.5.2014).
__________ . Mia Couto: “é possível que eu esteja sempre escrevendo capítulos de um único livro”. [Entrevista concedida a Yuri Al’Hanati]. Jornal de Londrina, 10/11/2012. Disponível no link. (acessado em 2.5.2015).
__________ . Onze perguntas para Mia Couto, uma entrevista inspiradora. [alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio São Luís, em São Paulo]. Buala.org, fev. 2012. Disponível no link. e link. (acessado em 22.12.2013). 
__________ . Mia Couto fala sobre a literatura de Moçambique e de sua relação com as palavras. [concedida a Marcos Fidalgo]. Entrevistas - Saraiva Conteúdo, 16.4.2012. Disponível no link. (acessado em 22.12.2013). 
__________ . Conversa com Mia Couto. [Entrevista] Lusofolia, 30 de maio 2013. Disponível no link. (acessado em 8.5.2014).
__________ . Entrevista: Mia Couto [concedida a Rádio ONU]. Notícias e Mídia - Rádio ONU, 11.06.2013. Disponível no link. (acessado em 22.12.2013). 
__________ . Mia Couto: "A África que existe na cabeça das pessoas é folclorizada". [entrevista concedida a Natalia da Luz]. Por Dentro da África. 18 de agosto, 2013. Disponível no link. (acessado em 1.5.2015).
__________ . Entrevista com Mia Couto [concedida a Bruno Mattos]. Posfácio, 23.8.2013. Disponível no link. (acessado em 22.12.2013). 
__________ . Mia Couto: "O grande crime do racismo é que anula, em nome da raça, o indivíduo". Entrevista a Letícia Duarte/Jornal Zero Hora, em 7/9/2014. Disponível no link. (acessado em 26.4.2015). 
__________ . Mia Couto: "Meu maior medo é que os jovens não consigam mais contar histórias". [entrevista concedida a Julio Maria]. Cultura Literatura, O Estado de S. Paulo, 23 de setembro de 2015. Disponível no link. (acessado em 23.9.2015)


"Estou sentado junto da janela olhando a chuva que cai a três dias. Que saudade me fazia o molhado tintinar do chuvisco. A terra perfumegante semelha a mulher em véspera de carícia. Há quantos anos não chovia assim? De tanto durar, a seca foi emudecendo nossa miséria. O céu olhava o sucessivo falecimento da terra, e em espelho, se via morrer. A gente se indaguava: será que ainda podemos recomeçar, será que a alegria ainda tem cabimento?
Agora, a chuva cai, cantarosa, abençoada…"
- Mia Couto, do conto "Chuva: a abensonhada", em "Estórias Abensonhadas". Lisboa: Editorial Caminho,1994.



Mia Couto no Cais do Porto - Porto Alegre/RS, em 11.11.2012.
- foto: © Sérgio Saraiva

FORTUNA CRÍTICA DE MIA COUTO
[Bibliografia sobre Mia Couto: livros, trabalhos acadêmicos - teses, dissertações, artigos e ensaios]. Acesse AQUI


POEMAS DE MIA COUTO
Acesse AQUI!


"Não é da luz que carecemos. Milenarmente a grande estrela iluminou a terra e, afinal, nós pouco aprendemos a ver. O mundo necessita ser visto sob outra luz: a luz do luar, essa claridade que cai com respeito e delicadeza. Só o luar revela o lado feminino dos seres. Só a lua revela intimidade da nossa morada terrestre.
Necessitamos não do nascer do Sol. Carecemos do nascer da Terra."
- Mia Couto, no Epígrafe do livro "Contos do nascer da terra". 6ª ed., Lisboa: Editorial Caminho, 2006, p. 7.



Mia Couto - foto: © Bel Pedrosa (Paraty/RJ)


ADAPTAÇÕES DA OBRA DE MIA COUTO PARA O CINEMA 
Filme: Um Rio 
Adaptação: “Um Rio” é uma adaptação do romance “Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra”, de Mia Couto.
Sinopse: Quando a pá do coveiro se quis enterrar na terra, para tapar a cova onde ficaria sepulto o cadáver de Dito Mariano (Isaac Mandlate), embateu numa superfície inexpugnável e rija como aço. A tempestade raiou no céu e um pasmo trespassou os elementos da família presentes no enterro. 
Os rumores tomaram conta de “Luar do Chão”, a ilha onde o patriarca Dito Mariano era “o homem de todas as mulheres”. Para mais, o cadáver exibia o rictus sorridente a que Dito, em conversa com o Padre Nunes e o taberneiro Tuzéio (Adelino Branquinho), chamara “o sorriso da Mona Lisa”, que só se desata quando se chegou à cifra de cem mulheres”.
De quem seria a culpa da terra não abrir, das alterações climatéricas, daquele “riso do Diabo”, segundo Admirança (Cândida Bila), a cunhada? A discórdia eclode entre as mulheres. Dulcineusa (Ana Magaia), a matriarca da família, sentencia: “A terra não abre porque há segredo por desfazer”.
Direção: José Carlos de Oliveira
Argumento: António Cabrita, José Carlos de Oliveira e Luís Carlos Patraquim 
Produtor: José Carlos de Oliveira
Ano: 2005
Gênero: Drama
Duração: 118’
Elenco: Anabela Moreira (Conceição); Jorge Mota (Lopes); Cândida Bila (Admirança); Mariana Coelho (Carminda); Paula Guedes (Mulher no velório); Jorge Loureiro (Carteiro); Ana Magaia (Dulcineusa); Isaac Mandlate (Mariano); Adelino Branquinho (Tusébio); Ana Paula Mota (Sara)



FilmeTerra Sonâmbula
Adaptação: Terra Sonâmbula é uma adaptação cinematográfica de 2007 de um livro com o mesmo nome por Mia Couto. 
Sinopse: Durante a Guerra Civil Moçambicana, encontramos Muidinga, um rapaz frágil e amnésico, cujo sonho é o de encontrar a sua família. Junto a um cadáver estendido na estrada, Muidinga encontra um diário que narra a história de uma mulher que procura o seu filho num barco em alto mar. Motivado pela esperança de encontrar a sua própria família, Muidinga convence-se de que ele é o rapaz procurado. Embarca, com Tuahir, um sábio e solitário contador de histórias que o recolheu num campo de refugiados numa viagem à procura dessa mulher.
No entanto a viagem é dura: movem-se num estado de delírio. A estrada por onde erram, como sonâmbulos, é mágica: apercebe-se dos seus desejos e move-os de um sítio para o outro, não os deixando falecer, até que possam alcançar o tão desejado mar.
Diretor: Teresa Prata
Elenco: Nick Lauro Teresa, Aladino Jasse, Ernesto Lemos Macuacua, Filimone Meigos, Tânia Adelino, Erónia Malate, Alan Cristina Salazar, Gildo Arão Balate, Jorge Kanic Passe, Afonso Francisco, Alfredo Júnior, Candido Andrade, Cergílio Félix, Frank Lipunda, Severino Rafael.
Roteiro/Adaptação: Teresa Prata
Duração: 103 min.
Ano: 2006
País: Portugal/ Moçambique/ França/ Alemanha
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Estúdio: Filmes Fundo / Ébano Filmes
Produção: Filmes de Fundo
Co-produção: ZDF/ARTE
Distribuidora: Panda Filmes
Classificação: 16 anos
Prêmios
- International Film Festival Kerala, Índia (2008) – Prémio FIPRESCI
- Pune International Film Festival, Índia (2008) – Melhor Realização
- FAMAFEST, Portugal (2008) – Prémio da Lusofonia
- Asian, African and Latin American Film Festival, Milão (2008) – Prémio SIGNIS
- Indie Lisboa, Portugal (2008) – Prémio do público e menção honrosa da Amnistia Internacional
- Festival Internacional de Cinema de Bursa, Turquia (2008) – Melhor Argumento



Filme: O Último Voo do Flamingo
Sinopse: Tizangara, uma pequena vila perdida no interior de Moçambique, poucos meses depois do fim da Guerra Civil. Cinco misteriosas explosões matam outros tantos soldados da Missão de Paz das Nações Unidas. Provas do crime? Apenas pénis decepados e os emblemáticos capacetes azuis. É este o ponto de partida para uma enigmática investigação conduzida pelo oficial de serviço designado pelas Nações Unidas, o Tenente-Coronel italiano Massimo Risi. Baseado no romance homônimo de Mia Couto.
Diretor: João Ribeiro
Elenco: Carlo D'Ursi, Eliote Alex, Adriana Alves, Cândida Bila, Mário Mabjaia, Alberto Magassela, Gilberto Mendes, Cláudia Semedo
Produção: Carlo D'Ursi, Antonin Dedet, Luís Galvão Teles
Roteiro: João Ribeiro, Gonçalo Galvão Teles
Fotografia: José António Loureiro
Trilha Sonora: Omar Sosa
Duração: 86 min.
Ano: 2010
País: Moçambique / Portugal
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: VideoFilmes
Estúdio: Carlo D'Ursi Produzioni / Fado Filmes / Neon Productions / Potenza Producciones / Slate One Produções
Classificação: 14 anos


CURTA-METRAGEM 

Mia Couto - foto: lusofolia
Título: Fogata
Baseado no conto "A fogueira, de Mia Couto".
Sinopse: Um pobre velho obcecado com a construção do túmulo de sua esposa. Uma história de amor e respeito que cobre morte e suas conseqüências, disse ao redor de uma fogueira.
Ano: 1992
Duração: 18 min.
Curta-metragem ficção
País: Moçambique
Direção: João Ribeiro 
Fotografia: Pablo Brusa
Elenco: Chaúque Nalelane e Adérita Manjat
Produção: Instituto Nacional de Cinema de Moçambique e EICTV.
Disponível no link


Título: O olhar das estrelas 

Título em inglês: (The Gaze of the Stars)
Adaptação do conto "Saíde, o Lata de Água", do livro Vozes anoitecidas, de Mia Couto.
Sinopse: “As estrelas são os olhos das pessoas que morreram de amor…”, diz Salomão.
Ano: 1997
Duração: 26 min.
Curta-metragem ficção
País: Moçambique
Direção: João Ribeiro
Produtor: Pedro Pimenta
Roteiro: Mia Couto e João Ribeiro
Fotografia: Julio Bicari
Montagem: Orlando Mesquita
Som: Gita Cerveira
Música: Karen Boswall
Elenco: João Manja, Tobias Sigaúque e Luís Santos
Produção:  Ebano Multimídia/ e Africa Dreaming
Para: SABC2
Disponível no link



Título: Tatana

Sinopse: Um rapaz de 12 anos deixa a sua avó e vai trabalhar a terra com os homens. Durante o trabalho, são perturbados pelas vozes de intrusos. Mandam o rapaz investigar e ele descobre que a velha está a convocar os espíritos dos mortos na floresta.
Ano: 2004
Duração: 12 min.
Curta-metragem ficção
País:Moçambique e Portugal
Direção: João Ribeiro
Argumento: João Ribeiro, Mia Couto 
Fotografia: Nicholas Hofmayer 
Música: Karen Joanna Boswell 
Som: João Schwalback 
Montagem: Cláudia Silvestre 
Elenco: Masanobu Ando, Ryo Ishibashi 
Produtor: João Ribeiro, Luís Galvão Teles 
Produção: Fado Filmes
Disponível no link.


Título: Acalanto

Baseado no conto intitulado "A Carta", de Mia Couto
Sinopse:Uma senhora analfabeta busca amenizar a saudade do seu filho ao solicitar à um conhecido para que leia diversas vezes a mesma velha e única carta enviada há dez anos por seu filho. Através dessas leituras, uma bonita amizade e cumplicidade é criada entre os dois.
Ano: 2013
Duração: 23 min.
País: Maranhão/Brasil
Ficha Técnica
Direção e roteiro: Arturo Saboia
Elenco: Luiz Carlos Vasconcelos e Léa Garcia
Produção: Napoleão Saboia
Produção Executiva: Cássia Mello Pflueger
Diretor Assistente: Paulo Eduardo Barbosa
Assistente de Direção: Johann Bertelli
Direção de Fotografia: Ale Samori
Direção de Arte: Rogério Tavares
Som Direto: Chico Bororo
Figurino: Cris Quaresma
Montagem: Beto Matuck
Trilha Sonora Original: Luiz Oliviéri
Prêmios
. Prêmio Melhor Filme/ Júri Oficial do 41º Festival de Cinema de Gramado/RS;
. Prêmio Melhor Filme/Júri Popular do 41º Festival de Cinema de Gramado/RS;
. Prêmio Melhor Diretor para Arturo Sabóia, do 41º Festival de Cinema de Gramado/RS;
. Prêmio Melhor Trilha Musical Luis Olivieri, do 41º Festival de Cinema de Gramado/RS;
. Melhor Direção de Arte Rogério Tavares, do 41º Festival de Cinema de Gramado/RS;
. Prêmio Melhor Atriz Léa Garcia, do 41º Festival de Cinema de Gramado/RS;
. Prêmio Melhor Atriz Léa Garcia, do Festival Kinoarte 2013.
Fanpage do Filme "Acalanto" no link.



DOCUMENTÁRIO SOBRE MIA COUTO

Título: Mia Couto, O desenhador de Palavras
Sinopse: Um retrato íntimo sobre os vários eus de Mia Couto e uma visão do seu país através do olhar de quem escreve aquilo que ousou sonhar. António Emílio Couto, publicou o seu primeiro livro em 1983 sob o título “A Raiz de Orvalho” e, desde então, a sua obra não pára de crescer. Este filme é um retrato íntimo sobre os vários eus de Mia Couto e uma visão do seu país através do olhar de quem escreve aquilo que ousou sonhar.
Ano:2006
Duração:52 minutos
Direção: João Ribeiro e Hudson Vianna
Música: João Scwalback
Produção: ICAM/MC, RTP, Lx Filmes
Disponível no Link.



CONFERÊNCIAS DE MIA COUTO
Mia Couto - foto: © Marcelo Correa
Título: Mia Couto - Repensar o pensamento
Sinopse: Mia Couto, romancista moçambicano, defende em sua conferência um pensamento que crie pontes e não fortalezas. Vivemos em um tempo de acesso a tudo, mas confundimos ideias novas e informação recente: "Cada vez mais repetimos o que já fomos." 
Realização: Fronteiras do Pensamento
Ano: 2012
Duração: 18'46
Produção: Telos Cultural
Edição: Sonia Montaño
Finalização: Marcelo Allgayer
Tradução: Francesco Settineri e Marina Waquil
Disponível no link.


Título: Os sete sapatos sujos, Mia Couto
Texto: Mia Couto
Idealização: Daline Fernandes, Lúcia Leite, Michelle Medeiros e Severina Carla.
Edição: Michelle Medeiros e Lúcia Leita
Excelente vídeo para sala de aula (ensino fundamental).
Disponível no link.
Baseado no Artigo
COUTO, Mia. Os sete sapatos sujos. artigo publicado originalmente em Vertical nº 781, 782 e 783, Março de 2005. Disponível em Por Dentro da África. (acessado em 21.12.2013).


"Não fomos feitos para caber numa receita puritana encomendada para domesticar e padronizar o mundo. O discurso do politicamente correto é um crime contra as nossas nações, contra originalidade e a diversidade dos nossos povos."
- Mia Couto, na "Conferência do Fronteiras do Pensamento 2012.


ADAPTAÇÕES DA OBRA DE MIA COUTO PARA O TEATRO

Peça: Chuva Pasmada
Mia Couto - foto: © Marcelo Correa
Adaptação do conto homônimo do escritor moçambicano Mia Couto. 
Sinopse: Indecisa entre céu e terra, a chuva não cai: uma chuvinha suspensa, leve pasmada, aérea. Ninguém se recordava de um tal acontecimento. Aquele lugar poderia estar sofrendo maldição. A chuva é o Avô que, em rio seco, mingua sonhos de navegar até o mar. É o Pai que, estancado junto à vida, não é o mais velho, mas o mais envelhecido de todos. É a Mãe, segredando com a chuva, mistérios de mulher e de água. É o Filho amanhecendo conhecimentos de vida e de morte. É a Tia que, sem cumprir a estação do matrimônio, recolhe-se em reza de cruz e rosário. Como uma inundação sem chão, esta chuva é cada um e, ao mesmo tempo, todos nós, que nascemos água e morremos terra.
Ficha técnica
Texto Original: Mia Couto
Dramaturgia: Cássio Pires
Direção, Iluminação e Sonoplastia: Marcelo Lazzaratto
Atuação: Alice Possani e Eduardo Okamoto
Cenografia e Figurinos: Warner Reis
Músicas: Michael Galasso 
Fotografia: Fernando Stankuns
Arte Gráfica: Alexandre Caetano 
Produção: Daniele Sampaio e Grupo Matula Teatro
Documentação: Paula Diana
Realização: Eduardo Okamoto e Grupo Matula Teatro (São Paulo)
Ano: 2010
Duração: 70 min.
Site: Eduardo Okamoto 
Site: Grupo Matula Teatro 



Peça: Mar me quer

Sinopse: Não é mais uma estória de pescador e nem mais uma de amor. Mar Me Quer pode ser uma alusão a brincadeira dos apaixonados, onde cada pétala retirada significa o destino do amor às vezes não correspondido. Ou ainda pode ser uma referência ao mar que conduz o destino de uma comunidade quase abandonada de pescadores que tanto o querem. Mar Me Quer, oitava montagem d’A Outra Companhia de Teatro, é baseada na novela do moçambicano Mia Couto e do texto dramático construído a partir desta obra pela portuguesa Natália Luíza. 
Ficha técnica
Texto/Inspiração: Mia Couto
Direção e Dramaturgia: Luiz Antonio Jr.
Elenco: Eddy Veríssimo, Manuela Santiago, Luiz Buranga e Roquildes Júnior
Adaptação: A Outra Companhia de Teatro
Consultoria de Dramaturgia e Encenação:  Fernando Yamamoto
Direção Musical: Marco França
Assistência de Direção Musical: Diana Ramos e Roquildes Jr
Cenografia: Lorena Torres Peixoto
Iluminação: AC Costa e Marcos Dedé
Realização: A Outra Companhia de Teatro (Bahia)
Ano: 2012
Duração: 60 min.
Site: Projeto O Mar me Quer 


Peça: MoçamMia

Adaptação de textos de Mia Couto ["A Fogueira", da obra 'Vozes anoitecidas' e “Dois Corações Uma caligrafia” da obra 'Na berma de Nenhuma Estrada'.
Ficha Técnica
Autor: Mia Couto
Adaptação dos contos: Ana Reis
Encenação e Figurino: Ana Reis
Atores: Ana Reis, Carolina P.P. e João Maria Pinto (participação especial)
Figuração Especial: Carlos Sebastião e Marta Gonçalves
Musica Ronga (dialeto Landim "NHOXANI", que quer dizer "alegrem-se")
Musica e Vozes: Ana Reis, João Maria Pinto e Zeca Afonso ("Carta a Miguel Djéjé " e "Lá no Xepangara")
Estudio: Sonic State
Realização: Grupo de teatro Quarto Crescente


Peça: Ninguém no Plural

Sinopse: Adaptação de quatro contos (“O Cesto”, “Meia culpa, meia própria culpa”, “A despedideira” e “Os olhos dos mortos”). do escritor moçambicano Mia Couto, Ninguém no Plural traz os mundos de quatro mulheres e as suas relações de desencontros, permeados pela ausência dos seus homens. Quatro universos, costurados por uma narrativa e encenação rica em objetos, sons e cheiros, cada pequeno universo povoado com os seus. Cada canto é um nicho, onde os elementos das personagens se encontram, podem surgir, se desenvolver e se revelar diante da plateia.
Ano: 2013 
Duração: 60 min.
Texto Original: Mia Couto. 
Adaptação e Dramaturgia: Rita Grillo, Anna Zêpa, Kuarahy Fellipe e Tânia Reis
Direção: Rita Grillo
Elenco: Anna Zêpa, Kuarahy Fellipe e Tânia Reis.
Realização: Companhia As de Fora


Peça: O Outro Pé da Sereia

Sinopse: O espetáculo - baseado no romance homônimo do escritor moçambicano Mia Couto.
Ano: 2013
Direção: Roberto Rosa
Dramaturgia: Fábio Salem Daie e Lina Agifu
Produção: Adriana Patrício
Cenografia e Figurino: Chris Aizner
Assistência de figurino: Camila Fogaça
Iluminação: Roberto Rosa e Décio Filho
Sonoplastia: Tunica Teixeira
Música-tema: Chico César
Elenco: Ed Moraes, Fernando Bezerra, Lina Agifu, Luanah Cruz, Marília Carbonari e Mônica Augusto.
Realização: Companhia de Teatro Fábrica


Peça: Gaiola de moscas

Sinopse: Adaptado do conto Gaiola de Moscas do escritor moçambicano Mia Couto e inspirado na brincadeira popular pernambucana do Cavalo Marinho. 
Zuzé é um curioso comerciante, vendedor de cuspes que, para salvar os negócios, se torna vendedor de moscas. Sua mulher, cansada das ideias do marido, se encanta por um forasteiro vendedor de “pintadas” de batons. A história nos remete a um vilarejo imaginário que poderia estar localizado em Moçambique, no Brasil, ou em qualquer outro lugar onde se combine desigualdade social e criatividade. A encenação envolve o espectador num universo de precariedade e alegria, onde se sobrevive entre destroços e sonhos. Como “brincantes do conto”, músicos e atores-dançarinos apresentam sua própria brincadeira contemporânea e instauram o clima vivenciado nos brinquedos populares.
Ficha Técnica
Texto Original: Mia Couto
Direção e Concepção: Ana Cristina Colla (Lume Teatro)
Elenco: Carolina Laranjeira, Eduardo Albergaria, Lineu Gabriel, Tainá Barreto
Iluminação: Eduardo Albergaria
Trilha Sonora: Alexandre Lemos e João Arruda
Músicos : João Arruda e Pedro Romão
Figurino: Juliana Pfeifer e Warner Reis
Confecção de Adereços : Sebastião Simão Filho e Zé de Freitas
Assistência de Direção: Ana Caldas Levinsohn
Concepção e Pesquisa com Cavalo Marinho: Beatriz Brusantin, Carolina Laranjeira, Daniel Campos, Lineu Gabriel, Tainá Barreto
Duração: 50 min
Realização: Grupo Peleja
Site do Grupo Peleja.

Mia Couto - foto: (...)

MIA COUTO, SOBRE O ESCRITOR
“[...] o escritor é um ser que deve estar aberto a viajar por outras experiências, outras culturas, outras vidas. Deve estar disponível para se negar a si mesmo. Porque só assim ele viaja entre identidades. E é isso que um escritor é – um viajante de identidades, um contrabandista de almas. Não há escritor que não partilhe dessa condição: uma criatura de fronteira, alguém que vive junto à janela, essa janela que se abre para os territórios da interioridade.”

“[...] o compromisso maior do escritor é com a verdade e com a liberdade. Para combater pela verdade o escritor usa uma inverdade: a literatura. Mas é uma mentira que não mente.”

“O escritor não é apenas aquele que escreve. É aquele que produz pensamento, aquele que é capaz de engravidar os outros de sentimento e de encantamento.”

- Trechos da intervenção na cerimônia de atribuição do Prêmio Internacional dos 12 Melhores Romances de África, Cape Town, Julho de 2002, publicada sob o título “Que África escreve o escritor africano?”  em  COUTO, Mia. Pensatempos. Textos de opinião. 2. ed. Lisboa: Caminho, 2005, p. 59-63 - fonte: miacoutiando

Mia Couto - foto: © Augusto Gomes/iG
AFORISMOS, EXCERTOS, FRAGMENTOS E CITAÇÕES NA OBRA DE MIA COUTO

“Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo. E as lembranças são peixes nadando ao invés da corrente. Acredito, sim, por educação. Mas não creio. Minhas lembranças são aves. A haver inundação é de céu, repleção de nuvem. Vos guio por essa nuvem, minha lembrança.
A casa, aquela casa nossa, era morada mais da noite que do dia. Estranho, dirão. Noite e dia não são metades, folha e verso? Como podiam o claro e o escuro repartir-se em desigual? Explico. Bastava que a voz de minha mãe em canto se escurasse para que, no mais lúcido meio-dia, se fechasse a noite. Lá fora, a chuva sonhava, tamborileira. E nós éramos meninos para sempre.”
– Mia Couto, do conto “Inundação”, em “O fio das missangas”. Lisboa: Editorial Caminho, 2003.


"Mais e mais me assemelho ao caranguejo:
olhos fora do corpo,
vou sonhando de lado
besitante entre duas almas:
a da água e a da terra."
- Corozero Muando, em "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", de Mia Couto. São Paulo: Companhia das Letras, 12ª ed., 2013.


"Se dizia daquela terra que era sonâmbula. Porque enquanto os homens dormiam, a terra se movia espaços e tempos afora. Quando despertavam, os habitantes olhavam o novo rosto da paisagem e sabiam que, naquela noite, eles tinham sido visitados pela fantasia do sonho."
- (Crença dos habitantes de Matimati), em "Terra sonâmbula", de Mia Couto.



"Muito do debate de ideias é substituído pela agressão pessoal. Basta diabolizar quem pensa de modo diverso. Existe uma variedade de demônios à disposição: uma cor política, uma cor de alma, uma cor de pele, uma origem social ou religiosa diversa."

- Mia Couto, no ensaio "Os sete sapatos sujos" (Intervenção no ISCTEM, Maputo). em "E se Obama fosse africano? e outras interinvenções Ensaios". Lisboa: Editorial Caminho, 2009.



Mia Couto - foto: (...)
"A minha mensagem é simples: mais do que uma geração tecnicamente capaz, nós necessitamos de uma geração capaz de questionar, capaz de repensar o país e o mundo. Mais do que gente preparada para dar respostas, necessitamos de capacidade para fazer perguntas."
- Mia Couto, no ensaio "Os sete sapatos sujos" (Intervenção no ISCTEM, Maputo). em "E se Obama fosse africano? e outras interinvenções Ensaios". Lisboa: Editorial Caminho, 2009.


"Escute bem: em cada noite eu me converto em água, me trespasso em líquido. [...] Para dizer a verdade, eu só me sinto feliz quando me vou aguando. Nesse estado em que me durmo estou dispensada de sonhar: a água não tem passado. [...] [N]a água pode se bater sem causar ferida. Em mim, a vida pode golpear quando sou água. Pudesse eu para sempre residir em líquida matéria de espraiar, rio em estuário, mar infinito. Nem ruga, nem mágoa, toda curadinha do tempo."
- Mia Couto, em "A varanda do frangipani", Lisboa: Editorial Caminho, 1991.


"Somos donos do tempo apenas quando o tempo se esquece de nós."
- Mia Couto, em "O último voo do flamingo". Lisboa: Editorial Caminho, 2000.


"Conselhos de minha mãe foram apenas silêncios. Suas falas tinham o sotaque de nuvem."
- Mia Couto, em "O ultimo voo do flamingo". Lisboa: Editorial Caminho, 2000.



Mia Couto, por  ©Junior Lopes Cunha
(…) e o que vivemos
não é o que a vida nos dá
nem o que dela colhemos
mas o que semeamos em pleno deserto.
- Mia Couto,
 "O outro pé da sereia". Lisboa: Editorial Caminho, 2006.


“O amanhecer costumava ser um beijo no vidro de sua casa. Naquela manhã, porém, a luz era mais tensa do que intensa.”
- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". Lisboa: Editorial Caminho, 2006.


“Dentro de mim, vão nascendo palavras líquidas, num idioma que desconheço e me vai inundando todo inteiro.”

- Mia Couto, em "O fio das missangas". Lisboa: Editorial Caminho, 2003.


"Encheram a terra de fronteiras, carregaram o céu de bandeiras, mas só há duas nações – a dos vivos e dos mortos."
- Juca Sabão, em "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", de Mia Couto.


"Lá fora, a chuva sonhava, tamborileira. E nós éramos meninos para sempre."
- Mia Couto, em "O fio das missangas". 
Lisboa: Editorial Caminho, 2003.


"A missanga, todas a veem.
Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas. Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo."
- Mia Couto, em "O fio das missangas". Lisboa: Editorial Caminho, 2003.



"[...] a gente ama alguém que desconhecemos, casa com quem conhece e vive com uma pessoa irreconhecível. Às vezes, temos luas-de-mel, outras vezes, luas melosas. A maior parte do tempo, porém, são noites sem luar nenhum."
- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.


"- Não é o corpo que me pesa: é a alma. A velhice é uma gordura na alma, acrescentou Constança alisando o ventre como quem desenruga o vestido."
- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.


"Os homens não gostam que as mulheres pensem em silêncio. Nascem-lhes nervosas suspeitas.
- Enquanto ia costurando, o seu pai não imaginava que eu estava pensando. Minha cabeça viajava por todo lado.

Nesses escassos momentos, Constança era mulher sem ter que pedir licença, existindo sem ter que pedir perdão."
- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.



"Só há um modo de enfrentar as más lembranças: é mudar radicalmente de viver, decepando raízes e fazer as pontes desabarem."
Mia Couto, por © Romeo Niram 

- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.



"Agora ela sabia: um livro é uma canoa. [...] Tivesse livros e ela faria a travessia para o outro lado do mundo, para o outro lado de si mesma."
- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.


"Em Goa nunca fizera amizade com um africano. A pele escura não ajudava a ver neles uma alma. E no entanto, era essa mesma alma opaca que era o destino da sua viagem. A brancura daqueles espíritos, mais do que o Monomotapa, esse era o propósito daquela travessia."- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.


"Os cânticos dos escravos apareciam agora mais nítidos. De repente, pareceu ao jesuíta que não havia mão pousada sobre o leme. Sob o intermitente luar, o navio era conduzido pelo embalo triste dos negros."

- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.



"Naqueles tempos de gravidez, sempre que chovesse, Constança corria para o quintal e levantava o vestido. No ventre, o bebê sentia a chuva, aprendia o valor de ter um abrigo.

- Há lições que começam antes do nascer. Foi assim que ensinei as minhas filhas a terem casa. "
- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.


" A prisão é um lugar onde se dorme muito e o sonho substitui o viver. É a única coisa que o sistema não pode encarcerar: os sonhos."

- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

“O silencio não é ausência da fala, é o dizer-se tudo sem nenhuma palavra.”
- Mia Couto, em "O outro pé da sereia". São Paulo: Companhia das Letras, 2006.




Mia Couto, por © Netto
"O mar é o habilidoso desenhador de ausências."
- Mia Couto, em "Venenos de Deus, remédios do Diabo". Lisboa: Editorial Caminho, 2008.


“Só quando danço me liberto do tempo:
esvoaçam as memórias, levantam vôo de mim.”

- Mia Couto, em "Mar me quer". Lisboa: Editorial Caminho, 2000.



"- O senhor pode ter sido acarinhado por mão, por lábio, por
      corpo, mas nenhuma carícia lhe devolve tanto a alma como a
        lágrima deslizando."
- Mia Couto, em "Mar me quer". Lisboa: Editorial Caminho, 2000.


"Quero morar numa cidade onde se sonha com chuva. Num mundo onde chover é a maior felicidade. E onde todos chovemos."
- Mia Couto, em "Antes de nascer o mundo".
 São Paulo: Companhia das Letras, 2009.


“...acordar não é a simples passagem do sono para a vigília. É mais, um lentíssimo envelhecimento, cada despertar somando o cansaço da inteira humanidade.”
- Mia Couto, do conto “A Mulher de mim", em "Cada Homem é uma Raça”. Lisboa: Editorial Caminho,1990.


"Escutar-se-ia longe, este meu grito. Afinal, neste lugar, até o silêncio faz eco."
- Mia Couto, em "Antes de nascer o mundo". São Paulo: Companhia das Letras, 2009.


“Nunca quis. Nem muito, nem parte. Nunca fui eu, nem dona, nem senhora. Sempre fiquei entre o meio e a metade. Nunca passei de meio caminhos, meios desejos, meia saudade.”
- Mia Couto, em "O fio das missangas". Lisboa: Editorial Caminho, 2003.


Ante o frio,
faz com o coração
o contrário do que fazes com o corpo:
despe-o.
Quanto mais nu,
mais ele encontrará
o único agasalho possível
– um outro coração.
(Conselho do avô)
- Mia Couto, em "A chuva pasmada". Lisboa: Editorial Caminho, 2004.



"Quando as teias da aranha se juntam, elas podem amarrar um leão."
(Provérbio africano), em "A confissão da leoa", de Mia Couto. Lisboa: Editorial Caminho, 2012.


"Há na aldeia uma espécie de serpente que circula pelo silêncio dos tetos e pela lonjura dos caminhos. Essa peçonhenta criatura procura as pessoas felizes para as morder e as envenenar, sem que elas se apercebam nunca. Esta é a razão porque, em Kulumani todos padecem da mesma infelicidade. Todos tem medo, medo da vida, medo dos amores, medo até dos amigos. Uns chamam a esse monstro de diabo, outros chamam-no de "shekatani". A maior parte, porém, chamam-no de "serpente coxa".
O escritor interrompe a longa narrativa:
_ Desculpe, meu caro..., mas para mim essa serpente somos nós mesmos."
- Mia Couto, em "A confissão da leoa". Lisboa: Editorial Caminho, 2012.


"Só as mulheres sabem o quanto se morre e nasce no momento do parto. Porque não são dois corpos que se separam: é o dilacerar de um único corpo, de um corpo que queria guardar duas vidas. Não é a dor física que, naquele momento mais aflige a mulher. É uma outra dor. É uma parte de si que se desprende, o rasgar de uma estrada que, aos poucos, nos devora os filhos, um por um."
- Mia Couto, em "A confissão da leoa". Lisboa: Editorial Caminho, 2012.


"Andei por abrigos extensos. Mas não encontrei sombra senão na palavra."
- Mia Couto, em "A confissão da leoa". Lisboa: Editorial Caminho, 2012.


"Tenho escrito repetidamente que o nosso inimigo somos nós mesmos. O adversário do nosso progresso está dentro de cada um de nós, mora na nossa atitude, vive no nosso pensamento.
A tentação de culpar os outros em nada nos ajuda. Só avançamos se formos capazes de olhar para dentro e de encontrar em nós as causas de nossos próprios desastres."
- Mia Couto, em "E se Obama fosse africano?". Lisboa: Editorial Caminho, 2009.


"Ensinar a ler é sempre ensinar a transpor o imediato. É ensinar a escolher entre sentimentos visíveis e invisíveis. É ensinar a pensar no sentido original da palavra "pensar" que significa "curar" ou "tratar" um ferimento. Temos de repensar o mundo no sentido terapêutico de o salvar das doenças pelas quais padece."
- Mia Couto, em "E se Obama fosse africano?". Lisboa: Editorial Caminho, 2009.


"A história de cada um de nós é a de um indivíduo a caminho de ser pessoa. O que nos faz ser pessoa não é o Bilhete de Identidade. O que nos faz ser pessoa é aquilo que não cabe no Bilhete de Identidade. O que nos faz pessoas é o modo como pensamos, como sonhamos, como somos outros."
- Mia Couto, em "E se Obama fosse africano?". Lisboa: Editorial Caminho, 2009.


"A palavra de hoje é aquela que cada vez mais se despiu da dimensão poética e que não carrega nenhuma utopia sobre um mundo diferente."
- Mia Couto, em "E se Obama fosse africano?". Lisboa: Editorial Caminho, 2009.

Mia Couto - foto: (...)

"Não é a briga de elite que salva o país, mas o surgimento de forças novas, gente com discurso inovador. Sou multiparti-dário. Farei o que puder para fortalecer os partidos alternativos sem nunca pertencer a nenhum deles."
- Mia Couto, em entrevista a Rede Brasil Atual, junho/2012.


"Existe um pouco de mim em todas as personagens. Creio que, na chamada vida real, também existe um pouco dos outros em nós mesmos. Há um provérbio africano de que gosto muito que diz: 'eu sou os outros'. A nossa identidade é relacional, nasce não de uma construção solitária e individual mas de um cruzamento e mestiçagem que representa, afinal, a humanidade inteira. A minha escrita é feita a partir de personagens e não de uma ideia antecipada da narrativa. Essas personagens precisam crescer dentro de mim, e nascer entre mim e elas uma relação apaixonada. Só assim elas me autorizam a chegar perto e a escutar o que elas têm para me dizer."
- Mia Couto, no 'blogdacompanhia

Detalhe do livro  "O beijo da palavrinha", de Mia Couto
[ilustrações de Danuta Wojciechowska]

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Mia Couto, aos 19 (1974), como jornalista, cobrindo  uma viagem de
 Samora Machel (foto Acervo da família/ publicado em Expresso/pt).
EDITORAS QUE PUBLICAM A OBRA DE MIA COUTO
:: Editorial Caminho (Portugal)
:: Editora Companhia das Letras (Brasil)
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:: Universidade Jean Piaget de Moçambique 
:: Ministério da Educação de Moçambique 
:: Bibliografia sobre Literatura Moçambicana em Português (organização Gilberto Matusse, Albino Macuácua e Osvaldo Neves). Cátedra de Português - Língua segunda e estrangeira. Instituto Camões/e Universidade Eduardo Mondlane.


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Mia Couto - o afinador de silêncios. Templo Cultural Delfos, novembro/2012. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada em 26.11.2015.




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17 comentários:

  1. Quando conheci Mia Couto ele era um jovem diretor de jornal na capital de Moçambique, Maputo, e um escritor iniciando sua carreira. Trabalhávamos sob o mesmo ministério, eu no cinema, no Instituto Nacional de Cinema, como cooperante estrangeiro, para desenvolver o cinema e a televisão. Fomos aos poucos nos aproximando, participávamos de reuniões com o Ministro, pois fazíamos parte do Conselho Consultivo do Ministério da Informação. Eu me tornei fundador e diretor de uma empresa produtora de filmes e por isso estava diretamente ligado ao Ministério e ao INC. Sempre houve um grande respeito e sintonia entre nós, chegamos e fazer coisas juntos, uma letra de música para uma canção de uma campanha de solidariedade contra a fome. Depois fiz uma adaptação para vídeo de uma peça que ele havia por sua vez adaptado para teatro de um livro. E aos poucos nossa amizade aumentou. E aos poucos ele explodiu nesse fenômeno literário de enorme genialidade, e sensibilidade toda própria que nos encanta e nos fascina. Ter uma amizade com um escritor desse naipe é algo que me faz muito feliz. Mas por saber que ele é extremamente assediado, que eu mantenho uma distância saudável.

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    1. Obrigada Labi, que bom que gostastes!
      Volte sempre, pois há sempre novidades. Abraços

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  2. Um aperitivo da poesia de Mia Couto - um site também musical!

    http://mocambicanto.blogspot.com.br/search/label/Mia%20Couto

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    1. Obrigada Emilia, que bom que gostastes!
      Volte sempre, pois há sempre novidades. Abraços

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  3. Gostei muito de visitar este blog, porque, por meio das citações apresentadas, sinto que conheci melhor a alma do escritor Mia Couto. Por enquanto, li apenas o livro ANTES DE NASCER O MUNDO, que amei; mas, já estou sentindo vontade de conhecer seus outros escritos. Obrigada, pela seleção de dizeres, recebi-os com um presente. Um abraço.

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    1. Obrigada!
      Fico muito contente em saber que proporcionamos esse "sentimento".
      A obra de Mia Couto é belíssima, leia mesmo, certamente você vai adorar.
      Volte sempre, abraços.

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  4. Estou fascinada com o conteúdo dessa postagem. Favoritei :)

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    1. Obrigada Jurema, fico contente em saber que gostaste.
      Volte sempre!!
      Abraços

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  5. Maravilhoso o conteúdo! Parabéns!

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    1. Obrigada Dalva!
      Que bom que gostaste, volte sempre :)
      Abs

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  6. Mia, nosso pequeno Anjo

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  7. Mia Couto nos traz essa linguagem humanista e universal, onde a "grande mãe" ressurge num resgate ao feminino. Nos faz repensar num mundo onde sejam construídas pontes que unam os seres e não fortalezas que os separem, erguidas pelo medo. Nos faz repensar no amor como alicerce seguro e necessário para a construção desse novo mundo. Nos faz desejar, cada vez mais, tornar real esse sonho de uma sociedade igualitária e justa, onde haja o respeito pelas diferenças.
    Por isso e muito mais ainda, só tenho a admirar esse talentosíssimo escritor e poeta.

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  8. Gostei muito do que li. Mia Couto é maravilhoso!

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  9. Não me recordo como conheci Mia Couto. Recordo apenas que o8 impacto foi tão grande e o amor por seus escritos, tão imediato, que parece que o conhecia há tempos. Foi como chuva de verão! Quente, bategosa, insistente, contínua e refrescante ao final. Cada leitura fica gravada como um selo de vela. Cada palavra incrustada, como uma pedra preciosa numa navete. E assim se montam as jóias da escrita de Mia, meu amado escritor! Muito obrigada por trabalho tão primoroso das obras do Mia. Parabéns!

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  10. Como estou escrevendo um projeto para ingresso no mestrado em Literatura e meu autor é o Mia Couto,as informações foram de enorme valia, Parabéns pelo excelente trabalho! Os amantes da obra de Mia agradecem!

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