José Eduardo Agualusa - identidade e memória

José Eduardo Agualusa - foto: (acervo: site do autor)
"A memória é uma paisagem contemplada de um comboio em movimento. Vemos crescer por sobre as acácias a luz da madrugada, as aves debicando a manhã, como a um fruto. Vemos os lagos plácidos onde nadam os patos, os rios de águas pesadas onde os elefantes matam a sede. São coisas que ocorrem diante dos nossos olhos, sabemos que são reais, mas estão longe, não as podemos tocar. Algumas estão já tão longe, e o comboio avança tão veloz, que não temos a certeza de que realmente aconteceram. Talvez as tenhamos sonhado. Já me falha a memória, dizemos, e foi apenas o céu que escureceu."
- José Eduardo Agualusa, em "O vendedor de passados". Rio de Janeiro: Gryphus, 2004. p. 153.


José Eduardo Agualusa, nasceu em Huambo, Angola, em 13 de dezembro de 1960. Jornalista e escritor com formação em Agronomia e Silvicultura e destacado ativista cultural na literatura angolana. 
José Eduardo Agualusa - foto: Jorge Simão
Sua família é portuguesa pelo lado paterno e brasileira pelo lado materno, e já viveu uma boa temporada no Recife e Rio de Janeiro. Seu primeiro livro, A conjura (Dom Quixote, 1989) é um romance histórico situado em Angola no período 1880-1991. Uma época de turbulentos sucessos e mudanças, quando nas ruas de Luanda se cruzavam nobres senhores africanos com as "quibucas" de escravos e os degredados vindos do Reino se entranhavam pelos matos em busca de fortuna. O livro foi bem recebido pelo crítica e indicava o surgimento de um grande escritor. Ao longo deste tempo já publicou uns 20 livros, quase todos traduzido em diversos idiomas. O segundo livro D. Nicolau Água-Rosada e outras estórias verdadeiras e inverossímeis (1990) é uma reunião de seus contos e  segue a temática histórica. Vê-se na sua obra uma necessidade de registrar a história de seu país. Em 1996 publica Estação das Chuvas, biografia romanceada de Lídia do Carmo Ferreira, poeta e historiadora angolana, misteriosamente desaparecida em Luanda em 1992, após o recomeço da guerra civil, transporta-nos desde o início do século até aos nossos dias através de um cenário violento e inquietante. 
No ano seguinte lança o livro que o projeta no cenário internacional, traduzido em diversos países: Nação Crioula (1997), a história de um amor secreto: a misteriosa ligação entre o aventureiro português Carlos Fradique Mendes - cuja correspondência Eça de Queiroz recolheu - e Ana Olímpia Vaz de Caminha, que, tendo nascido escrava, foi uma das pessoas mais ricas e poderosas de Angola. Seu interesse pela história e cultura negra abrange também o Brasil, e publica O Ano em que Zumbi tomou o Rio (2002). 
É o primeiro escritor africano a ser distinguido com o famoso Prêmio de Ficção Estrangeira, entregue pela National Portrait Gallery de Londres em 2007, pela obra O vendedor de passados (2004). Outros livros: Estação das chuvas (1996); Fronteiras perdidas (1999); Um estranho em Goa (2000); A Substância do Amor e outras crónicas (2000); O homem que parecia um domingo (2002); Catálogo de sombras (2003); Manual prático de levitação (2005);  Barroco tropical (2009);  Milagrário pessoal (2010); Teoria geral do esquecimento (2012); A educação sentimental dos pássaros (2012) A vida no céu (2013); A Rainha Ginga (2014); O livro dos camaleões (2015), além de outros.
Escreveu várias peças de teatro: "Geração W", "Aquela Mulher", "Chovem amores na Rua do Matador" e "A Caixa Preta", estas duas últimas juntamente com Mia Couto.
Escreve crónicas para o jornal brasileiro O Globo, a revista LER e o portal Rede Angola.
Realiza para a RDP África "A hora das Cigarras", um programa de música e textos africanos.
É membro da União dos Escritores Angolanos.
:: Fontes: Site oficial do autor/Tiro de Letra/ e Editora Gryphus


José Eduardo Agualusa - foto: Reinaldo Rodrigues /Global Imagens

"Não creio numa literatura cheia de certezas. Escrevemos para tentar compreender o mundo, ao menos o nosso mundo íntimo. Continuamos a escrever porque, felizmente, as questões nunca se esgotam. Num país jovem, como Angola, a questão da identidade ainda é importante. Para aqueles que, como eu, são vistos como minoritários, a questão da identidade é importante a vida inteira."
- José Eduardo Agualusa, em entrevista a Ubiratan Brasil, julho de 2013.


PRÉMIOS E HOMENAGENS
Agualusa,  por Fernando Campos
1988Prémio de Revelação Sonangol, pelo livro "A conjura"; 
1994 - Prémio de Jornalismo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, pelo livro "Lisboa Africana";
1998 - Grande Prémio de Literatura da RTP, para o livro "Nação Crioula";  
1999 - Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores – APE, para o livro de contos  "Fronteiras Perdidas"; 
2000Prémio Nacional de Ilustração, para o livro "Estranhões e bizarrocos", com ilustrações Henrique Cayatte;
2002 Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças, para o livro "Estranhões e Bizarrocos";
2007Prémio Independent – Ficção Estrangeira,  para o livro "O vendedor de passados (2004)", em Maio;
2012Prémio Manuel António Pina de Literatura para a Infância atribuído pela editora Tcharan, para o livro "A Rainha dos Estapafúrdios";
2013 - Prémio Literário Fernando Namora, pelo livro "Teoria geral do esquecimento".



Nada passa, nada expira
O passado é
um rio que dorme
e a memória uma mentira
Multiforme
Dormem do rio as águas
e em meu regaço dormem os dias
dormem
dormem mágoas
as agonias,
dormem.
Nada passa, nada expira
O passado é
um rio adormecido
parece morto, mal respira
acorda-o e saltará
num alarido.
- José Eduardo Agualusa, em "O Vendedor de Passados". Lisboa: Dom Quixote, 2004.

José Eduardo Agualusa - foto: (acervo: site do autor)

OBRAS DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
[Portugal e Angola]
Romance
:: A conjuraLisboa: Dom Quixote, 1989.
:: Estação das chuvas. Lisboa: Dom Quixote, 1996, 184p.
Capa do livro "A Rainha Ginga", de Agualusa
:: Nação crioula. Lisboa: TV Guia Editora, 1997, 171p.; Lugar do Bairro-Ferreiros, Braga: Circulo de Leitores, 2000; [Colecção Mil Folhas]. Porto: Público, 2003.
:: Um estranho em Goa. [Série Oriental Viagens]. Lisboa: Edições Cotovia, 2000, 103p.
:: O ano em que Zumbi tomou o RioLisboa: Dom Quixote, 2002.
:: O vendedor de passados. Lisboa: Dom Quixote, 2004, 206p.
:: As mulheres do meu paiLisboa: Dom Quixote, 2007, 305p.
:: Barroco tropicalLisboa: Dom Quixote, 2009.
:: Milagrário pessoalLisboa: Dom Quixote, 2010.
:: Teoria geral do esquecimentoLisboa: Dom Quixote, 2012.
:: A vida no céuLisboa: Quetzal Editores, 2013, 186p.
:: A Rainha Ginga e de como os africanos inventaram o mundo. [ilustração da capa Stéphane Goanna]. Lisboa: Quetzal Editores, 2014.

Novela
:: Dançar outra vez. Luanda: Caxinde 2001, 87p.
:: A feira dos assombrados. Lisboa: Edições Vega, 1992, 192p.

Contos e estórias
:: Dom Nicolau Água-Rosada e outras estórias verdadeiras e inverosímeisLisboa: Vega, 1990.
:: Fronteiras perdidas: contos para viajar. Lisboa: Dom Quixote, 1999, 139p.
:: O Homem que parecia um domingoLisboa: Dom Quixote, 2002, 165p.
:: Catálogo de sombrasLisboa: Dom Quixote, 2003, 196p.
:: Manual prático de levitação. 2005.
:: Passageiros em trânsito: novos contos para viajar. Lisboa: Dom Quixote. 2006, 189p.
:: Educação sentimental dos pássarosLisboa: Dom Quixote, 2011, 126p.
:: O livro dos camaleões. Lisboa: Quetzal Editores, 2015, 120p.

Crónica
:: A substância do amor e outras crónicas. Lisboa: Dom Quixote, 2000.

Poesia
:: O coração dos bosques - poesia 1980-1990Luanda: União dos Escritores Angolanos, 1991, 173p.

Infanto-juvenil
Agualusa, por Osvalter
:: Estranhões e bizarrocos: estórias para adormecer anjos. [ilustrações Henrique Cayatte]. Lisboa: Dom Quixote, 2000.
:: A girafa que comia estrelas[ilustrações Henrique Cayatte]. Lisboa: Dom Quixote, 2005, 318p.
:: O filho do vento2006.
:: Nweti e o mar. Lisboa: Dom Quixote, 2011, 44p.
:: A Rainha dos Estapafúrdios. [Ilustrações Danuta Wojciechowska]. Lisboa: Dom Quixote, 2012.

Ensaios e outros textos
:: Lisboa africana[em parceria com Fernando Semedo 'texto'; e Elza Rocha 'fotografia']. Porto: Edições ASA, 1993; 2ª ed., 1998.
:: Um pai em nascimento. Lisboa: Editora Objectiva, 2010.
:: O lugar do morto. Lisboa: Tinta da China, 2011, 237p.
:: Fui para Sul - os desenhos de Laurentina. Lisboa: Dom Quixote, 2012. 

Guia
:: Na rota das especiariasLisboa: Dom Quixote, 2008, 290p.

Antologias [participação]
:: Estórias além do tempo [antologia de contos de autores angolanos: Pepetela, José Eduardo Agualusa, Ondjaki, Arnaldo Santos, Carmo Neto, Dario de Melo, Fragata de Morais, Henrique Abranches, Henrique Guerra, Isaquiel Cori, João Melo, João Tala, Marta Santos, Luís Fernando, Sónia Gomes, Roderick Nehone e José Samwila].. (Organização Domingas de Almeida sob orientação de Adriano Botelho de Vasconcelos). Luanda: União dos Escritores Angolanos; Lisboa: Editora Leya, 2014.


"— Vou-lhe contar uma história inverossímil. Vou conta-lo porque sei que não acreditará em mim. Quero trocar esta história inverossímil, a história da minha vida, por outra simples e sólida. A história de um homem comum. Eu dou-lhe uma verdade impossível, você dá-me uma mentira vulgar e convincente — aceita?" 
- José Eduardo Agualusa, em "O vendedor de passados". Rio de Janeiro: Gryphus, 2004, p. 185.


Jose Eduardo Agualusa, foto:  Cintia Sanchez/divulgação
PUBLICAÇÕES DA OBRA DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA NO BRASIL
Editora Gryphus
:: Nação crioula (romance). Rio de Janeiro: Gryphus, 1998.
:: Estação das chuvas (romance). Rio de Janeiro: Gryphus, 2001.
:: Um estranho em Goa (romance). Rio de Janeiro: Gryphus, 1ª ed., 2001; 2ª ed., 2010.
:: O ano em que Zumbi tomou o Rio (romance). Rio de Janeiro: Gryphus 2002.
:: O vendedor de passados (romance). Rio de Janeiro: Gryphus, 2004.
:: Manual prático de levitação (contos). Rio de Janeiro: Gryphus 2005, 153p.
:: A conjura  (romance). Rio de Janeiro: Gryphus, 2010, 190p.
:: Nweti e o Mar: exercícios para sonhar sereias (infanto-juvenil). Rio de Janeiro: Griphus, 2012.
:: Catálogo de luzes - os meus melhores contos (contos).. [seleção do próprio autor; prefácio  Maitê Proença]. Rio de Janeiro: Gryphus, 2013, 234p.

Editora Língua Geral
:: Nação crioula (romance). Rio de Janeiro: Editora Língua Geral, 2010.
:: Estação das chuvas (romance). Rio de Janeiro: Editora Língua Geral, 2010.
:: O filho do vento  (infanto-juvenil).. {Ilustrações Antonio Ole}.. [Coleção Mama Africa]. Rio de Janeiro: Editora Língua Geral, 2006, 306p.
:: As mulheres do meu pai (romance). Rio de Janeiro: Editora Língua Geral, 2007. 
:: Milagrário pessoal (romance). Rio de Janeiro: Editora Língua Geral, 2010.
:: A girafa que comia estrelas.  Rio de Janeiro: Editora Língua Geral, 2010.
:: Estranhões e bizarrocos: estórias para adormecer anjosRio de Janeiro: Editora Língua Geral, 2010?.

Editora Foz
:: Teoria geral do esquecimento (romance). Rio de Janeiro: Editora Foz, 2013, 176p.
:: A Rainha Ginga e de como os africanos inventaram o mundo (romance). Rio de Janeiro: Editora Foz, 2015, 240p.

Outras editoras
:: Barroco tropical (romance). São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
:: A vida no céu (infanto-juvenil). Melhoramentos, 2015, 128p.


POESIA DE AGUALUSA

“A poesia acerta mais que a ciência. Na natureza, por exemplo, a beleza é utilitária, isto é, não existe no universo fulgor sem serventia. Se os cientistas fossem à procura da beleza ao invés da funcionalidade chegariam mais depressa à funcionalidade.”
- José Eduardo Agualusa, em "Discurso sobre o fulgor da língua"/in “Catálogo de sombras”. Lisboa: Dom Quixote, 2003.


Jose Eduardo Agualusa em cruzeiro literário pelo rio Negro,
na Amazônia (2011) -  foto: Marcelo Justo/Folhapress

Tempo das chuvas
Antes que venham as primeiras chuvas
acender
Amarelas flores entre os rochedos
E o céu se torne móvel de compridos pássaros
E todo o chão se cubra do verde novo
Do capim

Saberás pelo vento que chegaste ao fim. 
- Agualusa, em "O coração dos bosques". 1991.


O homem que vinha ao entardecer
(Ouvindo “Sonho de Um Camponês”, por Teta Lando)

Falava com devagar, ajeitando as
palavras. Falava com cuidado,
houvesse lume entre as palavras.

Chegava ao entardecer, os sapatos
cheios de terra vermelha e do perfume
dos matos.

Cumpria rigorosamente os rituais.
Batia primeiro as palmas (junto
ao peito)
Depois falava.
Dos bois, das lavras, das coisas
simples do seu dia-a-dia. E todavia
era tal o mistério das tardes quando
assim falava

que doía.
- Agualusa, em "O coração dos bosques". 1991.


Os rios atónitos
(Ouvindo "Kongo", por Miriam Makeba)

Há palavras a dormir sobre o seu largo
assombro
Por exemplo, se dizes Quanza ou dizes Congo
é como se houvesse pronunciado os próprios
rios
Ou seja, as águas
pesadas de lama, os peixes todos e os perigos
inumeráveis
O musgo das margens, o escuro
mistério em movimento.

Dizes Quanza ou dizes Congo e um rio corre
Lento
em tua boca.

Dizes Quanza
e o ar se preenche de perfumes perplexos.

E dizes Congo
e onde o dizes há grandes aves
e súbitos sons redondos e convexos.

E dizes Quanza, ou dizes Congo
e sempre que o dizes acorda em torno
um turbilhão de águas:
a vida, em seu inteiro e infinito assombro.
- Agualusa, em "O coração dos bosques". 1991.


Uma voz que canta convoca a terra perdida
Daqui chegou-me uma nostalgia de infância:

Uma voz que canta convoca a terra perdida.
Quase em surdina, evoca os secretos lugares
da infância;
o sítio onde pousavam os pássaros
o quintal cheio de estórias
e - lembras-te?- a tarde em chamas.

A voz murmura:
O exílio é onde nada se recorda de ti
Nada te diz:
sou teu/és meu
- Agualusa, em "O coração dos bosques". 1991.

José Eduardo Agualusa - foto: (acervo: site do autor)
"...Poucas pessoas estão preparadas para olhar o futuro. Fomos educados a pensar no tempo como sendo linear. Nasce-se ali, naquele ponto, morre-se acolá, e pelo meio acontece isto e aquilo."
- José Eduardo Agualusa, em "As mulheres de meu pai". Rio de Janeiro: Língua Geral, 2007, p. 319.


FORTUNA CRÍTICA DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
[Estudos acadêmicos - teses, dissertações, ensaios, artigos e livros]
ALBUQUERQUE, Maria Fátima M.. Novo conto para crianças: J.E. Agualusa e os seres sem exemplo. Forma breve 1, 2003, p. 109-125. Disponível no link. (acessado em 10.5.2015).
ALEKSANDRAVICIUS, Maisa Queiroz. Circulação e hibridização: aspectos biopolíticos na ficção de José Eduardo Agualusa. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal Fluminense, UFF, 2004.
ALEKSANDRAVICIUS, Maisa Queiroz. Ética e política na ficção de José Eduardo Agualusa. In: Congresso Internacional de Língua Portuguesa, Filosofia e Literaturas de Língua Portuguesa, 2007, Rio de Janeiro. Congresso Internacional de Língua Portuguesa, Filosofiae Literaturas de Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, 2007.
AZEVEDO, Victor Augusto Correa. Nos escombros da memória: reconstrução de identidades em Teoria Geral do Esquecimento, de Agualusa. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, 2015.
AZEVEDO, Victor Augusto Correa. Revolvendo os escombros da memória: História Política pós-independência de Angola revista no romance 'Teoria Geral do Esquecimento' de José Eduardo Agualusa. In: IX Semana de História Política: Política, Conflitos e Identidades na Modernidade VI Seminário Nacional de História: Política, Cultura e Sociedade, 2014, Rio de Janeiro. Anais IX Semana de História Política VI Seminário Nacional de História: Cultura & Sociedade. Rio de Janeiro: UERJ PPGH, 2014. v. 1. p. 3302-3311.
BACH, Carlos Batista. Um passado real no discurso de um sonhador: uma leitura da obra O vendedor de passados. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, 2006. Disponível no link. (acessado em 9.5.2015).
BACH, Carlos Batista. O milagre da língua: uma leitura de 'Milagrário pessoal', de José Eduardo Agualusa. Boitatá, v. 1, p. 92, 2012.
BACH, Carlos Batista. José Eduardo Agualusa e o Cânone Literário Angolano. Nau Literária (UFRGS), v. 7, p. 1-10, 2011. Disponível no link. (acessado em 9.5.2015).
José Eduardo Agualusa  - foto: (cia das letras)
BAREL, Ana Beatriz Demarchi. A Desconstrução do Império e a Construção da República em Nação Crioula, de José Eduardo Agualusa. Nonada (Porto Alegre), v. 12, p. 94-103, 2009.
BERGAMO, Edvaldo Aparecido. Nação e imagi(nação): a ficção de José Luandino Vieira e de José Eduardo Agualusa. In: Selma Pantoja; Estevam C. Thompson. (Org.). Em torno de Angola: narrativas, identidades e as conexões atlânticas. 1ª ed., São Paulo: Intermeios, 2014, v. 1, p. 169-176.
BEZERRA, Ana Cristina Pinto. A tessitura da memória em o vendedor de passados de José Eduardo Agualusa. (Dissertação Mestrado em Estudos da Linguagem). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, 2013.
BEZERRA, Ana Cristina Pinto. A construção da personagem Félix Ventura: o 'vendedor de passados' de Agualusa. Revista Crioula (USP), v. 12, p. 1-14, 2012.
BEZERRA, Ana Cristina Pinto. Entre memórias e tradições na escrita de O vendedor de passados, de Agualusa.. Estação Literária, v. 8A, p. 132-141, 2011.
BEZERRA, Ana Cristina Pinto. "Passei por um sonho": os caminhos simbólicos na brevidade de Agualusa. Revista Crioula (USP), v. 10, p. 1/ 10-12, 2011.
BEZERRA, Ana Cristina Pinto. A construção memorial das identidades por um vendedor de passados de José Eduardo Agualusa. Revista de Literatura, História e Memória, v. 7, p. 168-178, 2010.
BEZERRA, Ana Cristina Pinto. A construção memorial das identidades por um vendedor de passados de José Eduardo Agualusa. In: XVIII Semana de Humanidades, 2010, Natal. Anais da XVIII Semana de Humanidades, 2010. p. 1-10.
BEZERRA, Ana Cristina Pinto. A memória de um universo histórico na escrita de Agualusa.. Revista Crioula (USP), v. 9, p. nº 9, 2011.
CANTEIRO, Sabrina Magalhães Rodrigues. Contexto multicultural e as identidades de Barroco tropical, de José Eduardo Agualusa. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Rio Grande, FURG, 2013. Disponível no link. (acessado em 9.5.2015).
CASTRO, Leo Mackellene Gonçalves de. Identidades Imaginadas ou Agualusa vs. Agostinho Neto: a falência do projeto original da identidade nacional angolana. (Dissertação Mestrado em Literatura). Universidade de Brasília, UNB, 2011.
CARVALHO, Eliana Pereira de. Reescritura epistolar: o Atlântico negro de Agualusa, em Nação crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes. 1ª. ed., Jundiaí-SP: Paco Editorial, 2014. v. 1000. 160p.
CARVALHO, Eliana Pereira de. Literatura e identidade: relações na escrita angolana. In: CARVALHO, Diógenes B. A. de; MELO, Bárbara O. R. de; SOUSA, Raimundo I. de. (Org.). Linguagens, cultura e ensino. 1ª ed., Jundiaí-SP: Paco Editorial, 2014, v. 1, p. 1-312.
CARVALHO, Eliana Pereira de. Reescritura epistolar: o Atlântico negro de Agualusa, em Nação crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Piauí, UFPI, 2012.
CARVALHO, Mariana Aparecida de. Memória, Ficção, História - um estudo de Nação Crioula, de José Eduardo Agualusa. (Dissertação Mestrado em Letras: Estudos da Linguagem). Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP, 2012. Disponível no link. (acessado em 9.5.2015).
CARVALHO, Mariana Aparecida de. Memória e Nação em O vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa. (Monografia Graduação em Letras). Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP, 2009.
CHAMLIAN, Regina. Relações entre a literatura infantil angolana, de José Eduardo Agualusa, e o cinema italiano, de Federico Fellini. Revista Crioula – nº 3 – maio de 2008. Disponível no link. (acessado em 10.6.2015).
CORREIA, Wesley Barbosa. Representações histórico-ficcionais de Angola: uma leitura de A gloriosa família de Pepetela e Nação Crioula de José Eduardo Agualusa. (Tese Doutorado em Estudos Comparatistas). Universidade de Lisboa, UL, Portugal, 2014. 
CORREIA, Wesley Barbosa. Trânsitos culturais: (re)invenção nacional e experiência dispórica em Nação crioula de José Eduardo Agualusa. In: XII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada, 2011, Curitiba. Anais do XII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada, 2011: Curitiba, PR - CENTROS; ética e estética, 2011.
DADICO SOBRINHO, João Marcos. A metaficção historiográfica em Teoria Geral do Esquecimento de José Eduardo Agualusa. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal da Grande Dourados, UFGD, 2015.
DEBUS, Eliane Santana Dias. A Literatura Angolana para Infância. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 38, n. 4, p. 1129-1145, out./dez. 2013. Disponível no link. (acessado em 9.5.2015).
DIAS, Valdenides Cabral de Araújo. Ação narrativa e sobretexto em José Eduardo Agualusa. In: Zuleide Duarte. (Org.). ÁFRICAS DE ÁFRICA. Recife: PPGL/UFPE, 2005, v. , p. 99-112.
DUARTE, Zuleide. Outras Áfricas: elementos para uma literatura da África. Recife: Editora Massangana, 2012.
EYBEN, Fabricia Walace Rodrigues. Memórias engendradas, ficções do eu António Lobo Antunes, José Eduardo Agualusa, Milton Hatoum. (Tese Doutorado em Estudos Literários).Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, 2013. Disponível no link. (acessado em 9.5.2015).
FORNOS, José Luís Giovanoni. Cronotopias multiculturais e polifonia em As mulheres de meu pai, de José Eduardo Agualusa. Nau Literária (UFRGS), v. 7, p. 1-12, 2011.
FORNOS, José Luís Giovanoni. Que negro é esse no romance de José Eduardo Agualusa?. Revista Língua & Literatura (Impresso), v. 12, p. 103-118, 2010.
FORNOS, José Luís Giovanoni. Reflexões sobre a cultura negra e o mercado no romance de José Eduardo Agualusa. Palavra Nação. 1ed.Porto Alegre: Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRGS, 2012, v. 1, p. 79-88.
FORNOS, José Luís Giovanoni. Territórios sobrepostos, histórias entrelaçadas: notas sobre a representação da intelectualidade diaspórica em Barroco tropical, de José Eduardo Agualusa. In: Aimée G. Bolanõs; Lady Rojas Benavente. (Org.). Vozes Negras das Américas: diálogos contemporâneos. 1ª ed., Rio Grande: Editora da Furg, 2011, v. 1, p. 53-70.
FRANÇA, Alex Santana. Que país é este? Um olhar sobre o Brasil em José Eduardo Agualusa. (Dissertação Mestrado em Letras e Lingüística). Universidade Federal da Bahia, UFBA, 2012.  Disponível no link. (acessado em 9.5.2015).
GRANJA, Sofia Helena de Vasconcelos Horta. As teias da palavra: análise das estratégias de desconstrução do discurso de nacionalidade na obra de José Eduardo Agualusa. (Dissertação Mestrado em Letras). Faculdade de Letras, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2009.
GROSSEGESSE, Orlando Alfred Arnold. Os textos da cidade em Lisboa africana de Elza Rocha, José Eduardo Agualusa e Fernando Semedo. In: GROSSEGESSE, Orlando A.A.; THORAU, Henry. (Org.). À procura da Lisboa africana. Da encenação do Império ultramarino às realidades suburbanas. 1ª ed., Braga: Univ. Minho - Centro de Estudos Humanísticos, 2009, v. 1, p. 51-65.
GUARIENTI, Franciele Rodrigues. Tecendo Angola: A Representação da História nas Narrativas Estação das Chuvas de José Eduardo Agualusa e Yaka de Pepetela. (Dissertação Mestrado em Literatura). Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, 2015.
GUIMARÃES, Márcio Luiz da Silva. Identidades partilhadas nas fronteiras perdidas de José Eduardo Agualusa. In: IX Congresso Internacional da ABRALIC - 2004, 2004, Porto Alegre. Travessias. Porto Alegre, 2004.
LOPES, Ana Mónica Henriques. Ficção e história: imagens de nação em obra de Agualusa. (Dissertação Mestrado em Letras). Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, PUC Minas, 1999.
LOPES, Ana Mónica Henriques. Nas margens da história e da ficção. Identidades impressas e as fronteiras do nacionalismo em Angola 1866-1910. (Tese Doutorado em História). Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, 2005.
LOPES, Ana Mónica Henriques. Investigando as estratégias de construção textual de José Eduardo Agualusa. In: CAETANO, Rui Centeno; GON;ALVES, António Custódio. (Org.). VI Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. As Ciências Sociais nos Espaços de Língua Portuguesa, balanços e desafios.. Porto: Tipografia Nunes, Lda, 2002, v. 2, p. -.
LUNA, João Carlos de Oliveira; VICTOR, Lucas. Angola sob a Estação das Chuvas: história e literatura na escrita de José Eduardo Agualusa. Cadernos do Tempo Presente, v. 5, p. 1-9, 2011.
MELO, Francisco José Sampaio. Personagens diasporizadas de José Eduardo Agualusa. Letras de Hoje, v. 145, p. 159-168, 2006.
MELO, Francisco José Sampaio. A ambigüidade do discurso colonial: Um estranho em Goa, de José Eduardo Agualusa. Letras de Hoje, v. 145, p. 111-116, 2006.
NEVES, Teresa Cristina da Costa. Identidades em trânsito: Um conto de Agualusa sob o olhar de Bhabha. Darandina Revisteletrônica. Anais do Simpósio Internacional Literatura, Crítica, Cultura V: Literatura e Política, realizado entre 24 e 26 de maio de 2011. Disponível no link. (acessado em 9.5.2015).
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José Eduardo Agualusa  - foto: Pedro Loureiro
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OLIVEIRA, Romilton Batista de. Nas fronteiras ficcionais do discurso afro-lusófono:A representação da memória em O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa e Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes. (Dissertação Mestrado em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional). Universidade do Estado da Bahia, UNEB, 2013.
OLIVEIRA, Romilton Batista de. Nas fronteiras ficcionais do discurso afro-lusófono: Em O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa e Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes.. In: I SILIAFRO, 2013, Uberlândia. Anais do SILIAFRO. Uberlândia: EDUFU, 2013. v. 1. p. 558-577.
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VITERBO, Victor Mancera. A epístola revisitada: identidade, linguagem e intertextualidade em nação crioula, de José Eduardo Agualusa. (Dissertação Mestrado em Letras). Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Câmpus de São José do Rio Preto, UNESP, 2012. Disponível no link. (acessado em 9.5.2015).

"Um inventor de coisas impossíveis: formigas mecânicas, pássaros a vapor, sapatos voadores, aparelhos de produzir espirros, estranhões e bizarrocos e outros seres sem exemplo. Camelos sábios, uma menina de peluche, a rainha das borboletas. Um país onde tudo acontece ao contrário, os rios correm do mar para a nascente, e os gatos são do tamanho dos bois. O nascimento do primeiro pirilampo do mundo... São histórias para adormecer anjos."
 - Agualusa, em "Estranhões & Bizarrocos : estórias para adormecer anjos". [ilustrações Henrique Cayatte]. Lisboa: Dom Quixote, 2000.



FILMOGRAFIA
Filme: O vendedor de passados 
O vendedor do passado, o filme
Sinopse: "O Vendedor de Passados” é uma adaptação livre do livro homônimo do angolano José Eduardo Agualusa e conta a história de Vicente (Lázaro Ramos), um carioca que tem um jeito inusitado de ganhar a vida: vender passados. Para isso se utiliza de documentos, fotos e vídeos, para recriar a vida pregressa de seus clientes, de acordo com suas demandas. Um dia, é procurado por uma mulher misteriosa (Alinne Moraes), que sem dizer nada sobre sua vida, lhe encomenda um passado. Vicente, sem perceber, vai se envolvendo com a personagem que ele mesmo criou. Ele só não imaginou as surpresas que esta cliente lhe reserva...
Ficha técnica
Ano lançamento/país: 2015 - Brasil
Ano produção: 2013
Duração: 82 min.
Gênero: Drama
Direção: Lula Buarque de Hollanda
Roteiro: Isabel Muniz
Diretor de fotografia: Toca Seabra
Elenco: Lázaro Ramos, Alinne Moraes, Odilon Wagner, Mayana Neiva, Pedro Brício, Débora Olivieri, Marcello Escorel, Anderson Muller, Eliana Guttman, Carol Fazu, Giselle Motta.
Produção executiva: Ilana Brakarz, Pedro Buarque de Hollanda  
Produção: Eliana Soárez, Lula Buarque de Hollanda 
Montador: Natara Ney
Produção: Conspiração Filmes
Distribuidora: Imagem Filmes


Mia Couto e José Eduardo Agualusa - foto: César Ferreira

AFORISMOS, EXCERTOS E CITAÇÕES DA OBRA DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA

'Não tenho tempo para sentir.
Não tenho tempo para sentir, compreende. Não posso parar. Não
posso ter tempo para sentir. Não quero sentir.
No instante em que voltar a sentir, morrerei de tanto sentir
- José Eduardo Agualusa, em "Barroco tropical". São Paulo: Cia das Letras, 2009. p.  29.


"O Medo degrada as pessoas, meu caro jovem. Se você mantiver a pressão, semanas, meses a fio, o Medo acaba por funcionar como uma doença. Ao princípio é apenas um incómodo persistente, como uma dor de dentes, como uma dor de cabeça, uma dor que se instala no espírito, e vai corroendo tudo. Pouco a pouco a pessoa começa a alterar o seu comportamento, começa a imaginar situações de perigo. Torna-se paranóica, perde o gosto pela vida e entra em depressão. Eventualmente mata-se" 
- José Eduardo Agualusa, em "Barroco tropical". São Paulo: Cia das Letras, 2009. p. 87.


"Se eu escrevesse versos
(não escrevo)
mas se escrevesse, falaria da minha velha árvore, da sua sombra
húmida, e da mangueira de plástico. Um haiku torto, assim:
Dezembro. À sombra verde
dormia uma mangueira amarela:
saudade.
(Ou de como explicar a palavra saudade
A quem não vem da nossa língua.)" 
- José Eduardo Agualusa, em "Barroco tropical". São Paulo: Cia das Letras, 2009. p. 152.


"Escrevo para iluminar os corredores da minha alma. [...] Quando me sinto perdida, sento-me e escrevo. [...] O que escrevo? Registro o que me acontece, num esforço para compreender o que me aconteceu. Não invento nada. Não preciso de inventar nada. Não sou escritora. Podia chamar a isto um diário cego, porque não tem datas. Prefiro chamar-lhe um elucidário"
- José Eduardo Agualusa, em "Barroco tropical". São Paulo: Cia das Letras, 2009. p. 223-224.


"– Perguntar é pensar, menina, e quem pensa acaba sempre a contestar. Ninguém quer pensadores neste país. É coisa que desagrada ..."
- José Eduardo Agualusa, em "Barroco tropical". São Paulo: Cia das Letras, 2009. p. 237.


"– O tempo não se parece com um rio. O tempo é uma esfera. Não há nascente nem foz. Não há princípio nem fim. Tudo se repete incessantemente. Assim como te lembras de alguns factos que estão a acontecer ontem, também te podes lembrar de certas coisas que estão a acontecer amanhã..."
- José Eduardo Agualusa, em "As mulheres de meu pai". Rio de Janeiro: Língua Geral, 2007, p. 319.


"Estou na vida como numa varanda. Vejo na rua passarem as pessoas com as suas tragédias íntimas. Vejo-as nascer e morrer. Nestas terras ácidas a natureza conspira contra nós. Um homem morre, desaparece, e logo a sua obra inteira se corrói e se corrompe e se desfaz. Os palácios de hoje amanhã serão ruínas. Uma panela de sopa, deixada ao ar, fermenta numa única noite. Os fungos crescem nos armários como plantas malignas e se os deixarmos ocupam inteiramente os quartos e as casas. A própria memória rapidamente se dissolve. Creio que aqui já ninguém se recorda de como morreu o velho Arcénio de Carpo, e muito menos se lembram de Fradique Mendes. A mim chamam-me a brasileira e os mais novos acreditam realmente que eu nasci no Brasil. Também por isso lhe entrego estas cartas. Disponha delas como entender."
- José Eduardo Agualusa, em "Nação Crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes, 3ª ed., Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2002, p. 159.


"Foi por uma noite de nuvens baixas: por uma dessas noites tão desprovidas de luz que a brisa parece feita de musgo e o próprio ar de limos e de lodo. Roberto Santa-Maria, escriturário natural de Ambaca, vinha de visitar a noiva nos penedos de Pungo Andongo, quando de repente sentiu o chão dissolver-se debaixo de si e caiu, caiu, caiu, ininterruptamente e longamente, numa queda que parecia não ter fim.”
- José Eduardo Agualusa, em "Dançar outra vez". Luanda: Edições Chá de Caxinde, 2001, p. 21.


"[...] Pergunto-me quantos livros precisou Baudelaire de ler, e quantas vidas teve de viver, para escrever um único verso. Eu pouco li ainda, e, ao contrário do que V. pretende, não vivi sequer o suficiente para escrever um soneto, quanto mais um romance, ou, pior ainda, as ‘minhas memórias’ [...] Não, não faço literatura. E também não tenciono, nem agora nem nunca, escrever memórias. Aquilo que de mais interessante aconteceu na minha vida foram as vidas de outras pessoas."
- José Eduardo Agualusa, em "Nação Crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes, 3ª ed., Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2002, p. 121-122.



"o espaço sagrado da infância (…). A infância do remotos costumes ainda preservados: (…) as lendas que as avós contavam, sempre habitadas por bichos falantes e por estranhos seres prodigiosos."
- Agualusa, em "Estação das chuvas". Lisboa: Dom Quixote, 1996.


José Eduardo Agualusa - foto: Ana Brígida/RA

CONTO

Sábios como Camelos
Há muitos anos viveu na Pérsia um grão-vizir - nome dado naquela época aos
chefes dos governos - que gostava imenso de ler. Sempre que tinha de viajar
ele levava consigo quatrocentos camelos, carregados de livros, e treinados
para caminhar em ordem alfabética. O primeiro camelo chamava-se Aba, o
segundo Baal, e assim por diante, até ao último, que atendia pelo nome de
Zuzá. Era uma verdadeira biblioteca sobre patas. Quando lhe apetecia ler um
livro o grão-vizir mandava parar a caravana e ia de camelo em camelo, não
descansando antes de encontrar o título certo.
Camelo e a menina, ilustração de Henrique Cayatte
livro "Estranhões & Bizarrocos", de Agualusa
Um dia a caravana perdeu-se no deserto. Os quatrocentos camelos
caminhavam em fila, uns atrás dos outros, como um carreirinho de formigas. À
frente da cáfila, que é como se chama uma fila de camelos, seguiam o grãovizir
e os seus ministros. Subitamente o céu escureceu, e um vento áspero
começou a soprar de leste, cada vez mais forte. As dunas moviam-se como se
estivessem vivas. O vento, carregado de areia, magoava a pele. O grão-vizir
mandou que os camelos se juntassem todos, formando um círculo. Mas era
demasiado tarde. O uivo do vento abafava as ordens. A areia entrava pela
roupa, enfiava-se pelos cabelos, e as pessoas tinham de tapar os olhos para
não ficarem cegas. Aquilo durou a tarde inteira. Veio a noite e quando o Sol
nasceu o grão-vizir olhou em redor e não foi capaz de descobrir um único dos
quatrocentos camelos. Pensou, com horror, que talvez eles tivessem ficado
enterrados na areia. Não conseguiu imaginar como seria a vida, dali para a
frente, sem um só livro para ler. Regressou muito triste ao seu palácio. Quem
lhe contaria histórias?
Os camelos, porém, não tinham morrido. Presos uns aos outros por cordas, e
conduzidos por um jovem pastor, haviam sido arrastados pela tempestade de
areia até uma região remota do deserto. Durante muito tempo caminharam sem
rumo, aos círculos, tentando encontrar uma referência qualquer, um sinal, que
os voltasse a colocar no caminho certo. Por toda a parte era só areia, areia, e o
ar seco e quente. À noite as estrelas quase se podiam tocar com os dedos.
Ao fim de quinze dias, vendo que os camelos iam morrer de fome, o jovem
pastor deu-lhes alguns livros a comer. Comeram primeiro os livros
transportados por Aba, ou seja, todos os títulos começados pela letra A. No dia
seguinte comeram os livros de Baal. Trezentos e noventa e oito dias depois,
quando tinham terminado de comer os livros de Zuzá, viram avançar ao seu
encontro um grupo de homens. Eram as tropas do grão-vizir.
Conduzido à presença do grão-vizir o jovem guardador de camelos, explicoulhe,
chorando, o que tinha acontecido. Mas este não se comoveu:
- Eras tu o responsável pelos livros - disse -, assim por cada livro destruído
passarás um dia na prisão.
O guardador de camelos fez contas de cabeça, rapidamente, e percebeu que
seriam muitos dias. Cada camelo carregava quatrocentos livros, então
quatrocentos camelos transportavam cento e sessenta mil! Cento e sessenta 
mil dias são quatrocentos e quarenta e quatro anos. Muito antes disso morreria
de velhice na cadeia.
Dois soldados amarraram-lhe os braços atrás das costas. Já se preparavam
para o levar preso, quando Aba, o camelo, se adiantou uns passos e pediu
licença para falar:
- Não faças isso, meu senhor - disse Aba dirigindo-se ao grão-vizir - esse
homem salvou-nos a vida.
O grão-vizir olhou para ele espantado:
- Meu Deus! O camelo fala!?
- Falo sim, meu senhor - Confirmou Aba, divertido, com o incrédulo silêncio dos
homens.
- Os livros deram-nos a nós, camelos, a ciência da fala.
Explicou que, tendo comido os livros, os camelos haviam adquirido não apenas
a capacidade de falar, mas também o conhecimento que estava em cada livro.
Lentamente enumerou de A a Z os títulos que ele, Aba, sabia de cor. Cada
camelo conhecia de memória quatrocentos títulos.
- Liberta esse homem - disse Aba -, e sempre que assim o desejares nós
viremos até ao vosso palácio para contar histórias.
O grão-vizir concordou. Assim, a partir daquele dia, todas as tardes, um camelo
subia até ao seu quarto para lhe contar uma história. Na Pérsia, naquela
época, era habitual dizer-se de alguém que mostrasse grande inteligência:
- Aquele homem é sábio como um camelo.
Isto foi há muito tempo. Mas há quem diga que, quando estão sozinhos, os
camelos ainda conversam entre si.

Pode ser! 
 - José Eduardo Agualusa, em "Estranhões & Bizarrocos : estórias para adormecer anjos". [ilustrações Henrique Cayatte]. Lisboa: Dom Quixote, 2000.


EDITORAS QUE PUBLICAM A OBRA DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
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José Eduardo Agualusa - foto: (...)
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:: Casa África
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:: União dos Escritores Angolanos - UEA


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). José Eduardo Agualusa - identidade e memória. Templo Cultural Delfos, maio/2015. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 8.5.2015.



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