Noémia de Sousa - sangue negro

Noémia de Sousa, por Fabiana Miraz de Freitas Grecco

© Pesquisa, seleção, edição e organização: Elfi Kürten Fenske
Por gentileza citar conforme consta no final desse trabalho.  
Página original JULHO/2015 | ** Publicação revisada, ampliada e atualizada SETEMBRO/2021.


ESBOÇO BIOBIBLIOGRÁFICO DE NOÉMIA DE SOUSA

Noémia de Sousa (Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares). poeta, tradutora, jornalista. Nasceu em 20 de Setembro de 1926, em Lourenço Marques (hoje Maputo), Moçambique. Sem livro publicado, rumou a Lisboa. Mais tarde, mudou-se para Paris. Regressaria a Portugal, onde foi jornalista da agência noticiosa portuguesa, em Lisboa. Morreu em 4 de Dezembro de 2002, Cascais, Portugal.

O seu único livro de poemas "Sangue Negro"  foi publicado em 2001 pela Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO). A poeta que, numa espécie de postura predestinada, desembaraçando-se das normas tradicionais europeias, de 1949 a 1952, escreve dezenas de poemas, estando muitos deles dispersos pela imprensa moçambicana e estrangeira. Com apenas 22 anos de idade, surgiu na senda literária moçambicana num impulso encantador, gritando o seu verbo impetuoso, objetivo e generoso, vincado (bem fundo) na alma do seu povo, da sua cultura, da sua consciência social, revelando um talento invulgar e uma coragem impressionante. Como afirma Craveirinha (2000, p.100), podemos sentir o hálito ardente da fogueira, quando lemos os versos desta escritora, o que mostra em sua literatura a evidência da moçambicanidade, ou seja, a valorização da sua nação em seus poemas. Ler Noêmia de Sousa é ler Moçambique.

Como mestiça, pois seu pai era originário de uma família luso-afro-goesa e sua mãe afro-germânica, revela ser marcada por uma profunda experiência, em grande parte por via dessa mesma circunstância de ser mestiça. A sua poesia, desde logo, se mostrou "cheia" da "certeza radiosa" de uma esperança, a esperança dos humilhados, que é sempre a da sua libertação. Toda a sua produção é marcada pela presença constante das raízes profundamente africanas, abrindo os caminhos da exaltação da Mãe-África, da glorificação dos valores africanos, do protesto e da denúncia.
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:: Fonte: FREITAS, Sávio Roberto Fonsêca de.. Noemia de Sousa: poesia combate em Moçambique. In: III Seminário Nacional de Estudos Afro-Brasileiros, 2010, João Pessoa. Cadernos Imbondeiro. João Pessoa: Editora da UFPB, 2010. v. 1. p. 89-107. Disponível no link. (acessado em 8.7.2015).

Poema
Bates-me e ameaças-me
Agora que levantei minha cabeça esclarecida
E gritei: “Basta!” (…) Condenas-me à escuridão eterna
Agora que minha alma de África se iluminou
E descobriu o ludíbrio  E gritei, mil vezes gritei: _Basta!”.
Armas-me grades e queres crucificar-me
Agora que rasguei a venda cor-de-rosa
E gritei: “Basta!”

Condenas-me à escuridão eterna Agora que minha
alma de África se iluminou E descobriu o ludíbrio..
E gritei, mil vezes gritei: _Basta!_

Ò carrasco de olhos tortos,
De dentes afiados de antropófago
E brutas mãos de orango:

Vem com o teu cassetete e tuas ameaças,
Fecha-me em tuas grades e crucifixa-me,
Traz teus instrumentos de tortura
E amputa-me os membros, um a um…

Esvazia-me os olhos e condena-me à escuridão eterna… –
que eu, mais do que nunca,
Dos limos da alma,
Me erguerei lúcida, bramindo contra tudo: 
Basta! Basta! Basta!
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001.



Noémia de Sousa, por Mariana Fujisawa (detalhe)

OBRA DE NOÉMIA DE SOUSA

Poesia
:: Sangue negro.  [organização e fixação dos textos por Nelson Saúte, Francisco Noa e Fátima Mendonça]. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 2001.
:: Sangue negro[organização e fixação dos textos por Nelson Saúte, Francisco Noa e Fátima Mendonça]. 2ª ed., Maputo: Editora Marimbique, 2011. {incluindo novos poemas, ensaios e fotos da autora}.

Obra de Noémia de Sousa publicada no Brasil
:: Sangue Negro. Noémia de Sousa. [prefácio Carmen Lucia Tindó; ilustrações Mariana Fujisawa; 
capa de Amanda de Azevedo; estudos de Fátima Mendonça, Francisco Noa e Nelson Saúte]. Coleção Vozes da África. São Paulo: Editora Kapulana, 2016.

Traduções realizadas por Noémia de Sousa
:: Discurso sobre o colonialismo. de Aimé Césaire (1955). [tradução Noémia de Sousa; prefácio Mário de Andrade]. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1978. Disponível no link. (acessado em 7.9.2021).

Em Antologias (participação)
:: Poesia em Moçambique [org. Orlando de Albuquerque e Vítor Evaristo]. Lisboa: Casa dos Estudantes do Império, CEI, 1951 {separata da revista Mensagem}.
:: Caderno de Poesia negra de expressão portuguesa. [organização Francisco Tenreiro e Mário Pinto de Andrade; dir. Manuel Ferreira]. Associação Casa dos Estudantes do Império, 1953. {contém poemas de seis poetas: Alda do Espírito Santo e Francisco José Tenreiro (S. Tomé), Agostinho Neto, António Jacinto e Viriato da Cruz (Angola) e Noémia de Sousa (Moçambique)}.
:: Poetas de Moçambique. [capa e compilação de Pollanah; prefácio de Alfredo Margarido]. Colectânea da C.E.E. Lisboa: Casa dos Estudantes do Império, CEI, 1960. {contém poemas de: Rui de Noronha, Manuel Filipe Coutinho, Gouvêa Lemos, Orlando de Albuquerque, Glória de Sant'Anna, Cirilo Viegas, Nuno Bermudes, Guilherme de Melo, José Craveirinha, Albuquerque Freire, Ruy Eça Rêgo, Rui Knopfli, Orlando Mendes, Noémia de Sousa, Reinaldo Ferreira, Duarte Galvão, Fonseca Amaral, Rui Nogar, Fernando Couto, Marcelino dos Santos, Cordeiro de Brito, Carlos Maria, Caetano Campo, Irene Gil, Diogo de Távora, Anunciação Prudente, Sérgio Vieira, Alfredo de Barros, Ilídio Rocha, Tarquínio Hall e Jorge Villa}.
:: Poètes Noirs d'Expression Portugaise. [Organização e prefácio de Mário Pinto de Andrade, tradução dos poemas por Jean-Paul Rebec]. Paris: Conakry, 1961. {autores presentes: Poemas de Agostinho Neto, Alda do Espírito Santo, Noémia de Sousa, Gabriel Mariano e Kalungano (pseudónimo literário de Marcelino dos Santos)}.
:: Resistência africana. (antologia poética).. [org. Serafim Ferreira]. Lisboa: Diabril, 1975.
:: Antologia temática de poesia africana, 1: na noite gravida dos punhais  [org. Mário Pinto de Andrade]. Lisboa: Sá da Costa, 1975; Praia: ICL, 1980. 
:: 50 poetas africanos[organização e seleção Manuel Ferreira]. Lisboa: Plátano Editora, 1989.
:: Antologias de Poesia da Casa de Estudantes do Império 1951 - 1963. Moçambique, II vol. [org. A. Freudenthal, B. Magalhães, H. Pedro, C. Veiga Pereira]. Edição ACEI, 1994; 2ª ed., 2014. Disponível no link e link. (acessado em 6.9.2021).
:: Literatura africana de expressão portuguesa. vol. 1. [org. Mário de Andrade] Lendeln: Kraus Reprint, 1970.
:: A horse of white clouds: poems from lusophone Africa. [org. Don Burness]. Ohio: Ohio University, 1989. {consta o poema "Let my people go"/ Deixa passar meu povo, de Noémia de Sousa, p. 148-151}.
:: No reino de Caliban: antologia panorâmica da poesia africana de expressão portuguesa. vol. 3 - Moçambique. [org. Manuel Fereira]. Lisboa: Seara Nova, 1975; 4ª ed., Plátano Editora, 1997.
:: Antologia da nova poesia moçambicana [organização Fátima Mendonça e Nelson Saúte]. Maputo: AEMO, 1993.
:: Matrilíngua: antologia de autores de língua portuguesa. [org. e prefácio Salvato Trigo]. vol. II. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo, 1997. 
:: Moçambique: encontro com escritores. de Michel Laban. Porto: Fundação eng. António de Almeida, 1998. {vol. 1 - encontro com: Aníbal Aleluia, José Craveirinha, Glória de Sant'Anna, Ascêncio de Freitas, Noémia de Sousa, Virgílio de Lemos}.
:: Antologia da poesia feminina dos PALOP (países africanos de língua oficial Portuguesa) .. [organização e tradução Xosé Lois García]. Bilíngue Português/espanhol. Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 1998. {autoras presentes por paísAngola: Alda Lara, Ermelinda Pereira Xavier, Amélia Veiga, Eugénia Neto, Maria Eugénia Lima, Manuela Abreu, Deolinda Rodrigues, Maria Celestina Fernandes, Paula Tavares, Lisa Castel, Maria Alexandre Dáskalos, Dorina, Isabel Ferreira, Ana de Santana, Maria Amélia Dalomba, Ana Branco | Cabo Verde: Dina Salústio, Arcília Barreto, Ana Júlia, Vera Duarte, Alzira Cabral, Lara Araujo, Paula Martins | Guiné-Bissau: Eunice Borges, Domingas Samy, Mariana Ribeiro, Maria Odete da Costa Semedo |  Moćambique: Glória de Sant'Ana, Clotilde Silva, Noémia de Sousa, Maria Manuela de Sousa Lobo, Josina Machel, Joana Nachaque, Maria Emília Roby, Rosalia Tembe | São Tomé e Príncipe: Maria Manuela Margarido, Alda do Espírito Santo, Ana Maria Deus Lima, Conceição Lima}.
:: Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX. Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau. [coordenação Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco]. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1999. 
:: Colectânea breve de literatura moçambicana. [organização Rogério Manjate]. Maputo: Identidades Intercâmbio Artístico, 2000.
:: Nunca mais é sábado: antologia de poesia moçambicana. [organização e prefácio Nelson Saúte; revisão tipográfica Álvaro B. Marques; gravuras Miguel César]. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2004.
:: Caderno de poesia negra de expressão portuguesa. [org. Mário Pinto de Andrade e Francisco José Tenreiro; introd. Luís Kandjimbo].  Ed. facsimilada de Lisboa (1953). Lisboa: Silver Designers, imp. 2012. 
:: O Brasil na poesia africana de língua portuguesa: Antologia. [organização Anita M. R. de Moraes e Vilma Lia R. Martin]. São Paulo: Kapulana, 2019. {poetas presentes: Caetano da Costa Alegre, José da Silva Maia Ferreira, Ruy Duarte de Carvalho, João Melo, Carlos Ferreira, José Luís Mendonça, Ondjaki, Noémia de Sousa, Luís Carlos Patraquim, Vera Duarte}.
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ArteNoémia de Sousa, em ilustração de João Pinheiro.



Noémia de Sousa - a poeta moçambicana

POEMAS ESCOLHIDOS DE NOÉMIA DE SOUSA


Abri a porta, companheiros
Ai abri-nos a porta,
abri-a depressa, companheiros,
que cá fora andam o medo, o frio, a fome,
e há cacimba, há escuridão e nevoeiro...
Somos um exército inteiro,
todo um exército numeroso,
a pedir-vos compreensão, companheiros!

E continua fechada a porta...

Nossas mãos negras inteiriçadas,
de talhe grosseiro
- nossas mãos de desenho rude e ansioso –
já cansam de tanto bater em vão..

Aí companheiros,
abandonai por momentos a mansidão
estagnada do vosso comodismo ordeiro
e vinde!
Ou então,
podeis atirar-nos também,
mesmo sem vos moverdes,
a chave mágica, que tanto cobiçamos...
Até com a humilhação do vosso desdém,
nós a aceitaremos.

O que importa
é não nos deixarem morrer
miseráveis e gelados,
aqui fora, no noite fria povoada de xipocués...

“O que importa
é que se abra a porta”.
- Noémia de Sousa (1949), no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001, p. 39-40.

§§

Noémia de Sousa
Canção fraterna
Irmão negro de voz quente
o olhar magoado,
diz‑me:
Que séculos de escravidão
geraram tua voz dolente?
Quem pôs o mistério e a dor
em cada palavra tua?
E a humilde resignação
na tua triste canção?

Foi ávida? o desespero? o medo?
Diz‑me aqui, em segredo,
irmão negro.

Porque a tua canção é sofrimento
e a tua voz sentimento
e magia.
Há nela a nostalgia
da liberdade perdida,
a morte das emoções proibidas,
e a saudade de tudo que foi teu
e já não é.

Diz‑me, irmão negro,
Quem fez a vida assim...
Foi a vida? o desespero? o medo?

Mas mesmo encadeado, irmão,
que estranho feitiço o teu!
A tua voz dolente chorou
de dor e saudade,
gritou de escravidão e veio murmurar à minha em alma ferida
que a tua triste canção dorida
não é só tua, irmão de voz de veludo
e olhos de luar.
Veio, de manso murmurar

que a tua canção é minha
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001, p. 74-75.

§§

Godido
Dos longes do meu sertão natal,
eu desci à cidade da civilização.
Embriaguei-me de pasmo entre os astros
suspensos dos postes das ruas
e atracção das montras nuas
tomou-me a respiração.
Todo esse brilho de névoa, ténue e superficial
que envolve a capital,
me cegou e fez de mim coisa sua.

Quando cheguei,
trazia no olhar a luz verde dos negros simples
e uma dádiva maravilhosa em cada mão.

Mas a cidade, a cidade, a cidade!
Esmagou com os pneus do seu luxo,
sem caridade,
meus pés cortados nos trilhos duros do sertão.
Encarcerou-me numa neblina quase palpável de ódio e desprezo,

e ignorando a luz verde do meu olhar,
a maravilhosa oferta
(essa estrela, esse tesouro) de cada minha mão aberta,
exigiu-me impiedosamente a abdicação
da minha qualidade intangível de ser humano!

Nas noites frias,
sem batuque, sem lua,
as estrelas continuaram brilhando, insensíveis,
através da cacimba, suspensas dos postes da rua.
Minha consolação:
Minha Mãe silenciosa oferecendo-me suas costas nuas,
mornas como sol de inverno...
minha Mãe vencendo a cacimba e a solidão,
para me vir belekar,
humilde e sofredora, com suas tocantes canções de acalentar!

Ah, mas eu não me deixei adormecer!
Levantei-me e gritei contra a noite sem lua,
sem batuque, sem nada que me falasse da minha África,
da sua beleza majestosa e natural,
sem uma única gota da sua magia!
A luz verde incendiou-se no meu olhar
e foi fogueira vermelha na noite fria
dos revoltados

Ainda grito,
porque quero ser ainda, sempre, pela vida fora,
o que fui outrora:
Rainha nas costas de minha Mãe!

Como tu, meu irmão negro, desorientado e perdido,
na cidade cruel...
Como tu!

Por isso é que este meu canto ingénuo que soa banal,
traz no seu fundo mais fundo, Godido, meu irmão
a marca rubra dum selo fraternal,

constante e imortal! 
- Noémia de Sousa (1952), no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001, p. 130-131.

§§

Negra
Gentes estranhas, com seus olhos cheios doutros mundos
quiseram cantar teus encantos
para elas só de mistérios profundos,
de delírios e feitiçarias.
Teus encantos profundos de África

Mas não puderam.
Em seus formais e rendilhados cantos,
ausentes de emoção e sinceridade,
quedaste-te longínqua, inatingível,
virgem de contactos mais fundos.
E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual,
jarra etrusca, exotismo tropical,
demência, atracção, crueldade,
animalidade, magia...
e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.

Em seus formais cantos rendilhados
foste tudo, negra...
menos tu.

E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a nós,
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te cantar
com emoção verdadeira e radical,
a glória comovida de te cantar, toda amassada,
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE.
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001, p. 76-77.

§§

Poema da infância distante
                            A Rui Guerra

Quando eu nasci na grande casa à beira-mar, 
era meio-dia e o sol brilhava sobre o Índico. 
Gaivotas pairavam, brancas, doidas de azul.
Os barcos dos pescadores indianos não tinham regressado ainda
arrastando as redes pejadas.
Na ponte, os gritos dos negros dos botes
chamando as mamanas amolecidas de calor,
de trouxas à cabeça e garotos ranhosos às costas
soavam com um ar longínquo,
longínquo e suspenso na neblina do silêncio.
E nos degraus escaldantes,
mendigo Mufasini dormitava, rodeado de moscas.

Quando eu nasci...
- Eu sei que o ar estava calmo, repousado (disseram-me)
e o sol brilhava sobre o mar.
No meio desta calma fui lançada ao mundo,
já com meu estigma.
E chorei e gritei – nem sei porquê.
Ah, mas pela vida fora,
minhas lágrimas secaram ao lume da revolta.
E o Sol nunca mais brilhou como nos dias primeiros
da minha existência,
embora o cenário brilhante e marítimo da minha infância,
constantemente calmo como um pântano,
tenha sido quem guiou meus passos adolescentes,
- meu estigma também.
Mais, mais ainda: meus heterogéneos companheiros
de infância.

Meus companheiros de pescarias
por debaixo da ponte,
com anzol de alfinete e linha de guita,
meus amigos esfarrapados de ventres redondos como cabaças,
companheiros de brincadeiras e correrias
pelos matos e praias da Catembe
unidos todos na maravilhosa descoberta de um ninho de tutas,
na construção de uma armadilha com nembo,
na caça aos gala-galas e beija-flores,
nas perseguições aos xitambelas sob um sol quente de Verão...
- Figuras inesquecíveis da minha infância arrapazada,
solta e feliz:
meninos negros e mulatos, brancos e indianos,
filhos da mainata, do padeiro,
do negro do bote, do carpinteiro,
vindos da miséria do Guachene
ou das casas de madeira dos pescadores,
Meninos mimados do posto,
meninos frescalhotes dos guardas-fiscais da Esquadrilha
- irmanados todos na aventura sempre nova
dos assaltos aos cajueiros das machambas,
no segredo das maçalas mais doces,
companheiros na inquieta sensação do mistério da “Ilha dos navios perdidos”
- onde nenhum brado fica sem eco.

Ah, meus companheiros acocorados na roda maravilhada
e boquiaberta de “Karingana wa karingana”
das histórias da cocuana do Maputo,
em crepúsculos negros e terríveis de tempestades
(o vento uivando no telhado de zinco,
o mar ameaçando derrubar as escadas de madeira da varanda
e casuarinas, gemendo, gemendo,
oh inconsolavelmente gemendo,
acordando medos estranhos, inexplicáveis
das nossas almas cheias de xituculumucumbas desdentadas
e reis Massingas virados jiboias...)
Ah, meus companheiros me semearam esta insatisfação
dia a dia mais insatisfeita.

Eles me encheram a infância do sol que brilhou
no dia em que nasci.
Com a sua camaradagem luminosa, impensada,
sua alegria radiante,
seu entusiasmo explosivo diante
de qualquer papagaio de papel feito asa
no céu de um azul tecnicolor,
sua lealdade sem código, sempre pronta,
- eles encheram minha infância arrapazada
de felicidade e aventuras inesquecíveis.

Se hoje o sol não brilha como do dia
em que nasci, na grande casa,
à beira do Índico,
não me deixo adormecer na escuridão.
Meus companheiros me são seguros guias
na minha rota através da vida.
Eles me provaram que “fraternidade” não é mera palavra bonita
escrita a negro no dicionário da estante:
ensinaram-me que “fraternidade” é um sentimento belo, e possível,
mesmo quando as epidermes e a paisagem circundante
são tão diferentes.

Por isso eu CREIO que um dia
o sol voltará a brilhar, calmo, sobre o Índico.
Gaivotas pairarão, brancas, doidas de azul
e os pescadores voltarão cantando,
navegando sobre a tarde ténue.

E este veneno de lua que a dor me injectou nas veias
em noite de tambor e batuque
deixará para sempre de me inquietar.

Um dia,
o sol iluminará a vida.
E será como uma nova infância raiando para todos.
- Noémia de Sousa (29.04.1950), no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001. 

§§

Sangue negro
Ó minha África misteriosa e natural,
minha virgem violentada,
minha Mãe!

Como eu andava há tanto desterrada,
de ti alheada
distante e egocêntrica
por estas ruas da cidade!
engravidadas de estrangeiros

Minha Mãe, perdoa!

Como se eu pudesse viver assim,
desta maneira, eternamente,
ignorando a carícia fraternamente
morna do teu luar
(meu princípio e meu fim)...
Como se não existisse para além
dos cinemas e dos cafés, a ansiedade
dos teus horizontes estranhos, por desvendar...
Como se teus matos cacimbados
não cantassem em surdina a sua liberdade,
as aves mais belas, cujos nomes são mistérios ainda fechados! 

Como se teus filhos – régias estátuas sem par –,
altivos, em bronze talhados,
endurecido no lume infernal
do teu sol causticante, tropical,
como se teus filhos intemeratos, sobretudo lutando,
à terra amarrados,
como escravos, trabalhando,
amando, cantando –
meus irmãos não fossem!

Ó minha Mãe África, ngoma pagã,
escrava sensual,
mística, sortílega – perdoa!

À tua filha tresvairada,
abre-te e perdoa!

Que a força da tua seiva vence tudo!
E nada mais foi preciso, que o feitiço ímpar
dos teus tantãs de guerra chamando,
dundundundundun – tãtã – dundundundun – tãtã
nada mais que a loucura elementar
dos teus batuques bárbaros, terrivelmente belos... 

para que eu vibrasse
para que eu gritasse,
para que eu sentisse, funda, no sangue, a tua voz, Mãe!

E vencida, reconhecesse os nossos elos...
e regressasse à minha origem milenar.
Mãe, minha Mãe África
das canções escravas ao luar,
não posso, não posso repudiar
o sangue negro, o sangue bárbaro que me legaste...
Porque em mim, em minha alma, em meus nervos,
ele é mais forte que tudo,
eu vivo, eu sofro, eu rio através dele, Mãe!
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001, p. 141-142.

§§

Sacrário
Ausência do corpo.
Amor absoluto.

Hosanas de Sol.
De chuva.
De areia.
E andorinhas
resvalando as asas
no consternado ombro cinzento
de uma nuvem.

E uma hérbia mantilha
teu sacrário 
velando.
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001

§§

Se me quiseres conhecer
                Para Antero

Se me quiseres conhecer,
Estuda com olhos de bem ver
Esse pedaço de pau preto 
Que um desconhecido irmão maconde
De mãos inspiradas
Talhou e trabalhou em terras distantes lá do norte.

Ah! Essa sou eu:
órbitas vazias no desespero de possuir a vida
boca rasgada em ferida de angustia,
mãos enorme, espalmadas,
erguendo-se em jeito de quem implora e ameaça,
corpo tatuado feridas visíveis e invisíveis
pelos duros chicotes da escravatura…
torturada e magnífica
altiva e mística,
africa da cabeça aos pés,
– Ah, essa sou eu!

Se quiseres compreender-me
Vem debruçar-te sobre a minha alma de africa,
Nos gemidos dos negros no cais
Nos batuques frenéticos do muchopes
Na rebeldia dos machanganas
Na estranha melodia se evolando
Duma canção nativa noite dentro

E nada mais me perguntes,
Se é que me queres conhecer…
Que não sou mais que um búzio de carne
Onde a revolta de africa congelou
Seu grito inchado de esperança.
- Noémia de Sousa (25.12.1949) no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001.

§§

Te Deum
Opressiva
a inquietude
no carrilar dos bronzes.

Libreto
de mil cactos
em mudo refrão dos desertos.

Dobre
de sinos

em solene Te Deum
de graças pela Maria.
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001.

§§

Teias da memória
Na baça melancolia do tecto
bilros de teia bordam solidão
enquanto meigos sussurros de sombra
no brilhante mutismo do espelho

recitam estrofes de poeira.
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001.

§§

Um dia
Quando este nosso sol ardente de África
nos cobrir a todos com a benção do mesmo
calor,
quero ir contigo, amigo,
de mãos dadas, deslumbrados,
pelos trilhos abertos da nossa terra
estranha,
adubada com sangue e suor de séculos...

Nas machambas,
o ruído repercutido de tractor
soará como uma canção de triunfo.
Nas matas,
as tutas já não serão aves apenas
e no centro da vida,
nosso irmão negro, quebradas as grilhetas,
celebrará seu segundo nascimento
num batuque diferente de todos os outros...

Uma luz clara e doce se abrirá para todo
e nós iremos de mãos dadas, amigo,
pelos trilhos verdes de Moçambique.
Na noite,
não mais soluçarão, estertoradas,
canções marimbadas por irmãos
naufragados
(ô mamanô! Ô tatanô!),
Não mais a acusação muda dos olhos
precoces
de crianças de ventres empinados
não mais jaulas erguidas para os
inconformistas
gritando gritos de sangue
através de tudo!

Não mais, noite...
E nós iremos de mãos dadas,
amigo,
pelos trilhos abertos de Moçambique,
mergulhados no clarão eterno do dia
infindável.
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001, p. 114-115.

§§

Nossa voz
        Ao J. Craveirinha

Nossa voz ergueu-se consciente e bárbara
sobre o branco egoísmo dos homens
sobre a indiferença assassina de todos.
Nossa voz molhada das cacimbadas do sertão
nossa voz ardente como o sol das malangas
nossa voz atabaque chamando
nossa voz lança de Maguiguana
nossa voz, irmão,
nossa voz trespassou a atmosfera conformista da cidade
e revolucionou-a
arrastou-a como um ciclone de conhecimento.

E acordou remorsos de olhos amarelos de hiena
e fez escorrer suores frios de condenados
e acendeu luzes de esperança em almas sombrias de desesperados...

Nossa voz, irmão!
nossa voz atabaque chamando.

Nossa voz lua cheia em noite escura de desesperança
nossa voz farol em mar de tempestade
nossa voz limando grades, grades seculares
nossa voz, irmão! nossa voz milhares,
nossa voz milhões de vozes clamando!

Nossa voz gemendo, sacudindo sacas imundas,
nossa voz gorda de miséria,
nossa voz arrastando grilhetas
nossa voz nostálgica de ímpis
nossa voz África
nossa voz cansada da masturbação dos batuques da guerra
nossa voz gritando, gritando, gritando!
Nossa voz que descobriu até ao fundo,
lá onde coaxam as rãs,
a amargura imensa, inexprimível, enorme como o mundo,
da simples palavra ESCRAVIDÃO:

Nossa voz gritando sem cessar,
nossa voz apontando caminhos
nossa voz xipalapala
nossa voz atabaque chamando
nossa voz, irmão!
nossa voz milhões de vozes clamando, clamando, clamando.
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001.

§§

Porquê
Por que é que as acácias de repente
floriram flores de sangue?
Por que é que as noites já não são calmas e doces,
por que são agora carregadas de electricidade
e longas, longas?
Ah, por que é que os negros já não gemem,
noite fora,
Por que é que os negros gritam,
gritam à luz do dia?
- Noémia de Sousa, no livro "Sangue Negro". [prefácio Carmen Lucia Tindó]. Coleção Vozes da África. São Paulo: Editora Kapulana, 2016.

§§

Magaíça
A manhã azul e ouro dos folhetos de propaganda
engoliu o mamparra,
entontecido todo pela algazarra
incompreensível dos brancos da estação
e pelo resfolegar trepidante dos comboios,
seu coração apertado na angústia do desconhecido
sua trouxa de farrapos
carregando a ânsia enorme, tecida
dos sonhos insatisfeitos do mamparra.

E um dia,
o comboio voltou arfando, arfando…
oh Nhanisse, voltou!
E com ele, magaíça,
de sobretudo, cachecol e meia listrada
é um ser deslocado,
embrulhado em ridículo.

Às costas − ah, onde te ficou a trouxa de sonhos, magaíça? −
trazes as malas cheias do falso brilho
dos restos da falsa civilização do compound do Rand.
E na mão,
Magaíça atordoado acendeu o candeeiro,
à cata das ilusões perdidas,
da mocidade e da saúde que ficaram soterradas,
lá nas minas do Jone…
A mocidade e saúde,
as ilusões perdidas
que brilharão como astros no decote de qualquer lady
nas noites deslumbrantes de qualquer City.
- Némia de Sousa, no livro "Sangue Negro". [prefácio Carmen Lucia Tindó]. Coleção Vozes da África. São Paulo: Editora Kapulana, 2016.

§§

Súplica
Tirem-nos tudo,
mas deixem-nos a música!

Tirem-nos a terra em que nascemos,
onde crescemos
e onde descobrimos pela primeira vez
que o mundo é assim:
um labirinto de xadrez…

Tirem-nos a luz do sol que nos aquece,
a tua lírica de xingombela
nas noites mulatas
da selva moçambicana
(essa lua que nos semeou no coração
a poesia que encontramos na vida)
tirem-nos a palhota ̶ humilde cubata
onde vivemos e amamos,
tirem-nos a machamba que nos dá o pão,
tirem-nos o calor de lume
(que nos é quase tudo)
̶ mas não nos tirem a música!

Podem desterrar-nos,
levar-nos
para longes terras,
vender-nos como mercadoria,
acorrentar-nos
à terra, do sol à lua e da lua ao sol,
mas seremos sempre livres
se nos deixarem a música!
Que onde estiver nossa canção
mesmo escravos, senhores seremos;
e mesmo mortos, viveremos.
E no nosso lamento escravo
estará a terra onde nascemos,
a luz do nosso sol,
a lua dos xingombelas,
o calor do lume,
a palhota onde vivemos,
a machamba que nos dá o pão!

E tudo será novamente nosso,
ainda que cadeias nos pés
e azorrague no dorso…
E o nosso queixume
será uma libertação
derramada em nosso canto!
̶ Por isso pedimos,
de joelhos pedimos:
Tirem-nos tudo…
mas não nos tirem a vida,
não nos levem a música!
- Noémia de Sousa, no livro 'Sangue Negro'. Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001.

§§

José Craveirinha e Noémia de Sousa

FORTUNA CRÍTICA DE NOÉMIA DE SOUSA

[Noémia de Sousa - teses, dissertações, livros, monografias, ensaios e artigos]

ABDALA, Benjamin. Literatura, história e política: literaturas de língua portuguesa no Século XX. São Paulo: Ateliê Editorial, 2007.
AFRICAN Lusophone writers. Detroit: Gale Cengage Learning, 2012.{autores presentes: José Eduardo Agualusa, Patricia D. Fox, Germano Almeida, Elias J. Torres Feijó, Orlanda Amarilis, Luis Gonçalves, Ungulani Ba Ka Khosa, Patricia D. Fox, João Paulo Borges Coelho, Sandra I. Sousa, Amílcar Cabral, Luis Gonçalves, Boaventura Cardoso, Patricia D. Fox, Paulina Chiziane, Claudia Amorim, Costa Andrade, Maria Luci De Biaji Moreira, Mia Couto, Elias J. Torres Feijó, José Craveirinha, Claudia Amorim, Viriato da Cruz, Raquel Ribeiro, Noémia De Sousa, Anita de Melo, Vimala Devi, Robert N. Anderson, João Dias, Sandra I. Sousa, Vera Duarte, Cláudio de Sá Capuano, Alda Espírito Santo, Claudia Amorim, António Aurélio Gonçalves, M. Felisa Rodríguez Prado, Luís Bernardo Honwana, Érica Fontes, Rui Knopfli, Rex P. Nielson, Baltasar Lopes, Lamonte Aidoo, Manuel Lopes, Benjamin Abdala Júnior, Lina Magaia, Sandra I. Sousa, João Melo, Sandra I. Sousa, Lília Momplé, Luis Gonçalves, Agostinho Neto, Benjamin Abdala Júnior, Ondjaki, Érica Fontes, Pepetela, José N. Ornelas, Jofre Rocha, Raquel Ribeiro, Luís Romano, M. Felisa Rodríguez Prado, Manuel Rui, Fernando Arenas, Dina Salústio, Alessandra M. Pires, Gloria de Sant'Anna, Clara Carolina de Souza Santos, Marcelino dos Santos, Rex P. Nielson, Calane da Silva, Clara Carolina de Souza Santos, Onésimo Silveira, Robert N. Anderson, Eugénio Tavares, M. Felisa Rodríguez Prado, Francisco José Tenreiro, Inocência Mata, Manuel Veiga, M. Felisa Rodríguez Prado, José Luandino Vieira, José N. Ornelas, Eduardo White, Isabel Cristina Rodrigues Ferreira}.. * Dictionary of Literary Biography.
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Noémia de Sousa, por (...)
SOUSA, Carla Maria Ferreira. Sob o signo da resistência: a poética de Noémia de Sousa no período de 1848-1951 em Moçambique. (Dissertação Mestrado em Estudo de Linguagens). Universidade do Estado da Bahia, UNEB, 2014. Disponível no link. (acessado em 8.7.2015).
SOUSA, Carla Maria Ferreira. Sob o olhar feminino: histórias de Angola, Moçambique nas poéticas de Alda Lara e Noémia de Sousa. (Monografia Graduação em Letras). Universidade Federal da Bahia, UFBA, 2007.
SOUSA, Carla Maria Ferreira. Noémia de Sousa: modulação de uma escrita em turbilhão. Revista África e Africanidades, v. 1, p. início, 2006.
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SOUZA, Paolla dos Santos. Vozes (quase) silenciadas: a poesia de testemunho escrita por Noémia de Sousa na literatura africana de língua portuguesa. (Monografia Graduação em Letras). Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, IFF, 2018.
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VIEIRA, Maysa Morais da Silva. Os percursos estéticos e ideológicos em Noémia de Sousa e Sónia Sultuane: uma análise do eu feminino na poesia moçambicana. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal da Paraíba, UFPB, 2018. Disponível no link e link. (acessado em 7.9.2021).
WALTER, Roland. Afro-América: diálogos literários na diáspora negra das Américas. Recife: Bagaço, 2009.

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** Página atualizada em 6.12.2021.
* Postagem original JULHO/2015.




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6 comentários:

  1. na foto, a legenda diz Samora Machel e Noemia de Sousa, devia ser Joaquim Chissano e Noemia de Sousa

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  2. Busquei Nossa voz teho o poema como sendo autoria dela..nao encontrei ..

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Fátima! segue o poema, vamos tb incluir na postagem. Grata pela lembrança. Abraços, Elfi
      .
      NOSSA VOZ

      Ao J. Craveirinha

      Nossa voz ergueu-se consciente e bárbara
      sobre o branco egoísmo dos homens
      sobre a indiferença assassina de todos.
      Nossa voz molhada das cacimbadas do sertão
      nossa voz ardente como o sol das malangas
      nossa voz atabaque chamando
      nossa voz lança de Maguiguana
      nossa voz, irmão,
      nossa voz trespassou a atmosfera conformista da cidade
      e revolucionou-a
      arrastou-a como um ciclone de conhecimento.

      E acordou remorsos de olhos amarelos de hiena
      e fez escorrer suores frios de condenados
      e acendeu luzes de esperança em almas sombrias de desesperados...

      Nossa voz, irmão!
      nossa voz atabaque chamando.

      Nossa voz lua cheia em noite escura de desesperança
      nossa voz farol em mar de tempestade
      nossa voz limando grades, grades seculares
      nossa voz, irmão! nossa voz milhares,
      nossa voz milhões de vozes clamando!

      Nossa voz gemendo, sacudindo sacas imundas,
      nossa voz gorda de miséria,
      nossa voz arrastando grilhetas
      nossa voz nostálgica de ímpis
      nossa voz África
      nossa voz cansada da masturbação dos batuques da guerra
      nossa voz gritando, gritando, gritando!
      Nossa voz que descobriu até ao fundo,
      lá onde coaxam as rãs,
      a amargura imensa, inexprimível, enorme como o mundo,
      da simples palavra ESCRAVIDÃO:

      Nossa voz gritando sem cessar,
      nossa voz apontando caminhos
      nossa voz xipalapala
      nossa voz atabaque chamando
      nossa voz, irmão!
      nossa voz milhões de vozes clamando, clamando, clamando.
      - Noémia de Sousa, em "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001.

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  3. Obrigado por me

    fazer conhecer oque aconteceu antes do Meu nascimento

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  4. Obrigada por divulgar a poesia moçambicana.

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  5. Obrigado a esses precursores da identidade Moçambicana que através da voz e escrita somos Moçambique além fronteira. O meu tapete vermelho para todos. Obrigado!

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