Nísia Floresta Brasileira Augusta - uma mulher à frente de seu tempo

Nísia Floresta Brasileira Augusta

© Pesquisa, seleção, edição e organização: Elfi Kürten Fenske
Por gentileza citar conforme consta no final desse trabalho. Respeite o pesquisador!
Página original JULHO/2015 | ** Página revisada, ampliada e atualizada AGOSTO/2021 


ESBOÇO BIOBIBLIOGRÁFICO DE NÍSIA FLORESTA


Dionísia Gonçalves Pinto
(Nísia Floresta).. 
[Papary {hoje Nísia Floresta} RN, 12.10.1810 - Rouen, França, 24.4.1885]. Com o pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta, foi educadora, “viajante ilustrada”, “nacionalista”, “pré-feminista”, escritora, abolicionista, ativista dos direitos humanos, indianista e republicana. Mostrou uma preocupação filosófica com o cotidiano brasileiro da época em que viveu e se dedicou a propor uma reforma na educação das meninas no Brasil. Preocupou-se, principalmente, com a educação e o papel das mulheres em nossa sociedade, acreditando que o progresso de uma sociedade dependia da educação que era oferecida às meninas. Para Nisia Floresta, as meninas deveriam estudar porque a mulher exerce uma influência real sobre o destino de seu marido e sobre os destinos das nações e as meninas deveriam ser educadas para terem o reconhecimento da sociedade.

Floresta escreveu sobre os direitos das mulheres e viabilizou o acesso à educação de algumas meninas, lutando para que elas valorizassem os estudos. Foi uma educadora que encarou a educação das meninas como uma missão, além de ter discutido a questão indígena de forma singular, valorizando o papel das mulheres, e de ter provocado as autoridades da época ao questionar sobre o poder e a supremacia dos homens brancos. Suas críticas atingiam também mulheres que deixavam os  seus filhos e filhas nos braços das amas de leite.  Ensinava os valores necessários a uma educadora e afirmava que as mulheres poderiam ocupar os cargos públicos. Defendia a ideia de uma nação civilizada que só chegaria a esse patamar se as mulheres fossem educadas e participassem do contexto social.

Nísia Floresta Brasileira Augusta
Floresta desafiou uma cultura onde as mulheres não eram valorizadas. Superou diversos opositores, fundou colégios para meninas - como o Colégio Augusto -  cobrando, assim, o acesso das mulheres ao campo do saber. Foi cuidadosa e metódica, conseguindo levar a sua mensagem à sociedade da época em jornais lidos pela elite e pelas autoridades. Seu colégio teve existência curta e gerou polêmicas que a impediram de tornar possível muito daquilo que escrevia.  O que encontramos em suas obras é um material riquíssimo para os estudos de gênero, pois denunciam o preconceito dos homens em relação às mulheres tal como ocorria no século XIX.

Floresta, apesar das condições desfavoráveis à mulher, escreveu cerca de quinze títulos ao longo dos seus 74 anos, dentre poemas, romances, novelas e ensaios, sendo alguns reeditados mais de uma vez. Suas obras foram publicadas em diferentes idiomas e  muitas dessas foram publicados pela imprensa.

Nos lugares por onde andou  (Recife, Olinda, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Lisboa, Coimbra, Londres, Roma, Florença, Nápoles, Paris, Cannes, Alemanha, Bélgica, Suíça, Sicília, Inglaterra, Grécia, Rouen, entre outros), Floresta escreveu sobre a condição e a vida das mulheres, sobre a educação para meninas e sobre o que via nesses países, denunciando uma sociedade que legitima as desigualdades, lutando por essa causa em uma época em que as mulheres não eram reconhecidas.

Floresta desejou que todas as mulheres fossem cidadãs. Para isso, elas deveriam estudar e a sociedade teria que ser trabalhada para respeitá-la e inseri-la em todos os setores sociais, sem deixar de lado o seu papel de filha, irmã e mãe.

Sofreu influência do positivismo: o pensamento de que educar a mulher é contribuir para a dignidade da família e do mundo traz impregnado o ideário positivista. Impregnada das contradições de seu tempo, educar a mulher significava contribuir para a dignificação da família, da nação e do mundo. A mulher, para Floresta, servia como “o modelo da família” e deveria conservar a dignidade, através da “educação religiosamente cristã” que ela defendeu. A educação “religiosamente moral” iria ajudar as meninas a não se “desviarem”. Fazia apelos aos pais, buscando uma melhor educação para as mulheres.

Escreveu também sobre o Colégio Augusto, sobre o entendimento que tinha a respeito do que deveria ser a mulher e sobre o que o governo estava fazendo em favor do ensino primário das meninas (capítulo XXXVI do Opúsculo Humanitário). Analisou, ainda, o quadro demonstrativo do Estado da Instrução Primária e Secundária das Províncias do Império e Município da Corte, no ano de 1852. Baseando-se nele, afirmou que o número de alunos que frequentavam as aulas era reduzido para a população da época e apontou o seu olhar para o número de meninas: “a estatística dos alunos que frequentaram todas as aulas públicas monta a 55.5000, número tão limitado para a nossa população, e que neste número apenas 8.443 alunas se compreendem” (Floresta, 1989, p. 81). 

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Denunciou o atraso que se encontrava a instrução feminina e nem mesmo as falas presidenciais escaparam ao seu senso crítico. Para ela, as causas que atrapalhavam os progressos na educação eram a falta de interesse e a negligência, por parte do governo da época, o descaso das autoridades que não pensavam nos métodos, não elaboravam as leis e tampouco criavam mais escolas para meninas, ou seja, não se preocupavam com a educação delas. Além disso, “os encarregados do ensino” eram inaptos e os pais, em muitos casos, não falavam sobre tais problemas. Floresta pesquisou sobre a educação da mulher brasileira. Desejava que a educação da mulher fosse preocupação das autoridades (governo) e do povo brasileiro. Denunciou as casas de instruções que eram dirigidas por pessoas que chegavam de outros países com interesses comerciais, transformando-as em negócio, com raras exceções. Além disso, fez a crítica ao comércio de escolas, feita por estrangeiros. Criticou os impressos de propagandas da época, que mostravam novidades e ostentação nos colégios que “faziam pretensiosas promessas, contando com a credulidade do público, que era solícito em acolher sem verificar antes” (Floresta, 1989, p. 78). Muitos desses eram comerciantes e artesãos e, para ela, não deveriam ser preceptores da mocidade brasileira. Mesmo apreciando os talentos dos estrangeiros, no que diz respeito à educação, percebia que eram poucos aqueles que poderiam instruir o povo brasileiro e utilizar o próprio conhecimento, ou seja, oferecer instrução e trabalho.
"Mais notável mulher de lettras que o Brasil tem produzido, quer pela amplitude da visão, quer pela suavidade do estylo" Oliveira Lima
:: Fonte: ROSA, Graziela Rinaldi da.. Dionísia Gonçalves Pinto (Nísia Floresta) - 1810 - 1885/e Jornal de Poesia (acessado em 7.7.2015).
FLORESTA, Nísia. "Opúsculo humanitário". [introdução e Notas de Peggy-Sharpe]. São Paulo: Cortez, 1989.


"A força não pode nunca persuadir, mas sim fazer hipócritas." 
- Nísia Floresta, no livro "Opúsculo humanitário" (1853). São Paulo: Cortez; Brasília, DF: INEP, 1989.

O FALSO RETRATO DE NÍSIA FLORESTA

Essa foto e ilustração não pertencem a escritora Nísia Floresta. Infelizmente circula na rede e fora dela uma imagem erroneamente atribuída a escritora. O retrato na verdade é da sua conterânea, a historiadora 
Isabel Gondim (1839-1933), nascida em Vila Imperial de Papari, atual cidade de Nísia Floresta/RN. O que mais chama atenção, é que Nísia Floresta tem retratos conhecidos na rede; e sua fisionomia é bem diferente, aliás, são inconfundíveis, mesmo assim o erro persiste. O falso retrato de Nísia Floresta continua circulando e sendo referência para publicações, desde 2015 tento desfazer esse equívoco, mas já cansei de alertar, parece que não funciona. 

Inclusive Isabel Gondim não era próxima a Nísia Floresta, tinha críticas a escritora. 

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- Nísia Floresta X Isabel Gondim -
ROSA, Graziela Rinaldi. Transgressão e moralidade na formação de uma matrona esclarecida: contradições na filosofia de educação nisiana. (Tese Doutorado em Educação). Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS, 2012.  Disponível no link. (acessado em 8.7.2015).
- algumas referências sobre Isabel Gondim -
MORAIS, Maria Arisnete Câmara de.. Isabel Gondim: uma nobre figura de mulher. Natal: Terceirize, 2003.
REVORÊDO, Jaqueline da Silva. Isabel Gondim X Francisa Izidora: duas visões do amor no teatro no limiar do século XX. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal Pernambuco, UFPE, 2002.. Disponível no link(acessado em 3.5.2021).
SILVA, Jomar Ricardo da.. Isabel Gondim: uma nobre figura de mulher. [resenha]. In: Revista Educação em Questão, v. 21 n. 7, set./dez. 2004. Disponível no link. (acessado em 3.5.2021).


"Quanto mais ignorante é um povo tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele o seu ilimitado poder. É partindo deste princípio, tão contrário à marcha progressiva da civilização, que a maior parte dos homens se opõe a que se facilite à mulher os meios de cultivar o seu espírito. Porém, é este um erro que foi e será sempre funesto à prosperidade das nações, como à ventura doméstica do homem."
- Nísia Floresta, no livro "Opúsculo humanitário" (1853). São Paulo: Cortez; Brasília, DF: INEP, 1989.



Nísia Floresta - ilustração de Paula Cardoso/ Revista Piauí 

NÍSIA FOLORESTA - COLABORAÇÃO EM JORNAIS

- Passeio ao Aqueduto da CariocaJornal “O Brasil Ilustrado”, Rio de Janeiro, em 15 de julho de 1855, páginas 68, 69 e 70.
Páginas de uma Vida ObscuraJornal “O Brasil Ilustrado”, Rio de Janeiro, em 14 de março, 31 de janeiro, 15 de abril, 30 de abril, 15 de maio, 31 de maio, 15 de junho e 30 de junho, de 1855.
- Um Improviso. na Manhã de 1º do Corrente, ao Distinto Literato e Grande Poeta António Feliciano de Castilho.
-  Jornal “O Brasil Ilustrado”, Rio de Janeiro, em 30 de abril 1855, página 157.
O Pranto FilialJornal “O Brasil Ilustrado”, Rio de Janeiro, em 31 de março de 1856, páginas 141 e 142.


“A esperança de que, nas gerações futuras do Brasil, ela [a mulher] assumirá a posição que lhe compete nos pode somente consolar de sua sorte presente.”
- Nísia Floresta, no livro "Opúsculo humanitário" (1853). São Paulo: Cortez; Brasília, DF: INEP, 1989.


Nísia Floresta - escritora e educadora

OBRA DE NÍSIA FLORESTA

Nísia Floresta escreveu 15 livros, publicados no Brasil e em países da Europa. As obras originais vem assinado com diferentes pseudônimos: Nísia Floresta, Uma brasileira, Telesilla, F. Augusta Brasileira, N. F. Augusta, ou simplesmente B.A eram alguns dos pseudônimos de Dionísia Gonçalves Pinto.

- Primeiras edições no Brasil -
Nísia Floresta, por AZ Colorir
:: Conselhos à minha filha. 1ª ed., Rio de Janeiro: Typographia de J. E. S. Cabral, 18422ª ed., (com 40 pensamentos em versos). Rio de Janeiro: Typographia de F. de Paula Brito, 1845.
:: Fany ou o Modelo das donzelas. Rio de Janeiro: Colégio Augusto, 1847.
:: Daciz ou a jovem completa. Historieta oferecida a suas educandas. Rio de Janeiro: Typographia de F. de Paula Brito, 1847.
:: Discurso que às suas Educandas Dirigiu Nísia Floresta Brasileira Augusta. Rio de Janeiro: Typographia Imparcial de F. de Paula Brito, 1847.
:: A lágrima de um Caeté. Rio de Janeiro: Typographia de L. A. F. Menezes, 1849.
:: Opúsculo humanitário. Rio de Janeiro: Typographia de M. A. da Silva Lima, 1853
:: Dedicação de uma amiga (Romance histórico). 2 vol's. Niterói: Typographia Fluminense de Lopes & Cia, 1850.
:: Páginas de uma vida obscura; Um passeio ao aqueduto da Carioca; O pranto filial. Rio de Janeiro. Typographia de N. Lobo Vianna, 1854.

- Primeiras edições na França, Itália e Inglaterra da obra de Nísia Floresta -
Nísia Floresta Brasileira Augusta
Selo Correios (1954)
:: Itineraire d’un Voyage en Allemagne (Itinerário de uma viagem à Alemanha). Paris: Firmin Diderot Frères et Cie, 1857.
:: Consigli a Mia Figlia (Conselhos à minha filha).. [tradução versada para o italiano por Bispo de Mondovi]. 1ª ed., Firenze: Stamperia Sulle Logge del Grano, 1858; 2ª ed., Mandovi, 1859.
:: Scintille d’un’Anima Brasiliana (Cintilações de uma alma brasileira). Firenze: Tipografia Barbera, Bianchi & C. 1859.
:: Conseils a ma fille (Conselhos à minha filha).. [traduit de l’Italien par B. D. B.]. Firenze: Le Monnier, 1859.
:: Le lagrime d’un Caeté (A lágrima de um Caeté).. [tradotto da Ettore Marcucci]. Firenze: Le Monnier, 1860.
:: Trois ans en Italie, Suivis d’un Voyage en Grèce (Três anos na Itália, seguidos de uma Viagem à Grécia). 1º vol., Paris: Libraire E. Dentu, 1864.
:: Woman (A mulher).. [translated from the Italian, by Livia A. de Faria]. London: Printed by G.Parker, Little St. Andrew Street, Upper. St. Martin's Lane, 1865.
:: Parsis. Paris., 1867.
:: Le Brésil (O Brasil). Paris: Libraire André Sagnier, 1871.
:: Trois ans en Italie, Suivis d’un Voyage en Grèce (Três Anos na Itália, Seguidos de uma Viagem à Grécia). 2º vol., Paris: E. Dentu Libraire-Éditeur et Jeffes, Libraire A. Londres, 1872.
:: Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques (Fragmentos de uma obra inédita: notas biográficas). Paris: A.Chérié Editeur, 1878.
:: Fonte: Projeto Memória Art. (acessado em 7.7.2015).

- Tradução -
:: Direitos das mulheres e injustiça dos homens. [tradução e adaptação Nísia Floresta*]. Recife: Typographia Fidedigma, 1832, 56p.; 2ª ed., Porto Alegre: Typographia de V. F. de Andrade, 1833; 3ª ed., Rio de Janeiro:., 1839.
"um caso muito  bizarro é a publicação da obra "direitos das mulheres e injustiça dos homens", de mary wollstonecraft, com seu sobrenome de casada ("mrs. godwin"), em tradução de nísia floresta, 1832.  essa é uma novela!"  - Denise Bottmann
Saiba mais: BOTTMANN, Denise. de sophia, a person of quality, a nísia floresta. In: não gosto de plágio. 19 de agosto de 2020. Disponível no link. (acessado em 24.6.2021). 
 
- Edições póstumas da obra de Nísia Floresta -
:: Sete Cartas Inéditas de Auguste Comte a Nísia FlorestaRio de Janeiro: Centro do Apostolado do Brasil, 1888.
:: Cartas de Auguste Comte a Nísia Floresta. (texto original e tradução). Jornal “A República”, Natal, em 8, 19, 24 e 28 de janeiro e 4 e 6 de fevereiro de 1903.
Esfinge em bronze Nísia Floresta Brasileira Augusta
:: Auguste Comte et Mme. Nísia Brasileira: CorrespondanceParis: Libraire Albert Blanchard, 1929.
:: Fanny ou o modelo das bdonzelas
Nísia Floresta.  Livro “Mulheres Farroupilhas”, de Fernando Osório. Porto Alegre: Editora Globo, 1935.
:: A lágrima de um CaetéNísia Floresta.   [apresentação de Modesto de Abreu]. Rio de Janeiro: Revista das Academias de Letras, Janeiro/1938.

-  Edições a partir da década de 1980 -
:: Itinerário de uma viagem à Alemanha. Nísia Floresta. [tradução de Francisco das Chagas Pereira]. Natal: Editora Universitária da UFRN, 1982.
:: Opúsculo humanitárioNísia Floresta. [estudo introdutório e notas de Peggy Sharpe-Valadares; posfácio de Constância Lima Duarte]. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: INEP, 1989 
:: Direitos das mulheres e injustiça dos homensNísia Floresta. [apresentação, notas e posfácio de Constância Lima Duarte]. 4ª ed., São Paulo: Cortez Editora, 1989.
:: A lágrima de um Caeté. Nísia Floresta. [estudo e notas de Constância Lima Duarte]. 4ª ed., Natal: Fundação José Augusto, 1997.
:: Cintilações de uma alma brasileiraNísia Floresta. [tradução de Michelle Vartulli, Zahidé L. Muzart e Suzana B. Funck e apresentação e notas biográficas de Constância Lima Duarte].  edição bilíngüe. Florianópolis: Editora Mulheres/Edunisc, 1997.
:: Itinerário de uma viagem à AlemanhaNísia Floresta. [tradução de Francisco das Chagas Pereira e estudo; notas biográficas de Constância Lima Duarte]. 2ª ed., Florianópolis: Editora Mulheres/Edunisc, 1998.
:: Três anos na Itália, seguidos de Uma viagem à GréciaNísia Floresta. 1º vol., [tradução de Francisco das Chagas Pereira; apresentação de Constância Lima Duarte]. Natal: Editora da UFRN, 1999.
:: Fragmentos de uma obra inédita: notas biográficasNísia Floresta. [tradução de Nathalie Bernardo da Câmara; apresentação de Constância Lima Duarte]. Brasília: Editora UnB, 2001.
:: Cartas de Nísia Floresta & Auguste Comte. [tradução de Miguel Lemos e Paula Berison; organização e notas de Constância Lima Duarte]. Florianópolis: Editora Mulheres/Edunisc, 2002.
:: Inéditos e dispersos de Nísia Floresta. [organização Constância Lima Duarte]. Natal: EDUFRN, 2009.
:: Opúsculo humanitário. Nísia Floresta. [prefácio Maria da Conceição Lima Alves; notas Maria Helena de Almeida Freitas e Mônica Almeida Rizzo Soares; capa Rodrigo Corrêa Ribeiro; desenho: Paul Soyer, "little girl reanding", 1864] Coleção Escritoras do Brasil, vol. 3. Brasília: Senado Federal, 2019.  Disponível no link. (acessado em 10.8.2021). 

Biografia
:: História de Nísia Floresta. Adauto da Câmara. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1941.
:: Nísia Floresta: vida e obra. Constância Lima Duarte. Primeira edição, Natal: Ed. UFRN, 1995.

Em Antologias (participação)
:: Poetas do Rio Grande do Norte. [organização Ezequiel Lins Wanderley]. Recife: Imprensa Industrial, 1922. {Nísia Floresta - 'Aqui sob esta abóbada', p. 5}.
:: Literatura feminina do Rio Grande do Norte: de Nísia Floresta a Zila Mamede: antologia. [organização Constância Lima Duarte e Diva Cunha Pereira de Macêdo]. Coleção João Nicodemos de Lima, vol. 31. Natal: Sebo Vermelho, 2001.
:: Antologia de poesias: poesia romântica brasileira. [organização Marisa Lajolo]. Coleção Lendo e Relendo Poesia. Rio de Janeiro: Editora Salamandra, 2005. {Autores presentes:  Alvares de Azevedo, Bernardo Guimaraes, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Fagundes Varela, Gonçalves Dias, Isabel Gondim, Joaquim Manuel de Macedo, Juvenal Galeno, Luís Gama, Luis Guimaraes Junior, Narcisa Amália e Nísia Floresta Brasileira Augusta}.

Catálogo 
:: As mensageiras - primeiras escritoras do Brasil. Série "Histórias não contadas". 'Catálogo exposição' [curadora da exposição Maria Amélia Elói]. Brasília: Câmara dos Deputados - Secretaria de Comunicação Social, 2018. Brasília: Centro Cultural Câmara dos Deputados, 2018. Disponível no link. (acessado em 3.8.2021). {Obs.O catalogo contém um erro, a escritora Nísia Floresta está erroneamente retratada. O retrato na verdade é da sua conterânea, a historiadora Isabel Gondim (1839-1933). Nascida em Vila Imperial de Papari, atual cidade de Nísia Floresta/RN.


OBRA DE NÍSIA DA FLORESTA (DIONÍSIA GONÇALVES PINTO) ONLINE

- primeiras edições -
:: Opúsculo humanitário. Nísia Floresta. Rio de Janeiro: Typographia de M. A. da Silva Lima, 1853, 178p./ BN Digital/ Divisão de Obras Gerais da Biblioteca Nacional. Disponível no link. (acessado em 11.8.2021).
:: Dedicação de uma amiga. Dionísia Gonçalves Pinto. Niterói, RJ: Tipografia Fluminense de Lopes e Companhia, 1850 / Literatura Brasileira UFSC, s/data. Disponível no link. (acessado em 11.8.2021). 
:: Consigli a mia figlia. Dionísia Gonçalves Pinto. Florença, Itália: [s.n.], 1858 / Literatura Brasileira UFSC, s/data. Disponível no link. (acessado em 11.8.2021). 

- edições mais atuais -
:: Opúsculo humanitário. Nísia Floresta. [estudo introdutório e notas de Peggy Sharpe-Valadares; posfácio de Constância Lima Duarte]. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: INEP, 1989 / Domínio Público. Disponível no link. (acessado em 11.8.2021).
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:: BN Digital / Divisão de Obras Gerais da Biblioteca Nacional
:: BLPL - Literatura Brasileira/UFSC (acessado em 11.8.2021)


"Por que [os homens] se interessam em nos separar das ciências a que temos tanto direito como eles, senão pelo temor de que partilhemos com eles, ou mesmo os excedamos na administração dos cargos públicos, que quase sempre tão vergonhosamente desempenham?"
- Nísia Floresta (tradução), em "Direitos das mulheres e injustiça dos homens". 1832.


Nísia Floresta  - Arquivo Fundação Joaquim Nabuco

EXCERTOS DA OBRA DE NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA


"Os homens não podendo negar que nós somos criaturas racionais, querem provar-nos a sua opinião absurda, e os tratamentos injustos que recebemos, eu espero, entretanto, que as mulheres de bom senso se empenharão em fazer conhecer que elas merecem um melhor tratamento e não se submeterão servilmente a um orgulho tão mal fundado."
- Nísia Floresta, em  "Direitos das mulheres e injustiça dos homens". (1832).. [apresentação, notas e posfácio de Constância Lima Duarte]. 4ª ed., São Paulo: Cortez Editora, 1989, p. 41.


"Para tornar este raciocínio mais convincente não é preciso mais que examinar a estrutura da cabeça, a sede das ciências e a parte onde a alma se faz melhor perceber. Todas as indagações da anatomia não têm ainda podido descobrir a menor diferença nesta parte entre homens e mulheres: nosso cérebro é perfeitamente semelhante ao deles; formamos e conservamos as ideias pela imaginação e memória, da mesma maneira que eles; temos os mesmos órgãos e os aplicamos aos mesmos usos que eles; ouvimos pelos ouvidos, vemos pelos olhos e gostamos do prazer também como eles."
- Nísia Floresta, em "Direitos das mulheres e injustiça dos homens". (1832).. [apresentação, notas e posfácio de Constância Lima Duarte]. 4ª ed., São Paulo: Cortez Editora, 1989, p. 49.


"Julgo, pois, ter provado de uma maneira evidente, que não há ciência, empregos e dignidades, a que as mulheres não tenham tanto direito de pretender como os homens; pois que eles não podem alegar outra superioridade que a força do corpo, para justificar o cuidado que têm de arrogar a si toda a autoridade prerrogativas e que não provam outra incapacidade nas mulheres, que possa privá-las de seu direito, senão a que resulta da opressão dos homens, que é fácil refutarem."
- Nísia Floresta, em  "Direitos das mulheres e injustiça dos homens". (1832).. [apresentação, notas e posfácio de Constância Lima Duarte]. 4ª ed., São Paulo: Cortez Editora, 1989, p. 86.


"Sempre que brilha um novo dia e que nos bate a porta o jornal, apoderamo-nos com solicitude dessa folha, e avidamente percorremos a sessão das Câmaras do dia antecedente, em procura do assunto que temos escrito no coração e no espírito – a educação da mulher brasileira – e dobramos a folha desconsolados e aguardamos o dia seguinte, que se escoa na mesma expectativa, no mesmo desengano."
- Nísia Floresta, em  "Direitos das mulheres e injustiça dos homens". (1832).. [apresentação, notas e posfácio de Constância Lima Duarte]. 4ª ed., São Paulo: Cortez Editora, 1989, p. 81.


"Nada, porém, ou quase nada temos visto fazer-se para remover os obstáculos que retardam os progressos da educação das nossas mulheres, a fim de que elas possam vencer as trevas que lhes obscurecem a inteligência, e conhecer as doçuras infinitas da vida intelectual, a que têm direito as mulheres de uma nação livre e civilizada."
- Nísia Floresta, no livro "Opúsculo humanitário" (1853). São Paulo: Cortez; Brasília, DF: INEP, 1989.


"Saber habilmente manejar os brilhos com que faziam grosseiras rendas, girar o fuso para reduzir o algodão a grosso fio, pegar na agulha sem o conhecimento dos delicados trabalhos que dela se podem obter, conhecer o ponto da calda para as diferentes compotas e doces secos, laborar a lançadeira do tear, bambolear a pequena urupema e a fina peneira para preparar depois as massas, colorir as escamas dos peixes ou adaptar as variadas penas dos lindos pássaros tropicais à simetria das flores que fabricavam com umas e outras etc.- tais eram geralmente as ocupações que revelam o talento da jovem brasileira." 
- Nísia Floresta, no livro "Opúsculo humanitário" (1853). São Paulo: Cortez; Brasília, DF: INEP, 1989.


"O desleixo, em que continuava assim o ensino público, estava, porém, de acordo com os princípios da metrópole que regia então o Brasil. Era natural que suas mulheres participassem de sua sorte e com ele aguardassem um melhor futuro, confiados umas e outras nos inexauríveis recursos que lhes prodigalizara a natureza e no amor de seus filhos, desenvolvido sob a influência da brilhante aurora de progresso que se levantou para o presente século. Passemos a considerar se a sua expectativa tem sido ou não iludida."
- Nísia Floresta, no livro "Opúsculo humanitário" (1853). São Paulo: Cortez; Brasília, DF: INEP, 1989.


"Mães brasileiras, afastai dos olhos de vossos filhos o espetáculo de uma opressão cruel que lhes enerva a compaixão e agrava mais a triste sorte desses míseros a quem deveis, como cristãs, caridosamente dirigir. Ensinai-lhes cedo a olhá-los como nossos semelhantes e, por conseguinte, dignos de nossa comiseração no estado a que os reduziram nossos maiores."
- Nísia Floresta, no livro "Opúsculo humanitário" (1853). São Paulo: Cortez; Brasília, DF: INEP, 1989.


"Pensem que, quanto mais sua educação for descurada e seu mérito mal reconhecido, tanto mais seus esforços para alcançar o devido lugar e a glória de tê-lo adquirido com o uso constante de suas virtudes naturais as destacarão no grande e maravilhoso quadro da ressurreição moral dos povos."
- Nísia Floresta, em "Cintilações de uma alma brasileira". (1859).. [tradução de Michelle Vartulli, Zahidé L. Muzart e Suzana B. Funck e apresentação e notas biográficas de Constância Lima Duarte].  edição bilíngüe. Florianópolis: Editora Mulheres/Edunisc, 1997, p. 133.


"Filha, esposa, mãe! Esta sublime tríade sois vós, ó mulheres, que a representais sobre a terra. Santificai-a com o honrar cada um destes belos títulos, mediante o exercício daquela excelsa virtude que nos faz sempre volver em prol dos outros o bem que fazemos."
- Nísia Floresta, em "Cintilações de uma alma brasileira". (1859).. [tradução de Michelle Vartulli, Zahidé L. Muzart e Suzana B. Funck e apresentação e notas biográficas de Constância Lima Duarte].  edição bilíngüe. Florianópolis: Editora Mulheres/Edunisc, 1997, p. 133.


"O ensinamento da igualdade que deve reinar entre homem e mulher, começa neles em relação ás próprias irmãs em seus jogos infantis, e em todos aqueles milhares de costumes domésticos, nos quais transparece orgulho excessivo e aquela pretensão do rapazola que tanto vos diverte, que nada mais é, ó mulheres, senão o germe deste presunçoso egoísmo que vos oprime por toda a vida[...]"
- Nísia Floresta, em "Cintilações de uma alma brasileira". (1859).. [tradução de Michelle Vartulli, Zahidé L. Muzart e Suzana B. Funck e apresentação e notas biográficas de Constância Lima Duarte].  edição bilíngüe. Florianópolis: Editora Mulheres/Edunisc, 1997,  p. 149.



Nísia Floresta - arte plenarinho.leg.br - Câmara dos Deputados (2018)

FORTUNA CRÍTICA DE NÍSIA FLORESTA (DINÍSIA GONÇALVES PINTO)

(Nísia Floresta teses e dissertações; livros, monografia, ensaios e artigos)

ACCORSI, Simone. Nisia Floresta, trasgresion y rebeldia enelsiglo XIX. (Ensayo critico). In: Revista Poligramas, July, 2010, Issue 33. Disponível no link. (acessado em 7.7.2015).
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Dionísia Gonçalves Pinto (Nísia Floresta)
MOURENTE MIGUEL, Mariana Correia. Nísia Floresta: pioneira na luta pelo direito à educação feminina. Revista do IEEE América Latina, Rio de Janeiro, p. 6-6, 2006.
MUSART, Zahidé Lupinacci (org.). Escritoras brasileiras do século XIX. Florianópolis: Editora Mulheres, 1999.
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TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil e outros ensaios. São Paulo: Editora Alameda, 2017.
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TELÉSFORO, João. Nísia Floresta Brasileira Augusta: o feminismo revolucionário no século XIX. in: Carta Maior, 26.5.2015. Disponível no link. (acessado em 8.7.2015).
*Arte: (1Nísia Floresta, em ilustração de Miguel Falcão.

CARTÃO DE HOMENAGEM A NÍSIA FLORESTA BRASIELEIRA AUGUSTA (1810-1885)

Cartão de homenagem a Nisia Floresta Brasileira Augusta, 1810-1885, com selo específico e flâmula filatélica. Traz no anverso a efígie da homenageada, e no reverso sua biografia assinada (fac-símile) por Câmara Cascudo. Trata-se de homenagem do Governo do Rio Grande do Norte e do Instituto Histórico e Geográfico do Estado. 
-documento avulso - 
:: Memorabilia, Lembranças pessoais: Nisia floresta brasileira augusta. (texto Câmara Cascudo)  / Literatura Brasileira UFSC, s/data. Disponível no link. (acessado em 11.8.2021). 


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Monumento a Benjamin Constant, na Praça da República/Rio de Janeiro, erguido pelos positivistas:
no detalhe, os abolicionistas Troussaint-Louverture, José Bonifácio, Castro Alves,
ao fundo, Nísia Floresta e (...). (foto: Acervo Constância Lima Duarte)


A lágrima de um Caeté (Fragmento). Nísia Floresta.

Era da natureza filho altivo,
Tão simples como ela, nela achando
Toda a sua riqueza, o seu bem todo…
O bravo, o destemido, o grão selvagem,
O brasileiro era… – era um Caeté!
Era um Caeté, que vagava
Na terra que Deus lhe deu,
Onde Pátria, esposa e filhos
Ele embale defendeu!…
É este… pensava ele,
O meu rio mais querido;
Aqui tenho às margens suas
Doces prazeres fruído…
Aqui, mais tarde trazendo
Na alma triste, acerba dor,
Vim chorar as praias minhas
Na posse de usurpador!
Que de invadi-las
Não satisfeito,
Vinha nas matas
Ferir-me o peito!
Ferros nos trouxe,
Fogo, trovões,
E de cristãos
Os corações
E sobre nós
Tudo lançou!
De nossa terra
Nos despojou!
Tudo roubou-nos,
Esse tirano,
Que povo diz-se
Livre e humano!



Dionísia Gonçalves Pinto (Nísia Floresta)
NA REDE
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OUTRAS FONTES DE PESQUISA
:: Projeto Memória Art
:: Nísia Floresta por Luis Carlos Freire (Blog)


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Trabalhos sobre o autor:
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** Página atualizada em 12.8.2021.
* Postagem original de julho/2015.




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6 comentários:

  1. Não sabia nada sobre ela. Grata surpresa.

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  2. Estou procurando a fonte dessa imagem de Nisia Floresta. Voce saberia informar?

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  3. Gostaria de obter permissao para usar uma imagem de Nisia Floresta no meu livro. Como posso conseguir essa permissao? Obrigada.

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  4. Adorei o texto relatando sobre a biografia e as obras de Nisia

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  5. Nunca ouvi falar desta extraordináRia mulher!
    Deixo uma sugestão ao Roda Viva da TV CULTURA para fazer um programa sobre Nísia Floresta Brasileira.
    Alô, Vera Magalhães!?!?!?!?

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  6. Uma mulher extraordinária no Feminismo Brasileiro e Mundial.

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