Julie Dorrico - nas trilhas da literatura indígena

 
Julie Dorrico - foto: © Acervo pessoal

© Pesquisa, seleção, edição e organização: Elfi Kürten Fenske
Por gentileza citar conforme consta no final desse trabalho. 

"No silêncio dos olhos de meus parentes amarelos
Ouço os sons dos maracás
Vejo a cor do urucum e do jenipapo em suas peles
Sinto o orgulho do pertencimento que sempre exala em seus cabelos!
Em suas sombras toca o tambor:
Eu sou! Eu sou! Eu sou!
Indígena eu sou!"
- Julie Dorrico, do poema "Não há fronteiras para o pertencimento", no livro "Eu sou macuxi e outras histórias". Caos e Letras, 2019.

ESBOÇO BIOBIBLIOGRAFICO DE JULIE DORRICO

Julie Dorrico, escritora, pesquisadora e curadora de literatura indígena, descendente do povo Macuxi. Nascida nas terras da cachoeira pequena, conhecidas como Guajará-Mirim, em Rondônia, com passagem por Porto Alegre (RS) e vivendo atualmente em Porto Velho (RO). É doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS e Mestre em Estudos Literários pela UNIR/RO. Pesquisa Literatura Indígena Brasileira Contemporânea.

Autora do livro "Eu sou macuxi e outras histórias", publicado pela Editora Caos e Letras (2019). 1º lugar no concurso FNLIJ/Tamoios de novos escritores indígenas. 

Dorrico, produziu e realizou a curadoria, juntamente com Paolla Andrade Vilela e Moara Brasil Tupinambá (coletivo @leiamulheresindigenas) da Websérie "Leia Autoras Indígenas", exibida no canal do Sesc Ipiranga no youtube, entre setembro e novembro de 2021. 

Foi curadora convidada da Balada Literária 2021. Idealizou e foi curadora do projeto I Mostra de Literatura Indígena: Território de palavras ancestrais, realizado em parceria com o Museu do Índio/UFU, em dezembro de 2021.

Idealizador e uma das administradoras dos perfis de Instagram: @leiamulheresindigenas e @literaturaindigenaro; e do canal no YouTube Literatura Indígena Brasileirao projeto visa mapear, indicar, fomentar a literatura de autoria indígena nos estados brasileirosÉ colunista do ECOA/Uol.

Integra a coordenação do Grupo de Estudo em Memória e Teoria Indígena (GEMTI). É membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira, ocupando a cadeira nº 266.

"O saber só tem sentido quando ele nos esvazia de nós mesmos para dar passagem ao que não sabemos. Ou ao que esquecemos. Ou, ao que nos fizeram esquecer pela força do orgulho, da vaidade ou das posses."
- Daniel Munduruku, no prefácio, do livro "Eu sou macuxi e outras histórias", de Julie Dorrico. Caos e Letras, 2019.


Julie Dorrico - foto: © Acervo pessoal

OBRA DE JULIE DORRICO

Poesia e conto
:: Eu sou macuxi e outras histórias. Julie Dorrico. [ilustrações Gustavo Caboco; prefácio Daniel Munduruku; projeto gráfico Cristiano Silva; arte de capa Eduardo Sabino]. Nova Lima/MG: Caos e Letras, 2019. 

Organização e co-autoria
:: As diferenças no ensino de filosofia: reflexões sobre filosofia e/da educação[organização Julie Dorrico, Leno Francisco Danner, Fernando Danner, Marcus Vinícius Xavier de Oliveira]. 1ª ed., Porto Alegre: Editora Fi, 2017. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
:: Literatura indígena brasileira contemporânea: criação, crítica e recepção. [organização Julie Dorrico, Leno Francisco Danner, Heloisa Helena Siqueira Correia e Fernando Danner; prefácio Ana Lúcia Liberato Tettamanzy]. Porto Alegre/RS: Editora FI, 2018. Disponível no linklink. (acessado em 12.12.2021). 
:: Direitos humanos às bordas do abismo: interlocuções entre direito, filosofia e artes. [organização Julie Dorrico, Leno Francisco Danner, Fernando Danner, Marcus Vinícius Xavier de Oliveira e Vitor Cei] 1ª ed., Vila Velha: Praia Editora, 2018.
:: Poesia indígena hoje: resiliência. [organização Beatriz Azevedo e Julie Dorrico]. Dossiês 1. Revista p-o-e-s-i-a, n. 1; Campinas: Editora Unicamp, 2020. Disponível no link. (acessado em 10.12.2021).
:: Literatura indígena brasileira contemporânea: autoria, autonomia e ativismo. [organização Julie Dorrico, Fernando Danner, Leno Francisco Danner].  Porto Alegre/RS: Editora Fi, 2020. Disponível no link e link. (acessado em 13.12.2021).

Em Antologias (participação)
:: Poesia indígena hoje: resiliência. [organização Beatriz Azevedo e Julie Dorrico]. Dossiês 1. Revista p-o-e-s-i-a, n. 1 . 2020. {“Cardumes poéticos” - conta com participação de: Ailton Krenak, Aline Pachamama (puri), Auritha Tabajara, Ãtekáy (pataxó), Eliane Potiguara, Edson Krenak, Graça Graúna (potiguara/RN), Gustavo Caboco (wapichana), Ian Wapichana, Itayná Ranny Tuxá, Jamile Nunes (parintintim), Juliana Kerexu (guarani), Julie Dorrico (makuxi), Marcia Mura, Marcia Kambeba, Olivio Jecupé (guarani), Renata Machado (Tupinambá), Tiago Hakiy (mawé), Yaguaré Yamã (sateré-mawé) e Zélia Balbina (puri) | ensaios “Sementes” - conta com participação de: Daniel Munduruku, Fernanda Vieira (xocó/SE), Geni Ñunez (guarani), Jaider Esbell (makuxi), Kaka Werá (Tapuia) e Maria Elis Nunc-Nfôonro (xokleng)}. Disponível no link. (acessado em 10.12.2021).
:: Geração 2010 – O sertão é o mundo. [organização Fred Di Giacomo; orelhas do livro Marçal Aquino; editor Marcelo Nocelli]. São Paulo: Editora Reformatório, 2020. {autores presentes: Ailton Krenak, Bruno Ribeiro, Débora Ferraz, Franklin Carvalho, Fred Di Giacomo, Gilvan Eleutério, Isabor Quintiere, Itamar Vieira Junior, Jarid Arraes, Julie Dorrico, Krishna Monteiro, Mailson Furtado, Marcelo Maluf, Marcia Kambeba, Maria Fernanda Elias Maglio, Maria Valéria Rezende, Mariana Basilio, Maya Falks, Micheliny Verunschk, Monique Malcher, Nara Vidal, Natalia Borges Polesso, Raimundo Neto, Santana Filho e Victor Guilherme Feitosa}.
:: De repente adolescente - antologia de contos. [capa Cyla Costa]. São Paulo: Seguinte / Companhia das Letras, 2021. {autores presentes: Camila Fremder, Clara Alves, Iris Figueiredo, Jim Anotsu, Julie Dorrico, Keka Reis, Luly Trigo, Olívia Pilar, Socorro Acioli e Vitor Martins} | contém o conto: 'Menina-moça'/ Julie Dorrico.

Tese e dissertação
DORRICO, Julie. A literatura indígena contemporânea no Brasil: a autoria individual e a poética do eu-nós. (Tese Doutorado em Letras). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUCRS, 2021. 
DORRICO, Julie. Autoria e Performance nas narrativas míticas indígenas amondawa. (Dissertação Mestrado em Estudos Literários). Universidade Federal de Rondônia, UNIR, 2015. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).

Ensaios e artigos em revistas e livros
DORRICO
, Julie. Poesia Aldeia e A floresta que sou. In: Taciana Oliveira; Rebeca Gadelha. (Org.). Laudelinas. 1ª ed., Recife: Nada: Studio Criativo, v. 1, p. 36-36, 2020.
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Decolonialidade, lugar de fala e voz-práxis estético-literária: reflexões desde a literatura indígena brasileira. In: ALEA - Estudos Neolatinos, v. 22, p. 59-74, 2020. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Literatura indígena entre tradição ancestral e crítica do presente: sobre a voz-práxis indígena em termos estético-literários. In: Scripta, v. 24, p. 205-256, 2020. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. A literatura indígena brasileira contemporânea: A necessidade do ativismo por meio da autoria para a garantia da autonomia. In: DORRICO, Julie; DANNER, Fernando; DANNER, Leno.. (Org.). Literatura indígena brasileira contemporânea: autoria, autonomia, ativismo. 1ª ed., Porto Alegre: Editora Fi, v. 2, p. 238-261, 2020.
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Autoria, autonomia, ativismo: Educar e politizar pela e para a escrita - notas sobre a literatura indígena brasileira contemporânea. In: DORRICO, Julie; DANNER, Fernando; DANNER, Leno Francisco.. (Org.). Literatura indígena brasileira contemporânea: autoria, autonomia, ativismo. 1ª ed., Porto Alegre: Editora Fi, v. 2, p. 350-388, 2020.
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Literatura de minorias como politização radical e democracia inclusiva-participativa: sobre a voz-práxis literária indígena enquanto ativismo, militância e engajamento. In: Antares - Letras e Humanidades, v. 12, p. 1-25, 2020. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Educação, resistência e politização: sobre o sentido da educação na literatura indígena brasileira contemporânea. In: GRIOT, v. 20, p. 211-228, 2020. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Subalternidade, marginalização e politização: a literatura indígena brasileira como crítica da modernidade. In: Labirinto (UNIR), v. 32, p. 348-377, 2020. 
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando; BAVARESCO, Agemir. A voz-práxis dos marginalizados entre estética e política: autoafirmação, resistência e luta em tempos de institucionalismo forte, cientificismo e lógica sistêmica. In: Conjectura - Filosofia e Educação (UCS), v. 24, p. 143-176, 2019. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Literatura indígena brasileira: entre tradição, crítica e resistência. In: Graphos, v. 21, n. 1, p. 212-238. 2019. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. O feitiço, de Julie Dorrico. In: Revista Gueto, 19 nov. 2019. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Pensamento indígena brasileiro como crítica da modernidade: sobre uma expressão de Ailton Krenak. In: GRIOT, v. 19, p. 74-104, 2019. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco. A palavra da tradição oral à tradição escrita: a literatura indígena na Universidade do século XXI. In: Muitas Vozes, v. 7, p. 75-98, 2019. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. A lenta agonia da Amazônia brasileira: abandono político, subdesenvolvimento econômico, destruição ambiental e etnocídio cultural. In: Labirinto (UNIR), v. 31, p. 80-96, 2019. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. A estrutura do homem integrado à natureza como princípio da literatura indígena brasileira contemporânea. In: Espaço Ameríndio (UFRGS), v. 13, p. 242-267, 2019. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. A literatura indígena brasileira, o movimento indígena brasileiro e o Regime Militar: uma perspectiva desde Davi Kopenawa, Ailton Krenak, Kaká Werá e Alvaro Tukano. In: Espaço Ameríndio (UFRGS), v. 12, p. 252-289, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco. Um xamã yanomami frente ao discurso filosófico-sociológico da modernidade. In: Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea. p. 243-269, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. A voz-práxis das minorias entre literatura e política: algumas notas desde a recente produção da literatura indígena brasileira. In: Antares - Letras e Humanidades, v. 10, p. 46-69, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco. O xamanismo na literatura indígena brasileira: da autoexpressão e autoafirmação identitárias ao criticismo social e à resistência política: notas desde A queda do céu: palavras de um xamã yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert. In: Graphos - Revista da Pós-Graduação em Letras, v. 20, n. 1. 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco. Literatura de minorias como crítica do presente e politização radical: reflexões desde a literatura indígena brasileira. In: Revista Crioula (USP), p. 197-233, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. A estilística da literatura indígena brasileira: a alteridade como crítica do presente - sobre a noção de eu-nós lírico-político. In: Revista Letras, v. 97, p. 143-166, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Uma literatura militante: sobre a correlação de movimento indígena e literatura indígena brasileira contemporânea / A Militant Literature: On the Correlation of Indian Movement and Contemporary Brazilian Indian Literature. In: Aletria - Revista de Estudos de Literatura, v. 28, p. 163-181, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Indígenas em movimento. Literatura como ativismo. In: Remate de Males, v. 38, p. 919-959, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. A denúncia dos efeitos da Ditadura Militar na literatura indígena contemporânea: notas desde 'A Queda do Céu: palavras de um xamã yanomami'. In: OLIVEIRA, Marcus Vinicius Xavier de; DANNER, Leno Francisco; CEI, Vitor; DORRICO, Julie; DANNER, Fernando.. (Org.). Direitos humanos às bordas do abismo: interlocuções entre direito, filosofia e artes. 1ª ed., Vila Velha: Praia Editora, v. 1, p. 496-518, 2018.
DORRICO, Julie. Vozes da literatura indígena brasileira contemporânea: do registro etnográfico à criação literária. In: DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; CORREIA, Heloisa Helena; DANNER, Fernando.. (Org.). Literatura Indígena Brasileira Contemporânea: Criação, Crítica e Recepção.. 1ª ed., Porto Alegre: Editora FI, v. 1, p. 227-256, 2018.
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Literatura indígena como descatequização da mente, crítica da cultura e reorientação do olhar: sobre a voz-práxis estético-política das minorias. In: DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; CORREIA, Heloisa Helena Siqueira; DANNER, Fernando.. (Org.). Literatura indígena brasileira contemporânea: criação, crítica e recepção. 1ª ed., Porto Alegre: Editora Fi, v. 1, p. 315-358, 2018.
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. A voz-práxis estético-literária indígena como ativismo e militância: algumas reflexões a partir da literatura indígena brasileira atual. In: Letrônica, v. 11, p. 375-396, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. A literatura indígena contemporânea brasileira: a oralidade no impresso na obra A queda do céu: palavras de um xamã yanomami de Davi Kopenawa e Bruce Albert. In: Revista Língua & Literatura (Online), v. 20, p. 132-150, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. A queda do céu e o pluriverso yanomami: ancestralidade, território e educação. In: Revista Opinião Filosófica, v. 9, p. 62-86, 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. Texto criativo, texto estranho, ponto de vista nativo e autobiografia indígena: discussões teórico-metodológicas para uma fundamentação da crítica literária indígena na contemporaneidade. In: Clareia - Revista Filosofia da Região Amazônica, v. 4, p. 67-91, 2017. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. Alteridade indígena - voz-práxis via literatura em A queda do céu palavras de um xamã yanomami. In: Revista Opinião Filosófica, v. 8, p. 58-72, 2017. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. A educação escolar indígena no município de Porto Velho (RO): diagnóstico e proposições. In: Professare (Online), v. 6, p. 69-96, 2017. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando. Literatura indígena como descatequização da mente, crítica da cultura e reorientação do olhar: sobre a voz-práxis estético-política das minorias. In: Teatro: criação e construção de conhecimento, v. 5, n. 1, p. 9-33, 2017. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. Literatura Indígena e seus Intelectuais no Brasil: da autoafirmação e da autoexpressão como minoria à resistência e à luta político-culturais. In: Revista de Estudos e Pesquisas sobre as Américas, v. 11, p. 23-114-136, 2017. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco. A literatura indígena como crítica da modernidade: sobre xamanismo, normatividade e universalismo – notas desde A queda do céu: palavras de um xamã yanomami de Davi Kopenawa e Bruce Albert. In: O eixo e a roda, Belo Horizonte, v. 26, n. 3, p. 129-156, 2017. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. A leitura da literatura indígena para uma cartografia contemporânea. In: Igarapé - Revista de Estudos de Literatura, Cultura e Alteridade, v. 5, p. 107-137, 2017.  
DORRICO, Julie. A mídia e a literatura como ferramenta de autoafirmação e re-existência dos povos indígenas na contemporaneidade. In: XAVIER, Marcus Vinicius Oliveira de; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando; DORRICO, Julie; CEI, Vitor. (Org.). O que resta das jornadas de junho. 1ª ed., Porto Alegre: Editora Fi, v. , p. 65-92, 2017.
DORRICO, Julie. A educação escolar indígena no município de Porto Velho (RO): diagnóstico e proposições. In: XAVIER, Marcus Vinicius Oliveira de; DANNER, Leno Francisco; DANNER, Fernando; DORRICO, Julie.. (Org.). As diferenças no ensino de filosofia: reflexões sobre filosofia e/da educação. 1ª ed., Porto Alegre: Editora Fi, v. , p. 231-260, 2017.
DORRICO, Julie. A oralidade no impresso o eu-nós lírico-político da literatura indígena contemporânea. In: Boitatá, v. 12, p. 216-233, 2017. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. A literatura indígena brasileira e as novas tecnologias da Memória da tradição oral à escrita formal e à utilização de mídias digitais. In: Littera Online, v. 8, p. 113-139, 2017. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. Mito de criação da mulher Tupi-Kawahíb: uma proposta de desconstrução. In: Hélio Rocha; Elizabeth Cavalcante. (Org.). Amazônia e Heterotopias. 1ª ed., Curitiba: CRV, v. 1, p. 83-93. 2014.
DORRICO, Julie; SAMPAIO, Wany Bernardete de Araujo; CUNHA, Maria de Fátima Marques da.. Manifestações da L1 nos processos de aquisição-aprendizagem da L2 na formação de professores indígenas. In: Vozes dos Vales, v. 2, p. 1-24, 2013. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
 
Artigos em jornais de notícia
DORRICO
, Julie. Indígenas no tópos: demarcando as universidades brasileiras. In: ECOA/Uol, 8.12.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Escritora e cientista Rosi Waikhon fala da criação de gente. In: ECOA/Uol, 1.12.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Climate Story Lab Amazônia de narrativas artísticas destaca vozes indígenas. In: ECOA/Uol, 24.11.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. 16ª Edição da Balada Literária homenageia também Eliane Potiguara. In: ECOA/Uol, 17.11.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. O preço das minorias (em direitos) de salvar a arte. In: ECOA/Uol, 10.11.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Txai Suruí: jovem indígena de Rondônia discursa na COP26. In: ECOA/Uol, 3.11.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Literatura indígena de assombração. In: ECOA/Uol, 27.10.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. I Festival da Literatura Indígena acontece em Campo Grande (MS). In: ECOA/Uol, 20.10.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. 21 grupos de artistas indígenas na 23ª edição do Sonora Brasil. In: ECOA/Uol, 13.10.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Obra de autoria indígena é selecionada no edital Leia Para uma Criança. In: ECOA/Uol, 6.10.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Conheça os lançamentos dos autores indígenas Daniel Munduruku e José Verá. In: ECOA/Uol, 29.9.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Participe do 18º Encontro de Escritores Indígenas. In: ECOA/Uol, 22.9.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Livro da Pró-Índio conta como as crianças indígenas vivenciam a pandemia. In: ECOA/Uol, 15.9.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. 1º Websérie de Literatura Indígena destaca o protagonismo das mulheres. In: ECOA/Uol, 1.9.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Folclore brasileiro versus Literatura Indígena: entenda a diferença. In: ECOA/Uol, 25.8.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Escola Saint-Hilaire inaugura feira literária com temática indígena. In: ECOA/Uol, 18.8.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Semana dos Povos Indígenas: dois livros que denunciam o genocídio. In: ECOA/Uol, 12.8.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Agosto indígena: conheça a animação bilíngue "Txâma Xmabé Puri. In: ECOA/Uol, 4.8.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Bayawí - Casa de Saber busca revitalização da cultura Tukano e Dessano. In: ECOA/Uol, 28.7.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. TALIN: lançamento do primeiro jogo de literatura indígena. In: ECOA/Uol, 21.7.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Tuxá Toidé: conheça o podcast de Tayná Cá Arfer Tuxá. In: ECOA/Uol, 14.7.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Colmeia Indígena: Cursinho Pré-vestibular investe em estudantes indígenas. In: ECOA/Uol, 7.7.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Literatura Indígena bilíngue e polilingue na sala de aula. In: ECOA/Uol, 30.6.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Ecoa Maloca: podcast busca aproximar indígenas da comunidade universitária. In: ECOA/Uol, 23.6.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Envolvimento: por que precisamos de Universidades Indígenas no Brasil?. In: ECOA/Uol, 16.6.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Dicas de autoria indígena para você ler na Semana do Meio Ambiente. In: ECOA/Uol, 9.6.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Dois sites para você conhecer os povos indígenas. In: ECOA/Uol, 2.6.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Sites para você encontrar referências acadêmicas de autoria indígena. In: ECOA/Uol, 26.5.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Educação Indígena e Educação Escolar Indígena: entenda a diferença. In: ECOA/Uol, 19 maio 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. A escrita Baniwa sempre existiu. In: ECOA/Uol, 12 maio 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Universos Kariri: a poesia e o celular no cotidiano indígena. In: ECOA/Uol, 5 maio 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie.. Mas, e depois do Dia do índio?. In: ECOA/Uol, 26 abr. 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. 'Falas da Terra': escuta Brasil. In: ECOA/Uol, 19 abr. 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Abril antirracista: a literatura indígena em destaque. In: In: ECOA/Uol, 31.3.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. A retomada da memória Kariri pelo projeto Museu-Vivo. In: ECOA/Uol, 24 mar. 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. A teoria e a literatura indígena na Educação: outras formas de nomear. In: ECOA/UOL, 17 mar. 2021. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
DORRICO, Julie. Biblioteca? Oca? Não, Biblioóca. In: ECOA/Uol, 10 mar. 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Ouvir a diferença. In: Quatro Cinco Um, Quatro Cinco Um/Folha, 1 out. 2020. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Carta a Ely Macuxi. In: Revista Pessoa, São Paulo/Portugal, 9 maio 2020. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. Julie Dorrico: Eu sou macuxi. In: Matinal Jornalismo, Porto Alegre, 2 abr. 2020. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DORRICO, Julie. A literatura indígena brasileira contemporânea. In: Parêntese, Porto Alegre, p. 1-8, 19 dez. 2019.  
DORRICO, Julie. Literatura arte e política resistência e expressão. In: Correio do Povo, Jornal Online, p. 3 - 3, 24 fev. 2018.  
DORRICO, Julie. Literatura, arte e política: resistência e expressão. In: Caderno de Sábado/Correio do Povo, Porto Alegre, 24 fev. 2018.  
DORRICO, Julie. Daniel Munduruku: 'Eu não sou índio'. In: Caderno de Sábado/Correio do Povo, Porto Alegre, p. 2 - 2, 3 jun. 2017. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).

Diálogos e entrevistas
:: Julia Dorrico - No Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, escritora macuxi defende que literatura é ativismo [entrevista concedida à Gabriela Moncau]. In: Brasil de Fato, 7 de Fevereiro de 2022. Disponível no link. (acessado em 7.2.2022).
:: Bate-papo "[Dez]colonização, produção de narrativas e caminhos do afeto" com Geni Nuñez, Eliane Potiguara e mediação de Julie Dorrico. In: Sesc São Caetano, dezembro de 2021. Disponível no link. (acessado em 14.12.2021).
:: Julie Dorrico e Carola Saavedra. In: Balada Literária, novembro/2021. Disponível no link. (acessado em 14.12.2021).
:: Minha história: Julie Dorrico. In: Biblioteca Mário de Andrade, 25.5.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
:: 3º Colóquio Bases da Letras | Palestrante: Julie Dorrico | Tema: "Literatura e ancestralidade" / mediadora Gabriela Bruschini Grecca. In: UEMG Unidade Divinópolis, 2021. Disponível no link. (acessado em 14.12.2021).
:: Literatura dos povos originários | As páginas vibrantes da América Latina / com Ailton Krenak e Eliane Potiguara / mediação: Julie Dorrico. In: TAG - Experiências Literárias · 26 de nov. de 2020. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
:: Julie Dorrico: A literatura indígena brasileira contemporânea. In: Goethe-Institut Porto Alegre, 30.10.2020. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
:: Live: As culturas indígenas no contexto da Educação Infantil / com Julie Dorrico. In: Escutatória, 9.6.2020. Disponível no link. (acessado em 14.12.2021).
:: Entrevista Julie Dorrico / #AbrilIndigenaLit #29#. In: Mayra Sigwalt - All About That Book, 29.4.2020. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
:: Julie Dorrico fala sobre a literatura indígena, autores e obras. In: Literatura Indígena Contemporânea, 2020. Disponível no link. (acessado em 14.12.2021).
:: A literatura indígena: conhecendo outros brasis | Julie Dorrico | TEDxUnisinos. In: TEDx Talks, 2.10.2019. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
:: A existência para além do economicismo destrutivo e desenfreado. Entrevista especial com Daniel Munduruku. [entrevistado por Ricardo Machado e Julie Dorrico]. In: Revista IHU-Online, São Leopoldo, 18 agosto. 2018. Disponível no link. (acessado em 12.12.2021).
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* OUTROS DIÁLOGOS. Literatura Indígena Contemporânea. (acessado em 14.12.2021).

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Websérie "Leia Autoras Indígenas". (2021)

WEBSÉRIE "LEIA AUTORAS INDÍGENAS"

Websérie "Leia Autoras Indígenas" busca dar visibilidade a produção literária de autoras de diferentes etnias em 10 episódios, com participação de mulheres indígenas de diferentes povos ligadas à literatura, dentre elas oito escritoras e duas oradoras, que reforçam o papel da oralidade nas culturas tradicionais e sua importância na constituição da literatura indígena. 
- ficha técnica -
Curadoria e produção: Julie Dorrico, Paolla Andrade Vilela e Moara Brasil Tupinambá / coletivo @leiamulheresindigenas
Edição e animação: Isabel Ramil e Vini Albernaz 
Autoras convidadas: Auritha Tabajara (Tabajara), Eliane Potiguara (Potiguara), Márcia Kambeba (Omágua/Kambeba), Aline Pachamama (Puri da Mantiqueira), Vãngri Kaingang (Kaingang), Gleycielli Nonato (Guató), Geni Núñez (Guarani) e Niara Terena (Terena). 
Oradoras convidadas: Vanda Domingos e Liça Pataxoop 
Parceria: SESC Ipiranga / SP
** Canal Sesc Ipiranga (youtube), setembro-novembro/2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
*** Canal Literatura Indígena Contemporânea. (acessado em 13.12.2021).
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LIVE (abertura). Leia Autoras Indígenas - Live de abertura / bate-papo com participações de Julie Dorrico, Paola Vilela e Moara Tupinambá | mediação de Bárbara Esmenia e libras de Elaine/Mildes. In: Sesc Ipiranga, 1.9.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).

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I Mostra de Literatura Indígena: o território das palavras ancestrais

I MOSTRA DE LITERATURA INDÍGENA: TERRITÓRIO DE PALAVRAS ANCESTRAIS 

- Apresentação de Julie Dorrico -
"A palavra, para nós, povos indígenas, é sagrada como a terra. Com a palavra dos nossos ancestrais, rememoramos as fundações do mundo, narramos os eventos que nos trouxeram até aqui, as aventuras dos nossos guerreiros e heróis. Aprendemos a curar, a celebrar, a reverenciar todos os seres humanos e não humanos. São histórias imemoriais que nossos antepassados nos legaram: de árvore, de gente, de rio, de animais, de plantas, de constelações. Continuadas pelos nossos avós, pais, mães, tios e tias, chegamos no hoje com a missão de semear a palavra indígena pelo território da literatura brasileira, devastada pela monocultura, pelo extrativismo e pelo garimpo da representação. A palavra indígena, até o advento da Constituição Federal (1988) manteve-se (e mantém-se) viva na oralidade ..." 
- ficha técnica -
Projeto e curadoria: Julie Dorrico
Coordenação: Lídia Maria Meirelles
Suporte administrativo: Mariana Elisa Gonçalves
Ilustrações e criação: Bianca Lana
Montagem: Cecília Almeida, Gustavo Oliveira, Mariana Elisa Gonçalves
Apoio: Kássio Rosa, Karla Teixeira, Vitória Brasileira, Ramon Filho.
Realização: Museu do Índio/UFU
Abertura: 9 de dezembro de 2021
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LIVE (abertura). I Mostra de Literatura Indígena: o território das palavras ancestrais - conversa com Julie Dorrico | mediação Kássio Rosa. In: Museu do Índio UFU, novembro 2021 . Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).

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Julie Dorrico - foto: © Acervo pessoal

SELETA DE CONTOS E POEMAS DE JULIE DORRICO 


Eu sou macuxi, filha de Makunaima
Eu sou filha de Makunaima, que
criou minha avó:

primeiro de cera (mas ela derreteu!)

e depois de barro: resistindo ao sol e
passando a existir para sempre.

Um dia ela bebeu caxiri
e resolveu brincar
porque só assim podia
criar minha mãe
e ela criou!
Mas decidiu que a língua de minha mãe seria o inglês,
assim, minha mãe não se aborreceria e sua vida seria mais fácil.
A língua de minha mãe é diferente da de minha avó,
minha avó fala a língua de Makunaima.

Um dia minha mãe decidiu me criar mulher.
E criou, lá na década de 1990, bem certinho.
Decidiu, porém, que minha língua não seria nem o macuxi, como de minha ancestral,
nem o inglês dos britânicos,
mas o português.
Eu não quis não.
Então resolvi criar a minha própria.
Como não posso fugir do verbo que me formou,
juntei mais duas línguas para contar uma história:
O inglexi e o macuxês
porque é certo que meu mundo – o mundo – precisa ser criado todos os dias.
E é transformando minhas palavras que apresento minha voz nas páginas adiante.
- Julie Dorrico, no livro "Eu sou macuxi e outras histórias". Caos e Letras, 2019.

§§


Não há fronteiras para o pertencimento
De um porto a outro
De norte a sul
Karitiana, guarani e macuxi

De um gosto a outro
Cruzeiro-do-sul
Kaingang, omágua/kambeba, pankararu

De um porto a outro
De norte a sul
Do meu ponto de referência
Viva os munduruku!

De um gosto a outro
De norte a sul
Wapichana, mura e mara-guaçús
Baniwa, Kadiwel e Guaicurús

No silêncio dos olhos de meus parentes amarelos
Ouço os sons dos maracás
Vejo a cor do urucum e do jenipapo em suas peles
Sinto o orgulho do pertencimento que sempre exala em seus cabelos!
Em suas sombras toca o tambor:
Eu sou! Eu sou! Eu sou!
Indígena eu sou!

De um porto a outro
De norte a sul
Do meu ponto de referência
Viva os kai-gua-ya-xucu

De um porto a outro
De norte a sul
Povos indígenas
Nessa vida e em tantas outras
Eu sou.
- Julie Dorrico, no livro "Eu sou macuxi e outras histórias". Caos e Letras, 2019.

§§

O homem do ouro
Quando a draga queen aportava no barracão, íamos buscar papai.
Ele sempre nos encontrava sorridente com uma pepita de ouro.
Aquele ouro que me deixava feliz porque mamãe e papai sorriam mostrando os dentes.

Durante nove anos,
eu tive o afeto de meu pai.
Mas ele enlouqueceu,
como todo homem do ouro
que não escapa da maldição
de matar os outros envenenados aos pouquinhos.

Enquanto meu pai ficava cada vez mais rico
Mais o rio-gente morria, bem devagarinho, sufocado pelo mercúrio.
E quanto mais morria,
Mais gentes-árvore, gentes-peixe, gentes-barranco, gentes-gente morriam com ele.
Até que um dia foi meu pai que morreu
primeiro, de tristeza;
depois, da vida mesmo.

Agora eu sei: a felicidade de meu pai não era boa.
Hoje eu sinto que toda felicidade que não é boa, depois mata.
Foi assim com o meu pai.
São as mesmas as histórias que eu escuto dos homens de ouro:
Se tornam outros, ocos, pouco.

Outros, oco, pouco.
Outros, muito ocos, pouco, e depois morrem.
Queria que não fosse verdade, mas é.
- Julie Dorrico, no livro "Eu sou macuxi e outras histórias". Caos e Letras, 2019.

§§

O encontro com Makunaima
Quando Makunaima me encontrou
eu estava no estéril asfalto da vida.
Em sonho, ele me chamou!

Quando Makunaima me encontrou, soltou um:
– Já era tempo!
Eu concordei.

Quando Makunaima me enlaçou em seu amor,
eu soube que era macuxês.
Makunaima enviou o Ely para me dizer:
– Você é pemon-macuxi!
Eu aceitei.
E agora eu sei:

Eu sou pimenta
panela de barro
cobra
damorida
onça
olho puxado
cabelo preto
cor amarela
Eu finalmente posso dizer, com ternura, que sou macuxi.
- Julie Dorrico, no livro "Eu sou macuxi e outras histórias". Caos e Letras, 2019.


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Julie Dorrico - foto: © Acervo pessoal

FORTUNA CRÍTICA DE JULIE DORRICO

BRAGANÇA, Maria Alice. Estande da Alice - "Eu sou macuxi e outras histórias, de Julie Dorrico. In: Rede Sina Autoral, 19.9.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
CANDIDO, Marcos. Nova colunista de Ecoa leva literatura indígena a milhares de seguidores. In: ECOA/Uol, 9.3.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
CEDEFES. Autores indígenas conquistam espaço na literatura brasileira. In: Cedefes, 1.9.2020. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
CEI, Vitor; MALLOY, Letícia; PELINSER, André Tessaro. A autoafirmação Macuxi de Julie Dorrico. [Entrevista]. In: Vitória: Suplemento Literário Dias Ímpares -  Centro Cultural Sesc Glória, Ano I, n. II, mai./jun. 2021, p. 7-13., 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
DIEL, Vitor. Panorama da literatura indígena brasileira: entrevista com Julie Dorrico. In: Literaturars, 1.7.2019. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
GIACOMO. Fred Di.. "Quando me descobri indígena", conheça a escritora Julie Dorrico. In: ECOA/Uol, 4.6.2020. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
GRAÚNA, Graça. Contrapontos de literatura indígena contemporânea no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013.
JACOB, Livia Penedo. Rastros do futuro: os muitos tempos na literatura indígena brasileira. In: Scripta Uni Andrade, v. 19, n. 1, 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
JULIE Dorrico é a curadora convidada para a Balada Literária 2021. In: Balada Literária, 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
MILONE, Luisina. La poesía de Julie Dorrico (Guajará-Mirim, Rondônia, Brasil). In: Metaforica Revista, 27 de agosto de 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
MUNIZ, Simara de Sousa; TESTA, Eliane Cristina. Vozes ressonantes: poesias de escritoras indígenas. In: Revista Cocar, v. 15, n. 33, 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
NETO, Arman. A importância da memória e a busca por si em “Eu sou macuxi e outras histórias”, de Julie Dorrico. In: Impressões de Maria, 7 de abril de 2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
REBINSKI, Luiz. Por uma nova e diversificada literatura brasileira. In: Rascunho, 10.7.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
ROMANOFF, Ricardo. Literatura indígena para descatequizar mentes [Entrevista]. In: Matinal Jornalismo, 29 de outubro de 2020. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
SANTOS, Francisco Bezerra dos.. Uma poética da floresta: a narrativa indígena no Amazonas.(Dissertação Mestrado em Letras e Artes). Universidade do Estado do Amazonas, UEA, 2020. Disponível no link. (acessado em 14.12.2021).
SILVA, Fabiana Carneiro da (Curadoria e apresentação). Encontros com a nova literatura brasileira contemporânea: Julie Dorrico. In: Itaú Cultural, 12.8.2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
VANINI, Eduardo. Indígenas de diferentes origens conquistam espaço na internet e pautam debates sobre preconceito e estereótipos. In: O Globo, 16.72021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
VITAL, Amanda. um poema e um conto de Julie Dorrico, do livro 'Eu sou macuxi e outras histórias' (Caos & Letras, 2019). In: malarmagens - revista de poesia e arte contemporânea, 30 de março de 2020. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
WEBSÉRIE. Leia Autoras Indígenas. In: Canal Sesc Ipiranga, setembro-dezembro/2021. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).
WIKIBOOKS. Bibliografia das publicações indígenas no Brasil. [organização Aline Franca, Daniel Munduruku e Thulio Dias Gomes]. Wikilivros, janeiro 2019. Disponível no link. (acessado em 13.12.2021).

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Julie Dorrico - foto: © Acervo pessoal

JULIE DORRICO NA REDE


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COMO CITAR:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção, edição e organização). Julie Dorrico -
 nas trilhas da literatura indígena. In: Templo Cultural Delfos, fevereiro/2022. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada em 7.2.2022.
** Página original DEZEMBRO 2021.






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