2016: 80 anos na literatura

Music and literature, by William Michael Harnett













"A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta. Talhar a obra literária sobre as próprias formas do que não basta é ser impotente para substituir a vida."
- Fernando Pessoa, em "Heróstrato e a busca da imortalidade". 

OBRAS (CLÁSSICOS)

80 ANOS DE 'SOBRADOS E MUCAMBOS' DE GILBERTO FREYRE
Sobrados e Mucambos, edição 1936
:: Sobrados e Mucambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1936.
Depois de analisar, em 'Casa-grande & senzala', a formação da família e da sociedade brasileira, Gilberto Freyre expõe em 'Sobrados e mucambos', toda a decadência do patriarcado rural entre os séculos XVIII e XIX que, enfraquecida com o declínio da escravidão e pressionada pelas forças da modernidade vindas do exterior, perde espaço, prestígio e poder. A aristocracia se vê obrigada a trocar as casas-grandes por sobrados urbanos, enquanto seus ex-escravos se alojam em casas de pau-a-pique nos bairros pobres da cidade.

:: Obra disponível na Brasiliana no link. (acessado em 12.1.2016).
:: Veja sobre Gilberto Freyre. Acessando AQUI!

Ilustração para o livro "Mocambo", por  Percy Lau



80 ANOS DE 'RAÍZES DO BRASIL', DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA
:: Raízes do Brasil. (Coleção Documentos Brasileiros). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1936.
Capa da 1ª edição de 'Raízes do Brasil', de
Sérgio Buarque de Holanda (1936)
Raízes do Brasil é uma das obras fundadoras da moderna historiografia e das ciências sociais brasileiras. Tanto no método de análise como no estilo claro e despretensioso da escrita, tanto na sensibilidade para a escolha dos temas como na erudição exposta de forma concisa, revela-se o historiador da cultura e ensaísta crítico com talentos evidentes de escritor. A noção do brasileiro como "homem cordial", aquele que age segundo o "coração" - não no sentido de ser bondoso, mas por pautar suas ações pelo afeto e pela intimidade e ser incapaz de separar vida pública de vida privada -, é um dos conceitos fundamentais expostos nesta obra indispensável para se entender o Brasil. Segundo Antonio Candido, este livro é "um clássico de nascença".
Publicada em 1936, Raízes do Brasil aborda aspectos centrais da história da cultura brasileira. O livro foi escrito na forma de um longo ensaio histórico, tendo sido dividido em sete partes:
1. Fronteiras da Europa
2. Trabalho e Aventura
3. Herança Cultural
4. O Semeador e O Ladrilhador
5. O Homem Cordial
6. Novos Tempos
7. Nossa Revolução
:: Veja sobre Sergio Buarque de Holanda. Acessando AQUI!


ROMANCE
Erico Verissimo - foto: Leonid Streliaev
80 ANOS DE 'UM LUGAR AO SOL', DE ERICO VERISSIMO
:: Um lugar ao sol, de Erico Verissimo. Porto Alegre: Globo, 1936.
A obra reúne vários personagens presentes em seu livro anterior, Musica ao longe, como Clarissa, Vasco, Amaro, Fernanda e Noel. Narra seus sonhos, suas lutas e suas frustações, e critica as tradições políticas do interior do Rio Grande do Sul. 
"Considero o elenco humano que povoa este livro o melhor de toda a minha obra, com exceção talvez de O Tempo e o Vento. Escrevi sobre essa gente com tanta afeição e interesse, com tamanha fé na sua existência, que acabei cometendo o pecadilho de todo o pai vaidoso para qual tudo quanto os filhos dizem e fazem merece ser contado ao mundo."
- Erico Verissimo, no prefácio do livro "Um lugar ao sol". edição de 1963.

:: Veja sobre Erico Verissimo. Acessando AQUI!


INFANTO-JUVENIL - OBRAS

80 ANOS DE 'DOM QUIXOTE DAS CRIANÇAS', DE MONTEIRO LOBATO
:: Dom Quixote das Crianças, de Monteiro Lobato

Dom Quixote das Crianças, de Monteiro Lobato


80 ANOS DE 'MEMÓRIAS DA EMÍLIA', DE MONTEIRO LOBATO
:: Memórias da Emília, de Monteiro Lobato
Memórias da Emília, de Monteiro Lobato


"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso."
- Fernando Pessoa, no "Livro do Desassossego". 



80 ANOS DE NASCIMENTO
21 de julho de 1936 - Darcy França Denófrio - poeta e ensaísta brasileira.
30 de julho de 1936 - Adelaide Carraro - escritora brasileira31 de julho de 1936 - Carlos Severiano Cavalcanti - poeta brasileiro.
26 de agosto de 1936 - Alfredo Bosi - professor, crítico, historiador de literatura brasileira.
25 de setembro de 1936 - Astrid Cabral - poeta brasileira.
26 de setembro de 1936 - Luis Fernando Verissimo - escritor brasileiro.


80 ANOS DO NASCIMENTO DE DARCY FRANÇA DENÓFRIO
A professora Darcy França Denófrio nasceu na fazenda Nova Aurora, município de Jataí, então distrito de Itarumã (GO), em 21 de julho de 1936. Já casada e com três filhas, licenciou-se e bacharelou-se em Letras Modernas Inglês-Português pela UFG, onde também sagrou-se mestre em Teoria da Literatura e tornou-se professora de Língua Portuguesa, Teoria da Literatura e Literatura Brasileira, na graduação, e Teoria da Literatura, na pós-graduação, da Faculdade de Letras.  Autora de duas dezenas de publicações, Darcy França Denófrio é poeta, ensaísta, critica literária.
:: Saiba mais sobre a ensaísta e poeta Darcy França Denófrio (1936-2016). Acessando AQUI!


80 ANOS DO NASCIMENTO DE ADELAIDE CARRARO - A 'ESCRITORA MALDITA'
Adelaide Carraro
Adelaide Carraro (30 de julho de 1936 – São Paulo, 7 de janeiro de 1992) escritora brasileira. Ficou órfã aos sete anos e foi viver em um orfanato na cidade de Vinhedo em São Paulo. Seu primeiro texto que chegou ao conhecimento público foi a crônica Mãe, que lhe rendeu um prêmio aos treze anos de idade.
Adelaide Carraro deixou uma obra bastante extensa, com mais de quarenta edições, tendo mais de dois milhões de exemplares vendidos, entre eles O estudante, O estudante II, O estudante III, Meu professor, meu herói e Eu e o governador. Este último é o seu texto mais polêmico, referente à descrição de um suposto romance com Jânio Quadros em seu período como governador de São Paulo.
Escreveu também outras obras como “Podridão” e “O Mundo Cão de Sílvio Santos.
Era uma escritora que escrevia livros fortes, com temas polêmicos e em plena época da ditadura militar, quando havia muita censura.

Leia mais no link. (acessado em 15.1.2016).
Fontes de pesquisa:
MOREIRA, Carlos André. "Adelaide Carraro: Escritora Maldita?". in: Zero Hora. Disponível no link. (acessado em 15.1.2016).



80 ANOS DO NASCIMENTO DE CARLOS SEVERIANO CAVALCANTI
Carlos Severiano Cavalcanti (Fazenda Monte, Campina Grande, 31 de julho de 1936) poeta brasileiro. Radicado há mais de trinta anos no Recife, bacharel em Comunicação Social / Relações Públicas. Professor universitário de Comunicação Social, aposentado.
Obras
:: Caminhos da vida. Recife: Editora Bagaço, 1997.
:: Reflexos de terra e sol. Recife: CEPE, 2001.
:: Sertanidade. Recife: Edição do Autor, 2004
:: Na ponta da língua (Guia do Escritor). Recife: Novo Estilo, 2007.
:: A gênese do tempo. Recife: Edição do Autor, 2008.
: Histórias sertanejas (contos). Recife: Edições Edificantes, 2008.
:: Tresafio (Motes e Glosas).. [com Paulo Camelo e Rosa Lia Dinelli]. Recife: Paulo Camelo, 2009.

:: Saiba mais sobre o poeta Carlos Cavalcanti no link. (acessado em 15.1.2016).

Apelos 
(a Paulo Dantas e Gilberto de Hazaña de Godoy)

Pelos varais premidos da favela,
retalhos multicores da penúria
tremulam apontando para a incúria
da farta sociedade paralela.

Poderes insensíveis à lamúria
amargam os efeitos da sequela:
fechando porta e sem abrir janela
são vítimas também da imensa fúria.

Esse contraste traz desequilíbrio
na luta desigual entre o ludíbrio
e a dura realidade da carência.

E nos varais as roupas tremulando
são mãos desidratadas apelando
na busca de conter a vioência.
 
- Carlos Cavalcanti, em "A gênese do tempo". Recife: Edição do Autor, 2008.  


A voz do mar
    (a Dirceu Ravelo e Marco Maciel)

Escuto a voz do mar. Ouço o rosnado
das ondas ao fazer tantos saudares
às vagas que provêm dos outros mares,
num linguajar de sal, codificado.

Os ventos trazem brumas seculares
veiculando um vendaval cansado.
Do Pólo Sul, o sopro congelado
transfere ao mar rumores regulares.

As correntes marinhas traçam rotas
sob as lépidas asas das gaivotas
no roteiro diário das jangadas.

Com fala monocórdia o mar não cala,
ouvindo o seu rosnar, lhe entendo a fala,
no silêncio abissal das madrugadas.

 - Carlos Cavalcanti, em "A gênese do tempo". Recife: Edição do Autor, 2008.



80 ANOS DO NASCIMENTO DE ALFREDO BOSI
Alfredo Bosi - foto: (...)
Alfredo Bosi nasceu em São Paulo (SP), em 26 de agosto de 1936. É casado com a psicóloga social, escritora e professora do Instituto de Psicologia da USP, Ecléa Bosi, com quem tem dois filhos: Viviana e José Alfredo. Descendente de italianos, logo depois de se formar em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), em 1960, recebeu uma bolsa de estudos na Itália e ficou um ano letivo em Florença. De volta ao Brasil, assumiu os cursos de língua e literatura italiana na USP. Embora professor de literatura italiana,Alfredo Bosi sempre teve grande interesse pela literatura brasileira, o que o levou a escrever os livros Pré-Modernismo (1966) e História Concisa da Literatura Brasileira (1970).
Em 1970, decidiu-se pelo ensino de literatura brasileira no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, da qual é professor titular de Literatura Brasileira. Ocupou a Cátedra Brasileira de Ciências Sociais Sérgio Buarque de Holanda da Maison des Sciences de l’Homme (Paris).
Foi vice-diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP de 1987 a 1997. Nesse último ano, em dezembro, passou a ocupar o cargo de diretor. Entre outras atividades no IEA, coordenou o Programa Educação para a Cidadania (1991-96), integrou a comissão coordenadora da Cátedra Simón Bolívar (convênio entre a USP e a Fundação Memorial da América Latina) e coordenou a Comissão de Defesa da Universidade Pública (1998).
Desde 1989 é editor da revista Estudos Avançados.
Sétimo ocupante da Cadeira nº 12, eleito em 20 de março de 2003, na sucessão de Dom Lucas Moreira Neves e recebido em 30 de setembro de 2003 pelo acadêmico Eduardo Portella.

:: Saiba mais sobre o professor, crítico, historiador de literatura Alfredo Bosi. Acessando AQUI!


80 ANOS DO NASCIMENTO DE ASTRID CABRAL
Astrid Cabral Félix de Sousa (Manaus, 25 de setembro de 1936) é poeta, contista, professora e funcionária pública brasileira. Viúva do poeta Afonso Felix de Sousa. Diplomada em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em língua inglesa e literatura norte-americana pelo Teacher's Training Course do IBEU.
:: Saiba mais sobre a poeta Astrid Cabral (1936-2016). Acessando AQUI!



80 ANOS DO NASCIMENTO DE LUIS FERNANDO VERISSIMO
Luis Fernando Verissimo nasceu em
26 de setembro de 1936, em Porto Alegre (RS), onde mora até hoje – embora exercite com freqüência sua paixão por conhecer novos países e cidades. Ele viaja, observa, investiga – sempre com muita simpatia e discrição. O que não fala, escreve. Sorte dos leitores, presenteados com seus livros e suas colunas publicadas nos jornais O Globo, O Estado de São Paulo, Zero Hora e Expresso (português), entre outros. Verissimo é dono de uma vasta obra literária – que inclui livros infantojuvenis, de humor, quadrinhos, crônicas e romances – publicados no Brasil e no mundo. Muitos livros seus ganharam adaptações para o cinema, a TV e o teatro.
:: Sabia mais sobre escritor Luis Fernando Verissimo (1936-...). Acessando AQUI!


"A melhor maneira de respeitar um autor é fazer alguma coisa com o que ele fez. Eu adorava que fizessem alguma coisa com o que fiz. Respeitar é continuar, como se fosse um diálogo, uma conversa."
- Gonçalo Tavares, em "Mil Folhas, público" (2005). 


OUTRAS DATAS COMEMORATIVAS EM 2016
2016: centenário da morte de Cervantes e Shakespeare. Acesse AQUI!
- Centenários de 2016. Acesse AQUI!


Literatura classical


© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske

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** Página atualizada em 18.1.2016.



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