Salgado Maranhão - poeta dos acordes literários e musicais

 

                      Salgado Maranhão. foto: Daniel Mordnski

“Quanto mais somos da nossa aldeia, mais nós somos do mundo, porque mais nós temos identidade a mostrar. O mundo quer cores. Quem não tem cor para mostrar, não pode influir no grande caleidoscópio que é o mundo”
- Salgado Maranhão, in: MARQUES, Wilson. Encontro com Salgado Maranhão, hoje, no Odylo. Imirante/O Estado, 21 jan. 2014.


Breve esboço biobibliográfico de Salgado Maranhão

Salgado Maranhão (José Salgado Santos) - poeta, compositor e jornalista. Nasceu no povoado de Cana Brava das Moças, na cidade de Caxias - Maranhão, em 13 de novembro de 1953, filho de Moacyr dos Santos Costa e Raimunda Salgado dos Santos. Ainda adolescente, mudou-se com os irmãos e a mãe para Teresina. Escreveu artigos para um jornal local e conheceu Torquato Neto, que o incentivou a ir para o Rio de Janeiro, o que fez no ano de 1972. Estudou Comunicação na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Terapeuta corporal, foi professor de tai chi chuan e mestre em shiatsu.

Inicialmente, teve seu nome vinculado em publicações como "Ebulição da escrivatura -Treze poetas impossíveis" (Ed. Civilização Brasileira, 1978, RJ), coletânea que reuniu diversos poetas, como Sergio Natureza (assinando Sérgio Varela), Antônio Carlos Miguel (sob o pseudônimo de Antônio Caos), Éle Semog, Mário Atayde, Tetê Catalão, entre outros.

Publicou poemas e artigos na revista "Encontro com a Civilização Brasileira" (1978). Nos anos seguintes, publicou: "Aboio"('cordel'/Corisco, 1984), "Punhos da serpente" ('poesia'/Achiamé, 1989), "Palávora" ('poesia'/Sette Letras, 1995), "O beijo da fera" ('poesia'/Sette Letras, 1996) e "Mural de ventos" ('poesia'/José Olympio, 1998).

Em 1998, ganhou o prêmio "Ribeiro Couto", da União Brasileira dos Escritores (UBE), com o livro "O beijo da fera". No ano seguinte, com o livro "Mural de ventos", foi o vencedor do "Prêmio Jabuti", da Câmara Brasileira do Livro, dividido com Haroldo de Campos e Geraldo Mello Mourão. Colaborou em várias publicações com artigos e poemas, como a revista "Música do Planeta Terra".

Em 2007, sua poesia foi estudada na Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island, nos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, participou do "Moveable Feast Poetry in Portuguese", encontro internacional dos poetas de língua portuguesa, onde representou o Brasil a convite da Brown University (EUA).

Em 2009, lançou, pela Editora BookLink, o livro de poemas "A Pelagem da Tigra". Nesse mesmo ano, coordenou o "Salão de Livros do Piauí", levando à Teresina o poeta e letrista Antônio Cícero.

Em 2010, lançou a antologia "A Cor da palavra" (Editora Imago/FBN) com poemas escolhidos dos seus livros 'Aboio", "Punhos da Serpente", "Palávora", "O Beijo da Fera", "Mural de Ventos", "Sol Sanguíneo", "Solo de Gaveta" e "A Pelagem da Tigra". 

Publica ainda os seguintes livros de poesia: O mapa da tribo (7Letras, 2013), Ópera de nãos (7Letras, 2015), Avessos avulsos (7Letras, 2016), A sagração dos lobos (7Letras, 2017) e A casca mítica (7Letras, 2020).

No lançamento do seu livro "Ópera de nãos", em 2016, um sarau lítero-musical foi promovido com as participações especiais de Egberto Gismonti, Ana Oliveira, Zé Américo Bastos, Zezé Motta, Nathália Timberg, Patrícia Mellodi e Ricardo Macchi, sob curadoria do poeta Carlos Dimuro, o evento aconteceu no Hotel Golden Tulip Regente, em Copacabana (Rio de Janeiro). Neste mesmo ano, em outubro, Salgado participou na Cidade do México (México) "VII Festival de Poesía Lenguas de América Carlos Montemayor".


Sobre ele, declarou o poeta, seu conterrâneo:

"Salgado Maranhão é um dos mais brilhantes poetas de sua geração e possui um trabalho de linguagem muito pessoal. "Sinergia" é a palavra que define sua poesia. Uma poesia de palavra, muito embora não ignore o real, pois o traduz em fonemas e aliterações. Que não hesita em ir além da lógica do discurso (ou do enlace com o plausível) se o resultado é o impacto vocabular e o inusitado da fala."
- Ferreira Gullar, na apresentação do livro "A cor da palavra". de Salgado Maranhão. Rio de Janeiro: Imago; Fundação Biblioteca Nacional, 2009.
Com informações de:  Dicionário Cravo Albin MPB 


"Sou filho da Casa Grande e da Senzala. Minha mãe era uma camponesa negra, meu pai era o dono da fazenda. Ele era casado e tinha três filhas. Eu era o único filho homem de meu pai, e a família dele quis me levar para criar, mas minha mãe não deixou. Minha primeira influência foram os repentistas. Aos 15 anos, fui estudar em Teresina. Na casa onde fiquei, havia professores. E descobri a biblioteca pública. Um dia li “Poema em linha reta”, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa. Nunca mais fui o mesmo. Lia tão devagar, com medo de acabar e não achar outro livro dele, que chegava ao meio e voltava a ler."
- Salgado Maranhão, excerto da entrevista ao jornal O Globo, em 15 de julho 2012.


Salgado Maranhão sobre o seu fazer poético:

"Minha poética gravita na borda da língua, nesse equilíbrio delicado em que um passo para trás é o lugar comum e um passo para frente é o ininteligível. É lógico que isto não é apenas uma atitude deliberada e racional. É um temperamento, um gostar de ser, é como se eu desejasse abrir um caminho novo na língua. Devo dizer que quando chega o poema, é uma verdadeira possessão de palavras em meus sentidos, chego a pensar que estou ficando louco. E estou: louco de luz. Depois desse momento de epifania, eu volto a retrabalhar o poema, infinitas vezes, para esgarçar ao máximo as possibilidades da palavra.

A poesia nos resgata uma voz inconsciente que fomos perdendo, aos poucos, depois da idade pré-natal. Trata-se de uma linguagem aberta, sinuosa, prenhe de significantes e irresponsável, como o discurso das crianças. A necessidade de nos ajustarmos ao mundo e às suas normas arbitrárias, em troca de afirmação e sobrevivência material, vai secando a poesia do nosso coração. Uma pessoa comum, que funcione como a maioria, do estômago para baixo, até reconhece o vigor impactante dessa forma de expressão, mas teme se comprometer com essa insanidade sã. Poeta é quem tem no DNA a doença incurável do mistério. É aquele para quem as palavras tiram a roupa e se entregam sem reserva. E não é para quem quer e nem é uma questão de privilégio, mas de destino, é mais uma questão de não saber ser de outro jeito.
[...]
Minha arte reflete minha história de vida e assimilação do mundo: sou aquele que não era para ter sido. Em algum poema eu digo que meu "nome é nômade", porque eu sou aquele que a poesia salvou. Portanto, há em mim uma inquietação que lacera as palavras. Quando a poesia se apodera de mim, vaza um rio de palavras rítmicas em minha boca que eu penso que estou ficando louco, mas, claro, de uma loucura feliz. De modo que, quando você levanta essas escamas em minha poesia, me alegra que alguém possa percebê-las, porque, cada poema que faço (embora haja uma motivação interna muito forte) tem infinitas leituras e releituras."

- Salgado Maranhão em entrevista a Iracy Conceição de Souza | SOUZA, Iracy Conceição de. Entrevista com Salgado Maranhão: "Poeta é aquele que não sabe ser de outro jeito." in: O Marrare (Online) - UERJ, Rio de Janeiro, v. 14, p. 165-185, 2011. Leia a entrevista na íntegra, disponível no link (acessado 3.10.2020) | [fotografia: Salgado Maranhão | foto (autoria não identificada)]


Prêmios, títulos e condecorações - Salgado Maranhão

1998 - recebeu o Prêmio "Ribeiro Couto", da União Brasileira dos Escritores (UBE), com o livro "O beijo da fera" (1996).
1999 - recebeu o "Prêmio Jabuti", da Câmara Brasileira do Livro, na categoria 'Poesia', com o livro "Mural de ventos" (1998)[Prêmio dividido com Haroldo de Campos e Geraldo Mello Mourão].
2011 - recebeu o Prêmio "Machado de Assis de Poesia", da Academia Brasileira de Letras, na categoria 'Poesia', com o livro "A cor da palavra" (2009
2014 - recebeu o Prêmio PEN Clube do Brasil, na categoria 'Poesia', com o livro "O mapa da tribo" (2013).
2016 - é agraciado com o título de Cidadão Piauiense, outorgado pela Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi).
2017é agraciado com o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade federal do Piauí (UFPI).


"Não gosto de vender miséria para ganhar atenção. Não faço papel de vítima. Não quero o caminho fácil. Não busco planícies, busco ladeiras. Mas é verdade que minha vida é cheia de relevos. Vim para o Rio com 22 anos. Queria conhecer o meio artístico. Cheguei sem dinheiro, arrumei emprego numa livraria, no depósito de livros. A dona mandou que aos sábados eu lavasse o letreiro. Eu disse: “Sou poeta, não vim ao Rio para lavar letreiro.” Ela falou: “Mas você é muito audacioso.” Eu era muito folgado. Demitido, fui trabalhar numa firma de engenharia na construção do metrô. Até que li um poema num recital da turma da Nuvem Cigana. Júlio Barroso (que depois criou a Gang 90) gostou e me chamou para escrever na revista 'Música do Planeta Terra'."
- Salgado Maranhão, excerto da entrevista ao jornal O Globo, em 15 de julho 2012.


                            Salgado Maranhão - foto: Ricardo Prado

Obra literária do poeta Salgado Maranhão

Poesia

:: Punhos da serpente. Salgado Maranhão. Rio de Janeiro: Achiamé, 1989.
:: Palávora. Salgado Maranhão. [Prefácio Silviano Santiago]. Rio de Janeiro: Editora Sette Letras, 1995.
::  O beijo da fera. Salgado Maranhão. Rio de Janeiro: Editora Sette Letras, 1996.
:: Mural de ventos. Salgado Maranhão. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1998.
:: Sol sangüíneo. Antologia. Salgado Maranhão. [Orelha do livro Adriano Espínola]. Rio de Janeiro: Imago, 2002.
:: Solo de gaveta & Amorágio(**)Salgado Maranhão(livro/CD). [produção Zé Américo]. Rio de Janeiro: SescRio.Som, 2005.
:: A cor da palavra. [antologia]. Salgado Maranhão. Rio de Janeiro: Imago; Fundação Biblioteca Nacional, 2009.
:: A pelagem da tigra. Salgado Maranhão. [Orelha do livro  Astrid Cabral]. Rio de Janeiro: Booklink, 2009. 
:: O mapa da tribo. Salgado Maranhão. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2013.
:: Ópera de nãosSalgado Maranhão. [prefácio Charles A. Perrone]. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2015. {2º lugar na categoria Poesia, 58º Prêmio Jabuti (2016)}
:: Avessos avulsosSalgado MaranhãoRio de Janeiro: Editora 7Letras, 2016.
:: A sagração dos lobosSalgado Maranhão. [prefácio Jack Draper]. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2017.
:: A casca míticaSalgado MaranhãoRio de Janeiro: Editora 7Letras, 2020.
__________
Editora do autor: Editora 7Letras

Cordel

:: Aboio ou a Saga do Nordestino em busca da terra prometida. Salgado Maranhão. Teresina:  Editora Corisco, 1984.

Infanto-juvenil

:: Paisagens & Relevos. Salgado Maranhão. ilustração Antônio Amaral. Teresina: Mais Editora, 2019.
:: Rios e Lendas. Salgado Maranhão. ilustração Antônio Amaral. Teresina: Mais Editora, 2019.
:: Aldeias e Rebanhos. Salgado Maranhão. ilustração Antônio Amaral. Teresina: Mais Editora, 2019.

Antologias (participação)

:: Literatura na Ilha: poetas e prosadores maranhenses. Hildeberto Barbosa Filho. São Luís: Lithograf, 2004, p. 76-83.
:: O negro em versos: antologia da poesia negra brasileira. [Organização de Luiz Carlos Santos, Maria Galas e Ulisses Tavares]. São Paulo: Moderna, 2005.
:: Concerto a quatro vozes - antologia, história e crítica de quatro poetas contemporâneos: Adriano Espínola, Antônio Cicero, Marco Lucchesi e Salgado Maranhão. [organização Domício Proença Filho]. Editora Record, 2006.
:: Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. [Organização de Eduardo de Assis Duarte]. Vol. 3, Contemporaneidade. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.
:: Baião de todos. {Antologia poética com 48 autores piauienses}.. [organização Cineas Santos e Keula Araújo]. Edição comemorativa - 20 anos. Teresina: Fundapi, 2016. 
:: Amor e outras revoluções, Grupo Negrícia: antologia poética. [Organização de Éle Semog]. Rio de Janeiro: Malê, 2019. {Poetas da edição: Amélia Alves, Ana Cruz, Cizinho Afreeka, Conceição Evaristo, Deley de Acari, Éle Semog, Elisa Lucinda, Eustáquio Lawa, Hélio de Assis, José Jorge Siqueira, Jurema Araujo, Lia Vieira, Luis Turiba, Salgado Maranhão e Viviande Brandão Couto Filho}. 
:: A estante dos poetas: Antologia. [organização Paulo Sabino]. Rio de Janeiro: Editora Ibis Libris, 2020. {poetas da edição: Adriano Espínola, Antônio Carlos Secchin, Antonio Cicero, Geraldo Carneiro, Paulo Henriques Britto e Salgado Maranhão}.
 

Antologias (organização)

:: Ebulição da escrivatura -Treze poetas impossíveis. [organização Salgado Maranhão, Sergio Natureza e Moacyr Félix]. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1978. {coletânea que reuniu diversos poetas, como Sergio Natureza (assinando Sérgio Varela), Antônio Carlos Miguel (sob o pseudônimo de Antônio Caos), Éle Semog, Mário Atayde, Tetê Catalão, entre outros.}.

Obra traduzida

Salgado, tem poemas traduzidos para o inglês, italiano, francês, alemão, sueco, holandês, japonês, hebraico, espanhol e esperanto.

Estados Unidos
:: Blood of the sun: poems {Sol sangüíneo}. Salgado Maranhão. [tradução Alexis Levitin; posfácio Luiz Fernando Valente]. Milkweed Editions, 2012. 
:: Tiger fur {A pelagem da tigra}. Salgado Maranhão. [tradução Alexis Levitin].Editora White Pine Press, 2015.
:: PalavoraSalgado Maranhão. [tradução Alexis Levitin]. Dialogos Books, 2019.
:: Mapping the tribe {O mapa da tribo}. Salgado Maranhão. [tradução Alexis Levitin]. ...?2020.
:: O Mapa da tribo. Salgado Maranhão. tradução Felipe Hiro (japonês) ?
__________
CaricaturaSalgado Maranhão, por Douglas Azevedo

Em Antologias estrangeiras (participação)

:: Antología de Poesía brasileña. [edición de Jaime B. Rosa; organización Floriano Martins y José Geraldo Neres; tradução António Alfeca]. Edición bilingüe  Português - Español. Valencia, España: Huerga & Fierro editores, 2006. {Poetas: Lucila Nogueira, Glauco Mattoso, Adriano Espínola, Beth Brait Alvim, Contador Borges, Donizete Galvão, Floriano Martins, Nicolas Behr, Jorge Lúcio de Campos, Vera Lúcia de Oliveira, Rubens Zárate, Ademir Demarchi, Ademir Assunção, Leontino Filho, Marco Lucchesi, Weydson Barros Leal, António Moura, Maria Esther Maciel, Rodrigo Garcia Lopes, José Geraldo Neres, Viviane de Santana Paulo, Alberto Pucheu, Fabrício Carpinejar, Salgado Maranhão, Sérgio Cohn, Rodrigo Petronio, Konrad Zeller, Pedro Cesarino, Mariana lanelli. Traductores: Adalberto Arrunátegui, Alfonso Pena, Aníbal Cristobo, António Alfeca, Benjamin Valdivia, Carlos Osório, Eduardo Langagne, Floriano Martins, Gladis Basagoitia Dazza, Luciana di Leone, Margarito Cuéllar, Marta Spagnuolo, Paulo Octaviano Terra, Reynaldo Jiménez e Tomás Saraví}.

Outros textos de Salgado Maranhão

MARANHÃO, Salgado. Minhas palavras e suas laterais. Depoimento de Salgado Maranhão. in: Poesia na Era da Internacionalização dos Saberes: circulação, tradução, ensino e crítica no contexto contemporâneo. [organização Maria Lúcia Outeiro Fernandes, Paulo Andrade e Charles A. Perrone]. Revista Série Estudos Literários nº 17 - Vol. 4, Cultura Acadêmica Editora (UNESP), 2016, p. 35-44. Disponível no link. (acessado em 30.9.2020).
MARANHÃO, Salgado. O grito da América negra (apresentação/contracapa). In: FERREIRA, Elio Pinto. América Negra & outros poemas afro-brasileiros. São Paulo: Quilombhoje, 2014.
MARANHÃO, Salgado; CARNEIRO, Geraldo. Os desmandamentos. in: 7faces - caderno-revista de poesia, Natal – RN, Ano 3, 5 ed., jan.-jul., 2012, p. 173-175. Disponível no link. (acessado em 8.10.2020)


"As pessoas só pensam nas coisas materiais. Ficamos presos às necessidades urgentes. Mas isso não dá conta da nossa humanidade, não nos completa como indivíduos e seca a poesia do nosso coração. A poesia nos empurra para uma dimensão além da sobrevivência básica."
- Salgado Maranhão, excerto da entrevista ao jornal O Globo, em 15 de julho 2012.


                         Salgado Maranhão - poeta e compositor | foto: Fábio Seixo/Agência O Globo

O compositor - letrista Salgado Maranhão

Salgado Maranhão tem parcerias com Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Ivan Lins, Moacyr Luz, Zé Américo, Xangai, Herman Torres, Vital Farias, Mirabô Dantas, Tunai, Carlos Pita, entre outros.

Constam entre seus intérpretes, além dos parceiros já citados, Zizi Possi, Rita Ribeiro, Alcione, Elba Ramalho, Rosa Maria, Amelinha, Amélia Rabello, Selma Reis, Juliana Amaral, Zezé Gonzaga, O Terço, Gilberto Alves, Ney Matogrosso, Zé Renato, Zeca Baleiro, Angela Evans e tantos outros em suas mais de 40 composições gravadas, além de inéditas com João Donato, Zeca Baleiro, Renato Piau, Chico César, entre outros.

Composições (letrista)/ e parceiros:

:: A flor da magia. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: Acordei vadio. (Salgado Maranhão e Carlos Pita)
:: Alguma coisa. (Salgado Maranhão e Herman Torres)
:: Alice no Curral das Maravilhas. (Salgado Maranhão e Vital Farias)
:: Amorágio. (Salgado Maranhão e Ivan Lins)
:: Apesar da solidão. (Salgado Maranhão e Vital Farias)
:: Aquário. (Salgado Maranhão e Rosa Passos)
:: Ave cigana. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: Calmaria. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: Caminhos de sol. (Salgado Maranhão e  Herman Torres)
:: Choro da lua. (Salgado Maranhão e Herman Torres)
:: Coração felino. (Salgado Maranhão e Paulo Mattos)
:: Deixe o amor fazer a lei. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: Diamante bruto. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: Do princípio ao sem-fim. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: Eu pensei que você fosse a lua. (Salgado Maranhão e Zeca Baleiro)
:: Feito passarinho. (Salgado Maranhão e Paulinho da Viola)
:: Fogo. (Salgado Maranhão e Carlos Pita)
:: Fruta no pé. (Salgado Maranhão e Herman Torres)
:: Fundição federal. (Salgado Maranhão e Wagner Guimarães)
:: Jamaica. (Salgado Maranhão e Naeno)
:: Lama das canções. (Salgado Maranhão e Herman Torres)
:: Lençóis. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: Meu coração por dentro. (Salgado Maranhão e Herman Torres)
:: Mistura. (Salgado Maranhão e Xangai)
:: Não passarás. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: Olhos acesos. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: O boi de prata (Salgado Maranhão e Mirabô Dantas)
:: Peleja. (Salgado Maranhão e Herman Torres)
:: Planeta desejo. (Salgado Maranhão e Carlos Pita)
:: Penúltimo cais. (Salgado Maranhão e Wagner Guimarães)
:: Pra alegrar coração de moça. (Salgado Maranhão e Ivan Lins)
:: Prazer pelo avesso. (Salgado Maranhão e Vital Farias)
:: Punhos da serpente. (Salgado Maranhão e Xangai)
:: Quem mata a mulher mata o melhor. (Salgado Maranhão e Ivan Lins)
:: Quem me abandona. (Salgado Maranhão e Herman Torres)
:: Rapsódia. (Salgado Maranhão e  Rodney Mariano)
:: Recato. (Salgado Maranhão e Elton Medeiros)
:: Revela. (Salgado Maranhão e Moacyr Luz)
:: Suíte doce jabuticaba. (Salgado Maranhão e Xangai)
:: Trapaça. (Salgado Maranhão e Herman Torres)
:: Trem da consciência. (Salgado Maranhão e Vital Farias)
:: Um aparte ao apartheid. (Salgado Maranhão e Naeno)
:: Veloz. (Salgado Maranhão e Zé Américo)
:: Vício de amar. (Salgado Maranhão e Tunai)
:: Vôo livre. (Salgado Maranhão e Ivan Lins)
 

"Salgado é versátil e tem aquela qualidade incrível que é conseguir unir o poeta refinado, de técnica apurada, e uma veia popular. Você pode ler o que ele escreve para livro ou ouvir as suas letras em música que vai ficar sempre impressionado"
- Aldir Blanc, ao Jornal do Brasil, julho de 2001.

Discografia de Salgado Maranhão



Registro de canções em discografia autoral:

(**) Álbum "Amorágio". Salgado Maranhão. Série 'Poetas da canção'. Selo SescRio.Som, 2005.
:: Farra {Poema falado}. (Salgado Maranhão)  | Interprete:  Salgado Maranhão
:: Rapsódia (Rodney Mariano e Salgado Maranhão) | Interprete: Elba Ramalho
:: Caminhos de sol (Herman Torres e Salgado Maranhão) | Interprete: Rita Ribeiro [Rita Benneditto].
:: Revela (Moacyr Luz e Salgado Maranhão) | Interprete: Selma Reis
:: Recato (Elton Medeiros e Salgado Maranhão) | Interprete: Paulinho da Viola
:: Trem da consciência (Vital Farias e Salgado Maranhão) | Interprete: Zeca Baleiro
:: Ave cigana (Zé Américo e Salgado Maranhão) | Interprete: Dominguinhos
:: Vôo livre (Ivan Lins e Salgado Maranhão) | Interprete: Zeca Baleiro
:: Diamante bruto (Zé Américo e Salgado Maranhão) | Interprete: Alcione
:: Feito passarinho (Paulinho da Viola e Salgado Maranhão) | Interprete: Amélia Rabello 
:: Do princípio ao sem-fim (Zé Américo e Salgado Maranhão) | Interprete: Sandra Duailibe 
:: Amorágio (Ivan Lins e Salgado Maranhão) | Interprete: Ivan Lins
:: A pelagem da tigra {Poema falado}. (Salgado Maranhão) | Interprete:  Salgado Maranhão
- Ficha técnica -
Produção: Zé Américo
Poemas recitados: Salgado Maranhão
Músicos - interpretes:  Alcione, Amélia Rabello, Dominguinhos, Elba Ramalho, Ivan Lins, Paulinho da Viola, Rita Ribeiro [Rita Benneditto], Sandra Duailibe, Selma Reis e Zeca Baleiro 
Músicos: (...)

Registro de suas canções (c/parceiros) em discografia de diversos artistas


:: Álbum "Vital Farias". Vital Farias. Selo Polydor (LP, 1978) | Canção: 'Alice no curral das maravilhas' (Vital Farias e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Seu tipo". Ney Matogrosso. Selo Wea (LP/CD, 1979) | Canção: 'Trapaça' (Herman Torres e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Herman Torres". Herman Torres. Selo Polydor (LP, 1980) | Canções: 'Fruta do pé' - 'Lama das canções' - 'Peleja' -e- 'Trapaça' (Herman Torres/Salgado Maranhão)
:: Álbum "Taperoá". Vital Farias. Selo Epic - CBS (LP, 1980); Kuarup (CD, 2014) | Canções: 'Meu coração por dentro' (Salgado Maranhão e Herman Torres) -e- 'Prazer pelo avesso' (Vital Farias e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Vagando". Rosa Marya Colin. Selo Eldorado (LP, 1980) | Canção: 'Quem me abandona' (Herman Torres e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Canção de verão". Zizi Possi. Selo Polygram (LP/CD, 1981) | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão) 
:: Álbum "Paulinho da Viola". Paulinho da Viola. Selo WEA (LP, 1981) | Canção: 'Feito passarinho' (Paulinho da Viola e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Sagas brasileiras". Vital Farias. Selo Araponga - Lança e Polygram (LP, 1982) | Canções: 'Apesar da solidão' -e- 'Trem da consciência' (Vital Farias e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor". Amelinha. Selo CBS (LP, 1982) | Canções: 'Choro da lua' -e- 'Trem da consciência' (Vital Farias e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Quatro sucessos românticos". Zizi Possi. Selo Philips (CPD, 1982) | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Alegria". Elba Ramalho. Selo Ariola (LP/CD, 1982) | Canção: 'Olhos acesos' (Zé Américo e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Coração brasileiro". Elba Ramalho. Selo Barclay e Ariola (LP/CD, 1983) | Canção: 'Ave cigana' (Zé Américo e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Água e luz". Amelinha. Selo CBS (LP, 1984) | Canção: 'Alguma coisa' (Herman Torres e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Do jeito que a gente gosta". Elba Ramalho. Selo Barclay e Ariola (LP/CD, 1984) | Canção: 'Calmaria' (Zé Américo e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Feliz". Carlos Pita. Selo RCA Vik (LP, 1986) | Canção: 'Fogo' (Carlos Pita e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Fruto". Elba Ramalho. Selo Polygram (LP/CD, 1988) | Canção: 'A flor da magia' (Zé Américo e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Luzia Santana". Luzia Santana. Selo BMG - Ariola (LP, 1989) | Canção: 'Planeta desejo' (Carlos Pita e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Eugênio Avelino". Xangai. Selo Independente (LP/CD, 1990) | Canções: 'Mistura' -e- 'Punhos da serpente' (Xangai e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Mel da terra". Mel da Terra. Selo Independente (LP, 1991) | Canção: 'Coração felino' (Paulo Mattos e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Bahia de todos os cantos - Dos labutos". Xangai. Selo Estúdio de Invenções (LP/CD, 1991) | Canção: 'Suíte doce jabuticaba' (Xangai e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Caminhos de Sol". Yahoo. Selo EMI-Odeon (LP, 1994) | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão)
:: Álbum "A Viagem - trilha sonora da novela da Rede Globo". Diversos artistas. Selo Som Livre (LP, 1994) | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão) | Interpretes: Yahoo
:: Álbum "Anjo de mim". Ivan Lins. Selo Velas (CD, 1995) | Canção: 'Pra alegrar coração de moça' (Ivan Lins e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Interior". Naeno. Selo Batista da Rocha (CD, 1995) | Canções: 'Um aparte ao apartheid ' -e-  'Jamaica' (Naeno e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Compositores". O Terço. Selo Velas (CD, 1996) | Canção: 'Quem mata a mulher mata o melhor' (Ivan Lins e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Grandes mestres da MPB - vol. 2 - Paulinho da Viola". Paulinho da Viola. Selo Warner Music (CD, 1997) | Canção: 'Feito passarinho' (Paulinho da Viola e Salgado Maranhão)
:: Álbum "CIA Federal de Fundição". grupo CIA. Federal de Fundição [integrantes: Wagner Guimarães, Carlos Renha e Edson Barbosa]. Selo Independente (CD, 1997) | Canções: 'Fundição federal' -e- 'Penúltimo cais' (Salgado Maranhão e Wagner Guimarães)
:: Álbum "Millennium - 20 músicas do século XX". Zizi Possi. Selo Polygram (CD, 1998) | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Íntimos". Giovanna Miranda. Selo Independente (CD, 2001) | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão) 
:: Álbum "Aurora de paz". Elton Medeiros. Selo Rob Digital (CD, 2001) | Canção: 'Recato' (Elton Medeiros e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Águas daqui". Juliana Amaral. Selo Lua Discos (CD, 2002) | Canção: 'Revela' (Moacyr Luz e Salgado Maranhão)
:: Álbum "20 anos - ao vivo". Yahoo. Selo Atração Fonográfica (CD, 2008) | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão) 
:: Álbum "Um pouco de morro outro tanto cidade sim". Ângela Evans. Selo Biscoito fino (CD, 2008) | Canção: 'Recato' (Elton Medeiros e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Mais me vale uma canção". Salomão Di Pádua. Selo Independente (CD, 2009) | Canção: 'Veloz' (Zé Américo e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Construindo coisas pra se Cantar". Renan do Vale. Selo Independente (CD, 2009) | Canção: 'Olhos acesos' (Zé Américo e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Canção de verão". Nilson Lima. Selo Independente (CD, 2009) | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Cantos & contos 2". Zizi Possi. Selo Biscoito Fino (DVD, 2010) | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão) 
:: Álbum "Amorágio". Ivan Lins. Selo Som Livre (CD, 2012) | Canção: 'Amorágio' (Ivan Lins e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Cantos e Cordas Acústico". Chico Rey & Paraná. Selo Águia Muic (CD, 2014) | Canção: 'Caminhos de Sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Eu sou o caminho". Elba Ramalho. Selo Independente (CD, 2017) | Canções: 'Deixe o amor fazer a lei' -e- 'Não passarás' (Zé Américo e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Amanhã vai ser verão". Rosa Passos. Selo Independente (CD, 2018) | Canção: 'Aquário' (Rosa Passos e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Caderno de Lembranças". Tunai. Selo Independente (CD, 2019) | Canção: 'Vício de amar' (Tunai e Salgado Maranhão)
:: Álbum "Caminhos de Sol". Fátima Li. Selo Independente (CD, 2020) | Canção: 'Caminhos de Sol' (Salgado Maranhão e Herman Torres)
:: Álbum "Ancestral". Cláudia Simone. Selo EJ Music (CD, 2020)  | Canção: 'Caminhos de sol' (Herman Torres e Salgado Maranhão) 
:: Álbum "Tijolo por Tijolo". Alcione [Marrom]. Selo Biscoito (CD, 2020) | Canção: 'Lençóis' (Zé Américo e Salgado Maranhão)

Outros
:: Single "Caminhos de Sol: Utan Dig". Bia Melo (bilíngue português-sueco). Selo (2017) | Canção: Caminhos de sol (Herman Torres e Salgado Maranhão) 

Cinema

Filme "Boi de prata" - Roteiro e direção: Carlos Augusto Ribeiro Junior | Longa-metragem, 35mm, cor, ano 1980 | Música original/trilha e arranjos: Mirabô Dantas; Música: Salgado Maranhão | Canção-tema: 'O boi de prata' (Salgado Maranhão e Mirabô Dantas). Ficha técnica completa Aqui!

Televisão

A música "Caminhos de sol" (Salgado Maranhão e Herman Torres), interpretada pela banda Yahoo, foi incluída como tema na trilha sonora da telenovela "A viagem", da Rede Globo (1994).

Exposições

Exposição "Um Rio Salgado: a trajetória poética de Salgado Maranhão"

Apresentado em diversos painéis, reunindo: fotos, poemas, premiações, capas dos livros, álbum de família, reportagens e outros itens sobre a trajetória do artista.
Curadoria: Carlos Dimuro
2012 - 4 a 23 de setembro - Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura - São Paulo (SP). 
2013 -  5 a 30 de abril - Sesc Teresópilis (RJ)
2014 - 21 janeiro até ...? - Centro Criativo Odylo Costa Filho -  Praia Grande – São Luís/MA
2019 - 18 a 30 de Junho - Museu Memorial da Balaiada - Caxias (MA).


"O mundo nunca precisou tanto de poesia como agora. Se tudo o que temos é para transformar em dinheiro, então não somos pessoas, somos um supermercado. Vivemos na sociedade da ordem, do “experimente!”, do “compre já”. A publicidade quer parecer, mas a poesia quer apenas ser. O que fascina as pessoas é sua gratuidade, sua verdade genuína num mundo quase todo poluído pelo interesse material. A poesia não faz como a literatura de autoajuda, que aponta caminhos. Ela não dá receitas, dá autonomia. Não nos manda imitar o outro, quer que descubramos nosso próprio mapa."
- Salgado Maranhão, excerto da entrevista ao jornal O Globo, em 15 de julho 2012.


                      Salgado Maranhão - poeta, compositor e jornalista | foto (autoria não identificada)

Breve antologia de poemas do poeta Salgado Maranhão


A pelagem da tigra
São feitas de crisântemos as fibras
desse fogo que se molda à palavra
(e a esse jogo em que o amor se equilibra
como se a vida, então, lhe fosse escrava);
ou, talvez, da pelagem de uma tigra
(que ocultasse um vulcão em sua lava)
para blefar que fica enquanto migra
para fingir que beija quando crava.
Mas isto são hipóteses ou arenga
ao que se queira e não está à venda:
um terçar de lábios na carne brusca.
São só pegadas do que seja a lenda
de algum tesouro que se nos ofusca,
que ao tê-lo não se tenha mais que a busca.
- Salgado Maranhão, no livro "A pelagem da tigra". Rio de Janeiro: Booklink, 2009. 



§§


Broto de bambu

algum canto secreto me arrasta pra dentro de ti. viola

os meus direitos de pessoa física independente. logo

eu que nem quero o coração assim cavalo bravo, potro

remoendo as rédeas.  mas você nem fica aflita

e finta em mim na certeza de já ter

visto o fim do combate.  seu amor é coisa fina, é

cerâmica do Xingu, porcelana da China, broto de

bambu.  quanto aos seus olhos, são os da serpente

quando tem fome.

- Salgado Maranhão, no livro "Punhos da serpente". Rio de Janeiro: Achiamé, 1989.


§§


Delírica III

Há um rasgo de arco-íris

entre meu cais

                   e a tua íris,

uma voragem de lâminas

e cetins.


Tramas tua química de azuis

em dorso esplêndido

rosnas a febre líquida

a inundar teus lábios ocultos.


O instinto fez-se mar revolto

e as convulsões de sangue e cio

acordam cavalos em teu haras.


Urge que o fogo avance os limites

urge que o tempo em temporal

desate a trama das águas.

- Salgado Maranhão, no livro "A cor da palavra". Rio de Janeiro: Imago; Fundação Biblioteca Nacional, 2009.


§§


Desamanhecer

   Para Andréia Paola

Agora,

na cidade da tua ausência

outro dia

desamanhece. E súplice

um grito escorre na paisagem.

Todos os lugares

são feitos do teu antes.

Da janela,

a noite chega

com as mãos vazias. E

tudo ao fim se esvai

em volta

como um tecido de ventos.


Só meu coração insiste

em erigir teu nome...

para além do esquecimento.

- Salgado Maranhão, no livro "A cor da palavra". Rio de Janeiro: Imago; Fundação Biblioteca Nacional, 2009.


§§


Deslimetes 4

navalha um sol de azeviche

negride

– guerreiro em dorso de pedra.

desfruto de um tempo

escultor de tragédias.


procissão de navegantes rotos

clamores

que tocam para o sr. ninguém,

ventos que sopram para lugar nenhum,

assassinos que anunciam santos.


auroram prímulas de sangue

                                     e amargaridas

ávidas

nos meninos que trepam na chuva.


vagam vagões no caos

                – refúgios de ciclones –

risos em releases

almas de silicone.


onde se esgota a semântica do esgoto,

o tecido frugal do ser,

o ácido licor da espera?


vela a primavera

                     ao herói

e sua era,

rompe a lírica dos deuses

e sua dança de enigmas.


desentrevam luzes à barbárie.


e os surdos ouvem

e os cegos vêem.

- Salgado Maranhão, no livro "Palávora".  Rio de Janeiro: Editora Sette Letras, 1995.


§§


Do arbítrio

Das estrias que a mão

esculpe

só o que brilha

sobrevive.


Nômade a manhã

despe o sol

à flor

da carne,

múltipla,

à vertigem da linguagem.


Não há comportas

nem caminhos


não há saaras

nem vienas


em tudo há rinhas

e arestas

de flores

e esquifes.


Em tudo entalha-se

ao revés

coisas que se mostram

e não se dão,

que só no verso vêem-se,

no peeling pelo avesso.

(Delitos que em seu exílio

transbordam de rubro

a lira,

resenham através do júbilo,

rasuram através da ira.)


Sopra revanche de ritmos

no íntimo viés do não dito,


sopra o arbítrio dos dias.

- Salgado Maranhão, no livro "Sol sangüíneo". Rio de Janeiro: Imago, 2002.


§§


Do raio

Nem o acre sabor das uvas

nos aplaca. Nem a chuva


nos olhos incendidos

devolve o que é vivido.


O magma que nos evapora

tange o rascunho das horas


sob um raio de suspense.

Nem o que é nosso nos pertence.

- Salgado Maranhão, no livro "Sol sangüíneo". Rio de Janeiro: Imago, 2002.


§§


Cena verbal 13

Acolho este alfabeto de espanto

como quem se nutre na cuia de Deus.


Há luares nos pés do rocinante

que me arrasta a um reino

sem reinado.

                     Guardo na pele

a tarifa do fogo: em minha pele

de continente errante. Os vales

e os palácios de sombras

por onde escorrem os dias

                            inumeráveis,

serão sempre infindos: areia movediça

onde o sangue é saga.

                         Quem adoça

o deserto dos justos? Quem preserva

a trama dos cínicos?

- Salgado Maranhão, no livro "Avessos avulsos". Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2016.


§§


Do sopro

O sopro que intercepta

o self dos meninos

                          avança

s águas turvas

e o rasgo

             da mirada.


(Límpido perfil do gesto

atado ao transe.)


O sopro lume

                  e larva

pedra

       sangue

                 flor


face ao que consagra

e nutre,

face ao vário

                 desvario

onde anjos rotos

rezam aos abutres.


Há uma zona

em que os cristais

se partem

sob essa aragem ancestral

do sangue.

Há incêndios na raiz

do gesto. Vestígios

de pólvora nas palavras.

E quando há voz,

é a cicatriz que canta.

- Salgado Maranhão, no livro "Sol sangüíneo". Rio de Janeiro: Imago, 2002.


§§


Longe dorme o choro

das cacimbas tristes, refém

do cenário da memória. Longe


estou de mim, arrastado

ao sonho e ao arbítrio;


sendo só este UM

               que remanesce:

este GuajaNagô

            das póvoas

de sapê.


Sabendo ser só minha

a estamparia desses ontens,

intraduzíveis como o nunca

e os dias que me restam.

- Salgado Maranhão, no livro "O mapa da tribo". Rio de janeiro: 7letras, 2013.


§§


X. Nadires

A sanha que aquece a raiz dos úmeros

enseja ao coração um disparate,

ao desvelar o que é de flor em fero,

ao se tornar fiel ao que lhe mate.

 São forças que nos raptam a um sem número

de vezes e vieses e desates,

felizes perdedores desse embate;

nem no sonho que enlaça nossa íris

nessa teia de nadas e nadires

em que tudo se rende ao mesmo jogo.

Vem da palavra a sagração dos ritos:

esta relíquia de silêncio e gritos.

- Salgado Maranhão, no livro "A cor da palavra". Rio de Janeiro: Imago; Fundação Biblioteca Nacional, 2009.


§§


Negro soul

sou um negro,

orgulhosamente bem-nascido

à sombra dos palmares,

da grandemocracia

racial

ocidental

tropical.


sou bem um outdoor

de preto

com a cara pro luar

inflando a percussão

do peito

feito um anjo feliz.


sou mais que um quadro-negro

atrás de um giz: um livre livro.

e sangue de outras sagas;

e brilho de outros breus:

quanto mais me matam

mais eu sobrevivo.


(negro é feito cana no moedor,

sofre e tira mel da própria dor.)


vou tocando passos,

vou tocando ginga,

vou tocando, vou

a deitar sangue

nos cruzamentos,

colorindo a palidez

dos que não têm cor.


sou um negro,

rigorosamente um negro,

à sombra dos palmares

da grandemagogia

racial

ocidental

Tropicálice!

- Salgado Maranhão, no livro "A cor da palavra". Rio de Janeiro: Imago: Fundação Biblioteca Nacional, 2009.


§§


Origem

Do mar vêm os meus ancestres

remidos pelo tacão,

sou do sal dessas marés

ante o que houve e o que hão.


Das cores que me caiaram

já não distingo a mistura,

se de feijão com torresmo

ou café com rapadura.


A terra solta em meus pés

como se de vento fosse:

guarda um disfarce no amargo

e uma cicuta no doce.


Muitos me deitam louvores

entre a varanda e o fogão,

me abraçam com a mão no coldre,

me beijam como se não.

- Salgado Maranhão, no livro "O mapa da tribo". Rio de janeiro: 7letras, 2013.


§§


O cais está aberto

ao anagrama

dos teus pés. teus

pés recorrentes

ao sal e à maré. Porém

há uma manhã de seda

que te desenha miragens

no semblante. E

há vestes rubras

que te aguardam

nos espelhos. Tu

és o vento

que acorda a memória

e o velame dos barcos.

De onde te busco,

só ouço a cidade

rugindo metais.

Não te perdi

para os astros convulsos,

nem para o fauno

que desacata o amor,

te perdi para mim.

- Salgado Maranhão, no  livro "Opera de Nãos". Rio de Janeiro: 7Letras, 2015.  


§§


O grão que rasgou-me

com a palavra,

              veio

com casca. E trouxe

um coração febril

para ferver a noite.


Este grão ruído

de demoras

a colidir

como o osso

       (e um rosto

que é denúncia

e grife.)


Aferro-me ao pólen

desta voz

          que me solfeja

que é meu próprio

mapa anverso


O grão ruído da palavra

veio com casca,

              no raso

deste chão que piso

e que me ultrapassa.

- Salgado Maranhão, no livro "O mapa da tribo". Rio de janeiro: 7letras, 2013.


§§


O mapa da tribo

Louvado seja o rumor

do mar de São Marcos

que me lava os rastros;

louvado seja o chão

que me resume.

– Chão de rixas sob metáforas.


Falo na voz dos ausentes:

(Urubus, Guajás, Timbiras):

“Os primeiros fizeram

as escravas de nós;

nossas filhas roubavam

logravam

e vendiam após”.


Falo dos que me derivam:

(Yorubá, Gegê, Nagô):

“Não precisa prendê

quem tem pretos p‟herdá

e escrivão p‟escrvê;

basta tê

burra d‟ouro e casá”.


Ó vento ancestral

das línguas que me rasuram!

Recluso em meus anexos

Meus ontens me procuram.

- Salgado Maranhão, no livro "O mapa da tribo". Rio de janeiro: 7letras, 2013.


§§


O sertão mordeu meus calcanhares. O ser-


tão é um coite vestido

de súplica (sem que eu visse, abriu

cáries em minhas lembranças);

eis como sangra o poema

vestido

de ausentes;

eis minhas unhas de barro

e servidão.


Em meu corpo

o verão plantou cigarras,

ergueu palavras sobre ruinas

(e essa hipérbole

para além do havido.)


Por onde passo

até as pedras uivam.

- Salgado Maranhão, no livro "O mapa da tribo". Rio de janeiro: 7letras, 2013.


§§


Palavra

a palavra coexiste no dilúvio

ao açoite do sangue nas pedras.

a palavra é a pedra – o arquétipo

que dança.

e o tempo do fogo flama

e a memória das águaslavra

en/canto e plenilúnio.


a palavra lavra o tempo

naja imaginária

submersa no invisível mar,

godiva do cais dos loucos

deusa do silêncio.


a palavra em si é cio

virtude

          a divertir o vício

de saber saber.

- Salgado Maranhão, no livro "Palávora". [Prefácio de Silviano Santiago]. Rio de Janeiro: Editora Sette Letras, 1995.


§§


Sentença

faz muito tempo que eu venho

nos currais deste comício,

dando mingau de farinha

pra mesma dor que me alinha

ao lamaçal do hospício.

e quem me cansa as canelas

é que me rouba a cadeira,

eu sou quem pula a traseira

e ainda paga a passagem,

eu sou um número ímpar

só pra sobrar na contagem.


por outro lado, em meu corpo,

há uma parte que insiste,

feito um caju que apodrece

mas a castanha resiste,

eu tenho os olhos na espreita

e os bolsos cheios de pedras,

eu sou quem não se conforma

com a sentença ou desfeita,

eu sou quem bagunça a norma,

eu sou quem morre e não deita.

- Salgado Maranhão, no livro "Punhos da serpente". Rio de Janeiro: Achiamé, 1989.


***

                  Salgado Maranhão - poeta e compositor - foto (autoria não identificada)

Fortuna crítica - Salgado Maranhão

[Estudos acadêmicos - teses, dissertações, livros ensaios, artigos, matérias jornalísticas e entrevistas]

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss ilustrado Música Popular Brasileira. [criação e supervisão geral Ricardo Cravo Albin]. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss; Instituto Cultural Cravo Albin; Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. A Letra & a Poesia na MPB: semelhanças & diferenças. Rio de Janeiro: EAS Editora, 2019.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008; 2ª ed. Esteio Editora, 2010; 3ª ed. EAS Editora, 2014.
ANDRADE, Samária. Adestrador de palavras: Salgado Maranhão: “De tantos que me tornei, já não me retorno ao mesmo” [participaram da entrevista: Wellington Soares, Samária Andrade, Demetrios Galvão, André Gonçalves]. in: Revestrés, Teresina, n. 19, abr. 2015, p. 8-19. Disponível no link. (acessado em 1.10.2020)
ARAGÃO, Daniela. Entrevista com o poeta Salgado Maranhão. in: Acessa.com. Disponível no link. (acessado 1.10.2020).
BEZERRA FILHO, Feliciano José; SOUZA, Elio Ferreira de. (org). A poesia de Salgado Maranhão sob a perspectiva afrodescendente. 1ª ed., Teresina: FUESPI, 2014. 
BPP/PR. Poemas - Salgado Maranhão. in: Cândido - Jornal da Biblioteca Pública do Paraná, s/data. Disponível no link. (acessado em 30.9.2020)
CARVALHO, João Batista Sousa de.. A poesia afro-brasileira de Salgado Maranhão: trilhas de identidade e memória em O Mapa da Tribo. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Estadual do Piauí, Teresina, UESPI, 2015. Disponível no link. (acessado em 29.9.2020).
CARVALHO, João Batista Sousa de; SOUZA, Elio Ferreira de. A poesia de Salgado Maranhão sob uma perspectiva afrodescendente. in: FERREIRA, Elio; FILHO, Feliciano José Bezerra (Org.). Literatura, Narrativas e Identidades Culturais: afrodescendência, africanidades e indígenas. Teresina: FUESPI, 2014, v. 1. (e-book).
CHAVES, Xico; CYNTRÃO, Sylvia. Da Pauliceia à Centopeia Desvairada - as Vanguardas e a MPB. Rio de Janeiro: Elo Editora, 1999.
COSTA, Eduarda Rodrigues. Vozes afrodescendentes e metalinguagem na poesia de Salgado Maranhão. in: Literafro (UFMG), 31 Janeiro de 2018. Disponível no link. (acessado em 7.10.2020).
COSTA, Eduarda Rodrigues; PEREIRA, Edimilson de Almeida. Sol sanguíneo, de Salgado Maranhão. in: Passeiweb, 6 de junho de 2013. Disponível no link. (acessado em 9.10.2020)
COSTA, José Ribamar Neres. Letras Vivas: Salgado Maranhão. in: O Estado do Maranhão, São Luís, p. 4 - 4, 4 fev. 2014.
COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante. Enciclopédia de Literatura Brasileira. 2ª ed. revista, ampliada, atualizada e ilustrada sob a coordenação de Graça Coutinho e Rita Moutinho. São Paulo: Global Editora; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional/DNL: Academia Brasileira de Letras, 2001. 2 V, p. 1316 e 428.
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ENTREVISTA. Salgado Maranhão: "A poesia é o lugar do coração que pensa" [entrevistado por Wellington Soares e Isabel Cardoso]. in: Meio Norte, 16.2.2014. Disponível no link. (acessado 3.10.2020).
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SOUZA, Iracy Conceição de.. A experiência poética com o indizível: Ana Luisa Amaral, João Maimona e Salgado Maranhão. (Tese Doutorado em Letras). Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ/FL, 2014. Disponível no link. (acessado em 4.10.2020).
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SOUZA, Iracy Conceição de.. A reinvenção do dizível na poesia de Salgado Maranhão. Coleção Ciranda da poesia. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2012. 
SOUZA, Iracy Conceição de.. Salgado Maranhão: A vertigem horizontal. in: Brasil (Porto Alegre), v. 44, p. 92-107, 2011.
SOUZA, Iracy Conceição de.. Em torno da poesia de Salgado Maranhão. Cultura ─ Jornal angolano de Artes & Letras. nº 13 – ano 1- Setembro de 2012. p. 25-27.
SOUZA, Iracy Conceição de.. Entrevista com Salgado Maranhão: "Poeta é aquele que não sabe ser de outro jeito." in: O Marrare (Online) - UERJ, Rio de Janeiro, v. 14, p. 165-185, 2011. Disponível no link (acessado 3.10.2020).
TEODORO, Alexandra. 'Ópera de Nãos' traz a poesia mais intensa de Salgado Maranhão. in: Portal AZ, 5.1.2016. Disponível no link. (acessado em 9.10.2020).
VALENTE JUNIOR, Valdemar. A cor da palavra: forma e sentido na poesia de Salgado Maranhão. in: Revista Landa, v. 4, p. 156-165, 2016.  
VALENTE, Luiz Fernando. "O traço apolíneo de Salgado Maranhão". in: Alceu: revista  de comunicação e política, 4.7, p. 141-149, 2013.
VALENTE, Luiz Fernando. Salgado Maranhão: Poetry and Resistance. in: Elyra, vol. 1, 3/2013. Disponível no link. (acessado 3.10.2020).
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VALENTE, Luiz Fernando. O traço apolíneo de Salgado Maranhão. In: PEREIRA, Edmilson de Almeida (org.). Um tigre na floresta de signos: estudos sobre poesia e demandas sociais no Brasil. Belo Horizonte: Mazza, 2010, p. 460-467.
VAZ, Toninho. A biografia de Torquato Neto. Curitiba: Editora Nossa Cultura, 2013.


Salgado Maranhão, em caricatura  de João de Deus Netto
Áudios/vídeos -  algumas entrevistas e reportagens

TVSENADO. Leituras - Salgado Maranhão. in: Tv Senado, 10.7.2010. Disponível no link. (acessado 5.10.2020).
TVASSEMBLEIAPI. Sarau 16 entrevista o poeta Salgado (apresentador Octávio César) - Bloco 1.. in: TV Assembleia do Piauí. Disponível no link. (acessado 5.10.2020)
FEITOEMCASA. Salgado Maranhão fala sobre poesia e título Honoris Causa [Entrevista]. in: Feito em Casa/TVCidadeVerde. Disponível no link. (acessado em 5.10.2020)
CONVERSANOJARDIM. Cineas Santos entrevista Salgado Maranhão. in: Conversa no Jardim/TVCidadeVerde. Disponível no link. (acessado em 5.10.2020).
CADEIRANACALÇADA. (Cineas Santos - jornalista). Cadeira na Calçada recebe poeta Salgado Maranhão. in: TVCidadeVerde. Disponível no link. (acessado em 5.10.2020).
FEITOEMCASA. (Cineas Santos - jornalista). Poeta Salgado Maranhão e professor Alexis Levitin são convidados do Feito em Casa. in: TVCidadeVerde. Disponível no link. (acessado em 5.10.2020).
SALGADO Maranhão and Alexis Levitin: Evening of Poetry. in: Lane Community College Media Services,  April 19, 2016. Assista: Part 1 - e - Part 2. (acessado em 5.10.2020).
FEITOEMCASA. (Cineas Santos - jornalista). Escritor Salgado Maranhão lança livro 'Avessos e Avulsos'. in: TVCidadeVerde. Disponível no link. (acessado em 5.10.2020).
MARANHÃO, Salgado. "Palavras em Cena" do Armazém Cultural o entrevistado é o poeta e escritor Ferreira Gullar. Disponível no link. (acessado em 8.10.2020).
SINALVERDECAXIAS. Poeta Salgado Maranhão visita local onde nasceu e viveu até os 15 anos de idade. [Reportagem de Ricardo Marques]. in: Sinal Verde Caxias. s/data. Disponível no link. (acessado em 9.10.2020)
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CaricaturaSalgado Maranhão, por Netto [João de Deus  Netto]

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                                    Salgado Maranhão - poeta e compositor - foto (autoria não identificada)

Salgado Maranhão e seu protesto mundial em defesa da Amazônia

Três Poetas na Amazônia. O artigo faz parte da série de Opinião A Amazônia já viu nosso futuro, sobre como os povos da região vivenciam as versões mais extremas dos problemas do nosso planeta.

Um dos mais prestigiados jornais do mundo, o New York Times publicou um poema inédito do poeta maranhense Salgado Maranhão(#1). Caxiense, ele dividiu uma página do diário nova-iorquino com a amazonense Astrid Cabral e o mexicano Homero Aridjis – as ilustrações são de Paola Saliby. Sob o título “Três poetas na Amazônia”, os poemas refletem a atual situação da região, que, como também o Pantanal, arde em fogo ante a inoperância e a cumplicidade do governo federal.

Eis, o poema de Salgado em edição bilíngue com a arte de Paola Saliby:



Índio velho

Eles já pegaram nosso couro

e nosso sangue,

eles já sortearam nossa terra

com todos os seus nomes sagrados

(e deixou-o despojado até o osso).

Insaciável, agora eles nos negociam

para carne.


Não à seiva do agronegócio!

Não a um destino de agro-morte!

Não ao Kindle em um mundo sem parentes!

A flora geme,

a fauna geme,

o rio rico em mercúrio geme.

É a floresta que veste o índio.

Deixe-nos o pouco que resta!

As flores não podem brotar das chamas.


***


Old indian

They’ve already taken our hide

and our blood,

they’ve already raffled off our land

with all its sacred names

(and left it stripped to the bone).

Insatiable, now they trade us in

for beef.


No to the sap of agro-business!

No to a fate of agro-death!

No to Kindle in a world without kin!

The flora moans,

the fauna moans,

the mercury-rich river moans.

It is the forest that clothes the Indian.

Leave us the little that remains!

Flowers cannot sprout from flames.

- Salgado Maranhão [tradução Alexis Levitin]. na matéria "Three Poets on the Amazon". in: The New York Times, 2.10.2020. {This article is part of the Opinion series The Amazon Has Seen Our Future, about how the people of the region are living through the most extreme versions of our planet's problems.}. Disponível no link. (acessado em 6.10.2020).

(#1) Salgado Maranhão, winner of all of Brazil's major poetry awards, has toured the United States five times, presenting his work at over one hundred colleges and universities. In addition to fourteen books of poetry, he has written song lyrics and made recordings with some of Brazil’s leading jazz and pop musicians.  He has published three collections of his work in English: Blood of the Sun (Milkweed Editions, 2012), Tiger Fur (White Pine Press, 2015), and Palavora (Dialogos Books, 2019). A fourth collection, Mapping the Tribe, will be published in 2020. On Nov. 13, 2017, Salgado received an honoris causa doctorate for his cultural achievements from the Federal University of Piaui in Teresina, Brazil.

***

UM RIO SALGADO
    Para Salgado Maranhão

Apesar de navegar sereias,
não é doce
o rio que corta
o teu poema.

Sabem-se salgados
os escombros que se escondem
sob as escamas da tua escrita.
E o que em ti é peixe,
se debate em guelras e guerras
numa incansável
respiração boca a boca
com a palavra. 

A salinidade ancestral
de tuas águas,
refinada pelos deuses,
tempera o profano:
o sagrado no salgado.
 
No rio que segue
o curso líquido dos mistérios
da linguagem,
um cardume de versos
anuncia o mar.

- Carlos Dimuro, em "Poesia sempre" [editor Marco Lucchesi]. nº 28, ano 15. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2008.

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Editora do Autor 



Salgado Maranhão nas redes sociais 



"Já era lúdico o latejar da luz nos olhos ante a infalível espera da manhã servil. E o ruminar da loucura ilustrada pelo silêncio. Já era férrea a fé cavando a pedra. E a porta aberta ao nunca. Nessa entranha de enigmas uma voz ousou lapidar meu delírio. Junto às armas vencidas e a semente dos mortos. Junto ao cio desta nuvem que ri."
- Salgado Maranhão, no livro "O mapa da tribo". Rio de janeiro: 7letras, 2013.
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CaricaturaSalgado Maranhão, por Cássio Loredano


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Salgado Maranhão - poeta dos acordes literários e musicais. Templo Cultural Delfos, outubro/2020. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 9.10.2020.



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Um comentário:

  1. Meu caro amigo Salgado, de tanto tempo, que prazer reler poemas teus, conhecer alguns que não conhecia e ver a tua história contada aqui. É uma bela história. Abracadabraço do Cesar

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