Luis Turiba - o poeta andarilho

Luis Turiba - foto: Arquivo do autor
Luiz Artur Toribio (poeta, jornalista, compositor, sambista e agente cultural). Nasceu no Estado de Pernambuco em 15 de março de 1950, sendo criado no Rio de Janeiro.  Na década de 1970, como jornalista, trabalhou em diversos veículos de comunicação, entre os quais jornal O Globo e a Revista Manchete. Em 1977, no Rio de Janeiro, publicou o livro de poesias "Kiprokó".  A partir do ano de 1979, residindo em Brasília, passou a trabalhar no jornal Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil e no Correio Braziliense. No ano seguinte, em 1980, editou o livro de poemas "Clube do Ócio". Trabalhou como Assessor de Imprensa  da Câmara Legislativa, do Senado Federal e na Assembleia Nacional Constituinte. Em 1982 lançou "Luminares" (Poesias). No ano de 1985, ainda em Brasília, junto à Resa, Jorge Borges e Lúcia Leão, fundou e foi um dos editores da revista de poesia experimental "Bric-a-Brac", editada entre 1986 a 1992. Em 1988 editou o livro de poesias "Realejos". No ano de 1998 lançou antologia poética "Cadê?". Ganhou dois prêmios "Esso de Jornalismo", sendo um na categoria "Regional" e outro categoria "Cultural". Em 2005 lançou o livro de poesias intitulado "Bala". Integrou a equipe do Ministro Gilberto Gil no MinC por quatro anos, sendo o responsável pela produção do livro "Do-In Antropológico", com os principais discursos do ministro. Também produziu os DVDs "Gil na ONU" e "Programa Mundial de Capoeira". Em 2007 foi selecionado pela "Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Literária" para produção de um livro de poesias. No ano de 2010 lançou o livro infantil "Luísa Lulusa, a atriz principal". Neste mesmo ano lançou, em Brasília, o livro "Meia oito", pela editora OiPoemas, fruto de sua bolsa da Funarte. Voltou ao Rio em 2012 e em 2013 publicou pela 7Letras o livro poemas "Qtais". Em 2015 publica "Inocentes eróticos". E mantém o Blog do Turiba
:: Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB - com atualizações feitas pelos editores deste site (acessado em 29.3.2016)


Luis Turiba - foto: Arquivo do autor
OBRA DO POETA LUIS TURIBA
Poesia
:: Kiprokó. Rio de Janeiro: edições do autor, 1977.
:: Clube do ócio. Brasília: edições do autor, 1980.
:: Luminares. Brasília DF: Editora Gráfica Brasiliana, 1983. 
:: Realejos. Brasilia: Bric a Brac, 1988.
:: Cadê? - antologia. Brasília: Paralelo 15, 1998.
:: Bala. [ilustração Balas Cariocas]. Salvador, Bahia: P555 Edições, 2005,  116p.
:: Livro na rua. micro-antologia. Série Escritores Brasileiros - contemporâneos, 17. Brasília: Thesaurus Editora, 2005. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).
:: Meiaoito 68 Razões de 68. (Coleção Oi Poema, v. 1). Brasília: Athalaia Gráfica e Editora, 2010, 152p.  
:: Qtais. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2013, 162p.
Luis Turiba - foto: Arquivo do autor
:: Inocentes eróticos. Poemas. [autores Luis Turiba e Luca Andrade; ilustrações Tarciso Viriato, Alex Moraes] Rio de Janeiro: Tertulia Artesanato Cultural, 2015, 34p.

Infanto-juvenil
:: Luísa Lulusa, a atriz principal. [Desenhos e colagens de Carlos Lambash]. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2010.

Antologias (participação)
:: 16 porretas. [organização Climério Ferreira]. Gráfica do Sindicato dos Jornalistas, 1979, 129p.
:: Poesia de Brasília. [organização  Joanyr de Oliveira]. Rio de Janeiro: Editora Sette Letras, patrocinada pelo FAAC/Secretaria de Cultura do DF, 1998.
:: Obranome 2. [curador Wagner Barja]. Brasília: Museu Nacional de Brasília, 2008.
:: Deste planalto central - poetas de Brasília. [organização Salomão Sousa]. Brasília: FAC/Ed. Thesaurus|Biblioteca Nacional de Brasília|Câmara do Livro do Distrito Federal, 2009.
:: Poesia para mudar o mundo. Bloco Online, 2013. 

Ensaios e artigos em revistas, jornais e sites
TURIBA, Luis. A poetografia de Manoel de Barros. in: Revista Biografia. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).
_______ . Mais de mil palhaços do Brasil. in: O Globo, 8 fevereiro 2016. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).
_______ . Luis Turiba: Cuiqueiros da Ribalta. in: O Dia, 7.2.2013. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).


Luis Turiba - foto: Arquivo do autor
BREVE ANTOLOGIA POÉTICA DE LUIS TURIBA

aviso prévio
meu coração é uma uva
pulsa explode abusa pluga

meu coração é rebelde
vive ameaçando greve

meu coração trapezista
dá nó nas próprias tripas

meu coração maiakóvski
quanto mais sofre mais love

o cardiologista dá as cartas
— todo cuidado, meu chapa
ou se sinquadra ou infarta!
- Luis Turiba, em "Meiaoito 68 Razões de 68". (Coleção Oi Poema, v. 1). Brasília: Athalaia Gráfica e Editora, 2010. 

§

Bico da torre
A sombra do bico da torre na terra
Faz o ponteiro
Que marca o preciso momento e o destino
Da gente se amar.

São flocos de nuvens que pairam
No céu de Brasília
Dão na vista textura arquitetura obra de artista

São blocos caiados de branco
Banhados de chuva e de luz
Necessidade nessa cidade
De afeto é o que conduz

Me induzo a ficar a pensar
Que sou o céu.

E o bico da torre é a antena
Que marca o momento apenas
- Luis Turiba, em "Livro na rua". micro-antologia. Série Escritores Brasileiros - contemporâneos, 17. Brasília: Thesaurus Editora, 2005.

§

Borboletras,      borboletrem!
Quando você borboleta
Eu te aero o porto
Quando você bicicleta
Eu me arco e flecha
Quando você me poeta
Eu te arreio rimas
Quando você se planeta
Eu te arejo o cosmos
Quando você me soletra
Eu te armo pousos
Quando você se escopeta
Eu te arte em balas
Quando você biblioteca
Eu te aço as bíblias
Quando você m’encapeta
Eu te a eros gozos
- Luis Turiba, em "Livro na rua". micro-antologia. Série Escritores Brasileiros - contemporâneos, 17. Brasília: Thesaurus Editora, 2005.

§

DeseStresseio
Stress é um aperreio
Nasce nos pés
Vem sem freio
Cresce no bigo
Corre nos veio
Inté chegar
No último fio
Dos penteio

Para domá-lo
Pare! Pense!
Puxe os arreio
Vá ao esvazeio!

Seio ou não seio?
Tudo é uma questão
De filosofeio
- Luis Turiba, em "Bala". Salvador, Bahia: P555 Edições, 2005.

§

Falecido
Pode ter medo
Até de barata
Menos de amor
Luis Turiba - foto: Arquivo do autor
Que é o grande barato
Do criador

Quando em mim
Morre um amor
Morro junto

Vou ao velório
Mando flores
Consolo a viúva
Faço missa de sétimo dia

Rei morto, rei posto
Vida que segue
Mesmo a contragosto

Se o falecido morreu
Antes ele, do que eu

Quando eu for
Quero ir como flor
Sorriso no peito
Leve perfume de dor
- Luis Turiba, em "Qtais". Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2013.

§

Língua à brasileira
Ó órgão vernacular alongado
Hábil áspero ponteado
Móvel Nobel ágil tátil
Amálgama lusa malvada
Degusta deglute deflora
Mas qual flora antropofágica
Salva a pátria mal amada

Língua-de-trapo Língua solta
Língua ferina Língua douta
Língua cheia de saliva
Savará Língua-de-fogo e fósforo
Viva & declinativa
Língua fônica apócrifa
Lusófona & arcaica
Crioula iorubaica.

Língua-de-sogra Língua provecta
Língua morta & ressurecta
Língua tonal viperina
Palmo de neolatina
Poema em linha reta
Lusíadas no fim do túnel
Caetano não fica mudo
Nem “Seo” Manoel lá da esquina

Por ti Guesa Errante, afro-gueixa
O mar se abre o sol se deita
Por Mários de Sagarana
Por magos de Saramago
Viva os lábios!
Viva os livros!
Dos Rosas Campos & Netos
Os léxicos Andrades, os êxtases
Toda a síntese da sintaxe
Dos erros milionários
Desses malandros otários
Descartáveis, de gorjetas.
Língua afiada a Machado
Afinal, cabeça afeita
Desafinada índia-preta
Por cruzas mil linguageiras
A coisa mais Língua que existe
É o beijo da impureza
Desta Língua que adeja
Toda a brisa brasileira
Por mim
                Tupi,
                               Por tu Guesa
- Luis Turiba, em "Livro na rua". micro-antologia. Série Escritores Brasileiros - contemporâneos, 17. Brasília: Thesaurus Editora, 2005.

§

Jóia da coroa
diamantina é um extraordinário 
quebra-cabeça
do sonho lusitano em terras brasileiras
a jóia da coroa no arraial do tejuco
bem acima da vila rica do ouro bruto

dínamo dos diamantes
música para amantes

com quantas pedras foi construída?
quantas almas
sangues vidas
quantos escravos
homens mulheres
mandos desmanchos
grandezas detalhes
pepitas petardos?

praça das missões
rua da glória
rua da luz
macau de cima
caminho do escravo
macau de baixo
macau do meio
beco do tejuco

brasil é um beco do mota
romanceiro inconfidente
o som do clube de esquina
liberdade sol do oriente 
- Luis Turiba, em Meiaoito 68 Razões de 68". (Coleção Oi Poema, v. 1). Brasília: Athalaia Gráfica e Editora, 2010. 


§


Oração para nossa senhora da bala perdida
Mãe,
Afaste de mim esta bala
Este dardo inflamável
Esta seta diuturna
Este terror sem rumo
Este projétil alado e raso

Pois já que elas não cessam
Que pelo menos nos errem

Rogai por nós os passantes
Os transeuntes os pedestres
Os motoristas e as crianças
E principalmente as mães

Não nos faça alvos fáceis
Desta chuva de petardo
Não nos atinja o corpo
Nem a alma nem os prantos

Que veloz, não me alcance
Que sua força não me curve
Que seu fogo não me queime
Que o acaso não me derrube

Eu que diariamente passo
Por favelas becos vielas
Por túneis curvas células
Eu que faço o bom combate

Protegei as nossas vísceras
Das emboscadas bandidas
Dos acertos entre quadrilhas
Do fogo amigo ou polícia
Só te peço oh mãe amiga
Santa do cotidiano
Poupe-nos o banho de sangue

De passagem tão insana
- Luis Turiba, em "Qtais". Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2013.

§

Passagem
quanto mais leve o fardo
mais farta é a levitação

e cada passo
um descongelamento
de um futuro avivamento

o bom da morte
é a inacessível condição
de cerimônia de passagem
deixa tudo em suspensão
no mergulho fascinante
compromissos amores certezas
e as contas a pagar
tal qual porto
ou parto
- Luis Turiba, em "Qtais". Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2013.



POESIA ERÓTICA
Luis Turiba em "Inocentes eróticos". Poemas. [ilustrações Tarciso Viriato, Alex Moraes]. 
Rio de Janeiro: Tertulia Artesanato Cultural, 2015.


Luis Turiba em "Inocentes eróticos". Poemas. [ilustrações Tarciso Viriato, Alex Moraes]. 
Rio de Janeiro: Tertulia Artesanato Cultural, 2015.

POESIA INFANTIL
Luis Turiba, em "Luísa Lulusa, a atriz principal".
[Desenhos e colagens de Carlos Lambash].
Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2010.

Luis Turiba, em "Luísa Lulusa, a atriz principal". 
[Desenhos e colagens de Carlos Lambash]. 
Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2010.

Flagrante
Lágrima na floresta
Testemunha sexo selvagem
Entre a motosserra e a árvore
- Luis Turiba, em "Livro na rua". micro-antologia. Série Escritores Brasileiros - contemporâneos, 17. Brasília: Thesaurus Editora, 2005.



Luis Turiba - foto: Arquivo do autor
FORTUNA CRÍTICA DE LUIS TURIBA
ARIAS, Lalo. Revista Bric-a-Brac revisitada. in: revista Musara, 7.3.2012. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).
AUGUSTO, Ronald. Bala: a "bricolage" poética de Luis Turiba. in: artistas gauchos, 5.5.2008. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).
CASTELLO, José. Poesia e alegria. in: Gazeta do Povo, 8.2.2014. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).
COSTA, Luiz Carlos Guimarães da.. História da literatura brasiliense. Brasília: Thesaurus Editora, 2005.
FREITAS, Marcos. Bric-a-Brac, Maior Idade. in: Em Verso e Pros@, 2 julho de 2007. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).
HOLLANDA, Heloísa Buarque; PEREIRA, Carlos Alberto Messeder. Literatura Comentada - poesia jovem anos 70. Rio de Janeiro: Editora Abril Cultural, 1982.
KHOURI, Omar. Revistas na era pós-verso: revistas experimentais e edições autônomas de poemas no Brasil dos anos 70 aos 90. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004.
MEDEIROS, Jotabê. Revive em Brasília a publicação cult Bric-a-Brac. in: Caderno 2, O Estado de S. Paulo, 14.6.2007 | reproduzida em DO Próprio Bol$so. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).
MILLARCH, Aramis. "Bric à Brac", a grande revista das vanguardas. in: Almanaque, Estado do Paraná, 19 de julho de 1991 | reproduzida em "Millarch". Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).
SANTOS, Tiago Borges dos.. Lira Pau-Brasília. (Dissertação Mestrado em História). Universidade de Brasília, UnB, 2008. Disponível no link e link. (acessado em 29.3.2016).
VIEIRA, José Carlos; FRANCISCO, Severino; MAGGIO, Sergio. Muito prazer - Luis Turiba. in: Correio Braziliense, 12.9.2010. Disponível no link. (acessado em 29.3.2016).



Bric-a-Brac - catálogo-revista
EXPOSIÇÃO E CATALOGO DA REVISTA EXPERIMENTAL BRIC-A-BRAC 
:: Bric-a-Brac - catálogo-revista. [editores Luis Turiba e Resa; curadoria Marília Panitz]. Brasília: Caixa Cultural, 2007, 112p.
Revista experimental Bric-a-Brac, 21 anos após sua primeira edição, em 1986. Estamos falando do catálogo da exposição Bric-a-Brac, Maior Idade que lançado gratuitamente dia 10 de julho de 2007, num grande recital poético no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal (CEF) de Brasília.


revista Bric-a-Brac - ano II - nº 2 

Manoel de Barros. Poema publicado na revista Bric-a-Brac nº 3

O poeta e a alquimista
bebo água como te bebo
límpida líquida corrente
cada gole goela abaixo
fluidos positivos de saúde
suor e saudades
folhas cubram
nossos caminhos
de clorofila e paixão
- Luis Turiba, publicado no Blog do Turiba.



Luis Turiba - foto: Arquivo do autor
BLOGUE E CONTATO DO AUTOR
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OUTRAS FONTES E REFERÊNCIAS DE PESQUISA
:: Antonio Miranda I - Antonio Miranda II
:: Bric-a-Brac


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Luis Turiba - o poeta andarilho. Templo Cultural Delfos, março/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 28.3.2016.



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2 comentários:

  1. Turiba, além dessa fantástica produção poética, produz efeitos maravilhosos em tudo e todos que o rodeiam. É um ser iluminado, que transborda entusiasmo, transpira amor, transforma o mundo num lugar melhor para se estar. Isso tudo com uma simplicidade impressionante! Sou fã de carteirinha e amiga para sempre!

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  2. Que maravilhoso depoimento querida Cris: parceiros para sempre

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