Gabriela Mistral - uma viagem pela linguagem poética

Gabriela Mistral - foto: (...)
"Lo que el alma hace por su cuerpo, es lo que el hombre hace por su pueblo."
- Gabriela Mistral, 'epitafio' [inscrito na lápide].


"Vim de um labirinto de colinas e alguma coisa desse nó fica em tudo o que faço, seja verso, seja prosa."
- Gabriela Mistral, em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002, p. 14.


Gabriela Mistral,  pseudônimo de Lucila de Maria do Perpétuo Socorro Godoy Alcayaga (Vicuña/Chile, 7 de abril de 1889 – Nova Iorque/EUA, 10 de janeiro de 1957), foi uma poeta, diplomata e pedagoga chilena. Gabriela Mistral, uma das principais personagens da literatura chilena e latino-americana, foi a primeira pessoa latino-americana e a primeira mulher americana a ser agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945.
Filha de Juan Jerônimo Godoy Villanueva, professor, e Petronila Alcayaga Rojas, de ascendência basca. Gabriela Mistral nasceu em Vicuña, cidade na qual existe hoje um museu dedicado a ela na rua onde nasceu e que hoje tem seu nome. Com dez dias de nascida, seus pais a levaram para La Union (Pisco Elqui), mas seu "amado povoado", como ela mesma dizia, era Montegrande, onde viveu dos três aos nove anos, e onde pediu que fosse enterrada.
Seus avós paternos, oriundos da atual região de Antofagasta, foram Gregório Godoy e Isabel Villanueva; e os maternos, Francisco Alcayaga Barraza y Lucía Rojas Miranda, descendentes de famílias proprietárias de terras do Vale de Elqui. Mistral teve uma meia irmã, que foi sua primeira professora, Emelina Molina Alcayaga, cujo pai foi Rosendo Molina Rojas. Embora seu pai tivesse abandonado o lar quando ela tinha aproximadamente três anos, Gabriela Mistral sempre gostou dele e o defendeu. Conta que "revolvendo papéis", encontrou uns versos dele, "muito bonitos". "Esses versos de meu pai, os primeiros que li, despertaram minha paixão poética", escreveu. 
Aos 15 anos se apaixonou platonicamente por Alfredo Videla Pineda, homem rico e belo, 20 anos mais velho, com quem se correspondeu por carta durante quase um ano e meio. Depois conheceu Romélio Ureta, um funcionário das ferrovias. Ele sacou um dinheiro da caixa da ferrovia onde trabalhava com a finalidade de ajudar um amigo; como não pôde devolver, Ureta se suicidou. Mais tarde – com base em sua vitória nos Jogos Florais com Sonetos da Morte, versos que relacionaram com o suicida – nasceu o mito, que teve ampla difusão, do grande amor entre ambos. 
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Em 1904 começa a trabalhar como professora ajudante na Escola da Companhia Baixa em La Serena e começa a mandar colaborações ao jornal serenense El Coquimbo. No ano seguinte continua escrevendo nele e em La Voz de Elqui, de Vicuña.
Desde 1908 é professora em La Cantera e depois em Los Cerrillos. Não estudou pedagogia, já que não tinha dinheiro para isso, mas posteriormente, em 1910, validou seus conhecimentos na Escola Normal N° 1 de Santiago e obteve o título oficial de Professora do Estado, com o que pôde exercer a docência no nível secundário. Este fato lhe custou a rivalidade de seus colegas, já que recebeu o título como validação de seus conhecimentos e experiência, sem ter frequentado o Instituto Pedagógico da Universidade do Chile. Posteriormente seu valor profissional ficou demonstrado ao ser contratada pelo governo do México para assentar as bases de seu novo sistema educacional, modelo que atualmente se mantém vigente quase em sua essência, pois sofreu apenas algumas modificações no sentido de atualizá-lo.

Início da atividade literária
Em 12 de dezembro de 1914 obtém o primeiro prêmio no concurso de literatura dos Jogos Florais organizados pela FECh em Santiago, por seus Sonetos da Morte.
Desde então utilizou o pseudônimo literário Gabriela Mistral em quase todos os seus escritos, em homenagem a dois de seus poetas favoritos, o italiano Gabriele D'Annunzio e o francês Frédéric Mistral. Em 1917 Julio Molina Nuñez e Juan Agustin Araya publicam uma das mais importantes antologias poéticas do Chile, Selva Lírica, onde Lucila Godoy já aparece como uma das grandes poetas chilenas. Esta publicação é uma das últimas em que utiliza seu nome verdadeiro.
Desempenhou o cargo de inspetora no Liceu de Senhoritas de La Serena. Foi destacada educadora; visitou o México, os Estados Unidos e a Europa estudando as escolas e métodos educativos destes países. Foi professora convidada nas universidades de Barnard, Middlebury e Porto Rico.
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O fato de ter vivido de Antofagasta, no extremo norte, até o porto de Punta Arenas no extremo sul, onde dirigiu seu primeiro liceu e estimulou a vida da cidade, marca sua vida para sempre. Seu apego a Punta Arenas também se deveu a sua relação com Laura Rodig, que vivia ali. Mas a escritora de Elqui não suportava bem o clima polar. Por isso, pediu transferência e em 1920 se mudou para Temuco, de onde partiu para Santiago em 1921. Durante sua estada em Araucania conheceu um jovem chamado Neftali Reyes, que posteriormente seria conhecido mundialmente como Pablo Neruda.
Gabriela Mistral aspirava a um novo desafio depois de ter dirigido dois liceus de péssima qualidade. Disputou e ganhou o posto prestigioso de diretora do Liceu Nº6 de Santiago, mas os professores não a receberam bem, censurando sua falta de estudos profissionais.
”Desolação”, considerada sua primeira obra mestra, aparece em Nova Iorque em 1922, publicada pelo Instituto das Espanhas, por iniciativa de seu diretor Federico de Onís. Ela escreveu a maioria dos poemas que formam este livro dez anos antes, quando residia na localidade de Coquimbito. 
Em 23 de junho desse ano Gabriela Mistral vai para o México no vapor Orcoma acompanhada de Laura Rodig, convidada pelo então ministro da Educação, José Vasconcelos. Ali permaneceu quase dois anos, trabalhando com os intelectuais mais destacados do mundo de fala espanhola naquela época. 
Em 1923 é inaugurada sua estátua no México, publica-se ali seu livro Leitura para mulheres, aparece no Chile a segunda edição de “Desolação” com uma tiragem de 20 mil exemplares e aparece na Espanha a antologia “As melhores poesias”, com prólogo de Manuel de Montoliú.
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Depois de uma viagem pelos Estados Unidos e Europa, voltou ao Chile, onde a situação política era tão tensa que se viu obrigada a partir de novo, desta vez para servir na Europa como secretária de uma das seções da Liga das Nações em 1926; no mesmo ano ocupa a secretaria do Instituto de Cooperação Internacional, da Sociedade das Nações, em Genebra.
Em 1924 publica em Madrid “Ternura”, livro em que pratica uma inovadora "poesia escolar", renovando os gêneros tradicionais da poesia infantil (canções de ninar, cantigas de roda, sussurros...) com uma poética austera e muito depurada. Petronila Alcayaga, sua mãe, morreu em 1929, por isso ela lhe dedicou a primeira parte de seu livro “Tala”.
Sua vida é, doravante, uma continuação da incansável vida errante que conheceu no Chile, sem posto fixo em que utilizar seu talento. Preferirá, então, viver entre a América e a Europa. Assim, viaja, por exemplo, à ilha de Porto Rico em 1931, como parte de um tour do Caribe e da América do Sul. É nesse giro que o general Sandino, a quem tinha apoiado em numerosos escritos, a nomeia "Benemérita do Exército Defensor da Soberania Nacional" na Nicarágua. Ademais, fez discursos na Universidade de Porto Rico, Rio Piedras, na República Domienicana, em Cuba, e em todos os demais países da América Central.
A partir de 1933, e durante um período de vinte anos, trabalhou como cônsul de seu país em cidades da Europa e América. Sua poesia foi traduzida para o inglês, francês, italiano, alemão e sueco, influindo na obra criativa de muitos escritores latino-americanos posteriores, como Pablo Neruda e Octávio Paz. Seus diversos poemas escritos para as crianças são recitados e cantados em muitos países na atualidade. Muitos de seus poemas e livros foram lidos por crianças e adultos em diversos países.

Prêmio Nobel
Gabriela Mistral recebeu a notícia de que tinha ganho o Nobel em 1945 em Petrópolis, a cidade brasileira onde desempenhava a atividade de cônsul desde 1941 e onde tinha se suicidado aos 18 anos Yin Yin (Juan Miguel Godoy Mendoza), seu sobrinho segundo se dizia, filho de um meio-irmão, que adotara, com sua amiga e confidente Palma Guillén, e com o qual vivia pelo menos desde que ele tinha quatro anos.
No final de 1945 regressou aos Estados Unidos pela quarta vez, agora como cônsul em Los Ângeles e, com o dinheiro ganho com o prêmio, comprou uma casa em Santa Bárbara. Seria ali que no ano seguinte escreveria grande parte de Lagar I, em muitos de cujos poemas se observa a marca da segunda guerra mundial, e que será publicado no Chile em 1954. Em 1946, conheceu Doris Dana, uma escritora estadunidense com quem estabeleceu uma controvertida relação e de quem não se separaria até sua morte.
Gabriel Mistral, primeira pessoa latino-americana e mulher
americana a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945.
Gabriela Mistral foi nomeada cônsul em Nova Iorque em 1953, cargo que conseguiu para estar junto à escritora e bacharel norte-americana Doris Dana, a quem conhecera em 1946 e que foi depositária, porta-voz e executora oficial.
A correspondência entre Dana e Mistral revela aparentemente o estabelecimento de uma sólida relação interpretada por muitos como homosexual entre ambas, coisa que Dana negou até o final de seus dias.
Testemunho da paixão entre Mistral e Dana é a correspondência entre ambas, que a editora Lúmen publicou no Chile em 2009 sob o título “Menina errante”, com transcrição, prólogo e notas de Pedro Pablo Zegers, conservador do Arquivo do Escritor, da Biblioteca Nacional. "Doris, eu estou nos Estados Unidos por tua causa", disse em uma carta. "Sou tua em todos os lugares do mundo e do céu", escreve. E antes: "Talvez tenha sido loucura muito grande entrar nesta paixão".
En 1953, Gabriela Mistral foi recebida com honras depois do convite do governo do Chile encabeçado por Carlos Ibañez del Campo. Nessa ocasião estava acompanhada por Doris Dana, a quem a imprensa nacional identificava como a secretária de Mistral, e que pisava a terra chilena pela primeira e última vez.
Gabriela Mistral foi recebida com um arco do triunfo, por alunos destacados de diferentes colégios e pelas autoridades da região. Foi também homenageada com o título de Honoris Causa pela Universidade do Chile.
Posteriormente voltou aos EUA, "país sem nome", segundo ela. Para Gabriela Mistral, a cidade de Nova Iorque era demasiado fria; ela teria preferido viver na Flórida ou em Nova Orleans (tinha vendido sua propriedade na California), e assim disse a Doris, a quem propôs comprar uma casa em nome das duas em algum desses lugares, mas afinal terminou acomodando-se em Long Island, na mansão da família de Dana e se instalou nos arredores da megalópole: "Mas se tu não queres deixar tua casa, compra-me, repito, um aquecedor e ficamos aqui", escreve-lhe em 1954.
Doris Dana, nessa época consciente de que a existência de Gabriela Mistral era finita, começou um minucioso registro de cada conversação que tinha com a poeta. Ademais, acumulou um total de 250 cartas e milhares de ensaios literários, que hoje constituem o mais importante legado mistraliano e que foi doado por sua sobrinha Doris Atkinson depois de sua morte, ocorrida em novembro de 2006.

Morte, homenagens póstumas e legado
Mistral tinha diabetes e problemas cardíacos; finalmente morreu no Hospital de Hempstead, Nova Iorque, devido a um câncer de pâncreas, em 10 de janeiro de 1957, aos 67 anos, na presença de Doris Dana.
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Doris Dana permaneceu como executora oficial da obra de Mistral e evitou enviá-la ao Chile até que não se reconhecesse da maneira devida a sua estatura mundial. Inclusive chegou a ser feito um convite da parte do governo do presidente Ricardo Lagos Escobar, coisa que ela gentilmente declinou.
Em seu testamento, Mistral estipulou que o dinheiro produzido pela venda de seus livros na América do Sul devia ser destinado às crianças pobres de Montegrande, onde passou seus melhores anos de infância, e o da venda em outras partes do mundo a Doris Dana e Palma Guillén, que renunciou a essa herança em beneficio das crianças pobres do Chile. Este pedido da poeta não pôde ser realizado durante algum tempo por restrições legais. Com a revogação dessas restrições, atualmente os ingressos resultantes de sua obra chegam às crianças de Montegrande no Vale do Elqui. 
A sobrinha de Doris Dana, Doris Atkinson doou finalmente ao governo chileno o legado literário de Mistral, mais de 40 mil documentos, custodiados atualmente nos arquivos da Biblioteca Nacional do Chile, incluídas as 250 cartas escolhidas por Zegers para sua publicação.
Seus restos chegaram ao Chile em 19 de janeiro de 1957 e foram velados na sede central da Universidade do Chile, para depois ser sepultados em Montegrande, como era seu desejo. Uma vez disse que gostaria que batizassem uma serra de Montegrande em sua homenagem; conseguiu postumamente: em 7 de abril de 1991, quando completaria 102 anos, a serra Fraile passou a ser chamada Gabriela Mistral.
A imagem de Gabriela Mistral aparece na nota de 5 mil pesos chilenos. Em setembro de 2009 entrou em circulação uma nova nota de 5 mil pesos com uma imagem mais agradável de Mistral.
Uma universidade privada (uma das primeiras no Chile) também leva seu nome, a Universidade Gabriela Mistral.
Em 15 de novembro de 2005, Gabriela Mistral recebeu uma homenagem no Metrô de Santiago, em comemoração dos 60 anos da atribuição do Prêmio Nobel. Foi dedicado a ela um trem batizado com seu nome e com suas fotografias.
Praticamente todas as cidades importantes do Chile possuem uma rua, praça ou avenida batizada em sua homenagem com seu nome literário.
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Em dezembro de 2007 chega ao Chile grande parte do material retido nos Estados Unidos por sua primeira executora, Doris Dana. A ministra da Cultura chilena, Paulina Urrutia, recebeu o material, junto a Doris Atkinson, a nova executora. O trabalho de recopilação, transcrição e classificação foi feito pelo humanista chileno Luís Vargas Saavedra que, ao mesmo tempo, preparou uma edição do trabalho chamada "Almácigo".
Em 10 de dezembro de 1945 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura das mãos do Rei Gustavo V da Suécia. Com este galardão se converteu no primeiro literato latino-americano a receber o Nobel. Na cerimônia de entrega do prêmio, ela foi chamada "rainha da literatura latino-americana".
Em 1947 recebeu o Doutorado Honoris Causa do Mills College of Oakland, Califórnia. Em 1951 obteve o Prêmio Nacional de Literatura, Chile.
Entre os muitos doutorados honoris causa que ela recebeu, destacam-se os da Universidade da Guatemala, da Universidade da Califórnia (Los Ângeles) e da Universidade de Florença (Itália), entre outros. Em 1954, a Universidade do Chile finalmente decidiu outorgar-lhe também a honraria.
** Fonte:
CONCHA, Rolando Manzano; AGUILLERA, Luis E.. Gabriela Mistral, para ler à noite, perder o sono e ter pesadelos.[tradução José Reinaldo Carvalho].. Publicado em Portal Vermelho/ cultura - 15 de janeiro de 2011. (atualizações e correções feitas).


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"Escrever […] É a sensação de ter estado por umas horas na minha pátria real, no meu costume, no meu desejo à solta, na minha liberdade total"
- Gabriela Mistral, em "Antologia poética Gabriela Mistral". [Sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002, p. 14.


OBRA PUBLICADA
Poesía
:: Desolación. New York: Instituto de las Españas en los Estados Unidos, 1922. 248 p.
:: Desolación. (Edición con prólogo de Pedro Prado y con prólogo de 1º edición). Santiago de Chile: Nascimento, 1923. 355p.
:: Desolación. (Con prólogo de Alone, de 1925). Santiago de Chile: Nascimento, 1926. 342p.
:: Desolación: poesía, prosa, prosa escolar, cuentos. (Con prólogo de Pedro Prado a la edición chilena). Buenos Aires: Imprenta Ortiz, 1945. 190p.
:: Desolación. (Con prólogo de Alone). Santiago de Chile: Editorial del Pacífico, Series Obras Selectas, v. II, 1954. 259p.
Retrato Gabriela Mistral, por (...)
:: Desolación. (Con prólogo y selección de Roque Estaban Scarpa). Incluye algunos textos de Tala. Santiago, Chile: Andrés Bello, 1979. 122p.
:: Desolación en germen: facsimilares de primeros manuscritos (1914-1921).Santiago de Chile: Dirección de Archivos, Bibliotecas y Museos / Lom Ediciones, 19--. 1 portafolio [11] h.
:: Ternura. canciones de niños: rondas, canciones de la tierra, estaciones, religiosas, otras canciones de cuna. Madrid: Saturnino Callejas, 1924. 105p.
:: Ternura. Buenos Aires: Editorial Espasa-Calpe, 1952. 164p.
:: Ternura. (Con prólogo, notas críticas y referencias de Jaime Quezada y dibujos de Roser Brú). Santiago de Chile: Editorial Universitaria, 1989.246p.
:: Tala. Buenos Aires: Editorial Sur, 1938. 286p.
:: Tala. Buenos Aires: Losada, 1947. 187p.
:: Tala. Buenos Aires: Losada, 1958.167p.
:: Lagar. Santiago de Chile: Editorial del Pacífico, Series Obras Selectas, v. VI, 1954. 188p.
:: Lagar II. Santiago de Chile: Ediciones de la Dirección de Bibliotecas, Archivos y Museos, 1991. 172p.
:: Poemas de Chile. (Texto revisado por Doris Dana).  Santiago de Chile: Editorial Pomaire, 1967. 244p.
:: Poema de Chile. Santiago de Chile: Seix Barral, 1985. 205p.
:: Almácigo: poemas inéditos de Gabriela Mistral. (Edición Luis Vargas Saavedra). Santiago: Ediciones Universidad Católica de Chile, 2008, 235p.


"Eu amo as coisas que não tive / tal como as outras que não tenho"
- Gabriela Mistral, do poema "Coisas". em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002, p. 54.


Antologías y Selecciones de Poesía
:: Antología. Gabriela Mistral. (Selección realizada por la autora y con prólogo de Ismael Edwards Matte, a pedido de Mistral). Santiago de Chile: Empresa Editora Zig-Zag, 1946. 318p.
:: Antología. Gabriela Mistral. (Prólogo de Hernán Díaz Arrieta).. [Idéntica selección realizada por Mistral para edición de 1946. Incluye prólogo de Alone, quien no hace referencia a la edición anterior]. Santiago de Chile: Empresa Editora Zig-Zag, 1957. 147p.
:: Canto a San Francisco.Chillán, Chile: Dante, 1957. 19p.
:: Poesías completas. Gabriela Mistral. Madrid: Aguilar, 1968. 836 p. Edición definitiva, autorizada y preparada por Margaret Bates, con introducción de Esther de Cáceres.
:: Selected poems of Gabriela Mistral. (Edición y traducción de Doris Dana). Baltimore: Published for the Library of Congress by the Johns Hopkins Unversity Press, 1971. 235p.
:: Antología poética. Gabriela Mistral. (Selección, notas y entrevista póstuma realizadas por Alfonso Calderón).. [Incluye selección de Desolación, Ternura, Tala, Lagar y Poema de Chile]. Santiago de Chile: Universitaria, 1974. 208 p.
:: Antología poética de Gabriela Mistral. [edición, introducción y notas de Hugo Montes Bronet]. Editorial Castalia S.A., 1996, 192p.
:: Poesías completas. Gabriela Mistral. [Estudio preliminar y referencias cronológicas de Jaime Quezada]. Barcelona: Editorial Andrés Bello, 2001. 788p.; Santiago de Chile: Andrés Bello, 2001.
:: Antología poética de Gabriela Mistral. [Organização e seleção Calderón Squadrito Calderón e Colaboração de Alfonso Calderón]. Editorial Universitaria, 2001, 208p.


"Como esta casa está vazia / fiquemos juntos, reencontrados / nesta mesa sem carne nem fruta, / ambos assim, neste silêncio humano, / até que os dois sejamos outra vez um só / e o nosso dia tenha terminado."
- Gabriela Mistral, do poema "Pão". em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002, p. 65.


Antologías de Poesía y Prosa
:: Lecturas para mujeres. Gabriela Mistral (1922-1924). (Con prólogo de Palma Guillén de Nicolau). México: Secretaría de Educación de México, Departamento Editorial, 1923.
:: Lecturas para mujeres. Gabriela Mistral (1922-1924). 7º ed., México: Editorial Porrúa, 1988.
:: Homenaje a Gabriela Mistral. Edición extraordinaria de Orfeo (Incluye selección de poemas, prosa, poemas inéditos, cartas y testimonios epocales sobre Mistral). Revista de Poesía y Teoría Poética, Nºs 23 al 27. Santiago de Chile, 1967.
Gabriela Mistral, por (...)
:: Reino. Gabriela Mistral [poesía dispersa e inédita, en verso y prosa].. (Recopilación y prólogo de Gastón von dem Bussche). Valparaíso, Chile: Ediciones Universitarias de Valparaíso/ Universidad Católica de Valparaíso, 1983. 223p.
:: Recopilación de la obra mistraliana: 1902-1922. (Pedro Pablo Zegers B., comp.). Santiago de Chile: Gobierno de Chile, Consejo Nacional de Fomento del Libro y la Lectura/ Ril Editores, 2002. 657p.
:: Poesía y prosa. Gabriela Mistral. (Selección, prólogo, cronología y bibliografía de Jaime Quezada). Caracas: Biblioteca Ayacucho, 1984. 494p.
::Antología mayor. Gabriela Mistral. (Edición y cronología general de Luis Alberto Ganderats). 4 vol’s.,  Contenidos: v. 1. Poesía; v. 2. Prosa; v. 3. Cartas y v. 4. Vida y obra. Santiago de Chile: Editorial Lord Cochrane, 1992.
:: Cuenta-mundo. Gabriela Mistral. (Prólogo, selección y notas de Jaime Quezada). Santiago de Chile: Universitaria, 1993. 65p.
:: Proyecto preservación y difusión del legado literario de Gabriela Mistral. Santiago de Chile: OEA/ Empresa Editora Zig-Zag, 1993.381 p. Magda Arce y Gastón Von dem Bussche, comp.382p.
:: La niña Lucila escribe cuentos. (Estudio y selección de Hugo Cid).. [Incluye algunos cuentos y prosa inéditos].  Santiago de Chile: Tiempo Nuevo, 1995. 210 p.
:: Antología de poesía y prosa de Gabriela Mistral. (Selección y prólogo de Jaime Quezada). Santiago de Chile: Fondo de Cultura Económica, 1997.
:: Locas mujeres. (Selección y prólogo de Verónoca Zondek).. [Contiene secciones "Locas mujeres" de Lagar y de Lagar II]. Santiago de Chile: LOM Ediciones, 2003. 73p.
:: Gabriela Mistral: álbum personal. Santiago de Chile: Direccion de Bibliotecas, Archivos y Museos: 2008. 135p., [4] h. :il. 
:: Gabriela Mistral: Antología esencial. [Selección y edición de Grínor Rojo]. Madrid: Biblioteca nueva, 2010, 246p.
::Gabriela Mistral en verso y prosa. Edición comemorativa. (edición Cedomil Goic).. [reúne íntegros los cuatro libros de poesía que publicó en vida: Desolación, Ternura, Tala y Lagar].. [se completa con estudios de académicos de diversos países y de especialistas en la obra de la poeta: Gonzalo Rojas (Chile), Carlos Germán Belli (Perú), Adolfo Castañón (México), Bruno Rosari o Candelier (República Dominicana), Pedro Luis Barcia (Argentina), Darío Villanueva (España), Santiago Daydí-Tolson (Universidad de Texas), Grínor Rojo (Universidad de Chile), Ana María Cuneo (Universidad de Chile), Mauricio Ostria (Universidad de Concepción), Adriana Valdés (Chile) y Mario Rodríguez (Chile)]. Santiago: Real Academia Espaõla; Associación de Acdemias de la Lengua Española/ ALfaguara, 2010, 854p.


Prosa antologada
(Ordenada por año de publicacion de antologías)
:: Gabriela Mistral y la epopeya del Chaco : articulos aparecidos en el "El Liberal" de Asunción.  (Carlos Roberto Centurión, comp. ). Asunción: Imprenta Militar, 1935. 29p.
:: A poesia infantil de Henriqueta Lisboa. A Manhã, Belo Horizonte, 26 mar. 1944.
:: Palabras para la Universidad de Puerto Rico. Puerto Rico: Universidad de Puerto Rico, 1948.
:: Recados contando a Chile. Selección, prólogo y notas de Alfonso Escudero. Santiago de Chile: Editorial del Pacífico, Series Obras Selectas, v. IV, 1957. 269p.
Gabriela Mistral - foto: (...)
:: Croquis mexicanos : Gabriela Mistral en México . México: Costa-Amic, (195-). 77p.
:: Motivos de San Francisco. (César Díaz-Muñoz, sel. y prólogo). Santiago de Chile: Editorial del Pacífico, 1965.
:: La desterrada en su patria. Gabriela Mistral en Magallanes (1918-1920). (Estudio y recopilación de Roque Esteban Scarpa). 2 vol’s., Santiago de Chile: Editorial Nascimento, 1977.
:: Gabriela anda por el mundo. (Roque Esteban Scarpa, comp.).  Santiago: Editorial Andrés Bello, 1978. 392p.
:: Gabriela piensa en…(Roque Esteban Scarpa, comp.).  Santiago de Chile: Editorial Andrés Bello, 1978. 435p.
:: Prosa Religiosa de Gabriela Mistral. (Introducción, recopilación y notas de Luis Vargas Saavedra). Santiago de Chile: Editorial Andrés Bello, 1978. 185 p.
:: Recados para América. Textos de Gabriela Mistral. (Mario Céspedes, comp.). Santiago de Chile: Revista Pluma y Pincel / Instituto de Ciencias Alejandro Lipschutz., 1978. 262p.
:: Gabriela Mistral en el "Repertorio Americano". (Prólogo y notas de Mario Céspedes). San José : Universidad de Costa Rica, 1978. 318p. 
:: Materias. Prosa inédita de Gabriela Mistral. (Alfonso Calderón, sel. y prólogo). Santiago de Chile: Editorial Universitaria, 1978. 412p.
:: Croquis Mexicanos. (Selección y prólogo de Alfonso Calderón). Santiago de Chile: Editorial Nascimento, 1979. 182p.
:: Magisterio y niño. (Selección y prólogo de Roque Esteban Scarpa, comp.). Santiago de Chile: Editorial Andrés Bello, 1979. 289p.
:: Elogio de las cosas de la tierra. (Roque Esteban Scarpa, comp.).  Santiago de Chile: Editorial Andrés Bello/ Pontificia Universidad Católica de Chile, 1979. 136p.
:: Grandeza de los oficios. [Selección y prólogo de Roque Esteban Scarpa]. Santiago de Chile: Editorial Andrés Bello, 1979. 226p.
:: El otro suicida de Gabriela Mistral. (Luis Vargas Saavedra, comp.).. [Contiene un extenso, documentado y profundo estudio de Vargas Saavedra sobre el tema y textos de Mistral sobre Yin]. Santiago de Chile: Editorial Universidad Católica, 1985.
:: Artículo “La instrucción de la mujer”. En Cuadernos de Educación, 187, septiembre de 1989, pp. 218-220.
:: Italia caminada. Gabriela Mistral. (Prefacio de Michelangelo Pisani Massamormile; presenta de Roberto Verdi; prólogo y recopilación de Miguel Arteche). Santiago de Chile: Istituto Italiano di Cultura in Cile, 1989. 121p.
:: Prosa de Gabriela Mistral: materias. (Selección y prólogo de Alfonso Calderón). Santiago de Chile: Editorial Universitaria, 1989. 200p.
:: Gabriela Mistral en "La voz del Elqui”. (Pedro Pablo Zegers, comp.).  Santiago de Chile: Dirección de Bibliotecas, Archivos y Museos, 1992.
:: Gabriela Mistral en El Coquimbo. Dirección de Bibliotecas Archivos y Museos/ Museo Gabriela Mistral, 1994. 99p.
:: Escritos políticos. Gabriela Mistral. (Selección, prólogo y notas de Jaime Quezada).. [Incluye prosa antologada en publicaciones anteriores].  México: Fondo de Cultura Económica, 1994. 299p.
:: Una escritura recadera. Gabriela Mistral. (Prólogo y referencias de Jaime Quezada).. [Incluye prosa periodística, alguna ya antologada anteriormente].  Santiago de Chile: La Noria, 1998. 250p.
:: Gabriela Mistral: la tierra tiene la actitud de una mujer. (Selección y prólogo de Pedro Pablo Zegers Blachet).. [Incluye prosa antologada anteriormente]. Santiago de Chile: RIL Editores, 1998. 294p.
Gabriela Mistral en visita a su casa natal en 1938
:: Recados para hoy y mañana. Gabriela Mistral. (Selección y estudio de Luis Vargas Saavedra).  2 vol’s., Santiago de Chile: Editorial Sudamericana, 1999.
:: Castilla, tajeada de sed como mi lengua: Gabriela Mistral ante España y España ante Gabriela Mistral. (Estudio y selección de Luis Vargas Saavedra). Santiago de Chile: Ediciones de la. Universidad Católica de Chile/ Andros Impresores, 2002. 249p.
:: Gabriela Mistral : su prosa y poesía en Colombia. (Compilación y prólogo de Otto Morales Benítez) .. [Contiene prosa periodística publicada por Mistral en Colombia, especialmente en tres publicaciones: El tiempo, lecturas dominicales; El espectador literario y Revista El Gráfico. 3 vol.'s., Contenido: v.1. Autobiografías, Visión de Colombia, Visión de Indoamérica (incluido Chile); v.2. Visión de Europa, Correspondencia y Prosa; v.3. Poesía, cuentos de Mistral y ensayos sobre su obra].  Santafé de Bogotá: Convenio Andrés Bello, 2002.
:: Gabriela Mistral. Pensando a Chile: una tentativa contra lo imposible. (Jaime Quezada, comp.).. [Incluye prosa antologada en publicaciones anteriores].   Santiago de Chile: Publicaciones del Bicentenario, 2004.  491p.
:: Gabriela Mistral: 50 prosas en El Mercurio 1921-1956. (Selección, prólogo y notas de Floridor Pérez).. [artículos también publicados en Revista Repertorio Americano].  Santiago de Chile: Diario El Mercurio, 2005. 249p.


Prosa epistolar publicada
:: Cartas de Gabriela Mistral a Juan Ramón Jiménez. Série - Puerto Rico: Ediciones de la Torre/ Universidad de Puerto Rico, 1961. 17p.
:: Cartas de amor, de Gabriela Mistral. (Introducción, recopilación, iconografía y notas de Sergio Fernández Larraín). Santiago de Chile: Editorial Andrés Bello, 1978. 243p.
:: Gabriela Mistral íntima. (Ciro Alegría, comp.).. [Además de las reflexiones de Ciro Alegría, contiene doce cartas de Mistral a Ciro Alegría]. Bogotá: Oveja Negra, 1980. 124p.
:: Cartas a Lydia Cabrera: correspondencia inédita de Gabriela Mistral y Teresa de la Parra. (Rosario Hiriart, comp.). Madrid: Torremozas, 1988. 227p.
:: Gabriela Mistral y Joaquín García Monge: una correspondencia inédita. (Magda Arce, comp., con la colaboración de Eugenio García Carrillo). Santiago de Chile: Editorial Andrés Bello, 1989. 167p.
:: En batalla de sencillez. De Lucila a Gabriela. Cartas a Pedro Prado (1915-1939).  (Compilado por Luis Vargas Saavedra, María Ester Martínez Sanz y Regina Valdés Bowen). Santiago de Chile: Dolmen Ediciones, 1993. 172p.
:: Cartas a Eugenio Labarca (1915-1916). (Introducción y notas de Raúl Silva Castro). Santiago de Chile: Ediciones de los Anales de la Universidad de Chile, 1957. 58p.
:: Epistolario de Gabriela Mistral y Eduardo Barrios. (Edición de Luis Vargas Saavedra). Santiago de Chile: Centro de Estudios de Literatura Chilena, 1988. 101p.
Gabriela Mistral - foto: (...)
:: Tan de usted: epistolario de Gabriela Mistral con Alfonso Reyes. (Luis Vargas Saavedra, comp.).  Santiago de Chile: Hachette/ Ediciones Universidad Católica de Chile, 1990. 240p.
:: Vuestra Gabriela. Cartas inéditas de Gabriela Mistral a los Errázuriz Echeñique y Tomic Errázuriz. (Prólogo, selección y notas de Luis Vargas Saavedra, comp.). Santiago de Chile: Empresa Editora Zig-Zag, 1995. 235p.
:: Epistolario selecto. Edición y prólogo de Pedro Pablo Zegers y Thomas Harris. [Cartas a Brenes Mersén, Jorge Mañach, Armando Donoso, María Monvel]. Santiago de Chile: Dirección de Bibliotecas, Archivos y Museos, 1997.
:: This America of ours: the letters of Gabriela Mistral and Victoria Ocampo. (Traducción y edición de Elizabeth Horan y Doris Meyer). Austin: University of Texas Press,  2003. 377p.
:: Manuel, en los labios por mucho tiempo: epistolario entre Lucila Godoy Alcayaga (Gabriela Mistral) y Manuel Magallanes Moure. (Compilación y estudio de María Ester Martínez Sanz y Luis Vargas Saavedra). Santiago de Chile: Ediciones de la Universidad Católica de Chile, 2005.
:: Oraciones a Yin y por Yin. Gabriela Mistral. Santiago de Chile: Consejo Nacional de la Cultura y las Artes, 2005. 39p.
:: El ojo atravesado: correspondencia entre Gabriela Mistral y los escritores uruguayos. (Edición, selección, notas y comentarios de Silvia Guerra y Verónica Zondek). Santiago de Chile: LOM Ediciones, 2005. 256p.
:: Esta América nuestra: correspondencia 1926-1956. Buenos Aires: El Cuenco de Plata,c 2007. 347p.:il.
:: Niña errante: cartas a Doris Dana[transcrição, prólogo e notas de Pedro Pablo Zegers]. Santiago de Chile :Random House Mondadori S.A., 2009. 476p.

"Todo o país escravizado por outro ou outros países, tem na mão, enquanto souber ou puder conservar a própria língua, a chave da prisão onde jaz."
- Gabriela Mistral

Gabriela Mistral em nota de 5000  pesos (2005)

"Talvez o pecado original seja apenas a nossa queda na expressão racional e anti-rítmica à qual desceu o gênero humano […]"
- Gabriela Mistral, em "Antologia poética Gabriela Mistral". [Sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002, p. 14.


PUBLICAÇÕES EM PORTUGUÊS
:: Poemas escolhidos de Gabriela Mistral. [Tradução de Henriqueta Lisboa e ilustrações de Marianne Clouzot]. Rio de Janeiro: Delta, 1969, 167p.; (Coleção Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura) Rio de Janeiro: Editora Opera Mundi, 1971, 211p.
:: Antologia poética Gabriela Mistral. [Seleção, tradução e apresentação de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa/Portugal: Editorial Teorema Portugal, 2002, 116p.
:: Gabriela Mistral & Cecília Meireles.[Gabriela Mistral Y Cecília Meireles]. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras; Santiago de Chile: Academia Chilena de La Lengua, 2003.



“Contar las patrias es tan dulce a la lengua como contar la infancia o el cuerpo de la madre o las carnes del hijo.”
- Gabriela Mistral, en "Mistral. Magisterio y niño".


DISCOGRAFIA E ÁUDIO
Título: Amado, apresura el paso
Amado, apresura el paso es el vigésimo noveno álbum oficial en estudio del cantautor chileno Ángel Parra como solista. Fue lanzado originalmente en Chile en 1995, y está conformado por musicalizaciones de poemas de la poetisa chilena Gabriela Mistral, Premio Nobel de Literatura en 1945. La cantante Javiera Parra, hija de Ángel, lo acompaña en algunas canciones.
Retrato Gabriela Mistral, por (...)
Lista de canciones
1. Ausencia (Gabriela Mistral - Ángel Parra)
2. La tierra (Gabriela Mistral - Ángel Parra)
3. Balada (Gabriela Mistral - Ángel Parra) *con Javiera Parra
4. Tres árboles (Gabriela Mistral - Ángel Parra)
5. Mar caribe (Gabriela Mistral - Ángel Parra)
6. La tierra y la mujer (Gabriela Mistral - Ángel Parra) *con Javiera Parra
7. La lluvia lenta (Gabriela Mistral - Ángel Parra)
8. La luz (Gabriela Mistral - Ángel Parra)
9. El fuego (Gabriela Mistral - Ángel Parra)
10. Que no crezca (Gabriela Mistral - Ángel Parra) *con Javiera Parra
11. Dios lo quiere (Gabriela Mistral - Ángel Parra)
12. Vergüenza (Gabriela Mistral - Ángel Parra) *con Javiera Parra
13. Cosas (Gabriela Mistral - Ángel Parra)
** Todas las letras escritas por Gabriela Mistral, toda la música compuesta por Ángel Parra.
Ano: 1995
Duração: 40:46'
Formato: CD
Gravadora: Alerce discográfica


Disco: Gabriela Mistral
Las poesías contenidas en esta cara del disco son la siguientes:
Lado A: 
La manca (fragmento)/ voz de Gabriela Mistral
En donde tejemos la ronda / Alicia Quiroga
Todas ibamos a ser reinas / Carmen Bunster
Piecesitos / Alicia Quiroga 
La madre-niña / Mireya Latorre
Extasis / Ana González 
Nocturno / Alicia Quiroga
Tierra chilena / María Maluenda. 

Lado B: 
Miedo / voz de Gabriela Mistral
Balada / Carmen Bunster
Sonetos de la muerte
Interrogaciones

La espera inútil / María Maluenda.
---
Dirección: Julio Yung
Música: Gustavo Becerra
Interpreta en guitarra: Luis López
Portadas: Waldo González
Editora: Ediciones L. R. Ortiz 
Editado: en Santiago do Chile
Ano: 1957
Formato: Disco vinil
Notas: Copia de disco 33 1/3 rpm. -- (LR-41). 1 sound cassette son. (ca. 50 min.)
En la contraportada del disco aparece lo siguiente texto:
"'Es muy importante ver un rostro humano' decía Gabriela. Era en los últimos tiempos una de sus obsesiones. Ahora pienso que también es importante oir una voz humana. Tal vez más importante; porque la imagen del rostro, siempre a la vista, ahi, en el retrato, inmovilizada, comienza a petrificarse, mientras la voz que sigue resonando en nuestro oído evoca, sin cesar, como perpetuamente renovado y móvil, ese rostro interior que las palabras hacen salir a la luz desde lo hondo, con el calor y la vibración en las entrañas, y que cuando la persona ha dejado de sernos visible, diríase ella misma hablándonos desde el más allá." 
** Disco 1 - disponível no link. (acessado em 23.6.2014).



Disco: Gabriela Mistral - prêmio nobel de literatura 1945
Las poesías
Lado a
- Oração da mestra
Lado b
- Todas íamos ser rainhas
- Noturno
Recitado por Alicia Quiroga
Disco compacto
Ano: 1971
 
:: Gabriela Mistral reading her own poetry at the Library of Congress. Dec. 12, 1950, for the Archive of Hispanic Literature on Tape. in: the Hispanic Foundation. [Washington, D.C.] :Library of Congress,c1954. Lado A de 1 cassette son., ca. 30 min.


"Uma poesia cujas palavras, embora muito perto das suas raízes terrestres, parecem de vez em quando ganhar asas e voar ao longo do tempo e do espaço, projetando-se nessa dimensão aérea e musical que corresponde, afinal à essência disso a que, melhor ou pior, continuemos a chamar de poesia."
- Gabriela Mistral, em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002, p. 11-12.


FILMOGRAFIA
[Filmes, documentários e vídeos]
Filme: La Gabriela - una historia sobre Gabriela Mistral 
Sinopsis: Basada en la vida de Gabriela Mistral. Se reconstruye la vida de Gabriela, sus viajes como diplomática, la relación con su hijo adoptivo Yin Yin hasta llegar a recibir el Premio Nobel.
Ficha técnica
Género: Drama / Biografía
País/ano: Chile - 2008
Duración: 90 minutos 
Director: Rodrigo Moreno del Canto
Elenco:
Ximena Rivas como Gabriela Mistral / Lucila Godoy.
Tamara Acosta como Palma Guillén.
Carolina Varleta como Laura Rodig.
Iván Inzunza como Yin Yin.
Hugo Vásquez como Manuel Magallanes Moure.
Carmen Disa Gutiérrez como Petronila Alcayaga.
Mireya Moreno como Abuela de Gabriela.
Eduardo Paxeco como Romelio Ureta.
Mariana Muñoz como Emilina.
Catherine Mazoyer como Victoria Ocampo.
Carolina Soltmann como Doris Danna.
Fernando Olivares como Hombre que habla mal de Gabriela.
Margarita Llanos como Profesora de Lucila.
Elvis Fuentes como Carlos.
Isidora Cabezón como Novia de Yin Yin.
Teresa Hales como Periodista Brasileña.
Produção: Telefilms (Televisión Nacional de Chile).


Filme: La Gabriela Una Historia sobre Gabriela Mistral
  

Filme: Locas Mujeres
Sinopsis: Locas Mujeres es un largometraje documental que explora el mundo interior de la poeta chilena Gabriela Mistral y su relación amorosa con la norteamericana Doris Dana.
Gabriela Mistral conoce a Doris Dana cuando cree que ya lo único que le queda es morir. La artista ha ganado el Premio Nobel, pero no se sobrepone a la gran tragedia de su vida: el suicidio de su único hijo Yin Yin. En Doris, Gabriela encuentra lo que siempre le fue esquivo, amar y sentirse amada. Con ella forma una familia y un hogar en Roslyn, Long Island. Conciente de que su compañera pronto ya no estará, Doris registra las conversaciones con Gabriela y los amigos que llegan a la casa. Esas grabaciones son nuestra llave de acceso al universo afectivo de una mujer que vive en permanente tensión con sus demonios internos y cuya sensibilidad y ambición la convierten en protagonista de su época.
Ficha técnica
Duración: 72 min.
Formato: HD / Color
Idioma: Español
País/ano: Chile - 2010
Rodaje: Santiago (Chile)
Director: María Elena Wood 
Guión: María Elena Wood y Rosario López
Dirección de fotografía: Gabriel Díaz
Montaje: Sophie França
Música: Camilo Salinas
Sonido: Miguel Hormazábal
Producción ejecutiva: Patricio Pereira
Productora: Wood Producciones S.A
* Fonte: Cine Chile 


Documental: Adiós a Gabriela Mistral
Sinopsis: Fallecida en Nueva York en 1957, llegan a Chile los restos de Gabriela Mistral el 18 de enero y es expuesto durante 39 horas en la U. de Chile. Se ven imágenes de su vida. La ceremonia fúnebre está a cargo del Cardenal José María Caro en la Catedral Metropolitana y luego se efectúan los funerales en el Cementerio General, después de ser homenajeada por 200 mil personas (**).
Ficha técnica
Duración: 17 min.
Formato: 35 mm / Blanco & negro
Idioma: Español
País/ano: Chile - 1957
Rodaje: Santiago (Chile)
Dirección: Boris Hardy
Producción: Emelco Chilena
Dirreción de fotografía: Luis Bernal; Mario Ferrer; Jorge Gómez; Óscar Gómez; Sergio Mihovilovic; y Jorge Rodríguez (II)
(**) Info: Itinerario del Cine Documental Chileno 1900-1990, Alicia Vega
* Fonte: Cine Chile - Enciclopedia del cine chileno


Documental: Mi Valle del Elqui (Gabriela Mistral)
Sinopsis: Documental homenaje a de Gabriela Mistral a través de algunos poemas y los lugares que ella habitó, se tratan aspectos profundos e íntimos de su vida que significaron la manifestación de fuerte expresividad en su poema. 
Ficha técnica
Duración: 29 min.
Formato: 16mm/color
Idioma: Español
País/ano: Chile - 1971
Rodaje: Valle del Elqui (Chile)
Guión y dirección: Rafael Sánchez
Productora: Escuela de Artes de la Comunicación de la Universidad Católica de Chile
Producción: Vicerrectoría de Comunicaciones de la U. Católica de Chile
Producción general: María Teresa Guzmán
Dirección de fotografía: Andrés Martorell de Llanza; René Kocher; Sergio Allendes
Música: Rafael Sánchez
Montaje: Rafael Sánchez
Sonido: Graciela Bresciani; María Eugenia Rodríguez
Relato o voz en off: Alicia Quiroga; Paz Irarrázabal; Marcelo Fortín
* Fonte: Cine Chile - Enciclopedia del cine chileno


Documental: El Ojo Limpio: Gabriela Mistral, 50 Años del Nobel
Sinopsis: El trabajo recopila y da a conocer imágenes de una grabación radial inédita, las que son combinadas con grabaciones de la entrega del Premio Nobel, así como del funeral de la Poetisa. Ello sumado, a la presencia de fotografías del Valle de Elqui y otras locaciones, permite obtener una nueva perspectiva de la vida de la reconocida literata, quien falleció, afectada de cáncer, el 10 de enero de 1957 en el Hospital General de Hampstead, en Nueva York.
Ficha técnica
Duración: 15 min.
Formato: vídeo/ color
Idioma: Español
País/ano: Chile - 1995
Rodaje: Chile
Dirección: Magali Meneses
* Fonte: Cine Chile - Enciclopedia del cine chileno


Documental: Gabriela Mistral 
Serie: "Grandes Chilenos de Nuestra Historia" 
Conduce: Consuelo Saavedra
Producción: Telefilms (Televisión Nacional de Chile).
La actriz Ximena Rivas defiende a la Mistral como la "Gran Chilena de Nuestra Historia".
Disponível: parte I - parte IIparte IIIparte IVparte Vparte VI - e parte VII.


DocumentalGabriela Mistral: Desolación - el Show de los libros
Gabriela Mistral, pseudónimo de Lucila Godoy Alcayaga, nació en 1889 en la ciudad de Vicuña y murió en el año 1957 en Nueva York. Ganadora del Premio Nobel de Literatura, en su poesía sentimientos como el amor, la cercanía de la muerte o la significación del mundo, se manifiestan a lo largo del camino que sigue el hablante lírico en su búsqueda de la eternidad. Este libro, Desolación, fue la primera de sus obras en ser publicada.


Documental: Gabriela Mistral - 
Desolación - el Show de los libros


Montanhas minhas
Em montanhas me criei,
mais de três dúzias se erguiam.
Parece que nunca, nunca,
embora escute os meus passos,
as perdi, nem quando é dia,
nem quando é noite estrelada,
e embora veja nas fontes
a cabeleira nevada,
não fugi nem me deixaram
como filha mal lembrada.

E embora sempre me chamem
uma ausente e renegada,
possuí-as e ainda as tenho,
persegue-me o seu olhar
ao longo da minha estrada.
- Gabriela Mistral, em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002.


Gabriela Mistral - foto: Diario del dia

"com esse gosto bravio, suave mas nítido e impregnante de sua presença"
- Mário de Andrade


POEMAS ESCOLHIDOS DE GABRIELA MISTRAL

Achado
Encontrei este anjo
num passeio ao campo:
dormia tranquilo
sobre umas espigas.

Talvez tenha sido
cruzando o vinhedo:
ao bulir nas ramas
toquei suas faces.

Por isso receio
ao estar dormida
se evapore como
ageada nas vinhas.
- Gabriela Mistral, em "Gabriela Mistral - poesias escolhidas". [tradução de Henriqueta Lisboa e ilustrações de Marianne Clouzot].. (Coleção Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura) Rio de Janeiro: Editora Opera Mundi, 1973.


Balada
Ai! Passou com outra;
eu o vi passar.
Sempre doce o vento
e o caminho em paz.
E esses olhos míseros
viram-no passar!

Ele vai amando a outra
pela terra em flor.
O espinho se abriu,
passa uma canção.
E ele amando a outra
pela terra em flor!

Ai! Beijou a outra
à beira das praias;
resvalou nas ondas
a lua nupcial.
E não vi meu sangue
na extensão do mar!

Seguirá com outra
pela eternidade.
Os céus serão doces.
(Deus está calado.)
E ele irá com outra
pela eternidade.
- Gabriela Mistral, em "Gabriela Mistral - poesias escolhidas". [tradução de Henriqueta Lisboa e ilustrações de Marianne Clouzot].. (Coleção Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura). Rio de Janeiro: Editora Opera Mundi, 1973.

Canção amarga
Ai! Brinquemos, filho meu:
sou a rainha, és o rei.

É teu esse verde campo.
De quem mais podia ser?
Por ti as ondas da alfafa
ao vento hão de estremecer.

É todo teu esse vale.
De quem mais podia ser?
Para que nos deliciemos
o pomar será de mel.

(Não é certo que tiritas
como o infante de Belém,
que o seio de tua mãe
secou de tanto sofrer.)

O cordeiro torna espessa
a lã que eu hei de tecer.
São teus também os apriscos.
De quem mais podiam ser?

E todo leite do estábulo
que das fontes vai correr,
e o regalo das colheitas,
de quem mais podiam ser?

(Não é certo que tiritas
como o infante de Belém
que o seio de tua mãe
secou de tanto sofrer.)

Sim! Brinquemos, filho meu:
sou a rainha, és o rei.
- Gabriela Mistral, em "Gabriela Mistral - poesias escolhidas". [tradução de Henriqueta Lisboa e ilustrações de Marianne Clouzot].. (Coleção Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura) Rio de Janeiro: Editora Opera Mundi, 1973.


Cimo
Gabriela Mistral - foto: Acervo Memória do Chile/BN
A hora da tarde, a que põe
seu sangue nas montanhas.

Alguém nesta hora está sofrendo;
com angústia alguém perde
ao por do sol o único peito
contra o qual se estreitava.

Um coração existe em que molha
a tarde aquele cimo ensanguentado.

O vale já está na sombra
e se cobre de calma.
Olha, porém, da profundeza, o incêndio
que enrubesce a montanha.

Eu me ponho a cantar sempre nesta hora
minha invariável canção atribulada.

Serei eu a que banha
o cume de escarlate?
Levo a meu coração a mão e sinto
que uma ferida sangra.
- Gabriela Mistral, em "Gabriela Mistral - poesias escolhidas". [tradução de Henriqueta Lisboa e ilustrações de Marianne Clouzot].. (Coleção Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura). Rio de Janeiro: Editora Opera Mundi, 1973.


Dá-me essa mão 
Dá-me essa mão e dançaremos;
dá-me essa mão e amar-me-ás.
Como uma só flor nós seremos,
como uma flor e nada mais.

O mesmo verso cantaremos
e ao mesmo ritmo dançarás.
Como uma espiga ondularemos,
como uma espiga e nada mais.

Chamas-me Rosa e eu Esperança;
mas o teu nome esquecerás,
Porque seremos uma dança
sobre a colina e nada mais.
- Gabriela Mistral, do livro "Ternura" - em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002.



Embalando
Balança o mar suas ondas
de praia em praia.
Ouvindo os mares amantes
meu filho embalo.

Balança o vento na noite
longe, os trigais.
Ouvindo os ventos amantes
meu filho embalo.

Balança Deus em silêncio
os seus mundos, aos milhares.
Sentindo-lhe a mão na sombra
meu filho embalo.
- Gabriela Mistral, em "Gabriela Mistral - poesias escolhidas". [tradução de Henriqueta Lisboa e ilustrações de Marianne Clouzot].. (Coleção Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura). Rio de Janeiro: Editora Opera Mundi, 1973.


Fortuna fiel
Tenho a fortuna fiel
e a fortuna perdida.
Uma assim como rosa,
a outra assim como espinho.
Não me prejudicou
o roubo que sofri.
Tenho a fortuna fiel
e a fortuna perdida.
E estou rica de púrpura
e de melancolia.
Como é amada a rosa,
como é amante o espinho!
Tal num duplo contorno
frutas gémeas unidas,
tenho a fortuna fiel
e a fortuna perdida.
- Gabriela Mistral, em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002.


Pensador de Rodin
Queixo apoiado à mão em postura severa,
lembra-se o Pensador que é da carne uma presa;
carne fatal, desnuda ante o fado que o espera,
carne que odeia a morte e tremeu de beleza;

que estremeceu de amor na primavera ardente
e hoje, imersa no outono, a tristeza conhece.
A ideia de morrer dessa fronte consciente
passa por todo o bronze, à hora em que a noite desce.

De angústia os músculos se fendem, sofredores;
os sulcos de seu corpo enchem-se de terrores;
entrega-se, folha outoniça, ao Senhor forte

que o plasma.  E não se crispa uma árvore torcida
de sol nos plainos, nem leão de anca ferida,
como esse homem que está meditando na morte.
- Gabriela Mistral, em "Gabriela Mistral - poesias escolhidas". [tradução de Henriqueta Lisboa e ilustrações de Marianne Clouzot].. (Coleção Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura). Rio de Janeiro: Editora Opera Mundi, 1973.


Pezinhos
Gabriel Mistral y Yin-Yin
foto: Acervo Memória do Chile/BN
Pezinhos de criança
azuis de frio, ao léu,
sem ninguém os cobrir
Deus meu!

Que pezinhos tão feridos
por esses calhaus todos,
maltratados por neves
e lodos!

O homem cego ignora
que por onde passais
uma flor de luz viva
deixais;

que aí onde puderdes
as plantinhas sangrantes
os nardos nascem mais
fragrantes.

Sede, já que avançais
por caminhos tão estreitos,
heróicos como sois
perfeitos.

Pezinhos de criança,
joiazinhas sofrentes,
como passam sem ver-vos

as gentes!
- Gabriela Mistral, em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002.


Soneto da morte
I
Desse gelado nicho onde homens te puseram
hei-de tirar-te e pôr-te em terreno soalheiro.
Que nela hei-de dormir os homens não souberam
e havemos de sonhar no mesmo travesseiro.

Hei-de deitar-te então no terreno soalheiro
com a doçura da mãe prò filho adormecido,
e a terra há-de ser suave como um berço inteiro
ao receber-te o corpo de menino ferido.

Depois vou esfarelar a terra, o pó das rosas,
e ao luar, na poalha azulada e futura,
irão ficando presos os leves destroços.

Vou-me afastar cantando vinganças gloriosas,
porque nenhuma outra mão nessa fundura

poderá disputar-me o teu punhado de ossos!

II
Este longo cansaço irá ser grande um dia
e a alma dirá ao corpo que não quer
arrastar o seu peso ao longo desta vida
por onde os homens vão, felizes por viver.

Sentirás que ao teu lado cavam brutalmente,
que outro hóspede chega à serena cidade.
Vou esperar que alguém me cubra completamente
e depois falaremos uma eternidade!

Só então saberás porque é que, ainda imaturo,
para as profundas fossas o teu corpo iria
aí dormir tranquilo, aí permanecer.

E então far-se-á luz no campanário escuro:
saberás que entre nós sinais de astros havia
e que, quebrando o pacto, tinhas de morrer.
- Gabriela Mistral, em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002.


Uma palavra
Eu tenho uma palavra na garganta 
e não a solto, não me livro dela 
mesmo com todo o empurrão do sangue 
Se a libertasse, queimaria pastos, 
sangraria cordeiros, cairiam pássaros.

Eu devo desprendê-la desta língua, 
encontrar um buraco de castores, 
sepultá-la com cal e argamassa 
pra que não guarde como a alma o voo.

Não quero dar sinais de que estou viva 
enquanto circular pelo meu sangue 
e suba e desça no meu louco fôlego. 
Embora o meu pai Job, ardendo, a tenha dito, 
não quero dar-lhe a minha pobre boca 
para que não a encontrem as mulheres 
que vão ao rio, se prenda às suas tranças 
ou se enrede no pobre matagal.

Violentas sementes vou lançar-lhe, 
pra que uma noite a cubram e a afoguem 
sem deixar dela o rasto de uma sílaba. 
Ou destruí-la assim, tal como a víbora 
se parte em dois pedaços entre os dentes.

E regressar a casa, entrar, dormir, 
já isolada, separada dela, 
e acordar depois de dois mil dias, 
recém-nascida em sono e esquecimento.

Sem saber, ah!, que tive uma palavra 
feita de iodo e alúmen entre os lábios, 
nem poder recordar-me de uma noite, 
de uma morada num país alheio, 
da cilada ou relâmpago na porta, 
a minha carne a andar sem sua alma.
- Gabriela Mistral, do livro "Lagar" - em "Antologia poética Gabriela Mistral". [sel., trad., e apres., de Fernando Pinto do Amaral]. Lisboa: Editorial Teorema, 2002.

Gabriela Mistral - foto: (...)

POEMAS EM ESPANHOL

Amo amor
Anda libre en el surco, bate el ala en el viento,
late vivo en el sol y se prende al pinar.
No te vale olvidarlo como al mal pensamiento:
                  ¡le tendrás que escuchar!

   Habla lengua de bronce y habla lengua de ave,
ruegos tímidos, imperativos de mar.
No te vale ponerle gesto audaz, ceño grave:
                     ¡lo tendrás que hospedar!

   Gasta trazas de dueño; no le ablandan excusas.
Rasga vasos de flor, hiende el hondo glaciar.
No te vale el decirle que albergarlo rehúsas:
                  ¡lo tendrás que hospedar!

   Tiene argucias sutiles en la réplica fina,
argumentos de sabio, pero en voz de mujer.
Ciencia humana te salva, menos ciencia divina:
                  ¡le tendrás que creer!

   Te echa venda de lino; tú la venda toleras.
Te ofrece el brazo cálido, no le sabes huir.
Echa a andar, tú le sigues hechizada aunque vieras
                     ¡que eso para en morir!
- Gabriela Mistral, del libro "Desolación".


Apegado a mi
Velloncito de mi carne
que en mi entraña yo tejí,
velloncito friolento,
duérmete apegado a mí!

La perdiz duerme en el trébol
escuchándole latir:
no te turbes por mi aliento,
duérmete apegado a mí!

Hierbecita temblorosa
asombrada de vivir,
no te sueltes de mi pecho,
duérmete apegado a mí!

Yo que todo lo he perdido
ahora tiemblo hasta al dormir.
No resbales de mi brazo:
duérmete apegado a mí!
- Gabriela Mistral, del libro "Desolación".


Balada
    El pasó con otra;
yo le vi pasar.
Gabriela Mistral - foto: (...)
Siempre dulce el viento
y el camino en paz.
¡Y estos ojos míseros
le vieron pasar!

    El va amando a otra
por la tierra en flor.
Ha abierto el espino;
pasa una canción.
¡Y él va amando a otra
por la tierra en flor!

    El besó a la otra
a orillas del mar;
resbaló en las olas
la luna de azahar.
¡Y no untó mi sangre
la extensión del mar!

    El irá con otra
por la eternidad.
Habrá cielos dulces.
(Dios quiere callar)
¡Y él irá con otra
por la eternidad!
- Gabriela Mistral, del libro "Desolación".


Beber
[Al Dr. Pedro De Alba]

Recuerdo gestos de criaturas
y son gestos de darme el agua.

En el Valle de Río Blanco,
en donde nace el Aconcagua,
llegué a beber, salté a beber
en el fuete de una cascada,
que caía crinada y dura
y se rompía yerta y blanca.
Pegué mi boca al hervidero,
y me quemaba el agua santa,
y tres días sangró mi boca
de aquel sorbo del Aconcagua.

En el campo de Mitla, un día
de cigarras, de sol, de marcha,
me doblé a un pozo y vino un indio
a sostenerme sobre el agua,
y mi cabeza, como un fruto,
estaba dentro de sus palmas.
Bebía yo lo que bebía,
que era su cara con mi cara,
y en un relámpago yo supe
carne de Mitla ser mi casta.

En la Isla de Puerto Rico,
a la siesta de azul colmada,
mi cuerno quieto, las olas locas,
y como cien madres las palmas,
rompió una niña por donaire
junto a mi boca un coco de agua,
y yo bebí, como una hija,
agua de madre, agua de palma.
Y más dulzura no he bebido
con el cuerno ni con el alma.

A la casa de mis niñeces
mi madre me traía el agua.
Entre un sorbo y el otro sorbo
la veía sobre la jarra.
La cabeza más se subía
y la jarra más se abajaba.
Todavía yo tengo el valle,
tengo mi sed y su mirada.
Será esto la eternidad
que aún estamos como estábamos.

Recuerdo gestos de criaturas
y son gestos de darme el agua.
- Gabriela Mistral, del libro " Tala".



Canción de la sangre
Duerme, mi sangre única
que así te doblaste,
vida mía, que se mece
en rama de sangre.

Gabriela Mistral - foto: (...)
Musgo de los sueños míos
en que te cuajaste,
duerme así, con tus sabores
de leche y de sangre.

Hijo mío, todavía
sin piñas ni agaves,
y volteando en mi pecho
granadas de sangre,

sin sangre tuya, latiendo
de las que tomaste,
durmiendo así tan completo
de leche y de sangre.

Cristal dando unos trasluces
y luces, de sangre;
fanal que alumbra y me alumbra
con mi propia sangre.

Mi semillón soterrado
que te levantaste;
estandarte en que se para
y cae mi sangre;

camina, se aleja y vuelve
a recuperarme.
Juega con la duna, echa
sombra y es mi sangre.
- Gabriela Mistral, del libro "Ternura".



Canción amarga
¡Ay! ¡Juguemos, hijo mío,
a la reina con el rey!

Este verde campo es tuyo.
¿De quién más podría ser?
Las oleadas de la alfalfa
para ti se han de mecer.

Este valle es todo tuyo.
¿De quién más podría ser?
Para que los disfrutemos
los pomares se hacen miel.

(¡Ay! ¡No es cierto que tiritas
como el Niño de Belén
y que el seno de tu madre
se secó de padecer!)

El cordero está espesando
el vellón que he de tejer,
y son tuyas las majadas.
¿De quién más podrían ser?

Y la leche del establo
que en la ubre ha de correr,
y el manojo de las mieses
¿de quién más podrían ser?

(¡Ay! ¡No es cierto que tiritas
como el Niño de Belén
y que el seno de tu madre
se secó de padecer!)

—¡Sí! ¡Juguemos, hijo mío,
a la reina con el rey!
- Gabriela Mistral, del libro "Ternura".



Coplas
    Todo adquiere en mi boca
un sabor persistente de lágrimas:
el manjar cotidiano, la trova
y hasta la plegaria.

    Yo no tengo otro oficio,
después del callado de amarte,
que este oficio de lágrimas, duro,
que tú me dejaste.

    ¡Ojos apretados
de calientes lágrimas!
¡boca atribulada y convulsa,
en que todo se me hace plegaria!

    ¡Tengo una vergüenza
de vivir de este modo cobarde!
¡Ni voy en tu busca
ni consigo tampoco olvidarte!

    Un remordimiento me sangra
de mirar un cielo
que no ven tus ojos,
¡de palpar las rosas
que sustenta la cal de tus huesos!

    Carne de miseria,
gajo vergonzante, muerto de fatiga,
que no baja a dormir a tu lado,
que se aprieta, trémulo,
al impuro pezón de la Vida!
- Gabriela Mistral, del libro "Desolación".



Desolación
La bruma espesa, eterna, para que olvide dónde
me ha arrojado la mar en su ola de salmuera.
La tierra a la que vine no tiene primavera:
tiene su noche larga que cual madre me esconde.

El viento hace a mi casa su ronda de sollozos
y de alarido, y quiebra, como un cristal, mi grito.
Y en la llanura blanca, de horizonte infinito,
miro morir inmensos ocasos dolorosos.

Gabriela Mistral - foto: (...)
¿A quién podrá llamar la que hasta aquí ha venido
si más lejos que ella sólo fueron los muertos?
¡Tan sólo ellos contemplan un mar callado y yerto
crecer entre sus brazos y los brazos queridos!

Los barcos cuyas velas blanquean en el puerto
vienen de tierras donde no están los que son míos;
sus hombres de ojos claros no conocen mis ríos
y traen frutos pálidos, sin la luz de mis huertos.

Y la interrogación que sube a mi garganta
al mirarlos pasar, me desciende, vencida:
hablan extrañas lenguas y no la conmovida
lengua que en tierras de oro mi pobre madre canta.

Miro bajar la nieve como el polvo en la huesa;
miro crecer la niebla como el agonizante,
y por no enloquecer no cuento los instantes,
porque la noche larga ahora tan sólo empieza.

Miro el llano extasiado y recojo su duelo,
que vine para ver los paisajes mortales.
La nieve es el semblante que asoma a mis cristales;
¡siempre será su albura bajando de los cielos!

Siempre ella, silenciosa, como la gran mirada
de Dios sobre mí; siempre su azahar sobre mi casa;
siempre, como el destino que ni mengua ni pasa,
descenderá a cubrirme, terrible y extasiada.
- Gabriela Mistral, del libro "Desolación".


Despedida
Ya me voy porque me llama
un silbo que es de mi Dueño,
llama con una inefable
punzada de rayo recto:
dulce-agudo es el llamado
que al partir le conocemos.

Yo bajé para salvar
a mi niño atacameño
y por andarme la Gea
que me crió contra el pecho
y acordarme, volteándola,
su trinidad de elementos.
Sentí el aire, palpé el agua
y la Tierra. Y ya regreso.

El ciervo y el viento van
a llevarte como arrieros,
como flechas apuntadas,
rápido, íntegro, ileso,
indiecito de Atacama,
más sabe que el blanco ciego,
y hasta dormido te llevan
tus pies de quechua andariego,
el Espíritu del aire,
el del metal, el del viento,
la Tierra Mama, el pedrisco,
el duende de los viñedos,
la viuda de las cañadas
y la amistad de los muertos.
Te ayudé a saltar las zanjas
y a esquivar hondones hueros.

Ya me llama el que es mi Dueño...
- Gabriela Mistral, del libro "Poema de Chile".



El niño solo
[A Sara Hübner]

Como escuchase un llanto, me paré en el repecho
y me acerqué a la puerta del rancho del camino.
Un niño de ojos dulces me miró desde el lecho
¡y una ternura inmensa me embriagó como un vino!

La madre se tardó, curvada en el barbecho;
el niño, al despertar, buscó el pezón de rosa
y rompió en llanto… Yo lo estreché contra el pecho,
y una canción de cuna me subió, temblorosa.

Por la ventana abierta la luna nos miraba.
El niño ya dormía, y la canción bañaba,
como otro resplandor, mi pecho enriquecido.

Y cuando la mujer, trémula, abrió la puerta,
me vería en el rostro tanta ventura cierta
¡que me dejó el infante en los brazos dormido!
- Gabriela Mistral,  del libro “Desolación”.



La fuga
Madre mía, en el sueño
ando por paisajes cardenosos:
un monte negro que se contornea
siempre, para alcanzar el otro monte;
y en el que sigue estás tú vagamente,
pero siempre hay otro monte redondo
que circundar, para pagar el paso
al monte de tu gozo y de mi gozo.

Mas, a trechos tú misma vas haciendo
el camino de burlas y de expolio.
Vamos las dos sintiéndonos, sabiéndonos,
mas no podemos vernos en los ojos,
y no podemos trocarnos palabra,
cual la Eurídice y el Orfeo solos,
las dos cumpliendo un voto o un castigo,
ambas con pies y con acento rotos.

Pero a veces no vas al lado mío:
te llevo en mí, en un peso angustioso
y amoroso a la vez, como pobre hijo
galeoto a su padre galeoto,
y hay que enhebrar los cerros repetidos,
sin decir el secreto doloroso:
que yo te llevo hurtada a dioses crueles
y que vamos a un Dios que es de nosotros.

Y otras veces ni estás cerro adelante,
ni vas conmigo, ni vas en mi soplo:
te has disuelto con niebla en las montañas,
te has cedido al paisaje cardenoso.
Y me das unas voces de sarcasmo
desde tres puntos, y en dolor me rompo,
porque mi cuerpo es uno, el que me diste,
y tú eres un agua de cien ojos,
y eres un paisaje de mil brazos,
nunca más lo que son los amorosos:
un pecho vivo sobre un pecho vivo,
nudo de bronce ablandado en sollozo.

Y nunca estamos, nunca nos quedamos,
como dicen que quedan los gloriosos,
delante de su Dios, en dos anillos
de luz, o en dos medallones absortos,
ensartados en un rayo de gloria
o acostados en un cauce de oro.

O te busco, y no sabes que te busco,
o vas conmigo, y no te veo el rostro;
o en mí tú vas, en terrible convenio,
sin responderme con tu cuerpo sordo,
siempre por el rosario de los cerros,
que cobran sangre por entregar gozo,
y hacen danzar en torno a cada uno,
¡hasta el momento de la sien ardiendo,
del cascabel de la antigua demencia
y de la trampa en el vórtice rojo!
- Gabriela Mistral, del libro "Tala".



Los sonetos de la muerte
I
Del nicho helado en que los hombres te pusieron,
te bajaré a la tierra humilde y soleada.
Que he de dormirme en ella los hombres no supieron,
y que hemos de soñar sobre la misma almohada.

Te acostaré en la tierra soleada con una
dulcedumbre de madre para el hijo dormido,
y la tierra ha de hacerse suavidades de cuna
al recibir tu cuerpo de niño dolorido.

Luego iré espolvoreando tierra y polvo de rosas,
y en la azulada y leve polvareda de luna,
los despojos livianos irán quedando presos.

Me alejaré cantando mis venganzas hermosas,
¡porque a ese hondor recóndito la mano de ninguna
bajará a disputarme tu puñado de huesos!

II
Este largo cansancio se hará mayor un día,
y el alma dirá al cuerpo que no quiere seguir
arrastrando su masa por la rosada vía,
por donde van los hombres, contentos de vivir.

Sentirás que a tu lado cavan briosamente,
que otra dormida llega a la quieta ciudad.
Esperaré que me hayan cubierto totalmente…
¡y después hablaremos por una eternidad!

Sólo entonces sabrás el por qué no madura
para las hondas huesas tu carne todavía,
tuviste que bajar, sin fatiga, a dormir.

Se hará luz en la zona de los sinos, oscura;
sabrás que en nuestra alianza signo de astros había
y, roto el pacto enorme, tenías que morir.

III
Malas manos tomaron tu vida desde el día
en que, a una señal de astros, dejara su plantel
nevado de azucenas. En gozo florecía.
Malas manos entraron trágicamente en él…

Y yo dije al Señor: —«Por las sendas mortales
le llevan. ¡Sombra amada que no saben guiar!
¡Arráncalo, Señor, a esas manos fatales
o le hundes en el largo sueño que sabes dar!

¡No le puedo gritar, no le puedo seguir!
Su barca empuja un negro viento de tempestad.
Retórnalo a mis brazos o le siegas en flor».

Se detuvo la barca rosa de su vivir…
¿Que no sé del amor, que no tuve piedad?
¡Tú, que vas a juzgarme, lo comprendes, Señor!
- Gabriela Mistral, del libro "Desolación".



Mis libros
    Libros, callados libros de las estanterías,
vivos en su silencio, ardientes en su calma;
libros, los que consuelan, terciopelos del alma,
y que siendo tan tristes nos hacen la alegría!

    Mis manos en el día de afanes se rindieron;
pero al llegar la noche los buscaron, amantes,
en el hueco del muro donde como semblantes
me miran confortándome aquellos que vivieron.

    ¡Biblia, mi noble Biblia, panorama estupendo,
en donde se quedaron mis ojos largamente,
tienes sobre los Salmos las lavas más ardientes
y en su río de fuego mi corazón enciendo!

    Sustentaste a mis gentes con tu robusto vino
y los erguiste recios en medio de los hombres,
y a mí me yergue de ímpetu sólo el decir tu nombre;
porque de ti yo vengo, he quebrado al Destino.

    Después de ti, tan sólo me traspasó los huesos
con su ancho alarido, el sumo Florentino.
A su voz todavía como un junco me inclino;
por su rojez de infierno, fantástica, atravieso.

    Y para refrescar en musgos con rocío
la boca, requemada en las llamas dantescas,
busqué las Florecillas de Asís, las siempre frescas.
¡Y en esas felpas dulces se quedó el pecho mío!

    Yo vi a Francisco, a Aquel fino como las rosas,
pasar por su campiña más leve que un aliento,
besando el lirio abierto y el pecho purulento,
por besar al Señor que duerme entre las cosas.

    ¡Poema de Mistral, olor a surco abierto
que huele en las mañanas, yo te aspiré embriagada!
Vi a Mireya exprimir la fruta ensangrentada
del amor, y correr por el atroz desierto.

    Te recuerdo también, deshecha de dulzuras,
verso de Amado Nervo, con pecho de paloma,
que me hiciste más suave la línea de la loma,
cuando yo te leía en mis mañanas puras.

    Nobles libros antiguos, de hojas amarillentas,
sois labios no rendidos de endulzar a los tristes,
sois la vieja amargura que nuevo manto viste:
¡desde Job hasta Kempis la misma voz doliente!

    Los que cual Cristo hicieron la Vía-Dolorosa,
apretaron el verso contra su roja herida,
y es lienzo de Verónica la estrofa dolorida;
¡todo libro es purpúreo como sangrienta rosa!

    ¡Os amo, os amo, bocas de los poetas idos,
que deshechas en polvo me seguís consolando,
y que al llegar la noche estáis conmigo hablando,
junto a la dulce lámpara, con dulzor de gemidos!

    De la página abierta aparto la mirada
¡oh muertos! y mi ensueño va tejiéndoos semblantes:
las pupilas febriles, los labios anhelantes
que lentos se deshacen en la tierra apretada.
- Gabriela Mistral, del libro "Desolación".



Piececitos
Gabriela y Yin Yin en el Sur de Francia
Piececitos de niño,
azulosos de frío,
¡cómo os ven y no os cubren,
Dios mío!

¡Piececitos heridos
por los guijarros todos,
ultrajados de nieves
y lodos!

El hombre ciego ignora
que por donde pasáis,
una flor de luz viva
dejáis;

que allí donde ponéis
la plantita sangrante,
el nardo nace más
fragante.

Sed, puesto que marcháis
por los caminos rectos,
heroicos como sois
perfectos.

Piececitos de niño,
dos joyitas sufrientes,
¡cómo pasan sin veros
las gentes!
- Gabriela Mistral, en "Ternura", de 1922, p. 278.


Poeta
[A Antonio Aita]

-“En la luz del mundo
yo me he confundido.
Era pura danza
de peces benditos,
y jugué con todo
el azogue Vivo.
Cuando la luz dejo,
quedan peces lívidos
y a la luz frenética
vuelvo enloquecido."

"En la red que llaman
la noche, fui herido,
en nudos de Osas
y luceros vivos.
Yo le amaba el coso
de lanzas y brillos,
hasta que por red
me la he conocido
que pescaba presa
para los abismos."

"En mi propia carne
también me he afligido.
Debajo del pecho
me daba un vagido.

Y partí mi cuerpo
como un enemigo,
para recoger
entero el gemido."

"En límite y límite
que toqué fui herido.
Los tomé por pájaros
del mar, blanquecinos.
Puntos cardinales
son cuatro delirios...
Los anchos alciones
no traigo cautivos
y el morado vértigo
fue lo recogido."

"En los filos altos
del alma he vivido:
donde ella espejea
de luz y cuchillos,
en tremendo amor
y en salvaje ímpetu,
en grande esperanza
y en rasado hastío.
Y por las cimeras
del alma fui herido."

"Y ahora me llega
del mar de mi olvido
ademán y seña
de mi Jesucristo
que, como en la fábula,
el último vino,
y en redes ni cáñamos
ni lazos me ha herido."

"Y me doy entero
al Dueño divino
que me lleva como
un viento o un río,
y más que un abrazo
me lleva ceñido,
en una carrera
en que nos decimos
nada más que "¡Padre!"
y nada más que "¡Hijo!"
- Gabriela Mistral, del libro "Tala".



Raíces
Estoy metida en la noche
de estas raíces amargas,
ciegas, iguales y en pie
que como ciegas, son hermanas.

Sueñan, sueñan, hacen el sueño
y a la copa mandan la fábula.
Oyen los vientos, oyen los pinos
y no suben a saber nada.

Gabriela Mistral - foto: (...)
Los pinos tienen su nombre
y sus siervas no descansan,
y por eso pasa mi mano
con piedad por sus espaldas.

Apretadas y revueltas,
las raíces alimañas
me miran con unos ojos
de peces que no se cansan;
preocupada estoy con ellas
que, silenciosas, me abrazan.

Abajo son los silencios.
En las copas son las fábulas.
Del sol fueron heridas
y bajaron a esta patria.
No sé quien las haya herido
que al rozarlas doy con llagas.

Quiero aprender lo que oyen
para estar tan arrobadas.
Paso entre ellas y mis mejillas
se manchan de tierra mojada.
- Gabriela Mistral, del libro "Poema de Chile".



Ronda de segadores
[A Marcos F. Ayerza]

Columpiamos el santo
perfil del pan,
voleando la espiga
de Canaán.

Los brazos segadores
se vienen y se van.
La tierra de Argentina
tiembla de pan.

A pan segado huele
el pecho del jayán
a pan su padrenuestro,
su sangre a pan.

Alcanza a la cintura
el trigo capitán.
Los brazos segadores
los lame el pan.

El silbo de las hoces
es único refrán,
y el fuego de las hoces
no quema al pan.

Matamos a la muerte
que baja en gavilán,
braceando y cantando
la ola del pan.
- Gabriela Mistral, del libro "Ternura".


Serenidad
   Y después de tener perdida
lo mismo que un pomar la vida,
-hecho ceniza, sin cuajar-,
me han dado esta montaña mágica,
y un río y unas tardes trágicas
como Cristo, con que sangrar.

   Los niños cubren mis rodillas;
mirándoles a las mejillas;
ahora no rompo a sollozar,
que en mi sueño más deleitoso
yo doy el pecho a un hijo hermoso
            sin dudar...

   Estoy como el que fuera dueño
de toda tierra y todo en sueño
            y toda miel;
¡y en estas dos manos mendigas
no he oprimido ni las amigas
            sienes de él!

   De sol a sol voy por las rutas,
y en el regazo olor a frutas
se me acomoda el recental:
tanto trascienden mis abiertas
entrañas a grutas, y a huertas,
y a cuenco tibio de panal!

   Soy la ladera y soy la viña
y la salvias, y el agua niña:
¡todo el azul, todo el candor!
Porque en sus hierbas me apaciento
mi Dios me guarda de sus vientos
como a los linos en la flor.

   Vendrá la nieve cualquier día;
me entregaré a su joya fría,
(fuera otra cosa rebelión).
Y en un silencio de amor sumo,
oprimiendo su duro grumo
me irá vaciando el corazón!
- Gabriela Mistral, del libro "Desolación".


Volver a ver
    ¿Y nunca, nunca más, ni en noches llenas
de temblor de astros, ni en las alboradas
vírgenes, ni en las tardes inmoladas?

    ¿Al margen de ningún sendero pálido,
que ciñe el campo, al margen de ninguna
fontana trémula, blanca de luna?

    ¿Bajo las trenzaduras de la selva,
donde llamándolo me ha anochecido,
ni en la gruta que vuelve mi alarido?

    ¡Oh! ¡no! Volverlo a ver, no importa dónde,
en remansos de cielo o en vórtice hervidor,
bajo unas lunas plácidas o en un cárdeno horror!

    ¡Y ser con él todas las primaveras
y los inviernos, en un angustiado
nudo, en torno a su cuello ensangrentado!
- Gabriela Mistral, del libro "Desolación".



Yo no tengo soledad
Es la noche desamparo
de las sierras hasta el mar.
Pero yo, la que te mece,
¡yo no tengo soledad!

Es el cielo desamparo
si la luna cae al mar.
Pero yo, la que te estrecha,
¡yo no tengo soledad!

Es el mundo desamparo
y la carne triste va
Pero yo, la que te oprime,
¡yo no tengo soledad!

¡En la noche, si me pierde,
lo trae mi sangre!
¡Y en la noche, si lo pierdo,
lo hallo por su sangre!
- Gabriela Mistral, del libro "Ternura".

Gabriela Mistral -  foto: Walda Paixao (Brasil, 1945)


FORTUNA CRÍTICA DE GABRIELA MISTRAL
ADAMS, Telmo. Gabriela Mistral e a Educação das Nossas Crianças. In: STRECK, Danilo Romeu. (Org.). Fontes da Pedagogia Latino-Americana: uma antologia. 1ª ed., Belo Horizonte/MG: Autêntica Editora, 2010, v. 1, p. 211-230.
AGOSÍN, Marjorie. A Gabriela Mistral. 1th print. New York, White Press, 1993, 227p.
AGOSÍN, Marjorie. Gabriela Mistral: the audacious traveler. Athens, Ohio University Press, c. 2003, 308p.
ALEGRÍA, Fernando. Genio y figura de Gabriela Mistral. Buenos Aires: EUDEBA, 1966, 191p.
ARREDONDO, E. Fernández. Al margen del 'incidente' con Gabriela Mistral. Diario de la Marina, Cuba,13 abr. 1930.
BARRA DE ESTAY, Isolina. Gabriela Mistral y su sobrino. Vicuña: [s.n.], 1978. Disponível no link. (acessado em 24.6.2014).
BIBLIOGRAFIA. Gabriela Mistral (1889-1957).  Memória Chilena - Biblioteca Nacional do Chile. Disponível no link. (acessado em 27.6.2014).
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CARRIÓN, Benjamín. Santa Gabriela Mistral (ensayos). Quito, Casa de la Cultura ecuatoriana, 1956, 339p.
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Pasaporte diplomático de Gabriela Mistral




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Memória chilena (*)
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Sobre Mistral
:: Gabriela Mistral ante la crítica: bibliografía anotada. [autor Patricia Rubia]. Santiago: DIBAM, Centro de Investigaciones Diego Barros Arana, c. 1995. Disponível no link. (acessado em 24.6.2014).
:: Visión de una poesía. [autor Gastón von dem Bussche]. Santiago : Eds. de los Anales de la Universidad de Chile, 1957. Disponível no link. (acessado em 24.6.2014).
:: Gabriela Mistral - Magisterio y niño. [Autor: Roque Esteban Scarpa, 1914-1995; prol./ Gabriela Mistral. Santiago: Andrés Bello, impresión de 1979 (Santiago: Salesianos). Disponível no link. (acessado em 24.6.2014).
:: Gabriela Mistral: a cien años de su nacimiento 1889-1989. Santiago: Dirección de Bibliotecas, Archivos y Museos, 1989. Disponível no link. (acessado em 24.6.2014).
:: Gabriela Mistral: campesina del Valle de Elqui. (autora Marta Elena Samatán]. Buenos Aires : Instituto Amigos del Libro Argentino, 1969. Disponível no link. (acessado em 24.6.2014).
:: Gabriela Mistral y su sobrino. [Autora Isolina Barraza de Estay]. Vicuña: [s.n.], 1978. Disponível no link. (acessado em 24.6.2014).
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:: Gabriela Mistral en El Coquimbo. [Betty Toro Jorquera; María Irene González; Pedro Pablo Zegers Blanchet; y Gabriela Mistral]. Santiago: Dirección de Bibliotecas Archivos y Museos: Museo Gabriela Mistral de Vicuña, 1994. Disponível no link. (acessado em 24.6.2014).

* Fonte: Gabriela Mistral (1889-1957) - Maestra madre e poeta/"Bibliografia - seção: documentos". Memória Chilena/Biblioteca Nacional. Disponíveis neste link. (acessado em 24.6.2014).
** Estas obras san protegidas por ley de propiedad intelectual. Su uso y reproducción están sujetos a la autorización de su autor(es) y/o titulares de derechos.
  

GABRIELA MISTRAL - FOTOS E MANUSCRITOS

Henriqueta Lisboa e Gabriela Mistral (de pé) em conferência sobre o Chile, em Belo Horizonte, 1942

Gabriela Ministral con Miguel de Unamuno y el hispanista Ernst Robert Curtius

Delia Del Carril, Pablo Neruda y Gabriela Mistral en 1951

El poeta español Juan Ramón Jiménez y Gabriela Mistral

Gabriela Mistral con Juana de Ibarbourou y Alfonsina Storni

Gabriela Mistral y atriz Maria Maluenda

Gabriela Mistral y ...


Gabriela Mistral en Montegrande, 1954.


Gabriela Mistral en Vicuña, 1954.

Doris Dana e Gabriela Mistral

Gabriela Mistral y  (...) - foto: Marcos Chamudes 
[Coleccion del Museo Historico Nacional]


Doris Dana e Gabriela Mistral


Embajador Don Enrique Gajardo Villarroel con Gabriela Mistral
en Fortin Las Flores (Mexico, 1949)


Palma Guillén y Gabriela Mistral


El Dios triste
Mirando la alameda de otoño lacerada,
la alameda profunda de vejez amarilla,
como cuando camino por la hierba segada
busco el rostro de Dios y palpo su mejilla.

Y en esta tarde lenta como una hebra de llanto
por la alameda de oro y de rojez yo siento
un Dios de otoño, un Dios sin ardor y sin canto
¡y lo conozco triste, lleno de desaliento!

Y pienso que tal vez Aquel tremendo y fuerte
Señor, al que cantara de locura embriagada,
no existe, y que mi Padre que las mañanas vierte
tiene la mano laxa, la mejilla cansada.

Se oye en su corazón un rumor de alameda
de otoño: el desgajarse de la suma tristeza.
Su mirada hacia mí como lágrima rueda
y esa mirada mustia me inclina la cabeza.

Y ensayo otra plegaria para este Dios doliente,
plegaria que del polvo del mundo no ha subido:
"Padre, nada te pido, pues te miro a la frente
y eres inmenso, ¡inmenso!, pero te hallas herido".
- Gabriela Mistral, en "Desolación". 3ª ed., Santiago de Chile: Editorial del Pacífico, S. A.,1960, p. 59.


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REFERÊNCIAS E OUTRAS FONTES DE PESQUISA
Gabriela Mistral - foto: (...)
:: Museo Gabriela Mistral de Vicuña 


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Gabriela Mistral. Templo Cultural Delfos, junho/2014. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada em 25.6.2014.



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