Henriqueta Lisboa - desbravadora de caminhos

Henriqueta Lisboa expondo o título de Cidadã Honorária
 na Câmara Municipal de Belo Horizonte, em 21 julho de 1972.
Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG
“[...] tenho visado, de modo pertinaz e intensivo, a essência do ser, a substância do que é vital, a ansiedade da criatura em busca da perfeição e do infinito, os mistérios da natureza, o próprio mistério do processo poético, o relacionamento entre a alma e Deus, a caminhada da alma à procura de Deus."
- Henriqueta Lisboa, in “Casa de pedra: poemas escolhidos”. São Paulo: Ática, 1979, p. 18-19.


“Força é reconhecer: nenhum poeta sobrevive se se distancia do tempo em que vive. O que se alienar trairá seu coração e sua consciência. Mesmo sem alusão direta a circunstâncias, o poeta se acusa como ser comunitário.”
- Henriqueta Lisboa, in "Vivência poética". Belo Horizonte: Ed. São Vicente, 1979, p.18.



Manuscrito de Henriqueta Lisboa. Fonte: Série esboços e notas. AHL/AEM/CELC/UFMG.

Henriqueta Lisboa nasceu em Lambari, MG, em 15 de julho de 1901 e morreu em Belo Horizonte em 9 de outubro de 1985, filha de João de Almeida Lisboa, deputado federal, e de Maria Rita Vilhena Lisboa. Foi poeta, tradutora, ensaísta e, ainda, docente de literaturas hispano-americana e brasileira e de literatura geral. Fez o curso normal no Colégio Sion em Campanha, MG.
Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1924. Seu primeiro livro de poemas, publicado em 1925, intitulava-se Fogo fátuo, de tendência simbolista, traço marcante de sua obra até a década de 1940. Recebeu durante sua vida vários prêmios: em 1931, foi agraciada com o Prêmio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras pelo livro Enternecimento; em 1952, a Câmara Brasileira do Livro premiou seu livro infantil Madrinha lua; pelo conjunto de sua obra obteve três prêmios, a Medalha da Inconfidência de Minas Gerais em 1955, o Prêmio Brasília de Literatura em 1971 e o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras em 1984.
Sua extensa produção intelectual é composta por ensaios literários, traduções, organização de antologias de poesias. Colaborou com várias revistas editadas no Rio de Janeiro e Minas Gerais, entre as quais O Malho, Revista da Semana, A Manhã, O Jornal, com a revista Kosmos e com a revista Festa ao lado de Gilka Machado e Cecília Meireles. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Entre 1940 e 1945 manteve com o escritor Mário de Andrade, uma vasta correspondência, onde discutiam temas pessoais e literários.
Foi a primeira mulher eleita para a Academia Mineira de Letras em 1963, onde ocupou a cadeira de nº 26. Sua poesia tornou-se conhecida no exterior, sendo traduzida em várias línguas, como o francês, inglês, italiano, espanhol, alemão e latim. Henriqueta Lisboa traduziu obras de Dante, Guillén, Gabriela Mistral, entre outros. Em Senhorita X, encontramos o poema Quando tenhas de vir, de sua autoria.
Fonte: BNdigital

Henriqueta Lisboa em sua sala de trabalho, 1949.
Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.

“Henriqueta Lisboa é uma prisioneira consentida. O que lhe faz o caráter mais especial da sua qualidade poética é mesmo bem essa alegria esvoaçante e ácida de um coração magoado. Há todo um esplendor, todo um arrebatamento, toda uma felicidade sufocada. E o coração magoado sorri. [...] Henriqueta é tão meiga, cômoda em sua qualidade, que soube ultrapassar a dor viva dos ideais e das ânsias completamente mulher, perdoando sem esquecer. Muitas são as suas compensações, está claro. E entre elas esse lirismo que a excetua, uma carícia simples, dor recôndita em sorriso leve, e a frase contida – coisas raras na poesia nacional.”
- Mário de Andrade, in artigo "Coração magoado”, publicado O Diário de São Paulo, em 2 de abril de 1941. 


CRONOLOGIA
Henriqueta Lisboa, 1949
 Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.
1901 - Nasce em 15 de julho na cidade de Lambari, sul de Minas Gerais. Faz o curso primário no Grupo Escolar Dr. João Bráulio Júnior, em Lambari, e o curso normal no Colégio Sion de Campanha, onde estuda os clássicos de língua portuguesa e francesa.
1924 - O pai é eleito deputado federal e a família muda-se para o Rio de Janeiro.
1925 - Publica Fogo Fátuo, poemas.
1929 - Publica Enternecimento, poemas.
1931 - Recebe o prêmio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras pelo livro Enternecimento.
1935 - Muda-se com a família para Belo Horizonte, sendo o pai, João Lisboa, membro da Constituinte Mineira. É nomeada inspetora federal de ensino secundário.
1936 - Publica Velário, poemas. Representa a mulher mineira no III Congresso Feminino Nacional, realizado no Rio de Janeiro.
1937 - Recebe medalha e diploma de O Malho como uma das cinco intelectuais brasileiras laureadas no plebiscito "Levemos a mulher à Academia de Letras".
1940 - Inicia correspondência com Mário de Andrade, de quem recebeu 42 cartas no período de 24 de fevereiro de 1940 a 20 de janeiro de 1945.
1941 - Publica Prisioneira da Noite, poemas.
1943 - Publica O Menino Poeta, poemas. A convite de Henriqueta Lisboa, com o apoio do Prefeito Juscelino Kubitschek, Gabriela Mistral, Prêmio Nobel de Literatura 1945, profere duas conferências: uma sobre o Chile e outra sobre O Menino Poeta, de Henriqueta Lisboa, no Instituto de Educação de Belo Horizonte.
1945 - Publica A Face Lívida, poemas, e o ensaio Alphonsus de Guimaraens. Ingressa no ensino superior lecionando Literatura Hispano-americana e Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria da Universidade Católica de Minas Gerais.
1949 - Publica Flor da Morte, poemas -1950 - Recebe o prêmio Othon Bezerra de Mello da Academia Mineira de Letras pela obra Flor da Morte.
1951 - Começa a lecionar História da Literatura na Escola de Biblioteconomia de Minas Gerais.
1952 - Publica Madrinha Lua, poemas. Recebe o primeiro prêmio da Câmara Brasileira do Livro (São Paulo) pela obra Madrinha Lua.
1955 - Publica Convívio Poético, livro de ensaios. Recebe a Medalha de Honra da Inconfidência de Minas Gerais.
1956 - Publica Azul Profundo, poemas.
1958 - Publica Lírica, que reúne sua obra poética. Ingressa no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
1959 - Publica Montanha viva: Caraça, poemas. Recebe medalha da Academia Mineira de Letras.
1960 - Recebe o diploma de Personalidade de Minas Gerais no setor de literatura.
Henriqueta Lisboa, 1953 - Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.
1961 - Publica Antologia poética para a infância e a juventude (edição do Instituto Nacional do Livro / Ministério da Educação e Cultura).
1962 - Recebe medalha conferida pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália.
1963 - Publica Além da Imagem, poemas. É eleita a primeira mulher para a Academia Mineira de Letras.
1965 - Publica o texto 'Mário de Andrade, o poeta', no livro Mário de Andrade, e 'O meu Dante', no livro O meu Dante; contribuições e depoimentos.
1966 - Publica o texto 'O motivo infantil na obra de Guimarães Rosa' no livro Guimarães Rosa.
1967 - Recebe a Medalha de Mérito da Municipalidade de Belo Horizonte.
1968 - Aposenta-se como técnica de ensino, pelo MEC, e passa a dedicar-se exclusivamente a seus livros. Publica Vigília Poética, ensaios.
1969 - Publica Cantos de Dante; traduções do Purgatório, Poemas escolhidos de Gabriela Mistral e Literatura oral para a infância e a juventude. Recebe o título de cidadã Honorária de Belo Horizonte. Toma posse na Academia Mineira de Letras.
1970 - Recebe o prêmio Presença d'Itália in Brazile. Realiza uma viagem à Europa a convite do governo italiano e é recebida oficialmente em Portugal.
1971 - Publica Nova Lírica; poemas selecionados. Recebe o prêmio Brasília de Literatura pelo conjunto da obra, conferido pela Fundação Cultural do Distrito Federal.
1972 - Publica Belo Horizonte bem querer, poemas.
1973 - Publica O alvo humano, poemas.
1974 - São publicados dois livros com tradução de seus poemas: em francês (Poèmes choisis, tradução de Vera Conradt) e em inglês (Chosen poems, tradução de Hélcio Veiga Costa).
1975 - Recebe o diploma do Ano Internacional da Mulher conferido pelo governo do Estado de Minas Gerais.
1976 - Publica Reverberações, poemas, e Miradouro e outros poemas. Recebe o prêmio poesia 76, conferido pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
1977 - Publica Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra, poemas. É publicada a edição bilíngüe, português- latim de Montanha viva; Caraça / Mons vivus seu Mons Caracensis, poemas, tradução de padre Pedro Sarneel e do Professor J. Lourenço de Oliveira.
1978 - Publica A poesia de Jorge Guillén, ensaio. São editados nos EUA Selected poems, tradução de Blanca Lobo Filho e o ensaio The poetry of Emily Dickson and Henriqueta Lisboa de Blanca Lobo Filho.
1979 - Publica Vivência Poética, livro de ensaios. Recebe o diploma de membro fundador da Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil e o título de personalidade do Ano Internacional da Criança, conferido pela União Brasileira de Escritores. Recebe o diploma de mérito poético por decreto do Governador do Estado de Minas Gerais, comemorativo dos cinqüenta anos de poesia.
1980 - Publica Casa de Pedra; poemas escolhidos. Recebe a Grande Medalha da Inconfidência.
Henriqueta Lisboa em sua biblioteca. Em suas mãos 
o livro O movimento  modernista, de Mário de Andrade.
 Fonte: Publicada inicialmente em A Cigarra
 e reproduzida no Estado de Minas, em 17 de junho, 
de 2001, p.4.
1982 - Publica Pousada do Ser, sua última coletânea de poemas.
1983 - Recebe a Medalha Santos Dumont.1984 - Recebe o prêmio Pen Club do Brasil, pela obra Pousada do Ser e o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.
1985 - Morre em 9 de outubro, em sua residência de Belo Horizonte. É lançado o primeiro volume das obras completas com o título Obras completas: I - poesia geral 1929 - 1983.
1987 - É criado o Prêmio Literário Henriqueta Lisboa, pela Secretaria de Cultura de Minas Gerais.
1989 - Doação, pela família de Henriqueta Lisboa, do acervo da escritora para o Centro de Estudos Literários da Faculdade de Letras da UFMG. Realização da Semana Henriqueta Lisboa, com depoimentos e conferências sobre a sua obra, no Centro Cultural da UFMG.
1990 - Publica-se Querida Henriqueta: cartas de Mário de Andrade a Henriqueta Lisboa.. Revisão, introdução e notas por Pe. Lauro Palú. Rio de Janeiro: José Olympio.
2001 - Criada a Comissão especial de comemoração do centenário de nascimento da poeta Henriqueta Lisboa pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Publicam-se Henriqueta Lisboa: poesia traduzida. Organização, introdução e notas por Reinaldo Marques e Maria Eneida Victor Farias. Belo Horizonte: Editora UFMG. E Henriqueta Lisboa: melhores poemas. Introdução e seleção por Fábio Lucas. São Paulo, Global Editora.
Fonte: A cronologia de Henriqueta Lisboa foi retirada do livro Presença de Henriqueta, organizado por Abigail de Oliveira Carvalho, Eneida Maria de Souza e Wander Melo Miranda. Rio de Janeiro: José Olympio, 1992. e atualizada por Eneida Maria de Souza e Reinaldo Marques./Ufmg.


"Trabalhar com seriedade e amor. No trabalho se inclui a leitura de escolha, o estudo da língua, a pesquisa estética, o esforço técnico, a meditação sobre o tempo presente, a contemplação do passado e do futuro, a observação da natureza, a experiência pessoal, e um Pormenor importante: a consulta ao dicionário."
- Henriqueta Lisboa, em Entrevista concedida a José Afrânio Moreira Duarte, publicada no Diário de Minas, em Belo Horizonte, 5 de julho de 1970.

Henriqueta Lisboa com sua família em 1943

“A forma límpida, cristal sem jaça de sua poesia, a agudeza das imagens, a densidade das palavras, a segurança do ritmo, sua humildade, constituem sua força expressiva e comunicativa.”
- Sérgio Milliet


Henriqueta Lisboa com suas irmãs: Alaíde, Henriqueta, Abigail e Maria
(1925). Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG

"Não haverá, em nosso acervo poético, instantes mais altos do que os atingidos por este tímido e esquivo poeta."
- Carlos Drummond de Andrade, in "Um poeta conta-nos da morte", (1952)


OBRAS

Poesia
Retrato em bico de pena de Henriqueta Lisboa, de Ruth Werneck.
Fonte: Boletim mensal Amigas da Cultura, ano II, nº especial
 em homenagem aos 50 anos de poesia de Henriqueta Lisboa,
mai. 1979. AHL/AEM /CELC/UFMG.
Fogo-fátuo. Rio de Janeiro: S/ed.,1925, 147p.
Enternecimento. Rio de Janeiro: Pongetti, 1929, 132p.
Velário. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1936, 131p.
Prisioneira da noite. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1941, 138p.
O menino poeta. Rio de Janeiro: Bedeschi, 1943, 126p.
O menino poeta. [Edição especial ampliada], Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1975, 213p.
O menino poeta. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1984, 54p.
O menino poeta. [Ilustrações de Marilda Castanha] São Paulo: Global Editora, 2003.
O menino poeta.  [Ilustrações de Nelson Cruz].  São Paulo: Peirópolis, 2008.
A face lívida. [à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano], Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1945, 147p.
Flor da morte. Belo Horizonte: Calazans, 1949, 98p.
Poemas: flor da morte e a Face lívida. Belo Horizonte: Calazans, 1951, 196p.
Madrinha Lua. Rio de Janeiro: Hipocampo, 1952, 8p.
Madrinha Lua. [os Cadernos de Cultura]. 2ª ed., Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, 1953, 57p.
Madrinha Lua. 3ª ed., Belo Horizonte: Coordenadoria de Cultura do Estado de Minas Gerais, 1980, 62p.
Azul profundo. Belo Horizonte: Ariel, 1955, 112p.
Azul profundo. 2ª ed., São Paulo: Xerox do Brasil, 1969, 129p.
Lírica. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958, 274 p.
Montanha viva: Caraça. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1959, 176p.
Montanha viva: Caraça. [Mons vivus seu Mons Carecensis]. Belo Horizonte: São Vicente, 1977.
Além da imagem. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1963, 75p.
Nova Lírica. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1971, 204p.
Belo Horizonte bem querer. Belo Horizonte: Eddal, 1972, 74p.
O alvo humano. São Paulo: Editora do Escritor, 1973, 65p.
Reverberações. Belo Horizonte: São Vicente, 1976, 62p.
Miradouro e outros poemas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1976, 168p.
Miradouro e outros poemas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1977.
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra. Belo Horizonte: [s.n], 1977.
Casa de pedra. [Poemas escolhidos]. São Paulo: Ática, 1979, 95p.
Pousada do ser. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982 113p.
Obras completas: I - poesia geral 1929 -1983. São Paulo: Duas Cidades, 1985, 563p.
Henriqueta Lisboa: poesia traduzida. [Introdução e notas Reinaldo Marques. Maria Eneida Victor Farias]. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001.
Henriqueta Lisboa: melhores poemas. [Seleção Fábio Lucas]. São Paulo: Global Editora, 2001.


Retrato de Henriqueta Lisboa - desenho de Tossan.
 Fonte: A Gazeta Esportiva, 18/09/1966. AHL/AEM /CELC/UFMG
Ensaios (Livros)
Convívio poético. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1955.
Vigília poética. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1968.
Vivência poética. Belo Horizonte: São Vicente, 1979.



Antologias organizadas
Antologia poética para a infância e a juventude. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1961, 225p.
Antologia poética para a infância e a juventude. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1966, 337p.
Literatura oral para a infância e a juventude. [Lendas, contos e fábulas populares no Brasil]. São Paulo: Cultrix, 1968, 188p.




Artigos e Ensaios
Almas femininas da América do Sul. Colúmbia, Rio de Janeiro, v.1, n. 1, jul. 1928.
Tristão de Athaíde e o movimento católico. Brasil feminino, Rio de Janeiro, jun. 1932.
Musa argentina. Brasil feminino, Rio de Janeiro, n. 14, out. 1933.
Telmo Escobar. Brasil feminino, Rio de Janeiro, n. 11, abr. 1933.
Musa hispano-americana. Revista da Semana, Rio de Janeiro, 20 out. 1934.
Vozes na penumbra. O Malho, Rio de Janeiro, 4 out. 1934.
Aquela voz no ermo da noite. O Malho, Rio de Janeiro, v.6, p.17, 6 jun. 1935.
“Amai-vos uns aos outros”. O Malho, Rio de Janeiro, 7 mar. 1935.
Três poetas argentinos. Revista da Semana, Rio de Janeiro, 18 maio. 1935.
Vida harmoniosa. O Malho, Rio de Janeiro, 4 out. 1935.
Diálogo entre a ilusão e a realidade. O Malho. Rio de Janeiro, 18 abril. 1935.
Aurélia Rubião – irmã dos poetas. Alterosa, Belo Horizonte, v.1, n.2, p.72, p.72-73, set. 1939.
Alphonsus de Guimaraens. Rio de Janeiro: Agir, 1945. (Coleção Nossos Grandes Mortos, v. 7).
A lição de Alphonsus. O Diário, Belo Horizonte, 14 jul. 1946, p. 4.
Aspectos da literatura hispano-americana. O Estado de São Paulo, São Paulo, 15 set.1948, p. 3,14.
Aspectos da literatura hispano-americana II. O Estado de São Paulo, São Paulo, 17 set.1948.
Ao luar. Auta de Souza. Diário de Minas, Belo Horizonte, 4 set. 1949.
Galeria poética. . Diário de Minas, Belo Horizonte, 16 out. 1949.
Bárbara Heliodora. Diário de Minas, Belo Horizonte, 23 de abr. 1950. p.1-4.
Romance e folclore. Diário de Minas. Belo Horizonte, abr. 1950, p.1-2.
Poesia, beleza e estética. Folha de Minas, Belo Horizonte, 3 maio 1953, p.5.
Retrato de Henriqueta Lisboa feito por Lisete Meimberg
Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.
Conceito de estilo. Folha de Minas. Belo Horizonte, 1956.
A educação cívica na escola secundária. O Diário. Belo Horizonte, 15 abr. 1956, p.6.
O crítico e o escritor. O Diário. Belo Horizonte, s.d.
A poesia de Ungaretti. Revista do livro, Rio de Janeiro, v. 2, n. 7, set. 1957. p.197-202.
Gabriela Mistral. O Diário. Belo Horizonte, 13 jan. 1957, p.4.
A poesia de “Grande sertão: veredas”. Revista do livro. Rio de Janeiro, v. 3, n. 12, dez. 1958. p. 141-146.
Reflexões sobre a história: discurso. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 6, 1959. p. 161-166.
A experiência diz que, afinal, o importante mesmo é a poesia. Diário da Tarde, Belo Horizonte, 15 jul. 1959.
Mário de Andrade preparou as novas gerações para a literatura nacional. O Diário, Belo Horizonte, 2 abr. 1960, p. 5.
Pensamento e poesia de Mário de Andrade. O Estado de São Paulo, São Paulo, 30 abr. 1960, p. 4.
A poesia de Murilo Mendes. O Estado de São Paulo. São Paulo, 5 nov 1960. Suplemento Literário, p. 3.
Romance com notícias folclóricas. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, v. 8, p. 103-107, 1961.
Alfonso Reyes, ensaísta e poeta. Estado de Minas, Belo Horizonte, 30 jul. 1963.
Conceituação de poesia entre os franceses. Revista Brasileira, Rio de Janeiro, v. 10, n. 29, jun. 1964. p. 98-112.
Mário de Andrade, o poeta. Mário de Andrade. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1965. p. 53-58.
O Meu Dante. O Meu Dante: contribuições e depoimentos. São Paulo: Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, 1965. p. 9-20.
O motivo infantil na obra de Guimarães Rosa. Guimarães Rosa. Belo Horizonte: Centro
de Estudos Mineiros, 1966. p. 19-30. e  In: COUTINHO,  Eduardo F. (sel.). Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991. (Fortuna Crítica; 6). p. 174.
Conceituação de poesia entre os franceses. Revista Brasileira, Rio de Janeiro, v. 10, n.29, p. 98-111, jun/ago. 1966.
Vicente de Carvalho. O Estado de São Paulo, São Paulo, 12 nov. 1966, p. 6.
Formação do poeta. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 26 nov. 1966, p.2.
Entre mineiros. O Estado de São Paulo, São Paulo, 5 mar. 1966. Suplemento Literário, p. 1.
Cecília Meireles. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 12 ago. 1967, p. 1.
O poeta Camilo Pessanha. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 9 set. 1967, p. 2-3.
À margem do manuscrito holandês. Minas Gerais, Belo Horizonte, 11 mar. 1967.
Aspectos do movimento modernista. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 16 mar. 1968, p. 2-3.
Expressão e comunicação. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 13 jan. 1968, p. 5.
Guimarães Rosa e o conto. O Estado de São Paulo, São Paulo, 30 nov. 1968, p.6.
Jorge Guillén. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 12 dez. 1968, p. 8.
Folclore e literatura infantil. Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, fev. 26 out. 1969.
Mário de Sá Carneiro. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 13 jun. 1970, p. 4-5.
Mário de Sá Carneiro II. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 20 jun. 1970, p. 10-11.
A poesia de Alphonsus Guimaraens. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 2 jan. 1971, p. 10-11.
Vicente Huidobro e o criacionismo. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 1 maio 1971, p.4-5.
Retrato de Henriqueta Lisboa – desenho de Conceição Piló.
 Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.
Alphonsus e Severiano. Colóquio/Letras, Lisboa: n.6, p. 27-34, mar. 1972.
Confidências e reflexões em torno de um livro. Minas Gerais, Belo Horizonte, dez. 1972. Suplemento Pedagógico, p.3.
Poeta Severiano de Resende. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 23 dez. 1972, p. 8-9.
Itinerário do artista. Estado de Minas, Belo Horizonte, 16 maio 1974, p. 1.
A poesia de Jorge Guillén. Separata de Insul, Madri, 1978. p. 321-330.
Poesia, esta maravilhosa deidade a que votei toda uma existência. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 22 dez. 1979. p. 2.
Infância e poesia. Revista do Conselho Estadual de Cultura de Minas Gerais, Belo
Horizonte, n. 8, 1979. p. 47-50.
Literatura oral e literatura infantil. Literatura infantil. Rio de Janeiro: PUC, 1980.
Evocação de Mário Casasanta. Minas Gerais, Belo Horizonte, 4 out. 1980, p. 12-13.
A experiência poética, segredo além do esforço humano. Estado de Minas, Belo Horizonte, 21 jul. 1984.
Itinerário de Petrônio Bax. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, 3 out. 1987, p. 8.


"O seu caminho de contenção e austeridade de expressão e sentimento, a sua lúcida visão de um mundo lírico que se recuse ao gracioso e ao fácil (sem que isso implique, evidentemente, uma secura, mas sim uma exigência), a busca de uma essencialidade poética que não é obstrução [...] tudo isso faz que, onde se abram os seus livros se encontre, menos que uma elegância de post-simbolista, uma personalidade firme de poeta moderno."
- Jorge de Sena, crítico português.


Depoimentos e entrevistas
III Congresso Feminino: Impressões da representante do Estado de Minas Gerais. O
Imparcial, Rio de Janeiro, 14 out. 1936.
Henriqueta Lisboa e o papel da mulher intelectual na sociedade. Vamos ler, Rio de Janeiro, 11 set. 1941. p. 18-19. Entrevista a Milton Pedrosa.
Retrato de Henriqueta Lisboa – 1984 – Sara Ávila.
Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.
“O Movimento Modernista está perfeitamente realizado”. Correio Paulistano, São Paulo, 25 fev. 1945. Entrevista a Domingos Carvalho da Silva.
Henriqueta Lisboa. [Entrevista a Yvonne Jean]. Revista da Semana, Rio de Janeiro, 6 dez. 1947. p. 49.
Falando francamente. [Entrevista a Walter Álavares ]. Folha de Minas, em Belo Horizonte, em 09 de outubro de 1949.
Que pintora teria sido Henriqueta, se a poesia não a “aprisionasse”. [Entrevista a José Orsine Reis]. O Estado, Niterói, 19 ago. 1951.
Fala aos leitores de Henriqueta Lisboa. Diário de Minas, Belo Horizonte, 6 jan. 1952.
p.1. Entrevista a Maria Luiza Ramos.
Henriqueta Lisboa mensageira de Minas Gerais. [Entrevista a Maria de Lourdes Teixeira]. Folha da Manhã, São Paulo, 1 fev. 1953. p.3.
Henriqueta Lisboa, prisioneira da noite. [Entrevista a Carlos David]. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 13 jun. 1953.
Amanhã o lançamento de Azul profundo. [Depoimento de Henriqueta Lisboa]. O Diário, de 11 de setembro de 1956.
Poesia concreta: arte ou mistificação? [Entrevista a Lúcio de Freitas]. O Diário, Belo Horizonte, 24 abr. 1957.
Poetisa Henriqueta Lisboa. [Entrevista a Lúcia Veado]. Estados de Minas, Belo Horizonte, 20 set. 1959.
Na guerra da Academia a arma é a poesia. Binômio, Belo Horizonte, 24 jun. 1963.
O lado humano. [Entrevista a Wanda Figueiredo].  Estado de Minas, Belo Horizonte, 9 fev. 1964.
¿Para que sirve el arte? [Entrevista a J. Montezuma de Carvalho].  El Guayaquil, 13 abr. 1966.
O poema é o vínculo entre o ser e o não ser. [Entrevista a José Afrânio Moreira Duarte]. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 9 jul. 1966. p. 2.
Henriqueta Lisboa do fundo do azul do mundo. [Entrevista a Roberto Drummond e Evandro Santiago]. Estado de Minas, Belo Horizonte, 4 maio 1969. p. 10.
Depoimento da tradutora. In: MISTRAL, Gabriela. Poesias escolhidas. Trad. De Henriqueta Lisboa. Rio de Janeiro: Delta, 1969. p. 47-55.
Arte e liberdade. [Entrevista a J. Montezuma de Carvalho]. Minas Gerais, Belo Horizonte, 28 fev. 1970. Suplemento Literário, p. 10.
Henriqueta Lisboa: a grande dama da poesia brasileira. [Entrevista concedida a José Afrânio Moreira Duarte]. Diário de Minas. Belo Horizonte, 5 jul. 1970.
Minha mãe era assim. [Entrevista a Célia Nascimento].  Estado de Minas, Belo Horizonte, 10 maio 1970.
Poesia com destinatário não é meu feitio. [Entrevista a José Afrânio Moreira Duarte]. Jornal de Letras, Rio de Janeiro, fev/mar 1971. p. 2.
A comunicação lírica de Henriqueta Lisboa. [Entrevista a Ednalva]. A Cigarra, Rio de Janeiro, out. 1971. p. 96.
O mundo poético de Henriqueta Lisboa, [Entrevista concedida a Dídimo Paiva]. publicada no Estado de Minas, em Belo Horizonte, em 18 de setembro 1974.
Conversando com Henriqueta Lisboa. [Entrevista a José Mário Rodrigues].  Jornal do Commercio, Recife, 14 mar. 1976.
Retrato de Henriqueta Lisboa publicado no
 jornal Correio do Povo, 15 mai.1984.
Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.
Entrevista com Henriqueta Lisboa. [Entrevista a Alcino Leite Netto e José Machado]. Voz da verdade, Lambari, 9 maio 1976.
Mandamento primeiro e único (com alguns mistérios) para conhecer Henriqueta Lisboa. [Entrevista a Maria Cristina Bahia]. Estado de Minas, Belo Horizonte, 30 out. 1977.
Poesia – vocação desde a infância. [Entrevista a Stella Leonardos].  Jornal de Letras, Rio de Janeiro, jul. 1978. p. 3.
A formação do poeta segundo um de seus maiores. [Entrevista a Carmem Schneider Guimarães]. Estado de Minas, Belo Horizonte, 27 jun. 1979.
Henriqueta Lisboa: unida aos homens e a Deus pela poesia. [Entrevista concedida a Edla Van Steen]. O Estado de São Paulo. São Paulo, 5 mai. 1984. Caderno de Programas e Leituras. p. 4. Minas Gerais. Suplemento Literário. Belo Horizonte, jul. 1984. p. 6-7.
A criação poética como reflexo no espelho. [Entrevista a Carmelo Virgillo]. Minas Gerais, Belo Horizonte, 17 ago. 1985. Suplemento literário, p. 8.
De Lambari ao Canadá. [Entrevista a Antonio A. F. Coppe]. Estado de Minas. Belo Horizonte, 15 out. 1985.
Discurso de Henriqueta Lisboa na solenidade de premiação da Academia Brasileira de
Letras. Suplemento Literário Minas Gerais. Belo Horizonte, 21 jul. 1984. p. 12.


“Sempre frágil de aparência e forte de espírito; e muito sensível às decepções.”
- depoimento da sobrinha Abigail de Oliveira Carvalho (sobre Henriqueta Lisboa).


Traduções realizadas por Henriqueta Lisboa
LISBOA, Henriqueta. Cantos de Dante: traduções do “Purgatório”. São Paulo: Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro de São Paulo, 1969. Caderno n. 7, p. 7-20.
MISTRAL, Gabriela. Poemas escolhidos de Gabriela Mistral. [Trad. Henriqueta Lisboa]. Rio de Janeiro: Delta, 1969.

"Recordo-me a primeira vez que vi Henriqueta Lisboa. Ela se parecia com seus livros, coisa que poucas vezes acontece. Um corpo de menina, parado na adolescência, um talhe de arbusto e não de árvore, um tamanho de retama. E, em contraste rotundo com essa infantilidade corporal, uma conversação madura, sem banalidadealguma."
- Gabriela Mistral [sobre Henriqueta foram feitas], em conferência sobre O menino poeta publicada originalmente no jornal A manhã, em 26 de março de 1944.


Murilo Rubião, Henriqueta Lisboa, Rui Mourão e outros. (1972)
Fonte: Arquivo Murilo Rubião

CONDECORAÇÕES E PRÊMIOS
Prêmio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras, pelo livro Enternecimento, 1931;
Medalha e diploma de O Malho, como uma das cinco intelectuais brasileiras laureadas no plebiscito "Levemos a mulher à Academia de Letras", 1937;
Prêmio Othon Bezerra de Mello, da Academia Mineira de Letras pela obra Flor da Morte, 1950;
Prêmio da Câmara Brasileira do Livro (São Paulo), pela obra Madrinha Lua, 1952;
Medalha de Honra da Inconfidência, oferecida pelo governo do Estado de Minas Gerais, por alto mérito literário, 1955;
Medalha da Academia Mineira de Letras, 1959;
Diploma de Personalidade de Minas Gerais no setor de literatura. 1960;
Medaglia Culturale di Bronzo, oferecida pelo Ministério das Relações Exteriores do governo italiano, pela tradução de Dante, 1962;
Eleita a primeira mulher para a Academia Mineira de Letras, 1963;
Medalha de Mérito da Municipalidade de Belo Horizonte, 1967;
Título de cidadã Honorária de Belo Horizonte, 1969;
Prêmio Presença d'Itália in Brazile, 1970;
Prêmio Brasília de Literatura, pelo conjunto da obra, conferido pela Fundação Cultural do Distrito Federal, 1971;
Prêmio poesia 76, conferido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, 1976;
Diploma de membro fundador da Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil, 1979;
Título de personalidade do Ano Internacional da Criança, conferido pela União Brasileira de Escritores, 1979;
Diploma de mérito poético por decreto do Governador do Estado de Minas Gerais, comemorativo dos cinqüenta anos de poesia, 1979;
Grande Medalha da Inconfidência, 1980;
Prêmio Pen Club do Brasil, pela obra Pousada do Ser, 1983;
Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, 1983;
Medalha Santos Dumont, oferecida pelo governo do Estado de Minas Gerais, 1984;



“Se porventura, em assombro “flaubertiano”, eu disser esta frase: “Minha poesia sou eu”, deverei esclarecer que me refiro à poesia em estado de nebulosa ou magma, anterior a condensação e configuração do poema. Logo que este esteja construído, perde o vínculo inicial, assim como o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, goza de existência própria, desde o primeiro respiro.”
- Henriqueta Lisboa, in “Casa de pedra: poemas escolhidos”. São Paulo: Ática, 1979, p. 17.

Desenho/aquarela feito por Henriqueta Lisboa no Colégio Sion. 
Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG. Foto de Henrique Teixeira.

Minha história romântica
No jardim do meu sonho, outr’ora, quando entrava
na vida, ao resplendor de um sol de cereja,
tive a promessa de uma flor que despontava,
na ilusão de quem vai possuir o que deseja.

E, ardente, do calor da minha alma que é lava
fulgida, à luz do olhar que nunca mais se veja,
tendo por humildade o pranto que eu chorava,
a flor se abriu, sorrindo, à sombra de uma igreja.

Uma tarde, porém, sinto que me envenena...
E na volúpia de augmentar a própria pena,
espedaço-a nas mãos! Ó Dor, que me confortas!

Hoje, a sós no jardim, às horas lardas, quedo,
vendo entre um gozo estranho e uma impressão de medo
boiarem na piscina umas pétalas mortas.
- Henriqueta Lisboa, in "Fogo fátuo", 1925.

Henriqueta Lisboa e Manuel Bandeira
Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.

"Já disseram da poesia de Henriqueta que ela se caracteriza por uma constante perfeição (como a de Cecília Meireles). Mas essa perfeição não é fruto de fácil virtuosidade: é perfeição de natureza ascética, adquirida à força de difíceis exercícios espirituais, de rigorosa economia vocabular."
- Manuel Bandeira, in "Dante e Henriqueta", 1959.


"Se- e apóio-me nessa autoridade - que Manuel Bandeira é da mesma opinião: Henriqueta Lisboa é dos maiores poetas em língua portuguesa."
- Otto Maria Carpeaux, in "Mais livros na mesa". 1959.



Retrato de Henriqueta Lisboa, de Aurélia Rubião, 1949.
Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.

POESIAS ESCOLHIDAS

Amargura
Eu chegarei depois de tudo,
mortas as horas derradeiras,
quando alvejar na treva o mudo
riso de escárnio das caveiras.

Eu chegarei a passo lento,
exausta da estranha jornada,
neste invicto pressentimento
de que tudo equivale a nada.

Um dia, um dia, chegam todos,
de olhos profundos e expectantes.
E sob a chuva dos apodos
há mais infelizes do que antes.

As luzes todas se apagaram,
voam negras aves em bando.
Tenho pena dos que chegaram
e a estas horas estão chorando...

Eu chegarei por certo um dia...
assim, tão desesperançada,
que mais acertado seria
ficar em meio à caminhada.
- Henriqueta Lisboa, in "Obras completas: I - poesia geral 1929 -1983". São Paulo: Duas Cidades, 1985.


Abigail, Alaíde e Henriqueta Lisboa, 1915.
Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG
Azul profundo
Azul profundo, ó bela
noite inefável dos
pensamentos de amor!

Ó estrela perfeita
sobre o espesso horizonte!

Ó ternura dos lagos
refletindo montanhas!

Ó virginal dor
da primavera derradeira!

Ó tesouro desconhecido
por toda a eternidade!

Ó luz da solidão,
ó nostalgia, ó Deus!
- Henriqueta Lisboa, in "Azul profundo", 1956.


Infância
E volta sempre a infância
com suas íntimas, fundas amarguras.
Oh! por que não esquecer
as amarguras
e somente lembrar o que foi suave
ao nosso coração de seis anos?

A misteriosa infância
ficou naquele quarto em desordem,
nos soluços de nossa mãe
junto ao leito onde arqueja uma criança;

nos sobrecenhos de nosso pai
examinando o termomêtro: a febre subiu;
e no beijo de despedida à irmãzinha
à hora mais fria da madrugada.

A infância melancólica
ficou naqueles longos dias iguais,
a olhar o rio no quintal horas inteiras,
a ouvir o gemido dos bambus verde-negros
em luta sempre contra as ventanias!

A infância inquieta
ficou no medo da noite
quando a lamparina vacilava mortiça
e ao derredor tudo crescia escuro, escuro...

A menininha ríspida
nunca disse a ninguém que tinha medo,
porém Deus sabe como seu coração batia no escuro,
Deus sabe como seu coração ficou para sempre diante da vida
— batendo, batendo assombrado!
- Henriqueta Lisboa, in "Prisioneiro da noite", 1941.



Chuva
Chuva torrencial carregada
de frutos. Chuva exausta
de longos braços
pendentes.

Chuva nos campos da fatalidade
entregando bandeiras.

Música opulenta de rios
que se despenham.

Durante noites e noites.

As criaturas estão à espera
Protegidas pelas paredes
E a palavra — sol
Unge todos os lábios.

Só eu na minha imensidade sem teto,
só eu te suporto o peso,
só eu te sorvo esse gosto,
de morte.

Chuva, plenitude amarga
de derrota.

Sinto que és retorno,
corpo cansado de espírito,
corpo vencido,
corpo
que se entrega
pesadamente
à terra.
- Henriqueta Lisboa, in "A face lívida", 1945.



Os lírios
Certa madrugada fria
irei de cabelos soltos
ver como crescem os lírios.

Quero saber como crescem
simples e belos — perfeitos! —
ao abandono dos campos.

Antes que o sol apareça
neblina rompe neblina
com vestes brancas, irei.

Irei no maior sigilo
para que ninguém perceba
contendo a respiração.

Sobre a terra muito fria
dobrando meus frios joelhos
farei perguntas à terra.

Depois de ouvir-lhe o segredo
deitada por entre os lírios
adormecerei tranqüila.
- Henriqueta Lisboa, in "A face lívida", 1945.



Expectativa
Neste instante em que espero
uma palavra decisiva,
instante em que de pés e mãos
acorrentada estou,
em que a maré montante de meu ser
se comprime no ouvido à escuta,
em que meu coração em carne viva
se expõe aos olhos dos abutres
num deserto de areia,
— o silêncio é um punhal
que por um fio se pendura
sobre meu ombro esquerdo.

E há uma eternidade
que nenhum vento sopra neste deserto!
- Henriqueta Lisboa, in "Prisioneiro da noite", 1941.


É estranho
É estranho que, após o pranto
vertido em rios sobre os mares,
venha pousar-te no ombro
o pássaro das ilhas, ó náufrago.

É estranho que, depois das trevas
semeadas por sobre as valas,
teus sentidos se adelgacem
diante das clareiras, ó cego.

É estranho que, depois de morto,
rompidos os esteios da alma
e descaminhado o corpo,
homem, tenhas reino mais alto.
- Henriqueta Lisboa, in "Flor da morte", 1949.



Ciranda de mariposas
Vamos todos cirandar
ciranda de mariposas.
Mariposas na vidraça
são joias, são brincos de ouro.
Ai! poeira de ouro translúcida
bailando em torno da lâmpada.
Ai! fulgurantes espelhos
refletindo asas que dançam.
Estrelas são mariposas
(faz tanto frio na rua!)
batem asas de esperança
contra as vidraças da lua.
- Henriqueta Lisboa, in "O menino poeta", 1943.



Tuas palavras, amor...
Como são belas e misteriosas tuas palavras, Amor!
Eu não as tinha pressentido,
eu era como a terra sonolenta e exausta
sob a inclemência do céu carregado de nuvens,
quando, igual a uma chuva torrencial de verão,
tuas palavras caíram da altura em cheio
e se infiltraram nos meus tecidos.

O' a minha pletora de alegria!...
As árvores bracejaram recebendo as bátegas entre as ramas,
as corolas bailaram numa ostentação de taças repletas,
os frutos amadurecidos rolaram bêbedos no solo.
E eu vivi a minha hora máxima de lucidez e loucura
sob a chuva torrencial de verão!

Como são belas e misteriosas tuas palavras, Amor!...
Minha alma era um rochedo solitário no meio das ondas,
perdido de todas as cousas do mundo,
quando, ao passar dentro da noite na tua caravela fuga,
tu me enviaste a mensagem suprema da vida.
A tua saudação foi como um bando de alvoroçadas gaivotas
subindo pelas escarpas do rochedo, contornando-lhe as arestas,
aureolando-lhe os cumes.

E a minha alma esmoreceu ao luar dessa noite,
ilha branca da paz, num sonho acordado...

Amor, como são belas e misteriosas as tuas palavras!...
- Henriqueta Lisboa, in "Velário", 1936.



Lábios que não se abrem, lábios
Lábios que não se abrem, lábios
com seu segredo
calado

Segredo no ermo da noite
resiste à rosa dos ventos
calado.

Flauta sem a vibração
do sopro.
Luar e espelho, frente a frente,
em calada
vigília.

Fria espada unida
ao corpo.

Resto de lágrimas sobre
lábios
calados.

Borboleta da morte
em sorvo
pousada à flor dos lábios
calados
calados.
- Henriqueta Lisboa, in "A face lívida", 1945.


Assombro
Século de assombro — este século.
De violência em progresso.
E os outros séculos?
Cada ser ao sentir o peso do mundo
não terá dito: século de assombro?

O assombro seca a própria sombra
de tanto secar existência:
Sequidão de corações e mentes
Secura de corpo nos ossos
Legião de cegos e de inaptos
Asfixia de túneis e masmorras
Mantos e esgares de hipocrisia
Sevícia para fins de anuência
Acúmulo de monstros e monturos
— Assombro à cunha.

Porém acima de qualquer assombro
aquele assombro vindo de antanho
para atravessar o século
de ponto a ponta — flecha escusa — e ser
perene assombro dos mortais
— a morte.
- Henriqueta Lisboa, in "Pousada do ser", 1982.



Henriqueta Lisboa, 1934
Melancolia
Água negra
negros bordes
poço negro
com flor.

Água turva
densa escuma
turvo limo
com flor.

Noite espessa
sem lanterna
espesso poço
com flor.

sobra, corpo
de serpente
na oferenda
da flor

Risco de morte
violenta,
árdua morte
de asfixia
veneno letal
fatal
quase que puro
suicídio
com uma
lenta
lenta
flor.
- Henriqueta Lisboa, in "A face lívida", 1945.



Noturno
Meu pensamento em febre
é uma lâmpada acesa
a incendiar a noite.

Meus desejos irrequietos,
à hora em que não há socorro,

dançam livres como libélulas
em redor do fogo.
- Henriqueta Lisboa, in "Prisioneiro da noite", 1941.



De súbito cessou a vida
De súbito cessou a vida.
Foram simples palavras breves.
Tudo continuou como estava.

O mesmo teto, o mesmo vento,
o mesmo espaço, os mesmos gestos,
Porém como que eternizados.

Unção, calor, surpresa, risos
tudo eram chapas fotográficas
há muito tempo reveladas.

Todas as cousas tinham sido
e se mantinham sem reserva
numa sucessão automática.

Passos caminhavam no assoalho,
talheres batiam nos dentes,
janelas se abriam, fechavam.

Vinham noites e vinham luas,
madrugadas com sino e chuva.
Sapatos iam na enxurrada.

Meninas chegavam gritando.
Nasciam flores de esmeralda
no asfalto! mas sem esperança.

Jornais prometiam com zelo
em grandes tópicos vermelhos
o fim de uma guerra. Guerra?...

Os que não sabiam falavam.
Quem não sentia tinha o pranto.
(O pranto era ainda o recurso
de velhas cousas coniventes.)

Nem o menor sinal de vida.
Tão-só no fundo espelho a face
lívida, a face lívida.
- Henriqueta Lisboa, in "A face lívida", 1945.



Denúncia
Os tresloucados do volante
— ó vendaval —
voam velozes e ferozes
à caça de carne humana.
Olhos de abutre
fisgam de rua em rua
alguma oferta de acaso.
Rindo brancura de dentes
mil poderes aceleram
rumo à vítima entrevista.
O mundo que lhes pertence
tomam ao revés — de assalto.
Sangram
despedaçam
matam
E ombros erguidos prosseguem
vitoriosos pressurosos
para os aplausos da seita.
- Henriqueta Lisboa, in "Pousada do ser", 1982.



Esse despojamento
Esse despojamento
esse amargo esplendor.
Beleza em sombra
sacrifício incruento.

A mão sem jóias
descarnada
na pureza das veias.
A voz por um fio
desnuda
na palavra sem gesto.

O escuro em torno
e a lucidez
violenta lucidez terrível
batida de encontro ao rosto
como uma ofensa física.

Na imensidade sem pouso,
olhos duros
de pássaro.
- Henriqueta Lisboa, in "A face lívida", 1945.



O poço
Com minhas frágeis
e frias mãos
Cavei um poço
no fundo do horto
da solidão
Cavei um poço
mas bem profundo
com minhas mãos.
- Henriqueta Lisboa, in "A face lívida", 1945.



Serena
Essa ternura grave
que me ensina a sofrer
em silêncio, na suavidade
do entardecer,
menos que pluma de ave
pesa sobre meu ser.

E só assim, na levitação
da hora alta e fria,
porque a noite me leve,
sorvo, pura, a alegria,
que outrora, por mais breve,
de emoção me feria.
- Henriqueta Lisboa, in "Azul profundo", 1956.



Do supérfluo
Também as cousas participam
de nossa vida. Um livro. Uma rosa.
Um trecho musical que nos devolve
a horas inaugurais. O crepúsculo
acaso visto num país
que não sendo da terra
evoca apenas a lembrança
de outra lembrança mais longínqua.
O esboço tão-somente de um gesto
de ferina intenção. A graça
de um retalho de lua
a pervagar num reposteiro
A mesa sobre a qual me debruço
cada dia mais temerosa
de meus próprios dizeres.
Tais cousas de íntimo domínio
talvez sejam supérfluas.
No entanto
que tenho a ver contigo
se não leste o livro que li
não viste a rosa que plantei
nem contemplaste o pôr-do-sol
à hora em que o amor se foi?
Que tens a ver comigo
se dentro em ti não prevalecem
as cousas — todavia supérfluas —
do meu intransferível patrimônio?
- Henriqueta Lisboa, in "Pousada do Ser", 1982.



Sofrimento
No oceano integra-se (bem pouco)
uma pedra de sal.

Ficou o espírito, mais livre
que o corpo.

A música, muito além
do instrumento.

Da alavanca,
sua razão de ser: o impulso,

Ficou o selo, o remate
da obra.

A luz que sobrevive à estrela
e é sua coroa.

O maravilhoso. O imortal.

O que se perdeu foi pouco.

Mas era o que eu mais amava.
- Henriqueta Lisboa, in "Flor da morte", 1949.



Vem, doce morte
Vem, doce morte. Quando queiras.
Ao crepúsculo, no instante em que as nuvens
desfilam pálidos casulos
e o suspiro das árvores — secreto —
não é senão prenúncio
de um delicado acontecimento.

Quanto queiras. Ao meio-dia, súbito
espetáculo deslumbrante e inédito
de rubros panoramas abertos
ao sol, ao mar, aos montes, às planícies
com celeiros refertos e intocados.

Quando queiras. Presentes as estrelas
ou já esquivas, na madrugada
com pássaros despertos, à hora
em que os campos recolhem as sementes
e os cristais endurecem de frio.

Tenho o corpo tão leve (quando queiras)
que a teu primeiro sopro cederei distraída
como um pensamento cortado
pela visão da lua
em que acaso — mais alto — refloresça.
- Henriqueta Lisboa, in "Poesia geral", 1985.



Henriqueta Liboa, em 1969.
O tempo é um fio
O tempo é um fio
bastante frágil
Um fio fino
que à toa escapa.

O tempo é um fio.
Tecei! Tecei!
Rendas de bilro
com gentileza.

Com mais empenho
franças espessas.
Malhas e redes
com mais astúcia.

O tempo é um fio
que vale muito.

Franças espessas
carregam frutos.
Malhas e redes
apanham peixes.

O tempo é um fio
por entre os dedos.
Escapa o fio,
perdeu-se o tempo.

Lá vai o tempo
como um farrapo
jogado à toa.

Mas ainda é tempo!

Soltai os potros
aos quatro ventos,
mandai os servos
de um pólo a outro,
vencei escarpas,
voltai com o tempo
que já se foi!...
- Henriqueta Lisboa, in "Antologia Poética Nestlé", [org. Vera Lúcia de Carvalho Marchezi, Ana Maria T. Borgatto Teresinha Costa H. Bertin]. São Paulo: Fundação Nestlé de Cultura, 2002.


Ó noite
Ó noite, ensina-me
o teu magno
segredo:
iluminar da sombra.
Da sombra
permitir
a visão mais profunda.
Projetar pela sombra
o roteiro dos astros.
Quanto mais te recolhes,
ó noite, nos teus véus,
tanto mais fulgem
as constelações.
Serás acaso humilde,
generosa,
ou apenas criadora
de beleza?
Ó noite, ensina-me
o teu magno
segredo.
- Henriqueta Lisboa, in "Azul profundo", 1985.



Memorando
Então me concentrei dizendo:
Guarda-a na memória esta paisagem
que não se repetirá na face da terra
com as mesmas indefinidas cores.
E esse vulto que teus olhos não verão de novo
passar com idênticos movimentos rítmicos.
E essa voz que te saudou do outro lado do oceano
assim como um fugidio marulho de ondas.
A paisagem desapareceu entre as cinzas do informe.
O vulto não regressou em sucedimento a si próprio.
A voz perdeu o timbre no exaurir da mensagem.
Mas por milagre se conservam tangíveis
dentro de um vago mundo sem dimensões
a paisagem o vulto a voz
que de longe em longe reencontro.
Aquela paisagem ninguém a viu como eu.
Aquele vulto não foi captado senão por mim.
Aquela voz me tocou e não a outrem.
Frágil tesouro da memória
– antes que a noite me desarme –
por algum tempo ainda resguardado
- Henriqueta Lisboa, in "Pousada do Ser", 1982.



O menino poeta
não sei onde está.
Procuro daqui
procuro de lá.
Tem olhos azuis
ou tem olhos negros?
Parece Jesus
ou índio guerreiro?

Trá-lá-lá-li
trá-lá-lá-lá

Mas onde andará
que ainda não o vi?
Nas águas de Lambari,
nos reinos do Canadá?
Estará no berço
brincando com os anjos,
na escola, travesso,
rabiscando bancos?
O vizinho ali
disse que acolá
existe um menino
com dó os peixinhos.
Um dia pescou
- pescou por pescar -
um peixinho de âmbar
coberto de sal.
Depois o soltou outra vez nas ondas.

Ai! que esse menino
será, não será?...

Certo peregrino
(passou por aqui)
conta que um menino
das bandas de lá
furtou uma estrela.
Trá-lá-li-lá-lá

A estrela num choro
o menino rindo.
Porém de repente
(menino tão lindo!)
subiu pelo morro, tornou a pregá-la
com três pregos de ouro
nas saias da lua.

Ai! que esse menino
será, não será?...
Procuro daqui
procuro de lá.

O menino poeta
quero ver de perto
quero ver de perto
para me ensinar
as bonitas cousas
do céu e do mar.
- Henriqueta Lisboa, in "O menino poeta”, 1943.


As coleções
Em primeiro lugar as magnólias.
com seus cálices
e corolas: aquarela
de todas as tonalidades e suma
delicadeza de toque.
Pequena aurora diluída
com doçura – nos tanques.
Depois a música: frêmito
e susto de pássaro.
As valsas – que sorrateiras. E as flautas.
As noites com flauta sob a janela
inaugurando a lua nascida
para o suspirado amor.
Mais tarde os campos, as grutas,
a maravilha. E o caos.
Com seus favos e suas hidras,
o mundo. O mar com seus apelos,
horizontes para o éter,
desespero em mergulho.
Com o tempo, o ocaso. As lentas
plumas, os reposteiros
com seus moucos ouvidos,
a tíbia madeira para
o resguardo das cinzas,
as entabulações – e com que recuos – da paz.
Finalmente os endurecidos espelhos,
os cristais sob o quebra-luz,
dos ângulos o verniz,
o ouro com parcimônia, a prata,
o marfim com seus esqueletos.
- Henriqueta Lisboa, in "Flor da morte", 1985, p. 202.


Uma simples Tulipa
Em musgo tenro se acomoda
o pendor da memória:
moldável flexível
giratório globo jamais.

Agora
à distância, parece
não houve ilha em verdor
nem flauta azul à carícia.
Tudo foi entre nuvens
num tempo de liliáceas
em campo de liliáceas
Transplantadas de mundos transatlânticos.
A tulipa tremia nos dedos
do enamorado – e era dádiva.

Àquele momento as cousas
se dispersavam pelas auras
do descuido.

E a tulipa
Recolho-a entanto transferida
à incidência de muitas luas
bem diversa. Os matrizes
são outros. A cera da memória
se molda ao tempo. Acasalam-se
os relevos: o de ontem
se mistura ao barro geral, enquanto
os turíbulos enevoam
as formas, ai! Tão numerosas
que se fundem às côdeas
deste tardo museu.
A serpe atravessou veloz a planície
Entre adeuses de crianças.

Em breve
nada mais restará
do que uma superfície coberta
de areia sempre areia
sem germes sem sulcos
de que possa nascer

ou renascer
uma simples tulipa:
um respiro
uma vida
um marco
entre duas infinitudes.
- Henriqueta Lisboa, in "O alvo humano", 1973.


Quando tenhas de vir
Quando tenhas de vir, Amor, que escolhas
o recanto mais vago, a hora mais linda.
Pesam ao galho verde tantas folhas
e estou anciosa pela tua vinda.
Quando tenhas de vir, escolhe o instante
em que a tristeza paire, leve no ar.
Ao crepúsculo, a sós, o olhar distante,
é quando a gente principia a amar.
Sôem teus passos harmonicamente.
Insinua-te aos poucos. Sombra e calma.
Tenho horror que tu chegues de repente,
e não encontres alma na minha alma.
Que eu fique sem saber quando é que vieste,
quando é que a luz se fez ao nosso olhar.
Seja assim como a nevoa azul-celeste
onde á curva do céo se une a do mar.
Fecho os olhos á espera... Desce a tarde.
Está sereno o parque, envolto em bruma.
Perpassa a brisa sem fazer alarde,
sem assustar no ramo ave nenhuma.
Seja assim nosso enlevo... Manso quasi
imperceptível para o derredor.
Que ande musica ou verso em cada phrase,
para que eu possa comprehender melhor.
E enquanto as flores dormem, sem saber
que doce aroma trescalando então,
que me desperte brandamente o ser
um beijo suave sobre a minha mão.
- Henriqueta Lisboa, in "Senhorita X!...": revista mensal, social e illustrada, ano 1, n. 1, out. 1932.


Henriqueta Lisboa
Restauradora
A morte é limpa.
Cruel mas limpa.

Com seus aventais de linho
— fâmula — esfrega as vidraças.

Tem punhos ágeis e esponjas.
Abre as janelas, o ar precipita-se
inaugural para dentro das salas.
Havia impressões digitais nos móveis,
grãos de poeira no interstício das fechaduras.

Porém tudo voltou a ser como antes da carne
e sua desordem.
- Henriqueta Lisboa, in "Flor da morte", 1949.



Flor da morte
I
De madrugada escuto: há um estalo de brotos,
De lua atingindo caules.
Difere do rumor da chuva nas lisas pedras,
Difere do suspiro do vento nas grades.
É como se a alma se desprendesse da matéria.
Borboleta que deixa o casulo e se debate
Conra finas hastes de ferro.

Nos dédalos da noite se encontra,
Em atmosfera tíbia de reposteiros
E caçoulas com vacilantes chamas azuis,
Teu momento de êstase e de holocausto, ó libélula!
Mãos que se procuram com desespero, pacto
Entre o vivo e o morto, misterioso e rápido
Signo de tempestade no espelho.

Nos caminhos sob a lua, ao ar livre, sinuosa
Insinuação de víbora na relva,
Há um a proximidade de flor e abismo,
Com vertigem cerceando espessa os sentidos.
Flor desejada e temida, promessa do eterno
De que alguém desvenda o segredo – a estas horas.

II
Flor. A inacessível.
Do caos, da escarpa, da salsugem,
Da luxúria dos vermes, das gavetas
Do asco, do cuspo, da vergonha

Flor. A inefável.
A companheira do anjo.
A que não foi rorejada de lágrimas.
A que não tocou sequer o bafejo da aurora.
A que habita acima das nuvens
por sobre abismos projetada!

Não sopra o vento nestas silentes plagas.
Ainda a luz não se fez, apenas
Paira acordado o Espírito
Na soleira de grandes nódoas lácteas.

E há corcéis, há corcéis de fogo rompendo o horizonte,
Há barcos velozes impelindo as ondas do tempo,
Há machados forçando a madeira,
Escaramuças, estertores e sangue,
Árdido sangue – pela Flor.

Flor da Morte, salva das águas,
De corruptas sementes nutrida,
Única forma de ser,
Eterna,
Renascendo inicial, desde sempre
Nas mãos de Deus – fechada
[...]
- Henriqueta Lisboa, do poema “Flor da Morte”, do livro ‘Flor da morte’, Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004. p. 7-8.



Lúcia Machado de Almeida, Henriqueta Lisboa,
Cecília Meireles e seu marido Heitor Grilo,
em visita a Sabará, em 1953. Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.


"Sempre pensei que a missão do crítico fosse, acima de tudo, orientar, desbravar caminhos, adivinhar possibilidades. Não apenas explicar para o público, testemunhar compreensão, dar
notas ao cabo de exames."
- Henriqueta Lisboa



Poema em homenagem a Henriqueta Lisboa, de Guimarães Rosa.
Fonte: 
Série Memorabilia/homenagens. AHL/AEM/CELC/UFMG.


"A não ser em alguns versos do sr. Manuel Bandeira e da sra. Cecília Meireles, não sei de outra poesia brasileira moderna que seja mais fluida e mais etérea do que a da sra. Henriqueta Lisboa. É uma delícia a perfeição com que sugere e descreve."
- Antônio Cândido, in "O menino poeta". (1944)


Poema em homenagem a Henriqueta Lisboa, de Carlos Drummond Andrade.
Fonte: 
Série Memorabilia/homenagens. AHL/AEM/CELC/UFMG.

"Nenhuma concessão ao convencional, neste livro, nenhum sentimentalismo fácil. Um grande tato na busca da expressão, com belos achados técnicos, e a exumação da palavra trasflor. Sentimento, há muito, mas, junto com ele, o pudor do sentimento, que dá em resultado poemas densos e tensos como Elegia, um poema definitivo."
- Mario Quintana, in "província de São Pedro, Revista nº 5, 1945, p. 155, sobre o livro "A face lívida", de Henriqueta Lisboa.


Henriqueta Lisboa em seu escritório. Fonte: Catálogo produzido pela BEMGE
 – Seguradora com fotos de várias mulheres notáveis. AHL/AEM/CELC/UFMG.



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SUPLEMENTO LITERÁRIO MINAS GERAIS. Edição especial dedicada a Henriqueta Lisboa. Belo Horizonte, 28 fev. 1970.
SUPLEMENTO LITERÁRIO MINAS GERAIS. Edição especial dedicada a Henriqueta Lisboa. Belo Horizonte, 22-29 dez. 1979.
SUPLEMENTO LITERÁRIO MINAS GERAIS. Edição especial dedicada a Henriqueta Lisboa. Belo Horizonte, 21 jul. 1984.
UCHÖA, Angela. Henriqueta Lisboa: bibliografia 1925-1991. – Belo Horizonte: Gráfica Editora Cedablio, 1992.
VIRGILLO, Carmelo. Henriqueta Lisboa - bibliografia analítico-descritiva - 1925-1990. Rio de Janeiro: José Olympio, 1992.



Henriqueta Lisboa e Gabriela Mistral (de pé) em conferência sobre o Chile,
 em Belo Horizonte, 1942  -  Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.

“Lendo 'O menino poeta' fiquei sabendo que o português se presta muito mais do que as línguas famosas à poesia infantil. Henriqueta, quando escreve, dá-nos o melhor do cantador: o tato das coisas, dar as cores não lhe basta. É tudo feminil, quando não angélico, nessa minha irmã.”
- Gabriela Mistral


EDUCADOR E O POETA
Retrato de Henriqueta Lisboa pintado por Aurélia Rubião em 1929. 
Fonte: AHL/Acervo de Escritores Mineiros/UFMG
“Pela educação de hoje, o poeta de amanhã poderá vir a ser o poeta das crianças: se o reino poético infantil for puro e livre, aumentam as probabilidades do aparecimento de uma poesia em que a dignidade e a graça se completem. A seiva que alimenta as raízes circulará nas frondes vindouras. Quase todos os terroristas da arte aproximam a poesia de um como estado da infância. De fato, que numerosos acordes na psicologia comparada do poeta e da criança! Reagem ambos contra o insolúvel por meio de metáforas. Em ambos uma divinatória intuição compensa as deficiências do conhecimento. Chegam a perscrutar a ciência pela imaginação. Vivem pela imaginação.”
- Henriqueta Lisboa


“Cabe ao educador a tarefa de facilitar o convívio lírico, sem sentimentalismo ocioso, com delicadeza, vivacidade, simpatia e segurança. Para tanto, há de estar certo de que um poema é um objeto de qualidade definida, que não deve ser transformado em linguagem comum para ser apenas aprendido, mas sim, conservado em seu todo para ser bem compreendido.”
- Henriqueta Lisboa, in "Antologia escolar de poemas para a infância". Rio de Janeiro: Ediouro.


Sua personalidade inconfundível, seu novíssimo mundo poético que encontra a expressão bela e segura numa versificação variadíssima e libérrima, seu apurado intelectualismo em que assoma um fino sentido do popular, dão à obra um valor destacado excepcional, não só entre os poetas brasileiros, mas entre a lírica universal contemporânea.
- Joaquim de Entrambasaguas - crítico espanhol.


Correspondência. Fonte: AHL/AEM/CELC/UFMG.

CORRESPONDÊNCIA
CARTA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE PARA HENRIQUETA LISBOA
Rio, 1 março 1950.
Minha boa e grande Henriqueta:

            Não preciso dizer-lhe o que seu livro representa para mim.
Nem saberia dizer-lhe. A linguagem poética é tão abrangente em si mes-
mo, que traz resposta às indagações que suscita. Lendo "Flor da Morte"
encontrei tudo aquilo que precisava encontrar, e comunguei com V. sem
necessidade de qualquer explicação ou comentário verbal.
            V. sabe que já percorri os mesmos caminhos e ainda me detenho
neles, convencido de que os outros são simples atalhos sem direção.
            Seu livro me tornou mais amigo de Você. Considero-o também meu,
pelo muito que desejaria tê-lo escrito.
            O afetuoso abraço de agradecimento e compreensão do

                                                                                Carlos.
Fonte: Acervo de Escritores Mineiros - CEL/UFMG.


CARTA DE CECÍLIA MEIRELES PARA HENRIQUETA LISBOA
Rio, 3 de outubro de 1963 
           
              Querida Henriqueta: gostaria de poder abraçá-la e dizer-lhe da minha
alegria e do meu agradecimento pelo delicioso livro que acabo de receber leve e profundo, ele me trouxe delicados momentos de felicidade, que espero sejam renovados com outros livros - tanto o coração (com a criatura inteira) é ávido de beleza e sonho.
              Vai, pois, o meu abraço nestas palavras, que desejo cheguem ao seu destino,
um abraço também cheio de saudades e ternuras.
Cecília.
Fonte: Acervo de Escritores Mineiros - CEL/UFMG.



CARTA DE JOÃO GUIMARÃES ROSA PARA HENRIQUETA LISBOA
Cartão de Guimarães Rosa a Henriqueta Lisboa – 1 jul. 1958.
 Fonte: AHL/CELC/AEM/UFMG.
Rio, 1.VII.58
Henriqueta,
"O Menino Poeta" é
lindo - é bem o sempre,
o que a gente não sabe.
Com ele vou brincar muito.
           Seu e grato,
                     o Guimarães Rosa.
Fonte: Acervo de Escritores Mineiros - CEL/UFMG


CARTA DE MÁRIO DE ANDRADE A HENRIQUETA LISBOA – QUERIDA HENRIQUETA
Rio, 24 de fevereiro de 1940

Minha querida amiga, Henriqueta Lisboa

          Faz apenas uma semana que que voltei ao Rio, depois de umas férias mais ou menos forçadas. Só agora recebi sua carta de dezembro, 31. O efeito é o mesmo. Ela me rodeou desse encanto suavíssimo em que sempre me enleava a sua figurinha quando estive em Belo Horizonte. Aquele mesmo dizer meigo, aquela mesma inteligência tão sensível e tão capaz de ser feliz pela admiração e aquela mesma discreção delicada que não consegue disfarçar a intensidade da sua vida interior, Henriqueta. Adorei a carta.

Foto de Mário de Andrade, com a dedicatória: 
“A Henriqueta Lisboa, lembrança da sua visita à Rua Lopez 
Chaves, gratamente, Mário de Andrade, São Paulo, 11/1945” 
Fonte: Querida Henriqueta (1991)
          E agora sou eu que lhe peço me envie os versos que está fazendo. Não que eu me tenha por mentor de ninguém, mas porque sou seu amigo de amizade antiga. Onde já nos conhecemos antes! Não conhecimento de livros mas daquele conhecimento de desejo, em que, quando se preenche um afeto ainda vago que tínhamos em nós, a pessoa que o preenche é coisa nossa, antiga forma de ser insabida da nossa consciência, mas quotidianamente versada pelos nossos mundos mais íntimos. Você é conhecimento antigo meu, Henriqueta, uma velha amizade, que agora apenas veio em realidade preencher o lugar vago que ninguém jamais ocupara. Já quando foi dos três últimos poemas que você me mandou, tive ímpetos de desmontá-los friamente numa análise longa. Mas me resguardei em tempo, com medo de parecer pedante. Agora, lhe quero tão desabusado bem, sou tão seu íntimo que não dura muito lhe estarei fazendo confidências descaradas, descansando meu pensamento fraco e tantas vezes horrível nas suas mãos perdoadeiras de mulher. Só temo é que fuja assustada, não fuja.           Pois nesta intimidade nem temerei ser pedante e lhe direi, com o máximo rigor, o que descobrir ou inventar nos seus versos. Mas mande muitos, mande de novo os já mandados (pra me evitar o trabalho de procurá-los neste apartamento de barafunda) e muito mais, o maior número que puder. O elemento comparação é imprescindível num estudo e só mesmo tendo um grupo vasto de poemas, poderei compreender melhor. Mande e nem de longe receie me atrapalhar, sou eu que preciso de você.

          Eu creio que nós estamos num dos momentos maiores da Poesia do mundo, não lhe parece? Não, está claro, quanto à genialidade dos poetas (isto não se pode saber sem a perspectiva dos séculos), mas quanto à essencialidade da poesia. E, ainda, não não tanto por estar a poesia esteticamente bem definida - o que não creio, ou melhor, não interessa - mas porque a alma humana está em estado poético. O mundo vai horrível, Henriqueta, jamais os crimes contra a consciência do homem foram tão cientificamente forjados. Eu tenho absoluta certeza (e é por isto que eu ainda amo o ser humano...) que Hitler, Stalin, Chamberlain, etc, etc. têm claríssima consciência de que são criminosos, que quando agem arrasam o humano que ainda existe na vida, que quando falam mentem. Mas tudo é ciência, ciência de viver, mecânica, engenharia do organismo social, resolvida em plena matemática. Hoje se faz uma revolução, se prepara uma apoteose, se elimina um povo e se cria uma raça tão matematicamente como se calcula a resistência de um material. Fala-se muito na bancarrota do cientificismo do século passado. Não houve bancarrota nenhuma. Nunca estivemos tão idólatras da Ciência, nunca estivemos tão escravos do exatismo como agora. Mas há os imponderáveis sempre, os pequeninos espíritos do ar, mesclados e disfarçados nas ventanias. E tudo é um caos. E tudo é uma insapiência milagrosa, em que só uma pitonisa declama os seus veredictos: a adivinhação. Na lei, na regra, no cálculo, na matemática do mundo atual o imponderável se mistura. Hitler mente? Mas no seu discurso há uma substância insofrida de poesia. Onde estará o couraçado "Deutschland" no disfarce dos mares? Um boxeur é apenas uma máquina cientificamente preparada, como se prepara cientificamente um leite novo pra crianças de seis meses. No exatismo atual há qualquer coisa de vertiginoso, de convulsivo que se desfolha, se esfarela, se esfaz em poesia. Não canto o perigo, não, Henriqueta, nem a guerra, nem o heroísmo. Eu sinto é que no gênero de sofrimento novo a que o exatismo nos conduziu, há uma substância de poesia muito maior que a de um vale do Tirol, a de Jesus e as criancinhas ou a de Beatriz -- o incongruente desta verdadeira inconsciência com que somos excessivamente conscientes de nós mesmos e dos manejos da vida. É de uma trágica, absurda poesia, basta de parolagem: Nem sei se o que digo está certo. Sei que sinto poesia, adivinhação, ilogismo neste nosso mundo atual. Não me agrada mas me deslumbra. Com o carinho do

Mário de Andrade
Fonte: Acervo de Escritores Mineiros - CEL/UFMG.


Henriqueta Lisboa, Veneza/Itália, Nov. 1970.


"Recrio o visível
a meu desejo
com particulares matizes
Invento o visível
de acordo com meus próprios olhos
para que através de cotejo
a novos prismas
outros olhos o vejam"
- Henriqueta Lisboa 


ARQUIVO HENRIQUETA LISBOA – NO ACERVO DE ESCRITORES MINEIROS – AEM
Arquivo Henriqueta Lisboa (AHL) 
Fonte: AEM /CELC/UFMG. Foto: Kelen Benfenatti Paiva.
Local: Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG – Belo Horizonte/MG.
Descrição: O arquivo conta com a diversidade de seu espólio evidenciada pelos números elevados da coleção bibliográfica, constituída por 4637 livros e 3101 periódicos, além de uma coleção documental com 4205 documentos, entre os quais estão cartas, manuscritos, fotografias, quadros e mobiliário, todos doados pela família da escritora à Universidade Federal de Minas Gerais, em 1989.
No seu arquivo iconográfico conta com cerca de 503 fotografias, dentre as quais 57 foram retiradas de notícias na imprensa. Fotos suas, de familiares, de amigos, escritores, de eventos importantes em sua trajetória, de viagens e de lugares onde viveu: Lambari, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campanha, Brasília, Ouro Preto, São Paulo, Caraça, Paris, Veneza. 


Estátua da poetisa Henriqueta Lisboa, na Praça da Savassi,
Belo Horizonte. Autor: Andrevruas, fevereiro/ 2009.


FONTES E REFERÊNCIAS DE PESQUISA
PAIVA, Kelen Benfenatti. Nos bastidores do arquivo literário: Henriqueta Lisboa entre versos e cartas. (Tese Doutorado em Estudos Literários). Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, Belo Horizonte/MG, 2012. Disponível no link. (acessado 4.5.2013).
CNPQ – Plataforma Lattes
@Arquivo Henriqueta Lisboa - Acervo de Escritores Mineiros/UFMG


Henriqueta Lisboa, em 1934.
"Feliz o que passar pela terra, deixando
um pouco de beleza esparsa no caminho,
[...]
E entre todos, feliz, mais feliz, dos felizes
aquele que passar solerte, pelo mundo,
carregando no peito o orgulho de ser bom!”
- Henriqueta Lisboa, do poema "Felizes", in "Fogo fátuo", 1925.





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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Henriqueta Lisboa - desbravadora de caminhos. Templo Cultural Delfos, maio/2013. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada em 8.11.2014.



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