Maria Firmina dos Reis - fragmentos de uma vida

Maria Firmina dos Reis - ilustração Mulheres de Luta (2021)


© Pesquisa, seleção, edição e organização: Elfi Kürten Fenske. 
Por gentileza citar conforme consta no final desse trabalho.  
* Página original JUNHO/2015 | ** Página revisada, ampliada e atualizada AGOSTO/2021



2022 - BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE MARIA FIRMINA DOS REIS
(1822*-2022)


ESBOÇO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MARIA FIRMINA DOS REIS

Maria Firmina dos Reis (escritora e professora) nasceu na ilha de São Luís do Maranhão, em 11 de março de 1822*. Filha de João Pedro Esteves e Leonor Felipe dos Reis. Em 1830, mudou-se para a Vila de São José de Guimarães, município de Viamão. Viveu parte de sua vida na casa de uma tia materna. Esse acolhimento teria sido crucial para a sua formação. Como parte dessa formação, foi incentivada pelo escritor e gramático Sotero dos Reis, seu primo por parte de mãe, a dedicar-se na busca pelo conhecimento.

Em 1847, concorreu à cadeira de Instrução primária no município de Viamão, sendo aprovada. Nessa região, exerceu a – profissão como professora de primeiras letras, de 1847 a 1881.

Maria Firmina dos Reis, por Jonilson Bruzaca (2015)
em comemoração 190 anos do seu nascimento
Em 1859, publicou o que é considerada sua principal obra e um dos primeiros romances abolicionistas da literatura brasileira – Úrsula. Em que narra a condição da população negra no Brasil. Obra classificada como um dos primeiros escritos de uma mulher negra brasileira e com forte imersão em elementos da tradição africana.

Maria Firmina viveu em um contexto de extrema segregação social e racial. Tendo em vista esse cenário, podemos considerar o romance Úrsula um ato de coragem. No entanto, como era comum numa época em que as mulheres viviam submetidas a inúmeras limitações e preconceitos, principalmente as mulheres negras, a educadora e escritora omite seu nome como autora, utilizando apenas a designação “Uma Maranhense”. As questões da população negra e sua condição na sociedade inquietava e mobilizava a educadora. Então, em 1887, escreveu um conto sobre o mesmo tema, “A escrava”, e, em 1871, publicou a obra de poesias Cantos à beira-mar.

Maria Firmina não tinha posses, mas não vivia na pobreza. Ocupava um lugar intermediário, porém mais próximo da pobreza do que da riqueza. Foi professora de primeiras letras e colaboradora de jornais literários, publicando poesias, ficção e crônicas. Ao se aposentar, no início da década de 1880, funda a primeira escola mista gratuita do estado do Maranhão. Essa iniciativa causou escândalo no povoado de Maçaricó, e a escola foi fechada.

Faleceu em 11 de novembro de 1917, em Guimarães, município do estado do Maranhão. Teve uma vida dedicada a ler e escrever, descortinando, assim, novos horizontes para as mulheres negras brasileiras. 
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*DATA NASCIMENTO: Maria Firmina nasceu no dia 11 de março de 1822, e não em 11 de outubro de 1825. A informação foi revelada apenas em 2017, pela pesquisadora Dilercy Aragão Adler(1), com base em documentos encontrados no Arquivo Público do Maranhão e até então inéditos.
(1) ADLER, Dilercy Aragão. Maria Firmina dos Reis: uma missão de amor. São Luís: Academia Ludovicense de Letras, 2017.


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Maria Firmina dos Reis, em ilustração de Silvana Mendes (Revista FAPESP)

SOBRE FOTOGRAFIA OU IMAGEM DE MARIA FIRMINA DOS REIS

Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira, não deixou fotografias, desenhos ou pinturas. As feições da escritora são totalmente desconhecidas. 

"Nenhum retrato deixou Maria Firmina dos Reis. Mas estão acordes os traços desse retrato falado dos que a conheceram ao andar pelas casas dos 85 anos. Rosto arredondado, cabelo crespo, grisalho, fino, curto, amarrado na altura da nuca; olhos castanho-escuros, nariz curto e grosso; lábios finos; mãos e pés pequenos, meã (1,58, pouco mais ou menos), morena"
- Nascimento Morais Filho, In: Maria Firmina – Fragmentos de uma vida. de José Nascimento Morais Filho. São Luís: Imprensa do Governo do Maranhão, 1975.

Portanto, todas as ilustrações, desenhos, retratos e caricaturas feitas de Maria Firmina dos Reis, são livremente inspirados no retrato-falado obtido por José Nascimento Morais Filho, a partir das entrevistas realizadas com os filhos de criação da escritora, e divulgado livro "Maria Firmina, fragmentos de uma vida" (1975). 

É preciso esclarecer ainda que continua circulando uma imagem que retrata na verdade outra escritora, não representando de forma alguma Maria Firmina dos Reis. 

RETRATO ERRÔNEO DE MARIA FIRMINA
:
Sem rosto, Firmina passou a ser confundida com outras escritoras brasileira, como a gaúcha Maria Benedita Câmara Bormann e a paraibana Auta de SouzaO retrato de Maria Firmina mais difundido não é dela, não se sabe ao certo a origem dos equívocos. Uma pintura da escritora foi encomendada ao artista plástico pernambucano Rogério Martins, pelo escritor Antônio Noberto, e doada por ele a Câmara de Vereadores do Município, em 2011, no aniversário de 253 anos da cidade de Guimarães/MA. 

Entretanto, nota-se claramente que a pintura foi baseada no retrato da escritora gaúcha Maria Benedita Câmara Bormann (1853-1895), mais conhecida pelo pseudônimo Délia. {fonte: Mulheres Illustres do Brazil, organizado por Ignez Sabino Pinho Maia. prefacio de Arthur Orlando. Rio de Janeiro; Paris: Editora Garnier, 1899, 280p.; (Edição fac-similar). Florianópolis: Editora Mulheres, 1996, p. 193}.
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XIMENES, Sérgio Barcellos. O retrato falso de Maria Firmina dos Reis. In: Medium, 27.1.2020. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
ZIN, Rafael Balseiro. A dissonante representação pictórica de escritoras negras no Brasil: o caso de Maria Firmina dos Reis (1825-1917). In: Revista do Centro de Pesquisa e formação, n. 3, nov. 2016. Disponível no link. (acessado em 8.8.2021).

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Maria Firmina dos Reis, ilustração de João Gabriel dos Santos Araújo (Flup/2018)

OBRA DE MARIA FIRMINA DOS SANTOS

"Mesquinho e humilde livro é este que vos apresento, leitor. Sei que passará entre o indiferentismo glacial de uns e o riso mofado de outros, e ainda assim o dou a lume. […] Deixai, pois, que a minha ÚRSULA, tímida e acanhada, sem dotes da natureza, nem enfeites e louçanias da arte, caminhe entre vós."
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Úrsula". Penguin-Companhia das Letras, 2018. 

[As artes que ilustram esse subtítulo estão identificadas no final dele e também em cada obra]

ROMANCE
:: Úrsula. Romance original brasileiro, por uma maranhense (
Maria Firmina dos Reis). San'Luis: Typographia do Progresso, 1859.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. [organização José Nascimento Morais Filho; prólogo Horácio de Almeida].  Edição fac-similar. 2ª ed., Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica Editora; São Luís: Governo do Maranhão, 1975. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021)
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis[organização, atualização e notas Luiza Lobo; introdução Charles Martin]. 3ª ed., Coleção Resgate, nº 12. Rio de Janeiro: Presença; Brasília: INL, 1988. 
:: Úrsula; e o conto A escravaMaria Firmina dos Reis[atualização do texto e posfácio Eduardo de Assis Duarte]. Florianópolis: Editora Mulheres; Belo Horizonte: PUC Minas, 2004. 
:: Úrsula: Romance Afrodescendente. Maria Firmina dos Reis. Editora O Dia, 2008.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis.  [organização, atualização do texto e posfácio Eduardo de Assis Duarte]. Edição comemorativa dos 150 anos do romance. 5ª ed., Florianópolis: Editora Mulheres; Belo  Horizonte: PUC Minas, 2009.
:: Úrsula; e o conto "A escrava". Maria Firmina dos Reis[atualização do texto e posfácio Eduardo de Assis Duarte]. 6ª ed., Florianópolis: Editora Mulheres; Belo Horizonte: PUC Minas, 2017.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. São Luís: Academia Maranhense de Letras. 2017.
:: Úrsula; e o conto "A escrava". Maria Firmina dos Reis[atualização do texto e posfácio Eduardo de Assis Duarte]. 7ª ed., revista e ampliada. Florianópolis: Editora Mulheres; Belo Horizonte: PUC Minas, 2018.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. [estabelecimento de texto e introdução Maria Helena Pereira Toledo Machado; cronologia Flávio Gomes]. São Paulo: Penguin-Companhia das Letras, 2018.
:: Úrsula e outras obrasMaria Firmina dos Reis. [prefácios Ana Maria Haddad Baptirsta e Danglei de Castro Pereira; editor Wellington Brandão; ilustrações Rafael Benjamim; capa Diego Moscardini]. Série Prazer de Ler, nº 11. Brasília: Edições Câmara, 2018; 2ª ed., 2019. {incluí: 'Gupeva'; 'A escrava' e 'Cantos à beira-mar'}. Disponível em PDF no link. (acessado em 27.7.2021).
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. Porto Alegre: Editora Figura de Linguagem, 2018.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. [com textos de: Rafael Balseiro Zin; Rita Terezinha Schmidt e Eliane Marques]. Porto Alegre: Editora Zouk, 2018.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. [prefácio Rafael Balseiro Zin; posfácio Ana Flávia Magalhães Pinto; ilustrações Gabriela Pires]. Porto Alegre: Editora Taverna, 2018.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos ReisPorto Alegre: Editora Pradense, 2018. {obs.: a capa traz a ilustração errônea de Mª Firmina}.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. [edição comentada por Roberta Flores Pedroso]. Coleção Clássicos Comentados. Porto Alegre: Editora Leitura XXI, 2018.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. [prólogo Kimani (Cinthya da Silva Santos); introdução Agostinho da Silva]. 1ª ed., Editora Fora do Ar, 2020. 
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. Coleção Clássicos da Literatura. Editora Principis, 2020.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos ReisCartola Editora, 2021. {Lançamento Nov/2021 - projeto catarse}.
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis[60 ilustrações de Heloisa Hariadne; posfácios Fernanda Rodrigues de Miranda, Régia Agostinho da Silva e Conceição Evaristo; projeto gráfico de Giulia Fagundes]. Coleção Clássicos de Ficção. Capa dura. Rio de Janeiro: Antrofágica, 2021. {Lançamento 6 setembro/2021, pré-venda na amazon}.

- romance: edições digitais / e-books - 
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. Github, 2017. {Texto integral na grafia original}. Disponível no link. (acessado em 27.7.2021).
:: Úrsula. Maria Firmina dos Reis. [projeto editorial integral de Eduardo Rodrigues Vianna]. Coleção Acervo Brasileiro, vol. 2 Jundiaí: Cadernos do Mundo Inteiro, 2017;  2ª ed., 2018. Disponível no link. (acessado em 27.7.2021).
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. [transcrição e projeto gráfico Iba Mendes]. Livro digital nº 962 / 1ª ed., São Paulo: Iba Mendes Editor Digital, 2018. Disponível no link. (acessado em 27.7.2021).
:: ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. In: PLBL - Edições Biblioteca Virtual Brasileira/ Literatura Brasileira UFSC, s/data. Disponível no link. (acessado em 26.7.2021).

POESIA
::
 Cantos à beira-mar
Maria Firmina dos ReisSan’Luis: Typografia do País, 1871.
:: Cantos à beira-marMaria Firmina dos Reis. [organização José Nascimento Morais Filho]. Edição fac-similar. Rio de Janeiro: Granada, 1976.
:: Poemas avulsos. Maria Firmina dos Reis. [edição Daiane de Ascenção Cardoso]. 1ª ed., Amare Books, 2015. E-book/ Amazon.
:: Cantos à beira-marMaria Firmina dos Reis. São Luís: Academia Ludovicense de Letras - ALL, 2017. {Incluí no apêndice, o conto 'Gupeva'}.
:: Cantos à beira-marMaria Firmina dos ReisCartola Editora, 2021. {Lançamento Nov/2021 - projeto catarse}.
- poesia em meio digital -
:: Cantos à beira-marMaria Firmina dos ReisE-book., Lebooks Editora, 2019. 
:: Cantos à beira-marMaria Firmina dos Reis. In: PLBL - Edições Biblioteca Virtual Brasileira/ Literatura Brasileira UFSC, s/data. Disponível no link. (acessado em 26.7.2021).
:: Seis novos poemas de Maria Firmina dos Reis (1863–1908). In: XIMENES, Sérgio Barcellos / Medium, 6.8.2020. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).

- poesia (primeiras publicações avulsas em jornais e revistas) 
:: Ao amanhecer e o pôr do sol (poesia)Maria Firmina dos Reis. In: O Jardim das Maranhenses. São Luís, ano 1, nº 23, 20 set. 1861, p. 90 / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 27.7.2021).
:: Logogrifo (poesia)Maria Firmina dos Reis. In: O Jardim das Maranhenses, ano I, n. 23, 20.9.1861, p. 4 / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 27.7.2021).
:: A vida (poesia)Maria Firmina dos ReisIn: O Jardim das Maranhenses. São Luís, ano 1, nº 24, 30 set. 1861, p.95 / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 27.7.2021).
:: Charadas (poesia)Maria Firmina dos ReisIn: O Jardim das Maranhenses. São Luís, ano 1, nº 24, 30 Set. 1861, p. 96 / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 27.7.2021).
:: Não me acreditas! (poesia)Maria Firmina dos ReisIn: O Jardim das Maranhenses. São Luís, ano 1, nº 25, 13 out. 1861, p. 100  / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 27.7.2021).
:: Maria (poesia)Maria Firmina dos Reis. In: O Jardim das Maranhenses, São Luís, ano 1, nº 23, 20 set. 1861, p. 1. 
:: Meditação (poesia em prosa). Maria Firmina dos ReisIn: O Jardim das Maranhenses, ano 1, n. 27, 25.11.1861, p. 1-2 Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
:: Hossana. (poesia). Maria Firmina dos Reis. In: Echo da Juventude, n. 6, ano 1865, p. 48 / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
::  A lua brasileira. (poesia). Maria Firmina dos Reis. In: Semanário Maranhense, edição nº 27, ano 1868, p. 7-8 / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
:: O menino sem ossos {aos distintos artistas, Eduardo Vieira, Virgílio Oliveira, Virgílio}.. (poema). Maria Firmina dos Reis. In: O Paiz (MA), edição nº 226, 23.10.1880, p. 2. / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
:: Um brinde à noiva(poesia). Maria Firmina dos ReisIn: Pacotilha - seção 'publicações', São Luís, n. 190, 11 agosto 1900 / Memória BNdigital. Disponível no link (acessado em 1.8.2021).
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- referências de pesquisa - 
BNDIGITAL. Hemeroteca Digital Brasileira | Coleção Digital de Jornais e Revistas / Memória BN Digital/ Coleção Biblioteca Nacional. (acessado em 29.7.2021).
CARVALHO, Jéssica Catharine Barbosa de.. Literatura e atitudes políticas: olhares sobre o feminino e antiescravismo na obra de Maria Firmina dos Reis.(Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Piauí, UFPI, Teresina, 2018. Disponível no link. (acessado em 29.7.2021).
*Maria Firmina dos Reis publicou poemas em vários jornais literários da época: (I. A Imprensa; II. Publicador Maranhense; III. A Verdadeira Marmota; IV. Almanaque de Lembranças Brasileiras; V. Eco da Juventude; VI. Semanário Maranhense; VII. O Jardim dos Maranhenses; VIII. Porto Livre; IX. O Domingo; X. O País; XI. A Revista Maranhense; XII. Diário do Maranhão; XIII. Pacotilha; XIV. Federalista).

Selo comemorativo da Academia Maranhense de Letras, 190 anos
 do nascimento de Maria Firmina dos Reis
CONTOS
Contos (primeiras publicações em jornais e revistas)  
Gupeva - romance brasiliense (versão incompleta, publicado orginalmente entre outubro de 1861 a janeiro de 1862, no periódico semanal "O Jardim das Maranhenses", abaixo acesso as publicações originais) -
:: Gupeva - romance brasiliense - I. Maria Firmina dos Reis. In: O Jardim das Maranhenses, São Luís, ano 1, nº 25, 13 out. 1861. p.1-2. / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
:: Gupeva - romance brasiliense - II. Maria Firmina dos Reis. In: O Jardim das Maranhenses, São Luís, ano 1, nº 27, 25 nov. 1861, p. 1-2  / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
:: Gupeva - romance brasiliense - III. Maria Firmina dos Reis. In: O Jardim das Maranhenses, São Luís, ano 1, nº 29, 13 jan. 1862, p.1-4 / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
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:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In: Porto Livre, São Luís, ano 2, n. 68, 9 fev. 1863, p. 3.
:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In: Porto Livre, São Luís, ano 2, n. 69, 21 fev. 1863, p. 2-3.
:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In: Porto Livre, São Luís, ano 2, n. 70, 11 mar. 1863, p. 4.
:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In: Porto Livre, São Luís, ano 2, n. 74, 6 maio 1863, p. 3-4.
:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In: Porto Livre, São Luís, ano 2, n. 75, 13 maio 1863, p. 3-4.
:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In: Porto Livre, São Luís, ano 2, n. 76, 21 maio 1863, p. 1-2
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:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In: Eco da Juventude, São Luís, ano 1, n. 14, 12 mar. 1865, p. 3-7.
:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In: Eco da Juventude, São Luís, ano 1, n. 15, 19 mar. 1865, p. 5-7
:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In: Eco da Juventude, São Luís, ano 1, n. 16, 26 mar. 1865, p. 5-7.
:: Gupeva. Maria Firmina dos Reis. In:  Eco da Juventude, São Luís, ano 1, n. 17, 2 abr. 1865, p. 4-8.
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- referências de pesquisa - 
BNDIGITAL. Hemeroteca Digital Brasileira | Coleção Digital de Jornais e Revistas / Memória BN Digital/ Coleção Biblioteca Nacional. (acessado em 29.7.2021).
CARVALHO, Jéssica Catharine Barbosa de.. Literatura e atitudes políticas: olhares sobre o feminino e antiescravismo na obra de Maria Firmina dos Reis.(Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Piauí, UFPI, Teresina, 2018. Disponível no link. (acessado em 29.7.2021).

- contos -
:: A escravaMaria Firmina dos ReisIn: Revista Maranhense, Ano 1, n. 3, novembro de 1887.
:: A escrava e outros textos. Maria Firmina dos Reis. Editora Outra Margem, 2021.

- contos: edições digitais / e-books - 
:: GupevaMaria Firmina dos Reis. In: PLBL - Edições Biblioteca Virtual Brasileira/ Literatura Brasileira UFSC, s/data.  Disponível no link. (acessado em 26.7.2021).
:: A escravaMaria Firmina dos Reis. In: PLBL - Edições Biblioteca Virtual Brasileira/ Literatura Brasileira UFSC, s/data. Disponível no link. (acessado em 26.7.2021).
:: A escravaMaria Firmina dos ReisIn: Literafro, 7.7.2021. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
:: A escravaMaria Firmina dos Reis. 1ª ed., Editora Itapuca, 2020. E-book/Amazon.

TEATRO
:: Auto de bumba-meu-boiMaria Firmina dos Reis. s.d.

MEMÓRIAS
:: Álbum de recordaçõesMaria Firmina dos Reis. 1975.

ARTIGOS 
:: Um artigo da minhas impressões de viagem. Página Íntima (vid. o nº 20). Maria Firmina dos Reis. In: O Domingo: Semanário Crítico e Litterario (MA), edição nº 30, ano 1872, p. 121-122 / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 29.7.2021).
:: Um artigo da minhas impressões de viagem. Página Íntima (vid. o nº 30). Maria Firmina dos Reis.. In: O Domingo: Semanário Crítico e Litterario (MA), edição nº 31, 8 de set. de 1872, p. 126-127 / Memória BNdigital. Disponível no link. (acessado em 29.7.2021).
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- referências de pesquisa - 
BNDIGITAL. Hemeroteca Digital Brasileira | Coleção Digital de Jornais e Revistas / Memória BN Digital/ Coleção Biblioteca Nacional. (acessado em 29.7.2021).

COMPOSIÇÕES MUSICAIS DE MARIA FIRMINA DOS REIS
:: Auto de bumba-meu-boi. (letra e música)  
:: Valsa. (letra de Gonçalves Dias e música de Maria Firmina dos Reis)  
:: Hino à mocidade. (letra e música). s/data.
:: Hino à liberdade dos escravos. (letra e música). 1888. 
:: Rosinha: valsa. (letra e música)s/data.  
:: Pastor estrela do oriente. (letra e música)s/data.  
:: Canto de recordação: a Praia de Cumã. (letra e música). s/data. 
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- referências de pesquisa - 
:: Composições musicais (s/data). Edição fac-similar. In: MORAES FILHO, Nascimento. Maria Firmina – Fragmentos de uma vida. São Luís: Imprensa do Governo do Maranhão, 1975.

OBRA REUNIDA E SELETA
:: Memorial de Maria Firmina dos Reis. Livro 1 - Prosa completa & Poesia. [organização Lucciani M.]. Livro 1. Edição "Comemorativa do Centenário de Falecimento da Escritora (1917-2017)". São Paulo: Editora Uirapuru, 2017. {Inclui as obras: 'Úrsula', 'Gupeva', 'A escrava' e 'Elvira'}.
:: Memorial de Maria Firmina dos Reis. Livro 2 - Prosa completa & Poesia. [organização Lucciani M.]. Edição "Comemorativa do Centenário de Falecimento da Escritora (1917-2017)". São Paulo: Editora Uirapuru, 2019. {Inclui as obras: 'Crônicas', 'Álbum íntimo', Cantos à beira-mar', 'Dispersos', 'Charadas', 'Composições' e 'Fortuna crítica'}.

BIOGRAFIA
:: Maria Firmina – Fragmentos de uma vida. escrita e organizada por José Nascimento Morais Filho. São Luís: Imprensa do Governo do Maranhão, 1975. {Inclui em edição fac-similar: A escrava (1887); Álbum (1853-1903); Gupeva (1865); Composições musicais (s/data)}.

OBRA TRADUZIDA DE MARIA FIRMINA DOS REIS
:: La esclava (A escrava)Maria Firmina dos Reis. [tradução Julieta Kabalin Campos]. In: Literafro, 7.7.2021. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
:: Ursula. Brazilian abolitionist novels. Maria Firmina dos Reis. [tradução Cristina Ferreira Pinto-Bailey; edição Peggy Sharpe]. EUA: Tagus Press (Universidade de Massachusetts), 2021. {Lançamento 26.11.2021, pré-venda na amazon}.

EM "ANTOLOGIAS" (PARTICIPAÇÃO)
::
Parnaso maranhense: Coleção de poesias. [seleção Gentil Homem de Almeida Braga, Antônio Marques Rodrigues, Raymundo de Brito Gomes de Sousa, Luiz Antônio Vieira da Silva, Joaquim Serra e Joaquim da Costa Barradas]. São Luís: Tipografia do Progresso, 1861. 
Disponível no link. (acessado em 1.8.2021)..{autores presentes: Raimundo Filgueiras, Manuel Benício Fontenelle, Odorico Mendes, Galvão de Carvalho, Luiz Quadros, Dias Carneiro, Maria Firmina dos Reis, Sotero dos Reis, Severiano Antônio de Azevedo, Caetano Cândido Cantanhede, Antônio Joaquim Franco de Sá, Antônio César de Berredo, Nuno Álvares, Sousândrade, Frederico José Corrêa, Augusto Frederico Colin, José Mariano da Costa Nunes, José Pereira da Silva, Luiz Vieira Ferreira, Felipe Franco de Sá, João Antônio Coqueiro, João Duarte Lisboa Serra, Antônio da Cunha Rabelo, Augusto César dos Reis Raiol, Gomes de Castro, Alfredo Vale de Carvalho, Antônio M. de Carvalho Oliveira, Aires da Serra Souto- Maior, Caetano de Brito Sousa Gayoso, Celestino Franco de Sá, Coriolano César Ferreira Rosa, Eduardo de Freitas, Fernando Vieira de Sousa, Fábio Gomes Faria de Matos, Francisco Sotero dos Reis Júnior, José Ricardo Jauffret, José Bernardes Belfort Serra, João Emiliano Vale de Carvalho, J. J. da Silva Maçarona, Jesuína Augusta Serra, Pedro Wenescop Cantanhede, Raimundo Pereira e Sousa, Ricardo Henriques Leal, R. Valentiniano de M. Rego, T. F. de Gouveia Pimentel Beleza, R. Alexandre Vale de Carvalho}.. {{consta: Maria Firmina dos Reis, os poemas 'Por ver-te' e 'Minha vida', p. 222-223}}.
:: Nossas várzeas têm flores - poetas modernos do Maranhão. 'Antologia'. [coletânea organizada por Clóvis Ramos] São Luís/MA: Fundação Cultural do Maranhão 1975. 
:: Contos do mar sem fim. 'antologia contos e crônicas'. [organização e apresentação Laura Cavalcanti Padilha]. 1ª ed., São Paulo: Pallas Editora, 2010. {autores presentes: Andrea Fernandes, Conceição Evaristo, Cuti, Dario de Melo, Esmeralda Ribeiro, Fragata de Morais, João Melo, Jorge Arrimar, Lima Barreto, Luandino Vieira, Machado de Assis, Maria Firmina dos Reis, Olonkó, Oswaldo de Camargo, Tambá Mbotoh e Uri Sissé}.
:: Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. [organização Antônio Augusto Moreira de Faria e Rosalvo Gonçalves Pinto]. Belo Horizonte: Fale/UFMG, 2011. {consta: Maria Firmina dos Reis, "Hino à liberdade dos escravos", p. 53}.
:: Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. vol. 1 - Precursores [organização Eduardo de Assis Duarte]. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.
:: Poesia gay brasileira: antologia. [organização Amanda Machado e Marina Moura]. Belo Horizonte: Editora Machado, 2017. {autores presentes: Alessandra Safra, Amador Ribeiro Neto, Angélica Freitas, Antonio Cicero, Aymmar Rodriguéz, Beatriz Regina Guimarães Barboza, Caio Fernando Abreu, Carlos Drummond de Andrade, Cassandra Rios, Diedra Roiz, Elierson Moura, Francisco Bittencourt, Glauco Mattoso, Glória Horta, Hanna Korich, Herena Reis Barcelos, Hilda Hilst, Horácio Costa, Ítalo Moriconi, Junqueira Freire, Laurindo Rabelo, Lisa Alves, Lúcio Cardoso, Luís França, Luiz Carlos Lacerda, Maria Firmina dos Reis, Marina Moura, Mário de Andrade, Mário Faustino, Neil de Castro, Nívea Sabino, Paula Taitelbaum, Paulo Augusto, Paulo Azevedo Chaves, Renata Pallottini, Roberto Piva, Rodrigo Quimera, Rosane Castro, Rui Mascarenhas, Sérgio Godoy, Simone Teodoro, Vange Leonel, Waldo Motta, Walmir Ayala}.
:: 69 poemas: e alguns ensaios. 'antologia erótica' [organização Raquel Menezes; ilustrações Clara Zúñiga]. Oficina Raquel, 2020. {autoras presentes: Adelaide do Julinho, Adelaide Ivánova, Ana Beatriz Domingues, Ana Kiffer, Ana Rüsche, Ara Nogueira, Ayla Andrade, Bruna Escaleira, Bruna Kalil Othero, Carolina Luisa Costa, Cecília Floresta, Cristiane Sobral, Dani Balbi, Érica Zíngano, Estela Rosa, Eveline Sin, Gabriela Farrabrás, Geruza Zelnys, Helena Zelic, Jorgeana Braga, Julia Raiz, Lila Maia, Lilian Sais, Lindevania Martins, Lizandra Magon de Almeida, Lúcia Santos, Maíra Ferreira, Maria Firmina dos Reis, Maria Isabel Iorio, Maria Lúcia Dal Farra, Mariana Paim, Mariana Queiroz, Marília Flôor Kosby, Micheliny Verunschk, Mikaelly Andrade, Natalia Borges Polesso, Natasha Félix, Nina Rizzi, Pâmela Filipini, Pilar Bu, Ravena Monte, Rita Isadora Pessoa, Roberta Ferraz, Sandra Regina, Sara Síntique, Simone Brantes, Sofia Mathias, Taís Bravo, Tatiana Pequeno, Thalita Coelho e Yasmin Nigri}.
:: O sino e o relógio: uma antologia do conto romântico brasileiro. [seleção Hélio de Seixas Guimarães e Vagner Camilo; designer Laura Lotufo]. São Paulo: Editora Carambaia, 2020. {autores presentes:  Machado de Assis, Bernardo Guimarães, Fagundes Varela, Maria Firmina dos Reis, Visconde de Taunay, Nísia Floresta, Joaquim Norberto de Sousa e Silva, Apolinário Porto Alegre, Corina Coaracy, Escolástica P. de L., João Manuel Pereira da Silva, Martins Pena, Justiniano José da Rocha, Gentil Braga, Flávio d'Aguiar, Josino do Nascimento Silva, Francisco de Paula Brito, Casimiro de Abreu, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Luís Guimarães Júnior, Franklin Távora e J. F. de Meneses}
:: Mulheres brasileiras: contos clássicos. Editora Raio/ Ebook - Amazon, 2020. {autoras presentes: Maria Firmina dos Reis, Carmen Dolores, Júlia Lopes de Almeida, Emília Freitas, Delminda Silveira de Sousa e Maria Benedita Câmara Bormann}.
:: As mulheres poetas: na literatura brasileira. [organização, capa e projeto gráfico Rubens Jardim]. São Paulo: Arribaçã Editora, 2021. {a antologia reúne 328 poetas de todo o Brasil, de épocas, estilos e estados diferentes, confira no link as poetas presentes na coletânea}.

- antologias: 'ensaísticas', cordel e outros -
:: Extraordinárias mulheres que revolucionaram o Brasil. de Duda Porto e Aryane Cararo.[ilustrações Adriana Komura, Barbara Malagoli, Bruna Assis Brasil, Joana Lira, Helena Cintra, Laura Athayde, Lole, Veridiana Scarpelli e Yara Kono]. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. {autoras presentes: Madalena Caramuru, Dandara, Bárbara de Alencar, Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, Maria Quitéria, Maria Felipa de Oliveira, Nísia Floresta, Ana Néri, Anita Garibaldi, Maria Firmina dos Reis, Princesa Isabel, Chiquinha Gonzaga, Georgina de Albuquerque, Nair de Teffé, Anita Malfatti, Bertha Lutz, Antonieta de Barros, Carmen Portinho, Laudelina de Campos Melo, Nise da Silveira, Pagu, Ada Rogato, Graziela Maciel Barroso, Carolina Maria de Jesus, Maria Lenk, Dorina Nowill, Cacilda Becker, Dona Ivone Lara, Zuzu Angel, Josefa Paulino da Silva, Niède Guidon, Zilda Arns, Margarida Maria Alves, Leila Diniz, Dinalva Oliveira Teixeira, Marinalva Dantas, Indianara Siqueira, Sônia Guajajara, Djamila Ribeiro, Marta Vieira; e abrasileiradas: Felipa de Souza, Olga Benario Prestes, Carmen Miranda, Lina Bo Bardi e Dorothy Stang}.
:: ABCDelas. de Janaina Tokitaka. [autora e ilustrações Janaina Tokitaka]. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2019. {A cada letra, o leitor vai conhecer histórias raras e valiosas de mulheres que revolucionaram seus campos de atuação}.
:: Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis. de Jarid Arraes. [ilustrações Gabriela Pires]. São Paulo: Editora Pólen, 2017; São Paulo: Companhia das Letras, 2020. {coleção de cordéis dedicado a história de: Antonieta de Barros, Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara, Esperança Garcia, Eva Maria do Bonsucesso, Laudelina de Campos, Luísa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata e Zacimba Gaba}.
:: As mensageiras - primeiras escritoras do Brasil. Série "Histórias não contadas". 'Catálogo da Exposição' [curadora Maria Amélia Elói]. Brasília: Centro Cultural Câmara dos Deputados, 2018. Disponível no link. (acessado em 3.8.2021). {Obs.: O catalogo contém um erro, a escritora Nísia Floresta está erroneamente retratada. O retrato na verdade é da historiadora Isabel Gondim (nascida em Vila Imperial de Papari, atual cidade de Nísia Floresta/RN - 1839-1933)
:: Escrituras Negras II_ As Marcas [organização Jeovânia P.; prefácio Elisabete Nascimento; ilustração Tamara Natalie Madden]. Editora ?, 2021. {*volume II traz na capa o quadro de Vânia de Farias Castro, e homenageia Maria Firmina dos Reis}.
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*Arte {desenho e caricaturas}: (1Maria Firmina dos Reis, em ilustração de Marília Marz (projeto Iorubrá/ Sesc Sorocaba/ 2019)(2) Selo comemorativo da Academia Maranhense de Letras, aos 190? (192) anos  do nascimento de Maria Firmina dos Reis/ 2015; (3) Maria Firmina dos Reis, por Edições Câmara, 2021(4Maria Firmina dos Reis, em xilogravura de Gabriela Pires, para o livro 'Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis'. de Jarid Arraes. Editora Pólen, 2017; (5Maria Firmina dos Reis, por Icea Labamba Si (Flup/2018);  (6Maria Firmina dos Reis - ilustração de Janaina Tokitaka para ABCDelas (Cia das Letrinhas, 2019). 


"E sabeis vós o que é a vida na prisão? Oh! É um tormento amargo, que mata o corpo, e embrutece o espírito! É morrer mil vezes sem encontrar nunca a paz da sepultura! É um sono doloroso e triste do qual o infeliz só vai despertar na eternidade!"
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Úrsula". Penguin-Companhia das Letras, 2018. 

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Maria Firmina dos Reis - escritora e professora | fonte: ilustração Revista Cult /
 ao fundo a pintura  "A semeadura", de Clóvis Graciano

HOMENAGENS


CD

Álbum "Cantos à Beira-mar" (Socorro Lira). Selo Independente, 2019.

Cantos à Beira-mar | A poesia de Maria Firmina dos Reis na música de Socorro Lira. A compositora Socorro Lira lançou o décimo segundo álbum de sua carreira, composto de canções autorais a partir de poemas da escritora e poeta maranhense Maria Firmina dos Reis (1822-1917).

- canções -
1. Uns olhos. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
2. Ela!. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
3. Amor. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
4. Meus amores. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
5. Embora eu goste. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
6. Itaculumim. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
7. Seu nome. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
8. Uma tarde em Cumã. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
9. O meu desejo / poema. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
10. O meu desejo. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira)
11. O volúvel. (Maria Firmina dos Reis / adaptação e melodia Socorro Lira) 
- ficha técnica -
-músicos: Socorro Lira (voz, violão) ... | arranjos e direção musical: Jorge Ribbas | capa: Bernardita Huart | distribuição Tratore
* Disponível nas plataformas digitais: Spotify / youtube music / loja.socorolira.

SHOW
:: Show "Cantos à Beira-mar lítero-musical" | 150 Anos Maria Firmina dos Reis | projeto AvivaVOZ (2019)  | * Disponível no link. (acessado em 5.8.2021).
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- referências adicionais -
BARULHO, Marcel. Socorro Lira lança “Cantos à Beira-mar”, 12º álbum da carreira, inspirado em primeira romancista brasileira. In: Barulho d'Água Música, 6.4.2019. Disponível no link. (acessado em 5.8.2021).
LUZI, Matheus. Em novo álbum, Socorro Lira da vida musical as obras da poeta Maria Firmina dos Reis [entrevista]. In: Revista Brasileira, 25 de setembro de 2019. Disponível no link. (acessado em 2.8.2021).
AQUINO, Bianca de.. Socorro Lira homenageia poeta com show de MPB no Cine Teatro. In: Prefeitura de São José dos Campos, 27.9.2019. Disponível no link. (acessado em 5.8.2021).
* Outras ref., abaixo em "Fortuna crítica".
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** SOCORRO LIRA - saiba mais no seu site / youtube / instagram / Prêmio Grão de Música

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Maria Firmina dos Reis é homenageada na FLUP 2018

A autora homenageada da sétima edição da FLUP – A Festa Literária das Periferias (2018) é Maria Firmina dos Reis — até onde se pode verificar, a primeira mulher negra a produzir um romance nas Américas. O festival promoveu um concurso para recriar o rosto de Maria Firmina, algumas dessas ilustrações estão nessa página.
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- referências adicionais -
ROGERO, Tiago. Flup convida artistas negros a recriarem rosto de Maria Firmina, primeira romancista do Brasil. In: O Globo/ coluna Ancelmo Gois, 25.9.2018. Disponível no link. (acessado em 3.8.2021).

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MARIA FIRMINA DOS REIS NO TEATRO


Júlia Martins no espetáculo "Maria Firmina dos Reis – uma voz além do tempo" (2019) - foto: Andressa P.


Espetáculo "Maria Firmina dos Reis: uma voz além do tempo"
Sinopse: O espetáculo Maria Firmina dos Reis – uma voz além do tempo é fruto de uma pesquisa da atriz maranhense Júlia Martins a respeito da primeira romancista afro-brasileira e maranhense que deu voz ao feminino e que, através da literatura, criticou as injustiças de uma sociedade machista, racista e escravocrata que se perpetua até os dias atuais. Pela primeira vez sendo abordada na linguagem teatral e fazendo uma releitura da obra e vida desta mulher, símbolo de resistência e luta contra a escravidão, que foi esquecida por mais de um século, além de sua extrema importância na construção da literatura afro-brasileira.
- ficha técnica - 
Direção: Leônidas Portella
Elenco: Júlia Martins
Preparação Corporal: Shamach Pacheco
Cenário e Figurino: Marlene Barros e Marcos Ferreira
Iluminação: Renato Guterres
Trilha sonora: Beto Ehongue
Ilustração: Da cor do barro
Designer gráfico: Adryano Costa
Assistente de produção: Tairo Lisboa
Produção: Júlia Martins e Victor Silper 
Realização: Núcleo Atmosfera de Dança-Teatro
Estreia: 30 e 31 de outubro/2019 | Em cartaz: Museu de Artes Visuais - Praia Grande, São Luís/MA
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- vídeos online do e sobre o espetáculo -
:: Espetáculo Maria Firmina dos Reis - uma voz além do tempo, com Júlia Martins. Versão feito em Casa.  Disponível no link. (acessado em 8.8.2021).
:: Espetáculo Maria Firmina dos Reis - Uma voz além do tempo. "Processo de construção". In: Sesc Maranhão, s/ data. Disponível no link. (acessado em 8.8.2021).
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- referências adicionais -
MARTINS, Julia. "Maria Firmina dos Reis, uma voz além do tempo": Diálogos entre Modos de Produção do Núcleo Atmosfera e Grupo Xama Teatro. In: Farofa Crítica, 6.2.2021. Disponível no link. (acessado em 8.8.2021).
NAMIRA. Maria Firmina dos Reis estreia em Museu de Artes Visuais. Estreia Teatro. In: Imirante, 17.10.2019. Disponível no link. (acessado em 6.8.2021).
SAMPAIO, Gustavo. "Maria Firmina dos Reis – Uma voz além do tempo" estreia no teatro maranhense. In: Sobre O Tatame, 13.10.2019.  Disponível no link. (acessado em 6.8.2021).


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Maria Firmina dos Reis - romancista e poeta | arte: plenarinho.leg.br - Câmara dos Deputados (2018)

POEMAS ESCOLHIDOS DE MARIA FIRMINA DOS REIS



Ah! não posso
Se uma frase se pudesse 
Do meu peito destacar; 
Uma frase misteriosa 
Como o gemido do mar, 
Em noite erma, e saudosa, 
De meigo, e doce luar.
Ah! se pudesse!... mas muda 
Sou, por lei, que me impõe Deus! 
Essa frase maga encerra, 
Resume os afetos meus; 
Exprime o gozo dos anjos, 
Extremos puros dos céus.

Entretanto, ela é meu sonho, 
Meu ideal inda é ela; 
Menos a vida eu amara 
Embora fosse ela bela. 
Como rubro diamante, 
Sob finíssima tela.

Se dizê-la é meu empenho, 
Reprimi-la é meu dever: 
Se se escapar dos meus lábios, 
Oh! Deus, - fazei-me morrer! 
Que eu pronunciando-a não posso 

Mais sobre a terra viver.
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Cantos à beira mar". São Luís do Maranhão, 1871, p. 45-46.

§§

Escultura de Maria Firmina dos Reis,
do escultor Flory Gama
Amor
Ah! sim eu quero rever-te a medo
Terno segredo ─ que em minh’alma habita;
Mas, vês? Eu tremo… teu sorriso anima:
Vê, se o que digo, o teu dizer imita...
Um ai poderá traduzir ─ n’um ai
Tudo o que pedes que eu te diga agora;
Mas tu não queres!… teu querer respeito.
Eia… coragem! dir-te-ei n’uma hora.
Oh! não te esqueças meu rubor, meu pejo,
Vê que eu vacilo… que eu perdi a cor;
Embora… escuta. Tu me amas? ─ dize
Eu te confesso que te voto amor...
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Cantos à Beira-Mar". Academia Ludovicense de Letras, 2017.

§§

Confissão
Embalde, te juro, quisera fugir-te, 
Negar-te os extremos de ardente paixão: 
Embalde, quisera dizer-te: - não sinto 
Prender-me à existência profunda afeição.
Embalde! é loucura. Se penso um momento, 
Se juro ofendida meus ferros quebrar: 
Rebelde meu peito, mais ama querer-te, 
Meu peito mais ama de amor delirar.

E as longas vigílias, - e os negros fantasmas, 
Que os sonhos povoam, se intento dormir, 
Se ameigam aos encantos, que tu me despertas, 
Se posso a teu lado venturas fruir.

E as dores no peito dormentes se acalmam. 
E eu julgo teu riso credor de um favor: 
E eu sinto minh'alma de novo exaltar-se, 
Rendida aos sublimes mistérios do amor.

Não digas, é crime - que amar-te não sei, 
Que fria te nego meus doces extremos... 
Eu amo adorar-te melhor do que a vida, 
melhor que a existência que tanto queremos.

Deixara eu de amar-te, quisera um momento, 
Que a vida eu deixara também de gozar! 
Delírio, ou loucura - sou cega em querer-te, 

Sou louca... perdida, só sei te adorar.
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Cantos à beira mar". São Luís do Maranhão, 1871, p. 79-80.

§§

Meditação
(À minha querida irmã - Amália Augusta dos Reis)
    
Vejamos pois esta deserta praia, 
Que a meiga lua a pratear começa, 
Com seu silêncio se harmoniza esta alma, 
Que verga ao peso de uma sorte avessa.
Oh! meditemos na solidão da terra, 
Nas vastas ribas deste imenso mar; 
Ao som do vento, que sussurra triste, 
Por entre os leques do gentil palmar.

O sol nas trevas se envolveu, - mistérios 
Encerra a noite, - ela compr'ende a dor; 
Talvez o manto, que estendeu no bosque, 
Encubra um peito que gemeu de amor.

E o mar na praia como liso ondeia, 
gemendo triste, sem furor - com mágoas... 
Também meditas, oh! salgado pego - 
Também partilhas desta vida as frágoas?...

E a branca lua a divagar no céu, 
Como uma virgem nas solidões da terra; 
Que doce encanto tem seu meigo aspecto, 
E tanto enlevo sua tristeza encerra!

Sim, meditemos... quem gemeu no bosque, 
Onde a florzinha a perfumar cativa? 
Seria o vento? Ele passando ergueu 
Do tronco a copa sobranceira, altiva.

Passou. E agora sufocando a custo 
Meu peito o doce palpitar do amor, 
Delícias bebe desterrando o susto, 
Que a noite incute a semear pavor.

E um deleite inda melhor que a vida, 
langor, quebranto, ou sofrimento ou dor; 
Um quê de afetos meditando eu sinto, 
Na erma noite, a me exaltar de amor.

Então a mente a divagar começa, 
Criando afouta seu sonhado amor; 
Zombando altiva de uma sorte avessa, 
Que oprime a vida com fatal rigor.

E nessa hora a gotejar meu pranto, 
Nas ermas ribas de saudoso mar, 
Vagando a mente nesse doce encanto, 
Dá vida ao ente, que criei p'ra amar.

E a doce imagem vaporosa, e bela, 
Que a mente erguera, engrinaldou de amor, 
Ergue-se vaga, melindrosa, e grata 
Como fragrância de mimosa flor.

E o peito a envolve de extremoso afeto, 
E dá-lhe a vida, que lhe dera Deus; 
Ergue-lhe altares - lhe engrinalda a fronte, 
Rende-lhe cultos, que só dera aos céus.

Colhe p'ra ela das roseiras belas, 
Que aí cultiva - a mais singela flor: 
E num suspiro vai depor-lhe as plantas, 
Como oferenda - seu mimoso amor.

Mas, ah! somente a duração dum ai 
Tem esse breve devanear da mente. 
Volve-se a vida, que é só pranto, e dor, 

E cessa o encanto do amoroso ente.
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Cantos à beira mar". São Luís do Maranhão, 1871, p. 173-175.

§§

O meu desejo

 A um jovem poeta guimaraense

Na hora em que vibrou a mais sensível 
Corda de tu'alma - a da saudade, 
Deus mandou-te, poeta, um alaúde, 
E disse: Canta amor na soledade. 
Escuta a voz do céu, - eia, cantor, 
Desfere um canto de infinito amor.

Canta os extremos duma mãe querida, 
Que te idolatra, que te adora tanto! 
Canta das meigas, das gentis irmãs, 
O ledo riso de celeste encanto; 
E ao velho pai, que tanto amor te deu, 
Grato oferece-lhe o alaúde teu.

E a liberdade, - oh! poeta, - canta, 
Que fora o mundo a continuar nas trevas? 
Sem ela as letras não teriam vida, 
menos seriam que no chão as relvas: 
Toma por timbre liberdade, e glória, 
Teu nome um dia viverá na história.

Canta, poeta, no alaúde teu, 
Ternos suspiros da chorosa amante; 
Canta teu berço de saudade infinda, 
Funda lembrança de quem está distante: 
Afina as cordas de gentis primores, 
Dá-nos teus cantos trescalando odores.

Canta do exílio com melífluo acento, 
Como Davi a recordar saudade; 
Embora ao riso se misture o pranto; 
Embora gemas em cruel soidade... 
Canta, poeta, - teu cantar assim, 
Há de ser belo enlevador enfim.

Nos teus harpejos juvenil poeta, 
Canta as grandezas que se encerram em Deus, 
Do sol o disco, - a merencória lua, 
Mimosos astros a fulgir nos céus; 
Canta o Cordeiro, que gemeu na Cruz, 
Raio infinito de esplendente luz.

Canta, poeta, teu cantar singelo, 
meigo, sereno com um riso d'anjos; 
Canta a natura, a primavera, as flores, 
Canta a mulher a semelhar arcanjos. 
Que Deus envia à desolada terra, 
Bálsamo santo, que em seu seio encerra.

Canta, poeta, a liberdade, - canta. 
Que fora o mundo sem fanal tão grato... 
Anjo baixado da celeste altura, 
Que espanca as trevas deste mundo ingrato. 
Oh! sim, poeta, liberdade, e glória 
Toma por timbre, e viverás na história.
----------------
Eu não te ordeno, te peço, 
Não é querer, é desejo; 
São estes meus votos - sim. 
Nem outra cousa eu almejo. 
E que mais posso eu querer? 
Ver-te Camões, Dante ou Milton, 
Ver-te poeta - e morrer.
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Cantos à beira mar". São Luís do Maranhão, 1871, p. 33-35.

§§


Nas praias do Cuman / Solidão

Aqui na solidão minh'alma dorme; 
Que letargo profundo!... Se no leito, 
A horas mortas me revolvo em dores, 
Nem ela acorda, nem me alenta o peito.
No matutino albor a nívea garça 
Lá vai tão branca doudejando errante; 
E o vento geme merencório - além 
Como chorosa, abandonada amante.

E lá se arqueia em ondulação fagueira 
O brando leque do gentil palmar; 
E lá nas ribas pedregosas, ermas, 
De noite - a onda vem de dor chorar.

Mas, eu não choro, lhe escutando o choro; 
Nem sinto a brisa, que na praia corre: 
Neste marasmo, neste lento sono, 
Não tenho pena; - mas, meu peito morre.

Que displicência! não desperta um'hora! 
Já não tem sonhos, nem já sofre dor... 
Quem poderia despertá-lo agora? 

Somente um ai que revelasse - amor.
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Cantos à beira mar". São Luís do Maranhão, 1871, p. 177-178.

§§

Seu nome 
Seu nome! em repeti-lo a planta, a erva, 
A fonte, a solidão, o mar, a brisa 
Meu peito se extasia! 
Seu nome é meu alento, é-me deleite; 
Seu nome, se o repito, é dúlia nota 
De infinda melodia.
Seu nome! vejo-o escrito em letras d'ouro 
No azul sideral à noite quando 
Medito à beira-mar: 
E sobre as mansas águas debruçada, 
Melancólica, e bela eu vejo a lua, 
Na praia a se mirar.

Seu nome! é minha glória, é meu porvir, 
Minha esperança, e ambição é ele, 
Meu sonho, meu amor! 
Seu nome afina as cordas de minh'harpa, 
Exalta a minha mente, e a embriaga 
De poético odor.

Seu nome! embora vague esta minha alma 
Em páramos desertos, - ou medite 
Em bronca solidão: 
Seu nome é minha idéia - em vão tentara 
Roubar-mo alguém do peito - em vão - repito, 
Seu nome é meu condão.

Quando baixar benéfico a meu leito, 
Esse anjo de deus, pálido, e triste 
Amigo derradeiro. 
No seu último arcar, no extremo alento, 
Há de seu nome pronunciar meus lábios, 
Seu nome todo inteiro!...
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Cantos à beira mar". São Luís do Maranhão, 1871, p. 71-72.

§§

Uma tarde no cuman
 Aqui minh'alma expande-se, e de amor 
Eu sinto transportado o peito meu; 
Aqui murmura o vento apaixonado, 
Ali sobre uma rocha o mar gemeu.
E sobre a branca areia - mansamente 
A onda enfraquecida exausta morre; 
Além, na linha azul dos horizontes, 
Ligeirinho baixel nas águas corre.

Quanta doce poesia, que me inspira 
O mago encanto destas praias nuas! 
Esta brisa, que afaga os meus cabelos, 
Semelha o acento dessas frases tuas.

Aqui se ameigam de meu peito as dores, 
Menos ardente me goteja o pranto; 
Aqui, na lira maviosa e doce 
Minha alma trina melodioso canto.

A mente vaga em solidões longínquas, 
Pulsa meu peito, e de paixão se exalta; 
Delírio vago, sedutor quebranto, 
Qual belo íris, meu desejo esmalta.

Vem comigo gozar destas delícias, 
Deste amor, que me inspira poesia; 
Vem provar-me a ternura de tu'alma, 
Ao som desta poética harmonia.

Sentirás ao ruído destas águas, 
Ao doce suspirar da viração, 
Quanto é grato o amor aqui jurado, 
Nas ribas deste mar, - na solidão.

Vem comigo gozar um só momento, 
Tanta beleza a me inspirar poesia! 
Ah! vem provar-me teu singelo amor 
Ao som das vagas, no cair do dia.
.
NB - Cuman - praias de Guimarães
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Cantos à beira mar". São Luís do Maranhão, 1871, p. 25-26.
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*Arte: (2) Maria Firmina dos Reis, em ilustração Ana Maria Sena /AzMina (2021).


Maria Firmina dos Reis, ilustração Silvana Mendes (Revista FAPESP)


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Maria Firmina dos Reis, 194º anos - doodle do google, desenho do ilustrador Nik Neves, de São Paulo (out. 2019)
a data não foi corrida, o nascimento de Maria Firmina dos Reis é 11.3.1822, conforme pesquisa revelada 
em 2017 pela escritora e pesquisadora Dilercy Aragão Adler.

FORTUNA CRÍTICA DE MARIA FIRMINA DOS REIS

[Maria Firmina dos Reis - teses e dissertações; livros, ensaios e artigos em revistas e jornais (impresso e online]

ABREU, José António Carvalho Dias de.. Os abolicionismos na prosa brasileira: de Maria Firmina dos Reis a Machado de Assis. (Tese Doutorado em Letras). Universidade de Coimbra, Coimbra, 2013. Disponível no link. e link. (acessado em 1.8.2021).
ADLER, Dilercy Aragão. A mulher Maria Firmina dos Reis: uma maranhense. Rio de Janeiro: Malê Editora, 2018.
ADLER, Dilercy Aragão. Maria Firmina dos Reis: uma missão de amor. São Luís: Academia Ludovicense de Letras, 2017.
ADLER, Dilercy Aragão; VAZ, Leopoldo Gil Dulcio (orgs.). Sobre Maria Firmina dos Reis. São Luís: Academia Ludovicense de Letras - ALL, 2015.
ADLER, Dilercy Aragão; VAZ, Leopoldo Gil Dulcio (orgs.). Cento e noventa poemas para Firmina. São Luís: Academia Ludovicense de Letras - ALL, 2015.
ADLER, Dilercy Aragão. Elogio à patrona Maria Firmina dos Reis: ontem, uma maranhense, hoje, uma missão de amor. São Luís: Academia Ludovicense de Letras, 2014.
ALCÂNTARA, Vanessa Figueiredo de Souza de.. Entre a letra e a lei: Narrativas e Identidades Femininas. (Dissertação Mestrado em Humanidades, Culturas e Artes). Universidade Do Grande Rio – Prof. Jose de Souza Herdy, Duque de Caxias, 2014. Disponível no link. (acessado em 27.3.2020).
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VIVEIROS, Jerônimo. Quadros da vida maranhense. São Luís: Fundação Cultural do Maranhão, 1978.
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ZIN, Rafael Balseiro. Maria Firmina dos Reis: a trajetória intelectual de uma escritora afrodescendente no Brasil oitocentista. São Paulo: Aetia Editorial, 2019.
ZIN, Rafael Balseiro. Maria Firmina dos Reis: a trajetória intelectual de uma escritora afrodescendente no Brasil oitocentista. (Dissertação Mestrado em Ciências Sociais). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC São Paulo, 2016. Disponível no link. (acessado em 6.8.2021).
ZIN, Rafael Balseiro. O direito à literatura afro-brasileira. In: Revista Veredas, n. 32, p. 23-37, 26 fev. 2021. Disponível no link. (acessado em 2.8.2021).
ZIN, Rafael Balseiro. Consolidando a fortuna crítica de Maria Firmina dos Reis: uma avaliação preliminar das dissertações e teses acadêmicas sobre a autora desenvolvidas em programas de pós-graduação brasileiros nos últimos trinta anos (1987-2016). In: Itinerários - revista de literatura, Araraquara, n. 46, p. 63-81, jan./jun. 2018. Disponível no link. (acessado em 6.8.2021).
ZIN, Rafael Balseiro. Maria Firmina dos Reis e seu conto Gupeva: uma breve digressão indianista. In: Em Tese. Florianópolis. v. 14, nº 1, p. 31-45, jan/jun. 2017. Disponível no link. (acessado em 27.7.2021).
ZIN, Rafael Balseiro. Maria Firmina dos Reis e seu conto ‘A escrava’: consolidando uma literatura abolicionista. In: Revista XIX, Artes e Técnicas em Transformação - Dossiê 'Insubmissas no século XIX', V. 1, nº 4, 2017. Disponível no link. (acessado em 1.8.2021).
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*Arte {caricaturas e desenhos}: (1) Maria Firmina dos Reis, ilustração de Joana Lira, para o livro 'Extraordinárias mulheres que revolucionaram o Brasil', de Duda Porto e Aryane Cararo / Cia das Letras, 2018; (2Maria Firmina dos Reis, por Tony Romerson Alves/ ALL.2012; (3) Maria Firmina dos Reis, por Waniel Jorge; (4Maria Firmina dos Reis, em ilustração de Luzinei Araújo/Instituto Histórico e Geográfico de Guimarães (2018)(5Maria Firmina dos Reis, em ilustração de Stefany Lima (@ste_fanylima); (6Maria Firmina dos Reis, em ilustração para a exposição "As mensageiras - primeiras escritoras do Brasil" (2018)..


Maria Firmina dos Reis, em ilustração de Silvana Mendes (Revista FAPESP)


"Davam-nos água imunda, podre e dada com mesquinhez, a comida má e ainda mais porca: vimos morrer ao nosso lado muitos companheiros à falta de ar, alimento e de água. É horrível lembrar que criaturas humanas tratem a seus semelhantes assim e que não lhes doa a consciência de leva-los à sepultura asfixiados e famintos!"
- Maria Firmina dos Reis, no livro "Úrsula. Editora Mulheres; Editora PUC Minas, 2018.

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MARIA FIRMINA DOS REIS REPRESENTADA EM DESENHOS,  ILUSTRAÇÕES E PINTURAS - HOMENAGENS

Lembrando: Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira, não deixou fotografias, desenhos ou pinturas. As feições da escritora são totalmente desconhecidas. 

Maria Firmina dos Reis, ilustração da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, em homenagem ao sesquicentenário
 de nascimento da escritora, (Maranhão out/1975) | Fonte: MORAIS FILHO, José Nascimento. Maria Firmina
 – Fragmentos de uma vida, 1975. A data e o ano de nascimento foram corrigidos em 2017, para 11.3.1822.


Maria Firmina dos Reis, por Wal Paixão

Maria Firmina dos Reis, por Luc Debard (2020) | Singular /França


Maria Firmina dos Reis, em ilustração de Mauricio de Sousa/Turma da Mônica. 
no projeto Somos todas #Donasdarua da História. Heroína (2020). 


Maria Firmina dos Reis, ilustração do Centro de Formação e Apoio 
Faculdade de Letras - Universidade Federal de Goiás.

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ALGUMAS CAPAS DE LIVROS DA OBRA DE MARIA FIRMINA DOS REIS OU SOBRE A AUTORA - ILUSTRAÇÕES


Capa ÚrsulaMaria Firmina dos Reis3ª ed., Rio de Janeiro: Presença; Brasília: INL, 1988. 

Capa Úrsula; e o conto "A escrava". Maria Firmina dos Reis. 7ª ed., Florianópolis: Editora Mulheres; 
Belo Horizonte: PUC Minas, 2018.

Capa ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. São Paulo: Penguin-Companhia das Letras, 2018.

Capa Úrsula e outras obras. Maria Firmina dos Reis. Série Prazer de Ler, nº 11. 
Brasília: Edições Câmara, 2018. 

Capa ÚrsulaMaria Firmina dos ReisPorto Alegre: Editora Zouk, 2018.

Capa ÚrsulaMaria Firmina dos ReisPorto Alegre: Editora Taverna, 2018.

Capa ÚrsulaMaria Firmina dos Reis 1ª ed., Editora Fora do Ar, 2020. 

Capa ÚrsulaMaria Firmina dos Reis. Coleção Clássicos da Literatura. Editora Principis, 2020.

Capa Ursula. Brazilian abolitionist novels. Maria Firmina dos Reis. [tradução Cristina Ferreira 
Pinto-Bailey]. EUA: Tagus Press, 2021.

Livros sobre Maria Firmina dos Reis

Capa 'Firmina'. Bárbara Simões. Rio de Janeiro: Malê Editora, 2019.

Capa 'Maria Firmina dos Reis - Faces de uma precursora'. Org. Constância Lima Duarte, Luana Tolentino, 
Maria Lúcia Barbosa e Maria do Socorro Vieira Coelho. Rio de Janeiro: Malê Editora, 2018.

Capa 'Maria Firmina dos Reis: a trajetória intelectual de uma escritora afrodescendente no 
Brasil oitocentista'. São Paulo: Aetia Editorial, 2019.

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VÍDEO MARIA FIRMINA DOS REIS | MULHER DE FIBRA

Em um vídeo, a atriz e escritora Maitê Proença faz uma breve homenagem a Maria Firmina. Nele, Maitê relembra a infância com anseio de aprendizado, a ousadia de se tornar a primeira professora negra para ensino primário que ainda se recusou a desfilar em um palanquim carregado por escravos e todas as suas importantes obras. A atriz decidiu gravar esse vídeo em seu canal oficial com o intuito de manter viva a história e obras dessa grande escritora e ativista dos direitos das mulheres e negros. Confere só o vídeo na íntegra:
 


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OUTRAS FONTES DE PESQUISA

:: Antigo - A cor da cultura


:: 15 escritoras e escritores negros do Brasil no site. Saiba quem são AQUI!

:: Vozes Femininas no site. Saiba quem são AQUI!

:: Escritoras e escritores africanos de língua portuguesa no site. Saiba quem são AQUI!
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*Arte (desenho): Maria Firmina dos Reis, ilustração (2015). Autoria não identificada.

** O título dessa publicação, é igual a biografia de Maria Firmina, organizada e escrita por Moraes Filho, 1975.


© A obra de Maria Firmina dos Reis é de domínio público.

© Pesquisa, seleção, edição e organização: Elfi Kürten Fenske.



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Trabalhos sobre o autor:
Caso, você tenha algum trabalho não citado e queira que ele seja incluído - exemplo: livro, tese, dissertação, ensaio, artigo - envie os dados para o nosso "e-mail de contato", para que possamos incluir as referências do seu trabalho nesta pagina. 

COMO CITAR:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção, edição e organização). Maria Firmina dos Reis - fragmentos de uma vida. In: Templo Cultural Delfos, agosto/2021. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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* Página atualizada em 11.8.2021.
** Página original Junho/2015.




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4 comentários:

  1. Excelente artigo. Parabéns!
    Lu Cunha

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  2. Excelente artigo. Parabéns!
    Lu Cunha

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  3. Sobre o romance Úrsula. Leiam, é muito bom! Linguagem da época, mas carrega tdo um simbolismo histórico!
    Convido-os para apreciarem nossa coletânea poética do Projeto Fale Escritor Maranhense, voltado para novos escritores.
    O arquivo já está disponível para download no formato EPUB (livro digital) no Blog do projeto: www.faleescritorma.blogspot.com.br.

    Link direto para download:
    EPUB - https://goo.gl/poEYLd
    PDF - https://goo.gl/ncwjTD

    Um abraço.

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  4. olá, visitei o blog e baixei a coletânea poética. gostaria de saber se vcs tem informaões sobre PDF de ÚRSULA?

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