Abdias do Nascimento - caminhos e trajetórias

Abdias do Nascimento - foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil
Autobiografia
EITO que ressoa no meu sangue
sangue do meu bisavô pinga de tua foice
foice da tua violação 
ainda corta o grito de minha avó

LEITO de sangue negro
emudecido no espanto 
clamor de tragédia não esquecida 
crime não punido nem perdoado
queimam minhas entranhas

PEITO pesado ao peso da madrugada de chumbo
orvalho de fel amargo
orvalhando os passos de minha mãe
na oferta compulsória do seu peito

PLEITO perdido
nos desvãos de um mundo estrangeiro
libra... escudo... dólar... mil-réis
Franca adormecida às serenatas de meu pai
sob cujo céu minha esperança teceu
minha adolescência feneceu
e minha revolta cresceu

CONCEITO amadurecido e assumido
emancipado coração ao vento
não é o mesmo crescer lento
que ascende das raízes
ao fruto violento

PRECONCEITO esmagado no feito
destruído no conceito
eito ardente desfeito
ao leite do amor perfeito
sem pleito
eleito ao peito
da teimosa esperança
em que me deito

Buffalo, 25 de janeiro de 1979
- Abdias do Nascimento, em "Axés do sangue e da esperança: Orikis". Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 47-48.


Abdias do Nascimento- foto: Chester Higgins Jr.
Abdias Nascimento (artista plástico, escritor, teatrólogo, político e poeta) - Franca – SP, 14 de março de 1914 – Rio de Janeiro – RJ, 23 de maio de 2011 - nasceu em uma família negra e pobre da cidade de Franca, interior do Estado de São Paulo. A sua mãe se chamava Georgina, conhecida como dona Josina, e o pai se chamava José. Ambos eram católicos e tinham sete filhos. A avó materna de Abdias, dona Ismênia, havia sido escrava, e apesar do neto ter nascido no contexto pós-abolição, o racismo e as relações sociais que marcaram o Brasil na época dela ainda vigoravam com bastante força.
Da infância vivida em Franca, Abdias absorveu os saberes dos afrodescendentes mais velhos, que eram repassados através da oralidade, em rodas de conversa. Aos nove anos, o garoto já trabalhava entregando leite e carne nas casas dos moradores mais ricos da cidade e assim ajudava a família financeiramente. Com o pouco que conseguia guardar para si, comprou orgulhoso o seu primeiro par de sapatos. Aos 11 anos entrou para a Escola de Comércio do Ateneu Francano. Nessa época, ia ao grupo escolar de manhã, trabalhava em um consultório médico à tarde e à noite fazia curso de contabilidade. Era apaixonado pelo circo e pelos festejos religiosos, que assistia acompanhado pela família. O garoto vivia naqueles momentos o que identificou mais tarde como o seu encantamento inicial pelo teatro.  
Em sua primeira experiência profissional na área de contabilidade, ao ser contratado para trabalhar na administração de uma fazenda em Franca, Abdias sofreria racismo por parte dos seus empregadores, mas optaria por enfrentar a situação e não se curvar, preferindo abandonar o emprego. Mais tarde, o garoto abdicaria outra vez de um emprego, desta vez por outro motivo: deixar definitivamente a cidade natal e ir para São Paulo. Na capital, o tratamento por parte das pessoas àquele jovem negro não seria diferente. Na verdade, o racismo seria experimentado de forma ainda mais forte.Para deixar Franca, a ideia de Abdias foi se alistar no exército. No entanto, uma vez que a idade mínima para o alistamento era 18 anos e Abdias tinha apenas 16, a solução foi falsificar a certidão de nascimento, o que terminou por dar certo. Assim 
Abdias entrou para o Segundo Grupo de Artilharia Pesada de São Paulo. Na capital, além de seguir a carreira de militar, o jovem Abdias não deixaria de lado os estudos e entrou para a faculdade de economia da Escola de Comércio Alvares Penteado.
Nessa época do exército, Abdias ficou bastante amigo de Sebastião Rodrigues Alves, negro como ele. Certa feita, quando resolveram se divertir no cabaré Danúbio Azul, foram proibidos de dançar naquele estabelecimento por serem negros. Sebastião não teve dúvidas, sacou de uma arma e ordenou que a banda tocasse para que seu amigo Abdias dançasse. Enfrentavam assim os dois, a socos e pontapés, o racismo de cada dia. 
Um pouco depois, Abdias se integraria ao movimento da Frente Negra Brasileira, que realizava protestos em locais públicos e trabalhava na perspectiva de integrar o negro brasileiro na sociedade de classes. Combatiam em locais como hotéis, restaurantes e bares que impediam a entrada de negros. Nessa época, Abdias fez inclusive parte da comitiva que foi ao Rio de Janeiro protestar junto ao presidente Getúlio Vargas.  
Abdias do Nascimento em 1944
foto: Acervo Abdias
Em 1936 Abdias desligou-se definitivamente do Serviço Militar, instituição com a qual estava em crise desde que começara a militar com o movimento negro. Ao sair do exército, passou a ser ferozmente perseguido pela polícia de São Paulo em razão de sua atuação na FNB. Resolve então partir para o Rio de Janeiro naquele mesmo ano de 1936. Sua primeira residência na então capital federal foi o morro da Mangueira, bem perto da famosa Escola de Samba. As primeiras experiências de emprego não eram nada animadoras para Abdias, até ele vir a ser o revisor do jornal O Radical.
No Rio, Nascimento adere definitivamente à Ação Integralista Brasileira (AIB) de Plínio Salgado. A participação no movimento foi considerada, pelo próprio Abdias, fundamental para lhe possibilitar conhecimentos sobre a cultura brasileira, arte, literatura e economia. No entanto, insatisfeito com uma corrente do grupo que era racista, ele opta por deixar o movimento em 1937. Mais tarde, em 1945, viria a criticar o movimento em discurso na Convenção Política do Negro Brasileiro.
Mudou-se da Mangueira para Duque de Caxias no final de 1937. Lá, passou a frequentar o famoso candomblé de Joãozinho da Goméia. As diversas manifestações culturais da população negra carioca chamaram e atraíram a atenção do jovem Abdias. Nesse circuito, ele viria a conhecer outros negros de destaque na cena cultural carioca, como o poeta pernambucano Solano Trindade, de quem se tornaria grande amigo. Outra amizade deste círculo era a do maestro Abgail Moura, que em 1942 fundou e regeu a Orquestra Afro-brasileira. Essas experiências fundamentais para a formação do intelectual Abdias eram somadas à formação acadêmica na faculdade de economia da então Universidade do Brasil.
Com a instauração da ditadura do Estado Novo, as perseguições políticas se intensificaram e Abdias, após realizar protesto panfletário contra a presença da marinha norte-americana na Baia de Guanabara, é preso. Após a liberdade, volta a morar em São Paulo e participa, em Campinas, do I Congresso Afro-campineiro. 
Consegue emprego como contador no Banco Mercantil de São Paulo, no entanto, um tempo depois, pede demissão e volta para o Rio de Janeiro, mas não por muito tempo. Envolvido com um grupo de poetas brasileiros e argentinos, Abdias viaja, ao lado dos amigos, pelo Brasil e América Latina, passando por Amazônia (Brasil), Iquitos e Lima (Peru), Letícia (Colômbia), La Paz (Bolívia) e Buenos Aires (Argentina). E justamente em Lima ocorreu aquela que pode ser considerada a grande virada na vida de Abdias. 
No teatro municipal daquela cidade ele viu pela primeira vez a peça O Imperador Jones, que anos depois ele encenaria no Rio de Janeiro. Os atores da peça eram todos brancos, sendo que aqueles que representavam personagens negros tinham que atuar pintados de preto. Vendo aquela encenação, Abdias começou a refletir sobre a não existência de atores negros no teatro brasileiro.
Pouco depois de retornar para o Brasil, Abdias seria preso novamente, desta vez na famigerada penitenciária do Carandiru, em razão de uma briga na porta de um bar em São Paulo, quando ele e seu amigo Sebastião bateram em um delegado. No Carandiru, Abdias se dedicou intensamente à leitura e criou o Teatro do Sentenciado, um grupo em que os atores eram os próprios presos e ele o diretor dos espetáculos. Após a liberdade de Abdias, no entanto, o grupo teve fim.
Ao deixar a prisão, seguiu para o Rio de Janeiro, onde em 13 de outubro de 1944, como resultado das reflexões surgidas no Peru, fundaria o Teatro Experimental do Negro, ao lado de Aguinaldo Oliveira de Camargo, Wilson Tibério, Sebastião Rodrigues Alves, Arinda Serafim e Ilena Teixeira, entre outros. Ao grupo, um pouco mais tarde, se uniria também a atriz Ruth de Souza. A primeira peça encenada pelo Teatro Experimental do Negro (TEN), formado exclusivamente por atores negros, foi O Imperador Jones, como não poderia deixar de ser. A peça, do escritor norte-americano Eugene O´Neill, aquela mesma que Abdias assistiu no Peru, teve uma única apresentação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 18 de maio de 1945. Foi um enorme sucesso, apesar de parte da crítica racista da época ter feito duras críticas à iniciativa de um teatro de atores negros, afirmando ser desnecessária, pois não havia racismo no Brasil. 
O grupo ainda montaria mais duas peças teatrais baseadas em escritos de O`Neill, que havia autorizado ao grupo a encenação de todas as suas obras. Com o sucesso da companhia, escritores brasileiros passaram a escrever peças teatrais especialmente para o TEN. Nelson Rodrigues, por exemplo, escreveu Anjo Negro, enquanto Joaquim Ribeiro escreveu Aruanda. Em 1948, por sua vez, o grupo encenou Filhos de Santo, de José de Moraes Pinho e em 1952, Rapsódia, do próprio Abdias Nascimento. Esta peça lançou a bailarina Mercedes Baptista e a atriz Lea Garcia, na época esposa de Abdias e mãe de seus dois primeiros filhos Abdias Nascimento Filho e Henrique Cristóvão. Paralelamente ao trabalho de dirigir e atuar no TEN, Nascimento também seguia a carreira de ator de cinema. Em 1959 ele participou do filme O homem do Sputinik, de Carlos Manga, e em 1962 de Cinco vezes favela – Escola de Samba Alegria de Viver. 
Abdias do Nascimento - foto: (...)
Em 1945, Abdias fundou o braço político do TEN, o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com sede na UNE. No mesmo ano, foi organizada a Convenção Nacional do Negro, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O ano de 1948, por sua vez, marca a fundação do jornal Quilombo, que circulou por dois anos e serviu de forte interlocutor entre a luta dos negros brasileiros e as lutas empreendidas no exterior. Em 1950 ocorreu o I Congresso do Negro Brasileiro, organizado por Abdias e o Teatro Experimental do Negro. Mais tarde, em 1968, Abdias publicaria o livro O Negro Revoltado, que trazia algumas das pesquisas e comunicações daquele evento. 
Ao longo das décadas de 50 e 60, Abdias militou pelo movimento negro em congressos, encontros e protestos que esta parcela da população promovia, muitas vezes sob a liderança do próprio. Com o golpe militar de 1964, no entanto, a militância negra enfrentou forte repressão por parte dos governos. A posterior promulgação do famigerado AI-5 em 1968 proibiu oficialmente a militância negra antirracista, o que levou Abdias a buscar exílio nos Estados Unidos, onde viveria por quase treze anos, militando pelo movimento pan-africanista O motivo inicial da viagem foi a possibilidade de conhecer organizações sociais e lideranças afro-americanas, o que ocorreu a convite da Fairfield Foundation. No final dos anos sessenta, os EUA passavam por momentos conturbados, marcados por fortes manifestações do movimento negro, na luta contra o racismo e pela igualdade dos direitos civis. Inserido nesse contexto, Abdias esteve, por exemplo, com Bobby Seale, o presidente dos Panteras Negras. 
Durante o longo exílio, Abdias dedicou-se com ênfase à carreira de artista plástico, que havia emergido durante uma curta estadia dele em Nova Iorque no início de 1968, antes do início do exílio. Ao longo dos treze anos que viveu fora do país, além de pintar, também foi convidado a expor suas obras e realizar curadorias de exposições em galerias de universidades norte-americanas. Após algumas exposições individuais em Nova Iorque, primeiro destino do exílio, Abdias foi convidado pela Universidade Wesleyan, de Middletown, para atuar como professor visitante. Enquanto esteve por lá, tomou parte nos levantes que ocorriam na universidade de Harvard, contra o financiamento de projetos na África do Sul, país do apartheid. 
Da atividade de professor visitante na Wesleyan University, Abdias foi para a Universidade do Estado de Nova Iorque, na cidade de Buffalo, desta vez como professor contratado e com dedicação exclusiva. Foi nesse período, no início da década de setenta, que Abdias conheceria a estudante loira e branca Elisa Larkin, que viria a ser sua esposa e mãe de seu terceiro filho, Osiris e sua única filha mulher, Yemanjá do Nascimento. Elisa falava português, pois havia estado no Brasil como aluna de intercâmbio. Abdias se recusava a aprender a falar inglês, pois afirmava não querer ser colonizado duas vezes.  
O período no qual o teatrólogo brasileiro ficou em exílio foi muito fértil intelectualmente para o pan-africanismo, movimento intelectual que propunha a união e unidade política entre as nações africanas e as culturas decorrentes da diáspora deste continente. Grandes pensadores debatiam as perspectivas da questão racial em escala atlântica, espelhados pelas Américas, África e Europa, alguns deles empenhados na ideia de uma África Ocidental socialista, influenciados que estavam pelas teorias marxistas. Abdias ficaria fortemente entusiasmado com uma das vertentes do pan-africanismo, aquela de ideologia mais nacionalista, representada nas figuras de Steve Biko (África do Sul), Patrice Lumumba (República Democrática do Congo), Aime Césaire (Martinica) e Malcolm X (Estados Unidos). Com esse espírito, participou da Conferência Pan-Africana Preparatória realizada em Kingston, Jamaica, em 1973, que abriu os trabalhos para o 6º Congresso Pan-Africano, realizado no ano seguinte na Tanzânia, em Dar-es-Salam. Entre 1976 e 1977, Abdias residiu na Nigéria, onde atuou como professor visitante na Universidade de Ifé.
O exílio de Abdias terminou em 1981. Nesse mesmo ano, com a ajuda de Dom Paulo Evaristo Arns, criou em São Paulo o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro). Em 1982 o instituto organizou e realizou o 3º Congresso de Cultura Negra das Amércias, presidido por Abdias. No papel de artista plástico, ele ainda realizaria diversas exposições em museus, universidades e centros culturais brasileiros.
Após o fim do regime militar, a luta no plano da política se abria como um novo campo de atuação para a batalha dos afrodescendentes no Brasil. Desde 1979, ainda no exílio, Abdias se aproximara de Leonel Brizola, líder do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).
Abdias do Nacimento - foto: Tuca Vieira/Folhapres
Devido à atuação de Nascimento junto ao partido desde que voltara ao Rio de Janeiro, foi criada dentro do PDT em 1981 a Secretaria do Movimento Negro. Em 1982, participando de suas primeiras eleições, Abdias foi eleito para o posto de Deputado Federal pelo Rio de Janeiro, sob a bandeira da luta contra o racismo. Era a primeira vez na historia do Brasil que um afrodescendente assumia este cargo com as bandeiras da luta do movimento negro. Como seria de se esperar, Abdias não foi bem recebido pelos demais políticos, que julgavam absurdas as suas bandeiras. No entanto, aos poucos e com muita insistência, ele soube fazer valer seus discursos e suas propostas, como o questionamento à comemoração da data do treze de maio e a demanda pela oficialização do dia 20 de novembro como dia da consciência negra. Em 1991 Abdias chegou ao Senado. Depois, foi nomeado Secretário de Defesa e Promoção da Igualdade Racial do Governo do Estado do Rio de Janeiro, quando Leonel Brizola era o governador. Após a morte de Darcy Ribeiro em 1996, assumiu outra vez a cadeira do Senado, permanecendo até 1998.
A partir dos anos dois mil, Abdias receberia uma porção de homenagens e premiações em reverência à sua trajetória de vida, a começar pelas comemorações pelos seus noventa anos em 2003. No ano seguinte, ele receberia o Prêmio Toussaint Louverture pelos Extraordinários Serviços Prestados à Luta contra a Discriminação Racial, na sede da UNESCO em Paris. Abdias Nascimento faleceu em 24 de maio de 2011, aos 97 anos, vítima de uma pneumonia que se complicou e agravou problemas cardíacos. A herança de sua trajetória e ensinamentos se encontra presente na luta de cada um dos afrodescendentes, contra o racismo e a discriminação. 
Suas cinzas foram depositadas na Serra da Barriga/Alagoas, local histórico da luta pela liberdade dos africanos e onde, em vida, ele manifestou desejo de ser enterrado.
:: Fonte: Museu Afro Brasil (acessado em 7.6.2015).


"Não posso e não me interessa transcender a mim mesmo, como habitualmente os cientistas sociais declaram supostamente fazer em relação à suas investigações. Quanto a mim, considero-me parte da matéria investigada. Somente da minha própria experiência e situação no grupo étnico-cultural a que pertenço, interagindo no contexto global da sociedade brasileira, é que posso surpreender a realidade que condiciona o meu ser e o define." 
- Abdias do Nascimento, em "O Brasil na mira do Pan-Africanismo". Salvador: EDUFBA, 2002, p.79. 


Abdias do Nascimento  - foto: Chester Higgins jr./Ipeafro
OBRAS DE ABDIAS DO NASCIMENTO 
Poesia
:: Axés do sangue e da esperança: Orikis. Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983.

Peça de teatro
:: Sortilégio: mistério negro. Rio de Janeiro: Teatro Experimental do Negro, 1959. 
:: Sortilégio II: mistério negro de Zumbi redivivo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

Ensaios e outros textos
Abdias do Nacimento - foto: (...)
:: O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.  
:: O quilombismoDocumentos de uma militância pan-africanista. Petrópolis: Editora Vozes, 1980; 2ª ed., Brasília: Fundação Cultural Palmares; Rio de Janeiro: OR Produtor Editor, 2002.
:: Sitiado em Lagos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
:: Jornada negro-libertária. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1984.
:: Povo negro: a sucessão e a “Nova República”. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1985.
:: Nova etapa de uma antiga luta. Rio de Janeiro: Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras – SEDEPRON, 1991. 
:: Orixás: os deuses vivos da África. Rio de Janeiro: Ipeafro/Afrodiaspora, 1995.
:: O Brasil na mira do pan-africanismo. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais; EDUFBA, 2002. 
:: O griot e as muralhas. [Abdias do Nascimento, em co-autoria com Éle Semog]. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.

Discursos, sessões e projetos de lei 
:: Combate ao racismo. [Discursos e projetos de lei]. 6 vols. Brasília: Câmara dos Deputados, 1983-86.
:: A abolição em questão. [co-autoria com José Genoíno e Ari Kffuri]. Sessão comemorativa do 96º aniversário da Lei Áurea (9 de maio de 1984). Brasília: Câmara dos Deputados, 1984. 
:: A luta afro-brasileira no Senado. Brasília: Senado Federal, 1991.

Abdias - publicações no exterior
:: Racial democracy in Brazil: myth or reality. [tradução Elisa Larkin Nascimento]. 1ª ed., Ile-Ife: University of Ife, 1976; 2ª ed., Ibadan: Sketch Publishers, 1977.
:: Sortilege: black mystery. [tradução Peter Lownds]. Chicago: Third World Press, 1978. 
:: Mixture or massacre. [tradução Elisa Larkin Nascimento]. Búfalo: Afrodiaspora, 1979.
:: Brazil: mixture or massacre. [tradução Elisa Larkin Nascimento]. Dover: The Majority Press, 1989.
:: Africans in Brazil: a Pan-African perspective. [Abdias do Nascimento em co-autoria Elisa Larkin Nascimento]. Trenton: Africa World Press, 1991. 
:: Orishas: the living gods of Africa in Brazil. Philadelphia: Temple University Press, 1995.

Obras organizadas
Livros
Abdias do Nascimento - foto: (...)
:: Relações de raça no Brasil[organização Abdias do Nascimento]. Rio de Janeiro: Quilombo, 1950. 
:: Dramas para negros e prólogo para brancos[organização Abdias do Nascimento]. Rio de Janeiro: Teatro Experimental do Negro, 1961.
:: Teatro Experimental do Negro: testemunhos. [organização Abdias do Nascimento]. Rio de Janeiro: Edições GRD, 1966.
:: Oitenta anos de abolição[organização Abdias do Nascimento]. Rio de Janeiro: Cadernos Brasileiros, 1968. 
:: Memórias do exílio. [organização Abdias do Nascimento, em colaboração com Paulo Freire e Nelson Werneck Sodré]. Lisboa: Arcádia, 1976.
:: O negro revoltado[organização Abdias do Nascimento]. 1968; 2ª ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. 
:: Quilombo: vida, problemas e aspirações do Negro. (Edição em fac-símile do jornal dirigido por Abdias do Nascimento).. [organização Abdias do Nascimento]. São Paulo: Editora 34, 2003.

Revista e jornal
:: Journal of Black Studies. (número especial sobre o Brasil).. [organização Abdias do Nascimento; Elisa Larkin Nascimento]. ano 11, nº 2, Beverley Hills: Sage Publications, 1980. v. 1. 264p.
:: Afrodiaspora: Revista do mundo africano [organização Abdias do Nascimento; Elisa Larkin Nascimento]. nºs. 1-7. Rio de Janeiro: IPEAFRO, 1983-86.
:: Thoth: Pensamento dos povos africanos e afrodescendentes. nºs. 1-6. Brasília: Senado Federal, 1997-98. Disponíveis nº 1 - link; nº 2 - linknº 3 - linknº 4 - linknº 5 - linknº 6 - link. (acessado em 7.6.2015).

Artigos e ensaios publicados em livros e revistas
NASCIMENTO, Abdias do.. Teatro negro no Brasil: uma experiência sócio-racial. In: Revista Civilização Brasileira (Caderno Especial). Rio de Janeiro, no. 2, p.193-211. 1968.
_________. Orixás: os deuses vivos da África. Rio de Janeiro, Ipeafro/Afrodiaspora, 1995, p. 93-97. 
_________. Teatro Experimental do Negro: trajetória e reflexões. Revista do Instituto de Estudos Avançados, USP 18(50), 2004, p. 209-224. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
NASCIMENTO, Abdias do; NASCIMENTO, Elisa LarkinComentário ao Artigo 4º. In: Comissão Nacional de Direitos Humanos, OAB. (Org.). 50 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948-1998: Conquistas e Desafios. Brasília: Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, 1998, v. , p. 55-59.
Elisa Nascimento e Abdias do Nascimento - foto: Cristina Granato
_______________. Reflexões sobre o movimento negro no Brasil, 1938-1997. In: Antonio Sérgio Alfredo Guimarães; Lynn Walker Huntley. (Org.). Tirando a Máscara. Ensaios sobre o racismo no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 2000, v. , p. -.
_______________. Dance of Deception. A Reading of Race Relations in Brazil. In: Lynn Walker Huntley; et. al.. (Org.). Beyond racism: Embracing an interdependent future. Atlanta: Southern Education Foundation, 2000, v. 2, p. 7-32.
_______________. Reflections on the Afro-Brazilian movement, 1938-1997. In: Lynn Walker Huntley; et. al.. (Org.). Beyond racism: Embracing an interdependent future. Atlanta: Southern Education Foundation, 2000, v. 4, p. 104-117.
_______________. Dança da decepção. uma leitura das relações raciais no Brasil. In: Lynn Walker Huntley; et. al.. (Org.). Beyond racism: Embracing an interdependent future. Atlanta: Southern Education Foundation, 2000, v. 4, p. -.


"Observamos que a larga miscigenação praticada como imperativo de nossa formação histórica, desde o início da colonização do Brasil, está se transformando, por inspiração e imposição das últimas conquistas da biologia, da antropologia e da sociologia, numa bem delineada doutrina de democracia racial, a servir de lição e modelo para outros povos de formação étnica complexa, conforme é o nosso caso."
- Abdias do Nascimento, em "O negro revoltado". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982, p. 121. 


PRÊMIOS, CONDECORAÇÕES E HOMENAGENS
:: Diploma Honorário Zumbi dos Palmares, São Bernardo do Campo, SP, 1983.
:: Medalha Pedro Ernesto, Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, 1983.
Abdias do Nascimento - foto: Xando
Pereira Agencia/A Tarde
:: Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, 1984.
:: Diploma de Grande Benemérito, Ilé Iyá Nassô Oká (Casa Branca do Engenho Velho/Sociedade B. R. São Jorge do Engenho Velho), Salvador, Bahia, 1985.
:: Homenagem por dedicação, amor e devoção à causa da Educação, Secretaria Municipal de Educação, Depto. Geral de Educação, Rio de Janeiro, 1986.
:: Tributo da Universidade Internacional da Flórida por contribuição destacada à dignidade, herança e personalidade cultural e histórica dos povos de descendência africana nas Américas, Miami, 1987.
:: Medalha de Bronze, comemorativa do Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil, Governo Federal, 1988.
:: Troféu da Consciência Negra para o Escritor de Destaque da Língua Portuguesa, Secretaria de Cultura, Estado da Bahia, 1988.
:: Irmão Distinto, Fraternidade Venerável de Sto. Elesbão e Sta. Efigênia, Rio de Janeiro, 1988.
:: Troféu Ujamaa, Prêmio de Contribuição Destacada à Comunidade Afro-Brasileira, Sociedade Olodum de Cultura Afro-Brasileira, Salvador, Bahia, 1988.
:: Medalha de Prata Winnie Mandela, Prêmio para Destacado Serviço e Dedicação à Causa Afro-Brasileira, Fundação Cultural Palmares, Ministério da Cultura, 1989.
:: Sócio Honorário, Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH), Rio de Janeiro, 1989.
:: Medalha Tiradentes, Estado do Rio de Janeiro, 1991.
:: Medalha Comemorativa do Centenário da Devoção do Senhor do Bonfim, Venerável Irmandade de Sto. Elesbão e Sta. Ephigênia, 1992.
:: Moção de Congratulações, Câmara dos Vereadores, Município de Niterói, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, 21 de março de 1992. 
:: Salão de Exposições Senador Abdias do Nascimento, Museu de História e Artes do Estado do Rio (ex-Palácio do Ingá), inaugurada a 02 de abril de 1992.
:: Cidadão Campista, Câmara de Vereadores, Município de Campos, RJ, 1993.
:: Doutor Honoris Causa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1993.
:: Medalha Legislativa Municipal do Mérito Dr. José Clemente Pereira, Câmara Municipal de Niterói, 1995.
:: Diploma de Menção Honrosa, Sociedade Cultural Afro-Brasileira, Axé Lá Naso Oka Bombuxé Lá Bitikum, Rio de Janeiro, 1995.
:: Patrono, Congresso Continental dos Povos Negros das Américas (Parlamento Latinoamericano, São Paulo), 1995.
:: Cidadão Paulistano, Câmara de Vereadores, Município de São Paulo, 1996.
:: Presidente Honorário, Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), 1997.
:: Menção Honrosa, Prêmio de Direitos Humanos da OAB/ São Paulo, 1997.
:: Homenagem a Cinco Personalidades da História da Diáspora Africana, Câmara Municipal de Salvador, Bahia, 1999.
:: Doutor Honoris Causa, Universidade Federal da Bahia, 2000.
:: Prêmio Mundial Herança Africana, Schomburg Center for Research in Black Culture, Biblioteca Pública de Nova York, Harlem, 2001. 
:: Prêmio Cidadania 2001, da Comunidade Bah'ai do Brasil, 2001.
Abdias do Nascimento 2001 - foto: Bia Parreiras/Acervo Ipeafro
:: Inaugura-se em julho de 2001 o Núcleo de Referência Abdias Nascimento, contra o Racismo e o Anti-Semitismo, e seu Serviço Disque-Racismo, iniciativas da Fundação Municipal Zumbi dos Palmares, Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro.
:: Ordem do Rio Branco, no grau de Oficial, 2001. 
:: Prêmio UNESCO, categoria Direitos Humanos e Cultura de Paz, 2001.
:: Homenageado como personalidade destaque em Direitos Humanos pela Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia, Brasília, 2002.
:: Homenageado como personalidade destaque em Direitos Humanos dos Afrodescendentes, Fala Preta! Organização de Mulheres Negras, São Paulo, 2003.
:: Diploma da Camélia, Campanha Ação Afirmativa/ Atitude Positiva, CEAP e Coalizão de ONGs pela Ação Afirmativa para Afrodescendentes, Rio de Janeiro, 2003.
:: Prêmio Comemorativo das Nações Unidas por Serviços Relevantes em Direitos Humanos, Rio de Janeiro, 2003.
:: Prêmio de Reconhecimento da Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, 2004.
:: Homenagem da Presidência da República aos 90 anos "do maior expoente brasileiro na luta intransigente pelos direitos dos negros no combate à discriminação, ao preconceito e ao racismo". Brasília, 21 de março de 2004.
:: Prêmio de Reconhecimento 10 Years of Freedom - South Africa 1994-2004, do Governo da África do Sul, abril de 2004.
:: Prêmio Toussaint Louverture, 2004.
:: Doutor Honoris Causa, Universidade de Brasília, 2006.
:: Ordem do Rio Branco no grau de Comendador, honraria outorgada pelo Governo do Brasil, 2006.
:: Cidadania soteropolitana, outorgado pela Câmara dos Vereadores do Município de Salvador BA, 2007.
:: Medalha Zumbi dos Palmares, de Câmara dos Vereadores do Município de Salvador BA, 2007.
:: Prêmio Ori da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, pelo conjunto de sua obra literária, 2007.
:: Homenagem do 4º Festival Internacional de Cinema Negro de São Paulo SP, 2007.
:: Grã Cruz da Ordem do Mérito Cultural, Ministério da Cultura/Governo Federal do Brasil, 2007.
:: Doutor Honoris Causa, Universidade Obafemi Awolowo, de Ilé-Ifé, Nigéria, 2007.
:: Prêmio em reconhecimento à contribuição destacada à prevenção da discriminação racial na América Latina, do Conselho Nacional de Prevenção da Discriminação, do Governo Federal do México, 2008.
:: Grã Cruz da Ordem do Mérito do Trabalho Getúlio Vargas, Ministério do Trabalho/Governo Federal do Brasil, 2009.
:: Prêmio de Direitos Humanos da Universidade de São Paulo (USP), 2009.
:: Prêmio de Direitos Humanos na categoria Igualdade Racial da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil, 2009.
Abdias do Nascimento - foto: (...)
POEMAS ESCOLHIDOS DE ABDIAS DO NASCIMENTO
"... A sua poesia, tão amena quanto forte, é a expressão também de seu engajamento fundamental. Nada neste livro bonito nega ou contradiz a sua forma de estar sendo no mundo – nada nega as suas raízes que lhe dão vida e autenticidade."
- Paulo Freire (Perdizes - outubro, 1981), no prefácio do livro "Axés do sangue e da esperança: Orikis", de Abdias do Nascimento. Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 30. 


Evocação da rosa
(Para Yemanjá - no seu décimo aniversário)

Era uma vez uma rosa 
que não era vegetal 
nem rosa mineral
carecia até da cor de rosa
era uma gata formosa
negra amarela e brancosa
irrequietamente caprichosa
vestida de suave pêlo multicor

Bichana terrivelmente amorosa
dos laços dos seus encantos
nenhum gato jamais se livrou 
pelos telhados miava dengosa
suspirava a noite inteira 
seduzindo namoradeira
toda a gataria ao
luar da lua alcoviteira

Certo dia Rosa pariu 
uma ninhada de gatinhos 
de várias cores engraçadinhos
os mais lindos eram os pretinhos 
mamavam de patinhas entrelaçadas
ronronando de olhos cerrados
boquinhas rosadas coladas
às rosadas tetas de Rosa

Num desses momentos
um gatão assassino
pêlo sujo debotado
miando feio saltou felino
matando gatinho por todo lado

A mãe valente e briosa
socorri de porrete na mão 
ajudei a defesa de Rosa
esbordoando estridente 
perseguindo o ladrão
ele fugiu espavorido
um gatinho levando nos dentes
outros sangravam na agonia
Rosa fuzilava os olhos dementes
miando plangente a dor que lhe doía
noites a fio seu gemer se ouvia
ó doce e carinhosa Rosa
era de cortar o coração 
ver-te enlouquecida 
recusar enfurecida
aquela felina traição
ir definhando entristecida
até a completa inanição

Rosa cheirosa e macia
que ao morrer no
meu jardim plantei
sob a terra desapareceu
aos cuidados da minha
pobre primavera de 
uma gata demente e morta
a rosa-gata enternecida
em rosa-flor floresceu
foram ambas a 
única rosa que 
a infância me deu

Buffalo, 30 de janeiro de 1981
(antecipando o 15 de setembro de 1981)
- Abdias do Nascimento, em "Axés do sangue e da esperança: Orikis". Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 55, 56 e 57.


O agadá da transformação
Abdias do Nascimento - foto: (...)
Em meu peito vazio de despeito 
Oxum fincou o seu ixé
sou o peixe mergulhado
no canto do pássaro odidê
pousado na folha da vida
trinando a ternura
que aconchega a criança
Ó peixe dourado que vais nadando
os dias e as noites da minha sorte
emblema de Oxum me levando
águas de Oxalá me lavando
no banho lustral da minha morte
Existo em minha natureza Ori
levedado pelos Orixás
embora o costado dos ancestrais
clame
a costa dos escravos
proclame
o cravo cravado no lombo
me tombando no tombo
da contra-costa rebelada do meu axé
inflamando na chaga do congo
a chama incendiária do quilombo
A senha dos atabaques devolve
no ricochete do tan-tan
as mentiras brancas ventiladas
aos ventos das humilhações tragadas
basta ouvir o som grave do rum
o repicar do rumpi
o picar agudo do lé
e as irmãs negras portadoras do sofrimento
os homens moldados nos crepes ancestrais
em uníssono clamor
de convulsivo furor
desde a degradação e o opróbio
desfraldam a bandeira
úmida do sangue negro derramado
no combate vermelho sempre continuado
pela integridade verde da herança nativa poluída
Somos a semente noturna do ritmo
a consciência amarga da dor
florescida aos toques anunciadores
da perenidade das coisas vivas
à batida dos tambores
aquele marcado por tánatos
emerge do seu vale sombrio de inércia
nas veias insuflado
em lugar da letargia cancerosa
a pulsação vital cadenciada
à harmonia do tambor
à alegria do sangue
ao rancor justiceiro da metralha
Ouçamos o pipocar do couro retesado
(ó agadá da transformação)
rompendo a couraça do insensível mundo
branco
na sola dos pés sangrentos
temos dançando
o madrigal da escravidão
o minueto do tráfico
o fado do racismo
agora na pele flamejante dos tambores
dancem eles o nosso baticum de guerra
até despontar aquela aurora
de dançar o afoxé da nossa batalha final vitoriosa
Entre núvens rubras
palpita no meu peito o ixé de Oxum
às batidas do rum
sigo os labirintos da minha alma
axé rum
ruminador do silêncio
sobre nós imposto
rum
rumpi

levando nas asas do ouvido
os raios do nosso sol
brilhante e jamais posto

rum
rumpi
rompedor do cerco
dos abutres alvacentos
corvejando sob o céu desolado
de nossa diáspora compulsória
Empunho o agadá
obrigação a Ogum e Ifá
não é tempo de reclamar
nem tempo de chorar
tempo é de afirmar nosso ser
sem mendigar nosso direito ao poder
tempo é de batalhar
a guerra secular
ao invés de lamentar
ou implorar
invés de só gritar
lutar
invés de vegetar e conformar
lutar
invés de evadir e sonhar
lutar
semear a luta com decisão
ampliá-la com ardor e paixão
sem temer a incompreensão
do inimigo ou do irmão
desdenhar o elogio e o louvor
a este mero ato de fraterno amor
olhar para além do egoísmo
e da glória
abrochar no coração o ixé da bravura
certos de que à vitória
pouco significa nossa vida
e nada importa a sepultura
Tempo de viver
(ensina Ajacá)
é tempo de morrer
uns já estão mortos
vivendo
nós estaremos vivos
morrendo
Morrer enquanto cintila no meu peito
o ixé áureo de Oxum
enquanto caminho a ancestralidade da minha
terra
nas pegadas temerárias de Ogum
ao fio do agadá
transformo a queixa muda das irmãs negras
neste canto marcial de esperança
de cada soluço teu
irmão
faço uma bala de fuzil
impeço que a bondade amoleça tua revolta
e tua dança perca o embalo da trincheira
tornando tua coreografia
grávida de símbolos
em vil moeda de espetáculo mercantil
Vem do fundo escuro do tambor
esse aflito olhar magoado
(não vencido apenas derrotado)
das irmãs e irmãos em África
fixo olhar pungente
absorvendo a beleza vital do meu corpo
incrustação do ixé
projeção amorosa de Oxum
em minha origem plantado
por desígnio paterno de Olorum
o olhar a devolvendo
à intensidade e pungência
da antiga luta comum
processada à regência
do agadá transformador
e do nosso cálido
recíproco
e solidário amor
Ogunhiê! 

Salvador (Bahia), 14 de janeiro de 1982 
(Dia da lavagem do Senhor do Bonfim)
- Abdias do Nascimento, em "Axés do sangue e da esperança: Orikis". Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 109-133.


O sangue e a esperança
Corre o sangue nas veias
Rola rola o grão das areias
Só não corre só não rola a esperança
Do negro órfão que corre e cansa

Cansa do eito corre das correntes
Corre e cansa do bote das serpentes
Só não corre só não cansa de amar
O amor da Mãe – África no além–mar

Além–mar das águas e da alegria
Mar–além do axé nativo que procria
Aqui é o mar–aquém do desamor frio
Aquém–mar do ódio do destino sombrio

Sombrio corre o sangue derramado
No mar–aquém de tanta luta devotado
Mas o sangue continua rubro a ferver
Inspirado no Orixá que nos faz crescer

Crescer na esperança do aquém e do além
Do continente e da pele de alguém
Lutar é crescer no além e no aquém
Afirmando a liberdade da raça amém

Rio de Janeiro, 14 de março de 1982
- Abdias do Nascimento, em "Axés do sangue e da esperança: Orikis". Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 107.


Olhando no espelho
(Para meus netos Samora, Alan e Henrique Alberto)

Ao espelho te vejo negrinho
te reconheço garoto negro
vivemos a mesma infância
a melancolia partilhada do teu profundo olhar
era a senha e a contra-senha
identificando nosso destino
confraria dos humilhados
a povoar de terna lembrança
esta minha evocação de Franca

Éramos um só olhar
nos papagaios empinados
ao sopro fresco do entardecer

Negrinho garota negra
vivemos a mesma infância
nos cafezais brincamos
nas jaboticabeiras trepamos
chupamos a mesma manga e melancia

Éramos uma única ansiedade
à subida multicor dos balões
pejados de nossos sonhos e ilusões
Negrinho meu irmão
como te chamavas tu?
Felisbino  Sebastião  Geraldo?
Serias menina: Rosa
Negra  Alice  Tarcíla?
Ou te chamarias Aguinaldo?
Lembro nosso emprego:
   lavar vidros
   entregar remédios
   fazer limonada purgativa
   limpar as sujeira de uma farmácia

E aquele grito em nosso ouvido:
"__ Acorda preguiçoso"! era o patrão
outra vez cochilaste reclinado ao chão
Assustados teus olhos dançaram
desgovernados pelas lágrimas
saltaste inutilmente lépide

Um dedo irrevogável
te apontou a porta de desemprego
assim regressaste
à casa que já não tinhas
na noite anterior morrera
tua pobra mãe que a mantinha

Negrinha garoto negro
sei que somos uma
prosseguimos os mesmos
ao abandono de nossa orfandade

Assim juntos e sem nome
devemos continuar nosso sonho
nosso trabalho
reinventando as nossas letras
recompondo nossos nomes próprios
tecendo os laços firmes
nos quais ao riso alegre do novo dia
enforcaremos os usurpadores de nossa infância

Para a infância negra
construiremos um mundo diferente
nutrido ao axé de Exu
   ao amor infinito de Oxum
   à compaixão de Obatalá
   à espada justiceira de Ogum

Nesse mundo não haverá
   trombadinhas
   pivetes
   pixotes
   e capitães de areia

Búfalo, 1980
- Abdias do Nascimento, em "Axés do sangue e da esperança: Orikis". Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 71-73


Orikí da Elisa
Amor em Saudade
    desatado
    de carência física
    embotado

Amor de amor pleno
    tranbordante
    música pungente
    latejante

Lateja amor as têmporas
   as taclas teclam amor
   agudo punhal inclemente
   apunhalando a dor

Dor do desamor que
   não é meu
   nem teu
   meu é o
   bemquerer que não morreu
   associado partilhado
   na partilha do que é
   meu e teu

Teu e meu na brancura do Obatalá
   no negrume de Laroiê
   nos peixes dourado
   da mamãe oxum
   oraieieu Exu saravá

Amor saudade corimba
   danço minha lágrima
   enquanto no tambor
   tua imagem crescente
   multiplica minha força
   expande meus horizontes
   transforma a vida
   num grito
   feliz na afirmação
   de um
   de dois
   de todo o humano
   em nós

Amor unijugado
   no trabalho a quatro mãos
   na luta compartilhada
   da esperança em comunhão
   ao ritmo das coisas belas
   ao gosto agreste do bom
   do belo que profetiza
   a ternura que és tu

      Elisa

Rio de Janeiro, 1 de julho de 1980
- Abdias do Nascimento, em "Axés do sangue e da esperança: Orikis". Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 65-66.


Padê de Exu libertador
Ó Exu
ao bruxoleio das velas
vejo-te comer a própria mãe
vertendo o sangue negro
que a teu sangue branco 
enegrece
ao sangue vermelho
aquece
nas veias humanas
no corrimento menstrual
à encruzilhada dos
teus três sangues
Padê de Exu, de Abdias do Nascimento (Rio, 1988)
deposito este ebó
preparado para ti

Tu me ofereces?
não recuso provar do teu mel
cheirando meia-noite de 
marafo forte
sangue branco espumante 
das delgadas palmeiras
bebo em teu alguidar de prata
onde ainda frescos bóiam
o sêmen a saliva a seiva
sobre o negro sangue que circula
no âmago do ferro
e explode em ilu azul

Ó Exu-Yangui
príncipe do universo e 
último a nascer
receba estas aves e 
os bichos de patas que
trouxe para satisfazer 
tua voracidade ritual
fume destes charutos
vindos da africana Bahia
esta flauta de Pixinguinha
é para que possas chorar
chorinhos aos nossos ancestrais
espero que estas oferendas 
agradem teu coração e 
alegrem teu paladar
um coração alegre é
um estômago satisfeito e
no contentamento de ambos
está a melhor predisposição 
para o cumprimento das 
leis da retribuição
asseguradoras da
harmonia cósmica

Invocando estas leis 
imploro-te Exu
plantares na minha boca
o teu axé verbal
restituindo-me a língua
que era minha 
e ma roubaram
sopre Exu teu hálito
no fundo da minha garganta
lá onde brota o 
botão da voz para
que o botão desabroche
se abrindo na flor do
meu falar antigo
por tua força devolvido
monta-me no axé das palavras
prenhas do teu fundamento dinâmico
e cavalgarei o infinito
sobrenatural do orum
percorrerei as distâncias
do nosso aiyê feito de
terra incerta e perigosa

Fecha o meu corpo aos perigos
transporta-me nas asas da 
tua mobilidade expansiva
cresça-me à tua linhagem
de ironia preventiva
à minha indomável paixão
amadureça-me à tua 
desabusada linguagem
escandalizemos os puritanos
desmascaremos os hipócritas
filhos da puta
assim à catarse das 
impurezas culturais
exorcizaremos a domesticação
do gesto e outras
impostas a nosso povo negro

Teu punho sou
Exu-Pelintra
quando desdenhando a polícia
defendes os indefesos
vítimas dos crimes do
esquadrão da morte 
punhal traiçoeiro da 
mão branca
somos assassinados
porque nos julgam órfãos
desrespeitam nossa humanidade
ignorando que somos 
os homens negros
as mulheres negras
orgulhosos filhos e filhas do
Senhor do Orum
Olorum
Pai nosso e teu
Exu 
de quem és o fruto alado
da comunicação e da mensagem

Ó Exu
uno e onipresente
em todos nós
na tua carne retalhada
espalhada por este mundo e o outro
faça chegar ao Pai a
notícia da nossa devoção
o retrato de nossas mãos calosas
vazias da justa retribuição
transbordantes de lágrimas
diga ao Pai que nunca
no trabalho descansamos
esse contínuo fazer 
de proibido lazer
encheu o cofre dos exploradores
à mais valia do nosso suor
recebemos nossa
menos valia humana
na sociedade deles
nossos estômagos roncam de
fome e revolta nas cozinhas alheias
nas prisões
nos prostíbulos
exiba ao Pai
nossos corações
feridos de angústia
nossas costas chicoteadas
ontem
no pelourinho da escravidão
hoje 
no pelourinho da discriminação

Exu 
tu que és o senhor dos 
caminhos da libertação do teu povo
sabes daqueles que empunharam
teus ferros em brasa
contra a injustiça e a opressão
Zumbi Luiza Mahin Luiz Gama
Cosme Isidoro João Cândido
sabes que em cada coração de negro
há um quilombo pulsando
em cada barraco
outro palmares crepita
os fogos de Xangô iluminando nossa luta
atual e passada

Ofereço-te Exu
o ebó das minhas palavras
neste padê que te consagra
não eu
porém os meus e teus
irmãos e irmãs em
Olorum
nosso Pai
que está 
no Orum

Laroiê!

Búfalo, 2 de fevereiro de 1981
- Abdias do Nascimento, em "Axés do sangue e da esperança: Orikis". Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 31-36.
____
:: NASCIMENTO, Abdias do.. Axés do sangue e da esperança: Orikis". Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983. Disponível no link. (acessado em 9.6.2015).


Abdias do Nascimento - foto: Luiz Paulo Lima (1997)
FORTUNA CRÍTICA DE ABDIAS DO NASCIMENTO
[Estudos acadêmicos - teses, dissertações, ensaios, artigos e livros]
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AZEVEDO, Amailton Magno. Abdias Nascimento e seu legado histórico. Raça Brasil, São Paulo, p. 3 - 82, 1 abr. 2014.
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Abdias do Nascimento - foto: (...)
BERND, Zilá. Introdução à literatura negra. São Paulo: Brasiliense, 1988.
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LIMA, Denise Maria Soares. Recepção e Aplicação da Lei 10.639/2003: da publicação à prática. (Dissertação Mestrado em Educação). Universidade Católica de Brasília, UCB/DF, 2012.
LIMA, Denise Maria Soares. Abdias do Nascimento: iluminado para a luta!. In: Elias Daher Júnior. (Org.). Os livros que mudaram o mundo e outras inspirações. 1ª ed., Brasília: Scortecci, 2012, v. 1, p. 36-39.
LIMEIRA, José Carlos. Quilombos - Para Abdias do Nascimento e Lélia Gonzalez (in memoriam). Repertório, Salvador, nº 17, p.195-197, 2011. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
LOPES, Nei. Dicionário literário afro-brasileiro. 1ª ed., Rio de Janeiro: Pallas Editora, 2007.
MACEDO, Márcio José de.. Abdias do Nascimento: a trajetória de um negro revoltado (1914-1968).. (Dissertação Mestrado em Sociologia). Universidade de São Paulo, USP, 2006.
MACÊDO, Marluce de Lima. Intelectuais Negros, Memória, Tradição e insurgência: Diálogos possíveis para uma educação anti-racista. (Tese Doutorado em Educação e Contemporaneidade). Universidade do Estado da Bahia, UNEB, 2013.
MAGALHÃES, Leila de Lima. O Teatro Experimental do Negro: Ação Artística, Social e Educacional. Ensaio Geral, Edição Especial, Belém, v1, n.1, 2010. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
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MARTINS, Leda Maria(Org.). Callaloo, a special issue on Afro-Brazilian Literature. Baltimore: John Hopkins University Press, 1995. v. XVIII. 996p.
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MOURA, Christian Fernando dos Santos. O Teatro Experimental do Negro – Estudo da personagem negra em duas peças encenadas (1947-1951).. (Dissertação Mestrado em Artes). Universidade Estadual Paulista, UNESP, 2008. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
NASCIMENTO, Elisa Larkin. Dois negros libertários: Luiz Gama e Abdias Nascimento. Rio de Janeiro: IPEAFRO, 1985, v. 1. 66p.
NASCIMENTO, Elisa Larkin (org). Os Orixás do Abdias. Pinturas e poesia de Abdias Nascimento. Brasília: IPEAFRO e Fundação Cultural Palmares, 2006. 
NASCIMENTO, Elisa Larkin (org.). Abdias and His Orixas: Paintings and Poetry. 1ª ed., Lagos: Lagos Black Heritage Festival 2013, 2013. v. 1. 11p. 
NASCIMENTO, Elisa Larkin (Org.). Abdias Nascimento memória viva. 1ª ed., Rio de Janeiro: Ipeafro, 2006. v. 1.
Abdias do Nascimento - foto: J. Freitas/Arquivo Senado
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Abdias do Nascimento - foto: Fernando
Rabelo/Folhapress
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Abdias do Nascimento - foto: (...)
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SOUZA, Florentina. Afro-descendência em Cadernos Negros e Jornal do MNU. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
SOUZA, Miliandre Garcia de.. Ou vocês mudam ou acabam: teatro e censura na ditadura militar (1964-1985).. (Tese Doutorado em História Social). Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, 2008.


“Abdias do Nascimento não é somente um ativista das causas políticas, mas antes de tudo um arquivo vivo de nossa história e cultura. Com seu trabalho artístico, ele resgata a força e as cores deste Brasil intenso. Ele consegue retratar esta intensidade negra e brasileira, num ir e vir do passado distante da mãe África ao presente destes filhos do Brasil que, separados pelo Atlântico, mantém viva essa chama, graças a este verdadeiro griot dos tempos modernos.” 
- Mãe Beata de Iemanjá, em "Os orixás do Abdias. Pinturas e poesia de Abdias Nascimento". [organização Elisa Larkin Nascimento]. Brasília: IPEAFRO; Fundação Cultural Palmares, 2006, p. 2. 

Ironides Rodrigues ministra aula de alfabetização para jovens e adultos inscritos no Teatro
Experimental do Negro. Rio de Janeiro, 1945. foto: José Medeiros/Acervo Ipeafro

ABDIAS DO NASCIMENTO E O TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO
Rio de Janeiro RJ - 1944 - 1961.
Idealizado, fundado e dirigido por Abdias do Nascimento, o Teatro Experimental do Negro tem como objetivo a valorização do negro no teatro e a criação de uma nova dramaturgia. Contemporâneo de Os Comediantes, companhia com a qual realiza intercâmbios, o Teatro Experimental do Negro atua no nascimento do teatro moderno, priorizando seu projeto artístico sem levar em conta o gosto médio da platéia e abrindo mão da profissionalização.
Elenco da peça ‘O Filho Pródigo’, de Lúcio Cardoso. Da esquerda 
p/ a direita: Roney da Silva (Moab), Ruth de Souza (Aíla), Abdias 
Nascimento (Pai), José Maria Monteiro (Assur), Aguinaldo 
Camargo (Manassés) e Marina Gonçalves (Selene). Rio
Teatro Ginástico, 1947. foto:  José Medeiros/Cedoc-Funarte
O projeto do Teatro Experimental do Negro - TEN, engloba o trabalho pela cidadania do ator, por meio da conscientização e também da alfabetização do elenco, recrutado entre operários, empregadas domésticas, favelados sem profissão definida e modestos funcionários públicos. A companhia inicia suas atividades em 1944, colaborando com o Teatro do Estudante do Brasil (TEB), na encenação da peça Palmares, de Stella Leonardos. Quando decide empreender um espetáculo próprio constata que não há, na dramaturgia brasileira, textos que sirvam aos seus objetivos. Abdias do Nascimento descobre em O Imperador Jones, de Eugene O'Neill, o retrato mais aproximado da situação do negro após a abolição da escravatura. O autor cede gratuitamente os direitos e o grupo ensaia durante seis meses, tendo aulas de interpretação com o professor Ironildes Rodrigues em salas da União Nacional dos Estudantes (UNE). O espetáculo, dirigido por Abdias do Nascimento, estréia em maio de 1945 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e obtém boa receptividade, com elogios ao protagonista, Aguinaldo Camargo.
O TEN procura estimular a criação de novos textos, que sirvam aos seus propósitos. Sua diretriz é a temática ligada à situação do negro. A falta de resposta à altura de suas expectativas faz Abdias do Nascimento encenar outro texto de Eugene O'Neill, Todos os Filhos de Deus Têm Asas, com a participação da atriz Ruth de Souza.
A primeira resposta à demanda dramatúrgica da companhia é o texto O Filho Pródigo, de Lucio Cardoso, encenado em 1947, com cenários de Tomás Santa Rosa, e protagonizado por Ruth de Souza e Aguinaldo Camargo. Ainda em 1947, participam de Terras do Sem Fim, de Jorge Amado, adaptação de Graça Mello, com direção de Zigmunt Turkov, montagem em colaboração com Os Comediantes. Em 1949, é a vez de Filhos de Santo, de José de Morais Pinho, selecionado entre os textos escritos especialmente para o TEN. Contendo muitos elementos da cultura religiosa negra e pinceladas de crítica social, a peça se baseia em uma situação maniqueísta em que uma jovem é enfeitiçada por um pai-de-santo vilão, que a rouba de seu amado. O espetáculo ocupa o Teatro Regina, com direção de Abdias do Nascimento e cenários de Tomás Santa Rosa. Em 1950, o TEN estréia Aruanda, de Joaquim Ribeiro, um dos poucos textos bem-sucedidos do repertório lançado pela companhia. Trata-se de uma lenda desenvolvida com recurso ao mistério e à sensualidade, sobre o amor entre Rosa Mulata e o Deus Gangazuma, com quem ela se encontra por meio de seu marido, que recebe o espírito do Deus. Embora aponte falhas estruturais na dramaturgia, o crítico Sábato Magaldi considera que a lenda "é um episódio de crença negra dos mais felizes proporcionados pela imaginação primitiva" e que traz "uma história de amor e ciúme de incontestáveis riquezas".(1)
Abdias numa cena de Otelo, de Shadespeare,
 Festival do 2º Aniversário do TEN. Rio de
Janeiro, Teatro Regina, 1946. foto José
Medeiros/ Acervo Ipeafro
Abdias do Nascimento escreve Sortilégio para o TEN, encenada por Léo Jusi no Theatro Municipal, em 1957. Baseada numa história de amor que envolve um negro e duas mulheres, uma negra outra branca, a peça, cheia de elementos não realistas, como aparições, flash-backs e personagens que simbolizam o inconsciente coletivo, aborda a tomada de consciência do protagonista a respeito de sua alienação no mundo dos brancos. Embora tenha como ponto de partida uma premissa ideológica, o TEN não se volta para um teatro popular nem para a popularização de sua platéia, apresentando-se muitas vezes no Theatro Municipal, do Rio de Janeiro.
Abdias do Nascimento procura fazer o TEN ultrapassar os limites da função artística e empreender também uma ação social: cria um concurso de beleza para negras e um concurso de artes plásticas com o tema Cristo Negro. Em 1945, promove uma Convenção Nacional do Negro e, em 1950, o 1º Congresso do Negro Brasileiro. Em 1955, realiza a Semana do Negro. Edita o jornal Quilombo.
As atividades do TEN incentivam a criação de iniciativas semelhantes. No Rio de Janeiro, em 1950, Solano Trindade funda o Teatro Popular Brasileiro; em São Paulo, os grupos negros encontram na dramaturgia norte-americana uma fonte para suas encenações experimentais; Geraldo Campos de Oliveira funda também um Teatro Experimental do Negro, que se mantém em atividade durante mais de quinze anos e monta, entre outros, O Logro, de Augusto Boal, 1953; O Mulato, de Langston Hughes, 1957; Laio Se Matou, de Augusto Boal, direção de Raul Martins, 1958; O Emparedado, de Tasso da Silveira; e Sucata, de Milton Gonçalves, ambos em 1961.
Ruth de Souza e Abdias Nascimento em ensaio de 'Auto da Noiva', 
de Rosário Fusco. Teatro Experimental do Negro (TEN). Rio de Janeiro,
Teatro Fênix, 1946. foto: Cedoc-Funarte
Por duas vezes o TEN é impedido de participar de festivais negros internacionais pelo próprio governo brasileiro. Segundo a historiadora Miriam Garcia Mendes, no entanto, esses fatos não devem ser compreendidos apenas como fruto da discriminação racial: "... os movimentos de vanguarda, e o TEN era um deles, sempre enfrentaram grandes dificuldades, não só por falta de apoio oficial, como pela natural reação do público [...] habituado às comédias de costumes inconsequentes ou dramas convencionais".(2)
O Teatro Experimental do Negro nunca atingiu a importância social que pretendia em seu tempo. Mas, em termos de história do teatro, significou uma iniciativa pioneira, que mobilizou a produção de novos textos, propiciou o surgimento de novos atores e grupos e semeou uma discussão que permaneceria em aberto: a questão da ausência do negro na dramaturgia e nos palcos de um país mestiço, de maioria negra.
Notas e fonte:
(1). MAGALDI, Sábato. Aruanda. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 22 jul. 1950.
(2). MENDES, Miriam Garcia. O negro e o teatro brasileiro (1889 e 1892). São Paulo: Hucitec, 1993. p. 51.
:: TEATRO Experimental do Negro (TEN). in: Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível no link. (acessado em 8.6.2015).


ESPETÁCULOS
Espetáculo: Palmares
Estreia: 1944
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Autoria: Stella Leonardos 
Direção: Esther Leão e Paschoal Carlos Magno 
Aassistente de direção: José Jansen 
Cenografia: Cláudio Roque Buono Ferreira 
Participação especial: Teatro Experimental do Negro (TEN) 
Montagem: Teatro do Estudante do Brasil (TEB) 
Elenco/Personagem
Aguinaldo de Oliveira (Zumbi)
Carolina Souto Mayor (Agnese Murri)
Daniel Caetano (Augusto)
Delorges Caminha (Castro Alves)
Ecyla Gilka Drummond (Mariquinhas)
Fernando Oscar de Araujo (Mensageiro)
Helio Tys (José)
Ida Gomes (Eugenia Câmara)
José da Silva (Empregado)
Lucia de Negreiros (Joana)
Margarida Galipiari Senna (Candinha)
Maria Maggyar (Denden)
Nazareth Lourdes (Adelaide)
Paulo Moreno (Luis Cornelio)
Tales de Moraes (Bené)


Espetáculo: O Imperador Jones*
Estreia: 05/08/1945
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Arinda Serafim, Marina Gonçalves e Abdias do Nascimento, na peça
'O Imperador Jones', Rio de Janeiro, Teatro Municipal, 1945.

foto: José Medeiros/Acervo Ipeafro
Autoria: Eugene O'Neill
Tradução: Ricardo Werneck de Aguiar 
Direção: Abdias do Nascimento 
Cenografia e iluminação: Bianco 
Trilha sonora: Abigail Moura
Produção: Teatro Experimental do Negro (TEN) 
Elenco/Personagem:
Aguinaldo Camargo (Brutus Jones)
Arinda Serafim (Velha escrava) - primeira montagem)
Fernando Oscar de Araujo (Jeff)
José da Silva (Feiticeiro do Congo) 
José Medeiros (Smitters) - segunda montagem
Natalino Dionísio (Lem)
Ruth de Souza (Velha escrava) - segunda montagem  
Sadi Cabral (Smitters) - primeira montagem  
Wolf Harmisch (Smitters) - terceira montagem
* Eugene O’Neill cedeu gratuitamente os direitos para encenar o texto.


Espetáculo: O moleque sonhador
Estreia: 12/09/1946
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Regina
Autoria: Eugene O'Neill 
Tradução: Ricardo Werneck de Aguiar 
Direção: Willy Keller
Produção: Teatro Experimental do Negro
Elenco/Personagem: 
Abdias do Nascimento (O moleque sonhador)  
Ilena Ferreira (Irene)
Marina Gonçalves (Culy Ann)  
Ruth de Souza (Mammy Saunders)


Espetáculo: Festival do II Aniversário do Teatro Experimental do Negro
Outros nome: Festival do 2º Aniversário do TEN
Estreia: 09/12/1946
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Autoria: Eugene O'Neill, Federico García Lorca, Graça Mello, Henry de Montherlant, Jorge Amado, William Shakespeare.
Elenco/Personagem: Abdias do Nascimento, Aguinaldo Camargo, Graça Mello, Ilena Ferreira, Jackson de Souza, Luiza Barreto Leite, Maria Della Costa, Marina Gonçalves, Olga Navarro, Procópio Ferreira, Ruth de Souza, Ziembinski.
Produção: Teatro Experimental do Negro


Espetáculo: Othello
Cacilda Becker (Desdêmona) e Abdias do Nascimento (Otelo). Rio de
 Janeiro, Teatro Regina, 1946 - foto: José Medeiros/ Acervo Ipeafro
Outros nomes: Otelo | Otelo (Cena II do Ato V)
Estreia: 12/09/1946
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Regina
Autoria: William Shakespeare 
Tradução: José Carlos Lisboa
Direção: Willy Keller
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Othello)  
Cacilda Becker (Desdêmona)


Espetáculo: Auto da noiva
Estréia: 1946
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Fênix (ensaio)
Autoria: Rosário Fusco
Produção: Teatro Experimental do Negro


Espetáculo: Recital Castro Alves
Estreia: 31/03/1947
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Fênix
Direção: Abdias do Nascimento 
Cenografia: Santa Rosa 
Iluminação: Santa Rosa 
Direção musical: Abigail Moura 
Trilha sonora: Abigail Moura e Gentil Puget 
Produção: Teatro Experimental do Negro
Festival Castro Alves
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (declama o poemas Adeus, Meu Canto e Sempre o Mesmo, de Langston Hughes)
Aguinaldo Camargo (declama o poema Navio Negreiro) 
Elizabeth Nogueira (Coral)  
Fernando Araújo (Coral)
Francisca Luiza (Coral)
Leda Maria (Coral)
Leopoldo Ferreira (Coral)
Manuel Claudiano Filho (Coral)
Marina Gonçalves (Coral)
Nair Gonçalves (Coral)
Natalino Dionísio (Coral)
Neuza Paladino (Coral)
Raul Soares (Coral)
Ruth de Souza (declama os poemas Vozes D'África, Lúcia e Mater Dolorosa)


Espetáculo: Terras do sem fim
Estreia: 08/08/1947
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Ginástico
Autoria: Jorge Amado 
Adaptação: Graça Mello 
Direção: Zigmunt Turkov 
Cenografia: Santa Rosa
Trilha sonora: Dorival Caymmi 
Produção: Os Comediantes e Teatro Experimental do Negro 
Elenco/Personagem:
Aguinaldo Camargo (Negro Damião)
Cacilda Becker (Margot)
David Conde (Azevedo)
Graça Mello
Jackson de Souza (Tonico Borges e Pai Jeremias)
Jardel Filho (Juca Badaró e Juiz)
Joseph Guerreiro (2º Trabalhador; Nhozinho; Argemiro e Escrivão)
José de Magalhães Graça (Viriato; Dr. Jessé)
Labanca Maneca (Dantas)
Margarida Rey (Don'Ana Badaró)
Maria Della Costa (Ester)
Nieta Junqueira (Professora)
Ruth de Souza (Felismina e Raimunda)
Sandro Polloni (Dr. Virgílio)
Tito Fleury (Cancioneiro Popular; Sinhô Badaró e Promotor)
Waldir Moura (1º Trabalhador; Firmo; Totônio e Meirinho)
Wallace Vianna (Velho Antônio e Capanga)
Yara Isabel (Dona Zefinha)
Ziembinski (Coronel Horácio da Silveira)


Espetáculo: Todos os filhos de Deus têm asas
Ruth de Souza e Abdias do Nascimento. 'Todos os
Filhos de Deus Têm Asas', Teatro Fênix, Rio de
Janeiro, 1946. foto: Cedoc-Funarte
Estreia: 15/07/1946
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Fênix
Autoria: Eugene O'Neill 
Tradução: Ricardo Werneck de Aguiar 
Direção: Aguinaldo Camargo 
Cenografia: Mário de Murtas
Produção: Teatro Experimental do Negro  
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Jim Harris)
Antonio Barbosa (Joe)
Eugene Rosencourt (Membro do Exército da Salvação) 
Gualter Ferreira (Jim Harris criança)
Ilena Teixeira (Ella Downey)  
João Melo (Shorty)  
José Medeiros (Mickey)  
Marina Gonçalves (Mme. Harris)
Marlene Silva (Ella Downey criança)  
Ricardo Werneck de Aguiar (Membro do Exército da Salvação) 
Ruth de Souza (Hattie)



Espetáculo:  O filho pródigo
Estreia: 05/12/1947
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Ginástico
Estréia: 02/05/1953 - São Paulo SP - Teatro São Paulo
Autoria: Lúcio Cardoso
Direção: Abdias do Nascimento
Cenografia e figurino: Santa Rosa
Produção: Teatro Experimental do Negro
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Pai)
Aguinaldo Camargo (Manassés)
Ana Maria (Peregrina)
Haroldo Costa (Peregrino)
José Maria Monteiro (Assur)
Marina Gonçalves (Salene)
Roney da Silva (Moab)
Ruth de Souza (Aila) - Prêmio Revelação


Espetáculo:  A família e a festa na roça
Estreia:  06/12/1948 
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Ginástico
Autoria: Martins Pena
Direção: Dulcina de Moraes
Cenografia e figurino: Santa Rosa
Produção: Serviço Nacional de Teatro e Teatro Experimental do Negro
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Lavrador)
Aimée (Filha do Capitão-Mor)
Bibi Ferreira (Quitéria)
Carlos Couto (O Marido)
Dulcina de Moraes (A Dama)
Jardel Filho (Capitão-Mor)
Josef Guerreiro (Luiz Delfino)
Luiz Tito (Imperdor do Espírito Santo)
Nelson Penna (Lavrador)
Odilon (Pereira)
Olga Navarro (Angélica)
Palmeirim (Pregoeiro de Leilão)
Procópio Ferreira (Antônio do Pau d'Alho)
Rodolfo Mayer (Juca)
Ruth de Souza (A Mucama)
Sadi Cabral (Domingos João)
Sergio Cardoso (Inacinho)
Silveira Sampaio (Silva)
Yara Isabel (Joana de Conceição)


Espetáculo: Aruanda 
Estreia: 23/12/1948  
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Ginástico
Autoria: Joaquim Ribeiro
Direção: Abdias do Nascimento
Cenografia: João Eliseu e Santa Rosa
Trilha sonora: Leopoldo Ferreira
Produção: Teatro Experimental do Negro
Elenco/Personagem
Abdias do Nascimento (Quelé)
Luís Soares (Moleque Benedito) - primeira montagem
Manuel Claudiano Filho (Ganga Zumba)
Renê Ferreira (Rosa Mulata) - primeira montagem
Ruth de Souza (Tia Zefa) - primeira montagem, (Rosa Mulata) - segunda montagem
Vandinha Dias (Moleque Benetido) - segunda montagem
Zeni Pereira (Tia Zefa) - segunda montagem


Espetáculo:  Filhos de Santo
Estreia: 27/03/1949
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Regina
Autoria: José de Moraes Pinho
Direção: Abdias do Nascimento
Cenografia: Santa Rosa
Produção: Teatro Experimental do Negro
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Josias)
Antonio Barbosa (Lourenço)
Deise (Laurinda)
Luiza Barreto Leite (Lúcia)
Marina Gonçalves (Ana)
Natalino Dionísio (Roque)
Ruth de Souza (Lindalva)


Espetáculo:  Calígula
Estréia: 26/07/1949 
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Ginástico
Autoria: Albert Camus 
Tradução: Gerardo Melo Mourão
Direção e cenografia: Eros Martim
Produção: Teatro Experimental do Negro
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Calígula)
Expedito (Hélicon)
Guilherme Batista Wanderley (Segundo Patrício)
Haroldo Costa (Cherea)
Joãozinho (Scipião)
Leopoldo Ferreira (Intendente)
Manuel Claudiano Filho (Patrício Velho)
Natalino Dionísio (Primeiro Patrício)
Ruth de Souza (Cesônia)


Espetáculo: Rapsódia negra
Estreia:  29/07/1952 
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: 
Autoria e direção: Abdias do Nascimento
Coreografia: Joãozinho e Mercedes Batista
Produção: Teatro Experimental do Negro
Elenco/Personagem:
Benedito Macedo
Joãozinho
Léa Garcia
Manuel Claudiano Filho
Maria Tereza
Mercedes Batista
Nilce Cruz
Yeman Lima


Espetáculo:  Onde está marcada a cruz
Estreia:  11/01/1954
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Teatro Dulcina
Festival O'Neill
Autoria: Eugene O'Neill 
Tradução: Gerardo Melo Mourão
Direção: Abdias do Nascimento
Cenografia: Sorensen
Produção: Teatro Experimental do Negro
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Capitão Jones)
Fredman Ribeiro (Dr. Higgins)
Léa Garcia (Suzana)
Orlando Macedo (Daniel)


Espetáculo: Orfeu da Conceição
Estreia: 25/09/1956
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Nova temporada: Teatro República
Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes - Direção: Léo Jusi, 1956
foto: José Medeiros/O Cruzeiro (Acervo Vinicius de Moraes)
Autoria: Vinícius de Moraes
Direção: Léo Jusi
Assistente de direção: Sanin Cherques 
Cenografia: Oscar Niemeyer 
Figurino: Lila de Moraes 
Trilha sonora: Tom Jobim e Vinicius de Moraes 
Coreografia: Lina de Luca
Arte cartazes: Carlos Scliar e Djanira
Produção: Teatro Experimental do Negro e Vinicius de Moraes
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Aristeu)
Adalberto Silva (Plutão)
Ademar Ferreira da Silva (Coro)
Amália Paiva (Mulher do morro)
Amoa (Maiorais do Inferno)
Baby (Maiorais do Inferno)
Célia Rosana da Silva Salles (Maiorais do Inferno)
César Romero (Maiorais do Inferno)
Ciro Monteiro (Apolo)
Cisne Branco (Maiorais do Inferno, Fúrias)
Cléa Simões (Mulher do morro)
Daisy Paiva (Eurídice)
Francisca de Queiroz (A Dama Negra)
Geraldo Fernandes (Homem da Tendinha)
Glória Moreira (Maiorais do Inferno, Fúrias)
Guiomar Elvira Pinto Ferreira (Mulher do morro)
Haroldo Costa (Orfeu da Conceição)
Hugolino de Sena Batista (Garoto Engraxate)
Ilzete Santos (Maiorais do Inferno)
Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Ruth de Souza, Abdias do Nascimento,
 Haroldo Costa, Francisca de Queiroz (...), durante a leitura da peça 'Orfeu
 da Conceição', no Clube Marimbás - foto: Arquivo O Globo, 02.07.1956.
Jacyra Costa (Mulher do morro)
Jaime Ferreira (Homem da Tendinha)
Jonaldo Felix (Coro)
Léa Garcia (Mira De Tal)
Luiz Clementino (O Cérebro, Coro)
Luiz Gonzaga (Coro)
Malú (Maiorais do Inferno, Fúrias)
Milka Costa Maia (Maiorais do Inferno, Fúrias)
Milton de Souza (Maiorais do Inferno)
Nilce Castro (Maiorais do Inferno, Fúrias)
Noviello (Garoto Engraxate)
Paulo Matosinho (Garoto Engraxate)  
Pérola Negra (Proserpina  
Roberto Rodrigues (Maiorais do Inferno)
Waldemar Corrêa Bonfim (Coro)
Waldir Maia (Corifeu)
Zeny Pereira (Clio)


Espetáculo:  Perdoa-me por me traíres
Estreia:  19/06/1957
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Autoria: Nelson Rodrigues
Direção: Léo Jusi
Cenografia: Cláudio Moura
Participação especial: Teatro Experimental do Negro
Produção: Gláucio Gill
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Dr. Jubileu de Almeida)
Dália Palma (Glorinha)
Gláucio Gill (Gilberto)
Léa Garcia (Enfermeira)
Nelson Rodrigues (Tio Raul)
Sônia Oiticica (Madame Luba/Tia Odete/Mãe)


Espetáculo: Sortilégio - mistério negro
Estreia: 21/08/1957
Local de realização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
Instituição: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Estreia: 20/10/1957 - São Paulo SP - Theatro Municipal São Paulo
Abdias Nascimento (Emmanuel) e Léa Garcia (Ifigênia)
na peça Sortilégio: Mistério Negro, de A. N.,  Rio de
Janeiro, Teatro Municipal, 1957. foto: Acervo Ipeafro
Autoria: Abdias do Nascimento 
Cenografia: Bianco
Figurino: Júlia Van Rogger [máscaras de Omulu]
Trilha sonora: Abigail Moura [Música litúrgica]
Sonoplastia: Marcus Vinícius 
Coreografia: Ítalo de Oliveira [Danças rituais]
Pesquisa: Cláudio Moura [Ídolos Africanos - Exus]
Produção: Teatro Experimental do Negro
Elenco/Personagem:
Abdias do Nascimento (Dr. Emanuel)
Amoa (Iaôs e Omulus)
Ana Pelusi (Iaôs e Omulus)
Conceição do Nascimento (Iaôs e Omulus)
Edi dos Santos (Iaôs e Omulus)
Helba Nogueira (Margarida) 
Heloísa Hertã (Filha de Santo)
Ítalo Nogueira (Orixá)
Léa Garcia (Ifigênia)  
Marlene Barbosa (Iaôs e Omulus)
Matilde Gomes (Filha de Santo)
Stela Delfino (Filha de Santo)
____
Referências e outras fontes:
:: DIONYSOSNúmero especial sobre o Teatro Experimental do Negro. Dionysos, Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, n. 28, 1988. 
:: IPEAFRO. Documentos. [Acervo digitalizado]. Disponível no link. (acessado em 9.6.2015).
:: MENDES, Miriam Garcia. O negro e o teatro brasileiro - 1889-1892. São Paulo: Hucitec, 1993. 207p.
:: MORAES, Vinicius de.. Orfeu da Conceição. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1960.
:: NASCIMENTO, Abdias do.. Teatro negro no Brasil: uma experiência sócio-racial. In: Revista Civilização Brasileira (Caderno Especial). Rio de Janeiro, no. 2, p.193-211. 1968.
:: NASCIMENTO, Abdias do (org.). Teatro Experimental do Negro: testemunhos. Rio: Edições GRD, 1966.
:: NASCIMENTO, Abdias do.. Teatro Experimental do Negro: trajetória e reflexões. Revista do Instituto de Estudos Avançados, USP 18(50), 2004, p. 209-224. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
:: NASCIMENTO, Abdias do.. Quilombo. [Edição em fac-símile do jornal dirigido por Abdias do Nascimento]. São Paulo: Editora 34, 2003. 
:: REPORTAGEM. O teatro do negro no Brasil. Revista Américas,  junho/julho 1949. in:  Teatro Experimental do Negro - Testemunhos. Rio de Janeiro: GRD, 1966, p. 93-95. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).


JORNAL QUILOMBO
Abdias do Nascimento - foto: (...)
O Teatro Experimental do Negro publica o jornal Quilombo em dez números no período de 1949-50. Traz notícias das atividades do TEN e de outras entidades do movimento negro da época. Em 2003, todos os números são reunidos e re-editados em fac-símile no volume Quilombo (São Paulo, Editora 34).
:: Fonte: Abdias/Ipeafro


TEATRO DO SENTENCIADO
Condenado à revelia por ter resistido à discriminação racial em incidentes anteriores à sua partida, Abdias é preso em 1942 ao voltar a São Paulo após a viagem da Santa Hermandad de la Orquídea. Cumprindo pena na Penitenciária do Carandiru, resolve pôr em prática seu projeto de criar um teatro. Leva a sugestão ao diretor da Penitenciária, Dr. Flamínio Fávero, que concorda com a idéia e o autoriza a executá-la. Cria, então, o Teatro do Sentenciado. Trata-se de um projeto de vanguarda para a época. Os presos passam a criar e encenar seus próprios textos.
:: Fonte: Abdias/Ipeafro


"Uma coisa é aquilo que o branco exprime como sentimento e dramas do negro; outra ‘coisa’ é o seu até então oculto coração, isto é, o negro deste dentro. A experiência de ser negro num mundo branco é algo intransferível."
- Abdias do Nascimento, em " Teatro experimental do negro: trajetória e reflexões". Estudos Avançados, v.18, nº 50, 2004, p.214.


Abdias do Nascimento - foto: (...)
A ARTE DE ABDIAS DO NASCIMENTO
A obra artística de Abdias nasce de seu trabalho de curadoria no projeto do Museu de Arte Negra. Desafiado pelo amigo Efrain Tomás Bó, pinta suas primeiras telas em 1968. No dia da promulgação do AI-5, encontra-se em Nova York e é acolhido por uma amiga artista plástica norte-americana, Ann Bagley. Usando palitos de fósforo e restos de tinta que a amiga jogava fora, pinta seu primeiro quadro no exterior, o Riverside 1. Sente a pintura como uma forma eficaz de comunicação em terras estrangeiras. Desenvolve sua obra, num processo inteiramente autodidata, mergulhando no calor do processo criativo para fugir do frio nos invernos do norte. De volta ao Brasil, continua pintando à medida que as atividades cívicas e políticas o permitem.
A pintura de Abdias Nascimento mergulha nas raízes culturais do mundo africano. Explora e interpreta diversas simbologias, desde a matriz primordial do Egito antigo, fonte da unidade essencial das civilizações africanas, passando pelo candomblé, o vodu do Haiti e os ideogramas adinkra da África ocidental. Essas referências se mesclam à evocação de heróis da luta de libertação dos povos africanos no continente e sua diáspora. O resultado é uma tessitura de temas e signos que brotam das cosmogonias e das passagens existenciais comuns aos povos afrodescendentes. Esses temas e signos realçam valores universais à experiência humana.
:: Fonte: Site Oficial 'Abdias do Nascimento'/Ipeafro
:: IPEAFROImagens - Museu de Arte Negra. [Acervo digitalizado]. Disponível no link. (acessado em 9.6.2015).


EXPOSIÇÕES REALIZADAS DA OBRA DE ABDIAS DO NASCIMENTO
Exposições individuais
:: The Harlem Art Gallery, New York, 1969.
Ritual de Exu, Abdias do Nascimento [Acervo Ipeafro]
:: Crypt Gallery, Columbia University, New York, 1969.
:: Yale University School of Art and Architecture, New Haven, 1969.
:: Malcolm X House, Wesleyan University, Middletown, CN, 1969.
:: Gallery of African Art, Washington DC, 1970.
:: Gallery Without Walls, Buffalo, NY, 1970.
:: Puerto Rican Studies and Research Center, State University of New York at Buffalo, 1970.
:: Department of Afro-American Studies, Harvard University, Cambridge, MA, 1972.
:: Musem of the National Association of Afro-American Artists, Dorchester, MA, 1971.
:: Studio Museum in Harlem, New York, 1973. 
:: Langston Hughes Center, Buffalo, NY, 1973.
:: Fine Arts Museum, Syracuse, NY, 1974.
:: Gallery of Howard University, Washington DC, 1975.
:: Inner City Cultural Center, Los Angeles, 1975.
:: Ile-Ife Museum of Afro-American Culture, Philadelphia, 1975.
:: Galeria do Banco Nacional, São Paulo, Brasil, 1975.
:: Galeria Morada, Rio de Janeiro, Brasil, 1975.
:: Museum of African and African-American Arts and Antiquities, Center for Positive Thought, Buffalo, NY, 1977.
:: El Taller Boricua and Caribbean Cultural Center, New York, 1980.
:: Símbolos Rituais Contemporâneos: os Orixás de Abdias Nascimento, Galeria Sérgio Milliet, Funarte, Rio de Janeiro RJ, 1982.
:: Orixás, os Deuses Vivos da África, Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro RJ, 1988.
:: Pinturas Afro-Brasileiras, Salão Negro do Congresso Nacional, Brasília, 1997.
:: Peintures Afro-Brasiliennes, Galerie Debret, Paris, 1998.
:: Abdias 90, uma Mini-Mostra, Solar Grandjean de Montigny, PUC-Rio, 2004.
:: Abdias Nascimento 90 Anos – Memória Viva, no Arquivo Nacional/Rio de Janeiro RJ, em 2004-2005; na Galeria Athos Bulcão/Brasília DF, 2006; e na Caixa Cultural/Salvador BA, em 2006.
:: Um Rio Chamado Atlântico, 5º Bienal de Arte, Ciência e Cultura da União Nacional de Estudantes (UNE), Rio de Janeiro, 2007.

Exposições coletivas e coleções permanentes
:: Everson Museum of Art, Syracuse, NY, 1972.
:: Galeria Salomé, New Orleans, LA, 1973.
:: Rainbow Sign Gallery, Berkeley, CA, 1975.
:: Artists '79, United Nations Headquarters, New York, 1979.
:: Permanent Collection, Museum of African and African-American Arts and Antiquities, Buffalo NY (two pieces).
:: Permanent Collection, Latin American Studies Institute, Columbia University, New York.

Exposições póstumas
:: África-Brasil, Ancestralidade e Expressões Contemporâneas, Centro Cultural Justiça Federal, Rio de Janeiro, 2011.
:: África-Brasil, o legado de Abdias Nascimento, Sesc de São João de Meriti RJ, novembro 2011; Biblioteca Leonel de Moura Brizola, Duque de Caixas RJ, dezembro, 2011; Casa de Cultura de Maricá RJ, nov/2011-jan/2012; Centro de Convenções da UENF, Campos dos Goytacazes RJ, março a abril/2012.
:: Abdias Plural e ÚnicoMini-Exposição, Centro Cultural Ação da Cidadania, Cais do Valongo, Rio de Janeiro RJ, 2014. (Centenário de Abdias, realização: Ipeafro).
:: Abdias Nascimento', Centro Cultural de Porto Seguro - Teatro, Porto Seguro, Bahia, nov/2014-abr/2015.

OBRAS DE ARTE ESCOLHIDAS DE ABDIAS DO NASCIMENTO
Olho egípcio com bandeirinhas, Abdias do Nascimento  [Acervo Ipeafro]


O cavalo e o Santo-Yemanjá, Abdias do Nascimento


Máscara Ancestral, Abdias do Nascimento [Acervo Ipeafro]

Meditações nº 1 Apis, o Touro Sagrado, Abdias do Nascimento [Acervo Ipeafro]


Dueto para Bida (Viola e Pássaro), Abdias do Nascimento [Acervo Ipeafro]


O presente eterno, Abdias do Nascimento [Acervo Ipeafro]


Pássaro Mítico nº 2, Abdias do Nascimento [Acervo Ipeafro]

Borboletas de Franca, Abdias do Nascimento [Acervo Ipeafro]


Ideograma Adinkra (Rio de Janeiro, 1992), Abdias do
 Nascimento 
[Acervo Ipeafro]

O Santo Guerreiro contra o Dragão da Maldade, de Abdias do
Nascimento (1971).. 
[Acervo Ipeafro]

Efraín Bocabalístico- Oxossi-Xangô- Ogum. (Nova Iorque, 1969). 
Abdias do Nascimento  [Acervo Ipeafro]

Opachoró Falus Cosmogónico-Obatalá, Abdias do
 Nascimento  [Acervo Ipeafro]

Oxum no seu labirinto, Abdias do
Nascimento [Acervo Ipeafro]

Xangô nº2, Abdias do Nascimento
[Acervo Ipeafro]

Tóten de Liberdade, Abdias do Nascimento
 [Acervo Ipeafro]
"As concepções metafísicas da África, seus sistemas filosóficos, a estrutura de seus rituais e liturgias religiosos nunca merecem o devido respeito e consideração como valores constitutivos da identidade do espírito nacional. E desprezando a cultura que os africanos trouxeram, os europeus reforçaram a teoria e a prática da rejeição étnica..."
- Abdias do Nascimento, em "Sitiado em Lagos", in: O Brasil na mira do pan-africanismo. Salvador: Edufba, 2002, p. 166.


Abdias do Nascimento - foto: arquivo Geledes

FILMOGRAFIA DE ABDIAS DO NASCIMENTO (ATOR)
Filme: O homem do sputnik
Sinopse: Um estranho objeto parecido com o famoso Sputnik cai no quintal de Anastácio (Oscarito), matando suas galinhas de estimação. Ele tenta negociar o suposto satélite para recuperar o prejuízo, mas fato chama a atenção de espiões internacionais, que transformam a vida do pacato Anastácio e de sua esposa Cleci (Zezé Macedo) num completo caos.
Ficha técnica
Ano/país: 1959
Duração:  98 min.
Gênero: Comédia
Tipo: longa-metragem, 35 mm, P&B
Direção: Carlos Manga
Roteiro: José Cajado Filho
Produção: Cyll Farney
Música original: Radamés Gnatalli
Fotografia: Ozen Sermet
Edição: Waldemar Noya
Figurino: Aelson Trindade
Guarda-Roupa: Euracy dos Santos
Maquiagem: Paulo Carias, Raymundo Campesatto
Efeitos Sonoros: Aloísio VIana, Paulo Eurides
Elenco: Oscarito (Anastácio), Cyll Farney (Nelson ou Jacinto), Zezé Macedo (Cleci), Norma Benguell (B.B.),Jô Soares (Espião americano), Alberto Perez, Neide Aparecida, Hamilton Ferreira, Fregolente, Heloísa Helena, Grijó Sobrinho, Abel Pêra, Labanca, César Viola, Tutuca, Riva Blanche, Nestor de Montemar e Abdias do Nascimento.
:: O Homem do Sputnik (1959). Filme disponível no link. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
Referências e fontes
:: 70 ANOS de Cinema. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
:: ATLÂNTIDA Cinematográfica. Acervo histórico. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).


Filme: Terra da perdição
Sinopse: Um industrial do interior chega ao Rio de Janeiro e deixa envolver pelos encantos de uma certa mulher, disso resultando uma longa série de dramáticas situações, resultando em sua prisão e perda da honra. Busca na religião o consolo e a salvação
Ficha técnica
Ano/país: 1962
Duração: 
Direção: Nilo Machado
Roteiro: Jurandyr Passos Noronha e Afonso Viana
Produção executiva: Arlindo O. Passos
Companhia produtora: Produções Cinematográficas Nilo Machado
Referências e fontes
:: TERRA da perdição. Cinemateca Brasileira. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
:: IMDB. Terra da perdição (1962). Ficha técnica completa. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).


Filme: Cinco vezes favela
Episódio: Escola de Samba Alegria de Viver
Abdias do Nascimento e Maria da Graça, na cena do filme Cinco vezes favela:
Escola de Samba Alegria de Viver, de Cacá Diegues (1962)  foto: Acervo BCC
Sinopse: Jovem sambista assume a direção da Escola de Samba poucos meses antes do Carnaval, enfrentando problemas de dívidas, rixa com uma escola rival e discussões com a esposa, a cobiçada mulata Dalva. 
Ficha técnica
Ano/país: 1962
Direção: Carlos Diegues
Elenco: Abdias do Nascimento, Oduvaldo Viana Filho, Maria da Graça e Jorge Coutinho 
Companhia produtora: C.P.C. - Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes
:: Cinco Vezes Favela (1962). Disponível versão completa no link. (acessado em 7.6.2015).
Fontes e referências:
:: BARBEDO, Mariana. Escola de Samba, Alegria de Viver, de Carlos Diegues (1962): o realismo crítico e a luta pelas reformas de base. XXVII Simpósio Nacional de Historia, ANPUH, Natal RN, 22 a 26 de julho de 2013. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
:: MIRANDA, Luiz Felipe; RAMOS, Fernão (org). Enciclopédia do Cinema Brasileiro. São Paulo: Senac, 2000.
:: RAMOS, Fernão (org). História do cinema brasileiro. São Paulo: Círculo do Livro, 1987; 2ª ed., São Paulo: Art; Secretaria de Estado da Cultura, 1990.
:: SILVA, Thiago de Faria e.. Audiovisual, memória e política: os filmes Cinco vezes favela (1962) e 5x favela, agora por nós mesmos (2010).. (Dissertação Mestrado em História Social). Universidade de São Paulo, USP, 2011. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).


DOCUMENTÁRIOS

Filme: Cinema de preto
Sinopse: Técnicos negros, veteranos do cinema nacional, lembram da Turma da Pesada nas filmagens de Negro Ingrato, documentário sobre Abdias Nascimento.
Ficha técnica
Ano/país: 2005
Duração: 9 min.
Gênero: Documentário
Direção, roteiro, produção: Dandara (Ana Cristina Carvalho Rodrigues)
Fotografia: Edinho Alves, LC Saldanha, outros 
Som Direto: Luis Carlos Saldanha 
Direção de arte: Dandara, Delanir Cerqueira 
Elenco: Abdias do Nascimento, Carlão Lenda, Delanir Cerqueira 
Produtora: Cinema de Preto Pro 
Produção executiva: Dandara 
Montagem: Luis Carlos Saldanha 
Fontes e referências:
:: DANDARA. Cinema de preto. in: Poemas florestais. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).
:: PORTA CURTAS. Cinema de preto. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015).


Documentário: Abdias Nascimento: memória negra
Capa DVD 'Abdias Nascimento - memória negra',
 de Antonio Olavo (2008)
Sinopse: O documentário conta a trajetória de Abdias Nascimento, histórico militante negro nascido em 1914, cuja obra e atuação política ao longo do século XX são essenciais para a compreensão da importância do negro na sociedade brasileira. Tendo como eixo central um depoimento gravado em 2005, o filme registra passagens importantes da longa trajetória de vida de Abdias do Nascimento em defesa do povo negro, intercalando sua narrativa com fatos marcantes da organização do Movimento Negro no Brasil, que se tornaram referências para várias gerações.
Ficha técnica
Ano/país: 2008
Duração: 95 min.
Direção e roteiro: Antonio Olavo
Produção: Raimundo Bujão, Josias Santos, Eliana Mendes e Leda Sacramento
Elenco: Abdias Nascimento
Música: Rodrigo Alzueta 
Câmera/Som direto: Márcio Bredariol e Paulo César 
Narração: Marla Rodrigues
Direção de arte: Raiumundo Laranjeira
Montagem: Antonio Olavo, Raimundo Laranjeira e Tiago Lisboa 
Edição: Redação Secom
:: Abdias Nascimento - memória negra (2008). Disponível no vímeo: Parte I -e- Parte II. (acessado em 7.6.2015).
Fontes e referências:
:: CINUEM. Abdias Nascimento: memória negra. in: Cinema na UEM. Disponível no link.(acessado em 7.6.2015).


Documentário: Abdias, raça e luta
Sinopse: O documentário retrata a trajetória do professor, artista plástico, escritor, teatrólogo, político e poeta Abdias Nascimento.
Ficha técnica
Ano/país: 2012
Duração: 59 min.
Direção e roteiro: Maria Maia
Entrevistas: João Carlos Fontoura, Maria Maia e Rita Nardelli
Produção: Cristina Monteiro
Assistente de produção: Lorena Maria, Mariana Studart
Edição e finalização: Jouber Rodrigo
Arte e identidade visual: Jimi Figueiredo e Jouber Rodrigo
Cinegrafista: Lucian Alves
Estagiária: Sylvia Dimittria
Diretor de imagem: Carlos Ernesto
Operadores de Câmera: Clemilson Costa, Demis Neves, Sérgio Carioca
Operador de áudio: Sérgio Vieira
Operador de sistema: Rangel Moraes e Gilberto Paulo
Iluminador: Sebastião Gomes
Microfonista: Haroldo Corrêa, Daniel Milton
Operador de TP: Joelio Rodrigues
Maquiagem: Roger Bernardo
Hot site Design: Adolfo Marques
Hot site revisão: Marba Rosângela
Hot site projeto: Paulo Sérgio Azevedo
TV Senado - Diretor adjunto: Aluízio Tadeu de Oliveira
TV Senado - Diretora: Leila Daher
Produção: TV Senado
Fontes e referências:
:: TV SENADO. Abdias raça e luta. Hot site/TV Senado. Disponível no link. (acessado em 7.6.2015). 


Documentário "Abdias, raça e luta" - TV Senado


Documentário: Abdias Nascimento - ativista social brasileiro
Sinopse: Documentário sobre Abdias do Nascimento, ícone do ativismo em prol da Causa do Negro no Brasil
Ficha técnica
Direção: Fernando Bola
Produção e realização: TV Câmara 
:: Documentário "Abdias Nascimento - ativista social brasileiro". Disponível no link. (acessado em 9.6.2015).


Documentário: Abdias do Nascimento, momentos políticos
Coleção da exposição* “Abdias do Nascimento – 90 anos Memória Viva”.
Duração: 31 min.
Roteiro e edição: Elisa Larkin Nascimento
Realização: Ipeafro e Fundação Cultural Palmares
* Exposição: Arquivo Nacional/Rio de Janeiro RJ, em 2004-2005; na Galeria Athos Bulcão/Brasília DF, e na Caixa Cultural/Salvador BA, em 2006.


Documentário: Abdias do Nascimento, um afro-brasileiro no mundo
Coleção da exposição “Abdias do Nascimento – 90 anos Memória Viva”.
Duração: 26 min.
Roteiro e edição: Elisa Larkin Nascimento
Realização: Ipeafro e Fundação Cultural Palmares
* Exposição: Arquivo Nacional/Rio de Janeiro RJ, em 2004-2005; na Galeria Athos Bulcão/Brasília DF, e na Caixa Cultural/Salvador BA, em 2006.


Programa Espelho com Abdias Nascimento
TV: Canal Brasil
Apresentação: Lazaro Ramos
:: Disponível no link. (acessado em 9.6.2015).
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Outros vídeos
:: IPEAFRO. Vídeos. [Acervo digital]. Disponível no link. Acessado em 9.6.2015).


Abdias do Nascimento - foto: Célio Azevedo/Arquivo Senado
Imagem noturna de Copacabana
Nascido no exílio me disseram um dia:
- Este é o teu país
Olhei em torno
e não me reconheci nas coisas que me rodeavam
Deverei também cantar o Brasil?

Antes de sentir 

adivinhei o perfume noturno da minha Pátria
Chegue perto bem perto amor
Chegue mais bem pertinho de mim
Que teus escuros braços 
me enlacem o peito assim
me tomem o negro coração em teus abraços
Me aconchegue bem amor assim

Suplico a proteção da tua sombra

nesta noite sem imagens lunares
Me sustenta sombra-pátria
nesta revolta sem fim
Para que não se desfaça 
o coração dentro de mim

Veja ao palor do néon o Banco Português

Embalado à fria guarda dos escudos
Herdados do sangue do saque
e da sordidez
A madrugada acalenta o banco
os escudos
e vela o sono de uma negra velha
sob a marquise em leito de farrapos

O fervor do meu ódio e rancor mudos 

afague o frescor do teu beijo
Que a doçura do teu pejo
não detenha e ira do meu punho
nem dilua o vibrar da minha tensão 
neste ato de revolta em compulsão

Onde está o meu País?


Ao embalo matinal dos pesadelos

À visão do banco
e da minha raça atirada ao lixo
Os sentimentos bradaram Ogunhiê!
as idéias se fizeram armas e 
o ódio não se consumiu em vão

Ó pátria queimada de amor demais

negro perfume meu
Celebro aqui tuas forças misteriosas
que alimentam nossa vida
na esperança que sustenta a luta
no amor teu
que é história
é luta passada
é glória
é luta de libertação
Agora

Buffalo, 1974
- Abdias do Nascimento, em "Axés do sangue e da esperança: Orikis". Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 88-89.


ICONOGRAFIA - ABADIAS COM À FAMÍLIA, AMIGOS E PERSONALIDADES

Abdias Nascimento, esposa Elisa Larkin e filho do casal, Osíris Larkin
- foto: (...)

Abdias, Yemanjá e Lélia Gonzalez Búfalo, abril de 1979
foto: Acervo Família Nascimento

Dona Georgina e José Ferreira do Nascimento (Franca SP, c.1911)
foto: Acervo Família Nascimento

Paulo Freire e Abdias do Nascimento, Guiné-Bissau, 1976 
foto: Acervo Ipeafro/Abdias

Dom Helder e Abdias do Nascimento - foto: Acervo Ipeafro/Abdias

Abdias, Brizola e crianças -  foto: Acervo Ipeafro/Abdias
Nelson Mandela e Abdias do Nascimento no Palácio Guanabara RJ
foto: Acervo Ipeafro/Abdias

Abdias do Nascimento e Julius Nyerere. foto: Vantoen Pereira Jr.

Abdias na Serra da Barriga, 1980 - foto: Josival Melo/Acervo Ipeafro

"[...] Minha negrura é parte integrante do meu ser histórico e espiritual, e se o mundo do Ocidente continua oprimindo e humilhando o negro e usurpando a sua humanidade, cabe ao ofendido resgatar sua humanidade, e este resgate se inicia com a recomposição de sua integridade. [...]"
- Abdias do Nascimento, em "O quilombismo". 2ª ed., Brasília: Fundação Cultural Palmares; Rio de Janeiro: OR Produtor Editor, 2002., p. 151.



Abdias do Nascimento - foto: (...)
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AFRICA EM PAUTA
:: África em Pauta - memória, história, arte 



OUTRAS FONTES E REFERÊNCIAS DE PESQUISA
:: Fundo Brasil de Direitos Humanos
:: Geledes
:: Ipeafro
:: IPEA - Perfil - Abdias Nascimento
:: Senado - hot site Abdias do Nascimento
:: Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento
:: Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento

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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Abdias do Nascimento - caminhos e trajetórias. Templo Cultural Delfos, junho/2015. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 22.2.2016.



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