Alfonsina Storni - a poesia e o mar

Alfonsina Storni - foto: (...)
“Soy un alma desnuda en estos versos,
Alma desnuda que angustiada y sola
Va dejando sus pétalos dispersos.”
- Alfonsina Storni, del poema "Alma desnuda".
  

Alfonsina Storni (Alfonsina Storni Martignoni), nasceu na Suíça Italiana em 29 de maio de 1892. Imigrou com os seus pais para a província de San Juan na Argentina em 1896. Em 1901 mudou-se para a cidade de Rosario (Santa Fé), onde levou uma vida muito difícil tendo que trabalhar para o sustento da família como costureira, operária, atriz e professora, depois de estudar por dois anos (1909-1910) coincidindo com as suas primeiras publicações.
Aos 20 anos é mãe de quem será seu único filho, Alejandro, sendo seu companheiro inseparável.
Em 1916 publica: “La Inquietud del Rosal” continua sua obra cultivando diferentes gêneros: novela breve, cuento, teatro, poesia e crítica. Em 1918 publica “El Dulce Daño”; em 1919, “Irremediablemente”; em 1920, “Languidez”, obtendo o prêmio Municipal de Poesia e o segundo prêmio Nacional do mesmo gênero. Em 1925 publica “Ocre”; em 1934, “Mundo de Siete Pozos”; em 1938, ano da sua morte, publica “Mascarilla y Trébol”.
Em 1935 os médicos descobrem um tumor no seio esquerdo do qual é operada e seu estado anímico a leva a procurar seus velhos amigos: Horacio Quiroga, Estrella Gutierrez, Enrique Amorín, Fernandez Moreno. O suicídio de Horacio Quiroga em 1937 a abalou profundamente e ao mesmo tempo funciona como uma antecipação; três dias antes da sua morte, acossada pela dor, envia de um solitário hotel de Mar del Plata, seu soneto “Voy a Dormir”.
Logo depois… numa noite, se deita ao mar.
Seu corpo é resgatado na manhã seguinte, era uma terça-feira, 25 de outubro de 1938.


Alfonsina Storni - foto: (...)

CRONOLOGIA
1886 – 16 de outubro. Alfonso Ambroggio Carlo Storni casa-se com Pascualina (Paulina) Marianna Martignoni, em Origlio, Cantón Ticino, Suíça. Alfonso havia partido em 1880 com seus três irmãos Angelo, Pietro e Paolo para a América do Sul, estabelecendo-se na cidade de San Juan, para onde também vai Paulina, logo depois do casamento. Os Storni eram prósperos empreendedores e haviam instalado a primeira fábrica de soda do lugar, que logo fabricaria gelo e finalmente, cerveja. Paulina provinha de uma família burguesa suíça e havia recebido uma esmerada educação, que incluía o título de professora. Era uma grande leitora, amava a música e cultivava o canto com boa voz de soprano. Segundo se sabe, foi o centro da vida mundana de San Juan, e desenvolveu uma atividade de escritora para jornais e revistas da cidade, com a publicação de crônicas sociais que ela escrevia em duas línguas, italiano e francês.
Alfonsina Storni en su juventud
1887 – 19 de outubro. Nasce a primogênita, María Storni.
1888 – 12 de novembro. Nasce o segundo filho, Romeo Storni.
1890 – Os médicos aconselham uma viagem à Europa para sanar a inexplicável melancolia que havia acometido Alfonso Storni: desaparece durante dias inteiros de casa, se entrega à bebida. A família parte para a Suíça.
1892 – 22 de maio. Nasce Alfonsina Storni em Sala Capriasca, Cantón Ticino, Suíça.
1896 – A família Storni retorna a San Juan. “Estou em San Juan – recorda Alfonsina – tenho quatro anos; vejo-me corada, redonda, nariz achatado e feia. Sentada na soleira da porta de minha casa, movo os lábios como se estivesse lendo um livro que tenho na mão, e fico espiando para ver o que os outros pensam. Uns primos meus começam a gritar, dizendo que tenho um livro ao contrário, morro de vergonha e corro a chorar atrás da porta”. (Vide “Entre um par de valises entreabertas e o ponteiro do relógio”).
1898 – 29 de agosto. Nasce Hildo Alberto, o último filho do casamento Storni. Desta época é a lembrança do primeiro livro “roubado”: “Aos seis anos roubo, com premeditação e ardileza, o livro com que aprendi a ler. Minha mãe está muito doente na cama; meu pai perdido em seus delírios”. Naqueles anos, começa também a decadência econômica da família, que acaba na ruína três anos depois.
1901 – A família se muda para Rosario em busca de novos horizontes. Paulina instala uma escola particular em sua casa: mas logo Alfonso decide abrir um bar em frente à estação Sunchales: o “Café Suíço”. Alfonsina ajuda, lavando pratos e copos, e no serviço das mesas.
1904 – Fecha o “Café Suíço”. Os Storni se mudam para uma casa mais humilde. Aos doze anos, Alfonsina escreve seus primeiros versos.
1905 – María Storni se casa. Alfonsina fica sozinha para ajudar sua mãe nos trabalhos de costura, com os quais mantinham a casa.
1906 – Morre Alfonso Storni. Alfonsina começa a trabalhar em uma fábrica de gorros. Lá ela fica conhecida pelo bom humor e sua participação na luta pelas reivindicações sociais, engajada nas fileiras anarquistas.
1907 – Realiza suas primeiras experiências como atriz na companhia teatral de Manuel Cordero. Meses depois, uma vez incorporada à companhia de José Tallaví, participa em uma turnê durante um ano por todo o país.
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1908 – Paulina se casa pela segunda vez com Juan Perelli, e se muda com os filhos para Bustinza, uma aldeia do departamento de Santa Fé de Iriondo. Lá, volta a instalar uma escola particular e dá à luz sua filha Olimpia.
1909 – Alfonsina parte para Coronda, para estudar na Escola Normal Mista de professores rurais. Trabalha no mesmo local como professora, para pagar seus estudos, completando-os dois anos depois.
1911 – Começa sua carreira de professora em Rosario. Colabora regularmente nas revistas Mundo Rosarino e Monas y Monadas. Com apenas dezenove anos, torna-se vice-presidente do Comitê Feminista de Santa Fé.
1912 – Muda-se para Buenos Aires. Em 21 de abril nasce seu filho Alejandro Alfonso Storni. Trabalha como caixa em uma farmácia, como vendedora na loja “Ciudad de México”; logo é “correspondente psicológica” para a firma Freixas Hermanos. Colabora em Caras y Caretas, e Fray Mocho.
1916 – Publica La inquietud del rosal, na editora Tor, com prólogo de Julián Lastra. Colabora em El Hogar, Mundo Argentino, Atlántida. Vincula-se ao grupo intelectual da revista Nosotros, que dirige Roberto F. Giusti, e que se compõe, entre outros, por Manuel Gálvez, Arturo Capdevilla, Alberto Gerchunoff e José Ingenieros. Giusti conta que foi a primeira mulher a frequentar os banquetes de escritores, cujas reuniões foram realizadas durante muitos anos na casa de Oliverio Girondo. O aparecimento de seu primeiro livro causou escândalo, especialmente pelo poema “La loba”. Alfonsina teve que deixar seu emprego.
1918 – Publica El dulce daño, que inclui “Tú me quieres blanca”, e já começa a ter sucesso de público. Seus livros são reeditados rapidamente e seguem provocando escândalo entre homens e mulheres. Continua com suas colaborações em jornal. Trabalha como professora na escola de alunos especiais do Parque Chacabuco. Conhece Fermín Estrella Gutiérrez.
1919 – Publica Irremediablemente, que inclui “Hombre pequeñito” e o oposto “Oye”. Inaugura a seção “Feminidades” ou “Vida Femenina” no jornal La Nota, e usa este espaço para levar a cabo uma luta decidida em favor dos direitos da mulher e das crianças. Vincula-se aos grupos feministas e socialistas.
1920 – Inicia uma etapa de transição em sua obra poética, com a publicação de Languidez, seu quarto livro, atacado pela crítica, a partir do momento em que começa a afastar-se da lírica confessional, mas recebe em 1925 o Primeiro Prêmio Municipal. Começa a colaborar no La Nación, com o pseudônimo Tao-Lao. Viaja pela primeira vez a Montevidéu e conhece Juana de Ibarbourou.
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1921 – Roberto f. Giusti cria para ela uma disciplina especial de declamação no Teatro Infantil Labardén. Viaja regularmente a Los Cocos (Córdoba), por conselho médico de seu amigo José Ingenieros, em busca de descanso.
1923 – Doutor Sagarna cria, para ela, uma disciplina de declamação na Escola Normal de Línguas Vivas. Participa de reuniões literárias, especialmente as do grupo “Anaconda”, onde fica amiga de Horácio Quiroga e Baldomero Fernández Moreno. Exibe seus dotes humorísticos e um toque sempre mordaz. Também organiza saraus poéticos nos bairros de Buenos Aires.
1924 – Na Espanha, é editada uma antologia de sua obra.
1925 – Publica um de seus mais famosos livros, Ocre, e começa a brincar com a auto-paródia, com poemas como “La ronda de las muchachas” e “Fiesta”. O livro teve três edições e foi traduzido para o francês. Graças a sua iniciativa, organiza-se a primeira Festa da Poesia em Mar del Plata. Fazia já vários anos que Alfonsina passava seus verões ali.
1926 – Publica seu primeiro e único livro de poemas em prosa, Poemas de amor, ignorado por público e crítica.
1927 – Estréia no teatro Cervantes sua primeira obra teatral, El amo del mundo, com pouca repercussão de público e crítica, e sai de cartaz no terceiro dia.
1930 – Viaja a Europa com sua amiga Blanca de la Vega. Profere conferências na Espanha com grande sucesso. Publica suas impressões de viagem no La Nación.
1931 – Publicam-se suas obras teatrais Cimbellina em 1900 y pico, e Polixena y la cenicienta, sob o título geral de Dos farsas pirotécnicas.
1932 – Realiza sua segunda viagem a Europa, em companhia do seu filho Alejandro.
1935 – Publica Mundo de siete pozos, o livro que marca já a liberação do gênero “poema de amor”, e um novo rumo para a sua escrita. No mesmo ano, descobre que sofre de um tumor no seio, e é operada. Desde então, passa parte de seus verões no Uruguai, cuja orla é o cenário de muitos de seus poemas ao Rio da Prata.
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1937 – O suicídio de seu amigo Horacio Quiroga a surpreende e comove. Um tempo depois, será o de Leopoldo Lugones, o inimigo de toda a sua carreira literária.
1938 – Em janeiro é convocada a participar de um encontro público com suas amigas escritoras do Chile e do Uruguai, Gabriela Mistral e Juana de Ibarbourou. Ali lê sua conhecida conferência “Entre um par de valises entreabertas e o ponteiro do relógio”. Publica seu último livro, Mascarilla y trébol, com a forma experimental dos anti-sonetos. Sua saúde piora. No dia 18 de outubro viaja de trem para Mar del Plata. De lá envia o soneto “Voy a dormir” ao jornal La Nación. Se lança ao mar na madrugada do dia 25, uma terça-feira, e seu corpo é resgatado próximo à orla, horas depois. Os jornais de todo país, chocados, publicaram a notícia. Seu corpo foi enviado a Buenos Aires para ser velado no Clube Argentino de Mulheres. Entre os que compareceram ao funeral, os jornais destacaram, no grupo de seus numerosos amigos escritores, a presença de Oliverio Girondo.
___
* Fonte: A voz da Poesia 

"La inteligencia de que cuando un escritor no pueda celar su obra se la desnudarán extraños, sin atender a sus pudores, ha soplado mis reparos autocríticos, que son muchos." 
- Alfonsina Storni, en su "Antologia poética" (1938)


OBRA
Poesia
:: La inquietud del rosal. [prólogo de Juan Julián Lastra]. Buenos Aires: Librería de la Facultad, 1916.
:: El dulce daño. Buenos Aires: Cooperativa Editorial Limitada Buenos Aires, 1918.
:: Irremediablemente. Buenos Aires: Cooperativa Editorial Limitada Buenos Aires, 1919.
:: Languidez. Buenos Aires: Cooperativa Editorial Limitada Buenos Aires, 1920.
:: Ocre. Buenos Aires: Babel, 1925.
:: Poemas de amor. Buenos Aires: Editorial Nosotros, 1926.
:: Mundo de siete pozos. Buenos Aires: Tor, 1934.
:: Mascarilla y Trébol:-círculos imantados. Buenos Aires: Imprenta Mercatali, 1938.



Teatro
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::El amo del mundo: comedia en tres actos. (Séries año 9, n. 470). Buenos Aires: Bambalinas 1927.
:: Dos farsas pirotécnicas. Buenos Aires: Cooperativa Buenos Aires, 1931.
:: Teatro infantil. Alfonsina Storni. Buenos Aires: R. J. Roggero, 1950.


Ensayos y miscelâneas
:: Entre un par de maletas a medio abrir y Las maneci[Discurso/Conferencia]. Buenos Aires: Ediciones Católicas Argentinas, Tall. Graf. De, 1939.
:: Nosotras y la piel: selección de ensayos de Alfonsina Storni. [selección Mariela Méndez; Graciela Queirolo y Alicia Salomone]. Buenos Aires: Edições Alfaguara, 1998.
:: Cinco cartas y una golondrina. Buenos Aires: Instituto Amigos del Libro Argentino, 1959.


Seleta, antologia e obra reunida
:: Antologia poética. Buenos Aires: Espasa Calpe Argentina, 1938.
:: Antología poética. [selección de Alfredo Veirave]. Buenos Aires: Centro Editor de América Latina, 1968.
:: Obra poética completa. Poesías completas. Buenos Aires: Sela, 1968. 
:: Obras Escogidas - Alfonsina Storni. (editor y director general Jorge R. Corvalán). Buenos Aires: SELA –Sociedad Editora Latino Americana¸ 1984.
:: Selected poems. Alfonsina Storni. Vermont: Amana Books, 1986.
:: Poesía - Alfonsina Storni. Editores Mexicanos Unidos S.A. 1987, 166p.
:: Poesías. [Selección de poesías de Alejandro Alfonso Storni]. Buenos Aires: Sociedad Editora Latinoamericana, 1990.
:: Antología mayor. [selección y edición Jesús Munárriz]. Madrid: Hiperión, 1997.
:: La caricia perdida. [Colección dirigida por Ana María Moix; selección Esther Tusquets], Barcelona: Plaza & Janés, 1999.
:: Alfonsina Storni: Obras Poesía. Tomo I. [edición Delfina Muschietti].  Buenos Aires: Editorial Losada, 1999.
:: Alfonsina Storni: Obras Prosa. Narraciones. Periodismo. Ensayo. Teatro. Tomo II. [edición Delfina Muschietti ].  Buenos Aires: Editorial Losada, 1999.
:: Antología poética. [selección y edición Cristina Bast Gras; prólogo y presentación, Francesc Ll. Cardona]. Barcelona: Edicomunicación, 1999. 219p.
:: Poemas de amor y otros poemas de amor. Buenos Aires: Editorial Losada, 2008, 160p.
:: Una voz en la soledad: antología. [edición Roberto Díaz].  Argentina: Andrómeda, 2009.
:: Voy a dormir. Buenos Aires: Editorial Losada, 2011, 200p.


Traducciones
:: Poesias, de Delfina Bunge de Gálvez.[prólogo José Enrique Rodó y traducción Alfonsina Storni]. Buenos Aires: Ediciones Selectas América, 1920.


Antologias [participação]
(Antologías en las que aparece su poesía)
:: Poetisas de América. [compilada, traducida e ilustrada por Helen Wohl Patterson]. Washington: The Mitchell Press, 1960.
:: Antología poética (Juana de Ibarbourou, Gabriela Mistral, Alfonsina Storni).. [selección de Domingo Arteaga]. México: Editores Mexicanos Unidos, 1977.
:: Tres poetisas (Juana de Ibarbourou, Gabriela Mistral, Alfonsina Storni)..[selección por Luisa Amada Solis]. México: Editores Mexicanos Unidos, 1982.
:: Antología de la poesía tanática de nueve poetas hispanoamericanos. [editor Fredo Arias de la Canal]. México, D.F. : Frente de Afirmación Hispanista, A.C., 2005, 162p.

Alfonsina y el mar, de Ariel Ramírez. interpretação Mercedes Sosa 




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POEMAS ESCOLHIDOS
Alma desnuda
Soy un alma desnuda en estos versos,
Alma desnuda que angustiada y sola
Va dejando sus pétalos dispersos.

Alma que puede ser una amapola,
Que puede ser un lirio, una violeta,
Un peñasco, una selva y una ola.

Alma que como el viento vaga inquieta
Y ruge cuando está sobre los mares,
Y duerme dulcemente en una grieta.

Alma que adora sobre sus altares,
Dioses que no se bajan a cegarla;
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Alma que no conoce valladares.

Alma que fuera fácil dominarla
Con sólo un corazón que se partiera
Para en su sangre cálida regarla.

Alma que cuando está en la primavera
Dice al invierno que demora: vuelve,
Caiga tu nieve sobre la pradera.

Alma que cuando nieva se disuelve
En tristezas, clamando por las rosas(*)
con que la primavera nos envuelve.

Alma que a ratos suelta mariposas
A campo abierto, sin fijar distancia,
Y les dice: libad sobre las cosas.

Alma que ha de morir de una fragancia
De un suspiro, de un verso en que se ruega,
Sin perder, a poderlo, su elegancia.

Alma que nada sabe y todo niega
Y negando lo bueno el bien propicia
Porque es negando como más se entrega.

Alma que suele haber como delicia
Palpar las almas, despreciar la huella,
Y sentir en la mano una caricia.

Alma que siempre disconforme de ella,
Como los vientos vaga, corre y gira;
Alma que sangra y sin cesar delira
Por ser el buque en marcha de la estrella.
- Alfonsina Storni, del libro "Irremediablemente" (1919) 


Dolor
Quisiera esta tarde divina de octubre
pasear por la orilla lejana del mar;
que la arena de oro, y las aguas verdes,
y los cielos puros me vieran pasar.

Ser alta, soberbia, perfecta, quisiera,
como una romana, para concordar
con las grandes olas, y las rocas muertas
y las anchas playas que ciñen el mar.

Con el paso lento, y los ojos fríos
y la boca muda, dejarme llevar;
ver cómo se rompen las olas azules
contra los granitos y no parpadear;
ver cómo las aves rapaces se comen
los peces pequeños y no despertar;
pensar que pudieran las frágiles barcas
hundirse en las aguas y no suspirar;
ver que se adelanta, la garganta al aire,
el hombre más bello, no desear amar...

Perder la mirada, distraídamente,
perderla y que nunca la vuelva a encontrar:
y, figura erguida, entre cielo y playa,
sentirme el olvido perenne del mar.
- Alfonsina Stornidel libro "Ocre" (1925)


Frente el mar
Alfonsina Storni en la playa [Acervo Alejandro Storni]
Oh mar, enorme mar, corazón fiero
De ritmo desigual, corazón malo,
Yo soy más blanda que ese pobre palo
Que se pudre en tus ondas prisionero.

Oh mar, dame tu cólera tremenda,
Yo me pasé la vida perdonando,
Porque entendía, mar, yo me fui dando:
«Piedad, piedad para el que más ofenda».

Vulgaridad, vulgaridad me acosa.
Ah, me han comprado la ciudad y el hombre.
Hazme tener tu cólera sin nombre:
Ya me fatiga esta misión de rosa.

¿Ves al vulgar? Ese vulgar me apena,
Me falta el aire y donde falta quedo,
Quisiera no entender, pero no puedo:
Es la vulgaridad que me envenena.

Me empobrecí porque entender abruma,
Me empobrecí porque entender sofoca,
¡Bendecida la fuerza de la roca!
Yo tengo el corazón como la espuma.

Mar, yo soñaba ser como tú eres,
Allá en las tardes que la vida mía
Bajo las horas cálidas se abría...
Ah, yo soñaba ser como tú eres.

Mírame aquí, pequeña, miserable,
Todo dolor me vence, todo sueño;
Mar, dame, dame el inefable empeño
De tornarme soberbia, inalcanzable.

Dame tu sal, tu yodo, tu fiereza.
¡Aire de mar!... ¡Oh, tempestad! ¡Oh enojo!
Desdichada de mí, soy un abrojo,
Y muero, mar, sucumbo en mi pobreza.

Y el alma mía es como el mar, es eso,
Ah, la ciudad la pudre y la equivoca;
Pequeña vida que dolor provoca,
¡Que pueda libertarme de su peso!
Vuele mi empeño, mi esperanza vuele...
La vida mía debió ser horrible,
Debió ser una arteria incontenible
Y apenas es cicatriz que siempre duele.
- Alfonsina Storni, del libro "Languidez" (1920)


Humildad
Yo he sido aquella que paseó orgullosa
El oro falso de unas cuantas rimas
Sobre su espalda, y se creyó gloriosa,
De cosechas opimas.

Ten paciencia, mujer que eres oscura:
Algún día, la Forma Destructora
Que todo lo devora,
Borrará mi figura.

Se bajará a mis libros, ya amarillos,
Y alzándola en sus dedos, los carrillo
Ligeramente inflados, con un modo

De gran señor a quien lo aburre todo,
De un cansado soplido
Me aventará al olvido
- Alfonsina Stornidel libro "Ocre" (1925)


La caricia perdida
Se me va de los dedos la caricia sin causa,
se me va de los dedos... En el viento, al pasar,
la caricia que vaga sin destino ni objeto,
la caricia perdida ¿quién la recogerá?

Pude amar esta noche con piedad infinita,
pude amar al primero que acertara a llegar.
Nadie llega. Están solos los floridos senderos.
La caricia perdida, rodará... rodará...

Si en los ojos te besan esta noche, viajero,
si estremece las ramas un dulce suspirar,
si te oprime los dedos una mano pequeña
que te toma y te deja, que te logra y se va.

Si no ves esa mano, ni esa boca que besa,
si es el aire quien teje la ilusión de besar,
oh, viajero, que tienes como el cielo los ojos,
en el viento fundida, ¿me reconocerás?
- Alfonsina Storni, del libro "Languidez" (1920)



Letanías de la tierra muerta
[A Gabriela Mistral]
Alfonsina Storni en Mar del Plata, en 1925

Llegará un día en que la raza humana 
Se habrá secado como planta vana,

Y el viejo sol en el espacio sea 
Carbón inútil de apagada tea.

Llegará un día en que el enfriado mundo 
Será un silencio lúgubre y profundo:

Una gran sombra rodeará la esfera 
Donde no volverá la primavera;

La tierra muerta, como un ojo ciego, 
Seguirá andando siempre sin sosiego,

Pero en la sombra, a tientas, solitaria, 
Sin un canto, ni un ¡ay!, ni una plegaria.

Sola, con sus criaturas preferidas 
En el seno cansadas y dormidas.

(Madre que marcha aún con el veneno 
de los hijos ya muertos en el seno.)

Ni una ciudad de pie... Ruinas y escombros 
Soportará sobre los muertos hombros.

Desde allí arriba, negra la montaña 
La mirará con expresión huraña.

Acaso el mar no será más que un duro 
Bloque de hielo, como todo oscuro.

Y así, angustiado en su dureza, a solas 
Soñará con sus buques y sus olas,

Y pasará los años en acecho 
De un solo barco que le surque el pecho.

Y allá, donde la tierra se le aduna, 
Ensoñará la playa con la luna,

Y ya nada tendrá más que el deseo, 
Pues la luna será otro mausoleo.

En vano querrá el bloque mover bocas 
Para tragar los hombres, y las rocas

Oír sobre ellas el horrendo grito 
Del náufrago clamando al infinito:

Ya nada quedará; de polo a polo 
Lo habrá barrido todo un viento solo:

Voluptuosas moradas de latinos 
Y míseros refugios de beduinos;

Oscuras cuevas de los esquimales 
Y finas y lujosas catedrales;

Y negros, y amarillos y cobrizos, 
Y blancos y malayos y mestizos

Se mirarán entonces bajo tierra 
Pidiéndose perdón por tanta guerra.

De las manos tomados, la redonda 
Tierra, circundarán en una ronda.

Y gemirán en coro de lamentos: 
¡Oh cuántos vanos, torpes sufrimientos!

—La tierra era un jardín lleno de rosas 
Y lleno de ciudades primorosas;

—Se recostaban sobre ríos unas, 
Otras sobre los bosques y lagunas.

—Entre ellas se tendían finos rieles, 
Que eran a modo de esperanzas fieles,

—Y florecía el campo, y todo era 
Risueño y fresco como una pradera;

—Y en vez de comprender, puñal en mano 
Estábamos, hermano contra hermano;

—Calumniábanse entre ellas las mujeres 
Y poblaban el mundo mercaderes;

—Íbamos todos contra el que era bueno 
A cargarlo de lodo y de veneno...

—Y ahora, blancos huesos, la redonda 
Tierra rodeamos en hermana ronda.

—Y de la humana, nuestra llamarada, 
¡Sobre la tierra en pie no queda nada!

                        *   *   *

Pero quién sabe si una estatua muda 
De pie no quede aún sola y desnuda.

Y así, surcando por las sombras, sea 
El último refugio de la idea.

El último refugio de la forma 
Que quiso definir de Dios la norma

Y que, aplastada por su sutileza, 
Sin entenderla, dio con la belleza.

Y alguna dulce, cariñosa estrella, 
Preguntará tal vez: ¿Quién es aquélla?

¿Quién es esa mujer que así se atreve, 
Sola, en el mundo muerto que se mueve?

Y la amará por celestial instinto 
Hasta que caiga al fin desde su plinto.

Y acaso un día, por piedad sin nombre 
Hacia esta pobre tierra y hacia el hombre,

La luz de un sol que viaje pasajero 
Vuelva a incendiarla en su fulgor primero,

Y le insinúe: Oh fatigada esfera: 
¡Sueña un momento con la primavera!

—Absórbeme un instante: soy el alma 
Universal que muda y no se calma...

¡Cómo se moverán bajo la tierra 
Aquellos muertos que su seno encierra!

¡Cómo pujando hacia la luz divina 
Querrán volar al que los ilumina!

Mas será en vano que los muertos ojos 
Pretendan alcanzar los rayos rojos.

¡En vano! ¡En vano!... ¡Demasiado espesas 
Serán las capas, ay, sobre sus huesas!...

Amontonados todos y vencidos, 
Ya no podrán dejar los viejos nidos,

Y al llamado del astro pasajero, 

Ningún hombre podrá gritar: ¡Yo quiero!...
- Alfonsina Storni, del libro "Languidez" (1920)


Razones y paisajes de amor
I - Amor:
Baja del cielo la endiablada punta
con que carne mortal hieres y
engañas.
Untada viene de divinas mañas
y cielo y tierra su veneno junta.

La sangre de hombre que en la
herida apunta
florece en selvas: sus crecidas cañas
de sombras de oro, hienden las
entrañas
del cielo prieto, y su ascender
pregunta.

En un vano aguardar de la respuesta
las cañas doblan la empinada testa.
Flamea el cielo sus azules gasas.

Vientos negros, detrás de los cristales
de las estrellas, mueven grandes
asas
de mundos muertos, por sus
arrabales.

II - Obra de amor:
Rosas y lirios ves en el espino;
juegas a ser: te cabe en una mano,
esmeralda pequeña, el océano;
hablas sin lengua, enredas el destino.

Plantas la testa en el azul divino
y antípodas, tus pies, en el lejano

revés del mundo; y te haces
soberano,
y desatas al sol de tu camino.

Miras el horizonte y tu mirada
hace nacer en noche la alborada;
sueñas, y crean hueso tus ficciones.

Muda la mano que te alzaba en
vuelo,
y a tus pies cae, cristal roto, el cielo,
y polvo y sombra levan sus talones.

III - Paisaje de amor muerto:
Ya te hundes, sol; mis aguas se
Alfonsina Storni [Acervo Alejandro Storni]
coloran
de llamaradas por morir; ya cae
mi corazón desenhebrado, y trae,
la noche, filos que en el viento lloran.

Ya en opacas orillas se avizoran
manadas negras; ya mi lengua atrae
betún de muerte; y ya no se distrae
de mí, la espina; y sombras me
devoran.

Pellejo muerto, el sol, se tumba al
cabo.
Como un perro girando sobre el rabo,
la tierra se echa a descansar,
cansada.

Mano huesosa apaga los luceros:
Chirrían, pedregosos sus senderos,
con la pupila negra y descarnada.
- Alfonsina Storni, del libro "Mundo de siete pozos" (1934)



Soledad
Podría tirar mi corazón
desde aquí, sobre un tejado:
mi corazón rodaría
sin ser visto.

Podría gritar
mi dolor
hasta partir en dos mi cuerpo:
sería disuelto
por las aguas del río.

Podría danzar
sobre la azotea
la danza negra de la muerte:
el viento se llevaría
mi danza.

Podría,
soltando la llama de mi pecho,
echarla a rodar
como los fuegos fatuos:
las lámparas eléctricas
la apagarían...
- Alfonsina Storni, del libro "Mundo de siete pozos" (1934)


Un cementerio que mira al mar
Decid, oh muertos, ¿quién os puso un día
Así acostados junto al mar sonoro?
¿Comprendía quien fuera que los muertos
Se hastían ya del canto de las aves
Y os han puesto muy cerca de las olas
Porque sintáis del mar azul, el ronco
Bramido que apavora?

Os estáis junto al mar que no se calla
Muy quietecitos, con el muerto oído
Oyendo cómo crece la marea,
Y aquel mar que se mueve a vuestro lado,
Es la promesa no cumplida, de una
Resurrección. 

En primavera, el viento, suavemente,
Desde la barca que allá lejos pasa,
Os trae risas de mujeres... Tibio
Un beso viene con la risa, filtra
La piedra fría, y se acurruca, sabio,
En vuestra boca y os consuela un poco...
Pero en noches tremendas, cuando aúlla
El viento sobre el mar y allá a lo lejos
Los hombres vivos que navegan tiemblan
Sobre los cascos débiles, y el cielo
Se vuelca sobre el mar en aluviones,
Vosotros, los eternos contenidos,
No podéis más, y con esfuerzo enorme
Levantáis las cabezas de la tierra.

Y en un lenguaje que ninguno entiende
Gritáis: –Venid, olas del mar, rodando,
Venid de golpe y envolvednos como
Nos envolvieron, de pasión movidos,
Brazos amantes. Estrujadnos, olas,
Movednos de este lecho donde estamos
Horizontales, viendo cómo pasan
Los mundos por el cielo, noche a noche...
Entrad por nuestros ojos consumidos,
Buscad la lengua, la que habló, y movedla,
¡Echadnos fuera del sepulcro a golpes!

Y acaso el mar escuche, innumerable,
Vuestro llamado, monte por la playa,
¡Y os cubra al fin terriblemente hinchado!

Entonces, como obreros que comprenden,
Se detendrán las olas y leyendo
Las lápidas inscriptas, poco a poco
Las moverán a suaves golpes, hasta
Que las desplacen, lentas, y os liberten.
¡Oh, qué hondo grito el que daréis, qué enorme
Grito de muerto, cuando el mar os coja
Entre sus brazos, y os arroje al seno
Del grande abismo que se mueve siempre!

Brazos cansados de guardar la misma
Horizontal postura; tibias largas,
Calaveras sonrientes: elegantes
Fémures corvos, confundidos todos,
Danzarán bajo el rayo de la luna
La milagrosa danza de las aguas.
Y algunas desprendidas cabelleras,
Rubias acaso, como el sol que baje
Curioso a veros, islas delicadas
Formarán sobre el mar y acaso atraigan
A los pequeños pájaros viajeros.
- Alfonsina Storni, del libro "Languidez" (1920)



Alfonsina Storni
Una voz
Voz horadante de mi espalda,
En algún viaje a las afueras,
Mientras caía de mi falda
El libro abierto, ¿de quién eras?

Sonabas cálida y segura
Como de alguno que domina
Del hombre oscuro el alma oscura;
La clara carne femenina.

No me di vuelta a ver el hombre
En el deseo que me fuera
Su rostro anónimo y pudiera
Su voz ser música sin nombre.

¡Oh simpatía de la vida!
¡Oh comunión que me ha valido,
Por el encanto de un sonido
Ser, sin quererlo, poseída!
- Alfonsina Stornidel libro "Ocre" (1925)


Viaje
Hoy me mira la luna
blanca y desmesurada.

Es la misma de anoche,
la misma de mañana.

Pero es otra, que nunca
fue tan grande y tan pálida.

Tiemblo como las luces
tiemblan sobre las aguas.

Tiemblo como en los ojos
suelen temblar las lágrimas.

Tiemblo como en las carnes
sabe temblar el alma.

¡Oh! la luna ha movido
sus dos labios de plata.

¡Oh! la luna me ha dicho
las tres viejas palabras:

«Muerte, amor y misterio...»
¡Oh, mis carnes se acaban!

Sobre las carnes muertas
alma mía se enarca.

Alma —gato nocturno—
sobre la luna salta.

Va por los cielos largos
triste y acurrucada.

Va por los cielos largos
sobre la luna blanca.
- Alfonsina Storni, del libro "El dulce daño" (1918)


Monumento a Alfonsina Storni frente a
 la playa La Perla en Mar del Plata
- foto: (...)
Voy a dormir
Dientes de flores, cofia de rocío,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos escardados.

Voy a dormir, nodriza mía, acuéstame.
Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelación; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.

Déjame sola: oyes romper los brotes...
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases

para que olvides... Gracias. Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido...
- Alfonsina Storni, en "La Nación", Buenos Aires, 26 de octubre de 1938. (su último poema)


Yo soy, de Alfonsina Storni - interpretação Isabel Parra


FORTUNA CRÍTICA DE ALFONSINA STORNI
[Estudos acadêmicos e crítica literária: livros, teses, dissertações, artigos e ensaios]
AGUIRRE, Gisela, et.al., Alfonsina Storni. Buenos Aires: Planeta, 1999.
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ANDREOLA, Carlos Alberto. Alfonsina Storni: vida-talento-soledad. Buenos Aires: Plus Ultra, 1976.
ANDREOLA, Carlos Alberto. Alfonsina Storni, inédita: revelación y eglogario de documentos estrictamente desconocidos, de su vida y de su obra.  Buenos Aires, [s.n.], 1974.
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Alfonsina Storni [Acervo Alejandro Storni]
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---
REVISTA NOSOTROS – Revista Mensual de Letras, Arte, Historia, Filosofía y Ciencias Sociales – Fundada en 1º. De agosto de 1907- Dir. Alfredo Bianchi y Roberto Giusti
- JORDÁN, Luis María “Alfonsina Storni”, Año XIII, Tomo XXXII –1919.
- GIUSTI, Roberto “Alfonsina Storni”, segunda época – Año III, nov/1938.
- MARTÍNEZ FERRER, G.P. “La obra lírica de Alfonsina Storni”, segunda época –
Año III, Tomo VIII, oct/1938.
- GALVEZ, Manuel “Alfonsina Storni” – noviembre de 1938.



FILMOGRAFIA
Documental: Alfonsina
Sinopsis: Este cálido documental narra la intensa vida de Alfonsina Storni. Una polifonía de voces intenta dar cuenta de lo imposible: la primera persona que narra remite a la voz de la poetisa; su bisnieta la recita desde el presente; varios testimonios de sus biógrafas explican sus conductas, sus posturas, sus tendencias. Sin embargo, lo interesante es que nadie puede dar cuenta con exactitud de quién era y cómo pensaba Alfonsina. 
Ficha técnica
País/ano: Argentina y Suíça - 2013
Duración: 75 min.
Dirección y guión: Christoph Kühn
Fotografía: Iván Gierasinchuk
Música: Ezequiel Saralegui
Actores: Bendita Berlín, Tania Diz, María Marta Guitart
Productora: Coproducción Suiza-Argentina; Ventura Film / Rizoma


Filme: Alfonsina
Sinopsis:
Ficha técnica
País/ano: Argentina - 1957
Duración: 90 min.
Color: Blanco y Negro
Sonido: Sonora
Dirección: Kurt Land (Kurt Landesberger)
Guión: José María Fernández Unsain y Alfredo Ruanova
Dirección fotografía: Alfredo Traverso
Escenografía: Gori Muñoz
Música: Tito Ribeiro
Actores: Amelia Bence [en el papel protagónico de Alfonsina Storni], Guillermo Murray, Dora Ferreiro, José De Angelis, Alberto Berco, Marcela Sola y Domingo Mania.


Película: Alfonsina - Director Kurt Land (1957) - parte I


Película: Alfonsina - Director Kurt Land (1957) - parte II



Indolencia
A pesar de mí misma te amo; eres tan vano 
como hermoso, y me dice, vigilante, el orgullo: 
«¿Para esto elegías? Gusto bajo es el tuyo; 
no te vendas a nada, ni a un perfil de romano»

Y me dicta el deseo, tenebroso y pagano, 
de abrirte un ancho tajo por donde tu murmullo 
vital fuera colado... Sólo muerto mi arrullo 
más dulce te envolviera, buscando boca y mano.

—¿Salomé rediviva? —Son más pobres mis gestos. 
Ya para cosas trágicas malos tiempos son éstos. 
Yo soy la que incompleta vive siempre su vida.

Pues no pierde su línea por una fiesta griega 
y al acaso indeciso, ondulante, se pliega 
con los ojos lejanos y el alma distraída.
- Alfonsina Storni, del libro "Ocre" (1925)


ALFONSINA STORNI – FOTOS, IMAGENS E MANUSCRITOS
Alfonsina, única mujer en un banquete de intelectuales, 1922

Gabriela Mistral, Alfonsina Storni  y Juana de Ibarbourou

Alfonsina Storni y Fermín Estrella Gutiérrez


ALFONSINA STORNI ONLINE
:: Alfonsina Storni: entre el largo desierto y la mar. [Selección y prólogo de Marilyn Bobes]. Caracas/Venezuela: Fundación Editorial el perro y la rana, 2007. Disponível no link. (acessado em 26.6.2014).
:: Poesía: Alfonsina Storni. Site com referências e fontes. Poesía en Espanhol.



Paco Ibañez canta "Dolor", de Alfonsina Storni

Dos palabras
Esta noche al oído me has dicho dos palabras 
Comunes. Dos palabras cansadas 
De ser dichas. Palabras 
Que de viejas son nuevas.

Dos palabras tan dulces que la luna que andaba 
Filtrando entre las ramas 
Se detuvo en mi boca. Tan dulces dos palabras 
Que una hormiga pasea por mi cuello y no intento 
Moverme para echarla.

Tan dulces dos palabras 
—Que digo sin quererlo— ¡oh, qué bella, la vida!— 
Tan dulces y tan mansas 
Que aceites olorosos sobre el cuerpo derraman.

Tan dulces y tan bellas 
Que nerviosos, mis dedos, 
Se mueven hacia el cielo imitando tijeras. 
Oh, mis dedos quisieran 
Cortar estrellas.
- Alfonsina Storni, del libro "El dulce daño" (1918)


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Alfonsina Storni, por (...)
REFERÊNCIAS E OUTRAS FONTES DE PESQUISA
:: Poesía Castellana - Alfonsina Storni http://www.poesia-castellana.com/poetas/alfonsina-storni
:: Lavanguardia/Hemeroteca  - AlfonsinaStorni 
:: Wikisource - Alfonsina Storni (obra e poesia)



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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Alfonsina Storni - a poesia e o mar. Templo Cultural Delfos, junho/2014. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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