Júlia Lopes de Almeida - a escritora da belle époque tropical

Júlia Lopes de Almeida, ilustração (...)
“... Os povos mais fortes, mais práticos, mais ativos, e mais felizes são aqueles onde a mulher não figura como mero objeto de ornamento; em que são guiadas para as vicissitudes da vida com uma profissão que as ampare num dia de luta, e uma boa dose de noções e conhecimentos sólidos que lhe aperfeiçoem as qualidades morais. Uma mãe instruída, disciplinada, bem conhecedora dos seus deveres, marcará, funda, indestrutivelmente, no espírito do seu filho, o sentimento da ordem, do estudo e do trabalho, de que tanto carecemos."
- Júlia Lopes de Almeida, em "A Mensageira (rev. nº 1/1897)". São Paulo: Imesp/Daesp, 1987. v. 1. p. 3.


"Por isto: o que não quero é escrever meramente; não penso em deliciar o leitor escorrendo-lhe n’alma o mel do sentimento, nem em dar-lhe comoções de espanto e de imprevisto. Pouco me importo de florir a frase, fazê-la cantante ou rude, recortá-la a buril ou golpeá-la a machado; o que quero é achar um engaste novo onde encrave as minhas idéias, seguras e claras como diamantes: o que quero é criar todo meu livro, pensamento e forma, fazê-lo fora desta arte de escrever já tão banalizada, onde me embaraço com raiva de não saber nada de melhor. (...) Quero escrever um livro novo, arrancado do meu sangue e do meu sonho, vivo, palpitante, com todos os retalhos de céu e de inferno que sinto dentro de mim; livro rebelde sem adulações, digno de um homem."
- Júlia Lopes de Almeida, em 'Ânsia eterna'. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1903, p. 1-2. 

(D. Júlia Lopes de Almeida - escritora, jornalista, iluminista, abolicionista, defensora da educação e dos ideias feministas)

Júlia Lopes de Almeida 
Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de setembro de 1862 e morreu na mesma cidade, em 30 de maio de 1934. Filha de Valentim José Silveira Lopes, médico e professor e de Antonia Adelina Lopes.
Contista, romancista, cronista, teatróloga. Ainda na infância, transfere-se com a família para Campinas, São Paulo. Inicia seu trabalho na imprensa aos 19 anos, em A Gazeta de Campinas, numa época em que a participação da mulher na vida intelectual é rara e incomum. Três anos depois, em 1884, começa a escrever também para o jornal carioca O País, numa colaboração que dura mais de três décadas. Mas é em Lisboa, para onde se muda em 1886, que se lança como escritora. Com sua irmã Adelina, publica Contos Infantis, em 1887. No ano seguinte, casa-se com o poeta e jornalista português Filinto de Almeida (1857 - 1945) e publica os contos de Traços e Iluminuras. De volta ao Brasil, em 1888, logo publica seu primeiro romance, Memórias de Marta, que sai em folhetins em O País. Sua atividade em jornais e revistas - Jornal do Commercio, A Semana, Ilustração Brasileira, Tribuna Liberal - é incessante, escrevendo sobre temas candentes, apoiando a abolição e a república. Uma das primeiras romancistas brasileiras, sua produção literária é prolífica e abrange vários gêneros: conto, peça teatral, crônica e literatura infanto-juvenil. Seu estilo é marcado pela influência do realismo e do naturalismo francês, especialmente pelos contos de Guy de Maupassant (1850 - 1893) e romances de Émile Zola (1840 - 1902). A cidade do Rio de Janeiro, capital federal, em período de turbulência política e econômica, é o cenário mais amplo de suas ficções assim como o ambiente privado das famílias burguesas serve às tramas e à construção de seus personagens, é o caso do romance A Falência, lançado em 1901 - para muitos a sua obra mais importante. Júlia ainda obtém destaque no Brasil e no exterior em conferências e palestras sobre temas nacionais e sobre a mulher brasileira; participa ativamente de sociedades femininas no Rio de Janeiro. Reconhecida em sua atividade literária por seus pares contemporâneos, escreve também obras mais esperadas por uma mulher de sua época, como O Livro das Noivas e Maternidade, que alcançam grande sucesso de público, tanto quanto seus romances. Está entre os intelectuais que participam do planejamento e da criação da Academia Brasileira de Letras - ABL, da qual seu marido é fundador e ocupante da cadeira número 3 - no entanto, por ser mulher, é impedida de ingressar na instituição. Entre 1913 e 1918 volta a viver em Portugal, e publica suas primeiras peças teatrais e um livro infantil com seu filho Afonso Lopes de Almeida. Na década seguinte, muda-se para Paris, onde alguns de seus textos são traduzidos e publicados.


“As cenas brutas do livro, o pequeno alcoólico, foram pressentidas através do muro que dividia o meu colégio de um movimentado cortiço de S. Cristóvão. Aquele ambiente inspirou a minha sensibilidade de menina muita melancolica...”
- Júlia Lopes de Almeida, em "Memórias de Marta" (1899).Florianópolis: Editora Mulheres, 2007, p. 14.


CRONOLOGIA
retrato Júlia Lopes de Almeida,
por Berthe Worms (1895)
1862 – Em 24 de setembro desse ano, nasce Júlia Valentina Silveira Lopes, na Rua do Lavradio, 53, na cidade do Rio de Janeiro. Foram seus pais o Dr.Valentim José da Silveira Lopes, Visconde de São Valentim, e D.Antônia Adelina Pereira, ambos portugueses emigrados para o Brasil. Em razão de saúde frágil, a jovem filha do Dr. Valentin não freqüentará escolas regulares, mas receberá os primeiros ensinamentos de sua irmã Adelina e de sua mãe; depois, completará seus estudos com o pai, dono do Colégio de Humanidades, e com alguns professores particulares de inglês e de francês.
1869 – Muda-se com a família para Campinas, São Paulo, pois seu irmão irá se dedicar a uma fazenda de vinhedos. Nessa cidade, a família residirá até 1885.
1875 – Primeira viagem com sua família a Portugal.
1881 – Por influência de seu pai, Dr.Valentin, escreve sua primeira crônica, Gemma Cuniberti, que é publicada na “Gazeta de Campinas” em 7 de dezembro.
1884 – Dá início a sua colaboração como cronista do jornal “O País”, do Rio de Janeiro.
1885 – Em uma viagem ao Rio de Janeiro para visitar a irmã Adelina, através do Diretor de "A Semana”, Valentin Magalhães, é apresentada ao poeta português Francisco Filinto de Almeida.
1886 – Acompanha a família a Portugal. De lá, envia crônicas para a Gazeta de Campinas (“Lizt”, “Lisboa na rua”). Publica, em colaboração com sua irmã Adelina, o livro Contos Infantis. Em 1891, por decisão da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária da Capital Federal, este livro será adotado para uso nas escolas primárias do Rio de Janeiro e depois para as de todo o Brasil durante mais de vinte anos.
1887 – Ainda em Portugal, publica, às suas expensas, seu primeiro livro de contos: Traços e Iluminuras. Em 28 de novembro, casa-se com Francisco Filinto de Almeida na Igreja de Santo Domingo. Passa a colaborar em diversos jornais e almanaques, tanto do Brasil quanto de Portugal.
1888 – O casal retorna ao Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro, no casarão da rua Haddock Lobo. Logo, eles mudam-se para o Campo de São Cristóvão, onde nasce seu primeiro filho, Afonso. Publica, em folhetim, seu primeiro romance com o sobrenome de casada: Memórias de Martha.
1889 – Os Lopes de Almeida transferem a residência para a capital paulista, onde Filinto irá dirigir o jornal “A Província de São Paulo” e será eleito deputado estadual. Júlia Lopes continua sua colaboração em diversos jornais e revistas. Publica, pela Casa Durski, de Sorocaba, as Memórias de Martha
1891 – Publica em folhetim na “Gazeta de notícias”, do Rio de Janeiro, A família Medeiros. Colabora no ”A Estação” (1888 – 1891).
1892 – Sai, em volume, A Família Medeiros. Segundo a crítica Lúcia Miguel Pereira (1950:266), essa edição esgotou-se em três meses.
1893 – Após a perda de dois dos filhos, Adriano e Valentina, nascidos em São Paulo, o casal volta a residir com o Dr. Valentim, no Rio de Janeiro. Logo, alugam uma casa na Rua Aprazível, n.7, em Santa Tereza.
retrato Júlia Lopes de Almeida,
por Richard Hall (1922?)
1894 – Nasce seu quarto filho, Albano. Continua colaborando com a “Gazeta de Notícias”.
1895 – Em folhetim, a “Gazeta de notícias” publica A Viúva Simões.
1896 – Primeira edição do Livro das Noivas. Em abril, nasce a filha Margarida.
1897 – Publicação da obra A Viúva Simões em formato de livro pela Antonio Maria Pereira Editor, de Lisboa. 1899 – Iniciada no ano anterior, segue a publicação, no “Jornal do Comércio”, do Rio de Janeiro, do romance A casa verde, escrito em conjunto pela ficcionista e pelo marido, Filinto. Nascimento da filha caçula, Lúcia.
1901– Com uma carreira consolidada e tendo obtido sucesso e retorno financeiro, a publicista carioca lança a obra A falência que, devido ao apreço do público, tem uma segunda edição nesse mesmo ano.
1903 – Sai, pela Casa H.Garnier, seu livro de contos Ânsia eterna.
1904 – Ela e o marido dão início às obras do casarão de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, onde residirão até 1925 e onde manterão o “Salão Verde”, local frequentado pelos artistas e intelectuais da época, tanto brasileiros quanto estrangeiros.
1905 – Publica a coletânea de algumas de suas crônicas jornalísticas: Livro das donas e donzelas. O jornal do Comércio apresenta mais um de seus enredos romanescos: o folhetim A intrusa.
1907 – Lança Histórias da nossa terra, contos infantis. Continua publicando em revistas e almanaques, no Brasil e em Portugal.
1908 – Publicação do seu romance A intrusa em forma de livro. É agraciada com o prêmio da Exposição Nacional com sua peça teatral A herança.
1910 – Compilados e publicados em um volume vários monólogos e diálogos intitulados Eles e Elas. Devido ao sucesso, há uma segunda edição nesse mesmo ano.
1911 – Publica um romance sobre a vida dos pescadores de Copacabana, Cruel Amor.
1912 – É premiada em primeiro lugar no concurso de comédias e dramas aberto pela Companhia Dramática Nacional com o drama Quem não perdoa.
1913 – Viaja com a família para Portugal e outros países europeus. É desse ano a edição de Correio da Roça.
1914 – Reverenciada, aclamada, é homenageada em Paris, na data de 14 de fevereiro, com um jantar oferecido no famoso Mac-Mahon Palace Hotel, ao qual comparecem a intelectualidade francesa e muitos brasileiros, dentre eles, Olavo Bilac e Medeiros e Albuquerque. Retorna com a família acossadosa pela guerra iminente. Ainda nesse ano é publicado o romance A Silveirinha (crônica de um verão).
1915 – Homenagem da sociedade e da intelectualidade brasileiras na passagem do aniversário da romancista, com recepção no Salão do Jornal do Comércio, no Rio de Janeiro. Afonso casa-se com Isaura Diniz Drumond.
1916 – Sempre preocupada com as crianças e a Natureza, publica o livro A Árvore, em parceria com seu filho Afonso.
1917 – Aparece o volume intitulado Teatro, contendo três peças: Quem não perdoa, Doidos de amor e Nos jardins de Saul, publicado na cidade do Porto, em Portugal. Publica Era uma vez, livro de contos.
1918 – Faz uma viagem de navio para conhecer o Sul do país. É recebida e homenageada no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
1920 – Publica Jornadas no meu pais, resultado da viagem ao sul do Brasil.
1922 – Convidada a ir a Buenos Aires, profere a conferência intitulada “Brasil” diante do Consejo Nacional de Mujeres de La Argentina. No jornal “La Nación”, de Buenos Aires, sai o conto La tuerta (A caolha), em 22.10 desse ano. Publica A Isca (4 novelas). Participa do I Congresso Feminino do Brasil, realizado no Rio de Janeiro.
1923 – Sai um livreto com a conferência intitulada “Oração à Santa Dorotéia”.
Ilustração Júlia Lopes de Almeida,
por Alberto Lima
1924 – A filha de Júlia, Margarida, recebe um prêmio da Escola de Belas Artes, do Rio de Janeiro, que a obriga a ficar Estudando em Paris por quatro anos. A Família resolve acompanha-la.
1925 – Primeiro partem Margarida, Lúcia e Filinto. Júlia providencia a venda do casarão de Santa Teresa, aplica o dinheiro em ações e parte com Albano e a esposa. Embarca no cais Pharoux dia 03 de setembro. A escritora passará a residir com a família em um apartamento no n.8 da Avenue de Friedland.
1928 – No passaporte há o registro da entrada na Itália em setembro e a chegada na Alemanha em 10 de outubro. Faz tratativas com Jean Duriau para a tradução de Memórias de Marta e A família Medeiros.
1929 – Continua viajando seguidamente: Oslo, Espanha, Bélgica, Alemanha. Passeios em Nice, onde se hospedam no Hotel de Londres, estações de cura em Vichy. No entanto, não pára de trabalhar. Muitos de seus contos foram traduzidos para o idioma francês e acabaram sendo publicados em jornais parisienses. Aproveita para corrigir muitos de seus textos, reedita as Memórias de Marta e escreve um novo romance, ambientado em Paris, Pássaro Tonto.
1931 – Retorno da romancista e de Filinto ao Brasil. Afonso é cônsul em Xangai e Margarida permanece na Europa realizando espetáculos. Fixam residência na Av. Nossa Senhora de Copacabana, 466. Prepara um livro intitulado Os outros, que acabou inédito.
1934 – Viaja à África para trazer de volta a filha Lúcia, que adoecera, as netas e o genro. Vitimada pela febre amarela e com complicações renais e linfáticas, vem a falecer oito dias depois de sua chegada ao Rio de Janeiro, em 30 de maio. É enterrada no cemitério São Francisco Xavier. Comparecem as maiores autoridades da terra, artistas, amigos, parentes e admiradores. Um mês após sua morte é publicado Pássaro Tonto, seu último romance.
:: Fonte: SALOMONI, Rosane Saint Denis. Cronologia de Júlia Lopes de Almeida./Editora Mulheres 


"Por que não o hei de enganar do mesmo modo? Em consciência, não há homens nem mulheres: há seres com iguais direitos naturais, mesmas fraquezas e iguais responsabilidades...Mas não há meio dos homens admitirem semelhantes verdades. Eles teceram a sociedade com malhas de dois tamanhos – grandes para eles, para que seus pecados e faltas saiam e entrem sem deixar sinais; e extremamente miudinhas para nós."
- Júlia Lopes de Almeida, em “Eles e elas”. 2ª ed., Rio de Janeiro: Francisco Alves,  1922, p. 137.


retrato Júlia Lopes de Almeida  [aquarela]
de Rodolfo Amoedo (déc 1910?)

"A estante de uma mulher de espírito e de coração, isto é, de uma mulher habilitada a aprender e conservar o que ler; que souber que isso a instrui, a forma apta para 
dirigir a educação dos filhos, dando-lhe superioridade e largueza de vistas; a estante de uma mulher inteligente e cuidadosa, que ama seus livros, não são como um mero 
adorno de gabinete, mas como a uns mestres sempre consoladores e sempre justos, essa estante é um altar onde o seu pensamento vai, cheio de fé, pedir amparo numa hora 
de desalento, e conselho num momento de dúvida. [...] 
Aprender para ensinar! Eis a missão sagrada da mulher. É preciso para isso que a leitura seja sã, bem feita. O gosto bem educado transmitir-se-á sem mácula e sem esforço aos filhos. Convençamo-nos de que de que o espírito, para dominar, deve ter sido dominado pela força suprema e bendita dos que são mais fortes ou trabalham mais."
- Julia Lopes de Almeida, em "Livro das noivas". 3ª ed., Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1914. p. 37-39.


OBRA
Romance
:: A família Medeiros (romance).. [publicado originalmente no folhetim do jornal carioca Gazeta de Notícias, entre outubro e dezembro de 1891]. 1893; 2ª ed., São Paulo: Horacio Belfort Sabino, 1894, 384p.; Rio de Janeiro: Empresa Nacional de Publicidade, 1919; reedição (Introdução de Norma Telles, orelhas de Luiz Rufatto). Florianópolis: Editora Mulheres; Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2009, 496p.
:: Memórias de Marta (romance).  Sorocaba: Casa Durski, 1899; reedição (pesquisa, organização, cronologia e introdução de Rosane Saint-Denis Salomoni). Florianópolis: Editora Mulheres, 2007.
:: Memórias de Marta (romance). Paris: Livraria Francesa e Estrangeira, Truchy-Leroy, 1930, 159p. Exemplar disponível em pdf com autografo da autora.  
Capa da 1ª edição do livro 'A Viúva Simões',
 de Julia Lopes de Almeida
:: A viúva Simões (romance).. [publicado originalmente no folhetim na Gazeta de Notícias/Rio de Janeiro, 1895]. Lisboa/Portugal: Antonio Maria Pereira, Editor, 1897, 210p.; 9ª ed., (atualização do texto, introdução e notas de Peggy Sharpe), Florianópolis: Editora Mulheres, 1999.
:: A falência (romance).  Rio de Janeiro: Editora Oficina de Obras d'A Tribuna, 1901. reedição (atualização do texto e introdução de Elódia Xavier e orelhas de Norma Telles). Florianópolis: Editora Mulheres; Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2003, 374p.
:: A intrusa (romance).. [publicado originalmente em folhetim no Jornal do Comércio/Rio de Janeiro, 1905]. Editora Livraria Francisco Alves, 1908, 302p.; 2ª ed., Porto/Portugal: Livraria Simões Lopes, 1935; 3ª ed., (introdução e organização de Elódia Xavier). Rio de Janeiro: Departamento Nacional do Livro e Fundação da Biblioteca Nacional, 1994.
:: Cruel amor (romance)..  [publicado originalmente em folhetim no Jornal do Comércio/Rio de Janeiro, 1908]. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves e Cia, 1911.
:: Correio da roça (romance epistolar).. [publicado originalmente em folhetim no Jornal O País/Rio de Janeiro, de 07 de setembro de 1909 a 17 de outubro de 1910]. Livraria Francisco Alves e Cia, 1913, 109p.; 7ª ed. Rio de Janeiro: INL/Presença, 1987.
:: A Silveirinha: Crônica de um verão. (romance).. [publicado originalmente em folhetim no Jornal do Comércio/Rio de Janeiro, 1913]. Livraria Francisco Alves e Cia, 1914; reedição (edição revista, com introdução de Sylvia Perlingeiro Paixão). Florianópolis: Editora Mulheres, 1997, 309p.
:: A casa verde (romance ).. [com Filinto de Almeida]. . [publicado originalmente no Jornal do Comércio/Rio de Janeiro, de 18 de dezembro a 16 de março de 1898, sob pseudônimo comum de A. Julinto]. São Paulo. Companhia Editora Nacional, 1932, 428p.
:: Pássaro Tonto. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1934, 187p.


Contos
:: Traços e iluminuras. Lisboa/Portugal: Tipografia Castro & Irmão, 1887, 263p.
:: Ânsia eterna. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1903; 2ª ed., com revisão e modificações da autora, Rio de Janeiro: A Noite, 1938, 264p.
:: A Isca (quatro novelas: A isca; o homem que olhava para dentro; O laço azul e O dedo do velho). Rio de Janeiro: Leite Ribeiro, 1922, 290p.


Crônicas
Capa 'O Livro das Noivas', Julia Lopes Almeida
edição SP: Castorino Mendes Editor 1929
:: Eles e Elas. [publicados originalmente no jornal carioca O País, de 1907 a 1909 - nas colunas: reflexões de um marido; reflexões de uma esposa; e reflexões de uma viúva]. Editora Livraria Francisco Alves, 1910, 266p.
:: Livro das Noivas de receitas e conselhos domésticos. Rio de Janeiro: Editora Typ. da Companhia nacional editora, 1896, 222p.; São Paulo: Castorino Mendes Editor, 1929.
:: Livro das Donas e Donzelas. Editora Livraria Francisco Alves e Cia, 1906, 198p.


Infantil e juvenil
:: Contos Infantis (em verso e prosa).. [com Adelina Lopes Vieira]. Lisboa/Portugal: Livraria Editora, 1896; 17ª ed., Editora Livraria Francisco Alves, 1927, 182p.
:: História da nossa terra. (contos infantis). Livraria Francisco Alves, 1907; 21ª ed., 1930.
:: Era uma vez... (conto infantil). Rio de Janeiro: Editora Jacinto Ribeiro dos Santos, 1917.
:: A árvore (Coletânea de crônicas e poemas).. [com Afonso Lopes de Almeida]. Editora Livraria Francisco Alves, 1916, 175p.


Teatro
:: A herança: peça em um ato. Editora Typ. do Jornal do Commercio, 1909, 53p.
:: Teatro. [três peças: Quem não perdoa (três atos); Doidos de amor (um ato); e Nos jardins de Saul (um ato).]. Porto/Portugal: Editora Renascença,  1917, 188p.

Manuscritos (teatro)
:: O Caminho do Bem. Manuscrito autógrafo inédito. Campinas, 1883.
:: A Última Entrevista. Manuscrito autógrafo inédito. [s.d.].


Outros escritos
Caricatura Julia Lopes de Almeida,
 por Carlo Bim, (s.d)
:: Jardim florido, jardinagem. [livro sobre jardinagem]. Rio de Janeiro: Leite Ribeiro, 1922, 192p.
:: Jornada no meu país [relato de uma viagem ao sul do Brasil em 1918].. (ilustrações de Albano Lopes de Almeida). Livraria Francisco Alves, 1920.


Ensaios e conferências
:: Brasil. Conferência pronunciada por la autora em la Biblioteca Del Consejo Nacional de Mujeres de la Argentina. Buenos Aires, 1922.
:: Cenas e paisagens do Espírito Santo. [monografia descrita de uma viagem feita a Espírito Santo em 1919]. Revista do Instituo Histórico e Geográfico Brasileiro, Tomo 75, 2 parte pág. 177-217.
:: Maternidade. (obra pacifista).. [publicada originalmente no Jornal do Comércio/Rio de Janeiro, entre agosto de 1924 a agosto de 1925]. Rio de Janeiro: Olívia Herdy e Cabral Peixoto, 1925, 238p.
:: Oração a Santa Dorotéia [Conferência proferida para celebrar as atividades literárias patrocinadas pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no auditório do Instituto Nacional de Música, no início do século XX]. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1923.
:: Corimbo. Rio Grande do Sul, nº 113, 31 jul. 1918. p. 1-3.


Traduções
Francês
Les Porcs. Revue de l’Amerique Latine, tome XVII, n° 87. Paris, Mars 1929.
Les Roses. In: Deux Nouvelles Brésiliennes (tradução de Jean Duriau). Dunkerque: Imprimerie du Commerce (G. Guilbert), 1928.


“O livro é um amigo; nelle temos exemplos e conselhos, nelle um espelho onde tanto as nossas virtudes como os nossos erros reflectem. Repudial-o seria loucura; escolhel-o é sensato."
- Julia Lopes de Almeida, em "Livro das noivas". Rio de Janeiro: Francisco Alves, 4ª ed., 1926, p.38. (grafia original)


Colaboração em jornais e revistas
:: Almanaque - Gazeta de Notícias (1897-1898)
:: Almanaque Literário de São Paulo (1884)
Júlia Lopes de Almeida
:: Gazeta de Campinas (18881)
:: A Bruxa (1897)
:: A Estação (1888-1891)
:: A Semana (1885-1887, 1894)
:: Correio de Campinas.
:: Diário de Campinas.
:: Estado de São Paulo.
:: Gazeta de Notícias (1888-1894)
:: Ilustrada Brasil-Portugal (1899-1914). Revista quinzenal ilustrada. Disponível na Hemeroteca Digital da BN. (acessada em 29.4.2014).
:: Jornal do Comércio.
:: Kosmos.
:: O Mundo Literário.
:: O País (1907-1912) parte dos seus textos foram destruídos devido a um incêndio, teria publicado nesse jornal por aproximadamente 30 anos, segundo depoimentos do filho Afonso Lopes de Almeida.
:: Revista Brasil.
:: Revista dos Novos, São Paulo (1895-1886)
:: Tribuna Liberal, Rio de Janeiro (1888-1889)


Colaboração em revistas femininas
:: A família, São Paulo e Rio de Janeiro (1888-1889)
:: A mensageira, São Paulo (1898-1900)
:: Nosso Jornal, Rio de Janeiro (1919-1920) -- [com Cacilda Martins]
:: Revista Feminina, São Paulo (1915-1917)



“Não podemos afirmar se têm razão os que declaram que Júlia Lopes de Almeida foi nossa George Sand. Parece-nos mesmo, que não há motivos para, nesse terreno, se fazer comparações e traçar paralelos. Júlia Lopes de Almeida dispunha de personalidade própria, virtude que se evidencia principalmente nos seus contos e novelas curtas. Sua obra reflete com brilho e colorido uma época da vida da burguesia rica do Brasil, sem preocupação de crítica social, é verdade, mas com profundo sentimento e compreensão dos nossos costumes, preconceitos e falhas.”
- José Veríssimo, em "Letras e literatos". Rio de Janeiro: José Olympio, 1936.


PUBLICAÇÕES RECENTES DA OBRA DE JÚLIA LOPES DE ALMEIDA, PELA EDITORA MULHERES 
NARRATIVAS
(títulos publicados da escritora, por Zahidé Lupinacci Muzart, na Editora Mulheres)
:: A Silveirinha. [introdução por Sylvia Paixão]. Florianópolis: Editora Mulheres, 1997, 312p.
:: A viúva Simões. [atualização do texto e introdução por Peggy Sharpe; orelhas de Maria Angélica Guimarães Lopes]. Florianópolis: Editora Mulheres, 1999, 216p.
:: A falência. [Organização e introdução por Elódia Xavier; orelhas de Norma Telles]. Florianópolis: Editora Mulheres, 2003, 376p.
:: Memórias de Marta. [atualização do texto, introdução e apontamentos biográficos Rosane Saint Denis Salomoni; orelhas Eliane T. A. Campello]. Florianópolis: Editora Mulheres, 2007, 168p.
:: A Família Medeiros. [atualização e fixação do texto por Marco Antônio Toledo Neder; introdução por Norma Telle; apontamentos biográficos, Rosane Saint-Denis Salomoni; orelhas de Luiz Ruffato]. Florianópolis: Editora Mulheres, 2009, 496p.
:: Pássaro tonto. [organização e introdução Zahidé L. Muzart; apontamentos biográficos, Rosane  Saint-Denis Salomoni; orelhas de Nadilza de Barros Moreira].  Florianópolis: Editora Mulheres, 2013, 224p.
:: Ânsia eterna. Contos. [organização e introdução Zahidé L. Muzart; orelhas de Eliane Campello; bibliografia, Peggy Sharpe]. Florianópolis: Editora Mulheres, 2013, 248p.
:: Correio da roça. [organização Zahidé Muzart; introdução por Ana Helena C. Belline, apontamentos biográficos, Rosane  Saint-Denis Salomoni]. Florianópolis: Editora Mulheres, 2014, 264p.


"A mulher brasileira conhece que pode querer mais, do que até aqui tem querido; que pode fazer mais, do que até aqui tem feito. Precisamos compreender antes de tudo e afirmar aos outros, atados por preconceitos e que julgam toda a liberdade de ação prejudicial à mulher na família, principalmente dela, que necessitamos de desenvolvimento intelectual e do apoio seguro de uma educação bem feita."
 - Júlia Lopes de Almeida, em “A viúva Simões” 1ª ed., 1897, p. 3.


Funesta
Júlia Lopes de Almeida
Se passas junto a mim, eu sinto as vagas
Do fundo oceano da paixão, rolando,
Quebrarem-se em meu peito, como quando
Rebentam as do Mar nas duras fragas.

Da luz do teu olhar sereno e brando
Toda a minh’alma docemente alagas;
Se por acaso ris-te e se me afagas,
Semiânime julgo-me tombando!

Tens sobre mim a ação misteriosa
Que sobre o aço tem o imã! Cismo
Que já me empolga a força deliciosa!

Sou presa desse eterno magnetismo!
E quando tu me fitas silenciosa,
Sinto que vou rolar num fundo abismo!
- Filinto de Almeida, em "Lírica", 1887.


"Nos tempos antigos, a mulher era calma, submissa, pacífica e retraída; mas seria tudo isso por ter mais bom senso, mais felicidade e menos ambição? Não me parece. O motivo devia ser outro; o motivo devia de estar na atmosfera que a envolvia e em que não existia nenhum elemento agitador. Não somos nós que mudamos os dias, são os dias que nos mudam a nós.  Tudo se transforma, tudo acaba, tudo recomeça, criado pelo mesmo princípio, destinado para o mesmo fim. Nascemos, morremos e no intervalo de uma outra ação, vivemos a vida que nosso tempo nos impõe.
O que ele impõe hodiernamente à mulher é o desprendimento dos preconceitos, a luta, sempre dolorosa, pela existência, o assalto às culminâncias em que os homens dominam e de onde a repelem.  Mas, seja qual for a guerra que lhe façam, o feminismo vencerá, por que não nasceu da vaidade, mas da necessidade que obriga a triunfar."
- Júlia Lopes de Almeida, em “Livro das donas e donzelas”. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1906, p.72-73.


O lago
[A Julia Lopes de Almeida]

Um pouco d’água só, e, ao fundo, areia ou lama.
Um pouco d’água em que, no entanto, se retrata
O pássaro que o voo aos ares arrebata,
E o rubro e infindo céu do crepúsculo em chama.

Água que se transmuda em reluzente prata,
Quando, do bosque em flor, que as brisas embalsama,
A lua, como uma áurea e finíssima trama,
Pelos ombros da Noite a sua luz desata.

Poeta, como esse lago adormecido e mudo,
Onde não há, sequer, um frêmito de vida,
Onde tudo é ilusório e passageiro é tudo,

Existem, sobre um fundo, ou de lama ou de areia,
Almas em que tu vês apenas refletida
A tua alma, onde o sonho astros de oiro semeia.
- Júlia Cortines, em "Vibrações”. Rio de Janeiro: Laemmert & C. – Editores, 1905.


Júlia Lopes de Almeida  em seu escritório - sala de leitura



FORTUNA CRÍTICA DE JÚLIA LOPES DE ALMEIDA
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Júlia Lopes de Almeida
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“Pois eu em moça fazia versos. Ah! Não imagina com que encanto. Era como um prazer proibido! Sentia ao mesmo tempo a delícia de os compor e o medo de que acabassem por descobri-los. Fechava-me no quarto, bem fechada, abria a secretária, estendia pela alvura do papel uma porção de rimas... De repente, um susto. Alguém batia à porta. E eu, com a voz embargada, dando voltas à chave da secretária: já vai! A mim sempre me parecia que se viessem a saber desses versos, viria o mundo abaixo. Um dia, porém, eu estava muito entretida na composição de uma história, uma história em verso, com descrições e diálogo, quando ouvi por trás de mim uma voz alegre: – Peguei-te menina! Estremeci, pus as duas mãos em cima do papel, no arranco de defesa, mas não me foi possível. Minha irmã, adejando triunfalmente a folha e rindo a erder, bradava: – Então a menina faz versos? Vou mostrá-los ao papá!”
- Júlia Lopes de Almeida, em “João do Rio. O momento literário”. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Depto. Nacional do Livro, 1994, p. 28.



Escultura Júlia Lopes de Almeida (bronze),
por Margarida Lopes de Almeida (1953)
ESCULTURA DE JÚLIA LOPES DE ALMEIDA
Escritora brasileira nascida em 1862, no Rio de Janeiro, considerada, à época, a maior figura literária feminina do seu país. A sua obra é variada, integrando romances, contos e peças de teatro. O monumento, obra de Margarida Lopes de Almeida, composto de busto em bronze sobre pedestal de pedra, foi oferecido pelas mulheres brasileiras às mulheres portuguesas. O busto, executado em 1939, só viria a ser inaugurado, no Jardim Gomes de Amorim, localizado na Praceta da Av. António José de Almeida - Lisboa/Portugal, em 28 de Março de 1953.
Escultora: Margarida Lopes de Almeida (filha de D. Júlia Lopes de Almeida). Data - 1953. Material - Bronze. Estilo - Figurativo. 
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“Depois da morte de Taunay, Machado de Assis e de Aluísio de Azevedo, o romance no Brasil conta apenas com dois autores de obra considerável e de nomeada nacional – D. Júlia Lopes de Almeida e o Sr. Coelho Neto, eu, como romancista, lhe (sic) prefiro de muito D. Júlia Lopes. “
- José Verissimo, Letras e literatos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936, p.15.


ACERVO DE JÚLIA LOPES DE ALMEIDA
Acervo doado para ABL em 2010. [...]

“(...) foi mestra na acepção mais elevada da palavra, o que quer dizer propiciadora de nobres ensinamentos, modelo de raras virtudes, irradiadora de salutar influência. Mestra de língua e mestra de vida, quer pela excelência de sua produção literária, quer pela pureza sem jaça de sua existência. “
- Affonso Celso, em “Homenagem à D. Júlia Lopes de Almeida”. Revista Academia Brasileira de
Letras, v.48, 1935, p. 259.


Capas de livros de Júlia Lopes de Almeida

OBRAS DE JULIA LOPES DE ALMEIDA PARA BAIXAR (PDF)
:: A Intrusa
:: A Intrusa.   
:: A falência.  
:: A Isca. 

"Não há em língua humana palavra que, como o beijo, exprima, por mais silencioso que ele seja, a ternura e o amor. (...) A vida sem beijos! A vida sem beijos é como um jardim sem flores, um pomar sem frutos, ou (que escorregue ainda mais esta velha comparação) um deserto sem oásis."
- Júlia Lopes de Almeida, em “Livro das donas e donzelas”. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1906, p. 118.

EDITORA

“Aqui, a locomotiva rasga a terra, fura os montes, leva para diante a civilização que tudo aperfeiçoa... Além, lá no horizonte, que já não é misterioso, um transatlântico arfa em demanda do nosso porto.”
- Júlia Lopes de Almeida, 1907.


REFERÊNCIAS E OUTRAS FONTES DE PESQUISA
Júlia Lopes de Almeida


© A obra de Júlia Lopes de Almeida, é de domínio público

© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Júlia Lopes de Almeida - a escritora a belle époque tropical. Templo Cultural Delfos, maio/2014. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada em 7.5.2014.



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