Paulo Plínio Abreu - o navegante sem porto

Paulo Plínio Abreu, por César Alvo
Canção azul
O tempo chegará
da palavra invisível
transformada em pássaro
e que acorde lembranças
há muito esquecidas
no coração sepulto.
O tempo afinal virá
o tempo sem limites
em que os enforcados
mortos e vivos
e uma lua romântica
das noites da infância
voltem a dançar
no ar da manhã.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.


Paulo Plínio Beker de Abreu, nascido em Belém a 19 de junho de 1921 e morto devido a uma nefrite crônica aos 38 anos de idade em 5 de setembro de 1959, tem apenas um livro, Poesia (1978), publicado postumamente sob os cuidados do professor Francisco de Paulo Mendes através da Universidade Federal do Pará. 
A vida literária de Paulo Plínio decorreu muito recatadamente, como era de se esperar, devido ao seu temperamento. Não foi um nome que se tornasse demasiadamente conhecido em nosso meio. Os que o admiravam e o sabiam poeta eram muito poucos e, geralmente, seus amigos. Alguns poemas publicados em periódicos de Belém – jornais e revistas da época – constituem as únicas manifestações ostensivas da sua produção poética, pois embora tenha preparado um pequeno livro de poemas não chegou a editá-los. Ao lado de sua criação poética, ou melhor, também fazendo parte dela, está o seu trabalho de tradutor a quem se devem as excelentes versões de La Porte Etroite, de André Gide e de poemas de T.S.Eliot e de Rainer Maria Rilke e deste ainda, em colaboração com Peter Paul Hilbert, a extraordinária tradução das Duineser Elegien. 
  ** Fonte: Poesia, de Paulo Plínio Abreu. 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.

Arte Poética
A luta do poeta não é
com o anjo,
mas com o verbo
que dissolve em poesia
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.


CRONOLOGIA
Paulo Plínio Abreu
1921 - Nasce em Belém, a 19 de junho, Paulo Plínio Beker de Abreu, filho de Dilermando Cals de Abreu e Lídia Beker de Abreu.
1925 - Inicia seus estudos primários, em casa.
1930 – Obteve o certificado de Curso Primário no Grupo Escolar Floriano Peixoto, onde hoje funciona a Casa da Linguagem.
1933 – Estudos secundários no Colégio Paes de Carvalho.
1938 – Termina o curso de inglês no English College, tendo sido o orador da turma.
1939 – Conhece o prof. Francisco Paulo Mendes, no colégio Paes de Carvalho.
1940 – Matricula-se na Faculdade de Direito do Estado do Pará. Publica, na revista Novidade, seus primeiros poemas “Suicídio” e “A estranha Mensagem”. Na revista Terra Imatura aparece o poema “A Aventura”.
1941 – Admitido pelo Instituto Agronômico do Norte, onde exerceu funções como a de Bilbiotecário-Chefe, tradutor e Secretário de Diretoria.
1944 – Colou grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Pará.
1948 – Casou-se com Edith Correa de Paiva.
1949 – Nasce sua primeira filha, Ana Lúcia.
1950 – O suplemento “Arte-Literatura”, do jornal Folha do Norte, sob a direção de Haroldo Maranhão, publica um número especial, em 24 de dezembro, sobre poetas paraenses contemporâneos, onde se encontra uma nota sobre Paulo Plínio Abreu e alguns de seus poemas.
1952 – Aceito no Instituto de Antropologia e Etnologia do Pará. Viagem ao Rio de Janeiro a fim de tratar da distribuição das publicações deste Instituto.
1954 – Nomeado para reger a disciplina Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belém.
1956 – Profere a aula inaugural do ano letivo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belém.
1958 – Nasce Cristina, sua segunda filha. Designado para chefiar o Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, da Universidade Federal do Pará, para o biênio 1958/1959.
1959 – Morre em 05 de setembro, em Belém, aos 38 anos, devido a uma nefrite crônica.
 ** Fonte: Poesia, de Paulo Plínio A. (Prefácio e notas de Francisco Paulo Mendes). Belém: UFPA, 1978.


OBRA
Poesia
Poesia.  (Prefácio e notas de Francisco Paulo Mendes). Belém: UFPA, 1978; 2ª Ed., Belém: EDUFPA, 2008.


Antologia (participação)
Poesia do Grão-Pará. (seleção e notas de Olga Savary). Rio de Janeiro: Graphia, 2001.


Ilustração Nau

POEMAS ESCOLHIDOS

A aventura
Eu te encontrei
como quem atravessa um corredor logo e janelas fechadas,
como quem vem para a manhã trazendo o sono enfermo das madrugadas.
Eu te encontrei
como quem saiu da noite e foi descalço até o mar para brincar nas pedras.
Como quem sob a chuva saiu para apanhar as açucenas,
e dormiu nas grandes folhas úmidas das árvores,
ou como quem, perdido nos caminhos, de súbito encontrou o mar.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.


Difícil é dizer-te o que amamos
Difícil é dizer-te o que amamos
Nessa furtiva espera gasta pelo tempo.
Há longos anos batemos à tua porta
E o teu nome esquecemos.
O medo está nas mãos onde o frio espera
Sangra e não choramos, apenas esperamos
Por um sinal que tarda
E um dia virá talvez, hoje ou amanhã.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.


Elegia
Teus passos na escada
tua voz nos ouvidos
e consolo na boca
o olhar selvagem e triste
o coração violento
de uma noite de amor
suspensa no espaço
a visão da vida
o jeito e o caminho
o riso largo, o riso
de alegria e desprezo
é a infância que volta
molhada de chuva
coberta de sono
como um circo armado
na praça deserta.
molhada de chuva
coberta de sono
como um circo armado
na praça deserta.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.


Envoi
Nesta noite tosca
recolho os pássaros feridos,
as estrelas mortas
e as naus que encalham
no país do algures.
Nesta noite vazia
recolho o que perderam
as aves no seu vôo,
o que os peixes trouxeram,
o que as águas à praia
lançaram inutilmente:
o resto da salsugem
dos mares apagados;
o corpo dos suicidas,
os resíduos humanos
o que é reles ou torpe
conchas do mar espesso,
cabeças de hipocampos,
o vento que violento
soprar do céu noturno;
o nada que nos seres
se encorpa e faz-se engulho;
o corpo do espantalho
e o negrume da noite
para fazer com isto
uma dádiva inútil
numa hora vazia.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Fragmento
Capa do livro Poesia
Na rosa de ontem
Vi o mistério do corpo
Fechado aos segredos da morte.
No efêmero eterno
Um dia concebido
Vibrante e inconstante
O segredo d estar em véspera de sono.
A delícia do amor
Jamais celebrada,
As mãos que se entregaram
As lembranças que vêm de longe
Frias como a noite.
O desejo que cresce mudo sem palavras.
As chaves do mundo
Para sempre perdidas.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Lembranças de um espantalho
Lembro-me que era um espantalho
e que balançava no ar
no caruncho da tarde o seu frágil corpo de plano
tanto mais terrível quanto mais humano
pois algo havia de humano
no ar da tarde ou no espantalho
que me lembro ter visto.
Era só um espantalho
agitado no ar pelo vento da tarde.
A chuva caía-lhe na cabeça grotesca.
Um verme subia no seu corpo
para roer-lhe a madeira.
E eu quis pousar no seu ombro
o meu cansaço de ave.
mas algo havia no seu ser
que me aterrou.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Ode à minha alegria
De ti que poderei fazer se me dominas
como a viagem ao viajante
e os ventos do mar aos pássaros que voam?
De um território vens, profundo e largo,
em ti caminham vozes
que outras vozes acordam, em ti caminham dores
há muito apaziguadas.
Em ti passam corcéis de fogo
que sobre a pele deixam a marca do silêncio,
em ti flutuam sonhos.
De onde vens, para onde vais quando me tocas
com a ponta dos teus dedos?
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Noite
A noite sacudia as árvores dormidas
e afagava a plumagem dos pássaros nos galhos.
Lembro que o vento espertava o silêncio no ar
e na quilha dos barcos afogados.
Noite que chamava os mortos
e fazia chegar a mim o seu chamado
do ermo em que jazia.
Noite em que do céu caiu o fruto da vida e não colhemos.
Noite despojada de todos os artifícios.
Despregada da grande árvore do nada
e carregada de tudo
em viagem para um tempo sem fim.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Orfeu
Com palavras que hoje restam da infância
edificarei meu reino
e nele estrelas cairão de noite puras.
De corações mais puros
tombarão as águas em que os animais
virão matar a sede
e onde dois olhos, símbolos do amor,
o caminho indiquem para a salvação.
Com palavras inúteis e canções apenas
refaremos o mundo
o mundo sobre o qual
eterna como a rosa morta pela chuva
a poesia reine
e viva sobre a terra
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.


O barco e o mito
Barco de madeira construído no ar para a viagem do mito.
Nau feita de vento
e força de um pensar antigo.
Tua quilha tem o sabor do sal das águas fundas
e de um peixe que atravessou a garganta de um morto.

Na tua vela tracei o emblema da rota
que um dia imaginei olhando a Grande Ursa
nos caminhos da noite. Nau sem porto,
as águas te seduzem e contigo me arrastam.
Barco feito de mito,
construído no espaço
com a matéria das nuvens.
Nau feita com o bico de uma ave
e um desejo de fuga.
Nau que a ti mesma te armaste
do nada que podemos.
Nave do nada feita e quase ave
desfeita em vôo puro e quase mito.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



O comedor de fogo
Veio do comedor de fogo e de seus milagres a esperança impossível.
Do comedor de fogo e de seus milagres à porta de sua tenda
Onde dormiam os cães numa nuvem de moscas.
Veio do comedor de fogo a esperança dos mundos impossíveis.
Veio dessa lembrança hoje apagada pelo tempo o sombrio desejo de evasão.
Veio do comedor de fogo a visão da vida aberta como um grande circo
E o convite irreal para a distância onde se esconde a morte.
Até o amor se perdeu nessa lembrança de um estranho comedor de fogo
E toda a infância confundiu-se com os milagres desse saltimbanco
E de seus cães doentes à porta de sua tenda.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



O náufrago trazia um pássaro no ombro
Sei que trazia um pássaro no ombro.
De um reino vinha carregado de sonhos
Na mão trazia as marcas da viagem
Ainda giravam em torno do seu corpo
os ventos do mar.
No olhar o horizonte carregado de bruma,
No ouvido o pio das gaivotas,
Trazia o mar no corpo,
As medusas do mar.
No peito trazia marcada em tatuagem
a palavra amor.
Vinha do mar e trazia um pássaro no ombro.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



O polichinelo
O seu segredo era como o dos outros.
Seus olhos eram de vidro azul
e na boca vermelha
o riso da ironia.
O humor profundo, amargo e doloroso
vinha de sua boca;
o riso da sabedoria
e do desespero
gritava da sua boca aberta em sangue.
O riso do polichinelo
vinha do coração ausente, era uma advertência.
era apenas o riso
e falava de um mundo
maior que sua alma.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Poema
Diante de tua beleza as coisas se apagaram.
És o golfo onde escondi meu barco doente
e a cripta onde deporei meus mortos.
Ave e orvalho, mulher e cornamusa.
Somos irmãos no mito
e eis que te refaço
com a seiva de meu ser.
De ti recolho este secreto espanto,
este secreto mel,
Em ti refaço a viagem não feita, o riso não rido e o amor não amado.
És a beleza mesma adiada no tempo
E nos outros a necessidade de sua perfeição.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Poema
Ao teu olhar tombaram as folhas das árvores
E os tajás vergaram-se para a terra como para alimentar os formigueiros.
Ao teu olhar as nuvens passaram pelo céu límpido de junho e choveu.
Ao teu olhar os horizontes se estenderam e se distanciaram
E os veleiros se perderam entre nuvens ao longe.
Ao teu olhar tudo se transformou.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Poema primitivo
Não esculpirei meu sonho sobre as nuvens
pois que elas se perdem nos ermos do céu
e um dia voltam para molhar a terra.
Nem sequer o amianto me parece seguro
para guardar desse fogo a ânsia mais veemente
ou o delírio mais casto.
A poeira se esvai
e os que passarem a levarão consigo
embaixo dos sapatos
como os mortos a receberão sobre os olhos.
Na pele de um deus
não estará seguro
pois breve é o respeito dos homens
e o amor das mulheres.
Talvez na asa direita de um pássaro
ou no seu bico agreste.
No fundo mesmo do mar não estará seguro
pois que os ventos poderão arrebatá-lo
para atrelar sua força à cauda dos veleiros.
E assim não haverá lugar
onde escondê-lo.
Sonho que esculpirei então no tempo
que não é dos homens
e que morre e renasce a cada instante
no peito donde brota
a chama deste amor tão puro.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Quero o destino! As largas e pálidas manhãs!
Quero o destino! as largas e pálidas manhãs!
Quero o silêncio das folhas caídas no abismo!
Quero sentir em mim as frias mãos da morte para ver o abismo!
O longo inverno envolverá teus úmidos cabelos
e acordará a música escondida e mágica das árvores.
Tuas mãos se banharão nas frias águas da montanha,
teus olhos se perderão.
Quero o silêncio dos animais que boiarão nos lagos
para te adivinhar entre os rumores múltiplos das águas caindo,
para te sentir intacta e eterna entre os úmidos líquens.
Quero ouvir mais uma vez tua voz voltada para o abismo
voltada para as pedras lisas do caminho da morte.
Quero ouvir tua voz de pedras que rolarão um dia das alturas
e virão despertar os pássaros dormindo.
Quero sentir tua voz de cinza que cantou na minha infância
como os grandes ventos dos mares e dos sonhos.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Tudo é sinal e mito
Tudo é sinal e mito
neste ermo precário
em que de novo a seiva
deste luar secreta
a rosa dessa hora
entre todas, sinal.
Um caracol esculpe
sua incerta passagem
nas folhas e no ar
e risca na linguagem
do nada que se apaga
a mensagem de tudo,
do amor, e do fogo
descendo pela escarpa
nesta hora que avança,
as nuvens que não caem
também algo predizem.
Um besouro vermelho
zune a sua agonia
e escuto o silêncio
de remoto acalanto.
Há um sinal equívoco
neste ermo precário
que tudo anuncia
mas que passa fugaz
como sopro ou onda
neste fim de dia.

Sinal, mito ou sonho.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



Viagem ao sobrenatural
Mundo pressentido e oculto
na palavra anjo à porta de Tobias,
na viagem não realizada mas da qual se trouxe
um pássaro que não pertence a nenhuma fauna
e um peixe de fogo;
na palavra mãe onde há o mistério
do cotidiano incompreendido;
na palavra mosca onde se faz presente
o desespero da escolha entre o mal e o deserto;
na palavra rosa,
corpo e essência do efêmero.
Na imagem vista no espelho,
a boca e os olhos na voragem do tempo
oferecem o amor, puro e inacessível.
A voz presa no disco da vitrola
é apenas o outro lado eterno.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.



FORTUNA CRÍTICA DE PAULO PLÍNIO
(Estudos acadêmicos: dissertações, livros, artigos e ensaios)
BASSALO, Celia Coelho. Três sentidos fundamentais na obra de Paulo Plínio Abreu. Belém: EDUEPA, 2008.
BASSALO, Célia Coelho. Três significações na poesia de Paulo Plínio Abreu. (Dissertação Mestrado em Letras: Linguística e Teoria Literária). Universidade Federal do Pará, UFPA, 1990.
Capa do livro Três sentidos fundamentais
 na obra de Paulo Plínio Abreu
CRUZ, Benilton. “Difícil é dizer-te o que amamos” - considerações sobre a poesia de Paulo Plínio Abreu. Disponível no link. (acessado em 31.8.2013).
GÓES, Ângela Maria Vasconcelos Sampaio. Paulo Plínio Abreu: A Imaginação da Infância e a Consciência Imaginante do Poeta. MOARA, Belém, v. 18, n.julho-dez, p. 23-35, 2002.
GÓIS, Ângela Maria Vasconcelos Sampaio. Paulo Plínio Abreu e o enigma da palavra: uma introdução ao estudo da metapoesia. (Dissertação de Mestrado em Letras: Lingüística e Teoria Literária). Universidade Federal do Pará, UFPA. Belém, 2003.
GOUVEIA, Walquiria Sampaio. O caos e a natureza no lirismo de Paulo Plínio Abreu. (Dissertação Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura). Universidade da Amazônia, 2012. Disponível no link. (acessado 1.9.2013).
LEAL, Jairo. A tradução de Duineser Elegien como formação e memória literária na Amazônia. Belas Infiéis, v. 1, n. 2, p. 31-44, 2012.
NUNES, Benedito. Meus poemas favoritos de ontem & hoje. Estudos Avançados, vol. 19 - nº 54, São Paulo May/Aug. 2005. Disponível no link. (acessado em 31.8.2013).
OLIVEIRA, Nilson. Paulo Plínio Abreu e a experiência interior. Disponível no link. (acessado em 31.8.2013).
PRESSLER, Gunter Karl. Duineser Elegien Original und Übersetzung als transkulturelle Identifikation der Moderne bei Paulo Plínio Abreu (1950er Jahre, Belém) und Augusto de Campos (1990er Jahre, São Paulo). In: Transformaciones. Encontro Internacional dos Estudiosos da Germanística na América Latina, 2012, Guadalajara. Transformaciones. Innovación en la Germanística Latinoamericana. ALEG 2012. Guadalajara, Jalisco, México: Departamento de Lenguas Modernas, Universidade de Guadaljara, 2012. v. 1. p. 191-191.
REGO, Francisca Magnólia de Oliveira. Paulo Plínio Baker de Abreu: o verbo e o anjo. Lato & Sensu (UNAMA), v. 1, p. 12-17, 2000.
ROCHA, Paulo Sérgio dos Santos. O neo-simbolismo na poesia de Paulo Plínio Abreu. (Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Letras - Português). Universidade do Estado do Pará, UFPA, 2007.
SANTOS, Ana Carina Melo dos. Viagem ao mundo pressentido e oculto: a poesia de Paulo Plínio Abreu. (Dissertação Mestrado em Letras (Letras Vernáculas)) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, 2003.
SANTOS, Josiclei de Souza. O neosimbolismo em Paulo Plínio Abreu. (Monografia de conclusão da Graduação em Letras). Universidade Federal do Pará, UFPA, 2003.
VIEIRA, Paulo Roberto; ABREU, P. P.; SOLVIYERTE, M. J. . Dois Poetas de Belém: Paulo Plinio Abreu e Paulo Vieira. Revista Euphorion 6, Medellín, Antioquia, Colômbia, p. 97 - 103, 1 nov. 2011.



POEMAS TRADUZIDOS POR PAULO PLÍNIO ABREU
Traduções de Paulo Plínio Abreu publicadas no jornal "Folha do Norte" entre os anos de 1946 e 1948, realizadas em parceria com o antropólogo alemão Peter Paul Hilbert.

Rainer Maria Rilke
Rainer Maria Rilke nasceu em Praga em 4 de dezembro de 1875. É considerado como um dos mais importantes poetas modernos da literatura e língua alemã, por sua obra inovadora e seu incomparável estilo lírico.

"Poeta fundamental, Rilke é a voz de uma época em transição. Talvez seja a última voz do seu tempo, aquela que anunciou o "fim dos tempos modernos", como quer Romano Guardini, e ao mesmo tempo a primeira voz e o primeiro poeta dessa nova era que estamos começando a viver."
- Paulo Plínio Abreu, sobre a obra de Rilke publicado no jornal paraense "Folha do Norte" 
(Fonte: Cultura do Pará)  


Hora Grave
Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.

Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.

Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.

Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim.
- Rainer Maria Rilke (tradução Paulo Plínio Abreu)


Primeira Carta
(dedicada ao leitor Hans-Jürgen Stenger)

Vozes, vozes. Escuta, coração como outrora somente
os santos escutavam: até que o gigantesco apelo
levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados,
inabaláveis, sem desviarem a atenção:
eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar
a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro,
a incessante mensagem que nasce do silêncio.
Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direcção a ti.
Onde quer que penetraste, nas igrejas
De Roma ou de Nápoles, seu destino não falou a ti, tranquilamente?
Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti
Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa.
Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar
A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco
O puro movimento de seus espíritos.
- Rainer Maria Rilke, Excerto de “As Elegias de Duíno”. (tradução Paulo Plínio Abreu)



- Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.
- Rainer Maria Rilke (tradução Paulo Plínio Abreu)



[Quem agora chora em algum lugar no mundo
Quem agora chora em algum lugar no mundo
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.

Quem agora ri em algum lugar na noite
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.

Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.

Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim
- Rainer Maria Rilke (tradução Paulo Plínio Abreu)


   
Paulo Plínio Abreu, por César Alvo
REFERÊNCIAS E OUTRAS FONTES DE PESQUISA


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Paulo Plínio Abreu - o navegante sem porto. Templo Cultural Delfos, setembro/2013. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
____
Página atualizada em 5.10.2013.



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