Mario Quintana - o poeta das coisas simples

Mario Quintana- foto: Dulce Helfer 
Cadernos de Literatura IMS
O auto-retrato 
No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!
- Mario Quintana, in: Apontamentos de História Sobrenatural, 1976.


Mario Quintana por ele mesmo:
Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Mario Quintana - foto: Dulce Helfer -acervo/AE
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.
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Texto escrito pelo poeta para a revista IstoÉ de 14/11/1984.



"Jamais deves buscar a coisa em si, a qual depende tão somente dos espelhos. A coisa em si, nunca: a coisa em ti."
- Mario Quintana, in: Caderno H, 1973.


Mario Quintana - foto: Dulce Helfer
Mario de Miranda Quintana (Alegrete RS 1906 - Porto Alegre RS 1994). Poeta, tradutor e jornalista. Cursa os estudos básicos na cidade natal. Muda-se com a família para Porto Alegre, em 1919, e ali publica seus primeiros poemas, numa revista editada pelos estudantes do Colégio Militar. Em 1929, ingressa no jornal O Estado do Rio Grande e conhece escritores e intelectuais como Augusto Meyer e Erico Verissimo (1905 - 1975). 
Em 1934, inicia sua carreira de tradutor, publicando uma versão para o português do livro Palavras e Sangue, do escritor italiano Giovanni Papini (1881 - 1956). Seu primeiro livro de poesia, A Rua dos Cataventos, que reúne sonetos de influência parnasiana, é publicado em 1940. Na obra seguinte, Canções, de 1946, o poeta revela poemas de mais liberdade formal, tendência que permanece em obras posteriores. Em 1953, Quintana vai para o Correio do Povo, em que é colunista da página de cultura até 1977. Em 1966, quando o poeta faz aniversário de 60 anos, é publicada a sua Antologia Poética, com 60 poemas inéditos, organizada por Rubem Braga (1913 - 1990) e Paulo Mendes Campos (1922 - 1991). Quintana traduz mais de 130 obras, entre elas Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust, e Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf.

Da Paginação
"Os livros de poemas devem ter margens largas e muitas páginas em branco e suficientes claros nas páginas impressas, para que as crianças possam enchê-los de desenhos - gatos, homens, aviões, casas, chaminés, árvores, luas, pontes, automóveis, cachorros, cavalos, bois, tranças, estrelas - que passarão também a fazer parte dos poemas..."
- Mario Quintana, in: Sapato Florido, 1948.


Mario Quintana, o irmão Celso e a mãe Virginia [Acervo da família Quintana]
(Fonte: 
Cadernos de Literatura Brasileira nº 25: Mario Quintana, IMS/2009)

CRONOLOGIA DE VIDA E OBRA
1906 - Nasce Mario Miranda de Quintana, no dia 30 de julho, na cidade de Alegrete (RS), filho do farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e Virgínia de Miranda Quintana. O avô materno, Eduardo Jorge de Miranda, e o avô paterno, Cândido Manoel de Oliveira Quintana, era médicos.
Mario Quintana, por (...)
1913 - É alfabetizado pelos pais, que o ajudam na leitura das páginas do jornal Correio do Povo.
1914 - Freqüenta a Escola elementar mista de d. Mimi Coutinho.
1915 - Freqüenta a escola do professor português Antônio Cabral Beirão, concluindo o curso primário.
1919 - É matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre, em regime de internato.

1924 - Emprega-se na Livraria do Globo, trabalhando com Mansueto Bernardi durante três meses.
1925 - Retorna a Alegrete, onde trabalha como prático na farmácia de seu pai.
1926 - Falece sua mãe. É premiado em um concurso de contos do jornal Diário de Notícias com o trabalho “A sétima personagem”.
1927 - Falece seu pai. Um poema seu é publicado por Álvaro Moreyra na revista Para Todos, do Rio de Janeiro.
1929 - Ingressa na redação do jornal O Estado do Rio Grande, dirigido por Raul Pilla, em Porto Alegre.
1930 - Colabora com a Revista do Globo, de Porto Alegre. Em outubro, alista-se como voluntário no Sétimo Batalhão de Caçadores e vai para o Rio de Janeiro, onde permanece seis meses.

1934 - Sua primeira tradução, do livro Palavras e sangue, de Giovanni Papini, é publicada pela Editora Globo, de Porto Alegre. Traduz ainda, entre outros autores, Marcel Proust, Guy de Maspassant, Virginia Woolf, Aldous Huxley, Somerset Maughan e Joseph Conrad.
1940 - Publica A rua dos cataventos, livro de sonetos, pela Editora Globo, de Porto Alegre.
1943 - Inicia a publicação Do caderno H, na Revista Província de São Pedro.
1946 - Publica Canções, poemas, pela Editora Globo de Porto Alegre.
1948 - Publica Sapato florido, poesia e prosa, pela Editora Globo, de Porto Alegre. A mesma editora publica O batalhão das letras.
1950 - Publica O aprendiz de feiticeiro, poemas, pela Editora fronteira, de Porto Alegre.

1951 - Publica Espelho mágico, coleção de quartetos, pela Editora Globo, de Porto Alegre, com apresentação de Monteiro Lobato.
Mario Quintana, por Cristiano
1953 - Publica Inéditos e esparsos pela Editora Cadernos do Extremo Sul, de Alegrete. Começa a trabalhar no jornal Correio do Povo, onde publica Do caderno H.
1962 - Publica Poesias, volume que reúne seus cinco livros anteriores editados pela Editora Globo e Divisão de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Sul.
1965 - Lançamento de um disco com poemas interpretados pelo autor.
1966 - Publica Antologia poética, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos pela Editora do Autor, do Rio de Janeiro. Em dezembro recebe o Prêmio Fernando Chinaglia para o “melhor livro do ano” por esta Antologia. No dia 30 de julho completa 60 anos. No dia 25 de agosto é saudado na Sessão da Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira.
1967 - Recebe o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre, conferido pela Câmara de Vereadores. Começa a publicar a seção Do caderno H no suplemento literário “Caderno de Sábado” do jornal Correio do Povo. A colaboração se estenderá até 1980.
1968 - É homenageado pela Prefeitura de Alegrete com uma placa em bronze onde estão inscritas suas palavras: “Um engano em bronze é um engano eterno”. Falece seu irmão mais velho, Milton.
1973 - Publica o livro Caderno H, com textos em prosa selecionados pelo autor para a Editora globo.
1975 - Publica Pé de pilão, poesia infanto-juvenil, co-edição do Instituto Estadual do Livro/DAC/SEC com a Editora Garatuja e introdução de Erico Verissimo.

Mario Quintana, por Borges
1976 - Recebe a medalha “Negrinho do Pastoreio” do Governador do Estado do Rio Grande do Sul quando completa 70 anos. Publica Apontamentos de história sobrenatural, poesia, pelo Instituto Estadual do Livro/DAC/SEC e Editora Globo. Publica Quintanares, edição-brinde de poesias, distribuída pela MPM Propaganda.
1977 - Publica A vaca e o hipogrifo pela Editora Garatuja, de Porto Alegre.
Recebe o prêmio Pen Clube de Poesia Brasileira por seu livro Apontamentos de história sobrenatural.
1978 - Publica Prosa & verso, antologia paradidática, pela Editora Globo.
Publica Chew me up slowly, tradução do Caderno H por Maria da Glória Bordini e Diane Grosklaus, pela Editora Globo e Riocell. Falece sua irmã Marietta Quintana Leães.
1979 - Publica Na volta da esquina, antologia, na coleção RBS-Editora Globo. Em Buenos Aires, publica Objetos perdidos y otros poemas, tradução de Estela dos Santos, organizado por Santiago Kovadloff.
1980 - Publica Esconderijos do tempo, pela L&PM Editores. Recebe o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra literária, no dia 17 de julho. Com Cecília Meireles, Vinicius de Moraes e Henriqueta Lisboa, integra o sexto volume da coleção didática Para gostar de ler, da Editora Ática, de São Paulo.
1981 - Publica Nova antologia poética, pela Codrecri, do Rio de Janeiro.
Retoma a publicação dos textos Do caderno H, no suplemento literário “Letra & Livros”, do Correio do Povo até 1984, quando o jornal encerra temporariamente suas atividades.
1982 - Em 29 de outubro, recebe o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal do rio Grande do Sul.
1983 - Publica Lili inventa o mundo, seleção de textos por Mery Weiss, pela Editora Mercado Aberto, de Porto Alegre. Na coleção Os melhores poemas, da Global Editora, de São Paulo, é publicada uma antologia com organização de Fausto Cunha. Na III Festa Nacional do Disco, em Canela (RS), é lançado o álbum duplo Antologia poética de Mario Quintana, pela Gravadora Polygram.O prédio do Hotel Majestic, tombado como patrimônio histórico do Estado em 1982, torna-se casa de Cultura Mario Quintana por meio de lei promulgada em 8 de julho de 1983. Nesse hotel o poeta viveu de 1968 a 1980.
1984 - Publica Nariz de vidro, seleção de textos de Mery Weiss, pela Editora Moderna, de São Paulo. O batalhão das letras sai em 2ª edição, pela Editora Globo. Lança O sapo amarelo, pela Editora Mercado Aberto, na XXXª Feira do Livro de Porto Alegre. Publicação de Mário Quintana. Poemas, tradução de César Calvo, em Lima, no peru, pelo Centro de Estúdios Brasileños.

Mario Quintana, por Canini
1985 - Publicação do álbum Quintana dos 8 aos 80, Relatório da Diretoria SAMRIG 1985, com texto analítico e pesquisa de Tânia Franco Carvalhal, fotografia de Liane Neves, ilustrações de Liana Timm e projeto gráfico de Marilena Gonçalves. Lança a antologia paradidática Primavera cruza o rio, organização de Maria da gloria Bordini, Porto Alegre, Globo. Lança igualmente pela mesma editora Diário Poético e Nova Antologia Poética.
1986 - Patrono da XXXI Feira do Livro de Porto Alegre, em 25 de outubro, é saudado por Tânia Franco Carvalhal. Lançamento da antologia 80 anos de poesia, organizada por Tânia Franco Carvalhal para a Editora Globo (agora adquirida pelas Organizações Globo), nos 80 anos do poeta. Publica Baú de espantos, pela Editora Globo, reunião de 99 poemas inéditos (1982-1986).
Recebe os títulos de Doutor Honoris Causa da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
1987 - Publica Da Preguiça como método de trabalho, pela Editora Globo, coletânea de crônicas da seção Do caderno H, do jornal Correio do Povo. Publica Preparativos de viagem, pela Editora Globo.
1988 - Publica Porta giratória, pela Editora Globo, reunião de escritos em prosa.
1989 - Publica A cor do invisível, pela Editora Globo, e Antologia Poética de Mario Quintana, seleção de Walmir Ayala, Rio de Janeiro, Ediouro. Recebe os títulos de Doutor Honoris Causa da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, entre escritores de todo o país, em promoção da Academia Nilopolitana de Letras, Centro de Memórias e Dados de Nilópolis e o jornal A Voz dos Municípios Fluminenses. É o quinto poeta a receber esse título. Seus antecessores: Olavo Bilac, Alberto Oliveira, Olegário mariano e
Guilherme de Almeida.

1990 - Publica Velório sem defunto, poemas inéditos, pela Mercado Aberto, Porto Alegre.
Mario Quintana, por  Edgar Vasques
1992 - Lançamento, em edição comemorativa, de A rua dos cataventos, pela Editora da UFRGS.
1993 - Poemas inéditos publicados na Revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional/Departamento Nacional do Livro. Integra a antologia bilíngüe Marco Sul/Sur-Poesia, publicada pela Editora Tchê!. Seu texto Lili inventa o mundo recebe montagem para teatro infantil de Dilmar Messias.
Treze de seus poemas são musicados pelo maestro Gil de Rocha Sales.
1994 - Publicação de Sapato furado, pela Editora FTD - antologia infanto-juvenil de poemas e prosa poética, com posfácio de Sergio Faraco. Publicação de textos no número 211 da revista literária Liberté, editada em Montreal, Quebec, Canadá. Publicação pelo Instituto Estadual do Livro (RS) de Cantando o imaginário do poeta, espetáculo musical constituído de poemas musicados pelo maestro Adroaldo Cauduro e apresentado no teatro Bruno Kiefer pelo Coral da Casa de Cultura Mario Quintana. Falece, em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 87 anos.
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Referência: KANTER, Suzana. Cronologia da vida e da obra de Mario Quintana. In: Mario Quintana. Autores Gaúchos, n. 6. Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro, 1997; e VILLA-BOAS, Pedro. In: FACHINELLI, Nelson. Mario Quintana, vida e obra.Porto Alegre: Bels, 1976.

"...Alguns dos teus poemas e muitos dos teus versos não precisam estar impressos em tinta e papel: eu os carrego de cores, às vezes, brotam espontaneamente de mim como se fossem meus. De certo modo, são meus, e hás de convir que a glória maior do poeta é conceder essas parcerias anônimas pelo mundo..."
- Paulo Mendes Campos, em sua coluna na revista Manchete, publica uma carta a Mario Quintana, no dia 30 de julho (nos sessenta anos do poeta).


Mario Quintana - foto: Liane Neves

OBRAS DE MARIO DE ANDRADE
Mario Quintana, por Zagadis
Obras publicadas 
A rua dos Cataventos. Porto Alegre: Globo, 1940.
Canções. Porto Alegre: Globo, 1946.
Sapato florido. Porto Alegre: Globo, 1948.
O batalhão das letras (infantil). Porto Alegre: Globo, 1948.
O aprendiz de feiticeiro. Porto Alegre: Fronteira, 1950.
Espelho mágico. Porto Alegre: Globo, 1951.
Inéditos e esparsos. Alegrete: Cadernos do Extremo Sul, 1953.
Poesias. Porto Alegre: Globo, 1962.
Antologia poética.[seleção de Rubem Braga e Paulo Mendes Campos]. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1966.
Caderno H. Porto Alegre: Globo, 1973.
Pé de pilão (infantil). Porto Alegre: Garatuja, 1975.
Apontamentos de história sobrenatural. Porto Alegre: Globo & IEL, 1976.
Quintanares. Porto Alegre: MPM, 1976.
A vaca e o hipogrifo.Porto Alegre: Guaratuja, 1977.
Prosa e verso (antologia). Porto Alegre: Globo, 1978.
Na volta da esquina (antologia). Porto Alegre: globo, 1979.
Esconderijos do tempo.Porto Alegre: L&PM, 1980.
Nova antologia poética.Rio de Janeiro: Codecri, 1981.
Lili inventa o mundo. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1983.
Mario Quintana. Coleção melhores poemas. [seleção e introdução de Fausto Cunha]. São Paulo: Global, 1983.
Nariz de vidro.[Seleção Mery Weiss]. São Paulo: Moderna, 1984.
O sapo amarelo.[Seleção Mery Weiss]. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1984.
Primavera cruza o rio. (paradidático). [Org. Maria da Glória Bordini]. Porto Alegre: Globo, 1985.
Diário poético. Porto Alegre: Globo, 1985.
Nova antologia poética. Porto Alegre: Globo, 1985.
Baú de espantos. Porto Alegre: Globo, 1986.
80 anos de poesia. (antologia). [org. e estudo introdutório de Tania Franco Carvalhal]. Porto Alegre: Globo, 1986.
Mario Quintana, por Edu

Da preguiça como método de trabalho. Rio de Janeiro: Globo, 1987.
Preparativos de viagem. Rio de Janeiro: Globo, 1987.
Porta giratória. Rio de Janeiro: Globo, 1988.
A cor do invisível. Rio de Janeiro: Globo, 1989.
Antologia Poética de Mario Quintana.[Seleção e apresentação de Walmyr Ayala]. Rio de Janeiro: Ediouro, 1989.
Velório sem defunto. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990.
Sapato furado. (infantil). São Paulo: FTD, 1994.
Anotações poéticas. Mario Quintana. São Paulo: Globo, 1996.
Antologia poética. [Seleção de Sérgio Faraco]. Porto Alegre: L&PM, 1997.
Água. Os últimos textos de Mario Quintana. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2001.


Obras publicadas no exterior
Objetos perdidos y otros poemas: antologia bilíngüe. Estúdio introductorio, notas y selección de Santiago Kovadloff. Tradução de Estela dos Santos. Buenos Aires: Calianto, 1979.
Mario Quintana. Poemas. Tradução de César Calvo, Prólogo de Peter Elmore. Lima, Peru: Centro de Estúdios Brasileños, 1984.



Obra traduzida
Chew me up slowly. [Tradução de Maria da Glória Bordini e Diane Grosklaus]. Porto Alegre: Globo/Riocell, 1978.


Mario Quintana, por Perez
Publicações em antologias
AYALA, Walmir; BANDEIRA, Manuel. Antologia de poetas brasileiros. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1967.
BANDEIRA, Manuel. Obras Primas da lírica portuguesa. São Paulo: Martins Ed., 1943.
CRISTALDO, Janer. Assim escrevem os gaúchos: autores editados. São Paulo: Alfa-Omega, 1976.
Dicionário antológico das literaturas portuguesa e brasileira. São Paulo: Formar, 1971.
FACHINELLI, Nelson da Lenita. Trovadores do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Sulina, 1972.
HOHLFELDT, Antonio. Antologia da literatura rio-grandense contemporânea. Porto Alegre: L&PM, 1979.
KRANZ, Patrícia; HENRIQUES NETO, Afonso. Te quero verde: poesia e consciência ecológica. Rio de Janeiro, 1982.
KOPKE, Carlos Burlamaqui. Antologia da poesia brasileira moderna: 1922-1947. São Paulo: Clube de Poesia de São Paulo, 1953.
LISBOA, Henriqueta. Antologia poética para a infância e a juventude. Rio de Janeiro: INL, 1961.
LOANDA, Fernando de. Antologia da moderna poesia brasileira. Rio de Janeiro: Orpheu, 1967.
MACHADO, Antonio Carlos. Coletânea de poetas sul-riograndenses. Rio de Janeiro: Minerva, 1952.
NOGUEIRA, Julio. Poesia nossa. Rio de Janeiro: Graf Laemmert, 1954.
MEIRELES, Cecília et alii. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1980.
Porto Alegre ontem e hoje. Porto Alegre: Movimento, 1971.
RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. Poesia moderna. São Paulo: Melhoramentos, 1976.


Publicações em antologias no exterior
Mario Quintana, por Lan
ANTOLOGIA DE LA POESÍA BRASILEÑA: Cuadrnillos de poesia. Buenos Aires: Nuestra América, 1959.
CRESPO, Angel. Antologia de la poesia brasileña: desde el Romanticismo a la Generación Del Cuarenta y Cinco. Barcelona: Seix Barral, 1973.
LANTEUIL, Henri de (org.) La poésie brésilienne 1930-1940. Rio de Janeiro: Alba, 1941.
LA VALLE, Mercedes. Un secolo de poesia brasiliana. Siena: Casa Ed. Maia, 1954.
FIGUEIRA, Gastón (org.). Poesia brasileña contemporânea. Montevidéu: Instituto de Cultura Uruguayo-Brasileño, 1947.
KOVADLOFF, Santiago. Las voces solidárias. Buenos Aires: Calicanto, 1978.
MENDONÇA, Renato (org.). Antologia de la poesia brasileña. Madri: Ediciones Cultural Hispânica, 1952.
TAVARES-BASTOS, A.D. (org.). La poésie brésilienne. Paris: Pierre Tisné, 1954.
VERISSIMO, Erico (org.). Brazilian literature. Nova York: Macmillan, s.d.
KOVADLOFF, Santiago. Las voces solidarias. Buenos Aires: Editorial Calicanto, 1978.


MARIO QUINTANA TRADUTOR
BALZAC, Honoré de.. Os sofrimentos do inventor[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1951.
BALZAC, Honoré de. Ilusões perdidas - Comédia Humana. vol. 7. [tradução Mario Quintana e Ernesto Pelanda; prefácio, notas Paulo Rónai]. Biblioteca dos séculos. Porto Alegre: Editôra Globo, 1951. 
BALZAC, Honoré de.. Uma paixão no deserto[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1954.
BALZAC, Honoré de.. Os proscritos. [tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1955.
BALZAC, Honoré de.. Seráfita. [tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1955.
BEAUMARCHAISO barbeiro de Sevilha ou a precaução inútil. [tradução Mario Quintana].Porto Alegre: Globo, 1946.
Mario Quintana, por Tacho
BRAUN, Vicki. Hotel Shangai. [tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1942.
BROW, Frederick. O tio prodigioso. [tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1951.
BUCK, Pearl. Debaixo do céu. [tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1955.
CONRAD, Joseph. Lord Jim. [tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1939.
GIDE, André. A escola das mulheres (L´ecole des femmes).. [tradução Mario Quintana]. Coleção Tucano. Porto Alegre: Globo, 1944.
GRAVES, Robert. Eu, Claudius Imperador. [tradução Mario Quintana]. Coleção Catavento, 41. Porto Alegre: Globo, 1940.
GREENE, Graham. O poder e a glória. [tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1953.
FÜLOP-MÜLLER, Renê. Os grandes sonhos da humanidade. [tradução Mario Quintana e Renê Ledoux]. Porto Alegre: Globo, 1942.
HUXLEY, Aldous. Duas ou três graças[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1951.
JAMES, Francis. O albergue das dores[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1945.
LAFAYETTECondessa de. A princesa de Clèves[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1945.
LAMB, Charles; LAMB, Mary Ann. Contos de Shakespeare[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1943.
LEHMANN, Rosamond. Poeira[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1945.
LUDWIG, Emil. Memórias de um caçador de homens[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1939.
Mario Quintana, por Canini
MASYAT, Fred. O navio fantasma[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1937.
MAUGHAM, Somerset. Confissões[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1951.
MAUGHAM, Somerset. Biombo chinês[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1952.
MAUGHAM, Somerset. Cavalheiro de salão[tradução Mario Quintana].  Porto Alegre: Globo, 1954.
MAUPASSANT, Guy de.. Contos[tradução Mario Quintana].  Porto Alegre: Globo, 1943.
MAUROIS, André. Os silêncios do coronel Branble[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1944.
MÉRIMÉE, Prosper. Novelas completas[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1954.
MORGAN, Charles. Sparkenbroke. [tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1941.
MORGAN, Charles. A fonte[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1944.
PAPINI, Giovanni. Palavras e sangue[tradução Mario Quintana]. Coleção Nobel, v. 6. Porto Alegre: Globo, 1934.
PROUST, Marcel. No caminho de Swann (Du côté de chez Swann) - Em busca do tempo perdido, vol 1. [tradução Mario Quintana; prefácio, cronologia, notas e resumo guilherme ignácio da silva]. Porto Alegre: Globo, 1948.
PROUST, Marcel. À sombra das raparigas em flor (À l’ombre des jeunes filles em fleur) -  Em busca do tempo perdido, vol 2[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1951.
PROUST, Marcel. O caminho de Guermantes (Le côté de Guermantes) - Em busca do tempo perdido, vol 3.. [tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1953.
PROUST, Marcel. Sodoma e Gomorra (Sodome et Gomorrhe) - Em busca do tempo perdido, vol 4.[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1954.
SIMENON, George. O homem que olhava o trem passar (L’homme qui regardait passer les trains).. [tradução Mario Quintana]. Coleção Amarela. Porto Alegre: Ediotra Globo, 1953.
SIMENON, George. Os fantasmas do chapeleiro. [tradução Mario Quintana]. Coleção Amarela. Porto Alegre: Ediotra Globo, 1954.
SIMENON, George. A sombra chinesa ( L'Ombre Chinoise).. [tradução Mario Quintana]. Coleção Amarela. Porto Alegre: Ediotra Globo, 1954.
STACPOOLE, Henry de Vere. A laguna azul[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1940.
THOMAS, Henry; THOMAS, Dana Lee.. Vida de homens notáveis[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1952.
VARALDO, Alessandro. Gata persa[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1938.
VOLTAIREContos e novelas[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1951.
WALLACE, Edgar. Sanders da África. [tradução Mario Quintana; capa Edgar Koetz]. Porto Alegre: Editora Globo, 1940.
WOOLF, Virginia. Mrs. Dalloway[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1946.
YUTANG, Lin. A importância de viver[tradução Mario Quintana]. Porto Alegre: Globo, 1941.


O silêncio
Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, n ão quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...
- Mario Quintana, in: A vaca e o hipogrifo, 1977.


Mario Quintana lendo Caderno H - foto: Dulce Helfer

Das utopias
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
- Mario Quintana, in: Espelho Mágico, 1945-1951.


Quintana, por ele mesmo


Da observação
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...
- Mario Quintana, in: Espelho Mágico, 1945-1951.


"É um poeta de excepcional delicadeza. A sua poesia se destaca por ser simples, suave e profunda"
- Antônio Callado

Mario Quintana - foto: Dulce Helfer

POEMAS ESCOLHIDOS DE MARIO QUINTANA

Seiscentos e Sessenta e Seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
- Mario Quintana, in: Esconderijos do Tempo, 1980.



Ah! Os relógios
Mario Quintana no Colégio Militar
de Porto Alegre [Acervo Família Quintana].
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológicos...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de Poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...
- Mario Quintana, in: A Cor do Invisível, 1989.



Madrigal
Tu és a matéria plástica de meus versos, querida...
Porque, afinal,
Eu nunca fiz meus versos propriamente a ti:
Eu sempre fiz versos de ti!
- Mario Quintana, in: Velório sem defunto, 1990.



Nos salões do sonho
Mas vocês não repararam, não?!
Nos salões do sonho nunca há espelhos...
Por quê?
Será porque somos tão nós mesmos
Que dispensamos o vão testemunho dos reflexos?
Ou, então
- e aqui começa um arrepio -
Seremos acaso tão outros?
Tão outros mesmos que não suportaríamos a visão daquilo,
Daquela coisa que nos estivesse olhando fixamente do outro lado,
Se espelhos houvesse!
Ninguém pode saber... Só o diria
Mas nada diz,
Por motivos que só ele conhece,
O misterioso Cenarista dos Sonhos!
- Mario Quintana, in: Velório sem defunto, 1990.




O vento e eu
O vento morria de tédio
Porque apenas gostava de cantar
Mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
Cada vez mais vazia...

Tentei então compor-lhe uma canção
Tão comprida como a minha vida
E com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
Como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
E fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
Mas o vento, por isso
Me julga agora como ele...
E me dedica um amor solidário, profundo!
- Mario Quintana, in: Velório sem defunto, 1990.



A canção da vida    
A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
Mario Quintana - foto: Dulce Helfer

de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio...
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)
- Mario Quintana, in: Esconderijos do Tempo, 1980.



A verdadeira arte de viajar
A gente sempre deve sair à rua
como quem foge de casa
Como se estivessem abertos diante de nós
todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos,
as obrigações, estejam ali...

Chegamos de muito longe,
de alma aberta e o coração cantando!
- Mario Quintana, in: A cor do invisível, 1989



Os poemas
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
- Mario Quintana, in: Esconderijos do Tempo, 1980.




Os arroios 
Os arroios são rios guris...
Vão pulando e cantando dentre as pedras.
Fazem borbulhas d'água no caminho: bonito!
Mario Quintana - foto: Dulce Helfer
Dão vau aos burricos,
às belas morenas,
curiosos das pernas das belas morenas.
E às vezes vão tão devagar
que conhecem o cheiro e a cor das flores
que se debruçam sobre eles nos matos que atravessam
e onde parece quererem sestear.
Às vezes uma asa branca roça-os, súbita emoção
como a nossa se recebêssemos o miraculoso encontrão
de um Anjo...
Mas nem nós nem os rios sabemos nada disso.
Os rios tresandam óleo e alcatrão
e refletem, em vez de estrelas,
os letreiros das firmas que transportam utilidades.
Que pena me dão os arroios,
os inocentes arroios...
- Mario Quintana, in: Baú de Espantos, 1986.




Os degraus 
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma. 
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
- Mario Quintana, in: Baú de Espantos, 1986.



Mario Quintana - foto: Dulce Helfer

Poeminha sentimental
O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
- Mario Quintana, in: Preparativos de Viagem, 1987.




Noturno
De noite todos os meus pensamentos são escuros
E todas as palavras têm a letra "u"
Rude
Virtude
Cruzes!
Até mesmo, Bandeira, teu "sapo-cururu da beira do rio"!
Não me digam que o melhor é acender todas as luzes!
Odeio a luz elétrica e todas as luzes artificiais.
A gente repousa na escuridão como num ventre maternal.
E o melhor enredo para isso tudo
É me atirar de súbito num açude
Seco!
- Mario Quintana, in: Velório sem defunto, 1990.


Eu escrevi um poema triste
Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
- Mario Quintana, in: A Cor do Invisível, 1989.



Mario Quintana - foto: Dulce Helfer
Obsessão do mar oceano    
Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.
- Mario Quintana, in: O Aprendiz de Feiticeiro, 1950.



Os velhinhos
Como os velhinhos - quando uns bons velhinhos
São belos, apesar de tudo!
Decerto deve vir uma luz de dentro deles...
Que bem nos faz sua presença!
Cada um deles é o próprio avô
Daquele menininho que durante a vida inteira
Não conseguiu jamais morrer dentro de nós!
- Mario Quintana, in: Velório sem defunto, 1990.




Confissão
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
- Mario Quintana, in: Velório sem defunto, 1990.



Esperança
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
- Mario Quintana, in: Nova Antologia Poética, Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.



As mãos de meu pai
As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da cor da terra
- como são belas as tuas mãos 
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre
cólera dos justos…
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza 
que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços 
da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los 
contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das 
tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos
nodosas…
essa chama de vida – que transcende a própria vida
…e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.
- Mario Quintana, in: Esconderijos do tempo,1980.


Gramática da felicidade
Vivemos conjugando o tempo passado (saudade, para os românticos) 
e o tempo futuro (esperança para os idealistas). Uma gangorra, 
como vês, cheia de altos e baixos — uma gangorra emocional. 
Isso acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de 
vez o homo sapiens. Mais felizes os animais, que, na sua gramática
imediata, apenas lhes sobra um tempo: o presente do indicativo.
E nem dá tempo para suspiros…
- Mario Quintana, in: A vaca e o hipogrifo, 1977.


Mario Quintana - foto: Dulce Helfer

"Às vezes, durante uma crise, penso que vou morrer. Olho pra minhas mãos e digo: nunca mais verei estas mãos."
- Mario Quintana, queixando-se da falta de ar decorrente do hábito de fumar desde os 14 anos.


Mario Quintana,  Do Caderno H

DO 'CADERNO H'
A Arte de Ler
O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


A Carta
Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


A Coisa
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.



Mario Quintana, por P. Azevedo
As Indagações
A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


A Voz
Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Ars Longa
Um poema só termina por acidente de publicação ou de morte do autor.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Arte Poética
Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Biografia  
Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.



Mario Quintana, por Hubner
Cartaz para uma feira do livro
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Citação
De um autor inglês do saudoso século XIX: "O verdadeiro gentleman compra sempre três exemplares de cada livro: um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente."
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Citação 2
E melhor se poderia dizer dos poetas o que disse dos ventos Machado de Assis: "A dispersão não lhes tira a unidade, nem a inquietude a constância."
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Contradições
... mas o que eles não sabem levar em conta é que o poeta é uma criatura essencialmente dramática, isto é, contraditória, isto é, verdadeira.
E por isso, é que o bom de escrever teatro é que se pode dizer, como toda a sinceridade, as coisas mais opostas.
Sim, um autor que nunca se contradiz deve estar mentindo.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Cuidado
A poesia não se entrega a quem a define.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Das Escolas
Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Destino Atroz
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.



Mario Quintana, por Aradium
Do Estilo
O estilo é uma dificuldade de expressão.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Dos Leitores
Há leitores que acham bom o que a gente escreve. Há outros que sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies irrita mais.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Dos Livros
Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Dupla Delícia
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Educação
O mais difícil, mesmo, é a arte de desler.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Fatalidade
O que mais enfurece o vento são esses poetas invertebrados que o fazem rimar com lamento.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Feira de Livro
O que os poetas escrevem agrada ao espírito, embeleza a cútis e prolonga a existência.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Leitura
Mario Quintana, por Lan Castro
Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.



Leitura 2
Livro bom, mesmo, é aquele de que às vezes interrompemos a leitura para seguir — até onde? — uma entrelinha... Leitura interrompida? Não. Esta é a verdadeira leitura continuada.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.



Leituras
— Você ainda não leu O Significado do Significado? Não? Assim você nunca fica em dia.
— Mas eu estou só esperando que apareça. O Significado do Significado do Significado.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.



Leituras 2
Não, não te recomendo a leitura de Joaquim Manuel de Macedo ou de José de Alencar . Que idéia foi essa do teu professor?
Para que havias tu de os ler, se tua avozinha já os leu? E todas as lágrimas que ela chorou, quando era moça como tu, pelos amores de Ceci e da Moreninha, ficaram fazendo parte do teu ser, para sempre.
Como vês, minha filha, a hereditariedade nos poupa muito trabalho.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.



Lógica & Linguagem
Alguém já se lembrou de fazer um estudo sobre a estatística dos provérbios? Este, por exemplo: "Quem cospe para o céu, na cara lhe cai". Tal desarranjo sintático faria a antiga análise lógica perder de súbito a razão.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


O Assunto
E nunca me perguntes o assunto de um poema: um poema sempre fala de outra coisa.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


O Poema
O poema essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


O Trágico Dilema
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.



Mario Quintana, por (...)
Palavra Escrita
Por vezes, quando estou escrevendo este cadernos, tenho um medo idiota de que saiam póstumos. Mas haverá coisa escrita que não seja póstuma? Tudo que sai impresso é epitáfio.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.




Poema
Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos...
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.




Poesia e Lenço
E essa que enxugam as lágrimas em nossos poemas com defluxos em lenços... Oh! tenham paciência, velhinhas... A poesia não é uma coisa idiota: a poesia é uma coisa louca!
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.




Poesia e Peito
Qual Ioga, qual nada! A melhor ginástica respiratória que existe é a leitura, em voz alta, dos Lusíadas.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.




Refinamentos
Escrever o palavrão pelo palavrão é a modalidade atual da antiga arte pela arte.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.




Ressalva
Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.




Sinônimos
Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.




Sonho
Mario Quintana, por Schöreder

Um poema que ao lê-lo, nem sentirias que ele já estivesse escrito, mas que fosse brotando, no mesmo instante, de teu próprio coração.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.




Tempo
Coisa que acaba de deixar a querida leitora um pouco mais velha ao chegar ao fim desta linha.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Veneração
Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.




Vida
Só a poesia possui as coisas vivas. O resto é necropsia.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.


Mario Quintana - foto: Dulce Helfer

CARTA DE MARIO QUINTANA A UM POETA
Meu caro poeta,
Por um lado foi bom que me tivesses pedido resposta urgente, senão eu jamais escreveria sobre o assunto desta, pois não possuo o dom discursivo e expositivo, vindo daí a dificuldade que sempre tive de escrever em prosa. A prosa não tem margens, nunca se sabe quando, como e onde parar. O poema, não; descreve uma parábola traçada pelo próprio impulso (ritmo); é que nem um grito. Todo poema é, para mim, uma interjeição ampliada; algo de instintivo, carregado de emoção. Com isso não quero dizer que o poema seja uma descarga emotiva, como o fariam os românticos. Deve, sim, trazer uma carga emocional, uma espécie de radioatividade, cuja duração só o tempo dirá. Por isso há versos de Camões que nos abalam tanto até hoje e há versos de hoje que os pósteros lerão com aquela cara com que lemos os de Filinto Elísio. Aliás, a posteridade é muito comprida: me dá sono. Escrever com o olho na posteridade é tão absurdo como escreveres para os súditos de Ramsés II, ou para o próprio Ramsés, se fores palaciano. Quanto a escrever para os contemporâneos, está muito bem, mas como é que vais saber quem são os teus contemporâneos? A única contemporaneidade que existe é a da contingência política e social, porque estamos mergulhados nela, mas isto compete melhor aos discursivos e expositivos, aos oradores e catedráticos. Que sobra então para a poesia? – perguntarás. E eu te respondo que sobras tu. Achas pouco? Não me refiro à tua pessoa, refiro-me ao teu eu, que transcende os teus limites pessoais, mergulhando no humano. O Profeta diz a todos: “eu vos trago a verdade”, enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: “eu te trago a minha verdade.” E o poeta, quanto mais individual, mais universal, pois cada homem, qualquer que seja o condicionamento do meio e e da época, só vem a compreender e amar o que é essencialmente humano. Embora, eu que o diga, seja tão difícil ser assim autêntico. Às vezes assalta-me o terror de que todos os meus poemas sejam apócrifos!

Mario Quintana e Contreras

Meu poeta, se estas linhas estão te aborrecendo é porque és poeta mesmo. Modéstia à parte, as digressões sobre poesia sempre me causaram tédio e perplexidade. A culpa é tua, que me pediste conselho e me colocas na insustentável situação em que me vejo quando essas meninas dos colégios vêm (por inocência ou maldade dos professores) fazer pesquisas com perguntas assim: “O que é poesia? Por que se tornou poeta? Como escreve os seus poemas?” A poesia é dessas coisas que a gente faz, mas não diz.

A poesia é um fato consumado, não se discute; perguntas-me, no entanto, que orientação de trabalho seguir e que poetas deves ler. Eu tinha vontade de ser um grande poeta para te dizer como é que eles fazem. Só te posso dizer o que eu faço. Não sei como vem um poema. Às vezes uma palavra, uma frase ouvida, uma repentina imagem que me ocorre em qualquer parte, nas ocasiões mais insólitas. A esta imagem respondem outras. Por vezes uma rima até ajuda, com o inesperado da sua associação. (Em vez de associações de idéias, associações de imagem; creio ter sido esta a verdadeira conquista da poesia moderna.) Não lhes oponho trancas nem barreiras. Vai tudo para o papel. Guardo o papel, até que um dia o releio, já esquecido de tudo (a falta de memória é uma bênção nestes casos). Vem logo o trabalho de corte, pois noto logo o que estava demais ou o que era falso. Coisas que pareciam tão bonitinhas, mas que eram puro enfeite, coisas que eram puro desenvolvimento lógico (um poema não é um teorema) tudo isso eu deito abaixo, até ficar o essencial, isto é, o poema. Um poema tanto mais belo é quanto mais parecido for com o cavalo. Por não ter nada de mais nem nada de menos é que o cavalo é o mais belo ser da Criação.

Como vês, para isso é preciso uma luta constante. A minha está durando a vida inteira. O desfecho é sempre incerto. Sinto-me capaz de fazer um poema tão bom ou tão ruinzinho como aos 17 anos. Há na Bíblia uma passagem que não sei que sentido lhe darão os teólogos; é quando Jacob entra em luta com um anjo e lhe diz: “Eu não te largarei até que me abençoes”. Pois bem, haverá coisa melhor para indicar a luta do poeta com o poema? Não me perguntes, porém, a técnica dessa luta sagrada ou sacrílega. Cada poeta tem de descobrir, lutando, os seus próprios recursos. Só te digo que deves desconfiar dos truques da moda, que, quando muito, podem enganar o público e trazer-te uma efêmera popularidade.

Em todo caso, bem sabes que existe a métrica. Eu tive a vantagem de nascer numa época em que só se podia poetar dentro dos moldes clássicos. Era preciso ajustar as palavras naqueles moldes, obedecer àquelas rimas. Uma bela ginástica, meu poeta, que muitos de hoje acham ingenuamente desnecessária. Mas, da mesma forma que a gente primeiro aprendia nos cadernos de caligrafia para depois, com o tempo, adquirir uma letra própria, espelho grafológico da sua individualidade, eu na verdade te digo que só tem capacidade e moral para criar um ritmo livre quem for capaz de escrever um soneto clássico. Verás com o tempo que cada poema, aliás, impõe sua forma; uns, as canções, já vêm dançando, com as rimas de mãos dadas, outros, os dionisíacos (ou histriônicos, como queiras) até parecem aqualoucos. E um conselho, afinal: não cortes demais (um poema não é um esquema); eu próprio que tanto te recomendei a contenção, às vezes me distendo, me largo num poema que vai lá seguindo com os detritos, como um rio de enchente, e que me faz bem, porque o espreguiçamento é também uma ginástica. Desculpa se tudo isso é uma coisa óbvia; mas para muitos, que tu conheces, ainda não é; mostra-lhes, pois, estas linhas.

Agora, que poetas deves ler? Si
Mario Quintana
mplesmente os poetas de que gostares e eles assim te ajudarão a compreender-te, em vez de tu a eles. São os únicos que te convêm, pois cada um só gosta de quem se parece consigo. Já escrevi, e repito: o que chamam de influência poética é apenas confluência. Já li poetas de renome universal e, mais grave ainda, de renome nacional, e que, no entanto, me deixaram indiferente. De quem a culpa? De ninguém. É que não eram da minha família.
Enfim, meu poeta, trabalhe, trabalhe em seus versos e em você mesmo e apareça-me daqui a vinte anos. Combinado?
- Mario Quintana, 'carta' - em "Caderno H". Porto Alegre: Ed. Globo, 1973, p. 136.


MANUSCRITOS DE MARIO QUINTANA


Manuscrito "Fazer um poema", de Mario Quintana
[Fonte: Acervo do escritor /IMS]
Fazer um poema...
Fazer um poema é como
construir uma casa
- a própria casa do poeta -
onde ele poderá receber
seus velhos amigos e os amigos novos
que, no decorrer dos anos,
forem aparecendo para 
um encontro com a Poesia.
- Mario Quintana
Manuscrito do poema Estranhas aventuras da infância', de Mario Quintana
[Cadernos de Literatura Brasileira nº 25: Mario Quintana, IMS - Agos/2009]

Estranhas aventuras da infância
Era um caminho tão pequenino
Que nem sabia aonde ia,
Por entre uns morros se perdia
Que ele pensava que eram montanhas...

Enquanto a tarde, lenta, caía,
Aflitamente o procuramos.
Sozinho assim, aonde iria?
Porém, deixamos para um outro dia...

Perdido e só, nós o deixamos!

E quando, enfim, ali voltamos
Já nada havia, só ervas más...
Tão vasto e triste sentiste o mundo
Que te achegaste, desamparada...

E foi bem juntos que regressamos,
Ombro com ombro, a mão na mão,
Enquanto, lenta, caía a tarde
E nos espiava a bruxa negra...

E nos seguia a bruxa negra
Que hoje se chama Solidão!
- Mario Quintana, in: Baú de Espantos, 1986.



Manuscrito do poema ""escrito numa garrafa", publicado no livro
'Aprendiz de feiticeiro", com o nome "Cripta".
Cripta
Debaixo da mesa
A negrinha.
Assustada.
Assustada.
Na janela
A lua.
No relógio
O tempo.
No tempo
A casa.
E no porão da casa?

No porão da casa umas estranhas ex-criaturas com cabelos de
teia-de-aranha e os olhos sem luz sem luz e todas se
[esfarelando que nem mariposas ai todas se esfarelando mas
sempre se remexendo eternamente se remexendo como
[anêmonas fofas no fundo de um poço de um poço!
- Mario Quintana, in: Aprendiz de Feiticeiro, 1950.



Mario Quintana- foto: Dulce Helfer

FORTUNA CRÍTICA DE MARIO QUINTANA
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Mario Quintana- foto: Dulce Helfer
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ZIBERMAN, Regina. O modernismo e a poesia de Mario Quintana. In: A literatura no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1980.

Paulo Mendes Campos - na casa do cronista Rubem Braga em 1966.
[Fonte: Fotobiografia Manuel Bandeira, Edições Alumbramento, 1998].

ENCONTRO MARCADO

Quintanares
Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.
São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Mario Quintana- foto: Dulce Helfer
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares
Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.

Que eu vou passando e passando,
Como em busca de outros ares...
Sempre de barco passando,
Cantando meus quintanares...
Mario Quintana.
- Manuel Bandeira



No Quintana's Bar

No Quintana's bar,
sou assíduo cliente.
É um bar que não é bar,
é um bar diferente.
Nele bebo sequer
copo-d'água gelada.
Mario Quintana- foto: Dulce Helfer
Meu whisky é a noite escura,
meu gin, a madrugada.
No entanto me embriago
até as raias da loucura.
É então que me atraiçoa
a canhestra ternura
(o goche sentimento
que me expõe e envergonha,
tão inadequado
ao mundo e sua ronha).
A atração do bar
é o proprietário.
O seu rosto descerra
o auge do Calvário.
Prestidigitador
cria noite de prata,
oceano irreal
e barroca fragata...
Induz-nos à catarse
dos apetites tortos,
ao invocar a mística
de Mil Meninos Mortos.
Enquanto as horas fluem
na insólita vigília,
vai-se criando entre nós
certo ar de família
E em esferas rolando
pela noite e seus véus,
com fé aguardamos
a alvorada de Deus!
- Carlos Drummond de Andrade


Mario Quintana - foto: Dulce Helfer
CECÍLIA MEIRELES 
Conheci Mario Quintana na redação do Correio do Povo. Estava sentado, escrevendo a lápis, e me olhou com um sorriso manso. Nunca mais consegui separar o que li depois daquele olhar azul, daquele sorriso brando e da voz rouca que ouvi então. Mais tarde o revi muitas vezes e associei ao prazer de lê-lo, o encantamento de longas conversas nas quais sobressaia sempre sua lúcida inteligência e fina ironia.
No seu aniversário, queria mandar-lhe “uma imagem qualquer para os seus anos”, parafraseando-o no poema “A Carta”, no qual ele endereça à destinatária “o céu, todo este céu de Porto Alegre e aquela nuvenzinha que está sonhando, agora, em pleno azul”. Amplio essa primeira intensão e junto um poema intitulado “Cantiga”, que Cecília Meireles enviou a Quintana em 1944, e que ele mesmo cedeu ao Caderno de Sábado, para publicação em novembro de 1967:

Cantiga
Mario Quintana, por Nay art's
Quando passarem os dias
E não mais se avistar
Nosso rosto, e o sereno
Modo nosso de olhar, 

E a nossa evaporada 
Voz não viver mais no ar,
E as sombras esquecerem
A que era a do nosso andar,

Vai ser doce pensar-se
-em que secreto lugar?-
nos sonhos que inventamos
ternos e devagar

no perfil que tivemos,
tão fino e singular,
e no louro e nas rosas
que o poderiam coroar,

e nos vergéis que sentíamos,
quando íamos a par,
ouvindo o amor que nunca
chegou a sussurar...
- Cecília Meireles
____


Poeta Mario Quintana e o compositor e cantor Alceu Valença
foto: Daniel de Andrade Simões


Mario Quintana e Caetano Veloso, em Porto Alegre/RS, 1992 - foto: Dulce Helfer

Mario Quintana, Luiz de Miranda e Alceu Valença, no Rio Grande do Sul - foto: Dulce Helfer

Mario Quintana e Caetano Veloso, em Porto Alegre/RS, 1992 - foto: Dulce Helfer

Henrique Mann e Mario Quintana  - foto: Dulce Helfer

Bandeira, Quintana e Drummond, anos 50 no
Rio de Janeiro [Acervo Fundação Ruy Barbosa]


Inquietude
Esse olhar inquisitivo que me dirige às vezes nosso próprio cão...
Que quer ele saber que eu não sei responder?
Sou desse jeito... Vivo cercado de interrogações.
Dinheiro que eu tenha, como vou gastá-lo?
E como fazer para que não me esqueças?
(ou eu não te esqueça...)
Sinto-me assim, sem motivo algum,
Como alguém que estivesse comendo uma empada de camarão sem
camarões
Num velório sem defunto...
- Mario Quintana, in: Velório sem defunto, 1990..

Mario Quintana, por SamPaulo


O tamanho da gente
O homem acha o Cosmos infinitamente grande
E o micróbio infinitamente pequeno.
E ele, naturalmente,
Julga-se do tamanho natural...
Mas, para Deus, é diferente:
Cada ser, para Ele, é um universo próprio.
E, a Seus olhos, o bacilo de Koch,
A estrela Sírius e o Prefeito de Três Vassouras
São todos infinitamente do mesmo tamanho...
- Mario Quintana, in: Velório sem defunto, 1990.


Mario Quintana, por Cado
Da Imparcialidade
O homem - eternamente escravo de suas paixões pessoais -
É absolutamente incapaz de imparcialidade.
Só Deus é imparcial.
Só Ele é que pode, por exemplo,
Abençoar, ao mesmo tempo,
As bandeiras de dois exércitos inimigos que vão entrar em luta...
- Mario Quintana, in: "Velório sem defunto", 1990.



O antigo prédio do Hotel Majestic, onde o poeta gaúcho viveu de 1968 a 1980, é um bem tombado e restaurado pelo patrimônio histórico e local que abriga desde 1990 a Casa de Cultura Mario Quintana.
Site Oficial: CCMQ

Casa de Cultura Mario Quintana
O Mapa
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...
- Mario Quintana, in: Apontamentos de História Sobrenatural, 1976.


Mario Quintana - foto: Dulce Helfer

XIX
"Minha morte nasceu quando eu nasci.
Mario Quintana, por Fetter
Despertou, balbuciou, cresceu comigo...
E dançamos de roda ao luar amigo
Na pequena rua em que vivi.

Já não tem mais aquele jeito antigo
De rir e que, ai de mim, também perdi!
Mas inda agora a estou sentindo aqui,
Grave a boa, a escutar o que lhe digo:

Tu que és minha doce Prometida,
Nem sei quando serão as nossas bodas,
Se hoje mesmo... ou no fim de longa vida...

E as horas lá se vão, loucas ou tristes...
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti... saber que tu existes!"
- Mario Quintana, in: A Rua dos Cataventos, 1940.



Quando eu me for
Quando eu me for, os caminhos continuarão andando...
E os meus sapatos também!
Porque os quartos, as casas que habitamos,
Todas, todas as coisas que foram nossas na vida
Possuem igualmente os seus fantasmas próprios,
Para alucinarem as nossas noites de insônia!
- Mario Quintana, in: Velório sem defunto, 1990.

Mario Quintana em 1987 - foto: Dulce Helfer

ACERVO 'FUNDO MARIO QUINTANA' NO INSTITUTO MOREIRA SALLES/IMS
ALMAQ: Acervo Literário Mario Quintana esta sob à guarda do Instituto Moreira Salles/IMS, desde 2009. Elena Quintana de Oliveira sobrinha-neta do escritor, única herdeira cedeu o acervo por 10 anos ao IMS.
Composição do ALMQ: A documentação reúne cerca de 12 mil itens. Entre o material estão fotografias, 600 manuscritos com anotações avulsas, 700 correspondências e centenas de recortes de jornais e revistas. Dissertações de mestrados e teses de doutorado representam mil livros. Artigos e reportagens de imprensa também compõem o acervo.
Local: IMS - Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
CEP 22451-040 – Rio de Janeiro-RJ
Tel.: 21 3284-7400 – 21 3206-2500
Fax: 21 2239-5559
Horário de visitação: De terça a sexta, das 11h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Site Oficial: IMS


Mario Quintana, Curitiba PR, março (1983) - foto: Julio Covello
MAIS QUINTANA NO BLOG
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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Mario Quintana - o poeta das coisas simples. Templo Cultural Delfos, janeiro/2011. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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14 comentários:

  1. Esse blog já é referência prá mim! parabéns!

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  2. Para mim também, Nilza!

    Quintana é o poeta da minha vida.

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  3. Elfi!!É mesmo um templo teu blog,onde comungamos contigo esse rico trabalho de muita sensibilidade
    na elaboração.Ilce

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  4. Que saudades da casa ROSA, que saudedes desse POETA MARAVILHOSO,que fez parte e continua a fazer em tantas vida!!1

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  5. A poesia de Mário Quintana é o tocar nos ombros, e ao sentirmos este assombro,exclamamos, Ele é IMORTAL!

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  6. Excelente postagem! Grande poeta que inspira até quem não gosta de poesia por sua leveza intelectual.

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  7. Obrigada, a todos! que bom que gostaram - este é um espaço para divulgar e difundir a cultura nacional. A pagina será sempre atualizada... Caso encontrem alguma informação que não esteja correta, mandem mensagem pelo e-mail de contato. abraços, Elfi

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  8. Mario é a alegria da poesia, brincadeira de roda, leveza na alma, sorriso de criança, saudade da infância e nada que eu diga definirá o poeta, lindo, lindo e lindo!

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    Respostas
    1. Olá Veronica,
      Mario Quintana é maravilhoso, meu poeta preferido. :)
      Agradeço sua visita, volte sempre.
      Abraços

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  9. Adorei!! E me senti muito honrado por ter sido citado como referência bibliográfica. Parabéns.
    Abraço.
    Marcos Cipullo

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  10. Queridas, :) ...
    O site é muito interessante e precioso, desejei muito a referência da carta do Mario para minha pesquisa, mas na internet foi um pouco difícil. Consegui encontrar pelo Scribd e fiz a referência pelo livro que possuo.
    Segue a referência do texto "Carta" (p.136).
    QUINTANA, Mario. Caderno H. Porto Alegre: Ed. Globo, 1973.


    Abraços fraternos.

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    1. Obrigada pela sua colaboração, Manú! vamos inserir as referências enviadas. beijos, Elfi

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