Elizabeth Bishop - uma cartografia poética

Elizabeth Bishop (image Courtesy Vassar College Library Archives & Special Collections, New York)
Elizabeth Bishop, nasceu em Worcester, Massachusetts, em 8 de fevereiro de 1911. A vida de Bishop foi repleta de aventuras e de tragédias. Quando tinha apenas oito meses de idade ela perdeu o pai e sua mãe foi internada por problemas mentais quando ainda era pequena, o que a levou a viver com os avós maternos na Nova Escócia, Canadá. Bishop retornou a Worcester depois que os avós paternos, melhor situados financeiramente, ganharam a sua guarda. Ela fez o curso secundário num exclusivo colégio interno para moças, em Natick, Massachusetts, onde ela revelou sua aptidão para a música, chegando a cogitar uma carreira de concertista, embora tivesse mudado de ideia devido à timidez. Em 1929, pouco antes da grande quebra da bolsa de valores, ela entrou para o prestigiado Vassar College, no estado de Nova Iorque, onde estudou inglês e literatura. No seu último ano em Vassar ela foi uma das fundadoras da revista literária Com Spirito,  com mais quatro colegas. Nessa mesma ocasião ela conheceu a poeta Marianne Moore, que tomou um interesse pela jovem e foi sua mentora e amiga.
Logo depois de se formar em 1934 ela foi morar na cidade de Nova Iorque, onde se encontrava quando publicou seu primeiro livro, mudando-se depois para a Flórida. Ela viajou bastante por diversas partes do mundo. Em 1937 ela passou seis meses na França e nove meses no México em 1943.  Continuou escrevendo poesias e contos, e em 1946 publicou o seu primeiro livro de poesias, North & South, que apesar da pequena tiragem chamou a atenção de do poeta e crítico Robert Lowell. Em 1951 Bishop ganhou um estipêndio de viagem do Bryn Mawr College, e em novembro desse ano partiu num navio que ia para a Terra do Fogo. Quando o navio aportou em Santos, ela desembarcou para uma temporada de duas semanas. De Santos ela resolveu visitar o Rio de Janeiro e pessoas que ela havia conhecido quando morava em Nova Iorque.  Ao chegar ao Rio ela passou mal depois de comer uma fruta comprada na rua e precisou ser hospitalizada, não podendo continuar a sua viagem de navio.
Bishop recebeu a ajuda de Lota, uma das pessoas que ela havia conhecido em Nova Iorque, cujo nome completo era Maria Carlota de Macedo Soares. Arquiteta autodidata, culta, viajada e rica, Lota era uma das duas herdeira do proprietário do ‘Diário Carioca’ e tinha um grande círculo de amigos entre os quais se encontrava o jornalista Carlos Werneck Lacerda, que escrevia para o jornal do seu pai e que mais tarde se tornaria governador do antigo Estado da Guanabara. Bishop e Lota iniciaram então um relacionamento sério, o que resultou em Bishop ir morar com/ou perto de Lota, no sítio de Alcobacinha, em Petrópolis, em uma arrojada casa em estilo contemporâneo ganhadora de um importante prêmio de arquitetura. Bishop também tinha um estúdio próximo, onde costumava escrever e pintar.
Durante a sua passagem pelo Brasil Bishop testemunhou diversos episódios importantes da história brasileira como o suicídio de Getúlio Vargas, a construção de Brasília, a queda de Jânio Quadros e o golpe militar de 31 de março de 1964. Ela também viajou bastante pelo Brasil, especialmente durante a ocasião que juntava material para o seu livro Brazil, comissionado pela editora americana Life. Além de ter capturado o Brasil no seu livro documentário, ela também retratou a cultura brasileira na sua poesia, como a balada O Ladrão da Babilônia, inspirada na experiência de ver um homem sair correndo pelos becos tortuosos do Rio (a Babilônia) perseguido pela polícia carioca. A biografia de Girough sugere que Bishop não buscou imiscuir-se nas altas rodas do mundo de Lota, preferindo ocupar-se com sua poesia e também com a pintura. Girough também mostra que ela era uma correspondente contumaz e que durante sua estadia no Brasil manteve-se ligada aos acontecimentos culturais dos Estados Unidos, para onde ela periodicamente enviava seus poemas e contos para publicação.
Elizabeth Bishop
Além de morar em Petrópolis e ir regularmente ao Rio, Bishop e Lota costumavam passar temporadas em Ouro Preto. O relacionamento entre as duas começou a se deteriorar a partir de 1961, quando  Lota se envolveu no projeto paisagístico do Parque do Flamengo, projetado por Roberto Burle Marx, o que fez com que passasse cada vez mais tempo no Rio, descuidando-se da amiga que havia ficado no sítio em Petrópolis. Bishop às vezes ia a Ouro Preto sozinha, e numa dessas viagens resolveu comprar uma casa e reformá-la, atribuindo à mesma o nome de ‘Casa Mariana’, em homenagem à poeta Marianne Moore. Bishop tinha problemas de depressão que se exacerbaram com a ausência de Lota e fizeram com que buscasse cada vez mais refúgio na bebida. Lota por sua vez tinha problemas psicológicos cuja manifestação mais séria ainda estava por vir.
Em 1966 Bishop aceitou um cargo de professor da Universidade de Washington, em Seattle, onde iria conduzir alguns workshops de poesia. No verão de 1967 ela passou uma temporada em Nova Iorque e combinou de se encontrar com Lota lá. Na mesma noite em que chegou a Nova Iorque, Lota tomou uma overdose de tranquilizantes, e entrou em um coma fatal de cinco dias. A biografia de Girough não apresenta explicações sobre a motivação de Lota ou sobre o seu estado de espírito, deixando espaço para muita especulação.
Depois da morte de Lota, Bishop foi passar uma temporada em São Francisco, retornando ao Brasil um ano e pouco depois para uma temporada em Ouro Preto. Ela retornou diversas vezes a Ouro Preto até o ano de 1974.  Entretanto, a presença de Bishop no Brasil, acompanhada de um novo relacionamento, provocou algumas reações hostis por parte de amigos de Lota e de outras pessoas. Após experimentar insinuações, preconceitos, invejas e até acusações ela decidiu vender a casa e não retornou mais ao Brasil. De São Francisco Bishop foi morar entre Cambridge e Boston, após ter sido convidada a lecionar na Universidade de Harvard. O seu apartamento de Boston, de frente para o harbour, era considerado uma galeria de artefatos do Brasil. Bishop faleceu em seis de outubro de 1979 de aneurisma cerebral.
:: Fonte: Biografia Resumida (baseada em: Schwartz, L. 1991, Girough 1994). in: PIRES-O'BRIEN, Joaquina.. Elizabeth Bishop (1911-1979). in: Visão Ibero-americana, 26.6.2012. Disponível no link. (acessado em 13.7.2016).
:: biografia complementar: "A arte como vida - 'Elizabeth Bishop: A Cookie'". in: Instituto Lotta. (acessado em 12.7.2016).


Elizabeth Bishop - (Image courtesy of Vassar College Library 
Archives & Special Collections, New York)
OBRA DE ELIZABETH BISHOP
Poesia
:: Poemas. Elizabeth Bishop. [tradução Paulo Henriques Britto]. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
:: Poemas do BrasilElizabeth Bishop. [seleção, introdução e tradução de Paulo Henriques Britto]. São Paulo: Companhia da Letras, 1999.
:: O iceberg imaginário e outros poemasElizabeth Bishop[tradução Paulo Henriques Britto]. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
:: Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop. [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Prosa
:: Esforços do Afeto e outras histórias. Elizabeth Bishop. [tradução Paulo Henriques Britto]. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
Elizabeth Bishop - anos 40
:: Prosa. Elizabeth Bishop. [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

Cartas
:: Uma arte: as cartas de Elizabeth Bishop. [organização Robert Giroux; tradução Paulo Henriques Britto]. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
:: Palavras no ar: a correspondência entre Elizabeth Bishop e Robert Lowell. [introdução de Otavio Frias Filho. São Paulo: Thomas Travisano, s/d. 

Entrevistas
:: Conversas com Elizabeth Bishop. [organização George Monteiro; tradução Rogério Bettoni]. Autêntica, 2013. 

Biografia
:: Flores raras e banalíssimas: A história de Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop. de Carmen Lúcia de Oliveira. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.
:: A arte de perder. de Michael Sledge. [tradução Elisa Nazarian]. Rio de Janeiro: Leya, 2011.

Antologias (participação)
:: Poesia alheia: 124 poemas traduzidos. [tradução e Organização Nelson Ascher]. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998.


Elizabeth Bishop, na sua casa de Ouro Preto, em 1970
POEMAS SELECIONADOS DE ELIZABETH BISHOP (EDIÇÃO BILÍNGUE)

O mapa
Terra entre águas, sombreada de verde.
Sombras, talvez rasos, lhe traçam o contorno,
uma linha de recifes, algas como adorno,
riscando o azul singelo com seu verde.
Ou a terra avança sobre o mar e o levanta
e abarca, sem bulir suas águas lentas?
Ao longo das praias pardacentas
será que a terra puxa o mar e o levanta?

A sombra da Terra Nova jaz imóvel.
O Labrador é amarelo, onde o esquimó sonhador
o untou de óleo. Afagamos essas belas baías,
em vitrines, como se fossem florir, ou como se
para servir de aquário a peixes invisíveis.
Os nomes dos portos se espraiam pelo mar,
os nomes das cidades sobem as serras vizinhas
— aqui o impressor experimentou um sentimento semelhante
ao da emoção ultrapassando demais a sua causa.
As penínsulas pegam a água entre polegar e indicador
como mulheres apalpando pano antes de comprar.

As águas mapeadas são mais tranquilas que a terra,
e lhe emprestam sua forma ondulada:
a lebre da Noruega corre para o sul, afobada,
perfis investigam o mar, onde há terra.
É compulsório, ou os países escolhem as suas cores?
— As mais condizentes com a nação ou as águas nacionais.
Topografia é imparcial; norte e oeste são iguais.
Mais sutis que as do historiador são do cartógrafo as cores.
.

The Map
Land lies in water; it is shadowed green.
Shadows, or are they shallows, at its edges
showing the line of long sea-weeded ledges
where weeds hang to the simple blue from green.
Or does the land lean down to lift the sea from under,
drawing it unperturbed around itself?
Along the fine tan sandy shelf
is the land tugging at the sea from under?

The shadow of Newfoundland lies flat and still.
Labrador’s yellow, where the moony Eskimo
has oiled it. We can stroke these lovely bays,
under a glass as if they were expected to blossom,
or as if to provide a clean cage for invisible fish.
The names of seashore towns run out to sea,
the names of cities cross the neighboring mountains
— the printer here experiencing the same excitement
as when emotion too far exceeds its cause.
These peninsulas take the water between thumb and finger
like women feeling for the smoothness of yard-goods.

Mapped waters are more quiet than the land is,
lending the land their waves’ own corfirmation:
and Norway’s hare runs south in agitation,
profiles investigate the sea, where land is.
Are they assigned, or can the countries pick their colors?
— What suits the character or the native waters best.
Topography displays no favorites; North’s as near as West.
More delicate than the historians’ are the map-makers’ colors.
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

O iceberg imaginário
O iceberg nos atrai mais que o navio,
mesmo acabando com a viagem.
Mesmo pairando imóvel, nuvem pétrea,
e o mar um mármore revolto.
O iceberg nos atrai mais que o navio:
queremos esse chão vivo de neve,
mesmo com as velas do navio tombadas
qual neve indissoluta sobre a água.
Ó calmo campo flutuante,
sabes que um iceberg dorme em ti, e em breve
vai despertar e talvez pastar na tua neve?

Esta cena um marujo daria os olhos
pra ver. Esquece-se o navio. O iceberg
sobe e desce; seus píncaros de vidro
corrigem elípticas no céu.
Este cenário empresta a quem o pisa
uma retórica fácil. O pano leve
é levantado por cordas finíssimas
de aéreas espirais de neve.
Duelo de argúcia entre as alvas agulhas
e o sol. O seu peso o iceberg enfrenta
no palco instável e incerto onde se assenta.

É por dentro que o iceberg se faceta.
Tal como joias numa tumba
ele se salva para sempre, e adorna
só a si, talvez também as neves
que nos assombram tanto sobre o mar.
Adeus, adeus, dizemos, e o navio
segue viagem, e as ondas se sucedem,
e as nuvens buscam um céu mais quente.
O iceberg seduz a alma
(pois os dois se inventam do quase invisível)
a vê-lo assim: concreto, ereto, indivisível.
.

The imaginary iceberg
We’d rather have the iceberg than the ship,
although it meant the end of travel.
Although it stood stock-still like cloudy rock
and all the sea were moving marble.
We’d rather have the iceberg than the ship;
we’d rather own this breathing plain of snow
though the ship’s sails were laid upon the sea
as the snow lies undissolved upon the water.
O solemn, floating field,
are you aware an iceberg takes repose
with you, and when it wakes may pasture on your snows?

This is a scene a sailor’d give his eyes for.
The ship’s ignored. The iceberg rises
and sinks again; its glassy pinnacles
correct elliptics in the sky.
This is a scene where he who treads the boards
is artlessly rhetorical. The curtain
is light enough to rise on finest ropes
that airy twists of snow provide.
The wits of these white peaks
spar with the sun. Its weight the iceberg dares
upon a shifting stage and stands and stares.

This iceberg cuts its facets from within.
Like jewelry from a grave
it saves itself perpetually and adorns
only itself, perhaps the snows
which so surprise us lying on the sea.
Good-bye, we say, good-bye, the ship steers off
where waves give in to one another’s waves
and clouds run in a warmer sky.
Icebergs behoove the soul
(both being self-made from elements least visible)
to see them so: fleshed, fair, erected indivisible.
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

Chemin de fer
Sozinha nos trilhos eu ia,
coração aos saltos no peito.
O espaço entre os dormentes
era excessivo, ou muito estreito.

Paisagem empobrecida:
carvalhos, pinheiros franzinos;
e além da folhagem cinzenta
vi luzir ao longe o laguinho

onde vive o eremita sujo,
como uma lágrima translúcida
a conter seus sofrimentos
ao longo dos anos, lúcida.

O eremita deu um tiro
e uma árvore balançou.
O laguinho estremeceu.
 Sua galinha cocoricou.

Bradou o velho eremita:
“Amor tem que ser posto em prática!”
Ao longe, um eco esboçou
sua adesão, não muito enfática.
.

Chemin de fer
Alone on the railroad track
I walked with pounding heart.
The ties were too close together
or maybe too far apart.

The scenery was impoverished:
scrub-pine and oak; beyond
its mingled gray-green foliage
I saw the little pond

where the dirty hermit lives,
lie like an old tear
holding onto its injuries
lucidly year after year.

The hermit shot off his shot-gun
and the tree by his cabin shook.
Over the pond went a ripple.
The pet hen went chook-chook.

“Love should be put into action!”
screamed the old hermit.
Across the pond an echo
tried and tried to confirm it.
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

O cavalheiro de Shalott
Qual olho é o dele?
Qual membro é real
e qual está no espelho?
A cor é igual
à esquerda e à direita,
e ninguém suspeita
que esta ou aquela
perna, ou braço, seja
verdade ou impostura
nessa estranha estrutura.
A seu ver,
isso é prova garantida
de uma imagem refletida
ao longo desta linha
que chamamos de espinha.

Modesto, sentia
que sua pessoa
era metade espelho:
pois duplicar-se seria
um total destrambelho.
O vidro se prolonga
por sua mediana,
ou melhor, sua borda.
Mas ele não sabe direito
o que está dentro ou fora
da imagem refletida.
Não há muita margem de erro,
mas provar é impossível.
E se meio cérebro é reflexo
seu pensamento terá nexo?

Mas ele aceita sem problema
a parcimônia do esquema.
Se o espelho escorregar
vai ser de amargar —
só uma perna etc. Mas por ora
está apoiado na escora,
e ele anda e corre e pega a mão
com a outra. A sensação
de incerteza o deixa feliz,
ele diz.
Afirma também que gosta
de estar sempre a se reajustar.
No momento, eis o que tem a declarar:
“Metade basta.”
.

The gentleman of Shalott
Which eye’s his eye?
Which limb lies
next the mirror?
For neither is clearer
nor a different color
than the other,
nor meets a stranger
in this arrangement
of leg and leg and
arm and so on.
To his mind
it’s the indication
of a mirrored reflection
somewhere along the line
of what we call the spine.

He felt in modesty
his person was
half looking-glass,
for why should he
be doubled?
The glass must stretch
down his middle,
or rather down the edge.
But he’s in doubt
as to which side’s in or out
of the mirror.
There’s little margin for error,
but there’s no proof, either.
And if half his head’s reflected,
thought, he thinks, might be affected

But he’s resigned
to such economical design.
If the glass slips
he’s in a fix —
only one leg etc. But
while it stays put
he can walk and run
and his hands can clasp one
another. The uncertainty
he says he
finds exhilarating. He loves
that sense of constant re-adjustment.
He wishes to be quoted as saying at present:
“Half is enough.”
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

Cirque d´Hiver
É um brinquedo de corda digno de um rei
de uma outra era: cavalo e bailarina.
Um cavalo de circo, de olhos negros,
branco no pelo e na crina
Sobre ele vai montada a bailarina.

Na ponta dos pés, ela rodopia.
Tem um ramo de flores artificiais
na saia e no corpete de ouropel.
Sobre a cabeça, traz
um outro ramo de flores artificiais

A cauda do cavalo é puro Chirico.
É formal e melancólica sua alma.
Ele sente em seu dorso a perna leve
da bailarina calma
em torno da haste que a perfura, corpo e alma,

e lhe atravessa o corpo, saindo por fim
sob seu ventre como uma chave de lata.
Ele dá três passos, faz uma mesura,
anda mais um pouco, dobra uma das patas,
anda, estala, para e olha para mim.

A dançarina, a essa altura, está de costas.
O cavalo é o mais arguto dos dois.
Entreolhamo-nos, com certo desespero,
e dizemos depois:
“É, até aqui chegamos nós dois”.
.

Cirque d´Hiver 
Across the floor flits the mechanical toy,
fit for a king of several centuries back.
A little circus horse with real white hair.
His eyes are glossy black.
He bears a little dancer on his back.

She stands upon her toes and turns and turns.
A slanting spray of artificial roses
Is stiched across her skirt and tinsel bodice.
Above her head she poses
another spray of artificial roses.

His mane and tail are straight from Chirico.
He has a formal, melancholy soul.
He feels her pink toes dangle toward his back
Along the little pole
that pierces both her body and her soul

and goes through his, and reappers below,
under his belly, as a big tin key.
He canters three steps, then he makes a bow,
canters again, bows on one knee,
canters, then clicks and stops, and looks at me.

The dancer, by this time, has turned her back.
He is the more intelligent by far.
Facing each other rather desperately –
his eye is like a star –
we stare and say, “Well, we have come this far.”
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

Noturno
Da manga escura de um mágico
      os cantores de rádio
espalham canções de amor
pela grama, sobre o orvalho noturno.
       E preveem para o futuro,
qual cartomantes, o que se quiser supor.

Mas na antena do estaleiro distingo
       observadores mais dignos
de apreciar o amor. Do alto de seu galho
cinco luzes vermelhas, remotas,
       se aninham; fênix silenciosas,
ardendo aonde nunca chega o orvalho.
.

Late air
From a magician’s midnight sleeve
the radio-singers
distribute all their love-songs
over the dew-wet lawns.
And like a fortune-teller’s
their marrow-piercing guesses are whatever you believe.

But on the Navy Yard aerial I find
better witnesses
for love on summer nights.
Five remote lights
keep their nests there; Phoenixes
burn quietly, where the dew cannot climb.
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

Insônia
A lua no espelho da cômoda
está a mil milhas, ou mais
(e se olha, talvez com orgulho,
porém não sorri jamais)
muito além do sono, eu diria,
ou então só dorme de dia.

Se o Mundo a abandonasse,
ela o mandava pro inferno,
e num lago ou num espelho
faria seu lar eterno.
— Envolve em gaze e joga
tudo que te faz sofrer no

poço desse mundo inverso
onde o esquerdo é que é o direito,
onde as sombras são os corpos,
e à noite ninguém se deita,
e o céu é raso como o oceano
é profundo, e tu me amas.
.

Insomnia
The moon in the bureau mirror
looks out a million miles
(and perhaps with pride, at herself,
but she never, never smiles)
far and away beyond sleep, or
perhaps she's a daytime sleeper.

By the Universe deserted,
she'd tell it to go to hell,
and she'd find a body of water,
or a mirror, on which to dwell.
So wrap up care in a cobweb
and drop it down the well

into that world inverted
where left is always right,
where the shadows are really the body,
where we stay awake all night,
where the heavens are shallow as the sea
is now deep, and you love me.
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

O banho de xampu
Os liquens – silenciosas explosões
nas pedras – crescem e engordam,
concêntricas, cinzentas concussões.
Têm um encontro marcado
com os halos ao redor da lua, embora
até o momento nada tenha mudado.

E como o céu há de nos dar guarida
enquanto isso não se der,
você há de convir, amiga,
que se precipitou;
e eis no que dá. Porque o Tempo é,
mais que tudo, contemporizador.

No teu cabelo negro brilham estrelas
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas? 
– Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nesta bacia
amassada e brilhante como a lua.
.

The shampoo
The still explosions on the rocks,
the lichens, grow
by spreading, gray, concentric shocks.
They have arranged
to meet the rings around the moon, although
within our memories they have not changed.

And since the heavens will attend
as long on us,
you’ve been, dear friend,
precipitate and pragmatical;
and look what happens. For Time is
nothing if not amenable.

The shooting stars in your black hair
in bright formation
are flocking where,
so straight, so soon?
– Come, let me wash it in this big tin basin,
battered and shiny like the moon.
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

Chegada em Santos
Eis uma costa; eis um porto;
após uma dieta frugal de horizonte, uma paisagem:
morros de formas tão práticas, cheios - quem sabe? de autocomiseração,
tristes e agrestes sob a frívola folhagem,

uma igrejinha no alto de um deles. E armazéns,
alguns em tons débeis de rosa, ou de azul,
e umas palmeiras, altas e inseguras. Ah, turistas,
então é isso que este país tão longe ao sul

tem a oferecer a quem procura nada menos
que um mundo diferente, uma vida melhor, e o imediato
e definitivo entendimento de ambos
após dezoito dias de hiato?

Termine o desjejum. Lá vem o navio-tênder,
uma estranha e antiga embarcação,
com um trapo estranho e colorido ao vento.
A bandeira. Primeira vez que a vejo. Eu tinha a impressão

de que não havia bandeira, mas tinha que haver,
tal como cédulas e moedas - claro que sim.
E agora, cautelosas, descemos de costas a escada,
eu e uma outra passageira, Miss Breen,

num cais onde vinte e seis cargueiros aguardam
um carregamento de café que não tem mais fim.
Cuidado, moço, com esse gancho! Ah!
não é que ele fisgou a saia de Miss Breen,

coitada! Miss Breen tem uns setenta anos,
um metro e oitenta, lindos olhos azuis, bem
simpática. É tenente de polícia aposentada.
Quando não está viajando, mora em Glen

s Falls, estado de Nova York. Bom. Conseguimos.
Na alfândega deve haver quem fale inglês e não
implique com nosso estoque de bourbon e cigarros.
Os portos são necessários, como os selos e o sabão,

e nem ligam para a impressão que causam.
Daí as cores mortas dos sabonetes e selos -
aqueles desmancham aos poucos, e estes desgrudam
de nossos cartões-postais antes que possam lê-los

nossos destinatários, ou porque a cola daqui
é muito ordinária, ou então por causa do calor.
Partimos de Santos imediatamente;
vamos de carro para o interior.

Janeiro de 1952
.

Arrival at Santos
Here is a coast; here is a harbor; 
here, after a meager diet of horizon, is some scenery: 
impractically shaped and--who knows?--self-pitying mountains, 
sad and harsh beneath their frivolous greenery,

with a little church on top of one. And warehouses,
some of them painted a feeble pink, or blue, 
and some tall, uncertain palms. Oh, tourist,
is this how this country is going to answer you

and your immodest demands for a different world, 
and a better life, and complete comprehension
of both at last, and immediately, 
after eighteen days of suspension?

Finish your breakfast. The tender is coming, 
a strange and ancient craft, flying a strange and brilliant rag. 
So that's the flag. I never saw it before. 
I somehow never thought of there being a flag,

but of course there was, all along. And coins, I presume,
and paper money; they remain to be seen. 
And gingerly now we climb down the ladder backward, 
myself and a fellow passenger named Miss Breen,

descending into the midst of twenty-six freighters
waiting to be loaded with green coffee beaus.
Please, boy, do be more careful with that boat hook!
Watch out! Oh! It has caught Miss Breen's

skirt! There! Miss Breen is about seventy, 
a retired police lieutenant, six feet tall, 
with beautiful bright blue eyes and a kind expression.
Her home, when she is at home, is in Glens Fall

s, New York. There. We are settled. 
The customs officials will speak English, we hope, 
and leave us our bourbon and cigarettes.
Ports are necessities, like postage stamps, or soap,

but they seldom seem to care what impression they make, 
or, like this, only attempt, since it does not matter, 
the unassertive colors of soap, or postage stamps-- 
wasting away like the former, slipping the way the latter

do when we mail the letters we wrote on the boat, 
either because the glue here is very inferior 
or because of the heat. We leave Santos at once; 
we are driving to the interior.

January, 1952
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

O Tatu
para Robert Lowell

Estamos no período junino,
e à noite balões de papel
surgem – frágeis, ígneos, clandestinos. 
Vão subindo ao céu,

rumo a um santo que aqui 
ainda inspira devoção,
e se enchem de uma luz avermelhada
que pulsa, como um coração. 

Lá no céu, se transformam
em pontos de luz mais ou menos
iguais às estrelas – isto é, aos planetas
coloridos, Marte ou Vênus.

Se venta, eles piscam, estrebucham;
sem vento, sobem ligeiros
rumo às varetas cruzadas 
da pipa estrelar do Cruzeiro

do Sul, e deixam este mundo
para trás, solenes, altivos,
ou una correnteza os puxa 
pra baixo, e se tornam um perigo. 

Ontem caiu um grande aqui perto 
na encosta de pedra nua. 
Quebrou como um ovo de fogo.
A chama desceram. Vimos duas

corujas fugindo do ninho,
os dorsos das asas ariscas
tingidas de um rosa vivo, 
guinchando até sumirem de vista. 

O velho ninho se incendiara.
Sozinho, em polvorosa,
um tatu reluzente fugiu, 
cabisbaixo, salpicado de rosa, 

depois de um ser de orelhas curtas,
por estranho que pareça, um coelho.
Tão macio! – pura cinza intangível 
com olhos fixos, dois pontos vermelhos. 

Ah, mimetismo frágil, onírico!
Fogo caindo, um escarcéu
e um punho cerrado, ignorante
e débil, voltado contra o céu!
.

The Armadillo
for Robert Lowell

This is the time of year
when almost every night
the frail, illegal fire balloons appear.
Climbing the mountain height,

rising toward a saint
still honored in these parts,
the paper chambers flush and fill with light
that comes and goes, like hearts.

Once up against the sky it's hard
to tell them from the stars—
planets, that is — the tinted ones:
Venus going down, or Mars,

or the pale green one. With a wind,
they flare and falter, wobble and toss;
but if it's still they steer between
the kite sticks of the Southern Cross,

receding, dwindling, solemnly
and steadily forsaking us,
or, in the downdraft from a peak,
suddenly turning dangerous.

Last night another big one fell.
It splattered like an egg of fire
against the cliff behind the house.
The flame ran down. We saw the pair

of owls who nest there flying up
and up, their whirling black-and-white
stained bright pink underneath, until
they shrieked up out of sight.

The ancient owls' nest must have burned.
Hastily, all alone,
a glistening armadillo left the scene,
rose-flecked, head down, tail down,

and then a baby rabbit jumped out,
short-eared, to our surprise.
So soft! — a handful of intangible ash
with fixed, ignited eyes.

Too pretty, dreamlike mimicry!
O falling fire and piercing cry
and panic, and a weak mailed fist
clenched ignorant against the sky!
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

Uma arte
A arte de perder não é nenhum mistério; 
Tantas coisas contêm em si o acidente 
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero, 
A chave perdida, a hora gasta bestamente. 
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério: 
Lugares, nomes, a escala subseqüente 
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero 
Lembrar a perda de três casas excelentes. 
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império 
Que era meu, dois rios, e mais um continente. 
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo 
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente 
que a arte de perder não chega a ser mistério 
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.
.

One art
The art of losing isn't hard to master; 
so many things seem filled with the intent 
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster 
of lost door keys, the hour badly spent. 
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster: 
places, and names, and where it was you meant 
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or 
next-to-last, of three loved houses went. 
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster, 
some realms I owned, two rivers, a continent. 
I miss them, but it wasn't a disaster.

Even losing you (the joking voice, a gesture 
I love) I shan't have lied. It's evident 
the art of losing's not too hard to master 
though it may look like (Write it!) like disaster.
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

Cadela Rosada
[Rio de Janeiro]

Sol forte, céu azul. O Rio sua.
Praia apinhada de barracas. Nua,
passo apressado, você cruza a rua.

Nunca vi um cão tão nu, tão sem nada,
sem pelo, pele tão avermelhada...
Quem a vê até troca de calçada.

Têm medo da raiva. Mas isso não
é hidrofobia — é sarna. O olhar é são
e esperto. E os seus filhotes, onde estão?

(Tetas cheias de leite.) Em que favela
você os escondeu, em que ruela,
pra viver sua vida de cadela?

Você não sabia? Deu no jornal:
pra resolver o problema social,
estão jogando os mendigos num canal.

E não são só pedintes os lançados
no rio da Guarda: idiotas, aleijados,
vagabundos, alcoólatras, drogados.

Se fazem isso com gente, os estúpidos,
com pernetas ou bípedes, sem escrúpulos,
o que não fariam com um quadrúpede?

A piada mais contada hoje em dia
é que os mendigos, em vez de comida,
andam comprando boias salva-vidas.

Você, no estado em que está, com esses peitos,
jogada no rio, afundava feito
parafuso. Falando sério, o jeito

mesmo é vestir alguma fantasia.
Não dá pra você ficar por aí à
toa com essa cara. Você devia

pôr uma máscara qualquer. Que tal?
Até a quarta-feira, é Carnaval!
Dance um samba! Abaixo o baixo-astral!

Dizem que o Carnaval está acabando,
culpa do rádio, dos americanos...
Dizem a mesma bobagem todo ano.

O Carnaval está cada vez melhor!
Agora, um cão pelado é mesmo um horror...
Vamos, se fantasie! A-lá-lá-ô...!

1979
.

Pink Dog
[Rio de Janeiro]

The sun is blazing and the sky is blue.
Umbrellas clothe the beach in every hue.
Naked, you trot across the avenue.

Oh, never have I seen a dog so bare!
Naked and pink, without a single hair...
Startled, the passersby draw back and stare.

Of course they're mortally afraid of rabies.
You are not mad; you have a case of scabies
but look intelligent. Where are your babies?

(A nursing mother, by those hanging teats.)
In what slum have you hidden them, poor bitch,
while you go begging, living by your wits?

Didn't you know? It's been in all the papers,
to solve this problem, how they deal with beggars?
They take and throw them in the tidal rivers.

Yes, idiots, paralytics, parasites
go bobbing int the ebbing sewage, nights
out in the suburbs, where there are no lights.

If they do this to anyone who begs,
drugged, drunk, or sober, with or without legs,
what would they do to sick, four-legged dogs?

In the cafés and on the sidewalk corners
the joke is going round that all the beggars
who can afford them now wear life preservers.

In your condition you would not be able
even to float, much less to dog-paddle.
Now look, the practical, the sensible

solution is to wear a fantasía.
Tonight you simply can't afford to be a-
n eyesore... But no one will ever see a

dog in máscara this time of year.
Ash Wednesday'll come but Carnival is here.
What sambas can you dance? What will you wear?

They say that Carnival's degenerating
— radios, Americans, or something,
have ruined it completely. They're just talking.

Carnival is always wonderful!
A depilated dog would not look well.
Dress up! Dress up and dance at Carnival!

1979
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

É Maravilhoso Despertar Juntas…
É maravilhoso despertar juntas
No mesmo minuto; maravilhoso ouvir
A chuva começando de repente a crepitar no telhado,
Sentir o ar limpo de repente
Como se percorrido pela eletricidade
Numa rede negra de fios no céu.
No telhado, a chuva cai, tamborilando,
E cá embaixo, caem beijos brandos.

Uma tempestade está chegando ou indo embora;
É o ar carregado que nos desperta.
Se um raio caísse na casa agora, desceria
Das quatro bolas azuis de porcelana lá no alto,
Se espalhando pelo telhado e os para-raios a nossa volta,
E imaginamos, sonhadoras,
Que a casa inteira, uma gaiola de energia elétrica,
Seria muito agradável, e nada tétrica.

E do mesmo ponto de vista simplificado
Da noite, e de estar deitadas,
Todas as coisas poderiam mudar com igual facilidade,
Pois por esses fios elétricos negros
Seríamos sempre alertados. Sem surpresa, 
O mundo poderia virar algo muito diferente.
  Tal como o ar muda ou o relâmpago cai sem piscarmos,
Como estão mudando nossos beijos sem pensarmos.
.

It is Marvellous to Wake Up Together
It is marvellous to wake up together
At the same minute; marvellous to hear
The rain begin suddenly all over the roof,
To feel the air suddenly clear
As if electricity had passed through it
From a black mesh of wires in the sky.
All over the roof the rain hisses,
And below, the light falling of kisses.

An electrical storm is coming or moving away;
It is the prickling air that wakes us up.
If lighting struck the house now, it would run
From the four blue china balls on top
Down the roof and down the rods all around us, 
And we imagine dreamily
How the whole house caught in a bird-cage of lightning
Would be quite delightful rather than frightening;

And from the same simplified point of view
Of night and lying flat on one's back
All things might change equally easily,
Since always to warn us there must be these black
Electrical wires dangling. Without surprise
The world might change to something quite different,
  As the air changes or the lightning comes without our blinking,
Change as our kisses are changing without our thinking.
- Elizabeth Bishop, em "Poemas escolhidos — Elizabeth Bishop". [seleção, tradução e textos introdutórios Paulo Henriques Britto]. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

§

Para Manuel Bandeira, com um presente
Eis, páginas abertas, os teus livros. 
Desejo, é claro, agradecer-te, embora
não possa me esquecer de que nós dois
falamo-nos bem pouco até agora.

Dois poetas sem par, embaraçados
porque trocar palavras é difícil. 
Mas como disse Joe McCarthy: "Nada 
ouvi mais inaudito do que isso!"

Tradutor cada qual da língua do outro!
(Um título que julgo merecer.)
O maior, ainda jovem, esculpido
em bronze e já famoso em seu  mister,

a quem a Fama – e Miss Brasil – sorriram!
É homem de ficar sem dizer nada 
quem, galante, verteu Elinor Glyn  
numa prosa bem mais sofisticada – 

e pôs na boca de Tarzã, que mal
falava, certa graça do latim,
refinando o selvagem de Edgar Burroughs?
É justo que se cale alguém assim?

Não sou, no que me tange, raconteur,
sou fraca em minhas réplicas não raro;
meus amigos, porém, de língua inglesa
receio que dirão que jamais paro:

que falo e falo sempre, às vezes dias 
a fio, sem dar sinal de que a conversa
possa cessar, de que me conviria
trocá-la por qualquer coisa diversa.

Conversas e conservas que melaram!
Saibas porém: jamais achei que, para
dizer "Teu livro é bom; eu gostei muito", 
damascos sejam a expressão mais clara; 

tampouco me parece que a conversa 
possa implicar: "Ofuscas teus rivais"...
Não acho não, porém recebe e passa  
no pão meus elogios cordiais.

Que fale ao teu estômago de poeta,
Manuel, o doce mudo – docemente.
Aceita mais uma vez minha amizade 
e um pote de geléia de presente.
.


To Manuel Bandeira, with a present
Your books are here; their pages cut.
Of course I want to thank you, but
how can I possibly forget
that we have scarcely spoken yet?

Two mighty poets at a loss,
unable to exchange a word,
to quote McCarthy, "It's the most
unheard-of thing I've ever heard!"

Translators of each other's tongue!
(I think that I may make this claim.)
The greater, relatively young,
sculptured in bronze and known to Fame!

Smiled on by Fame and Miss Brazil:
Is this the man to keep so still?
The gallant man who rendered in
more graceful language Elinor Glyn?

Gave lovely Latin things to utter
to Tarzan, who could barely mutter,
and polished Edgar Burrough's brute?
Should such a man as this be mute?

And I, I am no raconteur,
my repartee is often weak,
but English-speaking friends, I fear,
would tell you I can speak,

and speak, and speak, sometimes for days,
not giving any indication
of stopping or of feeling the need
of substitutes for conversation.

O conversations gone to pot!
– But please believe I've never thought 
"Your book is fine; I like it lots,"
Is best expressed by apricots;

"You put all rivals in the shade,"
is well-implied in marmalade…
I haven't; but accept and spread
these compliments upon your bread,

and, Manuel, may this silent jelly
speak sweetly to your Poet's belly
and once more let me say I am
devoted with a jar of jam.
- Elizabeth Bishop, em "Poesia alheia: 124 poemas traduzidos". [tradução e Organização Nelson Ascher]. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998.

§

Acalanto *

III

Nana nana.
Nana, dorme o adulto
E a criança dorme.
Ao largo, ferido de morte, naufraga
O navio enorme.

Nana nana.
Batalhem os povos
E morram: não faz diferença.
A sombra do berço desenha uma imensa
Gaiola no muro.

Nana nana.
Breve a guerra acaba.
Solta esse brinquedo
Bobo, e apanha a lua,
Que é melhor brinquedo.

Nana nana.
Se acaso disserem
Que não tens juízo,
Não dês importância:
Sorri o teu sorriso.

Nana nana.
Nana, dorme o adulto
E a criança dorme.
Ao largo, ferido de morte, naufraga
O navio enorme.
.

Songs for a colored singer 

III

Lullaby.
Adult and child
sink to their rest.
At sea the big ship sinks and dies,
lead in its breast.

Lullaby.
Let mations rage,
let nations fall.
The shadow of the crib makes an enormous cage
upon the wall.

Lullaby.
Sleep on and on,
war's over soon.
Drop the silly, harmless toy,
pick up the moon.

Lullaby.
If they should say
you have no sense,
don't you mind them; it won't make
much difference.

Lullaby.
Adult and child
sink to their rest.
At sea the big ship sinks and dies,
lead in its breast.
- Elizabeth Bishop "Acalanto"|"Songs for a colored singer" (1946).. [tradução Manuel Bandeira]. em "Estrela da vida inteira – Manuel Bandeira". 1ª ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.
* O poema é composto de quatro cantos. o trecho acima corresponde ao terceiro.

§

ELIZABETH BISHOP TRADUTORA DOS POETAS BRASILEIROS

Vinicius de Moraes - em tradução de Elizabeth Bishop

Sonnet of intimacy
Farm afternoons, there’s much too much blue air.
I go out sometimes, follow the pasture track,
Chewing a blade of sticky grass, chest bare,
In threadbare pajamas of three summers back,

To the little rivulets in the river-bed
For a drink of water, cold and musical,
And if I spot in the brush a glow of red,
A raspberry, spit its blood at the corral.

The smell of cow manure is delicious.
The cattle look at me unenviously
And when there comes a sudden stream and hiss

Accompanied by a look not unmalicious,
All of us, animals, unemotionally
Partake together of a pleasant piss.
.

Soneto de intimidade
Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

****

Manuel Bandeira - em tradução de Elizabeth Bishop

My last poem 
I would like my last poem thus
That it be gentle saying the simplest and least intended things
That it be ardent like a tearless sob
That it have the beauty of almost scentless flowers
The purity of the flame in which the most limpid diamonds are consumed
The passion of suicides who kill themselves without explanation.
.

O último poema
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

§

Brazilian tragedy
Misael, civil servant in the Ministry of Labor, 63 years old,
Knew Maria Elvira of the Grotto: prostitute, syphilitic, with ulcerated fingers, a pawned wedding ring and teeth in the last stages of decay.
Misael took Maria out of “the life”, installed her in a two-storey house in Junction City, paid for the doctor, dentist, manicurist… He gave her everything she wanted.
When Maria Elvira discovered she had a pretty mouth, she immediately took a boy-friend.
Misael didn’t want a scandal. He could have beaten her, shot her, or stabbed her. He did none of these: they moved.
They lived like that for three years.
Each time Maria Elvira took a new boy-friend, they moved.
The lovers lived in Junction City. Boulder. On General Pedra Street, The Sties. The Brickyards. Glendale. Pay Dirt. On Marquês de Sapucaí Street in Villa Isabel. Niterói. Euphoria. In Junction City again, on Clapp Street. All Saints. Carousel. Edgewood. The Mines. Soldiers Home…
Finally, in Constitution Street, where Misael, bereft of sense and reason, killed her with six shots, and the police found her stretched out, supine, dressed in blue organdy.
.

Tragédia brasileira
Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade, conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura… Dava tudo o que ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos…
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

****

Carlos Drummond de Andrade - em tradução de Elizabeth Bishop

Infancy 
My father got on his horse and went to the field.
My mother stayed sitting and sewing.
My little brother slept.
A small boy alone under the mango trees,
read the story of Robinson Crusoe,
the long story that never comes to an end.
At noon, white with light, a voice that had learned
lullabies long ago in the slave-quarters — and never  forgot —
called us for coffee.
Coffee blacker than the black old woman
delicious coffee
good coffee.
My mother stayed sitting and sewing
watching me:
Shh — don't wake the boy.
She stopped the cradle when a mosquito had lit
and gave a sigh . . . how deep!
Away off there my father went riding
through the farm's endless wastes.
And didn't know that my story
was prettier than that of Robinson Crusoe.
.

Infância 
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a historia de Robinson Crusoé.
Comprida historia que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz urna voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala — e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
— Psiu . . . Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro . . . que fundo!
La longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha historia
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

§

Seven-sided Poem
When I was born, one of the crooked
angels who live in shadows, said:
Carlos, go on! Be gauche in life.

The houses watch the men,
men who run after women.
If the afternoon had been blue
there might have been less desire.

The trolley goes by full of legs:
white legs, black legs, yellow legs.
My God, why all the legs?
my heart asks. But my eyes
ask nothing at all.

The man behind the moustache
is serious, simple, and strong.
He hardly ever speaks.
He has a few, choice friends,
the man behind the spectacles and the moustache.

My God, why has Thou forsaken me
if Thou knew’st I was not God,
if Thou knew’st I was weak?

Universe, vast universe,
if I had been named Eugene
that would not be what I mean
but it would go into verse
faster.
Universe, vast universe,
my heart is vaster.

I oughtn’t to tell you,
but this moon
and this brandy
play the devil with one’s emotions.
.

Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.



Elizabeth Bishop - foto: Arquivo 'O Cruzeiro'| EM/D.A Press
FORTUNA CRÍTICA DE ELIZABETH BISHOP
ALMEIDASandra Regina GoulartGALERYMaria Clara VersianiPENNASílvia Maria Oliveira. (orgs.). Deslumbrante Dialética: O Brasil no olhar de Elizabeht Bishop. 1ª ed., Belo Horizonte: UFMG, 2012, v. I.
ALMEIDA, Sandra Regina Goulart.. The Politics and Poetics of Travel: The Brazil of Elizabeth Bishop and P. K. Page. Ilha do Desterro (UFSC), v. 57, p. 105-116, 2010.
ALPENDRE, Sérgio. Crítica: Filme 'Flores Raras' é corajoso, mas não tão arrojado como pede a trama. in: Ilustrada - Folha de S. Paulo, 16/8/2013. Disponível no link. (acessado em 13.7.2016).
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ANASTÁCIO, Sílvia Maria Guerra; CORREA, S. C. S.; GOMES, A. A.; ROSA, G. A.; JESUS, P. S.; DIAS. R. B.. Na Vila, Elizabeth Bishop. 1ª ed., Salvador: Edufba, 2011. v. 1. 50p.
BALBIO, Marcelo. A história da filha adotiva do triângulo entre Mary Morse, Lota de Macedo e Elizabeth Bishop. in: O Globo, 26.1.2014. Disponível no link. (acessado em 13.7.2016).
BARBOSA, Elisabete da Silva. Identidades entrelaçadas: uma visita ao Brazil, de Elizabeth Bishop. (Dissertação Mestrado em Estudo de Linguagens). Universidade do Estado da Bahia, UNEB, 2010.
BARBOSA, Elisabete da Silva. Mitos relacionados à água na poesia de Elizabeth Bishop. (Monografia Graduação em Língua Estrangeira). Universidade Federal da Bahia, UFBA, 2002.
BARBOSA, Elisabete da Silva; ANASÁCIO, Silvia Maria Guerra. Marginalização social nas manchetes do Rio de Janeiro: O ladrão da Babilônia por Elizabeth Bishop. Revista da ANPOLL (Impresso), Gramado, Rio Grande do Sul, v. 11, p. 165-188, 2003.
BARBOSA, Elisabete da Silva; ANASÁCIO, Silvia Maria Guerra. Lendas brasileiras e a poesia de Elizabeth Bishop. Manuscrítica (São Paulo), v. 11, p. 165-188, 2003.
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Elizabeth Bishop
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Glória Pires e Miranda Otto em Flores raras (2013), de Bruno Barreto
FILMOGRAFIA
Filme: Flores raras
Sinopse: A história de amor entre Elisabeth Bishop (poeta americana vencedora do Prêmio Pulitzer em 1956) e Lota de Macedo Soares (“arquiteta” carioca que idealizou e supervisionou a construção do Parque do Flamengo). Ambientado no Brasil dos anos 50 e 60, quando a Bossa Nova explodia e Brasília era construída e inaugurada, o longa acompanha a história dessas duas grandes mulheres e suas trajetórias inversas. o filme é baseado no livro "Flores raras e banalíssimas", de Carmen Lucia Oliveira. (Rio de Janeiro: editora Rocco, 1995).
Ano: 2013
Ficha técnica
Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Carolina Kotscho e Matthew Chapman
Produtor: Paula Barreto e Lucy Barreto
Produção executiva: Rômulo Marinho
Direção de produção: Claudia Novaes
Direção de arte: José Joaquim Salles
Direção de fotografia: Mauro Pinheiro
Figurino: Marcelo Pies
Elenco: Gloria Pires (Lota Macedo de Soares); Miranda Otto (Elizabeth Bishop); Tracy Middendorf (Mary Morse); Treat Williams (Robert Lowell); Marcelo Airoldi (Carlos Lacerda); Luciana Souza (Joana); Tânia Costa (Dindinha); Marianna Mac Nieven (Malu).
Co-produção: Globo Filmes, LC Barreto
Distribuição: Imagem Filmes
:: Filme Flores Raras {completo}: Online Movie (acessado em 11.7.2016)


AMIZADES E AMORES


Lotta e Bishop com Harold Leeds e Wheaton Galentine - NovaYork

Elizabeth Bishop e Robert Lowell


Louise Crane and Elizabeth Bishop in New York, 1940


Elizabeth Bishop ao lado de Aldous Huxley, durante a viagem que realizaram
pelo Brasil, até o Amazonas - Jornal do Brasil/Arquivo Folha


Elizabeth Bishop com índios em visita à Amazônia


Robert Lowell e Elizabeth Bishop - em 1962 (Image courtesy of Vassar College
 Library Archives & Special Collections, New York)

MANUSCRITOS/CARTA
Manuscrito de Carta de Elizabeth para Portinari (acervo Portinari)


Manuscrito da Carta de Portinari a Elizabeth (acervo Portinari)


Desenho de José Alberto Nemer (1980) e poesia de Elizabeth Bishop  


BISHOP E SEUS RECANTOS NO BRASIL
A casa Samambaia de Lotta de Macedo Soares - Petrópolis -RJ (1951)
projeto assinado pelo arquiteto Sergio Bernardes
"O que tem de fauna e flora aqui parece um sonho. Chega a ser difícil de acreditar. Além de uma profusão de montanhas nada práticas, e nuvens que entram e saem pela janela do quarto..."
-  Elizabeth Bishop

A casa 'Samambaia' - em Petrópolis|RJ
Construção geométrica por planos.  A casa é dividida em cinco zonas bem definidas: galeria e circulação; cozinha e jantar; ala íntima; dependências de hóspedes e de empregados. Mais uma sala de estar, esta disposta perpendicularmente ao corpo principal. Tal arranjo confere à casa um perímetro de recorte irregular, e clareza a setorização dos ambientes: social no centro, serviço ao fundo e duas zonas íntimas nas extremidades.
Destaca-se a ala dos dormitórios que dispõe de uma sala de estar própria, a ala reservada aos hóspedes e aos quartos de empregados estão em extremos opostos aos quartos principais, oferecendo assim a máxima liberdade aos seus ocupantes. Deve-se notar, ainda, a naturalidade com que essa casa se insere no quadro majestoso das montanhas que lhe servem de fundo.

A casa obteve o prêmio para obras de arquitetos abaixo de 40 anos na II Bienal de São Paulo, em 1954, conferido por júri ilustre integrado por Alvar Aalto, Walter Gropius e Ernest Rodger.

Com autoria do arquiteto brasileiro Sergio Bernardes (1919 - 2002), essa “residência-galpão”, embora ainda artesanal, foi o primeiro experimento consistente do uso de estruturas metálicas no Brasil. A sobriedade e economia de suas formas retas e planos abertos incorporava a paisagem e a rusticidade dos materiais locais.



"A Lota anda muito animada. A casa dela ganhou o primeiro lugar num concurso para arquitetos com menos de quarenta anos, ou coisa parecida. Gropius foi um dos juízes, e é claro que a Lota está orgulhosíssima porque ela sabe, e eu sei, e mais alguns amigos, que todas as idéias boas foram dela e não do arquiteto, por mais simpático que ele seja."
- Elizabeth Bishop

. fonte e outras informações: Instituto Lotta




Casa de Elizabeth Bishop em Ouro Preto|MG - foto: Ruy Teixeira e Marcio Rodrigues

A casa Mariana - em Ouro Preto|MG
Nos primeiros anos, em Ouro Preto, a poeta se hospedava no Pouso Chico Rei. Nemer não se esquece do verso bem-humorado que Elizabeth fez. “Fica para Shakespeare e Milton, o Hilton. Eu ficarei no Chico Rei”, numa referência à rede de hotéis e à pequena pousada. Com o tempo, veio a vontade de ter um pouso definitivo e surgiu, em 1965, a oportunidade de comprar aquela que se tornou a Casa Mariana, nome em homenagem a Marianne Moore (1887-1972). Como o imóvel precisava de restauração, a amiga Lili Correia de Araújo, viúva do pintor pernambucano Pedro Corrêa de Araújo, dono de algumas casas na cidade, ficou encarregada de supervisionar as obras.
Casa de número 546 que Elizabeth Bishop comprou, reformou, mobiliou e onde morou bem pouco, na verdade, de julho/1969 a setembro/1970, e que assim a descrevia como tendo “um enorme jardim murado e o telhado mais bonito de Ouro Preto”. Depois disso, fez visitas esporádicas depois e em 1974 solicitou o despacho de todos os seus livros para Boston, de onde não saiu mais.
O artista plástico José Alberto Nemer, nascido em Ouro Preto e residente em Belo Horizonte, conheceu a poeta, em 1968, num almoço na casa do artista plástico Carlos Scliar (1920-2001). Ficaram amigos íntimos e, mais tarde, Linda, sua irmã, também. “Sei desse amor de Elizabeth pela cidade. Em 1953, ela enviou carta à amiga, de influência intelectual, Marianne Moore e falou da viagem, destacando que Ouro Preto era o único lugar do Brasil que desejava conhecer.” A paisagem, por sinal, mereceu o comentário: “As igrejas e capelas brancas, com detalhes em pedra-sabão de um cinza avermelhado, são excelentes na minha opinião”. Quem visita a casa sabe que, de perto ou longe, é quase uma poesia barroca, pela arquitetura e integração à paisagem.
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Leia mais:
:: GALERIA de fotos da Casa Mariana de Elizabeth Bishop em Ouro Preto|MG. in: Estado de Minas. Disponível no link. (acessado em 13.7.2016).
:: MORBECK, Amandinha. A casa onde Elizabeth Bishop morou em Ouro Preto. in: viajando com aman, 7 agosto de 2013. Disponível no link. (acessado em 13.7.2016).
:: NEMER, José Alberto. Poesia pura na casa de Elizabeth Bishop. in: Casa Vogue - Interiores, 20.8.2013. Disponível no link. (acessado em 13.7.2016).
:: TOLEDO, Roberto Pompeu de.. Uma casa para Elizabeth. in: revista piauí, ed., 59, agosto de 2011. Disponível no link. (acessado em 13.7.2016).

Interior da Casa Elizabeth Bishop - foto: Ruy Teixeira e Marcio Rodrigues 



Lotta de Macedo Soares - foto: Calazans/AJB


Lotta de Macedo Soares e Mary Stearns Morse 


Linda e Bishop no verão de 1972, em Massachusetts, EUA

Elizabeth-Bishop - foto: Alice Helen Methfessel
OUTRAS FONTES E REFERÊNCIAS DE PESQUISA
:: Elizabeth Bishop - centenário (2014)
:: Instituto Lotta - Cultura e Arte-educação
:: Poetry Foundation - Elizabeth Bishop


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Elizabeth Bishop - uma cartografia poética. Templo Cultural Delfos, julho/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 14.7.2016.




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