Nei Duclós - o poeta das travessias

Nei Duclós - foto: Naná Monteiro/divulgação
"Quero um sorriso que dure uma quadra e dobre a esquina a iluminar-me."
- Nei Duclós, do poema 'Quero um sorriso', no livro "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.
 


Nei Carvalho Duclós ( Jornalista e escritor). Nasceu em Uruguaiana RS, em 29 de outubro de 1948formado em história pela USP, atualmente reside em Florianópolis SC. Nei Duclós começou a revelar sua poesia a partir de 1969, quando foi para praça pública expor poemas junto com outros autores. Reuniu primeiro estes trabalhos em duas coletâneas mimeografadas e depois no seu livro de estréia, Outubro. Seu segundo livro - 'No meio da rua' - com prefácio de Mario Quintana e o terceiro 'No mar, veremos' tem apresentação de Mario Chamie. Participou de diversas antologias desde os anos 70. É jornalista profissional desde 1970, tendo trabalhado em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como Folha de S. Paulo, Istoé e Senhor. Tem ensaios, crônicas e reportagens publicados em Zero Hora, Veja, Escrita, Bravo!, Arte Hoje, Globo Rural, entre outros. Trabalhou em comunicação corporativa e publicidade nas empresas Propague, Hífen e Fiesp. Tem poemas traduzidos para o italiano pela revista Sagarana (Lucca) e inglês para a Rattapalax (Nova York). Mantém dois espaços permanentes na internet: o site Consciência, e o blog Outubro.

“Lento e bruto
     Eu mudo
Sei que vem
   Outubro” 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 


Foto dos  livros de Nei Duclós -  autoria de Naná Monteiro

OBRA DE NEI DUCLÓS
Poesia
:: Outubro. [diagramação Juarez Fonseca; ilustrações, capa e apresentação Claudio Levintan]. Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.
:: No meio da rua. [prefácio Mario Quintana; apresentação Juarez Fonseca; capa Ivan Pinheiro Machado]. Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.
:: No mar, veremos. [prefácio de Mario Chamie]. São Paulo: Editora Globo, 2001.

:: Partimos amanhã. Porto Alegre RS: IEL; CORAG, 2012.

Romance
:: Universo baldio. [apresentação Raduan Nassar]. São Paulo: W11 Editores/ Francis, 2004.

Nei Duclós, por P. Caruso (1984)
:: Tudo o que pisa deixa rastro. Florianópolis SC: Edições do autor, 2015.

Contos e crônicas
:: O refúgio do príncipe - histórias sopradas pelo vento.
[ilustrações Fábio Abreu]. Florianópolis SC: Editora Empreendedor, 2006.

Reportagem
:: Laguna obra e paisagem. Florianópolis SC: selo de literatura Cartaz; Editora Expressão, 2012.


Ensaios
:: Todo filme é sobre cinema. {coleção Aldus}, Vol. 40.  São Leopoldo RS: Editora Unisinos, 2014.


História
:: A marcha do grão de ouro. (SOJA: a cultura que mudou o Brasil). Florianópolis SC: Editora Expressão, 2014.

Infanto-juvenil
:: Diogo e Diana - Meu vizinho tem um ROTTWEILER(e jura que ele é manso...).. [autores Nei Duclós e
Tabajara Ruas].. {Série Diogo & Diana}. Vol. 1, São Paulo: Galera Record, 2007.
:: A trilha da lua cheia.
[autores Nei Duclós e Tabajara Ruas].. {Série Diogo & Diana}. Vol. 2, São Paulo: Galera Record, 2011.

Em e-book*
:: Arraso - poemas de amor (poemas). Edições do Autor, 2012.

:: Jack o marujo – um romance de aventuras em twites (romance). Edições do Autor, 2012. 
:: Beijo entre nuvens (crônicas). Edições do Autor, 2012.
:: Outubro. edição fac-similar, 1975 (poemas). Edições do Autor, 2012. 
:: Pampabismo/enigminas: conversos (poemas). Edições do Autor, 2013.
:: Cálida palavra
(poemas). Edições do Autor, 2013.
:: Trovador
(poemas). Edições do Autor, 2014.
:: Verso esparso
(poemas). Edições do Autor, 2014.
:: Mágico deserto - contos fora de forma (contos). Edições do Autor, 2014.

:: Semeador (poemas). Edições do Autor, 2015.
(*) Adquira seu exemplar, escrevendo para o autor: (neiduclos@gmail.com)


Antologia (participação)
BLANCO, Ramón Alfredo (coord. editorial). Antología Poética del Río Uruguay (Antologia Poética do Rio Uruguai). Paso de los Libres AR: Ediciones Municipales Paso de los Libres, 2008. 
CAMARGO, Dilan (org.). Antologia do sul - poetas contemporâneos do RS. Porto Alegre RS: Assembleia Legislativa do Estado do RS; Metrópole Gráfica, 2001. Disponível em pdf no link. (acessado em 1.2.2016). 


Nei Duclós - foto: acervo do autor
Artigos, crônicas e ensaios em jornais e revistas
DUCLÓS, Nei. TomZé, torcendo as regras do jogo. in: Folha de S. Paulo, Ilustrada, 31.3. 1978. republicado em Consciecia, 4 mar. 2011. Disponível no link. (acessado em 1.3.2016).
_______ . “Abertura” diante do espelho. in: Ilustrada, Folha de São Paulo, São Paulo, 28/6/1979, p. 46.
_______ . Design, enfim uma polêmica. Istoé Senhor, Maio, 19, 1982, p. 63.
_______ . O fôlego, o fole, o sopro. in: La Insignia, Brasil, julho de 2004. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016)
_______ . 2001: O filme feito no futuro. in: La Insignia, Brasil, janeiro de 2005. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . O enigma Rosebud. in: La Insignia. Brasil, fevereiro de 2005. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016)
_______ . Ver é saber em Kubrick. in: La Insignia. Brasil, fevereiro de 2005. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Shosha: Não há respostas, apenas encantamento. in: La Insignia, Brasil, agosto de 2005. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . A arte por um fio. in: La Insignia. Brasil, abril de 2006. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016). 
_______ . É de trem que eu preciso. in: La Insignia, Brasil, abril de 2006. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Leitura da poesia selvagem. in: Nankin Editorial, novembro de 2006. Disponível no link. (acessado em 1.2.2016).
_______ . A síndrome do último. in: O Guarucá, 11.10.2007. Disponível no link. (acessado em 1.2.2016).
_______ . Palavra perdida. in: Jornal Opção, edição 1855 de 23 a 29 de janeiro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O ego e sua sombra. in: Jornal Opção, edição 1861 de 6 a 12 de março de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Livro é pedreira. in: Jornal Opção, edição 1862 de 13 a 19 de março de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Em busca do cânone. in: Jornal Opção, edição 1866 de 10 a 16 de abril de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . “Socialismo”, de Godard: o desafio de entender. in: Jornal Opção, edição 1868 de 24 a 30 de abril de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).

_______ . Justiçamento em ato de guerra. in: Jornal Opção, edição 1870 de 8 a 14 de maio de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Confronto entre narração e design. in: Jornal Opção, edição 1871 de 15 a 20 de maio de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O Suposto, um jornal isento. in: Jornal Opção, edição 1873 de 29 de maio a 3 de junho 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O discurso de ruptura no cinema. in: Jornal Opção, edição 1877 de 26 junho a 2 de julho de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Uma religião oficial. in: Jornal Opção, edição 1880 de 17 a 23 de julho de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Billy Wilder abre o baú de Sherlock Holmes. in: Jornal Opção, edição 1881 de 24 a 28 de julho de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Mídias sociais: o desafio teórico. in: Jornal Opção, edição 1882 de 31 de julho a 6 de agosto de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Intocáveis: Pretty Woman da era Facebook. in: Revista Bula, 8.10.2010. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . The Front Page: atualidade de um clássico. in: Jornal Opção, edição 1883 de 7 a 13 de agosto de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O stand up é um perigo. in: Jornal Opção, edição 1884 de 14 a 20 de agosto de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).

_______ . Acaso e fortuna em Eric Rohmer. in: Jornal Opção, edição 1885 de 21 a 27 de agosto de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Amigos do peito. in: Jornal Opção, edição 1886 de 28 de agosto a 3 de setembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Fellini: a festa da insanidade. in: Jornal Opção, edição 1887 de 4 a 10 de setembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016). 
_______ . As cartas perdidas. in: Jornal Opção, edição 1888 de 11 a 17 de setembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . John Huston: a maldade e seu avesso, a coragem. in: Jornal Opção, edição 1889 de 18 a 24 de setembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Wim Wenders: o voo do flâneur. in: Jornal Opção, edição 1890 de 25 de setembro a 1 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Kurosawa, viver no apocalipse. in: Jornal Opção, edição 1891 de 2 a 8 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
Nei Duclós - foto: Nana Monteiro/ND online
_______ . As cartas perdidas de Caio Fernando Abreu (parte 2). in: Jornal Opção, edição 1892 de 9 a 15 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cartas Perdidas. in: 15 anos sem caio blog, 12 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Um poema de Tomas Tranströmer (Nobel de Literatura 2011). in: Jornal Opção, edição 1893 de 16 a 22 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Macbeth: o destino traído pela profecia. in: Jornal Opção, edição 1894 de 23 a 29 de outubro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cartas Perdidas de Caio Fernando Abreu (parte 3). in: Jornal Opção, edição  1895 de 30 outubro a 5 de novembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . O massacre como narrativa. in: Jornal Opção, edição  1896 de 6 a 12 de novembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Alejo Carpentier e a origem do romance. in: Jornal Opção, edição 1898 de 20 a 26 de novembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Fair Game: a verdade é um alvo fácil. in: Jornal Opção, edição 1900 de 4 a 10 de dezembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Soma de cinema. in: Jornal Opção, edição 1905 de 8 a 14 de janeiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Livro cúmplice. in: Jornal Opção, edição 1906 de 15 a 21 de janeiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Livro cúmplice. in: Revista Bula. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Gogol: a hierarquia social na origem da insânia. in: Jornal Opção, edição 1907 de 22 a 28 de janeiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A execução. in: Jornal Opção, edição 1908 de 29 de janeiro a 4 de fevereiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . O normal e o bizarro. in: Jornal Opção, edição 1909 de 5 a 11 de fevereiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . A força do gesto fragilizado (Pina, de Wim Wenders). in: Jornal Opção, edição 1910 de 12 a 18 de fevereiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O clichê funciona. in: Jornal Opção, edição 1911 de 19 a 25 de fevereiro de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . A mala que guardava segredos. in: IEL/RS, 3.3.2011. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ .Tintin: uma antologia do cinema. in: Jornal Opção, edição 1913 de 4 a 10 de março de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Scorsese e a segunda morte do cinema. in: Jornal Opção, edição 1914 de 11 a 17 de março de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Amor é transparência. in: Jornal Opção, edição 1916 de 25 a 31 de março de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Não há respostas, apenas encantamento. in: Jornal Opção, edição 1917 de 1 a 7 de abril de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Madame Bovary - O romance maior. in: Jornal Opção, edição 1918 de 8 a 14 de abril de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Truman Capote refilmado. in: Jornal Opção, edição 1919 de 15 a 21 de abril de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Amor pós-romântico. in: Jornal Opção, edição 1920 de 22 a 28 de abril de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Todo filme é sobre cinema. in: Jornal Opção, edição 1921 de 29 de abril a 5 de maio de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Oriente, a invenção rebelde. in: Jornal Opção, edição 1922 de 6 a 12 de maio de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Anatólia: exumação e autópsia de Clark Gable. in: Jornal Opção, edição 1923 de 13 a 19 de maio de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A transgressão do autor desnuda os mitos. in: Jornal Opção, edição 1925 de 27 de maio a 2 de junho de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . John Ford e o renascimento de uma nação. in: Jornal Opção, edição 1926 de 3 a 9 de junho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Estrelas e escritores. in: Jornal Opção, edição 1927 de 10 a 16 de junho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O olhar oculto. in: Jornal Opção, edição 1947 de 28 de 1929 de 24 a 30 de junho de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
Nei Duclós abril 2012 - foto: acervo do autor
_______ . Ambiguidade e denúncia. in: Jornal Opção, edição 1930 de 1 a 7 de julho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Status e soberania em My Fair Lady. in: Jornal Opção, edição 1931 de 8 a 14 de julho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . King Kong: a diferença domada. in: Jornal Opção, edição 1932 de 15 a 21 de julho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cinema na fronteira da história. in: Jornal Opção, edição 1933 de 22 a 28 de julho de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Sereias de dois mundos. in: Jornal Opção, edição 1934 de 29 de julho a 4 de agosto de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . A Espanha de Javier Cercas. in: Jornal Opção, edição 1935 de 5 a 11 de agosto de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . As distorções de Luc Besson. in: Jornal Opção, edição 1936 de 12 a 18 de agosto de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O boxeador Lobato de Urupês. in: Jornal Opção, edição 1937 de 19 a 25 de agosto de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Arqueologia no deserto. in: Jornal Opção, edição 1938 de 26 de agosto a 1º de setembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Especial Samuel Fuller. in: Revista Bula, 22.8.2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Monteiro Lobato: alma de boxeador. in: Revista Bula, 28.8.2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016). 
_______ . A música marítima de Cecília Meireles. in: Jornal Opção, edição 1940 de 9 a 15 de setembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O que fizemos de nossas vidas? Fomos ao cinema. in: Jornal Opção, edição 1941 de 16 a 22 de setembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Shosha, de Isaac Bashevis Singer. in: Revista Bula, 17.9.2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016)
_______ . O escritor em seu labirinto. in: Jornal Opção, edição 1942 de 23 a 29 de setembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . “Intocáveis”: “Pretty Woman” da era Facebook. in: Jornal Opção, edição 1943 de 30 de setembro a 6 de outubro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Ver, o verbo do cinema. in: Revista Bula, 27.9.2012.  Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Chaplin, Ford e Keaton em três obras primas. in: Jornal Opção, edição 1944 de 7 a 13 de outubro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Michelet: um poeta inventa a história. in: Jornal Opção, edição 1945 de 14 a 29 de outubro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A prisão das ideias na mente mediana. in: Jornal Opção, edição 1946 de 21 a 27 de outubro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O livro no avesso do abismo. in: Jornal Opção, edição 1947 de 28 de outubro a 3 de novembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . A Revolução Francesa numa visão libertina. in: Jornal Opção, edição 1948 de 4 a 10 de novembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Alain Resnais e o cinema da memória. in: Jornal Opção, edição 1949 de 11 a 17 de novembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . David Toscana, Francisco Coloane e Carlos Maria Dominguez: três paisagens literárias. in: Revista Bula, 2.12.2012. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . México, Uruguai, Chile: três paisagens literárias. in: Jornal Opção, edição 1950 de 18 a 24 de novembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O pai ausente na escolha de Sophia. in: Jornal Opção, edição 1951 de 25 de novembro a 1º de dezembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Contos russos, nossos contemporâneos. in: Jornal Opção, edição 1952 de 2 a 8 de dezembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Borges e Neruda: o gênio além da ideologia. in: Jornal Opção, edição 1953 de 9 a 15 de dezembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Drummond, Quintana, Cabral: diversidade no cânone. in: Jornal Opção, edição 1954 de 16 a 22 de dezembro de 2012. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
Nei Duclós - foto: (...)
_______ . Woody Allen, o escritor de filmes. in: Jornal Opção, edição 1955 de 23 de dezembro a 2 de janeiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Bruno Tolentino, o poeta absoluto. in: Jornal Opção, edição 1957 de 6 a 12 de janeiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . O que pega em Lincoln. in: Jornal Opção, edição 1958 de 13 a 19 de janeiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cadeia, o grande sertão de Graciliano. in: Jornal Opção, edição 1960 de 27 de janeiro a 2 de Fevereiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cadeia, o grande sertão de Graciliano. in: Revista Bula, 18.2.2013. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . O épico e o lírico em “Os Miseráveis”. in: Jornal Opção, edição 1961 de 3 de janeiro a 9 de Fevereiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O épico e o lírico em "Os miseráveis". in: Revista Bula. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Armadilhas de um professor de vanguarda. in: Jornal Opção, edição 1962 de 10 a 16 de Fevereiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Literatura gaúcha no front. in: Jornal Opção, edição 1963 de 17 a 23 de fevereiro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . À margem de 1930: literatura e memória. in: Jornal Opção, edição 1964 de 24 de fevereiro a 2 de março de 2013. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Nabuco e a desfaçatez de Brás Cubas. in: Jornal Opção, edição 1965 de 3 a 9 de março de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Poesia, a linguagem de resistência. in: Jornal Opção, edição 1966 de 10 a 16 de março de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Cinema: o excesso cabeça. in: Jornal Opção, edição 1967 de 17 a 23 de março de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . A dúvida em Bacon e Descartes. in: Jornal Opção, edição 1969 de 31 de março a 6 de abril de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . Clint: inclusão na América mutante. in: Jornal Opção, edição 1970 de 7 a 13 de abril de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Invenção e perda do país em obras. in: Jornal Opção, edição 1973 de 28 de abril a 4 de maio de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Três romances exemplares. in: Jornal Opção, edição 1974 de 5 a 11 de maio de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Povo e música: o poder inventa o malandro. in: Jornal Opção, edição 1977 de 26 de maio a 1º de junho de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
Nei Duclós - foto (...)
_______ . A invenção da leitura. in: Jornal Opção, edição 1993 de 15 a 21 de setembro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A linhagem da influência. in: Jornal Opção, edição 1996 de 6 a 12 de outubro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . Pensar o Brasil: uma atividade em desuso?. in: Jornal Opção, edição 2000 de 3 a 9 de novembro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . O eu e suas memórias. in: Jornal Opção, edição 2002 de 17 a 23 de novembro de 2013. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
_______ . O que é Jornalismo Literário?. in: jornalismo literário blog, 29 de novembro de 2013. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
_______ . Mulher e juventude no cinema do irã. in: Jornal Opção, edição 2010 de 12 a 18 de janeiro de 2014. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . É preciso interferir no destino ou deixar que ele se cumpra?. in: Jornal Opção, edição 2061. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016).
_______ . A palavra que ninguém enterra (Tocaia na seca: as surpresas do novo romance de Moacir Japiassu). in: Literatura/Uma coisa e outra. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
:: Outros escritos do autor você pode encontrar no blog Outubro e no site Consciência.  

Entrevistas
VASCONCELLOS, Selmo. Nei Duclós (entrevista). in: Selmovasconcellos, 8 de abril de 2010. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).


Se eu estiver chegando
   Cuidado comigo
Que eu trago uma força
   Indestrutível:
O que se dispersa no mundo
   Em mim se resume 
 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

Nei Duclós - foto: (...)
POEMAS ESCOLHIDOS DE NEI DUCLÓS


A mão e o medo
Dias de tensão, dias de erro
a confusão e o medo
trocando posição
e distribuindo senhas
de guerra e de prisão

Dias em que teu movimento
enfrenta a barra da surpresa de
um inimigo
que por princípio, vence
 
A confusão e o medo
trocando posição
e distribuindo prêmios
(balas de canhão,
sombras, dinheiro)  

- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Abismo
 Nada prende o passageiro
e seu abismo de espelhos
onde reflete o destino
do tempo

Nada esconde o passageiro
e sua cabeça de estrelas
onde guarda bagagens
e vento

Nada espera o passageiro
no seu caminho de espanto
onde encontra a perdição
e o pranto

Nada perde o passageiro
com sua coragem sem bolso
onde enfrenta paredes
e fogo

Nada parte o passageiro
com sua arte de encontros
onde inaugura cidades
e sonho

- Nei Dúclos, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§ 

Abraço
Quero te dar um abraço modesto
do tamanho do mundo
pequeno em relação ao universo
enorme para nossos passos

Quero te dar um abraço profundo
que surpreenda as almas
apesar da idade
e que a gente morra quando se aperte
 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 

§ 


Alcatraz
Coração ferido escorre o luar
agulha de granizo em teu olhar
pássaro de vidro em terramar
velas que descuidam de voar

Sangra o sentimento nos corais
guizos de barulho pelo chão
ao me convocar não tens perdão
vivo de improviso em Alcatraz

No cárcere vazio foge a solidão
algemada com voz de prisão
moras no horizonte além do sol

Mel do teu abraço em tanto sal
rendas de espumante na paixão
plumas de correntes, falta o ar

- Nei Duclós, em "Arraso - poemas de amor". (E-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2012, p. 30. 

§ 

Amor em arte
O que seduz não é essa abordagem
é o ser em si, sem nenhum disfarce
no lugar de insistir na camuflagem
o dom de transformar amor em arte

Como se faz, se o mando é das feras
fica impossível romper a maquiagem
Amor não é conquista, mas entrega
me soprou aquela que mais quero

Amor é o armistício, não a guerra
o acordo que manobra as diferenças
teu riso frouxo quando o corpo acorda

qualquer truque joga o coração fora
melhor é desistir, a vida sabe a hora
e ficar atento à flor da tua espera
 
- Nei Duclós, em "Arraso - poemas de amor". (E-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2012, p. 21.

§

Amor estranho
Eu sou um poeta estranho
Não fumo, não jogo
não tomo banho

A não ser que seja água
que você apanhe
A não ser que seja fumo
que você prepare
A não ser que seja carta
e você ganhe

Você é um amor estranho
Não come, não passeia
não reclama

A não ser que seja eu
quem compre a carne
A não ser que seja praia
e eu te ame
A não ser que seja dor
e eu me cale

- Nei Duclós, em "No mar, veremos". São Paulo:  Editora Globo, 2001.

§ 

Amor é morar na palavra
Branco de ator
discurso gago
Trêmula mão na sessão
das quatro

Amor é teto de tesão
Declaração tingida
pela chuva
Busca sob o lampião
no verniz mofado

Amor é mudar-se
para a curva da
estação
e cutucar o verbo
majestático

Amor é dizer calado
o que provoca dor
no coração da frase
Carta na sarjeta
resto de embalagem

- Nei Duclós, em "Partimos amanhã". Porto Alegre RS: IEL; CORAG, 2012.


§ 


Aos que passam
Te ofereço um poema
feito com energia
e cultivado no ventre
do amor que carrego
 
Te ofereço um poema
na tarde nervosa dos teus passos
molhado com a distância
que percorro diariamente
e com a vontade que eu tenho
de ser teu amigo

Me ofereço em palavras, companheiro
envolto no colar de desejos e buscas
que aperta nossa garganta
e nos faz abrir a boca
com uma força capaz
de derrubar as paredes
que nos separam  

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 

§  


Apelação
Alguém precisa defender a liberdade
antes de culpar o guarda 

Alguém precisa ajudar a liberdade
antes de gritar covarde

Alguém precisa escolher a liberdade
antes que seja tarde
 
- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§ 

Angústia 
Angústia
como deixá-la na jaula
como pedir ajuda
quando a beleza falha?
 
angústia
como escapar de suas garras?

esperar um sinal, um assalto
ou convocá-lo no meio do barro?
pedir que o nada te fale
ou torturá-lo?

ou melhor seria calar-me
com esta faca no espaço
entre minha dor e a linguagem? 

- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Arraso
Exclusiva como ao sol se fina
o último rebento da açucena
única solidão que te combina
para o mito de ser apenas Lua

Rima de amor, pobre criatura
abandonada na imóvel grua
numa construção que virou ruína
em guerra decidida no subúrbio

É com esse nó que falo ao Tempo
sabendo que serei jogado fora
que importa, pois terei teu seio

entre as mãos que agora dormem
Despertarei contigo numa cama
em lençóis de flor e cheiro forte

- Nei Duclós, em "Arraso - poemas de amor". (E-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2012, p. 9.


§

Barreira
O poeta sempre escapa
pela reticência
quem quiser pegá-lo
ficará, no máximo
com o casaco

O poeta é o animal
que cruza todas as fronteiras
enquanto pessoas conservam
inúteis soldados
que pedem documentos

- Nei Duclós, em "No mar, veremos". São Paulo: Editora Globo, 2001.

§
Nei Duclós - foto: acervo do autor

Biografia
vivo no mundo da Lua
esta é minha biografia
em cada fase flutua
peça de ourivesaria

um colar de prata nua
um crescente de ametista
corrente fosca minguante
estojo no plenilúnio

guardo no lado oculto
praias inconfidentes
sereia presa em tarrafa
mapas longe do desenho

subo com os pés no monte
como gás neon no vento
pelo luar eu transponho
obituários do tempo

calo quando perguntam
onde meu olhar se planta
brilha a testa do ciclope
voa a louca na varanda
 

- Nei Duclós, em "Arraso, poemas de amor". (e-book), Edições do autor, 2012.
  
§

Braço de mar
O mar é sempre maior
e o luar lhe faz a corte
Não há medida do homem
entra a praia e o horizonte

O mar já veio antes
da onda inventar o tempo

É ele quem trai o porto
e acende o pavio da bomba
que puxa a noite do poço
e corta os pulsos da sombra

E mesmo no sol, o mar transa
seu jogo de conveniências
suas algas postas de molho
sua escultura sem cabeça

O mar é sempre o começo
 

- Nei Duclós, em "No mar, veremos". São Paulo: Editora Globo, 2001.

§

Cais
O passageiro não perde a vez de partir
e parte
pois é tarde
Este cais apodreceu as cordas
que soltam a sua carne

Os bares silenciam
a memória é uma cadeira que ringe
como um cofre de vime
(o que passou não é sonho
é desafio)

De pé, a mão na vista
ele toca o horizonte com a saliva
Sua boca guarda um aviso
(o tempo é um susto, uma víbora) 

- Nei Dúclos, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Carta ao amigo
Embora não acredites
estou tão habitado
que pareço um mar

Não só pelos peixes que possuo
das mais variadas espécies
não só pelas aves que me sobrevoam

Mas também pelas ilhas de corais
pelos arrecifes, pelos icebergs que em silêncio
navegam seus volumes submersos

E principalmente
pela quantidade de rios
que deságuam em mim

Estás longe
e lembrei teus olhos
cheios de medo e desconfiança

Hoje está chovendo
Quando chover
sei que vais sentar um pouco
reler teus manuscritos do tempo do colégio
e tentar fazer coisa nova
ou pior, sonhar com eles
até que um vazio incômodo
te derrube por terra

Quando chover, em vez de chorar
lembra de mim
que não cedi um palmo

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

§

Coleira
Quem somos nós que viemos de antigamente
E levamos o tempo
Como um cão na coleira
A passear pelo concreto
Das infindáveis avenidas? 

- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Desvio
Cada palavra conta e não adia
a percepção que temos do poema
não fica para depois o que está dito
não se prepara o leitor para o suspense

Quando inauguras a fita é o tempo bruto
do verbo que assoma como um bicho
não adianta peneirar a prataria
é de escombros a argamassa do conflito

Não derrame a leitura no fervido
guarde para si as ilusões do ofício
bata na bigorna o ferro frio da sílaba

Depois não diga que tudo faz sentido
não há lógica em transformar o vício
num desvio assombroso do destino
 

- Nei Duclós, em "Arraso - poemas de amor". (E-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2012, p. 44.

§

Esquina
Procuro alguma coisa bela
na rua que perdeu a alma
a lua, alguma coisa nova

Procuro alguma coisa séria
a prova de que estou na terra
a estrela que não for loucura

Procuro alimentar os olhos
com a luz que brota na calçada
na curva de uma esquina clara

Procuro aquilo que me espera
o corpo que recusa o escuro
a mão que enfim me desamarra
 

- Nei Duclós, em "No mar, veremos". São Paulo: Editora Globo, 2001.

§  

Há um poema em cada amigo
Há um poema em cada amigo
custa descobri-lo
precisa tempo, distância
comunhão, exílio

A magia custa a florir
como os versos simples

O inesquecível está na mão
mas o braço
é um longo caminho
entre a ponta de um dedo
e o coração

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 

§

Habitat
Música. Faz falta.
Habita o espírito, devolve a esperança,
salva o mundo, pelo menos por alguns minutos.
É suficiente. Quem precisa de salvação eternamente?
Um toque no coração e desperta o sentimento.
Escute a canção, a criação, o instrumento.
Volte no tempo, viaje para frente.
Música. É o que a Terra pede no presente.

- Nei Duclós, em "Verso esparso".
(e-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2014.

§

Ida
Ida habita uma estrela
vaga, bela
pequena: cabe num desenho

Ela passeia por onde não se vê
e de lá nos espera
como toda a estrela
de pontas abertas
Uma delas
furou minha cabeça
e atingiu o coraçãa
 
- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

§

Letra
Talvez
escrevendo
alguma coisa amanheça

Talvez
o poema
desperte o pássaro

Talvez
a palavra
te incendeie

Talvez
a sílaba
grite

Talvez
(a letra
crua)

Talvez
soletrando
amor
a noite se despeça
 

- Nei Duclós, em "Partimos amanhã". Porto Alegre RS: IEL; CORAG, 2012.

§

Lição de travessia
parece que do outro lado
está a Argentina

As balsas carregadas da infância
sumiram do meu olhar
mas a ponte permaneceu
como eterna promessa
de que todas as margens
podem ser pisadas

O mundo não tem lado certo
pois há uma ponte sólida
por cima de todas as águas

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

§ 

Limpar o poema
Cortar o nó do poema
com força e delicadeza
para que todos aprendam
antes que a noite aconteça

Armá-lo como um guerreiro
dos pés até os dentes
e que saibam, de longe
por quem está combatendo 

Para que o povo o suspenda
nos ombros, como um eleito
e seja seu companheiro
na vitória e na falência 

Deixar que fale alto
sem vizinhos que o repreendam
e corra pelas sarjetas
como automóvel sem freios 

Que não esconda a violência
nem tenha voz de inocente
e seja um duro instrumento
com ataques de surpresa 

Soltar o poema
e desvendar seu segredo
para que o mundo o receba
 
- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

§ 


Livro
És o livro que me tenta
e passo a tarde tecendo
nos parques de sujo feno
flor de plástico suspeito

Não atento ao realejo
só na forma do desejo
abraçado à tua ausência
faço de conta que escrevo

Dói demais essa doença
sem futuro nem sujeito
sigo a pé o teu cortejo

Com tanto verso, te perco
e o meu destino é o acervo
que atulho de modo incerto
 
- Nei Duclós, em "Arraso - poemas de amor". (E-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2012, p. 17.

§ 


Mario Quintana
Olhem o antípoda
olhem o animal da palavra
É um dinossauro na cidade de vidro
borboleta branca na floresta queimada
Respeitem seu andar
e desconfiem com temor
da sua conversa fiada

Ele é o flagelo do Senhor
e vocês não sabem

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

§

Minuano
O vento é uma pedra 
polar
que põe o campo 
de cabelo branco
e acende meu corpo 
tropical 

O pampa não sonha 
quando balança
ao som do minuano 
no varal
mas meu coração se lança 
contra o tempo mau 

Armo as velas 
neste vendaval
 
- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Na velhice
Nei Duclós na casa de Ipanema em Porto 
Alegre  (1975) - foto: Eneida Serrano
Vou chegar à velhice
com o olhar seguro
e o corpo pleno de mundo
Marcado pela espada dos dias
morando sob paredes
de areia e neve

Vou ficar vlho
como figueira
alimentada de terra
calmo e duro
a percorrrer caminhos
repletos de emboscadas
talhado no cinzel da vida
assimilada bruta

Os novos dirão:
de onde vieste?
Levantarei devagar os olhos
e arrancarei respeito
com palavras fortes

Não me importarei com meu corpo
e serei, na velhice
belo como casa de barro
que cruza o inverno
com sua aspereza eterna
Severo como pastor armado
em busca das ovelhas roubadas

O tempo dirá:
aqui pesam sessenta anos
e calará
pois terei seu corpo palpitante
nas minhas palmas enormes
como uma pomba
pronta sempre
a escapar para longe

Assim, na velhice
viverei o susto do tempo
preparado para colher sua fuga
a qualquer hora

Agora eu estou partindo
tímido e novo
em busca do arrulho áspero
que palpita nos olhos do mato
que me circunda 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

§

No meio da rua
 A casa do passageiro
é o meio da rua
por isso esse ar de loucura

por isso esse andar
de banda. essa voz
que inflama. esse olhar
de lua

por isso essa dor que
não recua

A cama do passageiro
é o amor de campanha:
armar o dia
manter o fogo
cobrir a fuga

por isso esse chamado
quando passa adiante
essa vontade
que alguém lhe acompanhe

O medo do passageiro
é sentir-se um estranho
por isso sorri
enquanto morre de fome

(ele nasceu, teve um sonho
mas o caminho, longo demais
lhe rouba o sangue)

No meio da rua
o coração do passageiro
bate o o bumbo
 

- Nei Dúclos, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Noite veloz
Vento de estrelas
sopra no vôo
que invento

Nado sobre mim
Viagem de espanto
Vagas visões de sonho
 
Na direção da cabeça
Planetas sem corpo
e espaços em branco 

A lua, longe
me pensa
enquanto esqueço

Procuro o tempo
que o céu esconde
 
- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§

Outubro
Trago a nova: eu mudo
lento, e é tudo
Sinto ser assim
por estações: aos turnos

Posso voltar
ao ponto de partida
mas luto

Sei que vem outubro
Flores, fruto de seiva
romperão no mundo
(Trabalho duro:
sugar de pedras
rasgar os caules
colher ar puro)

Lento e bruto
eu mudo
Sei que vem
outubro
 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

§

Quando a tarde morre
De tarde, quando a tarde morre
o silêncio constrói sua varanda
e eu me sento nela
instalado na cadeira de palha
velha e confortável
que costuma embalar
meus ouvidos atentos
 
Depois de qualquer coisa
me sento para ouvir e ver
a tarde, quando a tarde morre 

Escuto o canto dos passarinhos
que sobreviveram
e vejo quem vem do trabalho
para os braços da janta

O noticioso espalha os sons
como o vento sacode as folhas 
 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 

§

Que cheiro me traz o vento
e quando pára, que silêncio? 

Ele forrou meus pés de folhas secas
e é dono de assustar-me nas tormentas
 
Sabe ser distante nos coqueiros
e de manhã bater-me em cheio 

Mas o vento é simples, seu segredo
é pura invenção do meu poema 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 

§

Quero um sorriso
Quero um sorriso
que dure uma quadra
e dobre a esquina
a iluminar-me

uma lágrima
sem consolo
que traga um soluço
de dez minutos

um corpo que aperte
com fogo de inferno

uma dor que desperte
um ruído que abra

qualquer coisa
forte
que rasgue

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.


§

Senha
Somos nós, os pescadores
que fizemos do rio uma casa
e de todos os rios, uma pátria

Somos nós, os pescadores
que cruzamos cidades amargas
com os remos fora d’água
e o rosto lavado em sal

Somos nós, os pescadores
Que nos reunimos em silêncio
ao redor do amanhecer
com o sol preso na mão
e a rede tensa

Somos nós o horizonte
onde aportarão os exércitos
sem direção

Levantar um braço, então
será o bastante

- Nei Duclós, em "No mar, veremos". São Paulo: Editora Globo, 2001.

§

Somos
O cinismo é o nosso destino
a desilusão nosso início
a paz nossa inimiga 

Investe quem sobrevive
sorri quem acredita
na vitória tardia
(a única disponível)
 
Nascemos para ser assassinados
somos uma espécie de fim da tarde
 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 


§

Sonata
Acordas toda vez que me aproximo
pressentindo o sopro da viagem
velas de partir que se anunciam
vigília no embarque do naufrágio

O barulho do adeus atiça a porta
joga sal na doçura que se forma
tempestade do mar ainda na corda
tocaia de rancor na outra margem

Preferes fingir que o corpo dorme
enquanto a maré alta tenta a sorte
és uma âncora, saudade feito carne

Perto da gávea ouvimos a sonata
do meu coração, som de virtuose
doloroso cais que enfim me solta
 

- Nei Duclós, em "Arraso - poemas de amor". (E-book). Florianópolis: Edições do Autor, 2012, p. 45.

§ 

Pedra no coração
Lúcifer vocifera
atira o medo
pedra no coração
 
Lúcifer está na igreja
no braço, nos dedos
dos adultos em fúria

Lúcifer, deus vermelho
relho de aço nos nervos
diabo de coração seco 

Lúcifer, velho feio
abriu a porta do inferno
e soltou os morcegos
luminosos de ódio 

O caçula acende a luz
a fera fica atrás do espelho 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 

§  


Puro pampa
Pudera ser minha vida
como um campo de caça
Sem arestas: puro pampa
 
Onde vale a sabedoria
a atenção e o relâmpago

Onde a paciência é uma arma
contra os caprichos do fogo
e o silêncio, uma lição
que está no sangue 

Pudera ser minha vida
tão limpa como os arroios
olhados à distância 

Sem esta armadilha
onde a mentira
arma o escândalo
 
- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§  

Nei Duclós - foto: acervo do autor
Tambor e violino
Todo som é ruído
todo silêncio, segredo
se desconheço, eu grito
se não escuto, adormeço

Acorde lota o ouvido
desarranjo em sinfonia
mudar como de endereço?
o tambor sobre o violino

Letra que leva à sílaba
frase de amor na aldeia
rebento salta perdido
pique de voo na vela

Cifrei o texto encardido
molhei a pluma na tinta
desperdicei pergaminho
sobrou o pólen de vidro

Salvei o perfil de mármore
era uma estátua vizinha
inaugurei por pirraça
a praça frente ao castelo

- Nei Duclós, em "Verso esparso". (e-book), Edições do Autor, 2014.


§

Teu olhar
Ninguém para me acordar
A não ser o teu olhar

Mel de fruta da estação
Luz soprada sem descanso

O mar feito porcelana
Nuvem que beija montanha

Jogo do abraço e da trança
Poço onde o sol se acalmou

Poder da palavra que brilha
Pluma antes da explosão

Espelho vermelho de festa
Anjo quieto como um cão

- Nei Duclós, em "Trovador".
(e-book), Edições do Autor, 2014.

§


Toca
e os meus mortos
quem chora
os milhares que caem
enquanto passo? 

o exílio, quem paga
e a tortura, seu fruto
quem devora? 

somos herdeiros
da vida amarga e da morte
as prisões cobrem
o canto dos escravos
 
com a mão no horizonte
os bravos aguardam 

breve
sairemos da toca
 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

§

Tocaia
Armar o bote na tarde
de olho na estrada
e na morte

Cercar a cidade sólida
e apontar em todas as portas

Engatilhar o corpo e a alma

Avançar, quando é água
ficar, quando é terra
recuar, só com ordens
de guerra

Repartir o mapa
da longa viagem
marcar encontro
nas pedras

Fazer fogo na hora certa

- Nei Duclós, em "No meio da rua". Porto Alegre RS: L&PM Editora, 1979.

§


O canto é uma fome, como a infância 


 
II
O dia é a sabedoria do sol
E cada amanhecer tem uma voz 

No escuro existem coisas
Que não dormem  


III
Cresci como nunca
Em carne, ossos e loucura
E continuarei a crescer, sem dono
E milagrosamente, como as plantas 

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.



Nei Duclós - foto: (...)
FORTUNA CRÍTICA DE NEI DUCLÓS
BONEZ, Lucas de Melo. Do cerco à perdição. in: Outubro blog. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016). 
CARPINEJAR, Fabrício. Poesia nervosa (No mar, veremos, de Nei Duclós). Vox XXI, Porto Alegre (RS), p. 25 - 27, 1 set. 2001. 
CHAMIE, Mario. 'prefácio' de "No mar, veremos", de Nei Duclós. in: Jornal de Poesia. Disponível no link. (acessado em 1.2.2016).
HP. Nei Duclós lança “Tudo que pisa deixa rastro”. in: Hora do Povo, 9 de setembro 2015. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
Nei Duclós na casa de Ipanema em Porto 
Alegre  (1975) - foto: Eneida Serrano
IEL/RS. Levitan abre a mala de poemas de Nei Duclós. in: Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul/ IEL, 3.3.2011. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).  
JARDIM, Rubens. Nei Duclós, um poeta que segue firme na poesia. in: Overmundo, 23.4.2013. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
JARDIM, Rubens. No vai e vem das palavras, uma dança de lobos e cordeiros. in: RubensJardim blog, 12.12.2008. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
LEITE, Carlos Willian. O cinema se enxerga. in: Jornal Opção, edição 2057. Disponível no link. (acessado em 30.1.2016). 
LUCCHESE, Alexandre. Nei Duclós estreia no romance histórico com "Tudo o que pisa deixa rastro". in: Zero Hora, 18.8.2015. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016)
MOTA, Urariano. Os anos loucos da ditadura. in: Nova Cultura. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016). 
MOTA, Urariano. O refúgio da crônica. in: Cronópios, 24.10.2006. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
NEI Duclós. in: Caderno de literatura. Porto Alegre: Ajuris, dezembro 2007, ano XI, nº 15. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016). 
PETRY, Cassionei Niches. Romance que deixa rastros no leitor. in: Traçando Livros, Gazeta do Sul, 11 de novembro de 2015. Disponível no linklink. (acessado em 31.1.2016).
QUINTANA, Mario. No meio da rua - "Prefácio". in: Jornal de Poesia. Disponível no link. (acessado em 1.2.2016). 
REDE Press. Nei Duclós, uma carreira de sucesso. Lançamento do novo romance é a celebração dos 40 anos de literatura. in: Rede Press, 19.8.2015. Disponível no link. (acessado em 31.1.2016).
SILVESTRIN, Ricardo. Nei Duclós. 'Diálogos em Série'. in: Cronópios, 23.2.2010. Disponível no link. (acessado em 1.2.2016).

 Ao Brasil tenho um recado:
Estou vivo, entornando o caldo
       Na mesa comum
 Com as mãos em brasa 

     Dentro da noite
Escuto a charanga da ressurreição,
       Do parto
- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975. 



 ALGUNS POEMAS MUSICADOS DE NEI DUCLÓS

 "Minuano" de Nei Duclós (poema) e Zé Gomes (música)


No mar, veremos, de Nei Duclós (poema) musicado e cantado
 por José Gomes (autor da melodia, dos arranjos e da
 execução dos instrumentos). 

"Desespero" poema de Nei Duclós música de Claúdio Levitan do Cd "Avulsas"


Confio na solidão
   Que nos une
E na vontade de quebrar tudo
   (Que cresce aos poucos
       Como um fruto)

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.




Nei Duclós - foto: acervo do autor
O ESCRITOR E JORNALISTA NEI DUCLÓS NA REDE
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Ah, essa mania de escrever
    Para a eternidade 

A eternidade morreu de velha
    Se eu conseguir, pelo menos,
 fazer vocês rir
Dispensarei o resto
 
- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.



OUTRAS REFERÊNCIAS E FONTES DE PESQUISA
:: Arquivos do poeta 
:: Jornal Opção    

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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Nei Duclós - o poeta das travessias. Templo Cultural Delfos, fevereiro/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 1.3.2016.



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