Machado de Assis – tradutor

Machado de Assis, por Douglas Docelino

“A literatura, como Proteu, troca de formas, e nisso
está a condição de sua vitalidade.”
- Machado de Assis

Jean-Michel Massa [in Machado de Assis traducteur]
relaciona 48 textos traduzidos por Machado entre 1856 e 1894: estreando com o poema “On the receipt of my mother’s picture” [“Minha mãe”], publicado como “uma imitação de William Cowper”, e logo depois com o texto “A literatura durante a Restauração”, de Lamartine,em 1857, seguiram-se 16 peças de teatro (a primeira, “La chasse au lion”, de Vattier et De Najac ), 24 poemas, 3 ensaios, 2 romances, 1 conto , 1 fábula e até 1 canção — sendo 39 textos oriundos do francês, 4 do inglês, 3 do alemão, 1 texto cada do italiano e do espanhol. — de autores, entre outros, como Lamartine, Dante Alighieri, Alexandre Dumas Filho, Chateaubriand, Racine, La Fontaine, Alfred de Musset, Molière, Victor Hugo, Beaumarchais, Shakespeare, Charles Dickens, Edgar Allan Poe, Schiller e Heine (ambos a partir de versões francesas) — p. ex. o Canto XXV do “Inferno”, da Divina Comédia , de Dante , monólogo de Hamlet “To be or not to be”, de William Shakespeare , Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo, parte de Oliver Twist. , de Charles Dickens, “Suplício de uma mulher”, de Alexandre Dumas Filho e Emile de Girardin , “Prólogo do Intermezzo”, de Heinrich Heine, “O corvo”, de Edgar Allan Poe.
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Fonte: ROSSO, Mauro. Machado, eterno enigma. O Vertebral - artigos, crônicas e utopias. 29 de junho de 2009. Disponível no link. (acessado em 1.8.2014).
:: MASSA, Jean-Michel. Machado de Assis tradutor. 1ª ed., Belo Horizonte: Crisálida, 2008, 128p. 


"[...] mas é preciso atender ao uso das palavras. Não cansam só as línguas que as dizem; elas próprias gastam-se. Quando menos, adoecem. A anemia é um dos seus males freqüentes; o esfalfamento é outro. Só um longo repouso, as pode restituir ao que eram, e torná-las prestáveis." 
- Machado de Assis, em "A simpatia é o meu léxico". Gazeta de Notícias, 12 mar. 1893.


POEMAS TRADUZIDOS POR MACHADO DE ASSIS


A ELVIRA
(de Alphonse de Lamartine)

Quando, contigo a sós, as mãos unidas,
Tu, pensativa e muda, e eu, namorado,
Às volúpias do amor a alma entregando,
Deixo correr as horas fugidias;
Ou quando às solidões de umbrosa selva
Comigo te arrebato; ou quando escuto
Alphonse de Lamartine, por Decaisne (1839)
 (Musée de Mâcon)
— Tão só eu, — teus terníssimos suspiros;
E de meus lábios solto
Eternas juras de constância eterna;
Ou quando, enfim, tua adorada fronte
Nos meus joelhos trêmulos descansa,
E eu suspendo meus olhos em teus olhos,
Como às folhas da rosa ávida abelha;
Ai, quanta vez então dentro em meu peito
Vago terror penetra, como um raio!
Empalideço, tremo;
E no seio da glória em que me exalto,
Lágrimas verto que a minha alma assombram!
Tu, carinhosa e trêmula,
Nos teus braços me cinges, — e assustada,
Interrogando em vão, comigo choras!
"Que dor secreta o coração te oprime?"
Dizes tu. "Vem, confia os teus pesares...
Fala! eu abrandarei as penas tuas!
Fala! eu consolarei tua alma aflita!"
Vida do meu viver, não me interrogues!
Quando enlaçado nos teus níveos braços
A confissão de amor te ouço, e levanto
Lânguidos olhos para ver teu rosto,
Mais ditoso mortal o céu não cobre!
Se eu tremo, é porque nessas esquecidas
Afortunadas horas,
Não sei que voz do enleio me desperta,
E me persegue e lembra
Que a ventura coo tempo se esvaece,
E o nosso amor é facho que se extingue!
De um lance, espavorida,
Minha alma voa às sombras do futuro,
E eu penso então: "Ventura que se acaba

Um sonho vale apenas".
- tradução Machado de Assis. in: ASSIS, Machado. Falenas. Rio de Janeiro: B.-L. Garnier, 1870. [Obra Completa, Machado de Assis, vol. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994].


À Elvire
         Oui, l’Anio murmure encore
Le doux nom de Cinthie aux rochers de Tibur;
Vaucluse a retenu le nom chéri de Laure;
         Et Ferrare au siècle futur
Murmurera toujours celui d’Eléonore.
Heureuse la beauté que le poète adore!
         Heureux le nom qu’il a chanté!
Toi qu’en secret son culte honore,
Tu peux, tu peux mourir : dans la postérité
Il lègue à ce qu’il aime une éternelle vie;
Et l’amante et l’amant sur l’aile du génie
Montent, d’un vol égal, à l’immortalité.
Ah ! si mon frêle esquif, battu par la tempête,
Grâce à des vents plus doux, pouvait surgir au port;
Si des soleils plus beaux se levaient sur ma tête;
Si les pleurs d’une amante, attendrissant le sort,
Écartaient de mon front les ombres de la mort!
Peut-être… oui, pardonne, ô maître de la lyre!
Peut-être j’oserais (et que n’ose un amant!)
Égaler mon audace à l’amour qui m’inspire,
Et, dans des chants rivaux célébrant mon délire,
De notre amour aussi laisser un monument!
Ainsi le voyageur qui, dans son court passage,
Se repose un moment à l’abri du vallon,
Sur l’arbre hospitalier dont il goûta l’ombrage,
Avant que de partir, aime à graver son nom.

Vois-tu comme tout change ou meurt dans la nature?
La terre perd ses fruits, les forêts leur parure;
Le fleuve perd son onde au vaste sein des mers;
Par un souffle des vents la prairie est fanée;
Et le char de l’automne, au penchant de l’année,
Roule, déjà poussé par la main des hivers!
Comme un géant armé d’un glaive inévitable,
Atteignant au hasard tous les êtres divers,
Le Temps avec la mort, d’un vol infatigable,
Renouvelle en fuyant ce mobile univers!
Dans l’éternel oubli tombe ce qu’il moissonne:
Tel un rapide été voit tomber sa couronne
         Dans la corbeille des glaneurs.
Tel un pampre jauni voit la féconde automne
Livrer ses fruits dorés au char des vendangeurs.
Vous tomberez ainsi, courtes fleurs de la vie!
Jeunesse, amour, plaisir, fugitive beauté!
Beauté, présent d’un jour que le ciel nous envie,
Ainsi vous tomberez, si la main du génie
         Ne vous rend l’immortalité!

Vois d’un œil de pitié la vulgaire jeunesse,
Brillante de beauté, s’enivrant de plaisir:
Quand elle aura tari sa coupe enchanteresse,
Que restera-t-il d’elle ? à peine un souvenir;
Le tombeau qui l’attend l’engloutit tout entière,
Un silence éternel succède à ses amours;
Mais les siècles auront passé sur ta poussière,
         Elvire, et tu vivras toujours!
- Alphonse de Lamartine, in: Méditations poétiques. J.P. Méline éditeur, Bruxelles, 1835.


ESTÂNCIAS A EMA
(de Alexandre Dumas Filho

I - UM PASSEIO DE CARRO
Saímos, ela e eu, dentro de um carro,
Um ao outro abraçados; e como era
Triste e sombria a natureza em torno
Ia conosco a eterna primavera.

No cocheiro fiávamos a sorte
Daquele dia, o carro nos levava
Sem ponto fixo, onde aprouvesse ao homem;
Nosso destino em suas mãos estava.

Quadrava-lhe Saint-Cloud. Eia! pois vamos!
É um sítio de luz, de aroma e riso,
Demais, se as nossas almas conversavam,
Onde estivessem era o paraíso.

Fomos descer junto ao portão do parque;
Era deserto e triste e mudo; o vento
Rolava nuvens cor de cinza; estavam
Seco o arbusto, o caminho lamacento.

Rimo-nos tanto, vendo-te, ó formosa,
(E felizmente ninguém mais te via!)
Arregaçar a ponta do vestido
Que o lindo pé e a meia descobria!

Alexandre Dumas Filho, por Nadar
Tinhas o gracioso acanhamento
Da fidalga gentil pisando a rua;
Desafeita ao andar, teu passo incerto
Deixava conhecer a raça tua.

Uma das tuas mãos alevantava
O vestido de seda; as saias finas
Iam mostrando as rendas e os bordados,
Lambendo o chão, molhando-te as botinas.

Mergulhavam teus pés a cada instante,
Como se o chão quisesse ali guardá-los.
E que afã! Mal podíamos nós ambos
Da cobiçosa terra libertá-los.

Doce passeio aquele! E como é belo
O amor no bosque, em tarde tão sombria!
Tinhas os olhos úmidos, - e a face
A rajada do inverno enrubescia.

Era mais belo que a estação das flores;
Nenhum olhar nos espreitava ali;
Nosso era o parque, unicamente nosso;
Ninguém! estava eu só ao pé de ti!

Perlustramos as longas avenidas
Que o horizonte cinzento limitava.
Sem mesmo ver as deusas conhecidas
Que o arvoredo sem folhas abrigava.

O tanque, onde nadava um níveo cisne
Placidamente, — o passo nos deteve;
Era a face do lago uma esmeralda
Que refletia o cisne alvo de neve.

Veio este a nós, e corno que pedia
Alguma coisa, uma migalha apenas;
Nada tinhas que dar; a ave arrufada
Foi-se cortando as águas tão serenas.

E nadando parou junto ao repuxo
Que de água viva aquele tanque enchia;
O murmúrio das gotas que tombavam
Era o único som que ali se ouvia.

Lá ficamos tão juntos um do outro,
Olhando o cisne e escutando as águas;
Vinha a noite; a sombria cor do bosque
Emoldurava as nossas próprias mágoas.

Num pedestal, onde outras frases ternas,
A mão de outros amantes escreveu,
Fui traçar, meu amor, aquela data
E junto dela pôr o nome teu!

Quando o estio volver àquelas árvores,
E à sombra delas for a gente a flux,
E o tanque refletir as folhas novas,
E o parque encher-se de murmúrio e luz,

Irei um dia, na estação das flores,
Ver a coluna onde escrevi teu nome,
O doce nome que minha alma prende,
E que o tempo, quem sabe? Já consome!

Onde estarás então? Talvez bem longe,
Separada de mim, triste e sombrio;
Talvez tenhas seguido a alegre estrada,
Dando-me áspero inverno em pleno estio.

Porque o inverno não é o frio e o vento,
Nem a erma alameda que ontem vi;
O inverno é o coração sem luz nem flores,
É o que eu hei de ser longe de ti!

II
Correu um ano desde aquele dia,
Em que fomos ao bosque; um ano, sim!
Eu já previa o fúnebre desfecho
Desse tempo feliz, — triste de mim!

O nosso amor nem viu nascer as flores;
Mal aquecia um raio de verão
Para sempre, talvez, das nossas almas
Começou a cruel separação.

Vi esta primavera em longes terras,
Tão ermo de esperanças e de amores,
Olhos fitos na estrada, onde esperava
Ver-te chegar, como a estação das flores.

Quanta vez meu olhar sondou a estrada
Que entre espesso arvoredo se perdia,
Menos triste, inda assim, menos escuro
Que a dúvida cruel que me seguia!

Que valia esse sol abrindo as plantas
E despertando o sono das campinas?
Inda mais altas que as searas louras,
Que valiam as flores peregrinas?

De que servia o aroma dos outeiros?
E o canto matinal dos passarinhos?
Que me importava a mim o arfar da terra,
E nas moitas em flor os verdes ninhos?

O sol que enche de luz a longa estrada,
Se me não traz o que minh'alma espera,
Pode apagar seus raios sedutores:
Não é o sol, não é a primavera!

Margaridas, caí, morrei nos campos,
Perdei o viço e as delicadas cores;
Se ela vos não aspira, o hálito brando,
Já o verão não sois, já não sois flores!

Prefiro o inverno desfolhado e mudo,
O velho inverno, cujo olhar sombrio
Mal se derrama nas cerradas trevas,
E vai morrer no espaço úmido e frio.

É esse o sol das almas desgraçadas;
Venha o inverno, somos tão amigos!
Nossas tristezas são irmãs em tudo:
Temos ambos o frio dos jazigos!

Contra o sol, contra Deus, assim falava
Dês que assomavam matinais albores;
Eu aguardava as tuas doces letras
Com que ao céu perdoasse as belas cores!

Iam assim, um após outro, os dias.
Nada. - E aquele horizonte tão fechado
Nem deixava chegar aos meus ouvidos
O eco longínquo do teu nome amado.

Só, durante seis meses, dia e noite
Chamei por ti na minha angústia extrema;
A sombra era mais densa a cada passo,
E eu murmurava sempre: - Oh! minha Ema!

Um quarto de papel - é pouca coisa;
Quatro linhas escritas - não é nada;
Quem não quer escrever colhe uma rosa,
No vale aberta, à luz da madrugada.

Mandam-se as folhas num papel fechado;
E o proscrito, ansiando de esperança,
Pode entreabrir nos lábios um sorriso
Vendo naquilo uma fiel lembrança.

Era fácil fazê-lo e não fizeste!
Meus dias eram mais desesperados.
Meu pobre coração ia secando
Como esses frutos no verão guardados.

Hoje, se o comprimissem, mal deitava
Uma gota de sangue; nada encerra.
Era uma taça cheia; uma criança,
De estouvada que foi, deitou-a em terra!

É este o mesmo tempo, o mesmo dia.
Vai o no tocando quase ao fim;
É esta a hora em que, formosa e terna,
Conversavas de amor, junto de mim.

O mesmo aspecto: as ruas estão ermas,
A neve coalha o lago preguiçoso;
O arvoredo gastou as roupas verdes,
E nada o cisne triste e silencioso.

Vejo ainda no mármore o teu nome,
Escrito quando ali comigo andaste.
Vamos! Sonhei, foi um delírio apenas,
Era um louco, tu não me abandonaste!

O carro espera: vamos. Outro dia,
Se houver bom tempo, voltaremos, não?
Corre este véu sobre teus olhos lindos,
Olha, não caias, dá-me a tua mão!

Choveu; a chuva umedeceu a terra.
Anda! Ai de mim! Em vão minh'alma espera.
Estas folhas que eu piso em chão deserto
São as folhas da outra primavera!

Não, não estás aqui, chamo-te embalde!
Era ainda uma última ilusão.
Tão longe desse amor fui inda o mesmo,
E vivi dois invernos sem verão.

Porque o verão não é aquele tempo
De vida e de calor que eu não vivi;
É a alma entornando a luz e as flores,
É o que hei de ser ao pé de ti!
- tradução Machado de Assis. in: ASSIS, Machado. Falenas. Rio de Janeiro: B.-L. Garnier, 1870. [Obra Completa, Machado de Assis, vol. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994].



INFERNO, CANTO XXV
(de Dante Alighieri)

Acabara o ladrão, e, ao ar erguendo
As mãos em figas, deste modo brada:
"Olha, Deus, para ti o estou fazendo!"

E desde então me foi a serpe amada,
Pois uma vi que o colo lhe prendia,
Como a dizer: "não falarás mais nada!"

Outra os braços na frente lhe cingia
Com tantas voltas e de tal maneira
Que ele fazer um gesto não podia.

Ah! Pistóia, por que numa fogueira
Não ardes tu, se a mais e mais impuros,
Teus filhos vão nessa mortal carreira?

Eu, em todos os círculos escuros
Do inferno, alma não vi tão rebelada.
Nem a que em Tebas resvalou dos muros.

E ele fugiu sem proferir mais nada.
Logo um centauro furioso assoma
A bradar: "Onde, aonde a alma danada?”

Dante Alighieri, por Sandro Botticelli
Marema não terá tamanha soma
De reptis quanta vi que lhe ouriçava
O dorso inteiro desde a humana coma.

Junto à nuca do monstro se elevava
De asas abertas um dragão que enchia
De fogo a quanto ali se aproximava.

"Aquele é Caco, — o Mestre me dizia, —
Que, sob as rochas do Aventino, ousado
Lagos de sangue tanta vez abria.

Não vai de seus irmãos acompanhado
Porque roubou malicioso o armento
Que ali pascia na campanha ao lado.

Hércules com a maça e golpes cento,
Sem lhe doer um décimo ao nefando,
Pôs remate a tamanho atrevimento."

Ele falava, e o outro foi andando.
No entanto embaixo vinham para nós
Três espíritos que só vimos quando

Atroara este grito: "Quem sois vós?"
Nisto a conversa nossa interrompendo
Ele, como eu, no grupo os olhos pôs.

Eu não os conheci, mas sucedendo,
Como outras vezes suceder é certo,
Que o nome de um estava outro dizendo,

"Cianfa aonde ficou?" Eu, por que esperto
E atento fosse o Mestre em escutá-lo,
Pus sobre a minha boca o dedo aberto.

Leitor, não maravilha que aceitá-lo
Ora te custe o que vais ter presente,
Pois eu, que o vi, mal ouso acreditá-lo.

Eu contemplava, quando uma serpente
De seis pés temerosa se lhe atira
A um dos três e o colhe de repente.

Com os pés do meio o ventre lhe cingira,
Com os da frente os braços lhe peava,
E ambas as faces lhe mordeu com ira.

Os outros dous às coxas lhe alongava,
E entre elas insinua a cauda que ia
Tocar-lhes os rins e dura os apertava.

A hera não se enrosca nem se enfia
Pela árvore, como a horrível fera
Ao pecador os membros envolvia.

Como se fossem derretida cera,
Um só vulto, uma cor iam tomando,
Quais tinham sido nenhum deles era.

Tal o papel, se o fogo o vai queimando,
Antes de negro estar, e já depois
Que o branco perde, fusco vai ficando.

Os outros dous bradavam: "Ora pois,
Agnel, ai triste, que mudança é essa?
Olha que já não és nem um nem dous!"

Faziam ambas uma só cabeça,
E na única face um rosto misto,
Onde eram dous, a aparecer começa.

Dos quatro braços dous restavam, e isto,
Pernas, coxas e o mais ia mudado
Num tal composto que jamais foi visto.

Todo o primeiro aspecto era acabado;
Dous e nenhum era a cruel figura,
E tal se foi a passo demorado.

Qual camaleão, que variar procura
De sebe às horas em que o sol esquenta,
E correndo parece que fulgura,

Tal uma curta serpe se apresenta,
Para o ventre dos dous corre acendida,
Lívida e cor de um bago de pimenta.

E essa parte por onde foi nutrida
Tenra criança antes que à luz saísse,
Num deles morde, e cai toda estendida.

O ferido a encarou, mas nada disse;
Firme nos pés, apenas bocejava,
Qual se de febre ou sono ali caísse.

Frente a frente, um ao outro contemplava,
E à chaga de um, e à boca de outro, forte
Fumo saía e no ar se misturava.

Cale agora Lucano a triste morte
De Sabelo e Nasídio, e atento esteja
Que o que lhe vou dizer é de outra sorte.

Cale-se Ovídio e neste quadro veja
Que, se Aretusa em fonte nos há posto
E Cadmo em serpe, não lhe tenho inveja.

Pois duas naturezas rosto a rosto
Não transmudou, com que elas de repente
Trocassem a matéria e o ser oposto.

Tal era o acordo entre ambas que a serpente
A cauda em duas caudas fez partidas,
E a alma os pés ajuntava estreitamente.

Pernas e coxas vi-as tão unidas
Que nem leve sinal dava a juntura
De que tivessem sido divididas.

Imita a cauda bífida a figura
Que ali se perde, e a pele abranda, ao passo
Que a pele do homem se tornava dura.

Em cada axila vi entrar um braço,
A tempo que iam esticando à fera
Os dous pés que eram de tamanho escasso.

Os pés de trás a serpe os retorcera
Até formarem-lhe a encoberta parte,
Que no infeliz em pés se convertera.

Enquanto o fumo os cobre, e de tal arte
A cor lhes muda e põe à serpe o velo
Que já da pele do homem se lhe parte,

Um caiu, o outro ergueu-se, sem torcê-lo
Aquele torvo olhar com que ambos iam
A trocar entre si o rosto e a vê-lo.

Ao que era em pé as carnes lhe fugiam
Para as fontes, e ali do que abundava
Duas orelhas de homem lhe saíam.

E o que de sobra ainda lhe ficava
O nariz lhe compõe e lhe perfaz
E o lábio lhe engrossou quanto bastava.

A boca estende o que por terra jaz
E as orelhas recolhe na cabeça,
Bem como o caracol às pontas faz.

A língua, que era então de uma só peça,
E prestes a falar, fendida vi-a,
Enquanto a do outro se une, e o fumo cessa.

A alma, que assim tornado em serpe havia,
Pelo vale fugiu assobiando,
E esta lhe ia falando e lhe cuspia.

Logo a recente espádua lhe foi dando
E à outra disse: "Ora com Buoso mudo,
Rasteje, como eu vinha rastejando!"

Assim na cova sétima vi tudo
Mudar e transmudar; a novidade
Me absolva o estilo desornado e rudo.

Mas que um tanto perdesse a claridade
Dos olhos meus, e turva a mente houvesse,
Não fugiram com tanta brevidade,

Nem tão ocultos, que eu não conhecesse
Puccio Sciancato, única ali vinda
Alma que a forma própria não perdesse;
O outro chorá-lo tu, Gaville, ainda.
- tradução Machado de Assis, em "Poesias Ocidentais". in: Obra Completa, Machado de Assis, vol. III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. [Publicado originalmente em Poesias Completas, Rio de Janeiro: Garnier, 1901].


Inferno, canto XXV
Al fine de le sue parole il ladro
le mani alzò con amendue le fiche,
gridando: «Togli, Dio, ch’a te le squadro!».

Da indi in qua mi fuor le serpi amiche,
perch’ una li s’avvolse allora al collo,
come dicesse ‘Non vo’ che più diche’;

e un’altra a le braccia, e rilegollo,
ribadendo sé stessa sì dinanzi,
che non potea con esse dare un crollo.

Ahi Pistoia, Pistoia, ché non stanzi
d’incenerarti sì che più non duri,
poi che ’n mal fare il seme tuo avanzi?

Per tutt’ i cerchi de lo ’nferno scuri
non vidi spirto in Dio tanto superbo,
non quel che cadde a Tebe giù da’ muri.

El si fuggì che non parlò più verbo;
e io vidi un centauro pien di rabbia
venir chiamando: «Ov’ è, ov’ è l’acerbo?».

Maremma non cred’ io che tante n’abbia,
quante bisce elli avea su per la groppa
infin ove comincia nostra labbia.

Sovra le spalle, dietro da la coppa,
con l’ali aperte li giacea un draco;
e quello affuoca qualunque s’intoppa.

Lo mio maestro disse: «Questi è Caco,
che sotto ’l sasso di monte Aventino,
di sangue fece spesse volte laco.

Non va co’ suoi fratei per un cammino,
per lo furto che frodolente fece
del grande armento ch’elli ebbe a vicino;

onde cessar le sue opere biece
sotto la mazza d’Ercule, che forse
gliene diè cento, e non sentì le diece».

Mentre che sì parlava, ed el trascorse,
e tre spiriti venner sotto noi,
de’ quali né io né ’l duca mio s’accorse,

se non quando gridar: «Chi siete voi?»;
per che nostra novella si ristette,
e intendemmo pur ad essi poi.

Io non li conoscea; ma ei seguette,
come suol seguitar per alcun caso,
che l’un nomar un altro convenette,

dicendo: «Cianfa dove fia rimaso?»;
per ch’io, acciò che ’l duca stesse attento,
mi puosi ’l dito su dal mento al naso.

Se tu se’ or, lettore, a creder lento
ciò ch’io dirò, non sarà maraviglia,
ché io che ’l vidi, a pena il mi consento.

Com’ io tenea levate in lor le ciglia,
e un serpente con sei piè si lancia
dinanzi a l’uno, e tutto a lui s’appiglia.

Co’ piè di mezzo li avvinse la pancia
e con li anterïor le braccia prese;
poi li addentò e l’una e l’altra guancia;

li diretani a le cosce distese,
e miseli la coda tra ’mbedue
e dietro per le ren sù la ritese.

Ellera abbarbicata mai non fue
ad alber sì, come l’orribil fiera
per l’altrui membra avviticchiò le sue.

Poi s’appiccar, come di calda cera
fossero stati, e mischiar lor colore,
né l’un né l’altro già parea quel ch’era:

come procede innanzi da l’ardore,
per lo papiro suso, un color bruno
che non è nero ancora e ’l bianco more.

Li altri due ’l riguardavano, e ciascuno
gridava: «Omè, Agnel, come ti muti!
Vedi che già non se’ né due né uno».

Già eran li due capi un divenuti,
quando n’apparver due figure miste
in una faccia, ov’ eran due perduti.

Fersi le braccia due di quattro liste;
le cosce con le gambe e ’l ventre e ’l casso
divenner membra che non fuor mai viste.

Ogne primaio aspetto ivi era casso:
due e nessun l’imagine perversa
parea; e tal sen gio con lento passo.

Come ’l ramarro sotto la gran fersa
dei dì canicular, cangiando sepe,
folgore par se la via attraversa,

sì pareva, venendo verso l’epe
de li altri due, un serpentello acceso,
livido e nero come gran di pepe;

e quella parte onde prima è preso
nostro alimento, a l’un di lor trafisse;
poi cadde giuso innanzi lui disteso.

Lo trafitto ’l mirò, ma nulla disse;
anzi, co’ piè fermati, sbadigliava
pur come sonno o febbre l’assalisse.

Elli ’l serpente e quei lui riguardava;
l’un per la piaga e l’altro per la bocca
fummavan forte, e ’l fummo si scontrava.

Taccia Lucano omai là dov’ e’ tocca
del misero Sabello e di Nasidio,
e attenda a udir quel ch’or si scocca.

Taccia di Cadmo e d’Aretusa Ovidio,
ché se quello in serpente e quella in fonte
converte poetando, io non lo ’nvidio;

ché due nature mai a fronte a fronte
non trasmutò sì ch’amendue le forme
a cambiar lor matera fosser pronte.

Insieme si rispuosero a tai norme,
che ’l serpente la coda in forca fesse,
e ’l feruto ristrinse insieme l’orme.

Le gambe con le cosce seco stesse
s’appiccar sì, che ’n poco la giuntura
non facea segno alcun che si paresse.

Togliea la coda fessa la figura
che si perdeva là, e la sua pelle
si facea molle, e quella di là dura.

Io vidi intrar le braccia per l’ascelle,
e i due piè de la fiera, ch’eran corti,
tanto allungar quanto accorciavan quelle.

Poscia li piè di retro, insieme attorti,
diventaron lo membro che l’uom cela,
e ’l misero del suo n’avea due porti.

Mentre che ’l fummo l’uno e l’altro vela
di color novo, e genera ’l pel suso
per l’una parte e da l’altra il dipela,

l’un si levò e l’altro cadde giuso,
non torcendo però le lucerne empie,
sotto le quai ciascun cambiava muso.

Quel ch’era dritto, il trasse ver’ le tempie,
e di troppa matera ch’in là venne
uscir li orecchi de le gote scempie;

ciò che non corse in dietro e si ritenne
di quel soverchio, fé naso a la faccia
e le labbra ingrossò quanto convenne.

Quel che giacea, il muso innanzi caccia,
e li orecchi ritira per la testa
come face le corna la lumaccia;

e la lingua, ch’avea unita e presta
prima a parlar, si fende, e la forcuta
ne l’altro si richiude; e ’l fummo resta.

L’anima ch’era fiera divenuta,
suffolando si fugge per la valle,
e l’altro dietro a lui parlando sputa.

Poscia li volse le novelle spalle,
e disse a l’altro: «I’ vo’ che Buoso corra,
com’ ho fatt’ io, carpon per questo calle».

Così vid’ io la settima zavorra
mutare e trasmutare; e qui mi scusi
la novità se fior la penna abborra.

E avvegna che li occhi miei confusi
fossero alquanto e l’animo smagato,
non poter quei fuggirsi tanto chiusi,

ch’i’ non scorgessi ben Puccio Sciancato;
ed era quel che sol, di tre compagni
che venner prima, non era mutato;
l’altr’ era quel che tu, Gaville, piagni.
- Dante


O CORVO
(de Edgar Allan Poe)

                Em certo dia, à hora, à hora
                Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
                Ao pé de muita lauda antiga,
       De uma velha doutrina, agora morta,
       Ia pensando, quando ouvi à porta
       Do meu quarto um soar devagarinho,
                E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
       Há de ser isso e nada mais."

                Ah! bem me lembro! bem me lembro!
                Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
                A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Edgar Allan Poe, by Pakstrax
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
                Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
                E que ninguém chamará mais.

                E o rumor triste, vago, brando
                Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
                Nunca por ele padecido.
       Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
       Levantei-me de pronto, e: "Com efeito,
       (Disse) é visita amiga e retardada
                Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
                Há de ser isso e nada mais."

                Minh'alma então sentiu-se forte;
                Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós, — ou senhor ou senhora,
                Me desculpeis tanta demora.
       Mas como eu, precisando de descanso,
       Já cochilava, e tão de manso e manso
       Batestes, não fui logo, prestemente,
                Certificar-me que aí estais."
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
                Somente a noite, e nada mais.

                Com longo olhar escruto a sombra,
                Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
                Mas o silêncio amplo e calado,
       Calado fica; a quietação quieta;
       Só tu, palavra única e dileta,
       Lenora, tu, como um suspiro escasso,
                Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
                Foi isso apenas, nada mais.

                Entro coa alma incendiada.
                Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
                "Seguramente, há na janela
       Alguma cousa que sussurra. Abramos,
Eia, fora o temor, eia, vejamos
       A explicação do caso misterioso
         Dessas duas pancadas tais.
         Devolvamos a paz ao coração medroso,
         Obra do vento e nada mais."

         Abro a janela, e de repente,
         Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
         Não despendeu em cortesias
         Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
         De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
         Movendo no ar as suas negras alas,
         Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
                Trepado fica, e nada mais.

                Diante da ave feia e escura,
                Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
                Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "O tu que das noturnas plagas
       Vens, embora a cabeça nua tragas,
       Sem topete, não és ave medrosa,
                Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
                E o corvo disse: "Nunca mais".

                Vendo que o pássaro entendia
                A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
                Dificilmente lha entendera.
       Na verdade, jamais homem há visto
       Cousa na terra semelhante a isto:
       Uma ave negra, friamente posta
                Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
                Que este é seu nome: "Nunca mais".

                No entanto, o corvo solitário
                Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
                Toda a sua alma resumisse.
       Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
       Não chegou a mexer uma só pluma,
       Até que eu murmurei: "Perdi outrora
                Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
                E o corvo disse: "Nunca mais!"

                Estremeço. A resposta ouvida
                É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
                Que ele trouxe da convivência
       De algum mestre infeliz e acabrunhado
       Que o implacável destino há castigado
       Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
                Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
                Esse estribilho: "Nunca mais".

                Segunda vez, nesse momento,
                Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
                E mergulhando no veludo
       Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
       Achar procuro a lúgubre quimera,
       A alma, o sentido, o pávido segredo
                Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
                Grasnando a frase: "Nunca mais".

                Assim posto, devaneando,
                Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
                Sentia o olhar que me abrasava.
       Conjeturando fui, tranqüilo a gosto,
       Com a cabeça no macio encosto
       Onde os raios da lâmpada caíam,
                Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
                E agora não se esparzem mais.

                Supus então que o ar, mais denso,
                Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
                Do quarto, estavam meneando
       Um ligeiro turíbulo invisível;
       E eu exclamei então: "Um Deus sensível
       Manda repouso à dor que te devora
                Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
                E o corvo disse: "Nunca mais".

“Profeta, ou o que quer que sejas!
                Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
                Onde reside o mal eterno,
       Ou simplesmente náufrago escapado
       Venhas do temporal que te há lançado
       Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
                Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
                E o corvo disse: "Nunca mais".

                “Profeta, ou o que quer que sejas!
                Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
                Por esse céu que além se estende,
       Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
       Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
       No éden celeste a virgem que ela chora
                Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”
                E o corvo disse: "Nunca mais".

                “Ave ou demônio que negrejas!
                Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa! clamei, levantando-me, cessa!
                Regressa ao temporal, regressa
       À tua noite, deixa-me comigo.
       Vai-te, não fique no meu casto abrigo
       Pluma que lembre essa mentira tua.
                Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
                E o corvo disse: "Nunca mais".

                E o corvo aí fica; ei-lo trepado
                No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
                Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
       Um demônio sonhando. A luz caída
       Do lampião sobre a ave aborrecida
       No chão espraia a triste sombra; e, fora
                Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
                Não sai mais, nunca, nunca mais!
- tradução Machado de Assis. in: ASSIS, Machado. "Poesias Ocidentais" - Poesias Completas, Rio de Janeiro: Garnier, 1901. [Obra Completa, Machado de Assis, vol. III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994].


The Raven
horizontal space Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
`'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door -
Only this, and nothing more.'

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; - vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow - sorrow for the lost Lenore -
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore -
Nameless here for evermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me - filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating
`'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door -
Some late visitor entreating entrance at my chamber door; -
This it is, and nothing more,'

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
`Sir,' said I, `or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you' - here I opened wide the door; -
Darkness there, and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the darkness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, `Lenore!'
This I whispered, and an echo murmured back the word, `Lenore!'
Merely this and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
`Surely,' said I, `surely that is something at my window lattice;
Let me see then, what thereat is, and this mystery explore -
Let my heart be still a moment and this mystery explore; -
'Tis the wind and nothing more!'

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door -
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door -
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
`Though thy crest be shorn and shaven, thou,' I said, `art sure no craven.
Ghastly grim and ancient raven wandering from the nightly shore -
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning - little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door -
Bird or beast above the sculptured bust above his chamber door,
With such name as `Nevermore.'

But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only,
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered - not a feather then he fluttered -
Till I scarcely more than muttered `Other friends have flown before -
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before.'
Then the bird said, `Nevermore.'

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
`Doubtless,' said I, `what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore -
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore
Of "Never-nevermore."'

But the raven still beguiling all my sad soul into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore -
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking `Nevermore.'

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamp-light gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamp-light gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose foot-falls tinkled on the tufted floor.
`Wretch,' I cried, `thy God hath lent thee - by these angels he has sent thee
Respite - respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil! -
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted -
On this home by horror haunted - tell me truly, I implore -
Is there - is there balm in Gilead? - tell me - tell me, I implore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us - by that God we both adore -
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore -
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Be that word our sign of parting, bird or fiend!' I shrieked upstarting -
`Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken! - quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted - nevermore!
- The Works of Edgar Allan Poe. New York: P. F. Collier & Son.



PRÓLOGO DO INTERMEZZO
(de Heinrich Heine)

Um cavalheiro havia, taciturno,
Que o rosto magro e macilento tinha.
Vagava como quem de algum noturno
Sonho levado, trépido caminha.
Tão alheio, tão frio, tão soturno,
Que a moça em flor e a lépida florinha,
Quando passar tropegamente o viam,
Às escondidas dele escarneciam.

Heinrich Heine, por Moritz Daniel Oppenheim (1831)
A miúdo buscava a mais sombria
Parte da casa, por fugir à gente;
Daquele posto os braços estendia
Tomado de desejo impaciente.
Uma palavra só não proferia.
Mas, pela meia-noite, de repente,
Estranho canto e música escutava,
E logo alguém que à porta lhe tocava.

Furtivamente então entrava a amada
O vestido de espumas arrastando,
Tão vivamente fresca e tão corada
Como a rosa que vem desabrochando;
Brilha o véu; pela esbelta e delicada
Figura as tranças soltas vão brincando;
Os meigos olhos dela os dele fitam,
E um ao outro de ardor se precipitam.

Com a força que amor somente gera,
O peito a cinge, agora afogueado;
O descorado as cores recupera,
E o retraído acaba namorado,
O sonhador desfaz-se da quimera...
Ela o excita, com gesto calculado;
Na cabeça lhe lança levemente
O adamantino véu alvo e luzente.

Ei-lo se vê em sala cristalina
De aquático palácio. Com espanto
Olha, e de olhar a fábrica divina
Quase os olhos lhe cegam. Entretanto,
Junto ao úmido seio a bela ondina
O aperta tanto, tanto, tanto, tanto...
Vão as bodas seguir-se. As notas belas
Vêm tirando das cítaras donzelas.

As notas vêm tirando, e deleitosas
Cantam, e cada uma a dança tece
Erguendo ao ar as plantas graciosas.
Ele, que todo e todo se embevece,
Deixa-se ir nessas horas amorosas...
Mas o clarão de súbito fenece,
E o noivo torna à pálida tristura
Da antiga, solitária alcova escura.
- tradução Machado de Assis, publicado em "A Semana, 14 abr. 1894". in: ASSIS, Machado. "Poesia dispersas/Obra Completa, Machado de Assis, vol. III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.


II. Lyrisches Intermezzo 
(Bruchstücke) 

Es war’ mal ein Ritter trübselig und stumm, 
Mit hohen, schneeweissen Wangen; 
Er schwankte und schlenderte schlotternd herum,
In dumpfen Träumen befangen. 
Er war so hölzern, so täppisch, so links, 
Die Blümlein und Mägdlein, die kicherten rings, 
Wenn er stolpernd vorbeigegangen. 

Oft sass er im finstersten Winkel zu Haus; 
Er hatt sich vor Menschen verkrochen. 
Da streckte er sehnend die Arme aus, 
Doch hat er kein Wörtlein gesprochen. 
Kam aber die Mitternachtstunde heran, 
Ein seltsames Singen und Klingen begann – 
An die Türe da hört er es pochen. 

Da kommt seine Liebste geschlichen herein 
Im rauschenden Wellenschaumkleide, 
Sie blüht und glüht wie ein Röselein, 
Ihr Schleier ist eitel Geschmeide. 
Goldlocken umspielen die schlanke Gestalt, 
Die Äuglein grüssen mit süsser Gewalt – 
In die Arme sinken sich beide. 

Der Ritter umschlingt sie mit Liebesmacht, 
Der Hölzerne steht jetzt in Feuer, 
Der Blasse errötet, der Träumer erwacht, 
Der Blöde wird freier und freier. 
Sie aber, sie hat ihn gar schalkhaft geneckt, 
Sie hat ihm ganz leise den Kopf bedeckt 
Mit dem weissen, demantenen Schleier. 

In einem kristallenen Wasserpalast 
Ist plötzlich gezaubert der Ritter. 
Er staunt, und die Augen erblinden ihm fast 
Vor alle dem Glanz und Geflitter. 
Doch hält ihn die Nixe umarmet gar traut, 
Der Ritter ist Bräutgam, die Nixe ist Braut, 
Ihre Jungfrauen spielen die Zither. 

Sie spielen und singen, und singen so schön, 
Und heben zum Tanze die Füsse; 
Dem Ritter, dem wollen die Sinne vergehn, 
Und fester umschliesst er die Süsse –
Da löschen auf einmal die Lichter aus, 
Der Ritter sitzt wieder ganz einsam zu Haus, 
In dem düstern Poetenstübchen.
- Heinrich Heine. Mein wertvollstes Vermächtnis. Religion – Leben – Dichtung.
Hrsg. von Felix Stössinger. 2. Auflage. Zürich: Manesse Verlag, 1985.


OS ANIMAIS ISCADOS DA PESTE
(de La Fontaine)

Mal que espalha o terror e que a ira celeste
       Inventou para castigar
Os pecados do mundo, a peste, em suma, a peste,
Capaz de abastecer o Aqueronte num dia,
       Veio entre os animais lavrar;
       E, se nem tudo sucumbia,
       Certo é que tudo adoecia.
Já nenhum, por dar mate ao moribundo alento,
       Catava mais nenhum sustento.
Não havia manjar que o apetite abrisse,
       Raposa ou lobo que saísse
       Contra a presa inocente e mansa,
       Rola que à rola não fugisse,
       E onde amor falta, adeus, folgança!
O leão convocou uma assembléia e disse:
"Sócios meus, certamente este infortúnio veio
       A castigar-nos de pecados.
       Que o mais culpado entre os culpados
Morra por aplacar a cólera divina.
Para a comum saúde esse é, talvez, o meio.
Em casos tais é de uso haver sacrificados;
       Assim a história no-lo ensina.
Sem nenhuma ilusão, sem nenhuma indulgência,
       Pesquisemos a consciência.
Quanto a mim, por dar mate ao ímpeto glutão,
       Devorei muita carneirada.
       Em que é que me ofendera? em nada.
       E tive mesmo ocasião
Jean de La Fontaine par Hyacinthe Rigaud, en 1690
De comer igualmente o guarda da manada.
Portanto, se é mister sacrificar-me, pronto.
       Mas, assim como me acusei,
Bom é que cada um se acuse, de tal sorte
Que (devemos querê-lo, e é de todo ponto
Justo) caiba ao maior dos culpados a morte."
"— Meu senhor, acudiu a raposa, é ser rei
Bom demais; é provar melindre exagerado.
       Pois então devorar carneiros,
Raça lorpa e vilã, pode lá ser pecado?
       Não. Vós fizestes-lhes, senhor,
       Em os comer, muito favor.
       E no que toca aos pegureiros,
Toda a calamidade era bem merecida,
       Pois são daquelas gentes tais
Que imaginaram ter posição mais subida
       Que a de nós outros animais".
Disse a raposa, e a corte aplaudiu-lhe o discurso.
       Ninguém do tigre nem do urso,
Ninguém de outras iguais senhorias do mato,
       Inda entre os atos mais daninhos,
       Ousava esmerilhar um ato;
       E até os últimos rafeiros,
       Todos os bichos rezingueiros,
Não eram, no entender geral, mais que uns santinhos.
Eis chega o burro: — "Tenho idéia que no prado
De um convento, indo eu a passar, e picado
Da ocasião, da fome e do capim viçoso,
       E pode ser que do tinhoso,
       Um bocadinho lambisquei
Da plantação. Foi um abuso, isso é verdade."
Mal o ouviu, a assembléia exclama: "Aqui del-rei!"
Um lobo, algo letrado, arenga e persuade
Que era força imolar esse bicho nefando,
Empesteado autor de tal calamidade;
       E o pecadilho foi julgado
                Um atentado.
Pois comer erva alheia! ó crime abominando!
       Era visto que só a morte
Poderia purgar um pecado tão duro.
       E o burro foi ao reino escuro.

Segundo sejas tu miserável ou forte
Áulicos te farão detestável ou puro.
- tradução Machado de Assis. in: ASSIS, Machado. "Poesias Ocidentais" - Poesias Completas, Rio de Janeiro: Garnier, 1901. [Obra Completa, Machado de Assis, vol. III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994].



Les animaux malades de la peste
Un mal qui répand la terreur,
Mal que le Ciel en sa fureur
Inventa pour punir les crimes de la terre,
La Peste [puisqu'il faut l'appeler par son nom]
Capable d'enrichir en un jour l'Achéron,
Faisait aux animaux la guerre.
Ils ne mouraient pas tous, mais tous étaient frappés :
On n'en voyait point d'occupés
A chercher le soutien d'une mourante vie ;
Nul mets n'excitait leur envie ;
Ni Loups ni Renards n'épiaient
La douce et l'innocente proie.
Les Tourterelles se fuyaient :
Plus d'amour, partant plus de joie.
Le Lion tint conseil, et dit : Mes chers amis,
Je crois que le Ciel a permis
Pour nos péchés cette infortune ;
Que le plus coupable de nous
Se sacrifie aux traits du céleste courroux,
Peut-être il obtiendra la guérison commune.
L'histoire nous apprend qu'en de tels accidents
On fait de pareils dévouements :
Ne nous flattons donc point ; voyons sans indulgence
L'état de notre conscience.
Pour moi, satisfaisant mes appétits gloutons
J'ai dévoré force moutons.
Que m'avaient-ils fait ? Nulle offense :
Même il m'est arrivé quelquefois de manger
Le Berger.
Je me dévouerai donc, s'il le faut ; mais je pense
Qu'il est bon que chacun s'accuse ainsi que moi :
Car on doit souhaiter selon toute justice
Que le plus coupable périsse.
- Sire, dit le Renard, vous êtes trop bon Roi ;
Vos scrupules font voir trop de délicatesse ;
Et bien, manger moutons, canaille, sotte espèce,
Est-ce un péché ? Non, non. Vous leur fîtes Seigneur
En les croquant beaucoup d'honneur.
Et quant au Berger l'on peut dire
Qu'il était digne de tous maux,
Etant de ces gens-là qui sur les animaux
Se font un chimérique empire.
Ainsi dit le Renard, et flatteurs d'applaudir.
On n'osa trop approfondir
Du Tigre, ni de l'Ours, ni des autres puissances,
Les moins pardonnables offenses.
Tous les gens querelleurs, jusqu'aux simples mâtins,
Au dire de chacun, étaient de petits saints.
L'Ane vint à son tour et dit : J'ai souvenance
Qu'en un pré de Moines passant,
La faim, l'occasion, l'herbe tendre, et je pense
Quelque diable aussi me poussant,
Je tondis de ce pré la largeur de ma langue.
Je n'en avais nul droit, puisqu'il faut parler net.
A ces mots on cria haro sur le baudet.
Un Loup quelque peu clerc prouva par sa harangue
Qu'il fallait dévouer ce maudit animal,
Ce pelé, ce galeux, d'où venait tout leur mal.
Sa peccadille fut jugée un cas pendable.
Manger l'herbe d'autrui ! quel crime abominable !
Rien que la mort n'était capable
D'expier son forfait : on le lui fit bien voir.
Selon que vous serez puissant ou misérable,
Les jugements de cour vous rendront blanc ou noir.
- Jean de La Fontaine "Recueil II, livre VII".



OS DEUSES DA GRÉCIA
(de Friedrich Schiller)

Quando, coos tênues vínculos de gozo,
Ó Vênus de Amatonte, governavas
Felizes raças, encantados povos
 Dos fabulosos tempos;

Quando fulgia a pompa do teu culto,
E o templo ornavam delicadas rosas,
Ai! quão diverso o mundo apresentava
 A face aberta em risos!

Na poesia envolvia-se a verdade;
Plena vida gozava a terra inteira;
E o que jamais hão de sentir na vida
 Então sentiam homens.

Lei era repousar no amor; os olhos
Nos namorados olhos se encontravam;
Friedrich Schiller, por Gerhard von Kügelgen
Espalhava-se em toda a natureza
 Um vestígio divino.

Onde hoje dizem que se prende um globo
Cheio de fogo, — outrora conduzia
Hélios o carro de ouro, e os fustigados
 Cavalos espumantes.

Povoavam Oréades os montes,
No arvoredo Doríades viviam,
E agreste espuma despejava em flocos
 A urna das Danaides.

Refúgio de uma ninfa era o loureiro;
Tantália moça as rochas habitava;
Suspiravam no arbusto e no caniço
 Sirinx, Filomela.

Cada ribeiro as lágrimas colhia
De Ceres pela esquiva Persefone;
E do outeiro chamava inutilmente
 Vênus o amado amante.

Entre as raças que o pio tessaliano
Das pedras arrancou, - os deuses vinham;
Por cativar uns namorados olhos
   Apolo pastoreava.

Vínculo brando então o amor lançava
Entre os homens, heróis e os deuses todos;
Eterno culto ao teu poder rendiam,
   Ó deusa de Amatonte!

Jejuns austeros, torva gravidade
Banidos eram dos festivos templos;
Que os venturosos deuses só amavam
   Os ânimos alegres.

Só a beleza era sagrada outrora;
Quando a pudica Tiêmone mandava,
Nenhum dos gozos que o mortal respira
   Envergonhava os deuses.

Eram ricos palácios vossos templos;
Lutas de heróis, festins, e o carro e a ode,
Eram da raça humana aos deuses vivos
    A jucunda homenagem.

Saltava a dança alegre em torno a altares;
Louros c'roavam numes; e as capelas
De abertas, frescas rosas, lhes cingiam
    A fronte perfumada.

Anunciava o galhofeiro Baco
O Tirso de Evoé; sátiros fulvos
Iam tripudiando em seu caminho;
    Iam bailando as Mênades.

A dança revelava o ardor do vinho;
De mão em mão corria a taça ardente,
Pois que ao fervor dos ânimos convida
    A face rubra do hóspede.

Nenhum espectro hediondo ia sentar-se
Ao pé do moribundo. O extremo alento
Escapava num ósculo, e voltava
    Um gênio a tocha extinta.

E além da vida, nos infernos, era
Um filho de mortal quem sustentava
A severa balança; e coa voz pia
    Vate ameigava as Fúrias.

Nos Elísios o amigo achava o amigo;
Fiel esposa ia encontrar o esposo;
No perdido caminho o carro entrava
    Do destro automedonte.

Continuava o poeta o antigo canto;
Admeto achava os ósculos de Alceste;
Reconhecia a Pílades o sócio,
    E o rei tessálio as flechas.

Nobre prêmio o valor retribuía
Do que andava nas sendas da virtude;
Ações dignas do céu, filhas dos homens,
    O céu tinham por paga.

Inclinavam-se os deuses ante aquele
Que ia buscar-lhe algum mortal extinto;
E os gêmeos lá no Olimpo alumiavam
    O caminho ao piloto.

Onde és, mundo de risos e prazeres?
Por que não volves, florescente idade?
Só as musas conservam os teus divinos
    Vestígios fabulosos.

Tristes e mudos vejo os campos todos;
Nenhuma divindade aos olhos surge;
Dessas imagens vivas e formosas
    Só a sombra nos resta.

Do norte ao sopro frio e melancólico,
Uma por uma, as flores se esfolharam;
E desse mundo rútilo e divino
    Outro colheu despojos.

Os astros interrogo com tristeza,
Selene, e não te encontro; à selva falo
Falo à vaga do mar, e à vaga, e à selva,
    Inúteis vozes mando.

Da antiga divindade despojada,
Sem conhecer os êxtases que inspira,
Desse esplendor que eterno a fronte lhe orna
    Não sabe a natureza.

Nada sente, não goza do meu gozo;
Insensível à força com que impera,
O pêndulo parece condenado
    Às frias leis que o regem.

Para se renovar, abre hoje a campa,
Foram-se os numes ao país dos vates;
Das roupas infantis despida, a terra
    Inúteis os rejeita.

Foram-se os numes, foram-se; levaram
Consigo o belo, e o grande, e as vivas cores,
Tudo que outrora a vida alimentava,
    Tudo que é hoje extinto.

Ao dilúvio dos tempos escapando,
Nos recessos do Pindo se entranharam:
O que sofreu na vida eterna morte,
    Imortalize a musa!
- tradução Machado de Assis (*). in: ASSIS, Machado. Falenas. Rio de Janeiro: B.-L. Garnier, 1870. [Obra Completa, Machado de Assis, vol. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994].
(*) Nota do tradutor. Não sei alemão; traduzi estes versos pela tradução em prosa francesa de um dos mais conceituados intérpretes da língua de Schiller.


Die Götter Griechenlands
Da ihr noch die schöne Welt regieret,
An der Freude leichtem Gängelband
Selige Geschlechter noch geführet,
Schöne Wesen aus dem Fabelland!
Ach, da euer Wonnedienst noch glänzte,
Wie ganz anders, anders war es da!
Da man deine Tempel noch bekränzte,
Venus Amathusia!

Da der Dichtung zauberische Hülle
Sich noch lieblich um die Wahrheit wand, –
Durch die Schöpfung floß da Lebensfülle,
Und was nie empfinden wird, empfand.
An der Liebe Busen sie zu drücken,
Gab man höhern Adel der Natur,
Alles wies den eingeweihten Blicken,
Alles eines Gottes Spur.

Wo jetzt nur, wie unsre Weisen sagen,
Seelenlos ein Feuerball sich dreht,
Lenkte damals seinen goldnen Wagen
Helios in stiller Majestät.
Diese Höhen füllten Oreaden,
Eine Dryas lebt' in jenem Baum,
Aus den Urnen lieblicher Najaden
Sprang der Ströme Silberschaum.

Jener Lorbeer wand sich einst um Hilfe,
Tantals Tochter schweigt in diesem Stein,
Syrinx' Klage tönt' aus jenem Schilfe,
Philomelas Schmerz aus diesem Hain.
Jener Bach empfing Demeters Zähre,
Die sie um Persephone geweint,
Und von diesem Hügel rief Cythere,
Ach, umsonst! dem schönen Freund.

Zu Deukalions Geschlechte stiegen
Damals noch die Himmlischen herab;
Pyrrhas schöne Töchter zu besiegen,
Nahm der Leto Sohn den Hirtenstab.
Zwischen Menschen, Göttern und Heroen
Knüpfte Amor einen schönen Bund,
Sterbliche mit Göttern und Heroen
Huldigten in Amathunt.

Finstrer Ernst und trauriges Entsagen
War aus eurem heitern Dienst verbannt;
Glücklich sollten alle Herzen schlagen,
Denn euch war der Glückliche verwandt.
Damals war nichts heilig, als das Schöne,
Keiner Freude schämte sich der Gott,
Wo die keusch erröthende Kamöne,
Wo die Grazie gebot.

Eure Tempel lachten gleich Palästen,
Euch verherrlichte das Heldenspiel
An des Isthmus kronenreichen Festen,
Und die Wagen donnerten zum Ziel.
Schön geschlungne, seelenvolle Tänze
Kreisten um den prangenden Altar,
Eure Schläfe schmückten Siegeskränze,
Kronen euer duftend Haar.

Das Evoe muntrer Thyrsusschwinger
Und der Panther prächtiges Gespann
Meldeten den großen Freudebringer,
Faun und Satyr taumeln ihm voran;
Um ihn springen rasende Mänaden,
Ihre Tänze loben seinen Wein,
Und des Wirthes braune Wangen laden
Lustig zu dem Becher ein.

Damals trat kein gräßliches Gerippe
Vor das Bett des Sterbenden. Ein Kuß
Nahm das letzte Leben von der Lippe,
Seine Fackel senkt' ein Genius.
Selbst des Orkus strenge Richterwage
Hielt der Enkel einer Sterblichen,
Und des Thrakers seelenvolle Klage
Rührte die Erinyen.

Seine Freuden traf der frohe Schatten
In Elysiens Hainen wieder an,
Treue Liebe fand den treuen Gatten
Und der Wagenlenker seine Bahn;
Linus' Spiel tönt' die gewohnten Lieder,
In Alcestens Arme sinkt Admet,
Seinen Freund erkennt Orestes wieder,
Seine Pfeile Philoktet.

Höhre Preise stärken da den Ringer
Auf der Tugend arbeitvoller Bahn;
Großer Thaten herrliche Vollbringer
Klimmten zu den Seligen hinan.
Vor dem Wiederforderer der Todten
Neigte sich der Götter stille Schaar;
Durch die Fluten leuchtet dem Piloten
Vom Olymp das Zwillingspaar.

Schöne Welt, wo bist du? – Kehre wieder,
Holdes Blüthenalter der Natur!
Ach, nur in dem Feenland der Lieder
Lebt noch deine fabelhafte Spur.
Ausgestorben trauert das Gefilde,
Keine Gottheit zeigt sich meinem Blick,
Ach, von jenem lebenwarmen Bilde
Blieb der Schatten nur zurück.

Alle jene Blüthen sind gefallen
Von des Nordes schauerlichem Wehn;
Einen zu bereichern unter Allen,
Mußte diese Götterwelt vergehn.
Traurig such' ich an dem Sternenbogen,
Dich, Selene, find' ich dort nicht mehr;
Durch die Wälder ruf' ich, durch die Wogen,
Ach! sie wiederhallen leer!

Unbewußt der Freuden, die sie schenket,
Nie entzückt von ihrer Herrlichkeit,
Nie gewahr des Geistes, der sie lenket,
Sel'ger nie durch meine Seligkeit,
Fühllos selbst für ihres Künstlers Ehre,
Gleich dem todten Schlag der Pendeluhr,
Dient sie knechtisch dem Gesetz der Schwere,
Die entgötterte Natur.

Morgen wieder neu sich zu entbinden,
Wühlt sie heute sich ihr eignes Grab,
Und an ewig gleicher Spindel winden
Sich von selbst die Monde auf und ab.
Müßig kehrten zu dem Dichterlande
Heim die Götter, unnütz einer Welt,
Die, entwachsen ihrem Gängelbande,
Sich durch eignes Schweben hält.

Ja, sie kehrten heim, und alles Schöne,
Alles Hohe nahmen sie mit fort,
Alle Farben, alle Lebenstöne,
Und uns blieb nur das entseelte Wort.
Aus der Zeitfluth weggerissen, schweben
Sie gerettet auf des Pindus Höhn;
Was unsterblich im Gesang soll leben,
Muß im Leben untergehn.

- Friedrich Schiller

SOUVENIRS D'EXIL

(de Charles Ribeyrolles)

Flor a abrir entre nós, surge agora um infante;
Fronte loura a sorrir em nossa proscrição,
Os numes vêm cercá-lo em seu berço galante,
E para erguê-lo ao céu todos lhe abrem a mão.

Mas ele que será? Calvinista ou romano?
Ou turco, ou querubim de Lutero, ou judeu?
E que santo do céu a este lírio humano,
Ao costume fiel, dará o nome seu?

É o beijo das mães, entre nós... o batismo,
Esse amoroso olhar que nos embala então!
Nós não temos por dogma a fé do barbarismo
E nem numes fatais de sangue e de opressão.

Batizamo-lo em ti, ó liberdade santa,
Alma dos bravos desce — eis um berço infantil.
O teu signo de luz, tua altivez lhe implanta,
Os velhos bendirão a tua mão viril!

Espírito de luz — eia, marchar — avante!
Nossos ossos em pó reflorirão por dom!
Mas conservai a fé, e o futuro radiante,
Lutar é um dever — lembra-te, Charles Frond!
- tradução Machado de Assis, publicado em "1859". in: ASSIS, Machado. "Poesia dispersas/Obra Completa, Machado de Assis, vol. III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.




TO BE OR NOT TO BE
“Ser ou não ser” – Hamlet, Ato 3 Cena 1
(de Shakespeare)

Ser ou não ser, eis a questão. Acaso
É mais nobre a cerviz curvar aos golpes
Da ultrajosa fortuna, ou já lutando
Extenso mar vencer de acerbos males?
Morrer, dormir, não mais. E um sono apenas,
Que as angústias extingue e à carne a herança
Da nossa dor eternamente acaba,
Sim, cabe ao homem suspirar por ele.
Machado de Assis & William Shakespeare,
por Cavalcante
Morrer, dormir. Dormir? Sonhar, quem sabe!
Ai, eis a dúvida. Ao perpétuo sono,
Quando o lodo mortal despido houvermos,
Que sonhos hão de vir? Pesá-lo cumpre.
Essa a razão que os lutuosos dias
Alonga do infortúnio. Quem do tempo
Sofrer quisera ultrajes e castigos,
Injúrias da opressão, baldões do orgulho,
Do mal prezado amor choradas mágoas,
Das leis a inércia, dos mandões a afronta,
E o vão desdém que de rasteiras almas
O paciente mérito recebe,
Quem, se na ponta da despida lâmina
Lhe acenara o descanso? Quem ao peso
De uma vida de enfados e misérias
Quereria gemer, se não sentira
Terror de alguma não sabida cousa
Que aguarda o homem para lá da morte,
Esse eterno país misterioso
Donde um viajor sequer há regressado?
Este só pensamento enleia o homem;
Este nos leva a suportar as dores
Já sabidas de nós, em vez de abrirmos
Caminho aos males que o futuro esconde,
E a todos acovarda a consciência.
Assim da reflexão à luz mortiça
A viva cor da decisão desmaia;
E o firme, essencial cometimento,
Que esta idéia abalou, desvia o curso,
Perde-se, até de ação perder o nome.
- tradução Machado de Assis, em "Poesias Ocidentais". in: Obra Completa, Machado de Assis, vol. III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. [Publicado originalmente em Poesias Completas, Rio de Janeiro: Garnier, 1901].


“To Be Or Not To Be”: Spoken by Hamlet, Act 3 Scene 1
To be, or not to be: that is the question:
Whether ’tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune,
Or to take arms against a sea of troubles,
And by opposing end them? To die: to sleep;
No more; and by a sleep to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to, ’tis a consummation
Devoutly to be wish’d. To die, to sleep;
To sleep: perchance to dream: ay, there’s the rub;
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause: there’s the respect
That makes calamity of so long life;
For who would bear the whips and scorns of time,
The oppressor’s wrong, the proud man’s contumely,
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office and the spurns
That patient merit of the unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscover’d country from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all;
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pith and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.–Soft you now!
The fair Ophelia! Nymph, in thy orisons
Be all my sins remember’d.
- “To Be Or Not To Be”: Spoken by Hamlet, Act 3 Scene 1 – The Complete Works of William Shakespeare by William Shakespeare.


OUTRAS OBRAS TRADUZIDAS POR MACHADO DE ASSIS
[algumas edições disponíveis online]
:: Oliver Twist, de Charles Dickens. [tradução de Machado de Assis e Ricardo Lísias]. 1ª ed., São Paulo: Hedra, 2002. (publicado originalmente em Jornal da Tarde, Rio de Janeiro, de 23/4/1870 a 23/8/1870). Disponível no link. (acessado em 17.7.2014). 
:: Os trabalhadores do mar (Les travailleurs de la mer), de Victor Hugo. [tradução Machado de Assis]. Rio de Janeiro: Tipografia Perseverança, 1866. 1ª edição disponível em PDF na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - link. (acessado em 18.7.2014).
:: Suplício de uma mulher, de Emile de Gerardin e Alexandre Dumas FiIlho.(tradução Machado de Assis). in: Teatro de Machado de Assis. [org. de João Roberto Faria]. São Paulo: Martins Fontes, 2003. (Publicada originalmente Obra Completa, Rio de Janeiro: W. M. Jackson, 1937). Disponível no link - e - link. (acessado em 17.7.2014).
:: Queda que as mulheres têm para os tolos. Victor Henaux. [tradução de Machado de Assis]. Rio de Janeiro: Typographia Paula Brito, 1860.



“Daqui o nascimento de uma entidade: o tradutor dramático, espécie de criado de servir que passa de uma sala a outra, os pratos de uma cozinha estranha. Ainda mais essa!”
- Machado de Assis (1859)


PUBLICAÇÕES RECOMENDADAS
:: Os trabalhadores do mar. Victor Hugo. [tradução Machado de Assis, Marília Garcia; ilustrações Victor Hugo]. São Paulo: Cosac & Naify, 2013. 704p.


BIBLIOGRAFIA SOBRE MACHADO DE ASSIS TRADUTOR
Machado de Assis - ilustração 1873
BARRETO, Eleonora Frenkel. O original na tradução de Machado de Assis. Disponível no link. (acessado em 17.7.2014).
BARRETO, Junia. Traições editoriais: os trabalhadores do mar, de Victor Hugo a Machado de Assis. Traduzires 1 – Maio 2012. Disponível no link. (acessado em 29.7.2014).
BONACIN, Larissa Degasperi; SCHÄFFEL, Dicleia Maria Bastos. Tradução poética: “O corvo” aos olhos de Machado de Assis e Fernando Pessoa. Eletras, vol. 20, n.20, jul. 2010. Disponível no link. (acessado em 30.7.2014).
CALLIPO, Daniela Mantarro. Rimas de sândalo e ouro: a presença de Victor Hugo nas crônicas de Machado de Assis. Signótica, v. 1, n. 1, Goiânia, p. 17-42, 2006.
CAMELO, Franciano. A relação narrador/leitor na tradução machadiana de Oliver Twist. Machado de Assis em Linha, v. 9, p. 46-65, 2012.
CAMELO, Franciano. English fiction via translation in nineteenth-century Brazil: Charles Dickens and Machado de Assis. revista Idéias (UFSM), v. 26, p. 01-28, 2010.
CAMELO, Franciano. Machado de Assis e a (re)escrita de "Oliver Twist". (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, 2013. Disponível no link. (acessado em 30.7.2014).
CARNEIRO LEÃO. Victor Hugo no Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio,1960.
COSTA, Lúcia Lima da. Machado de Assis tradutor: o labirinto da representação. (Tese Doutorado em Literatura Comparada). Faculdade de Letras, Rio de Janeiro, UFRJ, 2006. 
ESTEVES, Lenita M. R.. Uma tradução singular: Oliver Twist, por Machado de Assis e Ricardo Lísias. ComCiência  nº 140, Campinas jul. 2012. Disponível no link. e link. (acessado em 29.7.2014).
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MASSA, Jean-Michel. Um amigo português de Machado de Assis: Antônio Moutinho de Sousa. [tradução Lúcia Granja].Machado Assis linha, Rio de Janeiro. v. 5, n. 10, p. 10-25, dezembro 2012. Disponível no link. (acessado em 17.7.2014).
MEDEIROS, J.. Machado de Assis e a arte de subverter o original. In: O Estado de S. Paulo, 28/4/2002, p. D10.
MELLO FRANCO, Afonso; LACOMBE, Américo (orgs.). Machado de Assis.Rio de Janeiro: Editora Três, 2003.
MOREIRA, Marisol Santos. Impressões sobre Heine em Machado de Assis. Apario, Boletim 37. Disponível no link. (acessado em 1.8.2014).
PIMENTEL, A. Fonseca. A presença alemã na obra de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1974. 
PUGLIA, Daniel. Dois lugares, dois tempos: Charles Dickens e Machado de Assis. In: Márcia Abreu. (Org.). Trajetórias do Romance: circulação, leitura e escrita nos séculos XVIII e XIX. Campinas: Mercado de Letras, 2008, v. , p. 483-496.
RESENHA. Trabalhadores do Mar, Os – Victor Hugo. Blog O esplanador. 23.10.2013. Disponível no link. (acessado em 27.7.2014).
ROSSO, Mauro. Machado, eterno enigma. O Vertebral - artigos, crônicas e utopias. 29 de junho de 2009. Disponível no link. (acessado em 1.8.2014).
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