É tempo de alteridades radicalizadas

Paulo Baía*


Obra (autoria não identificada)
É tempo de ouvir e olhar com generosidades os outros e as ruas. É tempo de saber nuançar e descriminar bem os detalhes na multidão. É tempo de desconstruir e refazer nosso escutar e nosso olhar. Se assim o fizermos, teremos oportunidades tênue de compreender; o que as ruas e os outros, estão a nos dizer aos gritos.Teremos chaves de entendimentos, para decifrarmos os silêncios das massas urbanas. Teremos a oportunidade rara de perceber o que seres desejantes desejam. Se assim não o fizermos, nada compreenderemos do que se passa a frente de nossos olhares. Com conceitos antigos, velhos olhares, e antepassadas maneiras de ouvir, nada entenderemos. Os tempos são de desencaixes e reencaixes acelerados. Muito acelerados. O que é novo agora torna-se antigo em 5(cinco) minutos. Os processos de sociabilidades se multiplicam em escalas para muito além do exponencial. As novas tecnologias associadas a novas formas comunicativas engendram um horizontalizar comunicativo que também é circular. Todos nós somos a um só tempo receptores e produtores de comunicações, informações e desinformações. O fato é que esteja onde estivermos estaremos em uma urbe mundializada. Hoje não existe mais a chamada cidade do mundo que Manuel Castells indicava no fim do século XX, hoje posso afirmar com convicção formada pelo experimentalismo existencial que o planeta terra é uma grande cidade mundializada, seja para o bem ou para o mal. Não importa. Umberto Eco e Herbert Marshall McLuhan realizaram sua visão prospectiva na década de 1960/1970 do século XX, como realidade contundente e irreversível a partir da década de 1990 do século XX, de que o mundo seria uma aldeia. Hoje vivemos nessa aldeia global e altamente conectados em tempo real. É o ciberativismo do mundo da vida no tempo presente. É tempo de múltiplas novidades. É tempo de gestações e partos instantâneos de atitudes e comportamentos. As tecnologias, o conhecimento horizontalizado, circular e universalizante das ciências, reinventam o tempo presente real e imaginário em milésimos de segundos a cada instante. É tempo de nos reinventarmos de maneira ampla, flexível e mundializada da mesma forma. O tempo é de alteridades permanentes e recicláveis. Não é tempo de absolutos. Não é tempo de eu sei. É tempo de eu quero saber. Não é tempo de certezas duradoras. É tempo de dúvidas permanentes. O tempo é de reinvenções perenes e continuadas. O tempo nos exige transmutações rápidas e sinceras. O tempo está a exigir de nós: ouvir, ouvir, ouvir, ouvir,......... O tempo está a exigir de nós só saber depois de sentir. É tempo de alteridades e emoções radicalizadas. (**)
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(*) Nota biográfica
Paulo Baía, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1976), mestre em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (2001) e doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2006). Atualmente é professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenador do Núcleo de Sociologia do Poder e Assuntos Estratégicos, pesquisador associado sênior do Laboratório Cidade e Poder da UFF, do Laboratório de Estudos de Gênero do IFCS/UFRJ e do Núcleo de Inclusão Social (NIS) - UFRJ. Tem experiência nas áreas de Sociologia e Ciência Política, com ênfase em sociologia política, atuando principalmente nos seguintes temas: pensamento social brasileiro, estudos estratégicos, teoria política, cultura política, pensamento social, defesa nacional, segurança pública, desigualdades sociais, cidadania, violência, direitos humanos, eleições, estudos urbanos, sistemas de informação/contra-informação/inteligência e boato. (CV Lattes). E-mail: paulorsbaia - e - paulorsbaia-ifcs.
Tese Doutorado
BAÍA, Paulo Rogério dos Santos. A tradição reconfigurada: mandonismo, municipalismo e poder local no município de Nilópolis e no bairro da Rocinha, na região metropolitana do Rio de Janeiro. [Tese de Doutorado]. Rio de Janeiro: UFRRJ, 2006. Disponível no link. (acessado 8.11.2013).


(**) Ensaio ampliado e revisado pelo autor. Originalmente publicado sob o título "É tempo de reinvenções do Eu", em 19.7.2013 no blog "Adornando a Vida/Sonia Salim". O presente ensaio é resultado da palestra do professor Paulo Baía, no Laboratório "Cidade e Poder" do Programa de pós-graduação em 'Historia Social', da Universidade Federal Fluminense - UFF. 

# Autorizada a reprodução deste ensaio integral ou parcial, desde que citados os devidos créditos e a fonte.

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** Página atualizada em 18.1.2016.



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2 comentários:

  1. Parabens..muito produtiva a divulgação deste assunto.;

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  2. É bom viver em permanente dúvida porque nos permite mudar o olhar a cada momento em direções variadas. Estamos sempre em transformação.

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