Rudyard Kipling - A liberdade do escritor

 Rudyard Kipling - contista e poeta inglês

 "Kipling compreendia as coisas misteriosas e as coisas que estão além das fronteiras do nosso mundo."
- T.S. Eliot


Joseph Rudyard Kipling, romancista, contista, cronista, jornalista e poeta inglês, Prêmio Nobel de Literatura em 1907, controverso por suas ideias imperialistas, morre em Londres em 18 de janeiro de 1936, estando enterrado no Canto dos Poetas da Abadia de Westminster em Londres.

Nascido em Bombaim, Índia, em 1865, Kipling granjeou celebridade por meio de romances destinados à juventude: O Livro da Selva (1895) e Capitães Intrépidos (1897).

O autor se fez o poeta do imperialismo britânico e do “fardo do homem branco”. Seu mais célebre poema é publicado em fevereiro de 1899 na McLure's Magazine, em um momento crítico, quando a expansão colonial tocava os seus limites:

Assuma o fardo ó, homem branco
Das selvagens guerras da paz.
Alimente a boca da fome
E faça com que cesse a miséria

Este poema traduz a mentalidade progressista do fim do século 19. Ela não é desprovida de generosidade e o poema poderia perfeitamente ser adotado hoje em dia pelos militantes do Terceiro Mundo, médicos-sem-fronteiras, organizações não governamentais , entre outros. Não haveria nem sequer a necessidade de substituir a palavra ‘branco’ por ‘rico’ ou ‘desenvolvido’ que são, neste começo do século 21, equivalentes.

Poeta agnóstico, Kipling é representativo de uma época em que se afasta de Deus e se deposita as esperanças no progresso científico e no retorno à natureza. É assim que exalta o super-homem em seu famoso poema If (Se, 1910), que se encerra com o verso: “tu serás um Homem, meu filho!”. Esta filosofia orgulhosa encontra um trágico fim na Grande Guerra (1914-1918).

Aos 6 anos foi enviado à Inglaterra, onde estudou no United Services College de Westward Ho, em Devonshire. De volta à India em 1882, dedica-se ao jornalismo na qualidade de sub-editor do The Lahore Civil and Military Gazette e, depois, entre 1887 e 1889, do The Pioneer.

Aos 21 anos publicou seu primeiro livro, Cantigas Departamentais (1866), coletânea de versos de circunstâncias, e aos 22, o primeiro volume de narrativas, Contos Simples das Colinas (1887), ao que se seguiram em 1888-89, outros 6: Três Soldados, Sob os Cedros Deodaras, O Riquixá Fantasma, A História dos Gatsby, Em Branco e Preto e O Pequeno Guilherme Winkie.

Rudyard Kipling - contista e poeta
Em tais contos, ambientados na vida do país segundo o entendimento de um inglês, escritos em linguagem direta e vigorosa que recorda o jargão militar, revelou um agudo espírito de observação, capacidade inventiva e especial habilidade na descrição de tipos característicos. O estilo rápido e despojado, o tom rude e amiúde cínico e o cru realismo oferecem um sabor de experiência vivida, com matizes de historietas contadas sob as tendas de um acampamento de soldados no curso de longas vigílias noturnas. 

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Após uma longa viagem por Japão e Estados Unidos, que relatou em dois volumes em De Mar a Mar (1889), escreveu outra série de narrativas indianas para a The Macmillan's Magazine, reunidas mais tarde em Peripécias da Vida (1891). Na Inglaterra publicou também uma coleção de baladas, Canções de Quartel (1892), que, junto com os poemas de Sete Mares (1896) e de As Cinco Nações (1903), fez de Kipling o poeta do triunfante imperialismo britânico da era vitoriana.

Lançou, sem maior sucesso, o romance A Luz que se Apaga (1891), e se casa em 1892 com Caroline Balestier, de Nova York,  estabelecendo-se com ela em Battleboro, Vermont, onde passou 4 anos escrevendo várias obras. Tais textos revelam a influência, em especial, de Jack London, voltados para a exaltação da vida primitiva e do retorno à mãe-natureza:  Invenções Várias (1893), O Livro da Selva (1894), O Segundo Livro da Selva (1895) e Capitães Intrépidos (1897).

Nessas obras descreve um mítico mundo animal, regulado pelas férreas leis da força, em que Mogli, o menino-lobo, é acolhido fraternalmente e encontra os rastros de uma afinidade e simpatia atávicas. Tratava-se das primeiras obras de sucesso voltados para o público juvenil. Seguiram-se As Histórias Assim Mesmo e Histórias para Crianças (1902), além de delicadas lendas, cheias de “humor” e lirismo sutil, reunidas em Gunga Din (1906) e Recompensas e Fadas (1910).

Regressa à Inglaterra em 1896, fixando-se definitivamente em uma localidade de Surrey onde permaneceu até sua morte. Em 1907 conquistou o Prêmio Nobel de Literatura e, em 1926, a Medalha de Ouro da Royal Society of Literature.

Seus últimos trabalhos são coleções de relatos e textos diversos escritos por ocasião da Primeira Guerra Mundial. Os mais importantes são Débito e Crédito (1926) e Limite e Renovações (1932).

A obra-prima de Kipling é Kim (1901), em que através do fio condutor das aventuras de um rapaz apresenta um quadro clássico dos aspectos mais pitorescos da Índia.

A produção poética perdeu interesse devido ao seu caráter excessivamente declamatório e circunstancial. Os textos narrativos, em contrapartida, apresentam, como diz Henry James, “a magia irresistível de sois tórridos, de impérios submetidos, de religiões selvagens e de guarnições militares inquietas”.

"[…] o Kipling poeta e contista, e mais ainda este do que aquele, era de modernidade excepcional na energia de um impressionismo extremamente delicado e subtil. Por muito que sejam antipáticos, hoje, os pressupostos ideológicos — mística do “serviço”, missão apostólico-imperial da “raça” britânica, culto dos canhões como suprema razão, heroísmo como atitude vital, fascínio da força e da autoridade —, são inegáveis a intensidade da visão de Kipling, a sua maestria às vezes ostentosa mas sempre superior, a sua arte consumada de sugerir e criar atmosferas, o seu sentido dramático da solidão humana […]"
- Jorge de Sena, em "A Literatura Inglesa". Lisboa: Editora Cotovia, 1989.


Rudyard Kipling, by Sir Philip Burne-Jones. 1899,
©National Portrait Gallery, London
Obras de Rudyard Kipling publicadas no Brasil
:: Os livros da Selva - contos de Mowgli e outras histórias. Rudyard Kipling. Edição comentada e ilustrada. [apresentação, tradução e notas Alexandre Barbosa de Souza com colaboração Rodrigo Lacerda; ilustrações J. Lockwood Kipling e W. H. Drake]. 2 volumes. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2016.
:: Mogli: O menino lobo (The Jungle Book). Rudyard Kipling. [tradução Monica Stahel; ilustração Gabriel Pacheco]. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2016.
:: Histórias de Mowgli: do livro do jângal. Rudyard Kipling. [tradução Casemiro Linarth; ilustrações Sergio Magno; prefácio Luiz Carlos Gabrie]. São Paulo: Editora Martin Claret, 2016.
:: Os livros da Selva: Mowgli e outras histórias. Rudyard Kipling. [tradução Julia Romeu; organização, introdução e notas Kaori Nagai; prefácio e cronologia Jan Mantefiore]. Coleção Penguin Clássicos. Editora Companhia das Letras, 2015.
:: O homem que queria ser rei (The Man who Would Be King). Rudyard Kipling. [tradução Sergio Flaksman]. Coleção A Arte da Novela. São Paulo: Editora Grua Livros, 2015.
:: Kim. Rudyard Kipling. [tradução Maria Valeria Rezende; ilustrações J. Lockwood Kipling]. São Paulo: Editora Autêntica, 2014.
:: A primeira carta. Rudyard Kipling. [tradução Luciano Machado; adaptação e ilustração Yann Degruel]. Rio de Janeiro: Editora Salamandra, 2013.
:: O filhote de elefante. Rudyard Kipling. [adaptação e ilustrações Yann Degruel; tradução Luciano Machado]. Rio de Janeiro: Editora Salamandra, 2013.
:: Histórias assim. Rudyard Kipling. (coletânea contos).. [tradução Myriam Campello]. São Paulo: Editora Octavo, 2012.
:: Kim. Rudyard Kipling. [tradução Flora Pinheiro]. Edição de Bolso. Rio de Janeiro: BestBolso (Record), 2012.
:: O Riquixá Fantasma e Outros Contos Misteriosos. Rudyard Kipling. [tradução e notas Luciana Salgado]. Edição Bilíngue. (ePUB). São Paulo: Editora Landmark, 2012.
:: As Crônicas do Brasil. Rudyard Kipling. [tradução e notas Luciana Salgado]. Edição Bilíngue. São Paulo: Editora Landmark, 2010.
:: O Homem que Queria Ser Rei e Outros Contos Selecionados. Rudyard Kipling.[tradução e notas Luciana Salgado]. Edição Bilíngue. São Paulo: Editora Landmark, 2010.
:: Sob os Cedros do Himalaia: Under the DeodarsRudyard Kipling. [tradução e notas Luciana Salgado]. Edição Bilíngue.  (ePUB). São Paulo: Editora Landmark, 2010.
:: Wee Willie Winkie e Outras Histórias para Crianças. Rudyard Kipling. [tradução e notas Luciana Salgado]. Edição Bilíngue.  (ePUB). São Paulo: Editora Landmark, 2010.
Rudyard Kipling,  by Fabrizio Cassetta
:: O Homem Que Queria Ser Rei e Outras Histórias*. Rudyard Kipling. [tradução Cristina Carvalho Boselli; edição e texto complementar de Heitor Ferraz]. Coleção Clássicos Abril. São Paulo: Editora Abril, 2010. {*originalmente publicado pela Editora Record 1975}
:: O Elefante Infante (The elefanth's child | L'enfant éléphant). Rudyard Kipling. [tradução Adriano Messias; ilustrações Fernando Vilela]. Edição trilíngue Português-inglês-francês. São Paulo: Musa Editora, 2009.
:: O livro da selva ­ As histórias de Mowgli. Rudyard Kipling. [adaptação Bruno Berlendis; ilustrações Gonzalo Cárcamo; tradução ?]. Os meus clássicos. São Paulo: Editora Berlendis e Vertecchia, 2007.
:: Os Irmãos de Mowgli: a origem do menino lobo. Rudyard Kipling. [adaptação Rodrigo Espinosa Cabral; tradução?]. Coleção Aventuras Grandiosas. São Paulo: Editora Rideel, 2007.
:: Tigre! Tigre!. Rudyard Kipling. [adaptação Rodrigo Espinosa Cabral; tradução?]. Coleção Aventuras Grandiosas. São Paulo: Editora Rideel, 2007.
:: A foca Branca. Rudyard Kipling. [adaptação Ana Carolina Vieiera Rodriguez; tradução?]. Coleção Aventuras Grandiosas. São Paulo: Editora Rideel, 2007.
:: A Foca Branca. Rudyard Kipling. [adaptação e tradução Tatiana Belinky; ilustrações Andréa Corbani]. Coleção Infanto-Juvenil. São Paulo: Editora 34, 2006.
:: Rikki-tikki-tavi. Rudyard Kipling. [adaptação e tradução Tatiana Belinky; ilustrações Andréa Corbani]. Coleção Infanto-Juvenil. São Paulo: Editora 34, 2006.
:: Mowgli, o Menino Lobo. Rudyard Kipling. [adaptação José Arrabal; tradução Monteiro Lobato; ilustração Fábio Sgroi]. Coleção Primeiros Clássicos. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2004.
:: O livro da Selva. Rudyard Kipling. [tradução Vera Karam]. Porto Alegre: L& PM, 1997.
:: O livro da Selva. Rudyard Kipling. [tradução Vilma Maria da Silva]. São Paulo: Editora Princípio, 1997; Editora Landy, 2002.
:: O livro da selva (The Jungle Book). Rudyard Kipling. [tradução Duda Machado. prefácio Geraldo Galvão Ferraz]. Coleção Eu leio. São Paulo: Editora Ática, 1994.
:: Kim. Rudyard Kipling. [tradução e adaptação Eliana Sabino]. São Paulo: Editora Scipione, 1992.
:: O Homem Que Queria Ser Rei e Outras Histórias. Rudyard Kipling. [tradução Cristina Carvalho Boselli]. Rio de Janeiro: Editora Record, 1975; edição de bolso, 2012.
Rudyard Kipling, by John Collier (1899)
:: A Luz que se Apagou. Rudyard Kipling. [tradução João Távora; capa Pablo Picasso; ilustrações Gérard Économos; estudo introdutório Raymon Las Vergnas]. Coleção Prêmios Nobel de Literatura. Rio de Janeiro: Editora Delta, 1962; Rio de Janeiro: Editora Opera Mundi, 1973.
:: O livro da Jângal*. Rudyard Kipling. [tradução Monteiro Lobato 'revista'; 'poemas de Kipling' tradução Jamil Almansur Haddad]. Coleção Biblioteca do Espírito Moderno - 4ª série (literatura). São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1940. {*tradução de "The jungle book" e "The second jungle book"}
:: Jacala, o crocodilo*. Rudyard Kipling. [tradução Monteiro Lobato]. Coleção Terramarear, vol. 15. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1934. {*título dado a tradução parcial "The second jungle book"}
:: Kim. Rudyard Kipling. [tradução Monteiro Lobato]. Coleção Biblioteca Espírito Moderno. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1934; 2ª ed., 1945.
:: Mowgli, o Menino Lobo (The Jungle Book). Rudyard Kipling. [tradução Monteiro Lobato]. Coleção Terramarear, vol. 1. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1933.
:: Cenas brasileirasum documento inédito - a presença de Kipling no Brasil (1927). Rudyard Kipling. [tradução Pinheiro de Lemos (textos); Geir Campos (poemas)]. Ilustrado. Rio de Janeiro: Editora Record, s/data; 1977. {Disponível em pdf na biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP). AQUI!}

Portugal (algumas referências)
:: A Casa dos Desejos. Rudyard Kipling. [seleção e apresentação Jorge Luis Borges; tradução Alice Rocha]. Coleção A Biblioteca de Babel, nº 9. Editorial Presença, 2008.
:: Lobos do mar. Rudyard Kipling. [tradução António Sérgio].  Lisboa: Vega, D. L. 1988.  

"Sou partidário do conto, que é como o soneto na poesia. Mas quero contos como os de Maupassant ou Kipling, contos concentrados em que haja drama ou que deixem entrever dramas. Contos com perspectivas. Contos que façam o leitor interromper a leitura e olhar para uma mosca invisível, com olhos grandes, parados. Contos-estopins, deflagadores das coisas, das idéias, das imagens, dos desejos, de tudo quanto exista informe e sem expressão dentro do leitor. E conto que ele possa resumir e contar a um amigo - e que interesse a esse amigo."
- Monteiro Lobato, em "A barca de Gleyre". São Paulo: Brasiliense, 1951, vol. 11, p. 243.


Em antologias
:: Os Melhores Contos Fantásticos. [organização Flavio Moreira da Costa; tradutores vários; autores vários]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. {*conto “Rikki-tikki-tavi”, do livro "O Livro da Selva" - Rudyard Kipling - tradução: Vilma Maria da Silva}.
:: Clássicos do Sobrenatural. [prefácio, seleção e tradução Enid Abreu Dobánszky]. São Paulo: Editora Iluminuras, 2004. {*contos "No fim da passagem" e "Eles", de Rudyard Kipling}
:: Poesia mais que perfeita: Rudyard Kipling, Khalil Gibran, Baudelaire. [tradução Ana Leal]. Colecção 'O reino dos loucos', nº 6. Coimbra: A Mar Arte, 1994.

FILMOGRAFIA
Filme: Mogli: O Menino Lobo (The Jungle Book) -
Direção: Jon Favreau - roteiro: Justin Marks - ano: 2016.
Sinopse: Baseada no clássico livro de Rudyard Kipling, história conta a saga de Mogli, um garoto criado por lobos que precisa fugir da floresta onde cresceu quando o temível tigre Shere Khan retorna querendo matá-lo. Khan tem raiva dos humanos por causa das cicatrizes que sofreu no passado. Sem alternativas, Mogli parte em uma viagem pela selva rumo a um vilarejo próximo onde ficaria protegido entre outros humanos, guiado pela pantera que o criou, Bagheera, e pelo amigo urso que faz no meio do caminho, Baloo.

Rudyard Kipling - poemas

POEMAS SELECIONADOS

Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho!

.

If
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;
If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools;
If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings --nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And --which is more-- you'll be a Man, my son
- Rudyard Kipling [tradução Guilherme de Almeida]
LP Paulo Bonfim, Guilherme de Almeida. gravadora RGE. selo Prosa e Poesia, 1989. Poema "Si" | "If", de Rudyard Kipling. versão de Guilherme de Almeida.

§

Canção de caça do bando Seeonee
Quando vinha rompendo a madrugada o cervo bramiu
Uma, duas e outra vez mais!
E uma corça deu um salto, a corça saltou
Do poço onde bebem os veados selvagens.
Isso tudo eu, sozinho, vi acontecer
Uma, duas e outra vez mais!
Quando vinha rompendo a madrugada o cervo bramiu
Uma, duas e outra vez mais!
E um lobo foi embora, o lobo foi embora
Saiu dali para levar a notícia à matilha, que esperava,
E todos corremos em seu encalço
Mais uma, duas e outra vez!
Quando rompia a madrugada ouviu-se o uivo da matilha
Uma, duas e outra vez mais!
Patas na selva que não deixam marcas!
Olhos que enxergam na escuridão- na escuridão!
Ouçam a nossa voz!
Uma, duas e outra vez mais!
- Rudyard Kipling. em "O livro da Selva". [tradução Vera Karam]. Porto Alegre: L& PM, 1997.

§ 

Rudyard Kipling - photo: Roger-Viollet / Rex Features 

FORTUNA CRÍTICA DE RUDYARD KIPLING
AMORIM, Lauro Maia. Tradução e adaptação: Encruzilhadas da Textualidade em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, e Kim, de Rudyard Kipling. São Paulo: Editora UNESP, 2005.
BECKER, Elizamari Rodrigues. Forças motrizes de uma contística pré-modernista: O papel da tradução na obra ficcional de Monteiro Lobato. (Tese Doutorado em Literatura Comparada]. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2006. Disponível no link (acessado em 6.5.2018).
BOBONE, Carlos Maria. Rudyard Kipling entre a vida e a morte dos bichos. Observador, 16.4..2016. Disponível no link. (acessado em 7.5.2018).
BRITTO, Ana Cassilda Saldanha de.. Rudyard Kipling's Just So Stories translated into Portuguese: contexts and text. (Tese Doutorado em Filosofia). University of Glasgow, Glasgow, 1999. Disponível no link. (acessado em 7.5.2018).
EGIERT, Suéllen de Fátima. Contos fantásticos brasileiros: interrelações entre a leitura e as características e convenções genológicas. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Estadual do Centro-Oeste, Guarapuava, 2013. 
INFANTE, Guillermo Cabrera. Uma história do conto. [tradução Sergio Molina]. Folha de S. Paulo, caderno Mais!, São Paulo, domingo, 30 de dezembro de 2001. Disponível no link I e link II. (acessado em 7.5.2018).
LAGE, Rodrigo Conçole. O maravilhoso em Kipling: análise do conto “Como o camelo arranjou a bossa”. Revista Alpha, Patos de Minas, 18(2):134-146, ago./dez. 2017. Disponível no link. (acessado em 7.5.2018).
PINHEIRO, Gil. Três poemas de Kipling. Cadernos de Literatura em Tradução, n. 5, p.27-42. Disponível no link (acessado em 3.5.2018).
ROCHA, Pedro Albeirice da.. Monteiro Lobato reescritor de Kipling. (Tese Doutorado em Letras). Universidade Estadual Paulista, UNESP - Campus São José do Rio Preto, 2002.
RUDYARD KIPLING. Revista Anglo Saxônica, Ser. III, nº 13, Universidade de Lisboa, Centro de Estudos Anglísticos, 2017. Disponível no link. (acessado em 7.5.2018).

"O tema do sobrenatural marca presença em muitos dos contos de Kipling, todavia revela-se sempre de forma gradual. Em "A Casa dos Desejos", uma senhora narra a outra uma história mágica e dolorosa, mas ambas são demasiado humildes para o espanto. Em "Uma Guerra de Sahibs", a febre e a presença do ópio conferem mais verosimilhança ao sobrenatural. Sobre "Uma Nossa Senhora das Trincheiras", cujo cenário é a guerra de 1914-1918, projecta-se a sombra do canto V d’ O Inferno. "O Olho de Alá" não é um conto fantástico, mas sobretudo um conto possível. De entre os contos que seleccionei para este volume, talvez aquele que mais me comova seja "O Jardineiro". Uma das suas peculiaridades é o facto de aí ocorrer um milagre; a protagonista ignora-o, mas o leitor sabe-o."
- Jorge Luís Borges, em "A Casa dos Desejos". Rudyard Kipling. [seleção e apresentação Jorge Luis Borges; tradução Alice Rocha]. Coleção A Biblioteca de Babel, nº 9. Editorial Presença, 2008.


© A obra de Rudyard Kipling é de domínio público

© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske

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Trabalhos sobre o autor:
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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Rudyard Kipling - A liberdade do escritor. Templo Cultural Delfos, agosto/2018. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada: 7.5.2018.


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