Paul Auster - uma sinfonia poética

Paul Auster
Paul Benjamin Auster, nascido em 3 de fevereiro de 1947, em Newark, Nova Jersey, Estados Unidos, estudou literatura francesa, inglesa e italiana na Columbia University, em Nova York. Viveu em Paris de 1971 a 1975. De volta a Nova York, em 1980 mudou-se para o bairro do Brooklyn, onde vive e trabalha até hoje. Poeta, tradutor, crítico de cinema e literatura, romancista e roteirista de cinema, publicou ensaios, memórias, poesia e ficção. 
Escritor de romances sobre almas solitárias, o seu nome é familiar aos devotos da literatura de ficção. A sua obra caracteriza-se por histórias fortes e prosa limpa. O confronto entre o Indivíduo e o vazio, o poder da contingência, a natureza da solidão e memória, são alguns dos temas abordados nos seus romances. Nos seus romances, a narração é geralmente levada a cabo por personagens cuja perturbação vai aumentando à medida que a acção se desenvolve. Realismo, fantasia, acaso e potencialidades realizadas e irrealizáveis vão-se fundindo de forma indestrinçável. 
Viveu durante quatro anos em França, daí a sua proximidade à literatura francesa. É confesso admirador de André Breton, Paul Éluard, Stéphane Mallarmé, Sartre e Blanchot, alguns dos quais traduziu para a língua inglesa. O seu gosto pela tradução é muitas vezes referido pelo próprio, que aconselha os jovens escritores a traduzir poesia para entenderem melhor o significado intrínseco das palavras. Além destes autores, Paul Auster refere ainda como suas influências Dostoiévski, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Faulkner, Kafka, Hölderlin, Samuel Beckett e Marcel Proust.
Paul Auster também se dedicou ao cinema e em 1998 realizou o seu primeiro filme a solo "Lulu on the Bridge", com argumento seu. Em 2006, rodou o filme, "The Inner Life of Martin Frost", produzido por Paulo Branco. Paralelamente à carreira de escritor, entre 1986 e 1990 ensinou escrita criativa na Universidade de Princetown, em Nova Iorque. Em 1993 Paul Auster foi nomeado em França Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e nesse mesmo ano ganhou o Prêmio Médicis para Literatura Estrangeira. Em 2006 foi-lhe atribuído o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras. A sua obra encontra-se traduzida em mais de quarenta línguas.
:: Fonte: Cia das Letras/outros


"Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a umidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo."
- Paul Auster, em "A invenção da solidão". [tradução Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.


OBRA DE PAUL AUSTER NO BRASIL
Paul Auster, por Victor Abarca Lizana
Poesia
:: Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano Waldrigues Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

Romance
:: A música do acaso. Paul Auster. [tradução de Marcelo Dias Almada]. Editora Best Seller, 1990.
:: Timbuktu. Paul Auster. [tradução Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
:: A trilogia de Nova York. Paul Auster. [tradução Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
:: Leviatã. Paul Auster. [tradução Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
:: O livro das ilusões. Paul Auster. [tradução Beth Vieira]. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
:: Noite do oráculo. Paul Auster. [tradução José Rubens Siqueira]. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
:: Desvarios no Brooklyn. Paul Auster. [tradução Beth Vieira]. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
:: Viagens no scriptorium. Paul Auster. [tradução Beth Vieira]. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
:: Homem no escuro. Paul Auster. [tradução Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
:: Invisível. Paul Auster. [tradução Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
:: Sunset Park. Paul Auster. [tradução Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Prosa
:: O caderno vermelho. Paul Auster. [tradução Rubens Figueiredo]. Ciadebolso. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
:: Diário de inverno. Paul Auster. [tradução Paulo Henriques Britto]. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

Conto
:: Conto de Natal de Auggie Wren.  Paul Auster[tradução Rubens Figueiredo; ilustrações Isol]. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Memórias
Paul Auster, por Shallow Graves
:: Da mão para a boca - Crônica de um fracasso inicial.  Paul Auster. [tradução Paulo Henriques Britto]. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
:: A invenção da solidão. Paul Auster. [tradução Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

Ensaio
:: A arte da fome: prefácios, entrevistas e ensaiosPaul Auster[tradução tradução Ivo Korytowski]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.

Cinema (roteiro)
:: Cortina de fumaça - sem fôlegoPaul Auster.[tradução de Luis Roberto Mendes Gonçalves]. São Paulo. Editora Best Seller, 1995.

História em quadrinho
:: Cidade de vidro. Paul Auster. [ilustração e adaptação Paul Karasik e David Mazzucchelli]. HQ. São Paulo: Via Lettera, 1998.

Organização
:: Achei que meu pai fosse Deus - E outras histórias verdadeiras da vida americana. (coletânea de estórias).. [organização Paul Auster; tradução Pedro Maia Soares]. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.


"Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade."
- Paul Auster, em "Noite do oráculo". [tradução José Rubens Siqueira]. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.


"Não há nada melhor para uma alma do que tornar menos triste outra alma."
- Paul Auster, em "Leviatã." [tradução Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

Paul Auster
poemas selecionados de paul auster (edição bilíngue)

1. (de Raios, 1970)
Raízes agonizam entre vermes — o crivo
Da hora convive no peito de um pardal.
Entre ramo e espira — a palavra
Apequena seu ninho, e a semente, ninada
Por lindes mais simples, não vai confessar.
Apenas o ovo gravita.
.

1. (from Spokes, 1970)
Roots writhe with the worm—the sift
Of the clock cohabits the sparrow’s heart.
Between branch and spire—the word
Belittles its nest, and the seed, rocked
By simpler confines, will not confess.
Only the egg gravitates.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

2. (de Raios, 1970)
Em água — minha ausência em aridez. Uma flor.
Uma flor que define o ar.
No poço mais fundo, teu corpo é estopim.
.

2. (from Spokes, 1970)
In water—my absence in aridity. A flower.
A flower that defines the air.

In the deepest well, your body is fuse.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

3. (de Raios, 1970)
A casca não basta. Engasta
Lascas redundantes e troca
Pedra por seiva, sangue por eclusa em fuga,
Enquanto a folha se fura, se malha
De ar, e tanto mais, sulcada
Ou envolta, entre lobo e cão,
Por quanto mais há de estacar
A vã vantagem do machado?
.

3. (from Spokes, 1970)
The bark is not enough. It furls
Redundant shards, will barter
Rock for sap, blood for veering sluice,
While the leaf is pecked, brindled
With air, and how much more, furrowed
Or wrapped, between dog and wolf,
How much longer will it stake
The axe to its gloating advantage?
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

4. (de Raios, 1970)
Nada rega o caule, a pedra nada perde.
Falar não calçaria a lama,
Logo danças por um calar mais claro.
Cliva a luz a vaga, naufraga, camufla —
O vento discursa, é travado.
Teu nome será deserto.
.

4. (from Spokes, 1970)
Nothing waters the bole, the stone wastes nothing.
Speech could not cobble the swamp,
And so you dance for a brighter silence.
Light severs wave, sinks, camouflages—
The wind clacks, is bolt.
I name you desert.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

5. (de Raios, 1970)
Picaretas pontuam a pedreira — marcas gastas
Que não alcançaram cifrar a mensagem.
A disputa açulou suas letras,
E as pedras, cingidas de abuso,
Memorizaram a derrota.
.

5. (from Spokes, 1970)
Picks jot the quarry—eroded marks
That could not cipher the message.
The quarrel unleashed its alphabet,
And the stones, girded by abuse,
Have memorized the defeat.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

6. (de Raios, 1970)
Ébrio, o branco guarda sua força,
Quando dormes, ébrio de sol, qual semente
Que perde o alento
Sob o solo. Sonhar no cio
Todo o calor
Que infesta o equilíbrio
De uma mão, que germina
O milagre do seco...
Em cada ponto que deixaste
Os lobos enlouquecem
Com as folhas que não falam.
Morrer. Acolher fulvos lobos
Que arranham as portas: uivos
Na folha — ou dormes, e o sol
Jamais verá seu fim.
É verde onde respiram sementes negras.
.

6. (from Spokes, 1970)
Drunk, whiteness hoards its strength,
When you sleep, sun drunk, like a seed
That holds its breath
Beneath the soil. To dream in heat
All heat
That infests the equilibrium
Of a hand, that germinates
The miracle of dryness...
In each place you have left
Wolves are maddened
By the leaves that will not speak.
To die. To welcome red wolves
Scratching at the gates: howling
Page—or you sleep, and the sun
Will never be finished.
It is green where black seeds breathe.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

1. (de Desterrar, 1970-72)
Com tuas cinzas, as que mal
foram escritas, obliterando
a ode, incitadas raízes, alheio
olho — com mãos imbecis te arrastaram
à cidade e lá te ataram neste
nó de gíria, e deram
nada. Tua tinta aprendeu
a dureza do muro. Banido,
mas sempre ao coração
do incomôdo silêncio, triscas as pedras
da terra não vista, e ajeitas teu leito
entre os lobos. Cada sílaba
é ato da sabotagem.
.

1. (from Unearth, 1970-72)
Along with your ashes, the barely
written ones, obliterating
the ode, the incited roots, the alien
eye — with imbecilic hands, they dragged you
into the city, bound you in
this knot of slang, and gave you
nothing. Your ink has learned
the violence of the wall. Banished,
but always to the heart
of brothering quiet, you cant the stones
of unseen earth, and smooth your place
among the wolves. Each syllable
is the work of sabotage.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

9. (de Desterrar, 1970-72)
Entre esses espasmos
de luz, em fetos frágeis, negras
matas: esperando
em teu ouvido labiríntico
que estoure
o trovão: o rugido-Babel,
o silêncio. Não será
o fim de tua errância o que
se vai ouvir. Mas o passo,
enterrando-se por sob
esse céu partido, que mantém sua distância
intacta. E o que se alarga em ti
na boca
da terra cindida, onde vês
esses astros caídos
rastejando por volta a ti,
portanto os presentes do inferno.
.

9. (from Unearth, 1970-72)
Between these spasms
of light, in brittle fern, in dark
thickets: waiting
in your labyrinthine ear
for the thunder
to crack: for the Babel-roar,
for the silence. It will not
be what you wandered to
that is heard. But the step,
burrowing under
this parted sky, that keeps its distance
whole. And that widens in you
at the mouth
of cloven earth, where you watch
these fallen stars
struggle to crawl back to you,
bearing the gifts of hell.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

14. (de Desterrar, 1970-72)
De uma pedra tocada
à pedra seguinte
nomeada: terridade: inacessível 
brasa. Tu
dormirás aqui, uma voz
ancorada na pedra, andando por
esta casa vazia que escuta
o incêndio que a arrasou. Tu
começarás. A dragar teu cadáver
das cinzas. A portar o fardo
dos olhos.
.

14. (from Unearth, 1970-72)
From one stone touched 
to the next stone
named: earth-hood: the inaccesible 
ember. You 
will sleep here, a voice
moored to stone, moving through
this empty house that listens
to the fire that destroyed it. You 
will begin. To drag your body
from the ashes. To carry the burden
of eyes.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

21. (de Desterrar, 1970-72)
Ratos despertam em teu sono
e imitam o progresso
da falta. Minha voz se volta
à fome que dá à luz,
copulando com pedras
que se projetm de muros rubros: o coração
rói, mas não pode saber
seu saque; a língua esfolada
raspa. Restamos
na mais funda medula da terra, e ouvimos
o alento dos anjos.
Nossos ossos foram drenados.
Por onde a noite falou,
filhos não-natos espreitam o vácuo
entre os astros.
.

21. (from Unearth, 1970-72)
Rats wake in your sleep
and mime the progress
of want. My voice turns back
to the hunger it gives birth to,
coupling with stones
that jut from red walls:  the heart
gnaws, but cannot  know
its plunder;  the flayed  tongue
rasps.  We lie
in earth's deepest marrow,  and listen
to the breath of angels.
Our bones have been drained.
Wherever  night has spoken,
unborn sons prowl the void
between stars.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

25. (de Desterrar, 1970-72)
Nômade –
até lugar-nenhum, brotando
da prisão de tua boca, tornar-se
o onde estás; lês
a fábula
que foi escrita nos olhos
dos dados: (era
palavra-meteoro, rabiscada pela luz
entre nós, e nós, contudo, no fim,
não tínhamos provas, não
podíamos produzir
a pedra). O dado-e-o-dado
possuem agora teu nome. Como quem diz
que onde quer que estejas
está o deserto contigo. Como se,
onde quer que te movas, seja
novo o deserto,
e se mova contigo.
.

25. (from Unearth, 1970-72)
Nomad –
till nowhere, blooming
in the prison of your mouth, becomes
wherever you are: you
reade the fable
that was written in the eyes
of dice: (it was
the meteor-word, scrawled by light
between us, yet we, in the end,
had no evidence, we could
not produce
the stone). The dice-and-the-dice
now own your name. As if to say,
wherever you are
the desert is with you. As if,
wherever yo move, the desert
is new,
is moving with you.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Lackawanna (de Escritos na parede, 1971-75)
Trilhos-seixos, ferrugem,
memória: o já suportável, de novo,
manobrando em
tua terra de metal-fuzil. O olho
não deseja
o que o penetra: deve sempre negar-se
a negar.

Na geada que brota
de equinócio: terás teu nome,
e nada mais. Reduzido
ao rubro espaço-semente
em que cada teu ato
te refuta, teu férvido poro, claro-de-imagens,
de novo
vai forçar passagem e

se abrir.
.

Lackawanna (from Wall writing, 1971-75)
Scree-rails, rust,
remembrance: the no longer bearable, again,
shunting across
your gun-metal earth. The eye
does not will
what enters it: it must always refuse
to refuse.

In the burgeoning frost
of equinox: you will have your name,
and nothing more. Dwarfed
to the reddening seed-space
in which every act
rebuts you, your hot, image-bright pore
again
will force its way

open.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Viático (de Escritos na parede, 1971-75)
Não culparás as pedras,
nem te verás
além das pedras, por dizer
que não esperaste por elas
antes que teu rosto
fosse pedra.
Diante de ti
e atrás, no escuro
que se move com o dia, terás
quase respirado. E teus olhos,
como se tua vida fosse nada mais
que amarga peregrinação
a este país de falta, vão se abrir
para os muros
que te trancam a voz,
tua outra voz, levando-te
às distâncias do amor,
onde restarás, mais perto
do segundo,
e mais claro, terror
de viver em tua morte, e dizendo
a pedra
em que te tornarás.
.

Viaticum (from Wall writing, 1971-75)
You will not blame the stones,
or look to yourself
beyond the stones, and say
you did not long for them
before your face
had turned to stone.
In front of you
and behind you, in the darkness
that moves with day, you almost
will have breathed. And your eyes,
as though your life were nothing more
than a bitter pilgrimage
to this country of want, will open
on the walls
that shut you in your voice,
your other voice, leading you
to the distances of love,
where you lie, closer
to the second
and brighter terror
of living in your death, and speaking
the stone
you will become.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Escrito na parede (de Escritos na parede, 1971-75)
Nada menos que nada.

Na noite que vem
do nada,
para ninguém na noite
que não vem.

E o que resta na borda do branco,
invisível
no olho de alguém que fala.

Ou uma palavra.

Vem de lugar nenhum
na noite
do alguém que não vem.

Ou o branco de uma palavra
arranhada
na parede.
.

Wall Writing (from Wall writing, 1971-75)
Nothing less than nothing.

In the night that comes
from nothing,
for no one in the night
that does not come.

And what stands at the edge of whiteness,
invisible
in the eye of the one who speaks.

Or a word.

Come from nowhere
in the night
of the one who does not come.

Or the whiteness of a word,
scratched
into the wall
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Sombra a sombra (de Escritos na parede, 1971-75)
Contra a fachada do crepúsculo:
sombras, fogo e silêncio.
Nem mesmo o silêncio, mas seu fogo –
a sombra
que projeta uma respiração.

Por penetrar o silêncio deste muro,
tenho de me deixar para trás.
.

Shadow to Shadow (from Wall writing, 1971-75)
Against the facade of evening:
shadows, fire, and silence.
Not even silence, but its fire—
the shadow
cast by a breath.
To enter the silence of this wall,

I must leave myself behind.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Branco (de Escritos na parede, 1971-75)
Para um afogado:
esta folha, como se
feita ao mar
em garrafa.

Para que
ainda enquanto o céu embarca
no ver-a-terra, um eco
da terra
possa singrar para ele,
cheio de lembrança da chuva,
e o som da chuva
caindo na água.

Para que
possa aprender,
malgrado a vaga
que ora naufraga do cimo
dos montes, que quarenta dias
e quarenta noites
não nos trouxeram a pomba
de volta.
.

White (from Wall writing, 1971-75)
For one who drowned:
this page, as if
thrown out to sea
in a bottle.

So that
even as the sky embarks
into the seeing of earth, an echo
of the earth
might sail toward him,
filled with a memory of rain,
and the sound of the rain
falling on the water.

So that
he will have learned,
in spite of the wave
now sinking from the crest
of mountains, that forty days
and forty nights
have brought no dove
back to us.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Desaparecimentos (de Desaparecimentos, 1975)

1

De solidão, ele recomeça —

como se fosse a última vez
que respira,

e portanto seja agora

que respira pela primeira vez
além das garras
do singular.

Está vivo, e portanto é nada
além do que se afoga no insondável poço
de seu olho,

e o que vê
é tudo o que ele não é: uma cidade

do indecifrado
evento,

e portanto uma lingua de pedras,
já que sabe que pelo resto da vida
uma pedra
abrirá caminho a outra pedra

para erguer um muro

e que todas essas pedras
formarão a suma monstruosa

dos particulares.

2

É um muro. E o muro é morte.

Ilegível
rabisco de insatisfação, à imagem

e pós-imagém da vida —

e os vários que aqui são
conquanto nunca-natos,
e os que falariam

por se dar à luz.

Ele vai aprender a fala deste lugar.
E aprender a segurar a língua.

Pois é esta sua saudade: um homem.

3

Para ouvir o silêncio
que se segue à palavra de si. Murmúrio

da mais ínfima pedra

moldada à imagem
da terra, e os que falariam
para nada serem

além da voz que os diz
ao ar.

E ele vai falar
de cada coisa que vê neste lugar,
e vai falar até para o muro 
que cresce diante dele:

e para isso, também, haverá uma voz,
embora não a sua.

Apesar de ele falar.

E por causa de falar. 

4

Há os vários — e estão aqui:

e para cada pedra que conta entre eles
ele exclui-se,

como se, também ele, pudesse começar a respirar
pela primeira vez

no espaço que o separa
de si.

Pois o muro é palavra. E não há palavra
que ele não conte
como pedra no muro.

Portanto, recomeça,
e a cada momento em que começa a respirar

ele sente que nunca houve outra
vez — como se no tempo que viveu
pudesse se ver

em cada coisa que não é.
O que ele respira, portanto,
é tempo, e ora sabe
que se vive

é só no que vive

e continuará vivo
sem ele.

5

No rosto do muro —

ele advinha a monstruosa
soma dos particulares.

É nada.
E é tudo que ele é.
E se for ser ele nada, comece então
onde se vê, e como outro qualquer 
aprenda a fala deste ponto.

Pois, também, ele vive no silêncio
que vem antes da palavra
de si.

6

E de cada coisa que viu
vai falar —

a ofuscante
enumeração de pedras
até o momento da morte —

como se por nenhum outro motivo
além do fato de falar.

Portanto, ele diz eu,
e se conta
em tudo que exclui,

o que é nada,

e porque é nada
ele pode falar, o que vale dizer
que não há saída

do mundo que nasce
no olho. E possa ele ou 
não dizê-lo,  

não há saída.


7

Ele está só. E desde o momento em que começa a respirar,

está em parte alguma. Morte plural, nascida

nas presas do singular,

e a palavra que ergueria um muro
da pedra mais íntima
da vida.

Pois cada coisa de que fala
ele não é —

e a contragosto
diz eu, como se, também ele, fosse começar
a viver em todos os outros

que não são. Pois a cidade é monstruosa,
e sua boca não suporta
passagem

que não devore o mundo 
de si.

Portanto, há os vários,
e todas estas várias vidas
moldadas nas pedras
de um muro,

e ele que começaria a respirar
aprenderá que não há aonde ir
senão aqui.
Portanto, recomeça,

como se fosse a última vez
que iria respirar.

Pois não há mais tempo. E é o fim do tempo

que começa.
.

Disappearances (from Disappearances, 1975)

1

Out of solitude, he begins again —

as if it were the last time
that he would breathe,

and therefore it is now

that he breathes for the first time
beyond the grasp
of the singular.

He is alive, and therefore he is nothing
but what drowns in the fathomless hole
of his eye,

and what he sees
is all that he is not: a city

of the undeciphered
event,

and therefore a language of stones,
since he knows that for the whole of life
a stone
will give way to another stone

to make a wall

and that all these stones
will form the monstrous sum

of particulars.

2

It is a wall. And the wall is death.

Illegible
scrawl of discontent, in the image

and after-image of life —

and the many who are here
though never born,
and those who would speak

to give birth to themselves.

He will learn the speech of this place.
And he will learn to hold his tongue.

For this is his nostalgia: a man.

3

To hear the silence
that follows the word of oneself. Murmur

of the least stone

shaped in the image
of earth, and those who would speak
to be nothing

but the voice that speaks them
to the air.

And he will tell
of each thing he sees in this space,
and he will tell it to the very wall
that grows before him:

and for this, too, there will be a voice,
although it will not be his.

Even though he speaks.

And because he speaks.

4

There are the many — and they are here:

and for each stone he counts among them
he excludes himself,

as if he, too, might begin to breathe
for the first time

in the space that separates him
from himself.

For the wall is a word. And there is no word
he does not count
as a stone in the wall.

Therefore, he begins again,
and at each moment he begins to breathe

he feels there has never been another
time — as if for the time that he lived
he might find himself

in each thing he is not.

What he breathes, therefore,
is time, and he knows now
that if he lives

it is only in what lives

and will continue to live
without him.

5

In the face of the wall —

he divines the monstrous
sum of particulars.

It is nothing.
And it is all that he is.
And if he would be nothing, then let him begin
where he finds himself, and like any other man
learn the speech of this place.

For he, too, lives in the silence
that comes before the word
of himself.

6

And of each thing he has seen
he will speak —

the blinding
enumeration of stones,
even to the moment of death —

as if for no other reason
than that he speaks.

Therefore, he says I,
and counts himself
in all that he excludes,
which is nothing,

and because he is nothing
he can speak, which is to say
there is no escape

from the word that is born
in the eye. And whether or not
he would say it,

there is no escape.

7

He is alone. And from the moment he begins to breathe,
he is nowhere. Plural death, born

in the jaws of the singular,

and the word that would build a wall
from the innermost stone
of life.

For each thing that he speaks of
he is not —

and in spite of himself
he says I, as if he, too, would begin
to live in all the others

who are not. For the city is monstrous,
and its mouth suffers
no issue

that does not devour the word
of oneself.

Therefore, there are the many,
and all these many lives
shaped into the stones
of a wall,

and he who would begin to breathe
will learn there is no where to go
but here.

Therefore, he begins again,

as if it were the last time
he would breathe.

For there is no more time. And it is the end of time

that begins. 
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

1. (de Efígies, 1976)
Estradas de eucalipto: um vestígio do céu pálido
estremece na garganta. Pelo lastro
zumbido do verão

as relva que cala
até teu passo.
.

1. (from Effigies, 1976)
Eucalyptus roads: a remnant of the pale sky
shuddering in my throat. Through the ballast
drone of summer

the weeds that silence
even your step.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

2. (de Efígies, 1976)
Pletora de antros da luz.
E cada coisa perdida – uma lembrança

do que nunca foi. Os morros. Impossíveis
morros

perdidos no brilho da memória.
.

2. (from Effigies, 1976)
The myriad haunts of light.
And each lost thing—a memory

of what has never been. The hills. The impossible
hills

lost in the brilliance of memory.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

3. (de Efígies, 1976)
Como se fosse tudo

ainda por nascer. Imortal ao olho,
onde o olho ora se abre para o som

do calor: uma vespa, um cardo oscilando nos dentes

do arame farpado.
.

3. (from Effigies, 1976)
As if it were all

still to be born. Deathless in the eye,
where the eye now opens on the noise

of heat: a wasp, a thistle swaying on the prongs

of barbed wire.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

4. (de Efígies, 1976)
Tu que permaneces. E tu
que não estás aqui. Mais boreal palavra, espargida
nas brancas

horas do mundo sem imagens –

como única palavra

que o vento enuncia e destrói.
.

4. (from Effigies, 1976)
You who remain. And you
who are not there. Nothernmost word, scattered
in the white

hours of the imageless world –

like a single word

the wind utters and destroys.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

5. (de Efígies, 1976)
Alva. Imensa luz aluvial. O carrilhão
das nuvens da aurora. E os barcos
ancorados na névoa do molhe

são invisíveis. E se estão ali

são invisíveis.
.

5. (from Effigies, 1976)
Alba. The immense, alluvial light. The carillon
of clouds at dawn. And the boats
moored in the jetty fog

are invisible. And if they are there

they are invisible.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Luzes do Norte (de Fragmentos de frio, 1976-77)
São essas as palavras
que não sobrevivem ao mundo. E dizê-las
é sumir

no mundo. Inabordável
luz
que pulsa sobre a terra, ateando
o breve milagre

do olho aberto –

e o dia que se há de abrir
como um fogo de folhas
no primeiro vento gélido
de outubro

consumindo o mundo

na fala clara
do desejo.
.

Northern Lights (from Fragments from cold, 1976-77)
These are the words
that do not survive the world. And to speak them
is to vanish

into the world. Unapproachable
light
that heaves above the earth, kindling
the brief miracle

of the open eye—

and the day that will spread
like a fire of leaves
through the first chill wind
of October

consuming the world

in the plain speech
of desire.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Gnomon (de Fragmentos de frio, 1976-77)
Sol de setembro, desiludido. Púrpura,
o campo lavado
nas horas do primeiro alento. Não te vais
submeter a essa luz, ou fechar os olhos
para o alerta 
desmoronar da luz em teus olhos.

Firmamento de fatos. E tu,
como tudo mais
que se move. Semente escandida
e dedal de ar. Físseis
nuvem e verme: a sentença in-
conclusa que te engolfa
no momento em que começo
a pôr-me quieto.

Talvez, então, um mundo
que secreta sua safra
nos pulmões, um meio
de sobrevivência via alento,
e só. E, se nada,
que seja o nada então
a sombra
que caminha em tua sombra, o corpo
que há de jogar
a primeira pedra, para que mesmo ao te
afastares de ti, posso senti-lo
sequioso rumo a ti, honramente, 
atravessando as gigantescas
vinhas dos vivos.
.

Gnomon (from Fragments from cold, 1976-77)
September sun, illusionless. The purple
field awash
in the hours of the first breath. You will not
submit to this light, or close your eyes
to the vigilant
crumbling of light in your eyes.

Firmament of fact. And you,
like everything else
that moves. Parsed seed
and thimble of air. Fissured
cloud and worm: the openended
sentence that engulfs you
at the moment I begin
to be silent.

Perhaps, then, a world
that secretes its harvest
in the lungs, a means
of survival by breath
alone. And if nothing,
then let nothing be
the shadow
that walks inside your shadow, the body
that will cast
the first stone, so that even as you walk
away from yourself, you might feel it
hunger toward you, hourly,
across the enormous
vineyards of the living.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Fragmento de frio (de Fragmentos de frio, 1976-77)
Porque ficamos cegos
no dia que se esvai conosco,
e porque vimos nossa respiração
nublar
o espelho de ar,
o olho de ar vai se abrir
para nada mais que a palavra
a que renunciamos: o inverno
terá sido lugar
de madureza.

Nós que viramos os mortos
de uma vida que não a nossa.
.

Fragment from cold (from Fragments from cold, 1976-77)
Because we go blind
in the day that goes out with us,
and because we have seen our breath
cloud
the mirror of air,
the eye of the air will open
on nothing but the word
we renounce: winter
will have been a place
of ripeness.

We who become the dead
of another life than ours.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Especular (de Fragmentos de frio, 1976-77)
Desnudado
por teu hidrófobo olho obsidiano,
pela alva
ira e latidos
do cão-espelho que te encara
e te cega:

o deus de Espinoza,
banido dos lindes da fala, geométrico,
em jornada nas curvas
de exílio,
arrisca outra palavra.
.

Looking Glass (from Fragments from cold, 1976-77)
Laid bare
by your rabid, obsidian eye,
by the white
ire and barking
of the mirror-dog who stared you
into blindness:

Spinoza’s god,
cast from the borders of speech, geometric,
journeying through the curve
of exile,
hazards another world.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Pedreira (de Fragmentos de frio, 1976-77)
Não mais que seu canto. Como se
o canto e só
nos tivesse trazido até aqui.

Estivemos aqui, e nunca estivemos aqui.
Estivemos a caminho de onde começamos,
e estivemos perdidos.

Não há fronteiras
na luz. E a terra
não nos deixa palavra
por cantar. Pois o desmoronamento da terra
sob os pés

já é música, e andar entre essas pedras
é nada ouvir
além de nós.

Canto, portanto, o nada,

como se fosse o lugar
a que não volto –

e se vier a voltar, então conta minha vida
nessas pedras: esquece

que jamais estive aqui. O mundo
que caminha em mim

é um mundo além do alcance.
.

Quarry (from Fragments from cold, 1976-77)
No more than the song of it. As if
the singing alone
had led us back to this place.

We have been here, and we have never been here.
We have been on the way to where we began,
and we have been lost.

There are no boundaries
in the light. And the earth
leaves no word for us
to sing. For the crumbling of the earth
underfoot

is a music in itself, and to walk among these stones
is to hear nothing
but ourselves.

I sing, therefore, of nothing,

as if it were the place
I do not return to—

and if I should return, then count out my life
in these stones: forget

I was ever here. The world
that walks inside me

is a world beyond reach.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Obituário no tempo presente (de Encarando a música, 1978-79)
Para ele é tudo a mesma coisa –
onde começa

e onde acaba. Clara de ovo, seu olho
claro: diz
leite de ave, esperma

escorrendo da palavra
dele mesmo. Pois o olho
é evanescente,
agarra-se só ao que é, não mais aqui

ou menos aqui, mas em toda parte, em todas

as coisas. Ele nada 
memoriza. Nem anota

coisa alguma. Se abstém
do coração

das coisas vivas. Ele espera.

E se começa, acabará,
como se o olho tivesse aberto no bico

de um pássaro, como se jamais tivesse começado
a ser em parte alguma. Ele fala

de distâncias
não menores do que estas.
.

Obituary in the Present Tense (from Facing the music, 1977-79)
It is all one to him—
where he begins

and where he ends. Egg white, the white
of his eye: he says
bird milk, sperm

sliding from the word
of himself. For the eye
is evanescent,
clings only to what is, no more here

or less there, but everywhere, every

thing. He memorizes
none of it. Nor does he write

anything down. He abstains
from the heart

of living things. He waits.

And if he begins, he will end,
as if his eye had opened in the mouth

of a bird, as if he had never begun
to be anywhere. He speaks

from distances
no less far than these.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

S. A. 1911-1979 (de Encarando a música, 1978-79)
Da perda. E de uma tal perda
que saqueia a mente – até a perda

da mente. Começar com essa ideia: sem rima

ou solução. Então simplesmente esperar. Como se a primeira palavra
só viesse depois da última, depois de uma vida
à espera da palavra

que se perdeu. Dizer nada além
da verdade da coisa: os homens morrem, a palavra falha, as palavras

não têm sentido. E portanto pedir
apenas palavras.

Muro de pedra. Peito de pedra. Carne e sangue.

Tanto quanto isso.
Mais.
.

S. A. 1911-1979 (from Facing the music, 1977-79)
From loss. And from such loss
that marauds the mind – even to the loss

of mind. To begin with this thought: without rhyme

or reason. And then simply to wait. As if the first word
comes only after the last, after a life
of waiting for the word

that was lost, To say no more
that the truth of it: men die, the world fails, the words

have no meaning. And therefore to ask
only for words.

Stone wall. Stone heart. Flesh and blood.

As much as all this.
More.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Busca de uma definição (de Encarando a música, 1978-79)
(Ao ver uma pintura de Bradley Walker Tomlin)

Sempre o menor ato 

possível
nesta era de atos

maiores que a vida, um gesto
para a coisa que passa

quase invisível. Um vento pouco

perturbando uma fogueira, por exemplo,
que encontrei um dia desses
por acaso

na parede de um museu. Quase  nada
há lá: uns punhados
de branco

jogados à toa contra puro preto 
no fundo, nada além
de um pequeno gesto
que tenta ser nada além

do que é. E no entanto
não está aqui
e a meus olhos jamais será 
questão
de tentar simplificar 
o mundo, mas uma forma de buscar um lugar
por onde entrar no mundo, uma forma de estar
presente
entre as coisas
que não nos querem – mas de que precisamos
na mesma medida em que precisamos
de nós mesmos. Só um segundo antes
a linda
mulher 
que estava a meu lado
estava dizendo quanto queria
um filho
e quanto o tempo começava 
a acabar para ela. Dissemos
que tínhamos de escrever cada um um poema
que usasse as palavras “um vento
pouco
perturbando uma fogueira”. Desde então
nada

significou mais que o pequeno
ato
presente nessas palavras, o ato
de tentar dizer

palavras

que significam também nada. Até o fim
quero ser igual

ao que quer que seja
que meu olhar me trará, como se
pudesse finalmente me ver

deixando-me ir
nas quase invisíveis
coisas

que nos levam conosco e com todas
as crianças por nascer

para o mundo.
.

Search for a Definition (from Facing the music, 1977-79)
(On Seeing a Painting by Bradley Walker Tomlin)

Always the smallest act

possible
in this time of acts

larger than life, a gesture
toward the thing that passes

almost unseen. A small wind

disturbing a bornfire, for example,
which I found the other day
by accidente

on a musem wall. Almost nothing
is there: a few wisps
of white

thrown idly against the pure black
background, no more
than a small gesture
trying to be nothing

more than itself. And yet
it is not here
and to my eyes will never become
a question
of trying to simplify
the world, but a way of looking for a place
to enter the world, a way of being
present
among the things
thato do not want us – but which we need
to the same measure that we need
ourselves. Only a moment before
the beautiful
woman
who stood beside me
had been saying how much she wanted
a child
and how time was beginning
to run out on her. We said
we must each write a poem
using the worlds “a small
wind

disturbing a bornfire.” Since that time
nothing

has meant more than the small
act
presnet in these words, the act
of trying to speak

words

that mean almos nothing. To the very end
I want to be equal

to whatever it is
my eye will bring me, as if
Imight finally see myself

let go
in the nearly invisible
things

that carry us along with ouselves and all
the unborn children

into the world.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Em memória de mim (de Encarando a música, 1978-79)
Simplesmente ter parado.

Como se pudesse começar
onde parou minha voz, sendo eu mesmo
o som de uma palavra

que não posso falar.

Tanto silêncio
a ser trazido à luz
nesta carne pensativa, o rufar
do tambor das palavras
de dentro, tantas palavras

perdidas no vasto mundo
dentro de mim, e assim, ter sabido
que apesar de mim

estou aqui.

Como se isto fosse o mundo.
.

In Memory of Myself (from Facing the music, 1977-79)
Simply to have stopped.

As if I could begin
where my voice has stopped, myself
the sound of a word

I cannot speak.

So much silence
to be brought to life
in this pensive flesh, the beating
drum of words
within, so many words

lost in the wide world
within me, and thereby to have known
that in spite of myself

I am here.

As if this were the world.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Encarando a música (de Encarando a música, 1978-79)
Azul. E nesse azul sensação 
de verde, tijolos cinza das nuvens
em contraforte contra o ar, como se
na ideia da chuva
o olho
dominasse a fala
de qualquer momento

na terra. Dizer céu. E assim
descrever
seja o que for
que vemos, como se não fosse nada
além da ideia
de algo que perdemos
dentro. Pois podemos começar
a lembrar

a terra dura, pederneira
que reflete os astros, carvalhos 
ondulantes libertados
pelo arfar do ar, e assim até
a menor das sementes, revelando o que cresce
sobre nós, como se
por causa desse azul pudesse haver
esse verde

que se espalha, múltiplo
e miraculoso
por este, o mais quedo
momento do verão. Sementes
dizem esta conjuntura, definem
onde o ar e a terra irrompem
nesta profusão de acasos, aleatórias
forças de nossa falta
de saber o que é o
que vemos, e meramente falar disso
é ver
como as palavras nos falham, como nada sai bem
no dizê-lo, nem estas palavras
que sou levado a dizer
em nome desse azul
e verde
que somem no ar
do verão.

                          Impossível
ouvir agora. A língua
para sempre nos afasta
de onde estamos, e em lugar nenhum
podemos repousar
nas coisas que nos é dado
ver, pois cada palavra
é outro lugar, coisa que se move mais rápido que o olho, até
como se move este pardal, desviando
para o ar
em que não tem lar. Acredito, então, 
em nada

que estas palavras possam te dar, e ainda assim
posso senti-las
falando através de mim, como se
só isso
fosse o que desejo, esse azul
e esse verde, e dizer
como esse azul
tornou-se para mim a essência
desse verde, e mais que o puro
vê-la, quero que sintas
essa palavra
que viveu dentro de mim
o dia todo, esse
desejo de nada

além do próprio dia, e como cresceu
dentro de meus olhos, mais forte
que a palavra de que é feito, como se
jamais pudesse haver outra palavra

que me sustentasse
sem partir.
.

Facing the music (from Facing the music, 1977-79)
Blue. And within that blue a feeling
of green, the gray blocks of clouds
buttressed against air, as if
in the idea of rain
the eye
could master the speech
of any given moment

on earth. Call it the sky. And so
to describe
whatever it is
we see, as if it were nothing
but the idea
of something we had lost
within. For we can begin
to remember

the hard earth, the flint
reflecting stars, the undulating
oaks set loose
by the heaving of air, and so down
to the least seed, revealing what grows
above us, as if
because of this blue there could be
this green

that spreads, myriad
and miraculous
in this, the most silent
moment of summer. Seeds
speak of this juncture, define
where the air and the earth erupt
in this profusion of chance, the random
forces of our own lack
of knowing what it is
we see, and merely to speak of it
is to see
how words fail us, how nothing comes right
in the saying of it, not even these words
I am moved to speak
in the name of this blue
and green
that vanish into the air
of summer.

                          Impossible
to hear it anymore. The tongue
is forever taking us away
from where we are, and nowhere
can we be at rest
in the things we are given
to see, for each word
is an elsewhere, a thing that moves
more quickly than the eye, even
as this sparrow moves, veering
into the air
in which it has no home. I believe, then,
in nothing

these words might give you, and still
I can feel them
speaking through me, as if
this alone
is what I desire, this blue
and this green, and to say
how this blue
has become for me the essence
of this green, and more than the pure
seeing of it, I want you to feel
this word
that has lived inside me
all day long, this
desire for nothing

but the day itself, and how it has grown
inside my eyes, stronger
than the word it is made of, as if
there could never be another word

that would hold me
without breaking.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

§

Anotações de um caderno de rascunhos (de Anotações de um caderno de rascunhos, 1967)

1.

O mundo está em minha cabeça. Meu corpo está no mundo.

2.

O mundo é a minha ideia. Eu sou o mundo. O mundo é sua ideia. Você é o mundo. Meu mundo e seu mundo não são o mesmo.

3.

Não há outro mundo que não o mundo humano. (Com humano eu quero dizer tudo que pode ser visto, sentido, ouvido e imaginado.)

4.

O mundo não tem existência objetiva. Ele existe apenas na medida em que somos capazes de percebê-lo. E nossas percepções são necessariamente limitadas. O que quer dizer que o mundo tem um limite, que ele para em algum lugar. Mas o ponto em que para para mim não é necessariamente o ponto em que para para você.

5.

Nenhuma teoria da arte (se for possível) pode ser divorciada de uma teoria da percepção humana.

6.

Mas não apenas nossas percepções são limitadas, a linguagem (nosso meio de expressar aquelas percepções) é também limitada.

7.

A linguagem não é experiência. É um meio de organizar a experiência.

8.

Qual é então a experiência da linguagem? Ela nos dá o mundo e o tira de nós. No mesmo sopro.

9.

A queda do homem não é uma questão de pecado, transgressão, ou depravação moral. É uma questão de a linguagem conquistar a experiência: a queda do mundo no verbo, a experiência descendo do olho para a boca. Uma distância de cerca de sete centímetros.

10.

O olho vê o mundo em fluxo. A palavra é uma tentativa de deter o fluxo, de estabilizá-lo. E no entanto, persistimos em tentar traduzir a experiência em linguagem. Daí a poesia, daí os enunciados da vida cotidiana. Essa é a fé que evita o desespero universal – e também o provoca.

11.

A arte é o espelho do espírito do homem (Marlowe). A imagem do espelho é adequada – e quebrável. Estilhace o espelho e reorganize os cacos. O resultado será ainda o reflexo de alguma coisa. Toda combinação é possível, qualquer quantidade de cacos pode ficar de fora. A única exigência é que reste pelo menos um fragmento. No Hamlet, estender um espelho à natureza representa o mesmo que a formulação de Marlowe – depois de terem sido compreendidos os argumentos acima. Pois tudo na natureza é humano, mesmo que a natureza em si mesma não seja. (Não poderíamos existir se o mundo fosse nossa ideia.) Em outras palavras, em quaisquer circunstâncias (antigas ou modernas, clássicas ou românticas), a arte é um produto da mente humana. (Mente, humano.)

12.

Fé no mundo é o que chamo de Clássico. Dúvida no mundo é o que chamo de Romântico. O Classicista acredita no futuro. O Romântico sabe que vai se decepcionar, que seus desejos jamais se realizarão. Pois ele acredita que o mundo é inefável, além do alcance das palavras.

13.

Sentir-se alheado da linguagem é perder o próprio corpo. Quando as palavras falham, você se dissolve numa uma imagem do nada. Você some.
.

Notes from a Composition Book (from Notes from a Composition Book, 1967)

1.

The world is in my head. My body is in the world.

2.

The world is my idea. I am the world. The world is your idea. You are the world. My world and your world are not the same.

3.

There is no world except the human world. (By human I mean everything that can be seen, felt, heard, thought, and imagined)

4.

The world has no objective existence. It exists insofar as we are able to perceive it. And our perceptions are necessarily limited. Which means that the world has a limit, that it stops somewhere. But where it stops for me is not necessarily where it stops for you.

5.

No theory of art (if it is possible) can be divorced from a theory of human perception.

6.

But not only are our perceptions limited, language (our means of expressing those perceptions) is also limited.

7.

Language is not experience. It is a means of organizing experience.

8.

What, then, is the experience of language? It gives us the world and takes it away from us. In the same breath.

9.

The fall of man is not a question of sin, transgression, or moral turpitude. It is a question of language conquering experience: the fall of the world into the word, experience descending from the eye to the mouth. A distance of about three inches.

10.

The eye sees the world in flux. The word is an attempt to arrest the flow, to stabilize it. And yet we persists in trying to translate experience into language. Hence poetry, hence the utterances of daily life. This is the faith that prevents universal despair – and also causes it.

11.

Art is the mirror of man`s wit (Marlowe). The mirror image is apt – and breakable. Shatter the mirror and rearrange the pieces. The result will still be a reflection of something. Any combination is possible, any number of pieces may be left out. The only requirement is that at least one fragment remain. In Hamlet, holding the mirror up to nature amounts to the same thing as Marlowe`s formulation – once the above arguments have been understood. For all things in nature are human, even if nature itself is not. (We could not exist if the world were not our idea.) In other words, no matter what the circumstances (ancient or modern, Classical or Romantic), art is a product of the human mind. (The human mimed.)     

12.

Faith in the word is what I call Classical. Doubt in the word is what I call Romantic. The Classicist believes in the future. The Romantic knows that he will be disappointed, that his desires will never be fulfilled. For he believes that the world is ineffable, beyond the grasp of words.

13.

To feel estranged from language is to lose your own body. When words fail you, you dissolve into an image of nothingness. You disappear.
- Paul Auster: Todos os poemas. [tradução e prefácio Caetano W. Galindo; introdução Norman Finkelstein]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

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"Quem não pode atacar o argumento ataca o argumentador."
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"Nossos pensamentos mais importantes são os que contradizem nossos sentimentos."
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FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Paul Auster - uma sinfonia poética. Templo Cultural Delfos, setembro/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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