Suzana Vargas - poesia e criação

Suzana Vargas - foto (...)
Suzana Kfuri de Vargas nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul. É mestre em teoria literária pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisadora da Fundação Biblioteca Nacional e especialista em leitura. 
Poeta, ensaísta e autora de literatura infantil e juvenil, tem vários livros publicados, entre eles Leitura: uma aprendizagem de prazer, Caderno de outono e outros poemas e O amor é vermelho. Em 1986, fundou a Estação das letras, um espaço dedicado a cursos ligados à literatura, no Rio de Janeiro, onde mora. Suzana tem se dedicado à divulgação e à dinamização das letras e  da cultura no Brasil. Idealizou e coordenou, por mais de dez anos, o projeto Rodas de Leitura, no Centro Cultural Banco do Brasil, do qual já participaram autores como Luis Fernando Verissimo, Jorge Amado, Gabriel García Márquez e Chico Buarque.
Sobre Suzana e seu livro Sem recreio, dizia resenha do jornal O Globo, em 1983: ''Traz-nos agora uma dicção reveladora do feminino que a coloca de imediato ao lado de uma Adélia Prado, uma Olga Savary, uma Lélia Coelho Frota e uma Consuelo Cunha Campos, entre as vozes poéticas mais ponderáveis da nova poesia brasileira escrita por mulheres''.
Em Caderno de outono e outros poemas, de 1997, a poesia de Suzana Vargas se espraia e revela seu seguro controle de linguagem. A poeta, que trabalha e vive a poesia, escreve: "Entre a chuva e o resto de feijão / na vasilha / escrevo um verso". Em ‘Fio fátuo’, do mesmo livro, ela diz: "Não me confino mais / às curvas da cozinha / pois há muito / saí da casca dos tomates / e me cortei sozinha". Já em O amor é vermelho, de 2005, a poeta trata, com densidade e delicadeza, do sentimento que é o eixo de nossa vida, reafirmando com originalidade a tradição lírico-amorosa ocidental.
 A Suzana ensaísta revela-se com força e competência em Leitura: Uma aprendizagem de prazer, que ganhou edição ampliada em 2010. Baseado em sua dissertação de mestrado em teoria literária e em sua rica experiência como escritora, professora e divulgadora da literatura, o livro aponta a leitura como peça fundamental na educação de jovens e adultos e sinaliza formas de difundi-la muito além da sala de aula.
Possui 16 livros publicados, entre eles, Caderno de Outono, indicado ao Prêmio Jabuti e o ensaio Leitura: uma aprendizagem de prazer. Tem poemas traduzidos na Itália, EUA, Espanha, Alemanha e França entre outros países.
:: Fonte: Agência Riff | Editoras (acessado 15.6.2016).


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OBRA DE SUZANA VARGAS
Poesia
:: Por um pouco mais. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro, 1979.
:: Sem recreio. Rio de Janeiro: Achiamé, 1983, 62p.
:: Sempre-noiva. Rio de Janeiro: Achiamé, 1984, 52p.
:: Sombras chinesas. São Paulo: Massao Ohno Editor, 1990, 78p.
:: Caderno de outono e outros poemas. [apresentação Armindo Trevisan; contra-capa com texto de Heloisa Buarque de Hollanda]. Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC, 1997; 2ª ed.,  Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC; Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1998, 158p.
:: O amor é vermelho. [fotos Antonio Pereira Lacerda Junior]. Rio de Janeiro: Garamond, 2005, 104p.

Infanto-juvenil
:: Será sonho, Frederico?. Rio de Janeiro: Orientação Cultural, 1987.
:: De olho no piolho. Rio de Janeiro: Orientação Cultural, 1990.
:: Cochilo. Rio de Janeiro: José Olímpio Editora, 1990;  5ª ed., 2006
:: O mistério de Nina. Rio de Janeiro: Editora Imago, 1992.
:: Doce de casa. Rio de Janeiro: Record, 1988; 5ª ed., 2006.
:: O livro dos quase amores. São Paulo: Quinteto Editorial Ltda, 1995.
:: Porta a porta - correspondência. [Suzana Vargas e Roseana Murray]. São Paulo: Editora Saraiva, 3ª ed., 1998.

Ensaio
:: Leitura: uma aprendizagem de prazer. Rio de Janeiro: José Olímpio Editora, 1993, 6ª ed., revisada e ampliada, 2010.

Antologias poesia e ensaio (participação)
:: Universitários: verso & prosa. Antologia - UFRJ. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980.
:: Antologia da nova poesia brasileira. [organização, seleção e apresentação Olga Savary]. Rio de Janeiro: Hipocampo, 1992.
:: Nachdenken über eine Reise ohne Ende: Brasilien literarisch. (antologia poética).. [eds. Kurt Scharf, Ute Hermanns]. Berlin: Babel Verlag, 1994.
:: Poesia viva (coletânea). Rio de Janeiro: Editora UAPÊ,  1996.
:: 41 poetas do rio. [organização Moacyr Félix]. Rio de Janeiro: Funarte, 1997. 
:: Literatura y pensamiento. (com três poemas). Madri, Espanha: Editora Caletta, 1999.
:: As árvores e seus cantares. Antologia de poesia.. [organização Sérgio Faraco]. São Leopoldo, RS: Unisinos, 1999.
:: A paixão emancipatória: vozes femininas da liberação do erotismo na poesia brasileira. [organização Angélica Soares]. Rio de Janeiro: DIFEL, 1999.
:: Ânfora nova - mujer y poesia. (com o poema 'Canção' - tradução Xosé Garcia). Brasil/Córdoba, España: Editorial Ânfora Nova/Fundación Ramón A. Consejeria de Cultura Junta de Andaluzia, 2000.
:: Antología de la poesía brasileña | Antologia da poesia brasileira. [organização e tradução Xosé Lois García]. Edição bilíngue. Santiago de Compostela: Laiovento, 2001.
:: Poesia viva (coletânea). Rio de Janeiro: Editora UAPÊ, 2008.
:: Um olhar para os detalhes: ensaio fotográfico poético sobre as formas. [autores: Adele Weber, Alexei Bueno, Carlito Azevedo, Igor Fagundes, Iracema Macedo, Jacinto Fabio Correa, Jair Ferreira dos Santos, João Rasteiro, Lila Maia, Luis Serguilha, Marcia Cavendish, Maria Dolores Wanderley, Maria João Cantinho, Paula Padilha, Renato Rezende e Suzana Vargas; organização Maria Dolores Wanderley; ilustrações Dirk Wiersma e Rudolph Trouw]. Edição bilíngue. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2010.

Dissertação mestrado
VARGAS, Suzana. Leitura: uma aprendizagem de prazer. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, 1988.

Artigos e textos (alguns) em jornais de notícias/revistas
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VARGAS, Suzana. Lembrança arranhada (resenha do livro do poeta Maurício Salles de Vasconcelos). Lembrança Arranhada, 5 jan. 1982.
_________ . A poesia como arte de dizer mais de formas novas e verdadeiras. Jornal Arte da Palavra, 20 nov. 1988.
_________ . Dante Milano - sempre novo. in: Jornal Primeira Impressão - Informativo da OLAC, Rio de Janeiro, RJ, 12 ago. 1989.
_________ . Tradição e renovação poéticas. in: O Globo, Rio de Janeiro, RJ, 18 fev. 1990.
_________ . Pássaros do absurdo. in: Revista Poesia Sempre, 5 jan. 1993.
_________ . Collapsus linguae. in: Revista Poesia Sempre, Rio de Janeiro, 5 jan. 1993.
Livro dá dicas para gostar de ler ( Jornal Diário de Petrópolis). Diário de Petrópolis, Petrópolis,RJ, 17 out. 1993.
_________ . Leitura: uma aprendizagem de prazer. in: Jornal da Barra, Rio de Janeiro, RJ, 10 abr. 1994.
_________ . O texto é como uma cebola. in: Jornal O Globo - seção Vestibular, Rio de Janeiro, 6 dez. 1994.
_________ . Realidade como pano de fundo. in: Jornal do Brasil - Ideias/Livros, 8 jun. 1995.
_________ . Personagem procura seu autor. in: Jornal do Brasil - Ideias/ Livros, Rio de Janeiro, RJ, 20 jan. 1996.
_________ . Mistérios nas paredes de um casarão. in: Jornal O Globo, 10 mar. 1996.
Oficina da Literatura (Jornal do Brasil - Caderno B). Jornal do Brasil - Caderno B, 28 mar. 1996.
_________ . Depoimento sobre a leitura de D. Quixote. in: Folha da Leitura, 8 set. 1996.
_________ . Renata Pallottini mostra a poesia longe do modismo. in: Jornal O Globo - Prosa & Verso, Rio de Janeiro, RJ, 13 set. 1996.
_________ . A infância é o lugar da poesia. in: Jornal Correio das Artes, 1 nov. 1998.
_________ . Texto literário e criação. in: Jornal Correio Corisco, Teresina, PI, 24 set. 2001.
_________ . Emoção despudorada. in: Jornal do Brasil - Caderno B, 9 dez. 2002.
_________ . Do preconceito à admiração pela obra de Haroldo de Campos. in: Correio Braziliense, Brasília, DF, 23 ago. 2003.
_________ . História e sequestros do Rio e suas famílias. in: Jornal O Globo - Prosa & Verso, Rio de Janeiro, 13 set. 2003.
_________ . Como perder o medo da poesia. in: Jornal Cartaz o Liberal, 27 abr. 2004.
_________ . Belo filme sobre o ser e o parecer. in: Jornal do Brasil - Caderno B, 12 nov. 2004.
_________ . Entrevista com Suzana Vargas. in: Poesia Viva (jornal de literatura), Rio de Janeiro, RJ, 18 dez. 2005.
_________ . Argumentos invisíveis. in: Germina literatura, março/2006. Disponível no link. (acessado em 15.6.2016).
_________ . Entrevista (Suzana Vargas) sobre o livro Leitura: uma aprendizagem de prazer. in: Jornal O DIA, Rio de Janeiro, 26 abr. 2010.
_________ . A poesia está por trás de tudo. in: Jornal do Brasil - Caderno B, 10 out. 2010.



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POEMAS SELECIONADOS DE SUZANA VARGAS

A janela
Não consigo escrever
diante dos morros

Estão sempre à minha frente
quando corro

Não sei se o que me perturba
é o barraco ensolarado

Ou é a casa que habito
e seu ar acomodado

Nem de noite. Nem de dia
Na primeira são as luzes

Na manhã, desarmonias
entre a terra e o asfalto

Entre o chinelo de dedo
E o salto.
- Suzana Vargas, no livro "Sem recreio". Rio de Janeiro: Achiamé, 1983.

§

Canção
O vento que colho
é o mesmo
que varou um tempo morto.

Tempo implacável arguto
que foge
pelos meus medos.

A quantas de minha história
não acenou
como agora?

Com quem esse mesmo outono
não celebrou
o seu corpo?

Braços e olhos
colhidos
pelo vento, esse inimigo.

lábios e peles
molhados
e pela aragem secados.

A quem o tempo implacável
quis desafiar
com o vento?

E quem colheu
como eu
o outono que se escondeu?
- Suzana Vargas, no livro "Sombras chinesas". São Paulo: Massao Ohno Editor, 1990.

§

Como sempre
Na minha estrada há sempre um trem partindo.
Trilhos, acenos, lenços,
lembranças me esmagando
muitos sóis.

Há sempre um ocaso ameaçando
as fotos novas que prego
em meus murais.

Tu és mais um adeus
neste caminho
que acomete diamantes, ouro
tardes tardes e mais sol
enquanto eu passeio muda
                                   pelas sombras.
- Suzana Vargas, no livro "Caderno de outono e outros poemas".  2ª ed., Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC; Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1998.

§

Chopin
Não canto 
nem entendo de gargantas 
ou ruídos íntimos 
de chuva e temporal. 

Nem sei que mistérios me aguardam 
nas cordas de um violão 
nas teclas de um piano 
de onde saem, sim, 
os verdadeiros sons. 

Não canto 
escrevo 
imito gorjeios 
mais agudos e graves 
que os ouço 

misturados ao ritmo 
do que vivo. 
- Suzana Vargas, no livro "Caderno de outono e outros poemas". Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC, 1997.

§

Erótica
 O sexo ronda as magnólias,
pernas se entrelaçam na trepadeira em flor.
Fundo cinza azul rosa
para as bocas dos peixes
mescladas ao silêncio das bolhas

A mesma sombra inquieta das árvores ao vento
o cheiro da terra úmida
uma janela aberta para a lua
são convites

E nem é preciso nomear pênis
bundas
só um olhar basta para desencadear
desejos
e a dobra do corpo refaz
a curva na esquina

Bigodes chuva em zinco
a música do tempo
e o corpo já galopa em si mesmo
- Suzana Vargas, no livro "O amor é vermelho". Rio de Janeiro: Garamond, 2005.

§

Eu, meu nome
Talvez tenha encontrado 
a poesia do nome 

Sou um cristal, 
uma pedra a flutuar no abismo 

Ela 
é o exato momento 
            suspenso 
antes da queda. 
- Suzana Vargas, no livro "Caderno de outono e outros poemas". Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC, 1997.

§

Fio fátuo
Não me confino mais
às curvas da cozinha
pois há muito
saí da casca dos tomates

e me cortei sozinha.
- Suzana Vargas, no livro "Caderno de outono e outros poemas". Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC, 1997.

§

Insônia
São universais:
relógios de parede,
galos que cantam,
o escuro do quarto...

...E o anjo que nos fez caretas
a noite toda.
- Suzana Vargas, no livro "Caderno de outono e outros poemas". Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC, 1997.

§

Ouro sob água
Só me lembro que atrás de nós havia um morro
a mata
No centro, a música, o violão
Fazia frio e nuvens
se aqueciam pelo som.

Havia, entre outros,
uma água
um menino cortando cabelo na beira da casa
as tangerinas no pé. 
Do grupo, um homem
me perguntava
sobre a melhor forma
de começar um banho
sem reparar no profundo da questão

- Entro devagar
ou de uma vez por todas? Perguntou
- Por todas, respondi
Não há céu ou inferno
que comece devagar
- Suzana Vargas, no livro "Caderno de outono e outros poemas". Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC, 1997.

§

Sombra chinesa
Sentada.
Deitada.
         O dia treme seu verão lá fora.
Sufoca o canto
algum canário agora
Parada
(... é hora)
E eu me recuso a enfrentar
         a rotação do nada.
- Suzana Vargas, no livro "Sombras chinesas". São Paulo: Massao Ohno Editor, 1990.


Suzana Vargas - foto: Mauro Ventura/ O Globo
FORTUNA CRÍTICA DE SUZANA VARGAS
BARCELLOS, Maria Carolina; FEITOSA, Larissa Dias. Suzana Vargas e as rodas de leitura: a literatura em foco. in: Anais do 6º Enfope, Aracaju/SE, 2013. Disponível no link. (acessado em 15.6.2016).
CAETANO, Marcelo Moraes. Algumas palavras correntes - resenha de "O amor é vermelho", de Suzana Vargas.. Cronópios-SP, São Paulo, p. 1-10, 24 abr. 2012.
CAETANO, Marcelo Moraes. Algumas palavras correntes - resenha de "O amor é vermelho", de Suzana Vargas. Études Lusophones Soprbonne Paris 4, Paris, p. 1-5, 20 fev. 2012.
COELHO, Nelly Novaes (org.). Dicionário crítico de escritoras brasileiras: 1711-2001. São Paulo: Escrituras Editora, 2002.
COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de (org). Enciclopédia de literatura brasileira. Rio de Janeiro: MEC/FAE, 1990.
LEAL, César. O mundo feminino de Suzana Vargas. in: Diário de Pernambuco, 8.12.1997 | reproduzido 'Jornal da Poesia'. Disponível no link. (acessado em 15.6.2016).
PERROT, Andrea Czarnobay. Resenha do livro Cadernos de outono e outros poemas de Suzana vargas. Revista Literária Blau, Porto Alegre - RS, , v. 22.
SEFFRIN, André. Poesia como oração. entrevista: Suzana Vargas. in: germina literatura, agosto 2006. Disponível no link. (acessado em 15.6.2016).



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OUTRAS FONTES E REFERÊNCIAS DE PESQUISA
:: Antônio Miranda
:: Blocos online
:: Estação das Letras
:: Germina Literatura


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Suzana Vargas - poesia e criação. Templo Cultural Delfos, junho/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 15.6.2016.



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