Narcisa Amália de Campos - poeta, republicana, abolicionista e feminista do século XIX

Narcisa Amália de Campos
Narcisa Amélia de Campos (poeta, professora e jornalista), nasceu em 3 de abril de 1852, em São João da Barra, norte do Rio de Janeiro, filha do poeta Jácome de Campos e da professora primária Narcisa Inácia de Campos. Aos 11 anos muda-se com a família para Resende e aos 14 anos casa-se com João Batista da Silveira, artista ambulante de vida irregular, de quem se separa alguns anos mais tarde.
Aos 20 anos, escreve “Nebulosas”, poemas de exaltação à natureza, à pátria e de lembranças da infância da “jovem e bela poetisa”, como definiu Machado de Assis.
Em 1880, aos 28 anos, casa-se pela segunda vez com Francisco Cleto da Rocha, também chamado de Rocha Padeiro, dona da “Padaria das Famílias”, em Resende. Nos primeiros anos ajuda o marido, mas continua a receber em seus saraus os amigos literatos em sua casa como Raimundo Correia, Luís Murat, Alfredo Sodré e inclusive o Imperador Dom Pedro II que em sua passagem à Resende, vai visitar “a sublime padeira” , por estar ansioso “por lhe provar...do pão espiritual” embora seja ela a poeta fervorosa republicana e abolicionista.
Seu casamento com Rocha Padeiro também não dura muito e com sua separação é obrigada a deixar Resende, cidade que considerava sua terra, pressionada por campanha maledicente promovida pelo ex-marido enciumado.
Muda-se para a Capital e dedica-se ao magistério, e em 13 de outubro de 1884, funda um pequeno Jornal Quinzenal, “o Gazetinha”, suplemento do Tymburitá que tinha como subtítulo, “folha dedicada ao belo sexo”.
Narcisa Amália foi à primeira mulher no Brasil a se profissionalizar como jornalista, alcançando projeção em todo o país com artigos em favor da Abolição da Escravatura, defensora da mulher e dos oprimidos em geral.
Narcisa faleceu no dia 24 de junho de 1924 aos 72 anos, pobre, cega e paralítica, sendo seu corpo sepultado no cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro. Antes de sua morte, deixou um apelo:
“Eu diria à mulher inteligente [...] molha a pena no sangue do teu coração e insufla nas tuas criações a alma enamorada que te anima. Assim deixarás como vestígio ressonância em todos os sentidos.” 
:: Fonte: Fio Cruz

Cronologia de Narcisa Amélia
Narcisa Amália de Campos
1852 - Nasce Narcisa Amália de Campos, a 3 de abril, em São João da Barra, Rio de Janeiro, filha do poeta Jácome de Campos e da professora primária Narcisa Inácia de Campos.
1863 - Transfere-se para Resende com a família.
1866 - Casa-se com João Batista da Silveira, artista ambulante, de vida irregular, de quem se separa alguns anos mais tarde.
1872 - Publica seu primeiro e único livro de poesia, Nebulosas, que alcança grande repercussão nos meios literários. São poemas expressivos do Romantismo, que exaltam a natureza e a pátria e relembram a infância.
1874 - Publica Nelúmbia, contos.
Prefacia livro de Ezequiel Freire e é elogiada por Machado de Assis: "As flores do campo, volume de versos dado em 1874, tiveram a boa fortuna de trazer um prefácio devido à pena delicada e fina de D.Narcisa Amália, essa jovem e bela poetisa (...)".
1880 - Casa-se novamente, dessa vez com Francisco Cleto da Rocha, também chamado Rocha Padeiro, dono da "Padaria das Famílias", em Resende. Ajuda o marido nos primeiros anos, mas continua a receber os amigos literatos em sua casa. Frequentam seus saraus nomes famosos como Raimundo Correia, Luís Murat, Alfredo Sodré e, inclusive, o Imperador Pedro II, que por ocasião de sua visita a Resende, vai "visitar a sublime padeira, por estar ansioso por lhe provar... do pão espiritual", embora seja a poetisa fervorosa republicana abolicionista.
O segundo casamento também não dura muito e Narcisa é forçada a deixar a cidade que considerava sua terra, pressionada por campanha maledicente movida pelo marido enciumado.
No Rio de Janeiro, Narcisa Amália dedica-se ao magistério.
1884 - Em 13 de outubro funda um pequeno jornal quinzenal, o Gazetinha, suplemento do Tymburitá que tinha, como subtítulo, "folha dedicada ao belo sexo".
Narcisa Amália foi a primeira mulher a se profissionalizar como jornalista, alcançando projeção em todo o Brasil com seus artigos em favor da Abolição da Escravatura, em defesa da mulher e dos oprimidos em geral.
:: Fonte: PAIXÃO, Sylvia Pelegrino. Narcisa Amália de Campos. in: MUZART, Zahidé Lupinacci. Escritoras Brasileiras do Século XIX. Antologia Volume II. Rio Grande de Sul: Edunisc, 2004. 


Agosto 12 
E' bella e meiga a criança. 
Sorrindo á luz da existência 
C'o a alma toda innocencia. 
- Narcisa Amália, em "Violetas poéticas - álbum de poesias para dias de annos". Rio de Janeiro: Laemmert & C., Editores, s/d. (grafia original)


OBRA DE NARCISA AMÁLIA
Poesia
Nebulosa, de Narcisa Amália
:: Nebulosas. [prefácio de Peçanha Póvoa]. Rio de Janeiro: Garnier, 1872.

Conto
:: Nelúmbia. (Conto). In: Lux!. Campos, 1. dez. 1874, p. 158-160.

Crônica
::  A mulher no século XIX (crônica). In: Democratema. Comemorativa ao 26º aniversário da Fundação do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 1882


Colaboração em jornais e revistas
:: O Domingo.
:: Astro Resendense (Resende-RJ) 
:: O Espírito Santense
:: A República.
:: Correio do Brasil.
:: Lábaro Acadêmico.
:: Correio Literário
:: Almanaque das Senhoras (RJ)
:: O Espírito Santo (ES)
:: Diário de Pernambuco (PE)
:: Lux! (Campos-RJ)
:: O Fluminense (Niterói-RJ) 
:: Diário Mercantil (SP)
:: O Friburguense (Friburgo-RJ)
:: Tymburitá (Resende-RJ) 
:: O Garatuja (Resende-RJ) 
:: A Família (SP)
:: A República (Aracaju-SE).
:: A Leitura: magazine litterario (colaborou entre 1894-1896). Disponível em Hemeroteca digital/CM Lisboa. (acessado em 27.6.2015). 

Antologia [participação]
:: Violetas poéticas - álbum de poesias para dias de annos. Collecionadas dos melhores poetas brazileiros. Rio de Janeiro; São Paulo; Recife: Laemmert & C., Editores, Século de edição XIX. Disponível no link. (acessado em 27.6.2015).
:: Clássicos Brasileiros: uma seleção de autores com obras em domínio público. [organização, Aníbal Bragança; versão inglesa, Iuri Lapa]. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional; São Paulo: IMESP, 2011.

Traduções
:: O romance da mulher que amou. [comentado por Arsène Houssaye; tradução Narcisa Amalia]. Collecção Biblioteca Universal Rio de Janeiro: Garnier, 1877. (fonte: Memória BN/BR - O Figaro).


"A educação da mulher! Mas tem a mulher por acaso necessidade de ser educada? Para quê? Cautela! A mulher representa o gênio do mal sob uma forma mais ou menos graciosa e cultivar a sua inteligência seria fornecer-lhe novas armas para o mal. Procuremos antes torná-la inofensiva por meio da ignorância. Guerra, pois, à inteligência feminil!
Eis a palavra do século passado. O que diria a idade de ouro da selvageria, quando o homem tinha o direito de vida e de morte sobre a sua companheira? Quando a mulher carregava-lhe a bagagem na emigração, a antílope morta – na caçada e roía os ossos em comum com os cães? Desprezada, embrutecida, castigada e vendida, a mísera arrastava o longo suplício de sua existência até que a morte viesse libertá-la e a pá de terra levantasse entre ela e o seu opressor uma eterna barreira. Nada há que justifique essa tenaz perseguição da mulher; e entretanto foi perpetuada de século a século! Na Ásia, de rosto sempre velado, ignorante e submissa como um cão, trabalhava, comia e chorava à vontade do senhor, sem que uma palavra de simpatia jamais lhe dilatasse o coração; na Índia, levavam-na mais longe: atiravam-na à fogueira no dia em que lhe expirava o marido! Em Babilônia era vendida em praça pública; em Esparta, escolhida ao acaso; em Atenas, circunscrita nos gineceus. Batida, aviltada e corrompida pelo homem, a mulher romana, por sua vez, bate, avilta e corrompe o homem no filho."
- Narcisa Amália, excertos da crônica "A mulher no século XIX" (crônica). In: Democratema. Comemorativa ao 26º aniversário da Fundação do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 1882, p. 31-35. 



Narcisa Amália de Campos
POEMAS ESCOLHIDOS DE NARCISA AMÁLIA

O lago
I
Calmo, fundo, translúcido, amplo o lago
longe, trêmulo, trêmulo morria,
No seu límpido espelho a ramaria,
curva, de um bosque punha sombra e afago

Terra e céu, ondulando, eram na fria
tela fundidos! O queixume vago
que a água modula, de ambos parecia
solto, ululante, intérmino, pressago!

"Trecho vulgar de sítio abstruso e agreste"
talvez; mas todo o encanto que o reveste
sentisse; contemplasses-lhe a beleza;
comigo ouvisse-lhe a mudez, que fala,
e sorverias no frescor que o embala

todo o alento vital da Natureza!
- Narcisa Amália, em "Nebulosas". 1872.



Perfil de escrava
Quando os olhos entreabro à luz que avança,
Batendo a sombra e pérfida indolência,
Vejo além da discreta transparência
Do alvo cortinando uma criança.

Pupila de gazela - viva e mansa,
Com sereno temor colhendo a ardência
Fronte imersa em palor...Rir de inocência,
Rir que trai ora angústia, ora esperança...

Eis o esboço fugaz da estátua viva,
Que - de braços em cruz - na sombra avulta
Silenciosa, atenta, pensativa!

Estátua? Não, que essa cadeia estulta
Há de quebrar-se, mísera, cativa,
Este afeto de mãe, que a dona oculta!
- Narcisa Amália, em "Nebulosas". 1872.


Por que sou forte
      a Ezequiel Freire

Dirás que é falso. Não. É certo. Desço
Ao fundo d’alma toda vez que hesito...
Cada vez que uma lágrima ou que um grito
Trai-me a angústia - ao sentir que desfaleço...
E toda assombro, toda amor, confesso,
O limiar desse país bendito
Cruzo: - aguardam-me as festas do infinito!
O horror da vida, deslumbrada, esqueço!
É que há dentro vales, céus, alturas,
Que o olhar do mundo não macula, a terna
Lua, flores, queridas criaturas,
E soa em cada moita, em cada gruta,
A sinfonia da paixão eterna!...
- E eis-me de novo forte para a luta.
- Narcisa Amália (Resende, 7.9.1886), em "prefácio" ao livro "Flores do Campo" de Ezequiel Freire. Rio de Janeiro, 1874.


Resignação
No silêncio das noites perfumosas,
Quando a vaga chorando beija a praia,
Aos trêmulos rutilos das estrelas,
Inclino a triste fronte que desmaia.
E vejo o perpassar das sombras castas
Dos delírios da leda mocidade;
Comprimo o coração despedaçado
Pela garra cruenta da saudade.
Como é doce a lembrança desse tempo
Em que o chão da existência era de flores,
Quando entoava o múrmur das esferas
A copla tentadora dos amores!
Eu voava feliz nos ínvios serros
Empós das borboletas matizadas...
Era tão pura a abóbada do elísio
Pendida sobre as veigas rociadas!...
Hoje escalda-me os lábios riso insano,
É febre o brilho ardente de meus olhos:
Minha voz só retumba em ai plangente,
Só juncam minha senda agros abrolhos.
Mas que importa esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
Se nas asas gentis da poesia
Eleva-me a outros mundos mais formosos?!...
Do céu azul, da flor, da névoa errante,
De fantásticos seres, de perfumes,
Criou-me regiões cheias de encanto,
Que a luz doura de suaves lumes!
No silêncio das noites perfumosas
Quando a vaga chorando beija a praia,
Ela ensina-me a orar, tímida e crente,
Aquece-me a esperança que desmaia.
Oh! Bendita esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
De longe vejo as turbas que deliram,
E perdem-se em desvios tortuosos!...
- Narcisa Amália, em "Nebulosas". 1872.


Sandness
"Still visit thus my nights, for you reserved,
And mount my soaring soul thougts like yours."
(James Thomson)

XX
Meu anjo inspirador não tem nas faces 
As tintas coralíneas da manhã,;
Nem tem nos lábios as canções vivaces
Da cabocla pagã!

Não lhe pesa na fronte deslumbrante 
Coroa de esplendor e maravilhas, 
Nem rouba ao nevoeiro flutuante 
As nítidas mantilhas.

Meu anjo inspirador é frio e triste 
Como o sol que enrubesce o céu polar! 
Trai-lhe o semblante pálido — do antiste 
O acerbo meditar!

Traz na cabeça estema de saudades,
Tem no lânguido olhar a morbideza;
Veste a clâmide eril das tempestades,
E chama-se — Tristeza!...
- Narcisa Amália, em "Nebulosas". 1872.


FORTUNA CRÍTICA DE NARCISA AMÁLIA
[Estudos acadêmicos - teses, dissertações, ensaios,  artigos e livros]
ARAÚJO, Maria da Conceição Pinheiro. Tramas femininas na imprensa do século XIX: tessituras de Ignez Sabino e Délia (Maria Benedita Bormann).. (Tese Doutorado em Letras). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUC RS, 2008. Disponível no link. (acessado em 27.6.2015).
BARBOSA, Gisele Oliveira Ayres. Narcisa Amália: uma trajetória feminina do Sul Fluminense do Século XIX. In: I Congresso de História e Geografia do Vale do Paraíba, Vassouras, 2013. 
BARBOSA, Gisele Oliveira Ayres. Aspectos Sociais e Políticos da Poesia de Narcisa Amália. In: XXII Simpósio Nacional de História ANPUH, 2003, João Pessoa. Anais Eletrônicos XXII Simpósio Nacional de História. João Pessoa: ANPUH / UFPB, 2003.
BARROCA, Iara Christina Silva. 3 Escritoras especiais: Ignez Sabino, Narcisa Amália e Júlia Lopes de Almeida. In: Laura Areias; Luis da Cunha Pinheiro. (Org.). As mulheres e a imprensa periódica. 1ª ed., Lisboa: Lusosofia: PRESS, 2014, v. 1, p. 161-171.
BITTENCOURT, Adalzira. Dicionário bio-bibliográfico de mulheres ilustres, notáveis e intelectuais do Brasil. Rio de Janeiro: Pongetti, 1969.
BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1883, 7 v.
BROCA, Brito. A vida literária no Brasil – 1900. 2ª ed., Rio de Janeiro: José Olympio, 1960.
CASTANHEIRA, Cláudia Silva. Dinamizando as marcas da diferença: a mulher e o discurso ficcional no fim do século XX. (Tese Doutorado em Letras). Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, 2003.
COELHO, Nelly Novaes. Dicionário crítico de escritoras brasileiras: (1711-2001). São Paulo: Escrituras, 2002.
COUTINHO, Afrânio; SOUSA, José Galante de.. Enciclopédia de literatura brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Academia Brasileira de Letras, 2001: 2v.
CUNHA, Helena Parente (Org.). Desafiando o cânone (2). 1ª ed., Rio de Janeiro: Faculdade de Letras da UFRJ, 2001
DEL PRIORE, Mary (org.); BASSANEZI, Carla (coord. de textos). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto/Editora UNESP, 1997, 678p.
MULHERES fluminenses do Vale do Paraíba. Histórias de luta e conquista da cidadania feminina. Rio de Janeiro: Conselho Estadual de Direitos da Mulher, s/d.
MUZART, Zahidé Lupinacci. Escritoras Brasileiras do Século XIX. Antologia Volume II. Rio Grande de Sul: Edunisc, 2004. 
OSCAR, João. Narcisa Amália. Vida e Poesia. Campos: Lar Cristão, 1994.
PAIXÃO, Sylvia Pelegrino. Narcisa Amália de Campos. in: MUZART, Zahidé Lupinacci. Escritoras Brasileiras do Século XIX. Antologia Volume II. Rio Grande de Sul: Edunisc, 2004. 
PINHEIRO, Luís da Cunha; AREIAS, Laura (coordenação). As mulheres e a imprensa periódica. Lisboa: Cepul, 2014. Disponível no link. (acessado em 26.06.2015).
RAMALHO, Christina Bielinski. Narcisa Amália. Vozes Baianas, Salvador, v. 1, p. 10-13, 2001.
RAMALHO, Christina. Um espelho para Narcisa - reflexos de uma voz romântica. Rio de Janeiro: Elo, 1999.
RAMALHO, Christina Bielinski. Operação resgate: Narcisa Amália poetisa. Universa (UCB), Brasília, v. 6, n.3, p. 393-399, 1998.
RAMALHO, Christina Bielinski. A consciência do aprisionamento em Narcisa Amália. In: Helena Parente Cunha. (Org.). Desafiando o cânone (2). 1ª ed., Rio de Janeiro: Faculdade de Letras da UFRJ, 2001, v. 1, p. 78-99.
RAMALHO, Christina. Retratos do cotidiano: a crônica em três vozes. Leitura maceió, nº 49, p. 135-156, Jan./Jun. 2012.
RAMALHO, Christina Bielinski. Narcisa Amália de Campos e a consciência do fazer poético. In: IV Colóquio Nacional de Representações de Gênero e de Sexualidades, 2008, Campina Grande. Anais do IV Colóquio Nacional Representações de Gênero e de Sexualidades. Campina Grande: Realize, 2008. v. 1. p. 1-15.
RAMALHO, Christina Bielinski. Narcisa Amália: romântica, parnasiana, menor, mínima?. In: Simpósio Internacional Brasil 500 anos de descobertas literárias, 2000, Brasília. Simpósio Internacional Programação e Caderno de Resumos dos trabalhos inscritos, 2000. v. 1. p. 34-34.
ROMERO, Silvio. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1960.
SCHUMAHER, Schuma; BRASIL, Érico Vital. Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade (biográfico e ilustrado). Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2000.
TACQUES, Alzira Freitas. Perfis de musas, poetas e prosadores brasileiros. V.I. Porto Alegre: Thurmann, 1956.
TELLES, Norma Abreu. Encantações: escritoras e crítica literária no Brasil, século XIX. (Tese Doutorado em Ciências Sociais). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP, 1987.
TELLES, Norma Abreu. Escritoras, escritas, escrituras. In: História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto/UNESP, 1997.
TORRES, Maximiliano Gomes. As faces de Pandora na construção simbólica do feminino e a literatura escrita por mulheres como quebra de paradigma (os casos Narcisa Amália e Paula Glenadel). In: Helena Parente Cunha. (Org.). Violência simbólica e estratégias de dominação: produção poética de autoria feminina em dois tempos. Rio de Janeiro: Editora da Palavra, 2011, v. , p. 293-335.
VASCONCELOS, Rosel Ulisses Silva e.. Cruzamento de biografias: um estudo coordenado sobre Raimundo Correia e Narcisa Amália. In: VI Semana de Atividades Científicas, 2008, Resende. VI Semana de Atividades Científicas da AEDB. Resende: AEDB Editora, 2008.


"Foi a América do Norte, essa nação tão nova e tão grande já, que dominada pela febre da inovação e do progresso, ergueu primeiro o lábaro da revolta em prol da mulher. [...]
A esta rápida e prodigiosa transfiguração da mulher americana, a França e a Bélgica franqueiam hesitantes às suas filhas as portas das academias de Direito e de Medicina; e elas provam, por sua vez, exuberantemente perfeita aptidão para todas as ciências!
A mulher no século dezenove acha-se, portanto, emancipada, isto é, entra na posse de si mesma, conquista o direito divino de sua alma, em uma palavra, transfigura-se. o que lhe falta para ser feliz.
– À que está emancipada, pouco; mas à que está por emancipar-se, tudo. E neste caso está a mulher brasileira."
- Narcisa Amália, excertos da crônica "A mulher no século XIX" (crônica). In: Democratema. Comemorativa ao 26º aniversário da Fundação do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 1882, p. 31-35. 


"Entre nós a instrução, mesmo a mais elementar, tem até aqui constituído monopólio do homem. Ora, à medida que o homem sobe, a mulher desce, naturalmente, e essa diferença cria entre ambos uma profunda separação intelectual e moral que arrasta consigo todas as desordens do lar. Educada para agradar, de posse de algumas prendas, mais ou menos polida pela frequência dos saraus dançantes ou musicais, conhecendo os dramas do coração pelo romance ou pelo teatro, sem uma ideia séria, sem um plano determinado de vida, a menina brasileira transpõe sorrindo o limiar do casamento, com sua fronte sonhadora aureolada pelo véu da pureza e penetra sem consciência no que há de mais sério, de mais grave, de mais solene na terra; – a vida da família!
Quando, porém, passado o primeiro período do enlevo mútuo o marido compreende que não pode dar à sua esposa mais que a confidência do coração; quando reconhece que ela não pode absolutamente corresponder às expansões do seu espírito e que deve sufocar no íntimo o que sente de mais superior em si, o divórcio moral se estabelece entre os esposos, o encanto da intimidade morre inevitavelmente para ambos. Ele vai procurar no exterior o que não pode encontrar no lar; ela chora, lamenta-se, e transvia-se se é fraca, ou volta-se para a religião e resigna-se, se foi educada por uma mãe piedosa.
O casamento, neste caso, é a calúnia do casamento. O que podem ser os filhos nascidos de semelhante união, educados por esta mãe ignota, desenvolvidos neste lar em perpétua e desoladora desordem?!" 
- Narcisa Amália, excertos da crônica "A mulher no século XIX" (crônica). In: Democratema. Comemorativa ao 26º aniversário da Fundação do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 1882, p. 2-35. 


A nova geração
"As flores do campo [de Ezequiel Freire], volume de versos dado em 1874, tiveram a boa fortuna de trazer um prefácio devido à pena delicada e fina de D. Narcisa Amália, essa jovem e bela poetisa, que há anos aguçou a nossa curiosidade com um livro de versos, e recolheu-se depois à turris eburnea da vida doméstica. Resende é a pátria de ambos; além dessa afinidade, temos a da poesia, que em suas partes mais íntimas e do coração, é a mesma. [Naturalmente, a simpatia da escritora vai de preferência às composições que mais lhe quadram à própria índole, e, no nosso caso, basta conhecer a que lhe arranca maior aplauso, para adivinhar todas as delicadezas da mulher. Dona Narcisa Amália aprova sem reserva os "Escravos no Eito", página da roça, quadro em que o poeta lança a piedade de seus versos sobre o padecimento dos cativos. Não se limita a aplaudi-lo, subscreve a composição. Eu, pela minha parte, subscrevo o louvor; creio também que essa composição resume o quadro.”
- Machado de Assis, em 'Revista Brasileira', 1 dez. 1879.



Narcisa Amália c. 50 anos de idade, em bico de pena
do desenhista M. J. Garnier, datado de 1906.
REFERÊNCIAS E OUTRAS FONTES DE PESQUISA
:: João do Rio
:: Literatura Digital - Biblioteca de Literaturas de Língua Portuguesa (UFSC).


NA REDE
:: Vozes femininas na literatura


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Narcisa Amália de Campos - poeta, republicana, abolicionista e feminista do século XIX. Templo Cultural Delfos, junho/2015. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 27.6.2015.




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