Olavo Bilac - o príncipe dos poetas

Olavo Bilac
"Só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas."
- Olavo Bilac in: "Via Láctea", XIII

"Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo."
- Olavo Bilac in: "Via Láctea", XXX


Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac, jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, criou a Cadeira nº. 15, que tem como patrono Gonçalves Dias.
Eram seus pais o Dr. Braz Martins dos Guimarães Bilac e D. Delfina Belmira dos Guimarães Bilac. Após os estudos primários e secundários, matriculou-se na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, mas desistiu no 4º. ano. Tentou, a seguir, o curso de Direito em São Paulo, mas não passou do primeiro ano. Dedicou-se desde cedo ao jornalismo e à literatura. Teve intensa participação na política e em campanhas cívicas, das quais a mais famosa foi em favor do serviço militar obrigatório. Fundou vários jornais, de vida mais ou menos efêmera, como A Cigarra, O Meio, A Rua. Na seção “Semana” da Gazeta de Notícias, substituiu Machado de Assis, trabalhando ali durante anos. É o autor da letra do Hino à Bandeira.
Fazendo jornalismo político nos começos da República, foi um dos perseguidos por Floriano Peixoto. Teve que se esconder em Minas Gerais, quando freqüentou a casa de Afonso Arinos em Ouro Preto. No regresso ao Rio, foi preso. Em 1891, foi nomeado oficial da Secretaria do Interior do Estado do Rio. Em 1898, inspetor escolar do Distrito Federal, cargo em que se aposentou, pouco antes de falecer. Foi também delegado em conferências diplomáticas e, em 1907, secretário do prefeito do Distrito Federal. Em 1916, fundou a Liga de Defesa Nacional.
Sua obra poética enquadra-se no Parnasianismo, que teve na década de 1880 a fase mais fecunda. Embora não tenha sido o primeiro a caracterizar o movimento parnasiano, pois só em 1888 publicou Poesias, Olavo Bilac tornou-se o mais típico dos parnasianos brasileiros, ao lado de Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.
Olavo Bilac, por Cássio Loredano
Fundindo o Parnasianismo francês e a tradição lusitana, Olavo Bilac deu preferência às formas fixas do lirismo, especialmente ao soneto. Nas duas primeiras décadas do século XX, seus sonetos de chave de ouro eram decorados e declamados em toda parte, nos saraus e salões literários comuns na época. Nas Poesias encontram-se os famosos sonetos de “Via-Láctea” e a “Profissão de Fé”, na qual codificou o seu credo estético, que se distingue pelo culto do estilo, pela pureza da forma e da linguagem e pela simplicidade como resultado do lavor.
Ao lado do poeta lírico, há nele um poeta de tonalidade épica, de que é expressão o poema “O caçador de esmeraldas”, celebrando os feitos, a desilusão e morte do bandeirante Fernão Dias Pais. Bilac foi, no seu tempo, um dos poetas brasileiros mais populares e mais lidos do país, tendo sido eleito o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, no concurso que a revista Fon-fon lançou em 1º. de março de 1913. Alguns anos mais tarde, os poetas parnasianos seriam o principal alvo do Modernismo. Apesar da reação modernista contra a sua poesia, Olavo Bilac tem lugar de destaque na literatura brasileira, como dos mais típicos e perfeitos dentro do Parnasianismo brasileiro. Foi notável conferencista, numa época de moda das conferências no Rio de Janeiro, e produziu também contos e crônicas. 

Cantilena
Quando as estrelas surgem na tarde, surge a [esperança...
Toda alma triste no seu desgosto sonha um Messias:
Quem sabe? o acaso, na sorte esquiva, traz: a mudança
E enche de mundos as existências que eram vazias!

Quando as estrelas brilham mais vivas, brilha a esperança...
Os olhos fulgem; loucas, ensaiam as asas frias:
Tantos amores há pela terra, que a mão alcança!
E há tantos astros, com outras vidas, para outros dias!

Mas, de asas fracas, baixando os olhos, o sonho cansa;
No céu e na alma, cerram-se as brumas, gelam as luzes:
Quando as estrelas tremem de frio, treme a esperança...

Tempo, o delírio da mocidade não reproduzes!
Dorme o passado: quantas saudades, e quantas cruzes!
Quando as estrelas morrem na aurora, morre a esperança...
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Olavo Bilac
CRONOLOGIA DA VIDA E OBRA DE OLAVO BILAC
1865 - Nasce no Rio de Janeiro, em 16 de dezembro, filho de Brás Martins dos Guimarães Bilac, médico que nessa ocasião está em serviço na Guerra do Paraguai como cirurgião do exército.
1880 - Inicia curso de medicina na Faculdade Nacional de Medicina por meio de uma autorização especial, por ter apenas 15 anos.
1884 - Abandona o curso de medicina. Publica seu primeiro soneto, A Sesta de Nero, no jornal carioca Gazeta de Notícias.
1887 - Muda-se para São Paulo e inicia o curso de direito, que abandona no ano seguinte.
1888 - Estréia com a publicação de seu livro Poesias.
1892 - Começa a trabalhar no jornal de oposição ao governo do marechal Floriano Peixoto (1839 - 1895), O Combate. É preso por causa de suas críticas e exilado em Ouro Preto, Minas Gerais. Influenciado por Afonso Arinos (1868 - 1916), passa a abordar temas mais próximos da realidade brasileira.
Olavo Bilac
1893 - É secretário do jornal Cidade do Rio, do publicista José do Patrocínio (1854 - 1905).
1894 - É preso novamente, por motivos políticos. Edita Crônicas e Novelas. Publica na Gazeta de Notícias série com 13 sonetos intitulada As Viagens e o Romance Sanatorium, escritos em parceria com Carlos Magalhães de Azeredo (1872 - 1963).
1895 - Compõe as Poesias Infantis, obra encomendada pela Casa Alves & Cia para uso no ensino primário. Trabalha como redator-chefe na revista Dom Quixote.
1897 - Participa da fundação da Academia Brasileira de Letras - ABL, com Machado de Assis (1839 - 1908) e outros intelectuais da época.
1898 - Publica os poemas Sagres e A Terra Fluminense, feitos em parceria com o escritor Coelho Neto (1864 - 1934)
1899 - É nomeado para o cargo público de inspetor escolar.
1900 - Integra a comitiva do presidente da república, Campos Sales (1841 - 1913), em viagem à Argentina, destacando-se como orador. Publica a Lira Acaciana, reunião de sátiras políticas escritas com os poetas Alberto de Oliveira (1857 - 1937) e Pedro Tavares Júnior.
1907 - É eleito o "Príncipe dos Poetas Brasileiros" por um concurso realizado pela revista Fon-Fon.
1908 - Viaja novamente para a Europa onde reencontra o amigo Afonso Arinos.
1912 - A reunião Poèmes é publicada na edição francesa Anthologie des Poètes Brésiliens.
1915 - Inicia campanha cívica pela educação e pelo serviço militar obrigatório, dando palestras em várias capitais do Brasil.
1918 - Morre no Rio de Janeiro, em 18 de dezembro.
1919 - Publicação póstuma de seu último livro de poesias, Tarde, que o poeta havia revisado e dedicado a José do Patrocínio dois meses antes de morrer.
1939 - O conto O Crime, de Crônicas e Novelas, é traduzido para o francês, Le Crime, por Luiz Annibal Falcão e lançado pela editora Le Sagittaire, em Anthologie de quelques Conteurs Brésiliens.
1985 - Poesias é publicado em francês, dentro da antologia Poèmes du Brésil, pela Editions Ouvrières.
1998 - Poèmes é mais uma vez editado, agora dentro da coletânea Anthologie de la Poésie Brésilienne, editora Chandeigne.

"A Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo."
- Olavo Bilac
Olavo Bilac
OLAVO BILAC, OBRAS PUBLICADAS - PRIMEIRAS EDIÇÕES
Poesia
Poesias [inclui Panóplias, Via Láctea e Sarças de Fogo], 1888.
Poesias: edição definitiva [com o acréscimo de Alma Inquieta, As Viagens e O Caçador de Esmeraldas], 1902.
Poesias [com o acréscimo de Tarde], publicação póstuma, 1919.

Olavo Bilac
Crônica e conto
Chronicas e Novellas. 1894.
Contos para velhos [1ª série], 1897.
Crítica e Fantasia. 1904.
Ironia e Piedade. 1916.

Soneto
Sonetos completos. [Vol. 1], edição póstuma, 1934.
Sonetos completos. [Vol.2], edição póstuma, 1934.

Infantil e juvenil
Contos Patrios. [com Coelho Neto], 1894.
A Terra Fluminense. [com Coelho Neto], 1898.
Livro de Composição. [com Manuel Bonfim], 1899.
Livro de Leitura. [com Manuel Bonfim], 1900.
Poesias Infantis. 1904
Theatro Infantil. [com Coelho Neto], 1905.
A Patria Brazileira. [com Coelho Neto]. (Para os Alunos das Escolas Primarias) – 1909.
Através do Brasil. [com Manuel Bonfim], 1910.
Lições de História do Brasil. [com Macedo], 1918.

Romance
Sanatorium. [com Magalhães de Azeredo], publicação póstuma, 1977.
O Esqueleto. [com Pardal Mallet]. (assinado Victor Leal, pseudônimo partilhado por Aluísio Azevedo, Olavo Bilac, Coelho Neto e Pardal Mallet), publicação póstuma, 2000.

Olavo Bilac, por Toni d'Agostinho
Discurso e conferência
Sagres: Comemoração da Descoberta do Caminho da Índia. 1898.
Conferências Literárias. 1906.
Conferências Literárias. 1912.
Bocage. [Conferencia realizada no Theatro Municipal de São Paulo em 19-3-17], 1917.
Defesa Nacional. 1917.
Leituras cívicas. 1920.
Últimas Conferências e Discursos. Publicação póstuma, 1924.
Discurso no Banquete que lhe Foi Oferecido em Lisboa no dia 31 de Março de 1916 pela Revista "Atlântida". Publicação póstuma, 1940.

Ensaio
Tratado de Versificação. [com Guimarães Passos], 1910.
Diccionario de Rimas. [com Guimarães Passos], 1913.

Guia de viagem
Brésil. Guide des Etats-Unis du Brésil. [com Guimarãens Passos e Bandeira Junior], 1904.

OLAVO BILAC TRADUTOR
Travessuras de Max und Moritz, de Wilhelm Busch, [do alemão para o português: Juca e Chico] Obra ilustrada, integralmente disponível online - clique aqui

"Uma partida de futebol não pode sustar o curso da história."
                                 - Olavo Bilac



Olavo Bilac
TRADUÇÕES E EDIÇÕES ESTRANGEIRAS
Espanhol
Los Viajes, y Otros Poemas [As Viagens e Outros Poemas]. Tradução Rafael Esténger. Havana: Editorial Alfa, 1940.
Poesía. Buenos Aires: Kau, 1940. (Colección Osvna)
Poesía y Prosa. Prólogo José Pereira Rodríguez. Montevidéu: Claudio Garcia, 1945. (Colección Cultura)
Don Quijote. [Conferencia de Olavo Bilac]. Tradução Félix E. Etchegoyen. Buenos Aires: Guillermo Kraft: Instituto Argentino-Brasileño de Cultura, ca. 1952.
Estampas de Guanabara [Ironia e Piedade]. Tradução Félix E. Etchegoyen. Buenos Aires: Guillermo Kraft: 1952. (Colección Vértice)
Poesía Escogidas. Tradução Rodolfo Alonso. Buenos Aires: Ediciones De la Flor, 2005.

Português
Bocage: Conferência Realizada no Theatro Municipal de S. Paulo em 19-3-17. Porto: Renascença Portuguesa, 1917.
Discurso no banquete que lhe foi oferecido em Lisboa no dia 31 de Março de 1916 pela revista "Atlântida". Lisboa: Museu João de Deus, 1940.
As mais Belas Poesias de Olavo Bilac: Escolhidas por José Régio. Lisboa: Artis, 1966. (As mais belas poesias em língua portuguesa)

Olavo Bilac, por Toni d'Agostinho

POEMAS ESCOLHIDOS

Língua Portuguesa
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
- Olavo Bilac, em ‘Tarde’, 1919.


Na tebaida
Chegar, com os olhos úmidos, tremente
A voz, os seios nus, - como a rainha
Que ao ermo frio da Tebaida vinha
Trazer a tentação do amor ardente.

Luto: porém teu corpo se avizinha
Do meu, e o enlaça como uma serpente...
Fujo: porém a boca prendes, quente,
Cheia de beijos, palpitante, à minha...

Beija mais, que o teu beijo me incendeia!
Aperta os braços mais! que eu tenha a morte,
Preso nos laços de prisão tão doce!

Aperta os braços mais, - frágil cadeia
Que tanta força tem não sendo forte,
E prende mais que se de ferro fosse!
- BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 57-93, Sarças de fogo. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Rios e pântanos
Muita vez houve céu dentro de um peito!
Céu coberto de estrelas resplendentes,
Sobre rios alvíssimos, de leito
De fina prata e margens florescentes...

Um dia veio, em que a descrença o aspeito
Mudou de tudo: em túrbidas enchentes,
A água um manto de lodo e trevas feito
Estendeu pelas veigas recendentes.

E a alma que os anjos de asa solta, os sonhos
E as ilusões cruzaram revoando,
     - Depois, na superfície horrenda e fria,

Só apresenta pântanos medonhos,
Onde, os longos sudários arrastando,
Passa da peste a legião sombria...
- BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 57-93, ‘Sarças de fogo’. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Beijo eterno
Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz
Dormida em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presa, -
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito de teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!

De arrebol a arrebol,
Vão-se os dias sem conto! E as noites, como os dias,
Sem conto vão-se, cálidas ou frias!
Rutile o sol
Esplêndido e abrasador!
No alto as estrelas coruscantes,
Tauxiando os largos céus, brilhem como diamantes!
Brilhe aqui dentro o amor!

Suceda a treva à luz!
Vele a noite de crepe a curva do horizonte;
Em véus de opala a madrugada aponte
Nos céus azuis,
E Vênus, como uma flor,
Brilhe, a sorrir, do ocaso à porta,
Brilhe à porta do Oriente! A treva e a luz – que importa?
Só nos importa o amor!

Raive o sol no Verão!
Venha o Outono! do Inverno os frígidos vapores
Toldem o céu! das aves e das flores
Venha a estação!
Que nos importa o esplendor
Da primavera, e o firmamento
Limpo, e o sol cintilante, e a neve, e a chuva, e o vento?
Beijemo-nos, amor!

Beijemo-nos! que o mar
Nossos beijos ouvindo, em pasmo a voz levante!
E cante o sol! a ave desperte e cante!
Cante o luar,
Cheio de um novo fulgor!
Cante a amplidão! cante a floresta!
E a natureza toda, em delirante festa,
Cante, cante este amor!

Rasgue-se, à noite, o véu
Das neblinas, e o vento inquira o monte e o vale:
“Quem canta assim?” E uma áurea estrela fale
Do alto do céu
Ao mar, presa de pavor:
“Que agitação estranha é aquela?”
E o mar adoce a voz, e à curiosa estrela
Responda que é o amor!

E a ave, ao sol da manhã,
Também,. a asa vibrando, à estrela que palpita
Responda, ao vê-la desmaiada e aflita:
“Que beijo, irmã!
Pudesses ver com que ardor
Eles se beijam loucamente!”
E inveje-nos a estrela... e apague o olhar dormente,
Morta, morta de amor!...
Diz tua boca: “Vem!”
“Inda mais!”, diz a minha, a soluçar... Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
“Morde também!”
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! Morde mais! Que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para minha vida,
Só para o meu amor!
- BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 57-93, Sarças de fogo. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Pomba e Chacal
Ó Natureza! Ó mãe piedosa e pura!
Ó cruel, implacável assassina!
- Mão, que o veneno e o bálsamo propina
E aos sorrisos as lágrimas mistura!

Pois o berço, onde a boca pequenina
Abre o infante a sorrir, é a miniatura
A vaga imagem de uma sepultura,
O gérmen vivo de uma atroz ruína?!

Sempre o contraste! Pássaros cantando
Sobre túmulos... flores sobre a face
De ascosas águas pútridas boiando...

Anda a tristeza ao lado da alegria...
E esse teu seio, de onde a noite nasce,
É o mesmo seio de onde nasce o dia...
- BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 57-93, Sarças de fogo. (Coleção a obra-prima de cada autor).


No cárcere
Por que hei de, em tudo quanto vejo, vê-la?
Por que hei de eterna assim reproduzida
Vê-la na água do mar, na luz da estrela,
Na nuvem de ouro e na palmeira erguida?

Fosse possível ser a imagem dela
Depois de tantas mágoas esquecida!...
Pois acaso será, para esquece-la,
Mister e força que me deixe a vida?

Negra lembrança do passado! Lento
Martírio, lento e atroz! Por que não há de
Ser dado a toda a mágoa o esquecimento?

Por quê? Quem me encadeia sem piedade
No cárcere sem luz deste tormento,
Com os pesados grilhões desta saudade?
- BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 57-93, Sarças de fogo. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Solitudo
Já que te é grato o sofrimento alheio,
Vai! Não fique em minh’alma nem um traço,
Nem um vestígio teu! Por todo o espaço
Se estende o luto carregado e feio.

Turvem-se os largos céus... No leito escasso
Dos rios a água seque... E eu tenha o seio
Como um deserto pavoroso, cheio
De horrores, sem sinal de humano passo...

Vão-se as aves e as flores juntamente
Contigo... Torre o sol a verde alfombra,
A areia envolva solidão inteira...

E só fique em meu peito o Saara ardente
Sem um oásis, sem a esquiva sombra
De uma isolada e trêmula palmeira!
- BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 57-93, Sarças de fogo. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Vestígios
Foram-te os anos consumindo aquela
Beleza outrora viva e hoje perdida...
Porém teu rosto da passada vida
Inda uns vestígios trêmulos revela.

Assim, dos rudes furacões batida,
Velha, exposta aos furores da procela,
Uma árvore de pé, serena e bela,
Inda se ostenta, na floresta erguida.

Raivoso o raio a lasca, e a estala, e a fende...
Racha-lhe o tronco anoso... Mas, em cima,
Verde folhagem triunfal se estende.

Mal segura no chão, vacila... Embora!
Inda os ninhos conserva, e se reanima
Ao chilrear dos pássaros de outrora...
Dá-me o fogo do teu beijo!
- BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 57-93, Sarças de fogo. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Canção
Dá-me as pétalas de rosa
Dessa boca pequenina:
Vem com teu riso, formosa!
Vem com teu beijo, divina!

Transforma num paraíso
O inferno do meu desejo...
Formosa, vem com teu riso!
Divina, vem com teu beijo!

Oh! tu, que tornas radiosa
Minh’alma, que a dor domina,
Só com teu riso, formosa,
Só com teu beijo, divina!

Tenho frio, e não diviso
Luz na treva em que me vejo:
Dá-me o clarão do teu riso!
Dá-me fogo do teu beijo!
- Olavo Bilac. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 57-93, Sarças de fogo. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Ora (direis) ouvir estrelas!
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
- in 'Via-Láctea - XIII’, 1888. Olavo Bilac. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 37-55: Via-Láctea. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Satânia
......................................................
Nua, de pé, solto o cabelo às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente,
Pela janela, como um rio enorme
De áureas ondas tranqüilas e impalpáveis,
Profusamente a luz do meio-dia
Entra e se espalha palpitante e viva.
Entra, parte-se em feixes rutilantes,
Aviva as cores das tapeçarias,
Doura os espelhos e os cristais inflama.
Depois, tremendo, como a arfar, desliza
Pelo chão, desenrola-se, e, mais leve,
Como uma vaga preguiçosa e lenta,
Vem lhe beijar a pequenina ponta
Do pequenino pé macio e branco.

Sobe ... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe ... – e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril! – prossegue.
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.

E aos mornos beijos, às carícias ternas
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia...
Corre-lhe à flor da pele um calefrio;
Todo o seu sangue, alvoroçado, o curso
Apressa; e os olhos, pela fenda estreita
Das abaixadas pálpebras radiando,
Turvos, que brados, lânguidos, contemplam,
Fitos no vácuo, uma visão querida...

Talvez ante eles, cintilando ao vivo
Fogo do ocaso, o mar se desenrole:
Tingem-se as águas de um rubor de sangue,
Uma canoa passa... Ao largo oscilam
Mastros enormes, sacudindo as flâmulas...
E, alva e sonora, a murmurar, a espuma
Pelas areias se insinua, o limo
Dos grosseiros cascalhos prateando...

Talvez ante eles, rígidas e imóveis,
Vicem, abrindo os leques, as palmeiras:
Calma em tudo. Nem serpe sorrateira
Silva, nem ave inquieta agita as asas.
E a terra dorme num torpor, debaixo
De um céu de bronze que a comprime e estreita...

Talvez as noites tropicais se estendam
Ante eles: infinito firmamento,
Milhões de estrelas sobre as crespas águas
De torrentes caudais, que, esbravejando,
Entre altas serras surdamente rolam...
Ou talvez, em países apartados,
Fitem seus olhos uma cena antiga:
Tarde de outono. Uma tristeza imensa
Por tudo. A um lado, à sombra deleitosa
Das tamareiras, meio adormecido,
Fuma um árabe. A fonte rumoreja
Perto. À cabeça o cântaro repleto,
Com as mãos morenas suspendendo a saia,
Uma mulher afasta-se, cantando...
E o árabe dorme numa densa nuvem
De fumo... E o canto perde-se à distância...
E a noite chega, tépida e estrelada...

Certo, bem doce deve ser a cena
Que os seus olhos estáticos ao longe,
Turvos, quebrados, lânguidos, contemplam.
Há pela alcova, entanto, um murmúrio
De vozes. A princípio é um sopro escasso,
Um sussurrar baixinho... Aumenta logo:
É uma prece, um clamor, um coro imenso
De ardentes vozes, de convulsos gritos.
É a voz da Carne, é a voz da Mocidade,
- Canto vivo de força e de beleza,
Que sobe desse corpo iluminado...

Dizem os braços: “-Quando o instante doce
Há de chegar, em que, à pressão ansiosa
Destes laços de músculos sadios,
Um corpo amado vibrará de gozo?-“

E os seios dizem: “- Que sedentos lábios,
Que ávidos lábios sorverão o vinho
Rubro, que temos nestas cheias taças?
Para essa boca que esperamos, pulsa
Nestas carnes o sangue, enche estas veias,
E entesa e apruma estes rosados bicos...-“

E a boca: “- Eu tenho nesta fina concha
Pérolas níveas do mais alto preço,
E corais mais brilhantes e mais puros
Que a rubra selva que de um tírio manto
Cobre o fundo dos mares da Abissínia...
Ardo e suspiro! Como o dia tarda
Em que meus lábios possam ser beijados,
Mais que beijados: possam ser mordidos-“
......................................................................
......................................................................
Mas, quando, enfim, das regiões descendo
Que, errante, em sonhos percorreu, Satânia
Olha-se, e vê-se nua, e, estremecendo,
Veste-se, e aos olhos ávidos do dia
Vela os encantos, - essa voz declina
Lenta, abafada, trêmula...

                       Um barulho
De linhos frescos, de brilhantes sedas
Amarrotadas pelas mãos nervosas,
Enche a alcova, derrama-se nos ares...
E, sob as roupas que a sufocam, inda
Por largo tempo, a soluçar, se escuta
Num longo choro a entrecortada queixa
Das deslumbrantes carnes escondidas...
- BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 57-93, Sarças de fogo. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Nel Mezzo Del Camin...
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.
- Olavo Bilac, em ‘Poesias, Sarças de fogo’, 1888.


A um poeta
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, no silêncio e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica, mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
- Olavo Bilca, em ‘Tarde’, 1919.


Ciclo
Manhã. Sangue em delírio, verde gomo,
Promessa ardente, berço e liminar:
A árvore pulsa, no primeiro assomo
Da vida, inchando a seiva ao sol... Sonhar!

Dia. A flor, - o noivado e o beijo, como
Em perfumes um tálamo e um altar:
A árvore abre-se em riso, espera o pomo,
E canta à voz dos pássaros... Amar!

Tarde. Messe e esplendor, glória e tributo;
A árvore maternal levanta o fruto,
A hóstia da idéia em perfeição... Pensar!

Noite. Oh! saudade!... A dolorosa rama
Da árvore aflita pelo chão derrama
As folhas, como lágrimas... Lembrar!
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Maternidade
“O Senhor disse à mulher: Por que fizeste isto? Eu multiplicarei os teus trabalhos!”
(Gênese, cap. III)

Ventre mártir, a rútila visita
Do amor fecundo te arrancou do sono:
E irradias, lampejas como um trono
De animado marfim que à luz palpita!

Ergues-te, em esto de orgulhoso entono:
Fere-te enfim a maldição bendita!
Tens o viço da Terra, quando a agita,
Rico de orvalhos e de sóis, o outono.

Augusto, em gozo eterno, o teu suplício...
Feliz a tua dor propiciatória...
- Rasga-te, altar do torturante auspício,

E abra-se em flores tua alvura ebórea,
Ensangüentada pelo sacrifício,
Para a maternidade e para a glória!
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).


A voz do amor
Nessa pupila rútila e molhada,
Refúgio arcano e sacro da Ternura,
A ampla noite do gozo e da loucura
Se desenrola, quente e embalsamada.

E quando a ansiosa vista desvairada
Embebo às vezes nessa noite escura,
Dela rompe uma voz, que, entrecortada
De soluços e cânticos, murmura...

É a voz do Amor, que, em teu olhar falando,
Num concerto de súplicas e gritos
Conta a história de todos os amores;

E vêm por ela, rindo e blasfemando,
Almas serenas, corações aflitos,
Tempestades de lágrimas e flores...
BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. 'Alma Inquieta'. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Música brasileira
Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Sonata ao crepúsculo
Trompas do sol, borés do mar, tubas da mata,
Esfalfai-vos, rugindo, - e emudecei... Apenas,
Agora, trilem no ar, como em cristal e prata,
Rústicos tamborins e pastoris avenas.

Trescala o campo, e incensa o ocaso, numa oblata.
- Surgem da Idade de Ouro, em paisagens serenas,
Os deuses; Eros sonha; e, acordando à sonata,
Bailam rindo as sutis alípedes Camenas.

Depois, na sombra, à voz das cornamusas graves,
Termina a pastoral num lento epitalâmio...
Cala-se o vento... Expira a surdina das aves...

E a terra, noiva, a ansiar, no desejo que a enleva,
Cora e desmaia, ao seio aconchegando o flâmeo,
Entre o pudor da tarde e a tentação da treva.
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Dualismo
Não és bom, nem és mau: és triste e humano...
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.

Pobre, no bem como no mal, padeces;
E, rolando num vórtice vesano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.

Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora.
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).


Natal
No ermo agreste, da noite e do presepe, um hino
De esperança pressaga enchia o céu, com o vento...
As árvores: “Serás o sol e o orvalho!” E o armento:
“Terás a glória!” E o luar: “Vencerás o destino!”

E o pão: “Darás o pão da terra e o pão divino!”
E a água: “Trarás alívio ao mártir e ao sedento!”
E a palha: “Dobrarás a cerviz do opulento!”
E o texto: “Elevarás do opróbrio o pequenino!”

E os reis: “Rei, no teu reino, entrarás entre palmas!”
E os pastores: “Pastor, chamarás os eleitos!”
E as estrela: “Brilharás, como Deus, sobre as almas!”

Muda e humilde, porém, Maria, como escrava,
Tinha os olhos na terra em lágrimas desfeitos;
Sendo pobre, tremia; e, sendo mãe, chorava.
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).


As ondas
Entre as trêmulas mornas ardentias,
A noite no alto mar anima as ondas.
Sobem das fundas úmidas Golcondas,
Pérolas vivas, as nereidas frias:

Entrelaçam-se, correm fugidias,
Voltam, cruzando-se; e, em lascivas rondas,
Vestem as formas alvas e redondas
De algas roxas e glaucas pedrarias.

Coxas de vago ônix, ventres polidos
De alabatro, quadris de argêntea espuma,
Seios de dúbia opala ardem na treva;

E bocas verdes, cheias de gemidos,
Que o fósforo incendeia e o âmbar perfuma,
Soluçam beijos vãos que o vento leva...
- Olavo Bilac, em ‘Tarde’, 1919.


Os sinos
Plangei, sinos! A terra ao nosso amor não basta...
Cansados de ânsias vis e de ambições ferozes,
Ardemos numa louca aspiração mais casta,
Para transmigrações, para metempsicoses!
Cantai, sinos! Daqui por onde o horror se arrasta,
Campas de rebeliões, bronzes de apoteoses,
Badalai, bimbalhai, tocai à esfera vasta!
Levai os nossos ais rolando em vossas vozes!
Em repiques de febre, em dobres a finados,
Em rebates de angústia, ó carrilhões, dos cimos
Tangei! Torres da fé, vibrai os nossos brados!
Dizei, sinos da terra, em clamores supremos,
Toda a nossa tortura aos astros de onde vimos,
Toda a nossa esperança aos astros aonde iremos!
- Olavo Bilac, em ‘Tarde’, 1919.


Olavo Bilac com seus colegas na Academia Brasileira de Letras


FORTUNA CRÍTICA DE OLAVO BILAC
(Bibliografia sobre Olavo Bilac)
BOSI, Alfredo. A revelação de um cronista. In: DIMAS, Antonio (Org.). Bilac, o jornalista. São Paulo: Edusp; Imprensa Oficial, 2006.
BUENO, Alexei (Org.). Olavo Bilac, obra reunida. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996.
CARVALHO, Affonso de. A poética de Olavo Bilac. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1934
CARVALHO, Affonso de. Bilac, o homem, o poeta, o patriota. Rio de Janeiro: José Olympio, 1942.
CASTRO, Alceste de. A estética de Bilac. Campinas: Editora Maranata, 1982.
CASTRO, RUY. Bilac vê estrelas. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
CORDEIRO, Andréa Bezerra. Dando vida a uma raíz: O ideário pedagógico da Primeira República em "Poesias Infantis" de Olavo Bilac. (Dissertação Mestrado em Educação). Universidade Federal do Paraná, UFPR, 2005.
Olavo Bilac
COSTA, José Fernandes. Elogio académico de Olavo Bilac...: lido a 9 de Janeiro de 1919, na primeira sessão ordinária da Classe de Letras. Lisboa: Liv. Aillaud: Liv. Bertrand, 1919.
DIMAS, Antonio (Org.). Bilac, o jornalista. São Paulo: Edusp; Imprensa Oficial, 2006.
DINI, Nádia Cristina. Olavo Bilac als Kinderbuchautor und - Übersetzer. Über "Max und Moritz" und "Der Struwwelpeter" in Brasilien. (Dissertação Mestrado em Filologia Românica). Ludwig-Maximilians-Universität München, LMU, Alemanha, 2008.
ELTON, Elmo. O noivado de Bilac: com a correspondência inédita do poeta à sua noiva, D. Amélia de Oliveira. Rio de Janeiro: Organização Simões, 1954.
GLOWACKI, Rosemari. RE) Descobrindo Olavo Bilac: Um Jornalista Moderno. (Dissertação Mestrado em Comunicação). Universidade de Marília, UNIMAR, 2005.
GOLDSTEIN, Norma. Olavo Bilac. São Paulo: Abril Educação, 1980 (Literatura Comentada).
GOMES, Robson Teles. Da Estética da Recepção ao Imaginário: as Multifaces da Poesia de Olavo Bilac. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, 2002.
GOMES, Robson Teles. Imagens do poético em Bilac. Travessia (Olinda), Olinda, v. 1, p. 11-18, 2005.
GONTIJO, Marisa Helena Simões. Francisco Braga: uma análise poética e musical de sua canção Virgens Mortas sobre o soneto homônimo de Olavo Bilac. (Dissertação Mestrado em Música). Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, 2006.
GUIMARÃES, José de Freitas. Olavo Bilac. São Paulo: Casa Espíndola, 1919.
GUIMARÃES, Rodrigo Belinaso. A Vida sob Efeitos do Transe: tecnologias do eu e sugestões escolares nos livros didáticos de Manoel Bomfim e Olavo Bilac. (Dissertação Mestrado em Educação). Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, 2004.
JORGE, Fernando. Vida e poesia de Olavo Bilac. São Paulo: T.A. Queiroz Editor, 1991.
Olavo Bilac
LAJOLO, Marisa. Prefácio. In: BILAC, Olavo. Melhores poemas de Olavo Bilac. São Paulo: Global, 2000. (Melhores poemas ; 16)
LAJOLO, Marisa. Usos e abusos da literatura na escola: Bilac e a literatura escolar na República Velha. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1982
LÍBERO, Nelson. Olavo Bilac, o homem e o amigo. São Paulo: Anhambi, 1960.
LIMA, Alceu Amoroso. Olavo Bilac. Rio de Janeiro: Agir, 1957 (Nossos Clássicos).
LIMA, Luísa Guimarães. Distâncias Contemporâneas: as crônicas de Machado de Assis e Olavo Bilac sobre Canudos. Cadernos de Comunicação (UFSM), v. 10, p. 55-64, 2004.
MAGALHÃES JR., Raymundo. Olavo Bilac e sua época. Rio de Janeiro: Editora Americana, 1974.
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MEDEIROS, Alex Sandro de. Olavo Bilac e a retórica de um Brasil Moderno. In: XII Semana de Letras, 1999, Maringá. Anais da XII Semana de Letras, 1998.
MELO, Virgínius da Gama e. O alexandrino Olavo Bilac. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 1965.
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Olavo Bilac
NOGUEIRA, Clara Miguel Asperti. Paródia: a literatura como força persuasiva em Olavo Bilac. Revista Opiniães, v. 1, p. 24-35, 2011.
OLIVEIRA, Tiago Siqueira de. A problemática da defesa do serviço militar a luz dos discursos de Olavo Bilac. Aurora (UNESP. Marília), v. III, p. 26-35, 2009.
ORCIUOLI, Henrique A. O mundo de Olavo Bilac. São Paulo: Clube do Livro, 1971
PONTES, Eloy. Vida exuberante de Olavo Bilac. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944.
RIBEIRO, Adriana Sardinha. João do Rio e Olavo Bilac cronistas: duas visões da Belle Époque carioca. (Dissertação Mestrado Letras). Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ/RJ, 2008. Disponível no link. (acessado em 7.6.2012).
RODRIGUEZ, José Pereira. La poesia de Olavo Bilac. Montevideo: SEDE, 1943.
SANT'ANNA, Affonso Romano de. Análise de 'Xenócrates', 'O caçador de esmeraldas', 'Profissão de fé' de Olavo Bilac. Rio de Janeiro: PUC, 1975.
SCHERER, Marta Eymael Garcia. Bilac - sem poesia. Crônicas de um jornalista da Belle Époque. (Dissertação Mestrado em Literatura). Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, 2008.
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SCHERER, Marta Eymael Garcia. O jornalista Olavo Bilac na herança critica brasileira. In: XXVIII Seminário Brasileiro de Crítica Literária, 2010, Porto Alegre. Anais do XXVIII Seminário Brasileiro de Crítica Literária. Porto Alegre: Edipucrs, 2010. p. 460-471.
SCHERER, Marta Eymael Garcia. Olavo Bilac, cronista dos tempos modernos. Anuário de Literatura (UFSC), v. 14, p. 88-105, 2009.
SILVA, Mônica Proença da. O sonho de Bilac ou como transformar Sebastianópolis em vitrine do Brasil moderno. (Dissertação Mestrado em Literatura Brasileira). Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, 2010.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos (Org.).  Registro. Crônicas da Belle Époque carioca [Olávo Bilac]. Campinas: Editora da UNICAMP, 2011. 496 p.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. A Belle Époque nas cronicas de Bilac. In: Alvaro Santos Simões Junior. (Org.). Registro: crônicas da Belle Époque carioca. Campinas: Editora da UNICAMP, 2011, v., p. 19-38.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. A sátira do Parnaso. (Tese Doutorado em Letras). Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, 2001.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. A sátira do Parnaso. São Paulo: Editora da UNESP, FAPESP, 2007. 333 p.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. Bilac e a língua portuguesa. In: Ana Luísa Vilela; Elisa Nunes Esteves; Maria João Marçalo. (Org.). Ultrapassando fronteiras: estudos de literatura e cultura lusófonas. Évora: Centro de Estudos em Letras - Universidade de Évora, 2012, v., p. 49-59.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. Bilac e a língua portuguesa. In: CAIRO, L. R.; PEREIRA, M. R.; AZEVEDO, S. M.. (Org.). Arquivos revisitados da América Lusa. Assis: UNESP, 2010, v., p. 145-161.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. Bilac em versos menores. Estudo crítico e histórico dos versos humorísticos de Olavo Bilac publicados na seção O Filhote", da Gazeta de Notícias, de 2 de agosto de 1896 a 28 de maio de 1897, seguido de uma edição anotada. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, 1995.
Olavo Bilac
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. Do cárcere ao exílio: percalços do cronista Bilac (1892-1894). In: Ana Maria Domingues de Oliveira; Antônio Roberto Esteves; Luiz Roberto Veloso Cairo. (Org.). Estudos comparados de literatura. Assis: Faculdade de Ciências e Letras/UNESP, 2005, v., p. 9-26.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. O Rio de Janeiro às avessas nas sátiras de Bilac. In: Luiz Roberto Cairo; Andrea Santurbano; Patricia Peterle; Ana Maria Domingues de Oliveira. (Org.). Visões poéticas do espaço. Assis: FCL-Assis-UNESP-Publicações, 2008, v., p. 11-20.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. Olavo Bilac e a língua portuguesa. In: CHAVES, Vania Pinheiro. (Org.). Literatura brasileira sem fronteiras. Lisboa: CLEPUL, 2011, v., p. 9-19.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. Regeneração ou Bota-Abaixo? As reformas urbanas segundo Olavo Bilac e Lima Barreto. In: Eduardo F. Coutinho. (Org.). Identities in process: studies in comparative literature. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009, v., p. 398-402.
SIMÕES JUNIOR, Alvaro Santos. Um cronista provinciano na capital do mundo: Bilac como correspondente europeu (1890-1891 e 1904). In: OLIVEIRA, Ana Maria Domingues de; CAIRO, Luiz Roberto Velloso. (Org.). América: ensaios sobre memória e representação literária. Assis: FCL-Assis-UNESP-Publicações, 2007, v., p. 151-164.




Remorso
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!

Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).

Alberto de OliveiraRaimundo Correia e Olavo Bilac
Antígona
"Disse-me também o oráculo que
 morrerei aqui, quando tremer a
terra, quando o trovão rolar,
 quando o espaço brilhar..."
(Sófocles - Édipo em Colona.)

A terra treme. Rola o trovão. Brilha o espaço.
Chega Édipo a Colona, em andrajos, imundo,
Sombra ansiosa a fugir do próprio horror profundo,
Ruína humana a cair de miséria e cansaço.

Mas, quando o ancião vacila, órfão da luz do mundo,
- Antígona lhe estende o coração e o braço,
E, filha e irmã, recolhe ao maternal regaço
O rei sem trono, o pai sem honra, moribundo.

É o ninho (a terra treme...) amparando o carvalho,
A flor sustendo o tronco! Édipo (o espaço brilha...)
Sorri, como um combusto areal bebendo o orvalho.

É o fim (rola o trovão...) da miseranda sorte:
O cego vê, fitando o céu do olhar da filha,
Na cegueira o esplendor, e a redenção na morte.
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).


FONTES E REFERÊNCIAS DE PESQUISA
Livros do autor
Consolação
Penso às vezes nos sonhos, nos amores,
Que inflamei à distância pelo espaço;
Penso nas ilusões do meu regaço
Levadas pelo vento a alheias dores...

Penso na multidão dos sofredores,
Que uma bênção tiveram do meu braço:
Talvez algum repouso ao seu cansaço,
Talvez ao seu deserto algumas flores...

Penso nas amizades sem raízes,
Nos afetos anônimos, dispersos,
Que tenho sob os céus de outros países...

Penso neste milagre dos meus versos:
Um pouco de modéstia aos mais felizes,
Um pouco de bondade aos mais perversos...
- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).

© A obra de Olavo Bilac é de domínio público

© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Olavo Bilac - o príncipe dos poetas. Templo Cultural Delfos, junho/2012. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada em 19.1.2016.



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5 comentários:

  1. Amei mesmo, muito bom, parabens. Beijão....

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    1. Olá Sandra,
      obrigada, fico feliz em saber que gostastes.
      Volte sempre, há sempre coisas novas por aqui.
      Abraços

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  2. Continua sendo o maior poeta brasileiro.

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