Cruz e Sousa – o cisne negro


Cruz e Sousa
Livre
Livre! Ser livre da matéria escrava,
arrancar os grilhões que nos flagelam
e livre penetrar nos Dons que selam
a alma e lhe emprestam toda a etérea lava.

Livre da humana, da terrestre bava
dos corações daninhos que regelam,
quando os nossos sentidos se rebelam
contra a Infâmia bifronte que deprava.

Livre! bem livre para andar mais puro,
mais junto à Natureza e mais seguro
do seu Amor, de todas as justiças.

Livre! para sentir a Natureza,
para gozar, na universal Grandeza,
Fecundas e arcangélicas preguiças.
- Cruz e Sousa, do livro Últimos Sonetos, 1905.



"Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda...
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa."
- Cruz e Sousa

Cruz e Sousa
João da Cruz e Sousa, considerado o mestre do simbolismo brasileiro, nasceu em Desterro, hoje cidade de Florianópolis - SC, no dia 24 de novembro de 1861. Desde pequenino foi protegido pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa e sua esposa, que o acolheram como o filho que não conseguiram ter. O referido marechal havia alforriado os pais do escritor, negros escravos. Educado na melhor escola secundária da região, teve que abandonar os estudos e ir trabalhar, face ao falecimento de seus protetores. Vítima de perseguições raciais, foi duramente discriminado, inclusive quando foi proibido de assumir o cargo de promotor público em Laguna - SC. Em 1890 transferiu-se para o Rio de Janeiro, ocasião em que entrou em contato com a poesia simbolista francesa e seus admiradores cariocas. Vivia de suas colaborações em jornais e, mesmo já bastante conhecido após a publicação de "Missal" e "Broquéis" (1893), só conseguiu se empregar na Estrada de Ferro Central do Brasil, no cargo de praticante de arquivista. Casou-se com Gavita Gonçalves, também negra, em 09 de novembro de 1893. O poeta contraiu tuberculose e mudou-se para a cidade de Sítio - MG, a procura de bom clima para se tratar. Faleceu em 19 de março de 1898, aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose, da pobreza e, principalmente, do racismo e da incompreensão. Sua obra só foi reconhecida anos depois de sua partida. Gavita, que ficou viúva, grávida, e com três filhos para criar. Após o a morte do escritor perdeu dois filhos, vitimados também pela tuberculose. Com problemas mentais, passou vários períodos em hospitais psiquiátricos, vindo a falecer. O terceiro filho, com a mesma doença, faleceu logo em seguida. O único filho que sobreviveu, que tinha o nome do pai, também faleceu vitima dessa doença aos dezessete anos de idade.

"Não lhe bastou ser poeta, foi um jornalista engajado com as lutas de seu tempo."
- Paulo Leminski.


CRONOLOGIA
Cruz e Sousa
1861 - Nasce em Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, Santa Catarina, em 24 de novembro. Filho dos escravos libertos Guilherme, mestre pedreiro, e Carolina Eva da Conceição, lavadeira. É criado por Clarinda Fagundes de Sousa e seu marido, Marechal Guilherme Xavier de Sousa. Recebe o nome do santo do dia (São João da Cruz) e o sobrenome do senhor de seu pai.
1870 - Morre o Marechal Xavier de Sousa.
1871/1875 - Estuda no Ateneu Provincial Catarinense e aprende francês, inglês, latim, grego, matemática e ciências naturais.
1877 - Ministra aulas particulares, preparando professores para o magistério público. Publica poemas em jornais locais.
1881 - Com Virgílio Várzea (1862 - 1941) e Santos Lostada (1860 - 1923), funda o jornal literário Colombo, que tem seu primeiro número dedicado aos dez anos da morte de Castro Alves (1847 - 1871). Percorre o Brasil de norte a sul como ponto da Companhia Dramática Julieta dos Santos.
1882 - Em A Tribuna Popular, trabalha como redator e colaborador, com artigos da Guerrilha Catarinense, que discutem as idéias do realismo, gerando violenta polêmica e grandes embates entre literatos de Santa Catarina.
1883 - Realiza conferências abolicionistas em sua viagem por várias capitais brasileiras, entre elas Belém, Recife e Salvador, e retorna no fim do ano a Desterro.
1884 - Gama Rosa, presidente da Província de Santa Catarina e admirador do poeta, ao final de seu mandato, nomeia Cruz e Sousa promotor do município de Laguna, ato impugnado por chefes políticos locais que não aceitam um negro no cargo. Cruz e Sousa volta à Bahia, de onde envia artigos para jornais catarinenses. Em Salvador, recebe homenagens promovidas pelo jornal Gazeta da Tarde e pelos clubes abolicionistas Libertadora Baiana e Luiz Gama (1830 - 1882).
1885 - Publica Tropos e Fantasias, em colaboração com Virgílio Várzea. Assume a direção do jornal ilustrado O Moleque, título provocativo ao preconceito racial.
1866 - Viaja para o Rio Grande do Sul, onde conhece uma pianista, que aparece em vários de seus poemas da época.
1887 - Trabalha na Central de Imigração, no registro de cidadãos estrangeiros que chegam ao Brasil.
1888 - Em breve estada no Rio de Janeiro conhece o poeta Luiz Delfino (1834 - 1910) e o crítico Nestor Vítor (1868 - 1932).
1889 - No Rio de Janeiro, publica poemas no jornal Novidades. O romancista Raul Pompéia (1863 - 1895) registra em artigo seu entusiasmo com os versos do poeta. Volta a Desterro por não conseguir colocação na capital.
1890 - Transfere-se definitivamente para o Rio de Janeiro. Colabora na Revista Ilustrada, do caricaturista e artista plástico Angelo Agostini (1843 -1910) e no jornal Novidades. Consegue seu primeiro emprego fixo no jornal Folha Popular, graças ao poeta Emiliano Perneta (1866 - 1921).
1891 - Morre Carolina, sua mãe natural. Escreve manifestos do simbolismo para o jornal de Emiliano Perneta. Colabora com O Tempo.
1892 - Conhece Gavita Rosa Gonçalves. Colabora com a Cidade do Rio, do escritor e publicista José do Patrocínio (1854 - 1905).
1893 - Em fevereiro publica Missal e, em agosto, Broquéis. Casa-se em novembro com Gavita, em plena Revolta da Armada. É nomeado Praticante de Arquivista da Central do Brasil.
Cruz e Sousa
1895 - Recebe a visita de Alphonsus de Guimaraens (1870 - 1921), que vem de Minas Gerais especialmente para conhecê-lo.
1896 - Em março, Gavita é internada após "crises de loucura". Em agosto recebe telegrama anunciando a morte de seu pai natural, Guilherme. Sofre de tuberculose e com a ausência de Gavita, que passa seis meses num sanatório.
1897 - Deixa Evocações pronto para o prelo. Passa a morar com a mulher e filhos no bairro do Encantado, subúrbio do Rio de Janeiro.
1898 - Em 16 de março parte para a Estação de Sítio, município de Barbacena, Minas Gerais, que tem o clima recomendado para sua saúde já muito debilitada. Morre no dia 19, recém-chegado ao local. Não conhece seu quarto filho, João, que nasce em agosto. Seu corpo chega no dia seguinte ao Rio de Janeiro para os funerais comandados por José do Patrocínio e Nestor Vítor. É lançado postumamente o livro Evocações, edição promovida pelo poeta Saturnino de Meireles (1878-1906).
1899 - Morre Raul, filho do poeta.
1900 - Nestor Vítor organiza e publica Faróis. Morre Guilherme, outro filho do poeta.
1901 - Morre a viúva, Gavita, e mais um dos filhos do poeta, Reinaldo. Sobrevive apenas seu filho póstumo, João.
1905 - Em Paris, Nestor Vítor publica Últimos Sonetos.
1915 - João da Cruz e Sousa, último filho do poeta, morre de tuberculose, tal como seu pai, sua mãe e seus irmãos.
Casa onde nasceu Cruz e Sousa, em Desterro/SC.

Ironia de lágrimas
Junto da morte que floresce a Vida!
Andamos rindo junto à sepultura.
A boca aberta, escancarada, escura
da cova é como flor apodrecida.

A Morte lembra a estranha Margarida
do nosso corpo, Fausto sem ventura...
ela anda em torno a toda a criatura
numa dança macabra indefinida.

Vem revestida em suas negras sedas
e a marteladas lúgubres e tredas
das Ilusões o eterno esquife prega.
- Cruz e Sousa, do livro "Últimos sonetos", 1905.

Ilustração de Hugo Mund Jr. para o
Soneto "Cabelo" de Cruz e Sousa.
OBRA DE CRUZ E SOUSA
Poesia
CRUZ E SOUSA, João da.Julieta dos Santos. [homenagem ao gênio dramático brasileiro]. Em parceria com VÁRZEA, Virgilio dos Reis; LOSTADA, Manoel dos Santos. (colaboração VASCONCELOS, Moreira.), publicado no jornal "O Caixeiro", Desterro/SC, 21 jan. 1883.
____. Broquéis. 1893.
____. Evocações. (Editado/promovido). VÍTOR, Nestor; MEIRELES, Saturnino de., 1898.
____. Faróis. (Org.). VÍTOR, Nestor., [publicação póstuma], 1900.
____. Últimos Sonetos. (Dir.) VÍTOR, Nestor., [publicação póstuma], Paris, 1905.
____. O livro Derradeiro. (Org.) MURICY, Andrade., 1945.

Cruz e Sousa e seu livro Missal.
Prosa Poética
____. Tropos e Fantasias. (colaboração VÁRZEA, Virgílio.), 1885.
____. Missal. 1893.
____. Outras Evocações. 1961.
____. Dispersos. 1961.

Obra Completa
____. Obra Completa. [inclui artigos inéditos], 1961.

Outros
____. Na costa d’África. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, set. 1893, p. 1-3.



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Cruz e Sousa - Obra Completa volume 01 Poesia
Cruz e Sousa - Obra Completa volume 02 Prosa




Os Cânticos
No templo branco que os mármores augustos e as cinzeluras doiradas esmaltam e solenizam com resplandência, dentre a profusão suntuosa das luzes, suavíssimas vozes cantam.
Coros edênicos inefavelmente desprendem-se de gargantas límpidas, em finas pratas de som, que parecem dar ainda mais brancura e sonoridade à vastidão do templo sonoro.
E as vozes sobem claras, cantantes, luminosas como astros.
Cristos aristocráticos de marfim lavrado como fidalgos e desfalecidos príncipes medievos apaixonados, emudecem diante dos Cânticos, da grande exalção de amor que se desprendem das vozes em fios subtilíssimos de voluptuosa harmonia.
O seu sangue delicado, ricamente trabalhado em rubim, mais vivo, mais luminoso e vermelho fulge ao clarão das velas.
Dir-se-ia que esse rubim de sangue palpita, aceso mais intensamente no colorido rubro da luxúria dos Cânticos. Que despertam, ciliciando, todas as virgindades da Carne.
Fortes, violentas rajadas de sons perpassam convulsamente nos violoncelos, enquanto que as vozes se elevam, sobem, num veemente desejo, quase impuras, maculadas quase, numa intenção de nudez.
E, através das volúpias das sedas e damascos pesados que ornamentam o templo, das luzes adormentadoras, dos pertubadores incensos, da opulência festiva dos paramentos dos altares e dos sacerdotes, das egrégias músicas sacras, sente-se impressionativamente pairar em tudo a volúpia maior – a volúpia branca dos Cânticos.
- Cruz e Sousa, do Livro "Missal", 1893.


Acrobata da dor, Cruz e Sousa - por Paulo Autran.


“Todas as portas e atalhos fechados ao caminho da vida, e, para mim, pobre artista ariano, ariano sim porque adquiri, por adoção sistemática, as qualidades altas desta raça, para mim que sonho com a torre de luar da graça e da ilusão, tudo vi escarnecedoramente, diabolicamente, num tom grotesco de ópera bufa. Quem me mandou vir cá abaixo à terra arrastar a calceta da vida! Procurar ser elemento entre o espírito humano?! Para quê?! Um triste negro, odiado pelas castas cultas, batido das sociedades, mas sempre batido, escorraçado de todo o leito, cuspido de todo o lar como um leproso sinistro! Pois como! Ser artista com esta cor! Vir pela hierarquia de Eça, ou de Zola, generalizar Spencer ou Gama Rosa, ter estesia artística e verve, com esta cor? Horrível!”
- Cruz e Sousa, 2006, p. 823.
Cruz e Sousa

"Sua obra mal compreendida é um equívoco ridículo, é um movimento de retôrno irrisório para as eras da ingenuidade basbaque. Na verdade, o que êle prega? Sôbre todos os czares da terra, sôbre todos os papas de tôdas as Romas e tôdas as Mecas, sôbre todos os sábios de tôdas as civilizações e todos os cenáculos, a vitória pacífica e bucólica do Verso."
- Nestor Vítor, “Cruz e Sousa”, In: Obra Crítica, 1969.


FILMES E DOCUMENTÁRIOS
Título: Cruz e Souza - o Poeta do Desterro
Sinopse: Reinvenção da vida, obra e morte do poeta catarinense Cruz e Sousa (1861-1898), fundador do Simbolismo no Brasil e considerado o maior poeta negro da língua portuguesa. Através de 34 "estrofes visuais", o filme rastreia desde as arrebatadoras paixões do poeta em Florianópolis até seu emparedamento social, racial, intelectual e trágico no Rio de Janeiro.
Direção: Sylvio Back
País/Ano: Brasil - 1999
Duração: 86 minutos
Elenco: Kadu Carneiro, Maria Ceiça, Léa Garcia, Danielle Ornelas, Guilherme Weber, Jaqueline Valdívia, Carol Xavier.


"era preciso ter asas e ter garras."


Título: Alva paixão: Cruz e Sousa final séc. XIX
Sinopse: João da Cruz e Sousa, tísico e cansado, envelhecido precocemente, diante de Nestor Vítor remete-se a lembranças. As recordações são marcadas pelo dilema entre o equilíbrio que representa o alvo e a paixão soprada da África. O flash back interrompe em contraponto ao denso desabafo do poeta. Sentindo a morte, João confia ao amigo simbolista os últimos sonetos produzidos, que seriam publicados postumamente em Paris.
Direção e roteiro: Maria Emília Azevedo.
Curta-metragem, ficção
Formato: 35mm, cor, 23 min.
País/Ano: Brasil, 1994.
Elenco: Robson Benta, Zezé Motta
Fotografia: Rodolfo Ancona Lopes
Assistência de Fotografia: Charles Cesconetto
Som: Renato Calaça
Edição de Som: Máximo Barro
Música: Alexandre Prade
Montagem: Máximo Barro
Produção: Jair dos Santos
Companhia produtora: Via Sul Produções
co-produção: Prefeitura Municipal de São Francisco do Sul; UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina.

João da Cruz e Sousa - De Lá Pra Cá



POEMAS ESCOLHIDOS
Ilustração - Cruz e Sousa
Vinho negro
O vinho negro do imortal pecado 
Envenenou nossas humanas veias 
Como fascinações de atras sereias 
E um inferno sinistro e perfumado.

O sangue canta, o sol maravilhado 
Do nosso corpo, em ondas fartas, cheias. 
como que quer rasgar essas cadeias 
Em que a carne o retém acorrentado.

E o sangue chama o vinho negro e quente 
Do pecado letal, impenitente, 
O vinho negro do pecado inquieto.

E tudo nesse vinho mais se apura, 
Ganha outra graça, forma e formosura, 
Grave beleza d'esplendor secreto. 
- Cruz e Sousa, do livro Últimos Sonetos, 1905.


Alma solitária
Ó Alma doce e triste e palpitante!
que cítaras soluçam solitárias
pelas Regiões longínquas, visionárias
do teu Sonho secreto e fascinante!

Quantas zonas de luz purificante,
quantos silêncios, quantas sombras várias
de esferas imortais, imaginárias,
falam contigo, ó Alma cativante!

que chama acende os teus faróis noturnos
e veste os teus mistérios taciturnos
dos esplendores do arco de aliança?

Por que és assim, melancolicamente,
como um arcanjo infante, adolescente,
esquecido nos vales da Esperança?!
- Cruz e Sousa, do livro Últimos Sonetos, 1905.


O Assinalado
Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A Terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tu'alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouca a pouco...

Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!
- Cruz e Sousa, do livro Últimos Sonetos, 1905.


Cárcere das Almas
Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
Que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

Ó Formas vagas, nebulosidades!
Essência das eternas virgindades!
Ó intensas quimeras do Desejo...
- Cruz e Sousa, do livro Últimos Sonetos, 1905.


Carnal e Místico
Pelas regiões tenuíssimas da bruma
vagam as Virgens e as Estrelas raras...
Como que o leve aroma das searas
todo o horizonte em derredor perfuma.

Numa evaporação de branca espuma
vão diluindo as perspectivas claras...
Com brilhos crus e fúlgidos de tiaras
as Estrelas apagam-se uma a uma.

E então, na treva, em místicas dormências,
desfila, com sidéreas latescências,
das Virgens o sonâmbulo cortejo...
- Cruz e Sousa, do livro “Broquéis”, 1893.


Vida Obscura
Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste num silêncio escuro
A vida presa e trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto.
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!
- Cruz e Sousa, do livro "Últimos sonetos", 1905.


Olhos
A Grécia d'Arte, a estranha claridade
D'aquela Grécia de beleza e graça,
Passa, cantando, vai cantando e passa
Dos teus olhos na eterna castidade.

Toda a serena e altiva heroicidade
Que foi dos gregos a imortal couraça,
Aquele encanto e resplendor de raça
Constelada de antiga majestade,

Da Atenas flórea toda o viço louro,
E as rosas e os mirtais e as pompas d'ouro,
Odisséias e deuses e galeras...

Na sonolência de uma lua aziaga,
Tudo em saudade nos teus olhos vaga,
Canta melancolias de outras eras!...
- Cruz e Sousa, do livro “Faróis”, 1900. [Segundo de uma série de sete sonetos sobre o corpo feminino].


Mãos
Ó Mãos ebúrneas, Mãos de claros veios,
esquisitas tulipas delicadas,
lânguidas Mãos sutis e abandonadas,
finas e brancas, no esplendor dos seios.

Mãos etéricas, diáfanas, de enleios,
de eflúvios e de graças perfumadas,
relíquias imortais de eras sagradas
de antigos templos de relíquias cheios.

Mãos onde vagam todos os segredos,
onde dos ciúmes tenebrosos, tredos,
circula o sangue apaixonado e forte.

Mãos que eu amei, no féretro medonho
frias, já murchas, na fluidez do Sonho,
nos mistérios simbólicos da Morte!
- Cruz e Sousa, do livro “Faróis”, 1900. [Quinto de uma série de sete sonetos sobre o corpo feminino].


Enclausurada
Ó Monja dos estranhos sacrifícios,
Meu amor imortal, Ave de garras
E asas gloriosas, triunfais, bizarras,
Alquebradas ao peso dos cilícios.

Reclusa flor que os mais revéis flagícios
Abalaram com as trágicas fanfarras,
Quando em formas exóticas de jarras
Teu corpo tinha a embriaguez dos vícios.

Para onde foste, ó graça das mulheres,
Graça viçosa dos vergéis de Ceres
Sem que o meu pensamento te persiga?!

Por onde eternamente enclausuraste
Aquela ideal delicadeza de haste,
De esbelta e fina ateniense antiga?!
- Cruz e Sousa, do livro Faróis, 1900.


A Harpa
Prende, arrebata, enleva, atrai, consola
a harpa tangida por convulsos dedos,
vivem nela mistérios e segredos,
é “berceuse”, é balada, é barcarola.

Harmonia nervosa que desola,
vento noturno dentre os arvoredos
a erguer fantasmas e secretos medos,
nas suas cordas um soluço rola...

Tu’alma é como esta harpa peregrina,
que tem sabor de música divina
e só pelos eleitos é tangida.

Harpa dos céus que pelos céus murmura
e que enche os céus da música mais pura,
como de uma saudade indefinida.
- Cruz e Sousa, do livro "Últimos sonetos", 1905.


Longe de Tudo
E livres, livres desta vã matéria,
longe, nos claros astros peregrinos
que havemos de encontrar os dons divinos
e a grande paz, a grande paz sidérea.

Cá nesta humana e trágica miséria,
nestes surdos abismos assassinos
teremos de colher de atros destinos
a flor apodrecida e deletéria.

O baixo mundo que troveja e brama
só nos mostra a caveira e só a lama,
ah! só a lama e movimentos lassos...

Mas as almas irmãs, almas perfeitas,
hão de trocar, nas Regiões eleitas,
largos, profundos, imortais abraços!
- Cruz e Sousa, do livro Últimos Sonetos, 1905.




Alucinação
Ó solidão do Mar, ó amargor das vagas,
ondas em convulsões, ondas em rebeldia,
desespero do Mar, furiosa ventania,
boca em fel dos tritões engasgada de pragas.

Velhas chagas do sol, ensangüentadas chagas
de ocasos purpurais de atroz melancolia,
luas tristes, fatais, da atra mudez sombria
De trágica ruína em vastidões pressagas.

Para onde tudo vai, para onde tudo voa,
sumido, confundido, esboroado, à toa,
no caos tremendo e nu dos tempos a rolar?

Que Nirvana genial há de engolir tudo isto,
mundos de Inferno e Céu, de Judas e de Cristo,
luas, chagas do sol e turbilhões do Mar?!
- Cruz e Sousa, do livro "Últimos sonetos", 1905.


Tulipa Real
Carne opulenta, majestosa, fina,
Do sol gerada nos febris carinhos,
Há músicas, há cânticos, há vinhos
Na tua estranha boca sulferina.

A forma delicada e alabastrina
Do teu corpo de límpidos arminhos
Tem a frescura virginal dos linhos
E da neve polar e cristalina.

Deslumbramento de luxúria e gozo,
Vem dessa carne o travo aciduloso
De um fruto aberto aos tropicais mormaços.

Teu coração lembra a orgia dos triclínios...
E os reis dormem bizarros e sanguíneos
Na seda branca e pulcra dos teus braços.
- Cruz e Sousa, do livro “Broquéis”, 1893.


Acrobata da Dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.
- Cruz e Sousa, do livro “Broquéis”, 1893.




Flor do Mar
És da origem do mar, vens do secreto,
Do estranho mar espumaroso e frio
Que põe rede de sonhos ao navio
E o deixa balouçar, na vaga, inquieto.

Possuis do mar o deslumbrante afeto,
As dormências nervosas e o sombrio
E torvo aspecto aterrador, bravio
Das ondas no atro e proceloso aspecto.

Num fundo ideal de púrpuras e rosas
Surges das águas mucilaginosas
Como a lua entre a névoa dos espaços...

Trazes na carne o eflorescer das vinhas,
Auroras, virgens músicas marinhas,
Acres aromas de algas e sargaços...
- Cruz e Sousa, do livro “Broquéis”, 1893.


Sinfonias do Ocaso
Musselinosas como brumas diurnas
Descem do acaso as sombras harmoniosas,
Sombras veladas e musselinosas
Para as profundas solidões noturnas.

Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
Os céus resplendem de sidéreas rosas,
Da Lua e das Estrelas majestosas
Iluminando a escuridão das furnas.

Ah! por estes sinfônicos ocasos
A terra exala aromas de áureos vasos,
Incensos de turíbulos divinos.
- Cruz e Sousa, do livro “Broquéis”, 1893.


Lubricidade
Quisera ser a serpe venenosa
Que dá-te medo e dá-te pesadelos
Para envolver-me, ó Flor maravilhosa,
Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.

Quisera ser a serpe veludosa
Para, enroscada em múltiplos novelos,
Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa
E babujá-los e depois mordê-los...

Talvez que o sangue impuro e flamejante
Do teu lânguido corpo de bacante,
Da langue ondulação de águas do Reno

Estranhamente se purificasse...
Pois que um veneno de áspide vorace
Deve ser morto com igual veneno...
- Cruz e Sousa, do livro “Broquéis”, 1893.


A Dor
Torva Babel das lágrimas, dos gritos,
Dos soluços, dos ais, dos longos brados,
A Dor galgou os mundos ignorados,
Os mais remotos, vagos infinitos.

Lembrando as religiões, lembrando os ritos,
Avassalara os povos condenados,
Pela treva, no horror, desesperados,
Na convulsão de Tântalos aflitos.

Por buzinas e trompas assoprando
As gerações vão todas proclamando
A grande Dor aos frígidos espaços...

E assim parecem, pelos tempos mudos,
Raças de Prometeus titânios, rudos,
Brutos e colossais, torcendo os braços!
- Cruz e Sousa, do livro “Broquéis”, 1893.


Música Misteriosa...
Tenda de Estrelas níveas, refulgentes,
Que abris a doce luz de lampadários,
As harmonias dos Estradivarius
Erram da Lua nos clarões dormentes...

Pelos raios fluídicos, diluentes
Dos Astros, pelos trêmulos velários,
Cantam Sonhos de místicos templários,
De ermitões e de ascetas reverentes...

Cânticos vagos, infinitos, aéreos
Fluir parecem dos Azuis etéreos,
Dentre os nevoeiros do luar fluindo...

E vai, de Estrela à Estrela, à luz da Lua,
Na láctea claridade que flutua,
A surdina das lágrimas subindo...
Os plenilúnios mórbidos vaporam...
E como que no Azul plangem e choram
Cítaras, harpas, bandolins, violinos...
- Cruz e Sousa, do livro “Broquéis”, 1893.




Alma ferida
Alma ferida pelas negras lanças
Da desgraça, ferida do Destino,
Alma, de que a amargura tece o hino
Sombrio das Cruéis desesperanças;

Não desças, Alma feita das heranças
Da Dor, não desças do teu céu divino.
Cintila como o espelho cristalino
Das sagradas, serenas esperanças.

Mesmo na Dor espera com clemência
E sobe à sideral resplandecência,
Longe de um mundo que só tem peçonha.

Das ruínas de tudo ergue-te pura
E eternamente na suprema Altura,
Suspira, sofre, cisma, sente, sonha!
- Cruz e Sousa, in: Antologia dos Poetas Brasileiros - Poesia da fase Simbolista (Org.). Manuel Bandeira, Editora: Nova Fronteira, 1996.



Sorriso interior
O ser que é ser e que jamais vacila,
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo este brasão augusto
Do grande amor, da grande fé tranqüila.

Os abismos carnais da triste argila
Ele os vence sem ânsia e sem custo...
Fica sereno, num sorriso justo,
Enquanto tudo em derredor oscila.

Ondas interiores de grandeza
Dão-lhe esta glória em frente à Natureza,
Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.

O ser que é ser transforma tudo em flores...
E para ironizar as próprias dores
Canta por entre as águas do Dilúvio!
- Cruz e Sousa, in: Antologia dos Poetas Brasileiros - Poesia da fase Simbolista (Org.). Manuel Bandeira, Editora: Nova Fronteira, 1996.



“[... ] é dessa dor de viver, é dessa vida embeberada na dor e, sobre tudo isso ainda, dêsse doloroso sacrifício austero pelo deliqüescente, pelo descuidoso e pelo fútil desdenhoso mesmo das naturezas que lhe são continentes, é de todos êsses elementos da Morte que êle vai se alimentando, quase beatìficamente a sorrir, numa cegueira confiante absurda, numa ingenuidade que seria irrisória, se não fôsse sublime, que seria cretina, se não fôsse genial.”
- Nestor Vítor, “Cruz e Sousa”, In: Obra Crítica, 1969.



Cruz e Sousa

"Dos sofrimentos físicos e morais de sua vida, do seu penoso esforço de ascensão na escala social, do seu sonho místico de uma arte que seria uma 'eucarística espiritualização', do fundo indômito de seu ser de 'emparedado' dentro da raça desprezada, ele tirou os acentos patéticos que lhe garantem a perpetuidade de sua obra na literatura brasileira. Não há gritos mais dilacerantes, suspiros mais profundos do que os seus."
- Manuel Bandeira.


Escravocratas
Oh! trânsfugas do bem que sob o manto régio
manhosos, agachados - bem como um crocodilo,
viveis sensualmente à luz dum privilégio
na pose bestial dum cágado tranqüilo.

Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
ardentes do olhar - formando uma vergasta
dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
e vibro-vos à espinha - enquanto o grande basta

O basta gigantesco, imenso, extraordinário -
da branca consciência - o rútilo sacrário
no tímpano do ouvido - audaz me não soar.

Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
vermelho, colossal, d'estrépito, gongórico,
castrar-vos como um touro - ouvindo-vos urrar!
- Cruz e Sousa, do livro "Obra completa", 1961. Poema integrante da série "O Livro Derradeiro".


Cruz e Sousa

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VITOR, Nestor. Cruz e Sousa. In:_Obra Crítica. Coleção de Textos da Língua Portuguesa. Ministério da Educação e Cultura. Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, 1969.
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ZILBERMAN, Regina. Poeta e Acrobata – um artista moderno Cruz e Sousa por ocasião de seus 110 anos. Gláuks v. 7 n. 1, 2007, p. 36-52. Disponível no link(acessado 10.2.2012).



“Quando mesmo Cruz e Sousa não deixasse escrita uma linha sequer, bastava unicamente a sua vida para fornecer uma das mais curiosas monografias humanas.”
- Nestor Vítor, “Cruz e Sousa”, In: Obra Crítica, 1969.



"traduziu a sociedade em que viveu e que, por vias tortuosas, simbólicas e visuais, como a poesia demandava, soube interpretar melhor do que ninguém."
- Regina Ziberman, “Poeta e Acrobata – um artista moderno Cruz e Sousa por ocasião de seus 110 anos.” 2007.



Violões que Choram..., de Cruz e Sousa.


Tasso da Silveira lamenta que no Brasil:
"é preciso que o estrangeiro nos venha dizer, surpreso, que em nós encontrou algo de surpreendente e admirável. Sem o que não acreditaremos nunca."
- Em estudo sobre "Cruz e Sousa", publicado pela Biblioteca Folha.


Ilustração de Cecília Meireles para o poema "Caminho da glória, de Cruz e Sousa.
Mulheres
Magnólias de aroma lépido, finos astros, que elas sejam, olhos faiscantes, como águas dormentes de delicioso Danúbio que a luz sonoriza e doira, humildes e imperiosas, ninguém jamais saberá o mistério que as envolve…
Amar e gozar as nebulosas mulheres, mergulhar, engolfar a alma infinitamente, inefavelmente, em repouso, como num harmonioso luar, sem sobressaltos e ansiedades, na alma enevoada que elas ocultam sempre, só é dados às naturezas vulgares, que amam com a carne, que amam com o sangue apenas, no ímpeto brutal de todos os instintos, com a luxúria viva da carne, que fazia, desde os romanos, a carne viçosa e rica.
Os que a amam e gozam sensualmente, à lei da sexualidade, não lhes ouvem a vaporosa música embriagante do vinho dos encantos da voz e do sorriso; não lhes sentem o perfume delicado de úmidas bocas purpúreas, de níveos colos cor de camélia, de volumosos seios macios como a alava plumagem fresca de um pássaro real; não lhes percebem o amoroso ansiar de etéreas cintilações d’estrela nos olhos indagadores, que atravessam, costumam passar em visão, pesados de luz, com um brilho aceso e fagulhante de preciosas e raras pedrarias, as geladas noites brumosas do ciúme…
Para esses, que só as possuem sexualmente, elas trazem um deleite, um atrativo, como no Oriente o fumo, que dá prazeres insubstituíveis, voluptuosas graças de viver, atila e acende a imaginação, faz abrir e flamejar, incomparavelmente, de todos os pontos do mundo, os mais inauditos sóis do Espírito…
Esses, ainda outros ou todos, poderão decerto inundar-se no esplendor da beleza das mulheres, fruir delas toda a fremente carícia, possui-las, dominá-las sem hesitação e embaraços estranhos.
Para todos elas não terão sombrias torcicolosidades de serpentes, anseios, anelos indecifráveis, enigmas tremendos, que nos deixam deslumbrados, extáticos, na mais intricada rede de perplexidade.
Elas serão para todos o eterno feminino, leve, simples, fácil a conquista, fácil a vitória, tendo para os homens os arrastamentos prontos de um animal que se abandona à lubricidade.
Ilustração (...)
Ninguém saberá ver nas mulheres esse complicado segredo de nervos, que ora se patenteia claro penetrável e que ora mais se condensa, se intensifica de obscuridade, torturando, afligindo, vago, abstrato como a dor e por isso ainda mais terrível, mais esmagador e frio…
Só um ser, consubstanciado de todas as angústias, de todas as incertezas e dilaceramentos do espírito, um ser contemplativo, amargurado pelas análises, ferido sempre pela observação, pelas idéias que sangram e vivem perpetuamente a martirizá-lo, para seu gosto excêntrico e único, só esse ser as compreenderá, mudo e solene, encerrado na solidão dos seus pensamentos, como um missionário, alheio às exterioridades dos corpos delas, às linhas, ou só as amando por sentimento estético e analisando continuamente, sondando, perscrutando o feminino organismo dúbio.
Só a psicologia desse ser, que é o artista, saberá ver fundo o delicado ser das mulheres e penetrar nas sutilezas, nas direções variadíssimas e múltiplas que toma o seu espírito, à maneira das aves que voam alto, sem rumo, além, indefinidas na distância…
Esse poderá querê-las muito, adorá-las com outra chama sagrada; mas nunca as poderá amar carnalmente, friamente com os nervos – porque aparecerá sempre o analista sufocando o afeto espontâneo que não se delimita nem regulariza, o entendimento artístico, que ama a Forma, destruindo o fator humano que fecunda a carne, que perpetua a Espécie.
Quanto mais elas forem complexas, segredantes, tanto mais a análise se manifestará mais arguta, mais penetrante, de um modo experimental, nu, amplo; e as mulheres, afinal, ficarão diante do artista, como documentos palpitantes de uma dada natureza, provas flagrantes de paixões veementes, de desejos, de vontades, de uma infinidade de atributos e qualidades radicalizadas na alma feminina e que o pensamento do artista investiga, conhece, põe para fora, à toda a luz, como se expusesse, na presença do mundo, explicando a função de cada um, os milhares de glóbulos de sangue que circulam no organismo humano.
A dor de tudo isso, porém, a pungitiva dor de tudo, é que o artista não pode, assim como todos, espontaneamente amar.
Ele ama um golpe de luz, um olhar, a fascinação de uns cabelos quentes, a polpa virgem de uns seios, a graça idealizante e alada de um sorriso, o talho vermelho de uns talhos frescos, o tom das elegâncias fidalgas dessas Flores escarlates das Babéis de ouro, que passam na corrente das civilizações e na febre, no delírio dos luxos fortes.
Vendo para dentro de si, como para o fundo de um mar prodigioso, ele domina com o olhar perscrutante, inquieto, que apanha de pronto as situações, a maravilhosa ductilidade das mulheres, vendo também perfeita e singularmente o que se dá dentro delas, as suas inquietudes, as suas paciências, os seus receios, os seus caprichos inesperados, as suas volubilidades doentes e curiosas, as suas resoluções bruscas, os seus ímpetos de leoa, os seus enternecimentos ingênuos e monocórdios, os seus momentos horríveis de crises hiper-histéricas, sem causa determinada, sem assinalamentos de origem, mas assoberbantes, convulsos e que de repente cessam como vieram, para tornarem ainda, mais desabridos e persistentes.
As mulheres, para o artista, para e estesia exigente, requintada, são apenas um elemento de sugestão estética amoldável às necessidades artísticas do sugestionado. Elas falam, abrem-se mesmo ao amor em rosas fecundas de sinceridade, dizem os ardores apaixonados, as recônditas sensações, a vida íntima dos eu afeto; mas o artista as ouvirá, como artista que é, a frio, simulando interesse, formando já, mentalmente, com as palavras delas, com essa confissão franca, pura e sentida, embora, verdadeiras páginas de emoção e estilo.
E, no entanto, ele as quererá amar muito, eternamente e sem reservas, abrir-lhes os braços ao amor, com todas as forças másculas, vigorosas e livres de homem, com a firmeza mais casta dos carinhos e das ternuras, estremecendo-as, idolatrando-as.
Mas, um ligeiro contato apenas, um leve roçar de lábios, um abraço desfalecido, murcho, algumas frases balbuciadas materialmente, ao acaso – e aí estará de novo o mentalizado, o espiritual, descendo a investigações, medindo cada gesto e cada olhar, inquieto, aflito com a expressão de um toque de luz numa trança de cabelos, que ele quer levar para a sua Obra ou preocupado com o fino Sèvres que fulgurou uma noite em certo boudoir, faiscando centelhas d’astro.
Contudo, quando esse luminoso torturado as vê descendo ou subindo os átrios claros de palácios festivos, altas Walquírias de neve nas pompas orgulhosas das sedas que roçagam, como que fica preso, magnetizado por aqueles aromas fluidos, vivendo na auréola majestosa do clarão que elas de si desprendem; e então, como na cauda constelada e rojante, os fulgores sedosos levam aspirações, sonhos que ficam errantes e que quereriam talvez subir ou descer, opulentamente, como as deusas resplandecentes, os mesmos festivos palácio de átrios claros.
Entretanto, não é aí o amor, o sentimento que se manifesta ainda na alma artística; não é uma expansão afetiva – mas uma verdadeira expressão d’arte, um desejo de posse, que logo invade as naturezas dominadoras, altivas, onde as idéias predominam, atuando, fatais e intensas, nos fenômenos da Vida, os mais elementares ainda.
O que excita o artista, seja nos átrios claros de palácios ou em toda a parte, é simplesmente a Forma, é toda essa roupagem deslumbrante que faz as mulheres parecerem auroras boreais; o que lhe incita a pensar nelas, a desejá-las, é a plástica olímpica, o onipresente esplendor das curvas cinzeladas, os mármores coríntios, o alabastro dos corpos flóreos. . O que o surpreende, deixa atraído e fascinado é o ar gelado da carne alva das loiras, que deliciam, o ardente sol tropical da carne tentadora das morenas, que cheiram a sândalo e matas.
Amar as mulheres, profundamente, com simplicidade, com singeleza, sem cuidados latentes de observá-las a toda hora, com os mínimos detalhes, linha por linha, traço por traço, sem essa preocupação doente que as exigências provocam, não é para a concentração, para a contenção nervosa dos falangiários da Arte, que, de todas as coisas, querem arrancar o germe de que necessitam, o pólen que lhes é mister para a fecundação de sua Obra.
A linguagem feminina, algumas fiorituras das frases passageiras constituem, de certo modo, um tecido primoroso, os fios delicadíssimos com que a Arte contextura, urde a tecelagem da Forma.
Mas o desolado psicologista do Pensamento não as pode amar com intensidade e desprendimento espirituais, sem as querer observar sempre, desataviá-las das plumagens garridas e ver-lhes, à luz , o que elas sentem e pensam de nebuloso…
Por isso é que muito naturalmente, por intuição própria, elas percebem que não poderão jamais amar os artistas, tendo até para eles uma repulsão como que instintiva e sendo mesmo indiferentes às suas solicitações mais veementes e calorosas.
Vendo-se a cada instante o objeto das interpretações deles, reveladas através de seus pensamentos tão recatados como os seus seios, os pudores dos seus corpos angélicos, em tantas páginas dilacerantes e impiedosas, as mulheres não buscam sistematicamente os artistas para amar, feridas nos seus orgulhos melindrosos, nas suas vaidades excessivas e principescas, nas suas finas susceptibilidades de formosos seres triunfantes e inaccessíveis.
Só raramente, por singularidade, uma ou outra mulher ama o artista, quando já acaso existe nela qualquer corrente de simpatia mental, qualquer relação de afinidade que estabeleça entre ambos uma claridade e harmonia de sentimentos mais ou menos congêneres, equilibrados.
- Cruz e Sousa, do Livro Missal, 1893.
Cruz e Sousa

Ressurreição
Alma! Que tu não chores e não gemas,
Teu amor voltou agora.
Ei-lo que chega das mansões extremas,
Lá onde a loucura mora!

Veio mesmo mais belo e estranho, acaso,
Desses lívidos países,
Mágica flor a rebentar de um vaso
Com prodigiosas raízes.

Veio transfigurada e mais formosa
Essa ingênua natureza,
Mais ágil, mais delgada, mais nervosa,
Das essências da Beleza.

Certo neblinamento de saudade
Mórbida envolve-a de leve...
E essa diluente espiritualidade
Certos mistérios descreve.

O meu Amor voltou de aéreas curvas,
Das paragens mais funestas...
Veio de percorrer torvas e turvas
E funambulescas festas.

As festas turvas e funambulescas
Da exótica Fantasia,
Por plagas cabalísticas, dantescas,
De estranha selvageria.

Onde carrascos de tremendo aspecto
Como astros monstros circulam
E as meigas almas de sonhar inquieto
Barbaramente estrangulam.

Ele andou pelas plagas da loucura,
O meu Amor abençoado,
Banhado na poesia da Ternura,
No meu Afeto banhado.

Andou! Mas afinal de tudo veio
Mais transfigurado e belo,
Repousar no meu seio o próprio seio
Que eu de lágrimas estréio.

De lágrimas de encanto e ardentes beijos,
Para matar, triunfante,
A sede ideal de místico desejo
De quando ele andou errante.

E lágrimas, que enfim, caem ainda
Com os mais acres dos sabores
E se transformam (maravilha infinda!)
Em maravilhas de flores!

Ah! que feliz um coração que escuta
As origens de que é feito!
E que não é nenhuma pedra bruta
Mumificada no peito!

Ah! que feliz um coração que sente
Ah! tudo vivendo intenso
No mais profundo borbulhar latente
Do seu fundo foco imenso!

Sim! eu agora posso ter deveras
Ironias sacrossantas...
Posso os braços te abrir, Luz das esferas,
Que das trevas te levantas.

Posso mesmo já rir de tudo, tudo
Que me devora e me oprime.
Voltou-me o antigo sentimento mudo
Do teu olhar que redime.

Já não te sinto morta na minh'alma
Como em câmara mortuária,
Naquela estranha e tenebrosa calma
De solidão funerária.

Já não te sinto mais embalsamada
No meu carinho profundo,
Nas mortalhas da Graça amortalhada,
Como ave voando do mundo.

Não! não te sinto mortalmente envolta
Na névoa que tudo encerra...
Doce espectro do pó, da poeira solta
Deflorada pela terra.

Não sinto mais o teu sorrir macabro
De desdenhosa caveira.
Agora o coração e os olhos abro
Para a Natureza inteira!

Negros pavores sepulcrais e frios
Além morreram com o vento...
Ah! como estou desafogado em rios
De rejuvenescimento!

Deus existe no esplendor d’algum Sonho,
Lá em alguma estrela esquiva.
Só ele escuta o soluçar medonho
E torna a Dor menos viva.

Ah! foi com Deus que tu chegaste, é certo,
Com a sua graça espontânea
Que emigraste das plagas do Deserto
Nu, sem sombra e sol, da Insânia!

No entanto como que volúpias vagas
Desses horrores amargos,
Talvez recordação daquelas plagas
Dão-te esquisitos letargos...

Porém tu, afinal, ressuscitaste
E tudo em mim ressuscita.
E o meu Amor, que repurificaste,
Canta na paz infinita!
- Cruz e Sousa, do livro, "Faróis", 1900.


Cruz e Sousa, por E. Dias.
Ausência misteriosa
Uma hora só que o teu perfil se afasta,
Um instante sequer, um só minuto
Desta casa que amo -- vago luto
Envolve logo esta morada casta.

Tua presença delicada basta
Para tudo tornar claro e impoluto...
Na tua ausência, da Saudade escuto
O pranto que me prende e que me arrasta...

Secretas e sutis melancolias
Recuadas na Noite dos meus dias
Vêm para mim, lentas, se aproximando.

E em toda casa, nos objetos, erra
Um sentimento que não é da Terra
E que eu mudo e sozinho vou sonhando...
- Cruz e Sousa, do livro, "Faróis", 1900.




ACERVO DIGITAL DE CRUZ E SOUSA

Jornal Ô Catarina FCC/ nº 25/2012 - Cruz e Sousa 150 anos de "vida". Disponível no link.


REFERÊNCIAS E FONTES DE PESQUISA
Releituras


"Esquecimento! eclipse de horas mortas,
Relógio mudo, incerto,
Casa vazia... de cerradas portas,
Grande vácuo, deserto."
- Cruz e Sousa, do poema "Esquecimento", livro "Faróis".

© A obra de Cruz e Sousa, é de domínio público

© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Cruz e Sousa - o cisne negro. Templo Cultural Delfos, fevereiro/2012. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada em 15.2.2015.



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