Roquette-Pinto - idealista e realizador

Roquette-Pinto
"Pela cultura dos que vivem em nossa terra. Pelo progresso do Brasil."
- Roquette-Pinto


“Pelo progresso de minha terra, tendo arriscado contente, e mais de uma vez, a vida que ela me deu. Mas só compreendo o patriotismo que não precisa de mentiras para manter sua existência.”

- Roquette-Pinto
Para referir-se a Edgard Roquette-Pinto é preciso ir além de sua caracterização como médico, professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta. Este carioca do bairro de Botafogo, nascido em setembro de 1884, era extremamente dinâmico, possuindo múltiplos interesses.

Não por acaso, um de seus biógrafos, nomeia-o como “Homem Multidão”, procurando captar assim uma imagem de modernidade, vinculada à nova sociedade urbano-industrial, mas também de sensibilidade para com o “povo” de seu tempo e país.

Filho do rico advogado Menélio Pinto Vieira de Mello, foi, na verdade, criado por seu avô materno em uma fazenda perto da cidade de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais. Esse fato o levou, inclusive, a alterar seu registro civil, passando seu nome original Edgard Roquette Carneiro de Mendonça Pinto Vieira de Mello para, simplesmente, Edgard Roquette-Pinto, em homenagem a seu avô.

O jovem Edgard formou-se em medicina, em 1905, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Dedicou-se à antropologia, tornando-se professor da cadeira de Antropologia e Etnografia do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, logo após sua graduação. Seu interesse nesta área foi consagrado por uma das experiências mais marcantes da sua trajetória: sua incorporação à expedição do tenente-coronel Cândido Mariano da Silva Rondon, a quem foi apresentado em 1911. Nesta expedição, realizada em 1912, foram percorridas as florestas do Mato Grosso e do Amazonas, as bacias de diversos rios, havendo contato com algumas tribos indígenas.

A grande bagagem que Roquette trouxe desta expedição foram as anotações de campo e as memórias de tudo o que havia observado e apreendido durante a viagem.
Com elas, Roquette passou os quatro anos após seu retorno ao Rio de Janeiro, escrevendo o livro Rondônia, hoje um clássico da antropologia brasileira, publicado em 1917, no Rio de Janeiro, pela Imprensa Nacional.

Era membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Sociedade de Geografia, da Academia Nacional de Medicina e de inúmeras outras associações culturais, notadamente o Museu Nacional, de onde foi diretor por quase dez anos, entre 1926 e 1935.

Roquette era uma figura intensamente presente no cenário nacional e, segundo Ruy Castro, as pessoas o apontavam ao vê-lo nas ruas, quase sempre com um charuto na mão. Quando não era um charuto, o objeto mais presente em sua mão era um lápis de duas cores (vermelho e azul), com que circulava e sublinhava qualquer texto que o interessasse. Sabia-se que falava francês, italiano, espanhol, inglês, alemão, tupi (...) tocava piano e escrevia poemas sem intenção de publicá-los, que desenhava e pintava e que era capaz de montar ou desmontar qualquer aparelho mecânico ou elétrico.

Roquette-Pinto
Roquette sempre se mostrou um homem fascinado por novas tecnologias e sua aproximação com a radiodifusão deu-lhe a convicção de que esta nova forma de comunicação deveria servir para a divulgação da cultura no país. Mais especificamente, a fim de instruir e educar uma população com maior dificuldade de acesso à escola formal, devido a dimensão continental de nosso país, a falta de recursos existentes, dentre outros fatores.

Imbuído deste propósito, Roquette começou um trabalho, com vistas a criar a primeira emissora de rádio educativa no Brasil. Conseguiu o apoio da Academia Brasileira de Ciências e, juntamente com outros intelectuais, criou a Rádio Sociedade, em abril de 1923.

Roquette acompanhou toda a trajetória da Rádio Sociedade, que terminou sendo doada ao governo federal em 1936. A partir daí, continuou sua empreitada, engajando-se em inúmeros outros projetos, sempre voltados para a divulgação do conhecimento.

Foi, nesse sentido, responsável por vários outros empreendimentos no cenário nacional, como por exemplo, a fundação da Revista Nacional de Educação, do Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) e do Serviço de Censura Cinematográfica. No INCE, colaborou com várias produções cinematográficas, numa parceria realizada com Humberto Mauro, especialmente durante os anos do Estado Novo (1937-1945).

Faleceu em 18 de outubro de 1954, enquanto escrevia um artigo para o Jornal do Brasil, em seu apartamento na avenida Beira-Mar, vítima de um derrame. Homem de trajetória singular, que se destacou em sua época por seus ideais e propósitos, Roquette-Pinto foi figura exemplar da história da educação no Brasil, desempenhando um papel pioneiro, que vem sendo crescentemente reconhecido e estudado.
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Extraído: DUARTE, Adriana. Roquette-Pinto e a Rádio Sociedade do Rio De Janeiro - Coletâneas de Documentos. (Mestrado), Rio de Janeiro: FGV.

Manuel Bandeira (3º esquerda para direita em pé),
Alceu Amoroso Lima (5ª posição) e Hélder Câmara (7ª)
e sentados (esquerda para direita), Lourenço Filho,
Roquette Pinto e Gustavo Capanema. Rio de Janeiro, 1936.
Foto: Acervo CPDOC/GC



CRONOLOGIA
1884 - Nasce, em 25 de setembro, no Rio de Janeiro, Edgard Roquette-Pinto, filho de Manuel Menelio Pinto e Josephina Roquette Carneiro de Mendonça, sendo educado pelos avós maternos, em especial, nutrindo forte apego ao avô João Roquette Carneiro de Mendonça.
1899 - Roquette-Pinto é influenciado pelos conselhos do doutor Francisco de Castro, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, amigo de seu avô, optando por seguir a carreira de medicina.
1903 - Torna-se Interno de Clínica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
1900 - Conclui o curso de humanidades no Externato Aquino e, posteriormente, ingressa como aluno na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
1905 - Conclui o curso de medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese de doutoramento em clínica geral Ethnographia americana: o exercício da medicina entre os índios da América (que seria publicada em 1906). Em 16 de outubro, é nomeado pelo presidente da República para o cargo de assistente da Quarta Seção Antropologia e Etnografia do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
1908 - Torna-se perito médico-legal do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro, ligado à polícia. Publica dois trabalhos científicos. Um deles em medicina legal, intitulado Fauna cadavérica do Rio de Janeiro, e outro, em antropologia, a monografia Estnographia indígena do Brasil: estudo atual de nossos conhecimentos. Casa-se com Riza Baptista, filha do médico Henrique Baptista.
1909 - Assiste ao nascimento de seu primeiro filho, Paulo Roquette-Pinto.
1910 - É criado o Serviço de Assistência ao Ensino das Ciências Naturais e a filmoteca especializada no Museu Nacional do Rio de Janeiro. No mesmo ano, Roquette-Pinto recebe de Rondon registros sobre a cultura material dos índios da Serra do Norte e organiza museologicamente a Sala D. Pedro II e a Sala Etnográfica Euclides da Cunha.
1911 - Nasce à filha, Maria Beatriz Roquette-Pinto. Neste ano, viaja a Londres acompanhando João Baptista de Lacerda no Primeiro Congresso Internacional das Raças.
1912 - Publica três obras antropológicas: Os índios nambiquáras do Brasil Central; Relatório da excursão ao litoral e às regiões das lagoas do Rio Grande do Sul e O guaraná. Participa do Congresso Internacional de Americanistas, em Londres. Em 22 julho, integra a quarta Comissão Rondon em direção à Serra do Norte.
1913 - Faz discurso intitulado “O segredo dos uiáras” para sua recepção como membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
1914 - Torna-se secretário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
1915 - Como livre-docente da cadeira de história natural da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, apresenta Dinoponera Grandis. Publica Antropologia (Guia das coleções)
1916 - Em março, é autorizado pelo ministro da Agricultura a se afastar temporariamente das atividades no museu para promover a catalogação e anotação das coleções do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. É nomeado para a vaga de docente da cadeira de higiene da Escola Normal. Em 7 de outubro, é designado para o ocupar a cadeira de higiene. Publica
Elementos de mineralogia.
1917 - Em 14 de março, é designado para ocupar cargo de regente de turma da cadeira de história natural aplicada à agricultura e à criação de animais, da Escola Normal. Publica o livro Rondônia, fruto da excursão realizada em 1912 em companhia da Comissão Rondon.
1919 - Afasta-se da função de secretário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
1920 - Em 22 de abril, é aprovada a proposta da Congregação do Museu Nacional para, em comissão, Roquette-Pinto realizar estudos de antropologia e colher material para compor as coleções do Museu Nacional. Funda a cadeira de fisiologia experimental da Universidade do Paraguai, em Assunção, publicando O conceito actual da vida. Em 23 de dezembro, é nomeado pelo cientista Carlos Chagas, diretor do Departamento Nacional de Saúde, para exercer o cargo de microscopista-chefe do Laboratório de Bromatologia.
1921 - Exonera-se, a pedido, do cargo de microscopista-chefe do Laboratório de Bromatologia. Retorna à Universidade do Paraguai para lecionar na cadeira de fisiologia experimental.
1922 - Em 7 setembro, lança pelo IHGB, o Dicionário histórico, geográfico e etnográfico brasileiro. Neste ano, a convite de Afonso de Taunay, diretor do Museu Paulista (do Ipiranga), organiza as coleções daquela instituição.
1923 - Em 20 de abril, funda com Henrique Morize a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Em 18 de junho, é nomeado para ocupar o cargo de docente da cadeira de história natural da Escola Normal. Cria a Revista do Rádio.
1924 - Em 17 de setembro, é nomeado pelo presidente da República, Arthur Bernardes para o cargo de professor-chefe da Seção de Antropologia e Etnografia do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Viaja para Nova York, e conhece a Universidade de Columbia, a convite do Antropólogo Franz Boas. Candidata-se, pela primeira vez, a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, não sendo eleito.
1925 - Publica Nota sobre o material antropológico do Sambaqui de Guaratiba  e Notas
sobre a ação fisiológica da Fava Tonka. Recebe no Museu Nacional do Rio de Janeiro o cientista Albert Einstein.
1926 - Em 28 de setembro, é nomeado para cargo interino de diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, enquanto durar o impedimento do cientista Arthur Neiva. Valendo-se dos desenhos de Alberto Childe, em parceria com Benjamim Baptista, publica Contribution à L‘Anatomie Comparés des Raças Humaines (dissection d‘une Indienne di Brésil).
1927 - Em 16 de fevereiro, é designado para exercer regência de turma na cadeira de história natural para o quarto ano. Publica o livro Seixos rolados. No dia 11 de outubro, é nomeado pelo presidente da República, Washington Luiz a ocupar o cargo, em comissão, de diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Neste ano, apresenta o trabalho de memória Dinoponera Grandi –Tocandira como requisito para obtenção do título de Livre-Docente da cadeira de história natural da medicina da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. O trabalho foi publicado pela Livraria Científica Brasileira. Publica também “Nota sobre o Nhanduti do Paraguai” no Boletim do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Neste ano, nasce à filha Carmem Lúcia.
1928 - Publica “Nota sobre os typos anthropológicos do Brasil” nos Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro. É eleito para a cadeira de nº 17 da Academia Brasileira de Letras. Na Revista da Academia Brasileira de Letras, publica Memória de Antonio Ipiranga.
1929 - Publica Glória sem rumor em homenagem ao naturalista alemão Friz Muller. Preside o I Congresso Brasileiro de Eugenia. No fim do ano, viaja para a Itália e a Alemanha com o objetivo de pesquisar a radiodifusão educativa.
1931 - Em 19 de abril, é nomeado pelo presidente da República, Getúlio Vargas para exercer o cargo de professor-chefe da Quinta Seção de História Natural (Serviço de Assistência ao Ensino) do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
1932 - Em 19 de abril, é nomeado para exercer, interinamente, o cargo de professor-assistente de história natural, da Escola Secundária, do Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Participa do livro Segredo Conjugal, de Afonso Celso de Assis Figueiredo, escrevendo Tatiana. Faz o discurso inaugural da Exposição Goetheana, enfocando o Goethe Naturalista.
1933 - Em 25 de abril, Roquette-Pinto é designado por Anísio Texeira, Diretor geral de Instrução Pública do Distrito Federal, para exercer função, em comissão, na Escola de Professores, do Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Em 7 de julho, é efetivado como professor-adjunto da Escola Secundária do Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Publica a obra intitulada Ensaios de anthropologia brasilana.
1934 - Em 27 de janeiro, é nomeado para exercer, em comissão, o cargo de chefe da Seção Técnica de Museus Escolares e Radiodifusão do Departamento de Educação. Neste ano, publica o seu único livro de contos Samambaia. Afasta-se da direção do Museu Nacional do Rio de Janeiro em 30 de julho, conforme consta em Tempo de Serviço Público, documento organizado pelo próprio, que foi encaminhado ao Tribunal de Contas da União e à Diretoria de Despesas do Tesouro Nacional. O documento pede o deferimento para aposentaria, considerando que o mesmo era portador de Spondylose, uma doença incurável, degenerativa e dolorosa.
1935 - Publica Etnografia americana, que é a terceira edição de Rondônia. Prefacia o livro de Anísio Teixeira, Educação pública, sua organização e administração.
1936 - Doa a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro ao governo Getúlio Vargas, com a condição de que sirva exclusivamente como uma rádio de educação popular, sem fins comerciais. Funda o Instituto Nacional do Cinema Educativo e assume sua direção.
1937 - Em 26 de janeiro, o presidente da República, Getúlio Vargas nomeia Roquette-Pinto para exercer, em comissão, o cargo de diretor do Instituto Nacional de Cinema Educativo do Ministério de Educação e Saúde. Em 18 de dezembro, solicita exoneração do cargo de chefe da Seção Técnica dos Museus e Radiodifusão da Prefeitura do Distrito Federal ao secretário de
Educação e Cultura, doutor Clementino Fraga. Faz o discurso de lançamento da pedra fundamental do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde.
1938 - Em 13 de abril, o presidente Getúlio Vargas nomeia Roquette-Pinto para exercer a função de membro do Conselho Consultivo do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1º de dezembro, é outra vez nomeado pelo presidente da República para exercer a função de membro do Conselho de Proteção dos índios. Escreve Contribuição à fonética experimental do português falado no Brasil.
1939 - Em 1º de dezembro, o presidente Getúlio Vargas o nomeia para exercer a função de vice-presidente do Conselho Nacional de Proteção ao Índio. Escreve Nota sobre um caso de simulação sexual.
1940 - Em 4 de abril, é nomeado pelo presidente da República, Getúlio Vargas para representar o país como delegado no 1º Congresso Internacional Indianistas, em Patzcuaro, México, a ser realizado entre os dias 14 e 24 de abril. Roquette-Pinto torna-se membro da Associação Indianista do México. Em 8 maio, é nomeado pelo presidente Vargas, delegado do Brasil no 8º Congresso Científico Americano. Pela Companhia da Editora Nacional, publica Ensaios brasilianos, que faz parte da Coleção Brasiliana.
1941 - Em 12 de dezembro, é nomeado, por merecimento, pelo presidente Vargas, ao cargo de naturalista, do Quadro Permanente do Ministério de Educação e Saúde.
1942 - Publica três artigos pela Revista Resenha Médica: Nota sobre algumas vitaminas; Meditação sobre o índio; Guerra e vitaminas.
1944 - Pela Revista da Academia Brasileira de Letras, publica O cinema educativo no Brasil. Recebe da Rádio Nacional o título de o “Pai do Rádio Brasileiro”.
1945 - Discursa na inauguração do Palácio do Ministério de Educação e Saúde.
1946 - Em 29 de janeiro, é dispensado, a pedido, da função de membro do Conselho Nacional de Proteção dos Índios. Na Revista Imprensa Médica, publica O Brasil e a raça.
1947 - Aposenta-se e afasta-se da direção do Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE).
1948 - É designado pelo ministro da Educação e Saúde, Clemente Mariani, para compor a Comissão de Organização do I Congresso Brasileiro de Antropologia.
1950 - Em 12 de abril, é designado para o Departamento de Difusão Cultural. Em 17 de abril, é encaminhado para o Setor de Correspondência.
1951 - Torna-se articulista da coluna Notas e Opiniões, do Jornal do Brasil.
1953 - Participa da Comissão do Convênio Cinematográfico Educativo.
1954 - Em 18 de outubro, morre Roquette-Pinto, escrevendo um artigo para a coluna Notas e Opiniões, do Jornal do Brasil.


"É preciso ir lá para retemperar a confiança nos destinos da raça, e voltar desmentindo os pregoeiros de sua decadência. Não é, nem pode ser nação involuída, a que tem meia dúzia de homens capazes de tal heroísmo.”
- Roquette-Pinto

OBRAS DE ROQUETTE-PINTO
(Livros, artigos, conferências, relatórios e ensaios).
ROQUETTE-PINTO, Edgard. Etnographia americana: o exercício da medicina entre os índios da América. (Tese. Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro). Museu Nacional do Rio de Janeiro, 1906. Publicado pela Editora Bevilacqua & Cia., 1906 96 p.
______. Relatório da excursão ao litoral e à Região dos Lagos do Rio Grande do Sul. Museu Nacional do Rio de Janeiro, 1906.
______. Etnografia indígena do Brasil: Estado Atual dos Nossos conhecimentos. Relatório apresentado ao quarto Congresso médico Latino Americano. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1909. 18 p.
______. Esboço de classificação dos povos indígenas do Brasil. Biblioteca do Museu Nacional, 1909.
______. Euclides da Cunha naturalista. In: In memoriam de Euclides da Cunha. 15 de agosto. 1909-1919. Por protesto e adoração. Rio de Janeiro: Grêmio Euclides da Cunha, 1919, p. 57-86.
______. Diagrama da constituição antropológica da população do Brasil, organizado segundo as estatísticas oficiais de 1872 a 1890. Museu Nacional do Rio de Janeiro, 1911.
______. Note sur la situation sociale des indiens du Brésil. (Monographie presenté a le Congres Universel des Races,... Londres, en 1911). par le professeur... Biblioteca da ABL, Documentação CA-03 R 69 N, 1911. Publicado pelo Departamento de Imprensa Nacional, 1955.
______. Nota sobre os índios nambiquaras do Brasil Central. Rezultados Etnograficos da Expedição Rondon – Enviada ao XVIII Congresso de Americanistas, Londres 1912. Rio de Janeiro: [s.n.], 1912. p. 24-43.
______. Relatório da 4ª Seção de Antropologia e Etnografia apresentado ao Sr. Diretor do Museu Nacional, Bruno Lobo. Rio de Janeiro: Arquivo SEMEAR/MN,1912.
______. Excursão ao litoral e à Região das Lagoas do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: L Macedo, 1912.
______. Os Nambiquaras; Rondônia (Expedição Roquette-Pinto). Direção Roquette-Pinto. São Paulo: Acervo da Cinemateca Brasileira, 1912. Curta-Metragem, Silencioso, Não Ficção, 35mm, BP, 16p.
______. O guaraná. Biblioteca da ABL, Documento CA-03 R69g, 1912.
______. Anthropologia: guia das collecções. Rio de Janeiro: Tipografia da Directoria Geral de Estatística, 1915. 64 p.
______. Um problema de Antropologia aplicada. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1914.
______. Dinoponera Grandis. (Memória apresentada à Congregação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro para obter a Livre Docencia da Cadeira de Historia Natural). Rio de Janeiro: Tipografia da Casa Bevilacqua, 1915, 38 p. il.
______. Aborígenes e Etnógrafos. Anais da Biblioteca Nacional, vol. V, Rio de Janeiro, 1916.
______. O Brasil e a anthropogeographiaRevista do Brasil: publicação mensal de sciencia, letras, artes, historia e actualidades, Rio de Janeiro (RJ), v. 3, n. 1, p.322-335, set./dez. 1916.
______. Rondônia: Anthropologia, Ethnografia. In: Revista Arquivos do Museu Nacional. Rio de Janeiro, v. 20, 1917.
______. Rondônia. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1917.
______. Elementos de mineralogia (Aplicada ao Brasil). Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1918.
______. A questão das raças em Versailles. O imparcial, Rio de Janeiro, 1918.
______. Etnografia sertaneja. O imparcial, Rio de Janeiro, jun, 1918.
______. O pioneiro. O imparcial, Rio de Janeiro, jun, 1918.
______. Por Protesto e Adoração. In: Memorian de Euclides da Cunha. Rio de Janeiro: Tipografia Aurora, 1919.
______. Centenário do Museu Nacional. Discurso pronunciado pelo professor Roquette-Pinto na Sessão Comemorativa do Centenário do Museu Nacional. Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1919, vol.XXII.
______. A paz e a antropogeografia. A Epoca, Rio de Janeiro, 1919.
______. Rondon. A Epoca, Rio de Janeiro, 1919.
______. Concepto Actual de la Vida. Biblioteca da Academia Brasileira de Letras, Documento CA1703R69C, 1920.
______. O segredo de Mauer. Revista do Brasil: publicação mensal de sciencia, letras, artes, historia e actualidades, Rio de Janeiro (RJ), v. 13, n. 50, p.147-151, fev. 1920.
______. Conceito atual de vida. Rio de Janeiro: Livraria Científica Brasileira, 1922.
______. A radiotelephonia, escola do porvir. Radio, ano 1, n. 18, 1/jul,1924.
______. O nosso aniversario. Radio, ano 1, n. 24, 1/out,1924.
______. Nota Sobre a Ação Fisiológica da Fava Tonka. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1924. 135 p. il. (Separata do Boletim do Museu Nacional do Rio de Janeiro, 1924).
______. Nota Sobre o Material Anthropológico no Sambaqui de Guaratiba. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1925. 397-399 p. (Separata do Boletim do Museu Nacional do Rio de Janeiro, 6). Biblioteca da ABL, Documento CA17-03 R69N, 1925.
______. Contribuição ao estudo antropométrico dos índios urupás. Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, v. 25, 1925.
______. Editorial da Revisa Eléctron. Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, Ano I, n.1, 1º Fevereiro de 1926.
______. Rádio Educação do Brasil. Radio, ano 3, n. 57, mar./1926. p. 11-12.
______. Nota Sobre o Ñanduti do Paraguai. Rio de Janeiro, 1927. 21-26 p. il. (Separata do Boletim do Museu Nacional, III). Biblioteca da ABL, Documento CA17-03 R69N, 1927.
______. Seixos rolados: estudos brasileiros. Rio de Janeiro: Mendonça & Machado, 1927.
______. Notas sobre os typos anthropológicos do Brasil. Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, vol. 30, 1928.
______. Nota sobre os tipos antropológicos do Brasil. Atas e Trabalhos do Primeiro Congresso de Eugenia. Biblioteca do Museu Nacional do Rio de Janeiro, 1929a. pp. 119-147.
______. Glória sem rumor. Rio de Janeiro: Museu Nacional, 1929. [Discurso pronunciado em Blumenau, na inauguração da estátua de Fritz Muller, em 20 de maio de 1929].
______. Discurso de abertura do primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia. Anais do I Congresso Brasileiro de Eugenia. Rio de Janeiro, 1929.
______. Discurso de recepção do Sr. Affonso Taunay. Revista da Academia Brasileira de Letras. Vol.XXXIII. Ano. XXI, n.90. Rio de Janeiro, jul.1930, pp. 285-301.
______. Discurso de recepção. Academia Brasileira de Letras. 3 de mar. 1928. In: Discursos Acadêmicos. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, vol.7 (1927-1932), pp. 63-88.
______. Concepto actual de la vida. (Conferência inaugural del curso de fisiologia en la Universidad Nacional, el 20 de mayo 1920). Assuncion: Imp. Zamphirópolos, 1920. 30 p. il.
______. Goethe. Discurso inaugural da exposição Goetheana. Rio de Janeiro, Sociedade Pró-Arte, 22 mar. 1932.
______. A poesia da ação. Boletim Ariel: mensario crítico-bibliográphico; letras, artes e ciências humanas, Rio de Janeiro, v.2, n.1, p.5, out.1932. ABL/per. B673.
______; A.C. Germano da Silva Corrêa, professor à L´École de Medicine de Nova-Goa, Inde Portugais: les enfants e les adolescents luso-descendants de L´Inde Portugaise. Boletim Ariel: mensario crítico-bibliográphico; letras, artes e ciências humanas, Rio de Janeiro, v. 1, n.4, 1932. ABL/per.B673a.
______. O berço das saudades. Boletim Ariel: mensario crítico-bibliográphico; letras, artes e ciências humanas, Rio de Janeiro, v. 1, n.10, 1932. ABL/per.B673a.
______. Ensaios de antropologia brasiliana. São Paulo: Editora Companhia Nacional, 1933. 190 p. il. (Biblioteca pedagógica brasileira. Série V. Coleção Brasiliana, V. XXII).
______. O cinema e a educação popular no Brasil. Revista Nacional de Educação, Ano I, n.5, p.3, fev. 1933.
______. Almas sem abrigo: Miguel Osório de Almeida. Boletim Ariel: mensário crítico-bibliográphico; letras, artes e ciências humanas, Rio de Janeiro, v. 2, n.11, 1933. BL/per.B673a.
______. Samambaia. Rio de Janeiro: Riedel, 1934.
______. A evolução do cinemaRevista do Brasil: publicação mensal de sciencia, letras, artes, historia e actualidades, Rio de Janeiro (RJ), v. 1, n. 1, p.74-80, Jul. 1938.
______.Ensaios brasilianos. Ed. il. São Paulo (SP): Ed. Nacional, [1940?]. 244 p., [14] p. de lâms., il., 18 cm. (Biblioteca Pedagógica Brasileira. Série V, Brasiliana; 190).
______. Discurso de saudação. Anais da Academia Brasileira de Letras, v. 62, ano 40, 1941.
______. Centenário de François Coppé. Revista da Academia Brasileira de Letras, n.63, ano 41, 1942.
______. A História Natural dos Pequeninos. Revista do Museu Nacional, ano I, n. 1, ago, 1944.
______. O cinema educativo no Brasil. Revista da Academia Brasileira de Letras, vol. 68, ano 43, jul.-dez, 1944, p. 278-281.
______. Saudade de Francisco Venâncio Filho. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1948. (Separata da Revista dos Arquivos, n. 2, p. 89-98).
______. Nota sobre algumas vitaminas. Biblioteca da ABL, Documento CA17-03 R96N, s/d.
______. Notas e Opiniões. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 1951-1954. Disponíveis no link.
______. Ensaios de antropologia brasiliana. São Paulo: Editora Nacional, Brasília/UnB, 1988.
______. et BAPTISTA, Benjamim. Contribution à L‘Anatomie Comparée des Races Humaines. Dessection de une indienne du Brésil. Arquivos do Museu Nacional. Rio de Janeiro, t.XXVI, 1926. (Desenhos de Alberto Childe).
______. Rondônia: anthropologia-ethnographia. 7.ed. , Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2005. p. 25-39.
______. Carta ao Presidente. Revista Brasileira, Rio de Janeiro (RJ), v. 13, n. 51, p.291-292, abr./jun. 2007.


“Se em meio à conversa no seu apartamento atulhado de coisas díspares, socasse do bolso uma pomba, e a fizesse descrever no ar um bailado de Stravinsky, não nos espantaríamos; tinha poder e graça para tanto.”
- Carlos Drummond de Andrade


“...os estudiosos do Brasil, sabendo de fonte segura, que o Movimento Bandeirante, a Conquista da Amazônia e a Ocupação de Rondônia foram três fulgurantes resultados da inteligência, da força de vontade, da coragem, da sobriedade e da resistência physica de mestiços, têm o direito de sorrir da sciencia daqueles senhores [Agassiz e Gobineau].”
- Roquette-Pinto


ROQUETTE-PINTO
Roquette-Pinto ingressou no Museu Nacional no ano de 1906 onde deu início à sua profissionalização como antropólogo e etnógrafo. Em 1927, fundou o primeiro serviço educativo de um Museu brasileiro.


"Educar é criar hábitos de significação social."
- Roquette-Pinto


ROQUETTE-PINTO E A EXPEDIÇÃO À SERRA DO NORTE (1912)
“há homens que diminuem à medida que deles nos aproximamos, outros de longe brilham como estrelas e, quando chegamos, vemos que são mundos ainda maiores de sentimentos e de caráter.”
- Roquette-Pinto


Em toda a sua vida - foi etnógrafo, antropólogo, geógrafo, arqueólogo, botânico, zoólogo, linguista, farmacêutico, legista, fotógrafo, cineasta e folclorista.


O interesse em etnografia levou Roquette-Pinto, em 1912, participar da Expedição Rondon à Serra do Norte em Mato Grosso, tendo contato com os índios Nhambiquaras e pioneiramente filmando uma civilização que ainda vivia na pré-história em plena alvorada do séc.XX. Fez registros da mesma em "fonogramas, filmes, fotos, fichas antropométricas e objetos e tomava apontamentos a todo instante em seus cadernos de viagem, conservados até hoje no Museu Nacional.

Roquette-Pinto inicia sua viagem à Serra do Norte em 22 de julho de 1912 e regressa ao Rio de Janeiro em 26 de novembro de 1912. Em cerca de 120 dias em expedição, pouco mais do que o tempo despendido na pesquisa dos sambaquis do Rio Grande do Sul, ele pôde obter resultados incomparavelmente mais expressivos do que essa experiência.

No relatório de atividades apresentado ao Museu Nacional no ano de 1912, ele indica ter retornado à seção de Antropologia e Etnografia com “uma coleção inestimável”, composta por cerca de 2.000 espécimes etnográficos “de uma tribo completamente desconhecida até agora”, 52 fichas antropométricas acompanhadas de individuais dactiloscópicas, mais de 100 fotografias e muitos metros de filme etnográfico.
Nessa expedição faz uso pioneiro de câmeras e aparelhagem de som para documentação etnográfica. Filmou o que pôde e fotografou ou desenhou o resto. Recolheu pedras, pontas de setas e objetos indígenas levados por milhares de quilômetros através de rios, pântanos e picadas abertas na selva. Apressou-se a estudar a região, pois, temia a perda dos fenômenos etnográficos, usos, costumes, indústrias, técnicas, arte, religião e política dos povos, que cedo ocorreria, devido à chegada e influência de objetos da civilização. Anotou a aparência da região – da floresta à árvore e à folha – composição dos solos, contorno das montanhas, fluxo dos rios, intensidade das quedas e variedade da fauna.

Nas visitas às tribos, mediu os crânios dos índios, comparou o seu peso e altura, analisou doenças, efetuou a primeira dissecação de um indígena e relatou as formas de produção, comércio e transporte. Registrou conhecimentos científicos, relações familiares, organização política, hábitos religiosos, formas lingüísticas, habilidade manual e danças. Anotou musicalmente os cantos dos nativos e fez gravações in loco com o fonógrafo portátil. Nos fonogramas, cilindros de cera, registrou melodias indígenas Nhambiquaras e Parecís e música popular mato-grossense (cururu e canções sertanejas).


A morte foi constante no percurso pelas selvas do Mato Grosso e Amazonas e nas bacias dos rios Paraguai, Juruena e Gi-Paraná, pelas dificuldades climáticas, geográficas e humanas. Os Nhambiquaras eram hostis, matando expedicionários e haviam as ameaças da selva: animais e doenças – varíola, beribéri, paludismo. Burros, cavalos e bois morriam; os homens eram enterrados pelo caminho e os locais batizados com os seus nomes. A sobrevivência deste intelectual da cidade à vida difícil da selva surpreendeu tudo e todos, devendo-se talvez à infância passada na fazenda (note-se a diferença entre mato e sertão!) e a ser jovem e saudável. Mas a principal razão terá sido a firme determinação em cumprir a tarefa a que se propôs.

Roquette dizia que Rondon era o "ideal feito homem". Mameluco por parte de avós indígenas, falava dialetos de várias tribos, passando aos índios a sua mensagem de paz. Roquette extraiu assim, uma compreensão do problema do índio ainda revolucionária: para ele, os índios deviam ser protegidos como tal e não forçados a ser brasileiros, sendo o papel da nação protegê-los como aos menores abandonados, presos ou doentes.

Roquette-Pinto entre crianças Nhambiquaras
Os Nhambiquaras contatados viviam na Idade da Pedra: tinham machados de pedra mal polida e as facas eram lascas de madeira. Desconheciam navegação, cerâmica ou redes de dormir – atravessavam os rios a nado, comiam de mão em mão e dormiam no chão. Cobertos por bernes, pulgas e piolhos, não conheciam um homem branco ou negro. O mal que faziam era, às vezes, por ignorância. De volta ao Rio, em Novembro desse ano, Roquette depositou no Museu Nacional cerca de tonelada e meia de objetos que trouxe da Serra do Norte, entre observações, fichas antropométricas, croquis, filmes documentais, material etnográfico, etc. Roquette trouxe também o paludismo, cujas seqüelas contribuíram para a espandilose de que sofreu mais tarde.

Em 1915, propôs numa conferência do Museu Nacional a designação de Rondônia à região do Noroeste do Brasil limitada pelos meridianos 54 e 65 oeste, Greenwich e entre os paralelos 8 e 15 ao sul do Equador, cortada entre os rios Juruena e Madeira pela estrada Rondon, como homenagem a Rondon.

Com todas as experiências e anotações que trouxe na bagagem, Roquette- Pinto passou os 4 anos seguintes escrevendo um dos marcos da Etnografia brasileira, o livro “Rondônia”, um tratado antropológico, botânico, geológico, etnográfico e climático da região compreendida entre os rios Juruena e Madeira, incluindo partes de Mato Grosso, Amazonas, Pará, Acré e Guaporé.

Em Rondônia, Roquette-Pinto, escreve:

“...reconheço que são, aparentemente, ociosos alguns detalhes desta naração, que, afinal, nada appresenta de maravilhoso. Todavia, escrevo para documentar e divulgar. Escrevo para archivar e servir. Ha minucias aborrecidas para quem toma de um livro afim de se recrear, ou para quem procura apenas uma nota. O mesmo leitor, em outras circumstancias, daria uma fortuna para conhecer essas pequenas cousas. A mais corriqueira informação póde servir a outrem de um modo indizivel. Vale pela experiência que encerra, trabalho que poupa, tranquillidade que proporciona, habilitando outro transeunte a prever uma série de condições. Tive a felicidade de achar um guia experimentado, já o disse; outros não a terão. Que aproveitem as informações aqui registradas.”

Visita de Marechal Cândido Rondon à Roquette-Pinto, no Museu Nacional.

O que nos falta – diz Roquette-Pinto: "é conhecer o que se tem descoberto e conquistado. Abra-se o melhor mappa do Brasil; por pouco que se tenha andado pelas terras do colosso, ver-se-á quantas cousas faltam na carta para que ella possa orientar um naturalista, um industrial, um comerciante ou um estadista”. A sua sugestão é a construção de “uma patria forte pela união perfeita das suas partes autonomas e pelo desenvolvimento particular de cada uma".


Em homenagem aos seus estudos científicos, vários naturalistas famosos deram o nome de Roquette-Pinto a algumas espécies de plantas e animais:
. Endodermophyton Roquettei (Parasito da pele dos índios de Mato Grosso) por Olímpio da Fonseca;
. Alsophila Roquettei, por Brade e Rosenstock;
. Roquettia Singularis, por Melo Leitão;
. Phyloscartes Roquettei (pássaro do Brasil Central) por Snethlage;
. Agria Claudia Roquettei (borboleta) por May.


As mais antigas gravações brasileiras
Em 1912, quando participou da Expedição Rondon ao Mato Grosso, Roquette-Pinto utilizou-se de um gravador pioneiro - o dictaphone, com motor movido a mola - para efetuar algumas das primeiras gravações de sons-ambiente, rituais e cantos de índios brasileiros, como "Teiru" e "Nozani-Na". Se Roquette nada mais tivesse realizado, essas gravações bastariam para garantir seu lugar na galeria dos grandes pesquisadores culturais do país, pois os registros que fez foram ouvidos, transcritos e arranjados por Villa-Lobos, e tornaram-se parte de nosso cancioneiro. Além disso, influenciaram o nacionalismo do compositor - que depois também andou pelo norte do país, fazendo pesquisas musicais. As gravação, que pertencem ao Museu Nacional, foram feitas em cilindros de cera e começam sempre com uma apresentação do próprio Roquette.





Rondônia 1912. Gravações históricas de Roquette-Pinto (2008).
Coleção documentos sonoros (Laced/MN/UFRJ)
O Livreto, contendo informações preciosas.
O Áudio – 9 faixas
1-Fonograma 14.594 1:30’;
2-Fonograma 14.595 1:49’;
3-Fonograma 14.598 0:55’;
4-Fonograma 14.599 1:43’;
5-Fonograma 14.600 1:28’;
6-Fonograma 14.601 1:03’;
7-Fonograma 14.604 1:59’;
8-Fonograma 14.605 2:23’;
9-Fonograma 14.607 2:03’.
Realização: Museu Nacional
Pesquisa & Produção: Edmundo Pereira e Gustavo Pacheco
Patrocínio: Petrobras
LACED, Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento.
Rondônia 1912: gravações históricas de Roquette-Pinto. Rio de Janeiro: UFRJ/Museu
Nacional, 2008. Disponíveis no link.

Coleção de Instrumentos Musicais recolhidos por Roquette-Pinto


Flautas (Zoaratealô, Ualalocê, Zalolocê, Zaolocê, Tiriamam)
e Trombeta (Hezô-Hezô)
Extraído do Livreto "Rondônia 1912. Gravações históricas de Roquette-Pinto"

Chocalho de tornozelo (ZUza) dos
Extraído do Livreto "Rondônia 1912. Gravações históricas de Roquette-Pinto"

Flauta nasais (tsin-hali) e Cabaça chocalho (valaçu)
Extraído do Livreto "Rondônia 1912. Gravações históricas de Roquette-Pinto"

Os fonogramas de Roquette-Pinto
No campo da musicologia, as gravações feitas por Roquette-Pinto representaram um marco no estudo científico da musica indigina brasileira. Até, então as informações disponíveis eram escassas e pouco confiáveis, baseadas em fontes de segunda mão. Os fonogramas registrados no território que seria batizado de Rondônia logo se tornaram referência para os pesquisadores, alimentando teorias e debates apaixonados sobre a natureza da musica encontrada entre as populações nativas da América. Em 1938, Luiz Heitor Corrêa de Azevedo definiu essas gravações como "a mais importante e mais divulgada das contribuições brasileiras à etnografia musical ameríndia." (Extraído do Livreto "Rondônia 1912. Gravações históricas de Roquette-Pinto)

“Uma tarde, a luz se diluía nas primeiras sombras, enquanto as cigarras cantavam. O Paraguai era um cadarço azul, que a hélice esgarçava em flocos de espuma branca. Ruídos da mata, imprecisos, ousados ou tímidos; ruídos certos do motor, compassados e monótonos. Súbito, um fragor de galhos que se partiam, folhas secas crepitantes, um grande grito de animal ferido... Toda a gente correu para o mesmo bordo do Etruria; e a onça, mal divisada, sumiu-se pela ramaria a dentro. Rápida cena característica daquele ambiente, que os rumores de um motor, filho da mais apurada cultura científica, e o rugir das onças, dominavam repartidamente.”
- Roquette-Pinto, em Rondônia, 2ª ed. 1919, p.84; corresponde aproximadamente à 3ª ed. 1935, p.85-6.


Heitor Villa-Lobos, tomou as pesquisas do antropólogo Roquette-Pinto, como fonte de inspiração musical.
Os célebres fonogramas registrados em cilindros de cera por Roquette-Pinto na Serra Norte em 1912, foram ouvidos e transcritos por Villa-Lobos, e hoje fazem parte do nosso cancioneiro. O gravador e os cilindros, fabricados em 1907, fazem parte do acervo do Museu Nacional.




“Quem sabe si mais tarde, um filho da Rondonia, bisneto de alguns desses que deixei com saudade em 1912, educado por um sucessor do Mestre, si o houver capaz de recolher a herança, não folheará estas notas, para ligá-las ao material conhecido e traçar, assim, a noticia completa do seu povo?”
- Roquette-Pinto, 2005: XV.


ROQUETTE-PINTO E A RÁDIO PARA FINS CIENTÍFICOS, TÉCNICOS, ARTÍSTICOS E DA EDUCAÇÃO

“O rádio é a escola dos que não têm escola. É o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre; é o animador de novas esperanças, o consolador dos enfermos e o guia dos sãos – desde que o realizem com espírito altruísta e elevado.”
- Roquette-Pinto


A Radio Sociedade do Rio de Janeiro
Roquette-Pinto junto à casa que abrigou o primeiro transmissor
de rádio no Brasil, a Sociedade Rádio Rio do Janeiro PRA-2.
O propósito de inaugurar uma rádio transmissora no Brasil foi resultado do estreitamento do vínculo entre ciência e educação, a primeira determinando sua viabilidade tecnológica e a segunda delineando os seus conteúdos pedagógicos.
A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro foi preconizada por integrantes da Academia Brasileira de Ciências, que representavam um grupo de entusiastas cientistas, sendo fundada em 20 de abril de 1923.

"É certo que nós não fundamos a Rádio Sociedade para irradiar só o que o público deseja. Nós a fundamos para transmitir, principalmente, aquilo de que o nosso povo precisa.”
- Roquette-Pinto

Roquette-Pinto, ao centro segurando bengala e chapéu, Henrique Morize ( o mais alto à direita
de Roquette) e os seguintes companheiros: Catulo da Paixão Cearense, Adalberto Santos, Edgard
Sussekind de Mendonça, Francisco Lafayette, Dulcídio Pereira, Alirio de Matos, Juvenil Pereira,
Carlos Lacombe, Alberto Jacobina, Paulo Carneiro, Rui Castro, Carlos Sussekind de Mendonça,
Otto H. Leonardos, Francisco Venâncio Filho, José Jonots Koff de Almeida Gomes, Carlos
Morize, Jorge Leuzinger, Hirom Jacques, Cosme Pinto, Elizio Rodrigues Lima, Paulo Roquette-Pinto.
Foto dos Pioneiros da Rádio Sociedade, junho, 1924.

A primeira transmissão radiofônica, no entanto, só foi ao ar no dia 1º de maio de 1923, dia do trabalho, utilizando o prefixo PR-1- A, foi uma transmissão experimental, realizada na estação da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Às 20h30 em ponto, Cauby de Araújo, um dos signatários anunciou a declaração de Roquette-Pinto comunicando a fundação da rádio. Roquette tomou o microfone e, com grande otimismo e exagero, disse:

Roquette-Pinto
"[A partir de agora] todos os lares espalhados pelo imenso território do Brasil receberão livremente o conforto moral da ciência e da arte pelo milagre das ondas misteriosas que transportam, silenciosamente, no espaço, as harmonias."
- Roquette-Pinto

Roquette-Pinto tinha conhecimento que, para a organização estrutural e composição da rádio nos moldes de uma empresa de radiodifusão, era preciso mais do que o afã de jovens muito bem intencionados e, ciente deste fato, começou a trilhar todas as etapas necessárias para construir, efetivamente, uma empresa de radiodifusão.

A finalidade da Rádio Sociedade, seu caráter altruísta e a preocupação com a educação popular. Essa determinação é muito clara no art.3º do seu Estatuto, que assim preceitua:
“A Rádio Sociedade, fundada com fins exclusivamente científicos, técnicos, artísticos e de pura educação popular, não se envolverá jamais em nenhum assunto de natureza profissional, industrial, comercial ou política.”

Albert Einstein (ao centro, usando terno claro), Roquette-Pinto à esquerda
e outros convidados não identificados, no Museu Nacional, 1925.
Foto: Acervo Academia Brasileira da Ciência.
“Após minha visita a esta Rádio Sociedade, não posso deixar de, mais uma vez, admirar os esplêndidos resultados a que chegou a ciência aliada à técnica, permitindo aos que vivem isolados os melhores frutos da civilização. É verdade que o livro também poderia fazer e o tem feito; mas não com a simplicidade e segurança de uma exposição cuidada e ouvida de viva voz. O livro tem que ser escolhido pelo leitor, o que por vezes traz dificuldades. Na cultura levada pela radiotelefonia, desde que sejam pessoas autorizadas as que se encarreguem das divulgações, quem ouve recebe, além de uma escolha judiciosa, opiniões pessoais, comentários que aplainam os caminhos e facilitam a compreensão: esta é a grande obra da Rádio Sociedade.”
- Albert Einstein, durante visita a Radio Sociedade, em 1925.


A Revista Electron
"Assim cantava Electron, no primeiro minuto do anno de 1926 quando se preparava, na antenna da Radio Sociedade do Rio de Janeiro, para desferir o vôo glorioso pelo espaço.
E foi assim que, por descuido, todo entregue ao seu delírio, perdeu a onda... e cahiu no cimo desta página."
- Roquette-Pinto

Revista Electron, nº 01, 01/02/1926 - Editorial de Roquette-Pinto
Em 1926, a Rádio Sociedade lançou uma nova revista, a Electron - "Publicação de Radio Cultura distribuída aos sócios da RSRJ e mantida exclusivamente pelos seus anunciantes e leitores". Tinha 16 páginas e tiragem quinzenal de cerca de três mil exemplares. Era mantida por anunciantes e distribuída aos sócios.

Electron veiculava a programação detalhada da Rádio Sociedade, o resumo de cursos e palestras irradiados, notas sobre artistas e cantores, novas estações transmissoras e temas técnicos de radiotelefonia.

Publicava também artigos de interesse da comunidade científica, tais como a homenagem feita a Madame Curie na Academia Brasileira de Ciências e a viagem de Morize à Europa.

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Acesse: Acervo da Radio Sociedade

“Se muitos dos ouvintes são pessoas cultas para as quais aquilo é passatempo, alguns milheiros são homens e mulheres do povo que, sem saber ler, vão aprendendo um pouco. Temos tudo feito? Que esperança! Estamos apenas no início do começo...”
- Edgar Roquette-Pinto


Rádio Ministério da Educação, hoje, Rádio MEC
Carta enviada a Roquette-Pinto por Gustavo Capanema, Ministro da Educação de Getúlio Vargas.
Datada de 28 de agosto de 1936, Capanema aceita a doação da emissora e se compromete
a manter sua função educativa. (Acervo Radio Sociedade/FioCruz).
A emissora nasceu em 7 de setembro de 1936, a partir de uma doação feita por Roquette-Pinto ao Ministério da Educação. Ao doar a pioneira Rádio Sociedade do Rio de Janeiro ao Governo Federal, o cientista exigiu que a emissora sempre mantivesse sua missão educativo-cultural.

No auge da sua história, a Rádio MEC chegou a manter três orquestras: Sinfônica, de Câmara e Afro-brasileira, além de um trio de violino, violoncelo e piano, de um quarteto de cordas, um coral, um conjunto de música antiga e um quadro de solistas e regentes formados por nomes como Francisco Mignone, Eleazar de Carvalho, Alceo Bocchino, Edino Krieger, Marlos Nobre, Guerra-Peixe, Noel Devos, Iberê Gomes Grosso, Abigail Gomes Moura e Altamiro Carrilho, entre outros.

Trechos da Crônica escrita por Carlos Drummond de Andrade:
... Lembro-me bem. Roquette-Pinto tomou o elevador do Edifício Rex e procurou, no 16 º andar, o ministro Gustavo Capanema. Ia dar- lhe de graça o prefixo, o equipamento, a tradição da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Tudo isso, que parecia pequeno e era imenso, passava a pertencer ao Ministério da Educação, sem qualquer indenização aos proprietários, todos eles professores, cientistas, homens de letras. Nada, nada? Apenas uma palavra Roquette queria receber em troca de sua emissora.
– E que palavra é essa?
– O compromisso de que a Rádio continue a fazer obra cultural e nunca, de forma alguma, faça política.
A palavra foi dada. Preparou-se a transferência legal, e no entardecer do dia 7 de setembro de 1939, este cronista subia com Capanema um outro elevador, rangente e reumático, num velho prédio da rua da Carioca. Íamos para o estúdio da Rádio Sociedade, onde se realizaria a cerimônia oficial da entrega da estação pioneira ao poder público. Mestre Roquette, comovido. Seus companheiros não disfarçavam a emoção. Pendiam lágrimas dos olhos de Beatriz Roquette-Pinto Bojunga. O ato tinha qualquer coisa de casamento no seio de uma família muito unida, que via a filha sair nos braços do rapaz escolhido livremente, sim, um excelente rapaz, tudo estava ótimo, os dois seriam muito felizes, mas... quem sabe? Era uma separação, um dilaceramento de fibras íntimas. Os assistentes bateram palmas. Saímos todos vagamente melancólicos.
(...)
Ao Ministério da Educação, por sua vez, faltava qualquer experiência no ramo, e teria que improvisar tudo, se não ganhasse o admirável presente de técnicos e oasvontades.
Capanema cumpriu rigorosamente a promessa e marcou a orientação a ser seguida mesmo quando tudo em volta parecia mergulhar em propaganda oficial, Roquette passou depois a direção a Fernando Tude de Sousa, que lhe honrou os ensinamentos e fez da PRA-2 o que ela é. Emissora singular no país, todo o seu tempo está consagrado à obra educativa e civilizadora dos brasileiros: arte, literatura, conhecimento científico, informação geral, diversão amena ali se reúnem e dali se espalham pelo Brasil, sem que essa mistura jamais se torne monótona. Sua história é um lembrete cortês aos que fazem rádio, e muitas vezes o fazem tão mal. Este lembrete não tem sido inútil. Outras emissoras oficiais fazem o que podem para não desmerecer.

Há nas emissoras particulares alguns programas que não seriam possíveis se a estação de Roquette-Pinto não houvesse habituado o público a exigir do rádio mais do que este costuma dar-lhe.

Ainda agora, com a PRA-2 e plena renovação por artes do inquieto e imaginoso Murilo Miranda, assistimos ao aumento espetacular do seu índice de audiência, e isto se faz sem concessão ao mau gosto, pela preservação e aprimoramento de um nível quase impecável.

Esta é uma crônica de saudades. Saudade do querido Roquette-Pinto, cuja bela voz parece-me escutar ainda, locutor ele próprio numa emissora de sábios e educadores, puro sonho, lírica maluquice de alguns homens que amavam sua terra e queriam servir a seu povo. Maluquice e sonho que floresceram. Mudando de nome, a casa não mudou de alma.
(Crônica de Carlos Drummond de Andrade, publicada na coluna “Imagens no tempo”, no jornal Correio da Manhã em 1961, comemorando os 25 anos da Rádio MEC)


Rádio MEC - 75 anos de História, 07 de setembro de 2011.


(...) o nosso fim era "dar ao povo não o que ele queria e sim o que ele precisava..."
- Roquette-Pinto, em carta a Francisco Venancio Filho, 13, jul. 1933.

Referências de Pesquisa:
DUARTE, Adriana. Roquette-Pinto e a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. (Dissertação de Mestrado). Rio de Janeiro: FGV/CPDOC2008.

“Não é porque é meu avô, mas o rádio poderia fazer algo sobre ele.”
- Vera Roquette-Pinto


Roquette-Pinto (...)

“Nós, que assistimos a aurora da radiotelefonia, temos a impressão do que deveriam sentir alguns dos que conseguiram possuir e ler os primeiros livros. Que abalo no mundo moral! Que meio para transformar um homem em poucos minutos, se o empregarem com boa vontade, com alma e coração!”
- Edgar Roquette-Pinto


ROQUETTE-PINTO E O CINEMA COMO INSTRUMENTO DA EDUCAÇÃO
O Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE)

“(...) o homem no Brasil precisa ser assistido e educado e não substituído.”
- Edgar Roquette-Pinto, em "Ensaios de Antropologia Brasiliana".

Além de suas iniciativas em prol do rádio educativo, Roquette-Pinto voltou-se também às possibilidades do cinema como instrumento da educação.

Neste sentido em 1936, com o apoio do Ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema
(1900-1985), e a aprovação de Getúlio Vargas, foi criado o Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). Ele teve como principal inspirador e primeiro diretor o cientista, antropólogo e professor Roquette-Pinto (1884-1954).

Roquette com Walt Disney, no INCE - unidos pela paixão do cinema.
Seu objetivo visava levar a educação aos lugares mais recônditos do Brasil. De 1936 a 1966, o instituto produziu curtas e médias metragens voltados para educação popular e divulgação de ciência e tecnologia. A exibição dos seus filmes era realizada em escolas, instituições culturais e nos cinemas, antes da projeção de longas metragens do circuito comercial.

Ao longo de sua existência o INCE produziu 407 filmes entre curtas e médias, dos quais a direção de 357 é atribuída ao cineasta Humberto Mauro.

“O Brasil não tem sabido tirar partido das possibilidades educativas do rádio,
do cinema e do fonógrafo.”
- Edgar Roquette-Pinto

Descobrimento do Brasil, Direção Humberto Mauro

O INCE tinha o objetivo de incentivar a produção, distribuição, exibição e divulgação, em todo o Brasil, do cinema educativo de temática nacional, valorizando a cultura brasileira e com vistas a construir uma identidade nacional. Sua criação estava pautada na proposta de uma reforma social através de uma reforma do ensino, tendo o cinema como um dos alicerces para esta reforma.

A velha a fiar, Direção Humberto Mauro.


A censura cinematográfica
Para contribuir na formação do povo brasileiro como um instrumento educativo, o cinema tinha de ser submetido a controle. A censura de filmes era caso de polícia, vinculada ao Ministério do Interior e da Justiça, por decreto de 1928, sob responsabilidade dos chefes de polícia locais.
Os defensores do cinema educativo apoiavam a censura "como recurso de educação"; entretanto, consideravam "pena que os departamentos de censura se enquadrem, geralmente, nas funções polícias", ficando o exame dos filmes sujeitos a "critério individualíssimo de cada censor e sua especial e eventual disposição de animo no trabalho em cada dia.". Os cineastas reclamam que a ação da censura policial mutila os filmes "sem que de forma alguma possamos compreender as razões que a levaram a esse ato"; alguns chegam a ser presos por descumprirem as ordens de cortar as fitas, consideradas arbitrária. (MORETTIN, 2001, p. 134). A Associação Brasileira de Educação, entretanto, solicita maior rigor na aplicação do regulamento e sugere a transferência da responsabilidade para o Ministério da Educação, a realizar-se em caráter federal. Em 1932, é assinado o decreto que centraliza a censura, com a criação da Comissão de Censura Federal, ligada ao Ministério de Educação (ALMEIDA, 1931, p. 152-167). O homem escolhido para presidi-Ia é Roquette-Pinto. Como forma de punição, o decreto fixa uma taxa de quatrocentos réis por metro de filme censurado, a ser utilizada no financiamento da revista Educação (ANDRADE, 1962, p. 8).

Nesse cargo Roquette-Pinto não permanece muito tempo: deixa de presidir a comissão encarregada da censura cinematográfica em 1934, quando é criado, no Ministério da Justiça, o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural, que tem a censura como uma de suas atribuições, visto que, por esse decreto, essa tarefa sai da competência do Ministério da Educação (Decreto 24.651).

Em 1937, a Censura Federal será transferida para o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), sempre no Ministério da Justiça, como decorrência da expansão da tendência nazifascista no governo (SIMIS, 1996, p. 60-61). A censura dos filmes, em poucos anos, passou do âmbito da polícia para transformar-se em uma questão para os educadores e, finalmente, tornar-se auxiliar da propaganda nacionalista do governo Vargas. Logo o DIP começou também a produzir filmes e ficou para trás a intenção de fornecer incentivos à realização de filmes educativos por parte de empresas produtoras privadas (SIMIS, 1996, p. 115-116).

"O cinema brasileiro não trataria de investigar os desejos e as necessidades do mercado, procurando adequar sua produção ao gosto do público. As platéias brasileiras deveriam ser educadas e não conquistadas."
- ALMEIDA, 1993, p. 57.

Referências de Pesquisa:
ROQUETTE-PINTO, Edgar. O Cinema e a Educação Popular no Brasil. Revista Nacional de Educação. Rio de Janeiro, nº 5, Ano I, Fev. 1933.
GALVÃO, Elisandra de Araújo. A ciência vai ao cinema: uma análise de filmes educativos e de divulgação cientifica do INCE. (Dissertação de Mestrado) Programa de Pós-Graduação em Educação, Gestão e Difusão em Biociências, Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2004.
SCHVARZMAN, Sheila. Humberto Mauro e as Imagens do Brasil. (Tese de Doutorado). Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Estadual de Campinas, 2000. Publicado pela Editora: UNESP, 2004.


“Roquette era homem de começar muitas coisas, realizá-las muito bem, mas de cansar-se em pouco tempo e começar outra. Quando dizem que ele foi pioneiro é porque realmente tinha todo o caráter do pioneiro, precisava sempre encontrar coisas para desbravar. Uma vez desbravada, ia adiante.”
- Luis de Castro Farias - Antropólogo e professor emérito da UFRJ


ROQUETTE-PINTO E A REVISTA NACIONAL DE EDUCAÇÃO
Roquette-Pinto criou a Revista Nacional de Educação. São 22 números, apenas, mas é uma revista belíssima, embora em papel de qualidade inferior. É uma revista nacionalista, porque Roquette queria recuperar o Brasil inteiro com a educação. Queria ensinar ciências aos jovens e promover uma verdadeira revolução no ensino, porque as crianças brasileiras, em geral, são educadas com temor de bichos e plantas e ele queria mudar isso. Pretendia que cada escola construísse os seus museus.
Visita Alberto Santos Dumont à Roquette-Pinto, no Museu Nacional.


"Roquette era pitoresco, era um gênio, um homem paciente, guerreiro..."
- Sérgio Vasconcelos


“Creio que o homem e a natureza são exclusivamente governados por leis imutáveis, superiores a quaisquer vontades.”
- Roquette-Pinto

FILMOGRAFIA DE E SOBRE ROQUETTE-PINTO
Título original: Os Nambiquaras; Rondônia (Expedição Roquette-Pinto)
Direção: Roquette-Pinto.
Curta-Metragem, Silencioso, Não Ficção, 35mm, BP, 16p.
São Paulo: Acervo da Cinemateca Brasileira, 1912.



Título original: Argila
Gênero: Aventura
Sinopse: Admiradora de obras de arte e, em especial, da cerâmica de Marajó, jovem viúva compra uma cerâmica de objetos utilizados e a entrega a um talentoso artesão, para que desenvolva suas habilidades artísticas. Apaixonado pela patroa, o jovem desfaz seu namoro com uma moça da região. Alertada pelo pai da moça sobre o acontecido, a viúva, apesar de amá-lo secretamente, recusa o amor do ceramista.
Duração: 90min.
Lançamento (Brasil): 1940
Distribuição: D.F.B. - Distribuidora de Filmes Brasileiros
Direção: Humberto Mauro
Roteiro: Humberto Mauro
Argumento: Humberto Mauro e Edgard Roquette-Pinto
Produção: Brasil Vita Filme S.A. e Humberto Mauro
Música: Villa Lobos e Heckel Tavares
Som: Iracy Chaves
Fotografia: Manoel Ribeiro e Humberto Mauro
Desenho de produção: Watson Macedo e Hipolito Collomb
Edição: Watson Macedo e Hipolito Collomb
Elenco: Carmen Santos (Luciana), Celso Guimarães (Gilberto), Lydia Mattos (Marina), Floriano Faissal (Barrocas), Saint-Clair Lopes (Cláudio), Bandeira Duarte, Mauro de Oliveira, Anita Otero, J. Silveira, Roberto Rocha, Pérola Negra, Chaby do Pinheiro, Jenny França, Bandeira de Mello, Eduardo Vianna, Humberto Mauro, Emilinha Borba, Oswaldo Teixeira, Edgard Roquette Pinto (voz).
Curiosidades
- Certificado de Censura Federal , entre 16 e 30 de Abril de 1942.
- Lançamento em 28 de maio de 1942, no Rio de Janeiro, na sala Capitólio.
- Locação em Itaipava e Correias, no Rio de Janeiro.


Documentários & programas
Título Original: FEITICEIRO DAS PALAVRAS _ Roquette-Pinto e o Rádio.
Direção: Julio de Paula
Produzido: 2003
Sinopse: o documentário traça um perfil de Roquette-Pinto, através da compilação de textos e documentos sonoros.
Participação especial de: Vera Roquette-Pinto.
Narração: Fernando Uzeda, Kika Leói, Hélio Vaccari e Alfredo Alves.
Documentos sonoros: Museu Nacional, Discoteca Oneyda Alvarenga, filmografia de Humberto Mauro, entre outros.
Trilha incidental: Villa-Lobos a partir de melodias recolhidas por Roquette-Pinto.
Citações: Artigos de Carlos Drummond de Andrade e Ruy Castro.


Título Original: Edgar Roquette-Pinto
Edgard Roquette Pinto é o personagem deste episódio da série do Globo Ciência dedicada a grandes cientistas do Brasil.
Séries: Cultural
Cor: Colorido
Produção: Globo Ciência
Classificação: Programa livre.


“Um civilizado a quem a civilização não faria falta, porque seria capaz de reconstituí-la dentro da mata, adaptando-se ao meio e extraindo dela valores culturais, sem perda do instinto nativo, ou por um refinamento prodigioso desse mesmo instinto.”
- Carlos Drummond de Andrade






FORTUNA CRÍTICA DE ROQUETTE-PINTO
ABDALLA JR., Humberto; RAMOS, Murilo César. Edgard Roquette-Pinto: O que ele tem a ver com o rádio digital. Disponível no link. (acessado em 17.11.2011).
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ACERVO DA RADIO SOCIEDADE. Fiocruz. Disponível no link. (acessado em 14.11.2011).
ALMEIDA FILHO, Augusto de. Rondônia ou homem dos sete instrumentos. Revista da Semana. Rio de Janeiro, 20 de nov., 1954.
ALMEIDA, Carlos Aguiar. O cinema como "agitador de almas': Argila, uma cena do Estado Novo.(Dissertação Mestrado) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP, São Paulo, 1993.
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EXPOSIÇÃO: Roquette-Pinto, um mestre brasiliano. Organizada pela Rádio MEC e Fiocruz em parceria com a Casa da Ciência da UFRJ. (Local: A Casa da Ciência da UFRJ - Rio de Janeiro, Nov.2004).
FARIA, Luiz de Castro. A contribuição de Edgar Roquette-Pinto para a antropologia brasileira. Rio de Janeiro: Of. Graf. da Universidade do Brasil, 1959. 14 p. il. (Museu Nacional. Publicações avulsas, 25).
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SOUZA, A. P. Notas sobre os costumes dos Indios Nhambiquaras. Revista do Museu Paulista, tomo 12, p. 390-405, 1920.
TAUNAY, Afonso de E. Edgard Roquette-Pinto. In: Revista da Academia Brasileira de Letras. Ano 53. Vol. 88. Anais de 1954. jul./dez.
VARGAS, Getúlio. O cinema nacional como elemento de aproximação dos habitantes do país. In. A Nova Política do Brasil, vol. III – A Realidade Nacional em 1933, Rio de Janeiro: José Olympio, 1938.
VENÂNCIO FILHO, Alberto. Edgar Roquette-Pinto. In: FÁVERO, Maria de Lourdes de Albuquerque; BRITO, Jader de Medeiros (Org.) Dicionário de Educadores no Brasil: da colônia aos dias atuais. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2002. 2ª Edição Revista e Corrigida.
VENÂNCIO FILHO, Francisco. Roquette-Pinto. In: Rio de Notícias. Rio de Janeiro, 08 de Dezembro de 1935.
VIDEIRA, Antonio Augusto Passos; MOREIRA, Ildeu de Castro; MASSARANI, Luisa. Einstein no Brasil: O relato da visita pela imprensa da época. Rio de Janeiro: Observatório Nacional, 1995. 31 p.


"Na sua perspectiva, já existia uma identidade nacional latente, confirmada pelas maneiras de ser, pelas solidariedades profundas e pelo folclore. Isto não bastava, porém, para que se pudesse considerar o povo brasileiro politicamente constituído. Apenas instituições adaptadas à "realidade" permitiriam que se alcançasse esse nível. Convinha, portanto, eliminar as instituições da República que, embora professando um liberalismo inspirado na ilusão de atingir a modernidade por imitações de modelos estrangeiros, opunham obstáculos à afirmação nacional. "Organizar" a nação, esta é a tarefa urgente, uma tarefa que cabe às elites. Dela os intelectuais têm ainda mais motivos para participar, na medida em que constitui um fato indissoluvelmente cultural e político: forjar um povo também é traçar uma cultura capaz de assegurar a sua unidade."
- PÉCAUT, Daniel. Os intelectuais e a política. Entre Povo e a Nação. São Paulo: Editora Ática, 1990.




"O nosso povo tem que ser educado é pelo futebol, é pela música, é pelo orfeão, é a disciplina.”
- Roquette-Pinto



ACERVO & ARQUIVOS DE ROQUETTE-PINTO (*)
Compõem o arquivo 32 caixas, contendo 2.028 itens, sendo que, em alguns casos, um item corresponde a uma pasta com vários documentos.
Dezenas de correspondências de Roquette – cartas, telegramas, cartões postais; muitos recortes de jornais e revistas sobre os temas mais variados; publicações diversas, como livros, revistas, folhetins, catálogos, artigos. Existem também maços e maços de textos manuscritos e
datilografados, entre eles: poemas, discursos e trechos de livros de Roquette; transcrições
de textos de outros autores, inclusive de obras clássicas da literatura e da música como: Werther, Madame Bovary, Madame Butterfly, Barbeiro de Servilha , entre outros.
Faz parte do acervo os Cadernos de notas de Roquette que dão conta de várias das fases de sua vida, desde suas pesquisas no Laboratório Raul Leite S.A., seus estudos de fisiologia plantas, antropologia até o caderno no qual descreve sua viagem com a comissão Rondon e os encontros com os índios, em outubro e novembro de 1912.
E o material iconográfico também é rico; há séries de estampas com motivos indígenas, desenhos de instrumentos que os índios utilizavam e 51 fotografias pessoais, na pasta de fotos.
(*) Acesso: Os documentos do acervo ainda encontram-se em fase de tratamento, por este motivo ele não está ainda acessível para o público. A ABL abre exceções apenas para pesquisadores.



“Eu sou, talvez, mais vaidoso do que você supõe. Eu não me desinteressei da minha ciência predileta, a antropologia, porque estou inteiramente tranqüilo em relação à conservação do meu nome, nos seus anais. Dentro de um século, não se escreverá sobre raças, especialmente sobre índios, assim como educação e sobre rádios no Brasil, sem subir as escadas do Museu Nacional ou das Bibliotecas para consultar o que eu deixei... Tudo que um homem de pensamento aspira, e que é a sobrevivência na memória dos homens de amanhã, eu tenho como certo.”
- Roquette-Pinto


ARQUIVOS E OUTRAS FONTES DE PESQUISA


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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Roquette-Pinto - idealista e realizador. Templo Cultural Delfos, novembro/2011. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada em 18.11.2013.



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