Charles Baudelaire - o poeta modernista

Charles Beaudelaire, French writer, 1865,
Photo: Charles Neyt, Brussels
Charles-Pierre Baudelaire foi um dos maiores poetas do século XIX, tendo influenciado decisivamente toda a poesia moderna. Rebelde, combateu a censura e a intolerância, sendo ao mesmo tempo controvertido e célebre no seu tempo. Nasceu em Paris em 1821. Aos seis anos perdeu o pai, e logo depois a mãe casou-se novamente. Em 1833 mudou-se com a nova família para Lyon, onde freqüentou uma escola militar – mas acabou expulso. Após o episódio voltou a Paris e passou a viver no Quartier Latin, onde começou a escrever. Em 1838 escreveu o poema Incompatibilité. Nessa mesma época teria contraído sífilis. Na tentativa de separá-lo do mundo boêmio, em 1841 seus pais o colocaram em um navio rumo à Índia. A viagem de nada adiantou, já que Baudelaire abandonou o navio e retornou a Paris.
Atingindo a maioridade, pôde estar de posse da herança do pai. Passou a viver entre drogas e álcool na companhia de Jeanne Duval, uma jovem mulata que ele conhecera no teatro ­Porte Saint-Antoine. Em 1843 Baudelaire estreou numa coletânea literária chamada Vers. Nessa época mudou-se para o Hotel Pimodan e conheceu muitas pessoas ligadas às artes, como poetas, pinto­res e marchands. É neste hotel que Baudelaire reen­controu o poeta Theóphile Gautier, Apolonie Sabatier – sua futura ­grande ­paixão – e Fernand Boissard, pintor morto prematuramente. É aí que instalou o famo­so Club des Haschischins, que o inspiraria para escrever a primeira parte dos Paraísos Artificiais. Em 1844 sua mãe entrou na justiça acusando-o de pródigo, ficando então sua fortuna nas mãos de um notário. E, nesse mesmo ano, passou a colaborar anonimamente ou sob pseudônimo para várias publicações parisienses.
Em 1846, ainda sob o pseudônimo de Baudelaire-Dufaÿs, publicou ensaios sobre acontecimentos artís­ticos, além de poemas em várias publicações pa­ri­sien­ses. Nessa época conheceu Marie Daubrun. Em 1852 publicou Edgar Allan Poe: sua vida e sua obra e, um ano depois, traduziu O Corvo, de Poe. Dois anos depois enviou vários poemas para Mme. Sabatier, que passou a ser uma figura da maior impor­tância na sua vida. Baudelaire, no entanto, pas­sou a viver o drama de dois amores: Mme. Sa­ba­tier e Jea­nne Duval, situação que será o tema bau­de­lairiano da double postulation.
No ano de 1855, entre outras publicações, destacou-se o apareci­mento na Revue des Deux Mondes de dezoito poe­mas que apareceram pela primeira vez sob o títu­lo geral de As Flores do Mal. Note-se que este nome não foi dado pelo poeta e sim pelo amigo Hyppolyte Babou. A 25 de junho de 1857 foi lançado o livro As Flores do Mal. No dia 5 de julho, saiu a crítica do jornalista e crítico literário Gustave Bourdin, denunciando a publicação de As flores do mal; é possível que este artigo tenha motivado as medidas judiciais que foram tomadas contra o poeta e seu poema. Em 11 de julho Bau­de­laire envia uma carta a Poulet-Malassis, comunicando a apre­ensão dos livros à venda em Paris e pedindo ao ­editor que esconda os livros ainda não distribuídos. Escreve para Mme. Sabatier, perguntando se ela poderá interceder a seu favor junto aos juízes.
Em agosto começou o processo de As flores do mal. O promotor é Ernest Pinard, que já havia acusa­do no processo contra Madame Bovary, de Flaubert, em janeiro desse mesmo ano. O resulta­do do julga­mento foi desastroso para o poeta, sendo condenado jun­tamente com seu editor sob a acusa­ção de ter i­do contra “a moral e os bons ­costumes”. O texto foi cortado em vários versos e seis poemas foram suprimi­dos integralmente em sentença que ­seria ­reformada judicialmente somente em 1949. Bau­delaire recebeu carta de Victor Hugo, na qual o gran­de escritor da literatura francesa na ­época diz: “Suas flores do mal resplandecem e deslumbram co­mo estrelas”.
Um ano depois publicou a primeira parte dos Paraísos Artificiais, le Haschisch, na Revue Contem-poraine. A segunda parte foi publicada em forma de artigo na Revue Contemporaine, com o nome de Un mangeur d’opium.
Charles Baudelaire, Nadar Gaspard Felix (1862)
Em 1861 escreveu uma admirável carta a sua mãe, que marcou o início de um novo relacionamento entre mãe e filho, até então deteriorado, e também marcou uma transformação na vida interior do poeta. Nessa época um grupo de poetas de vanguarda lançou a candidatura de Baudelaire para a ca­deira de Lacordaire na Academia Francesa de Le­tras. Tentando evitar um confronto e revés do poe­ta diante da conservadora maioria da ­Academia de Letras, Sainte-Beuve convenceu Baudelaire a re­­nunciar à candidatura, o que ele faz a 10 de ­feve­reiro. Um ano depois o The Spectator de Londres pu­blicou um artigo sobre Baudelaire, escrito por Swim­burne, um marco da considerável ­in­fluência que o poeta exerceu sobre os poetas ingleses.
Em 1864 agastado com os intelectuais franceses, incomodado pelos conservadores órgãos da censura ­oficial, Baude­laire emigrou para a Bélgica espe­ra­­n­do ser melhor compreendido que em Paris. De­cep­cionou-se rapidamente, o que explica a ­violência dos seus escritos sobre a Bélgica. Em fevereiro de 1865 Baudelaire ficou gravemente ­doente e em março teve um mal súbito numa igreja em Namur. Teve que ser internado. Começaram a surgir os primeiros sintomas de afasia e hemiplegia. Em julho, já privado da voz, mas perfeitamente lúcido, Baudelaire retornou a Paris trazido pela mãe. Foi internado na Casa de Saúde do Doutor Duval, onde passou a receber grandes figuras da poesia francesa, como Sainte-Beuve, Banville, Leconte de Lisle e outros. Em 31 de outubro de 1867, morreu, aos 46 anos, nos braços de sua mãe. ­Imediatamente a Revue nationale publicou seus últimos poemas em prosa. Foi enterrado a 2 de setembro no cemitério de Montpar­nasse ao lado do padrasto, General Aupick. Junto ao túmulo do poeta, discursaram seus amigos poetas Banville e Asselineau.
:: Fonte: L&PM editora (acessado 19.4.2016).



Baudelaire, par Gustave Courbet 
OBRAS DE CHARLES BAUDELAIRE PUBLICADA NO BRASIL
Edições em ordem cronológica
:: Baudelaire - pequenos poemas em prosa. [tradução Paulo M. Oliveira pseudônimo de Aristides Lobo]. São Paulo: Athena Editora, 1937.
:: Arabescos filosóficos - Charles Baudelaire[tradução Dyrio Gorgot]. Coleção Grandes Pensadores. São Paulo: Vecchi, c. 1943. 
:: Flores das "Flores do mal". Charles Baudelaire. [seleção e tradução Guilherme de Almeida]. Coleção Rubáiyát. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944
:: Cores, perfumes e sons: poemas de Baudelaire. [editor e impressor João Cabral de Melo Neto; tradução Osório Dutra]. Barcelona ES: Selo 'O livro inconsútil', 1948.
:: Charles Baudelaire - pequenos poemas em prosa. [tradução Aurélio Buarque de Hollanda]. Coleção Rubáiyát. Rio de Janeiro: José Olympio, 1950. 
Baudelaire - by Katharine Hefner
:: As flores do mal. Charles Baudelaire. [tradução, introdução e notas Jamil Almansour Haddad]. São Paulo: Difel, 1958. 
:: Algumas "flores do mal". Charles Baudelaire. [tradução Mauro Mendes Villela]. Belo Horizonte: Bernardo Álvares, 1964.
:: As flores do mal. Charles Baudelaire. [tradução Ignácio de Souza Moitta]. Coleção Cultural Paraense. Belém PA: Conselho Estadual de Cultura, 1971. 
:: Charles Baudelaire - pequenos poemas em prosa. [tradução Aurélio Buarque de Hollanda]. Coleção Rubáiyát. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976.
:: As flores do mal. Charles Baudelaire. [tradução Jamil Almansour Haddad]. São Paulo: Max Limonad, 1981.
:: Meu coração desnudado. Charles Baudelaire. [tradução Aurélio Buarque de Hollanda]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
:: Os paraísos artificiais - o ópio e poema do haxixe. Charles Baudelaire. [tradução Alexandre Ribondi, Vera Nóbrega e Lúcia Nagib]. Coleção Rebeldes Malditos 2. Porto Alegre: L&PM, 1982.
:: As flores do mal. Charles Baudelaire. [tradução Jamil Almansour Haddad]. São Paulo: Abril Cultural; Círculo do Livro, 1984; reedições até 1995.
:: As flores do mal. Charles Baudelaire. [introdução, notas e tradução Ivan Junqueira]. Coleção Poesia de todos os tempos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985; reedição. Saraiva de bolso, 2012. 
:: Baudelaire - pequenos poemas em prosa {O Spleen de Paris}.. [tradução Dorothée de Bruchard]. Florianópolis: Editora UFSC, 1988.
:: A modernidade de Baudelaire. [tradução Suely Cassal]. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
:: Richard Wagner e Tannhäuser em Paris - Charles Baudelaire. [tradução Plínio Augusto Coelho e Heitor Ferreira da Costa]. Edição bilíngue. São Paulo: Edusp; Imaginário Editora, 1990.
:: Baudelaire - escritos sobre arte. [tradução Plínio Augusto Coelho]. São Paulo: Edusp; Imaginário Editora, 1991.
:: Charles Baudelaire - reflexões sobre meus contemporâneos. [tradução Plínio Augusto Coelho]. São Paulo: Imaginário Editora; Educ, 1992.
:: Baudelaire - Um comedor de ópio. [tradução  Annie Marie Cambe]. Rio de Janeiro: Editora Newton Compton, 1992.
:: Obras estéticas: filosofia da imaginação criadora. Charles Baudelaire. [tradução Edison Darci Heldt]. Petrópolis RJ: Editora Vozes, 1993.
:: Baudelaire - O poema do haxixe. [tradução Annie Marie Cambe]. Rio de Janeiro: Editora Newton Compton, 1994.
:: Charles Baudelaire – poesia e prosa. [edição e organização Ivo Barroso; traduções Alexei Bueno, Aurélio Buarque de Hollanda, Ivan Junqueira, Suely Cassal e outros]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995.
:: Charles Baudelaire - O Spleen de Paris: pequenos poemas em prosa. [tradução Leda Tenório da Motta]. Rio de Janeiro: Editora Imago, 1995.
:: Os caprichos de Goya: Charles Baudelaire, Fayga Ostrower, Carlos R. F. Nogueira, Dorothea V. Passetti. (crítica e interpretação).. [tradução ?]. São Paulo: Imaginário, 1995.
:: Sobre a modernidade de Baudelaire. [tradução Suely Cassal]. Coleção leitura. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
:: A fanfarlo. Charles Baudelaire. [tradução Elisa Tamajusuku, Carmen Serralta e Rosa M. de Freitas]. Edição bilíngue. Florianópolis SC: Editora Paraula, 1996.
:: Charles Baudelaire - algumas Flores de Flores do Mal[seleção Maura Sardinha; tradução Guilherme de Almeida]. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.
:: Baudelaire - Richard Wagner e Tannhäuser em Paris. [tradução Plínio Augusto Coelho e Heitor Ferreira da Costa]. Edição bilíngue. São Paulo: Editora Scrinium, 1999.
:: As Flores do Mal – Charles Baudelaire (texto integral).. [tradução Pietro Nassetti ?]. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001. Sobre esta edição ver (*) e (**) . 
:: As flores do mal: o amor segundo Charles Baudelaire. [tradução Juremir Machado da Silva]. Porto Alegre: Editora Sulina, 2003.
:: O poema do haxixe - Charles Baudelaire. [tradução Eduardo Brandão]. Coleção B. São Paulo: Editora Aquariana, 2003.
:: Os paraísos artificiais. Charles Baudelaire. [tradução portuguesa de José Saramago]. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
:: O meu coração a nu. Charles Baudelaire. [tradução portuguesa de Maria Archer]. Coleção "Grandes Obras da Literatura Universal em Miniatura". Editorial Planeta DeAgostini, 2003.
:: Charles Baudelaire - ensaios sobre Edgar Allan Poe. [tradução Lúcia Santana Martins]. São Paulo: Editora Ícone, 2003.
:: Charles Baudelaire - pequenos poemas em prosa. [tradução Gilson Maurity dos Santos]. Coleção Grandes Traduções. Rio de Janeiro: Record, 2006.
:: Baudelaire - pequenos poemas em prosa {O Spleen de Paris}.. [tradução Dorothée de Bruchard]. São Paulo: Hedra Editora, 2007.
Charles Baudelaire - © Edouard Manet
:: Baudelaire - escritos sobre arte. [tradução Plínio Augusto Coelho]. São Paulo: Editora Hedra, 2008.
:: O desejo de pintar e outros poemas em prosa de Charles Baudelaire. [organização Denyse Cantuária; tradução e ilustrações Mario Vale]. São Paulo: Editora Noovha América, 2008.
:: Charles Baudelaire - Meu coração desnudado. [tradução Tomaz Tadeu]. Edição bilíngue. Belo Horizonte MG: Editora Autêntica, 2009.
:: Charles Baudelaire - o esplim de paris: pequenos poemas em prosa. [tradução Oleg de Almeida]. São Paulo: Martin Claret, 2009.
:: Flores das flores do mal de Baudelaire. Charles Baudelaire[tradução e notas de Guilherme de Almeida; ilustrações de Henri Matisse; apresentação de Manuel Bandeira; posfácio de Marcelo Tápia]. Edição bilíngue. São Paulo: Editora 34, 2010.
:: Charles Baudelaire - o pintor da vida moderna. [tradução Tomaz Tadeu]. Coleção Mimo. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2010.
:: Charles Baudelaire - pequenos poemas em prosa. [tradução Milton Lins (*)]. Rio de Janeiro: Editora Bagaço, 2010.
:: As flores do mal. Charles Baudelaire. [tradução Mário Laranjeira]. São Paulo: Editora Martin Claret, 2011.
:: As flores do mal. Charles Baudelaire. [tradução Helena Amaral].  Rio de Janeiro: Editora Multifoco, 2011.
:: Os paraísos artificiais (Les paradis artidicies). Charles Baudelaire. [tradução Alexandre Ribondi, Vera Nóbrega e Lúcia Nagib]. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2011.
:: Charles Baudelaire - Richard Wagner e Tannhäuser em Paris. [tradução Eliane Marta Teixeira Lopes]. Edição bilíngue. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2013. 
:: Charles Baudelaire - diários íntimos. [tradução Jonas Tenfen]. Florianópolis: Caminho de Dentro Edições, 2013.
:: O Spleen de Paris: pequenos poemas em prosa. Charles Baudelaire. [tradução Alessandro Zir]. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2016.


Antologias e coletâneas (participação)
Baudelaire - by Therockstar
:: Antologia de tradutores. [organização Olegário Mariano; vários tradutores]. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1932.
:: Poetas de França. [seleção e tradução Guilherme de Almeida]. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1936.
:: Antologia de Poetas Franceses. [organização Raymundo Magalhães Jr.; vários tradutores (*)]. 2 volumes. Rio de Janeiro: Editora Tupy, 1950.
:: Novelas francesas. [organização Alcântara Silveira; tradução Nelly Donato, Ruth Guimarães e Leyla Perrone-Moysés]. São Paulo: Cultrix, 1963.
:: Coração desnudado: 8 poetas franceses. [tradução Mariajosé de Carvalho]. São Paulo: Roswitha Kempf, 1984.
:: Inéditos e dispersos. Ana Cristina César. São Paulo: Brasiliense, 1985.
:: Poemas traduzidos. Décio Pignatari. Coletânea Folhetim. São Paulo: Editora Folha de S.Paulo, 1987.
:: Poemas traduzidos de Baudelaire e Mallarmé. [tradução Dante Milano]. Rio de Janeiro: Editora Boca da Noite, 1988.
:: Poesia erótica - em tradução. [seleção, tradução, introdução e notas José Paulo Paes]. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
:: O torso e o gato - o melhor da poesia universal. [seleção, organização e tradução Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Record, 1991.
:: Antologia da poesia francesa: do século IX ao século XX. [organização e tradução Cláudio Veiga]. Edição Bilíngue. Rio de Janeiro: Record, 1991; 2ª ed., 1999. 
:: Poetas franceses do século XIX. [seleção, organização e tradução José Lino Grünewald]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.
:: O Cristo e a adúltera (poesia traduzida)| em "Poesia completa", de Luiz Delfino dos Santos. [organização de Lauro Junkes]. Florianópolis: ACL, 2001, 2 v. Disponível no link. (acessado em 6.5.2016).
:: Prazeres e riscos. (coletânea vários autores).. [tradução Alexandre Ribondi]. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2001.
:: Poesia pois é poesia 1950-2000. Décio Pignatari. Cotia SP: Ateliê Editorial | Campinas SP: Editora da UNICAMP, 2004.
:: Os melhores contos fantásticos. [organização Flávio Moreira da Costa; tradução Celina Portocarrero]. Coleção escolha de mestre. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. 
:: Balzac, Baudelaire, e d'Aurevilly - manual do dândi: a vida com estilo. [organização e tradução Tomaz Tadeu]. Coleção Mimo. Belo Horizonte MG: Editora Autêntica, 2009.
:: Paisagem moderna - Charles Baudelaire - John Ruskin. [introdução, tradução e notas Daniela Kern]. Porto Alegre: Editora Sulina, 2010.
:: Caninos: antologia do vampiro literário. [tradução Ferreira Gullar]. Rio de Janeiro: Berlendis; e Vertecchia, 2010.
:: Poetas de França. [seleção e tradução Guilherme de Almeida]. c/apoio Casa das Rosas. São Paulo: Editora Babel, 2011.
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BOTTMANN, Denise. não gosto de plágio: traduções de Baudelaire no Brasil (*). Acesse AQUI. (acessado em 5.5.2016).
BARROSO, Ivo. Flores roubadas do jardim alheio (**. in: Jornal de Poesia. Disponível no link. (acessado em 6.5.2016).


Baudelaire, por Carjat
POEMAS SELECIONADOS CHARLES BAUDELAIRE


FLORES DO MAL (1861)
FLEURS DU MAL (1861)


Spleen e ideal
Spleen et idéal

Correspondências
A Natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam sair às vezes palavras confusas:
Por florestas de símbolos, lá o homem cruza
Observado por olhos ali familiares.
Tal longos ecos longe lá se confundem
Dentro de tenebrosa e profunda unidade
Imensa como a noite e como a claridade,
Os perfumes, as cores e os sons se transfundem.
Perfumes de frescor tal a carne de infantes,
Doces como o oboé, verdes igual ao prado,
– Mais outros, corrompidos, ricos, triunfantes,
Possuindo a expansão de algo inacabado,
Tal como o âmbar, almíscar, benjoim e incenso,
Que cantam o enlevar dos sentidos e o senso.



IV
Correspondances
La Nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L'homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l'observent avec des regards familiers.
Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une ténébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent.
II est des parfums frais comme des chairs d'enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies,
— Et d'autres, corrompus, riches et triomphants,
Ayant l'expansion des choses infinies,
Comme l'ambre, le musc, le benjoin et l'encens,
Qui chantent les transports de l'esprit et des sens.
- Charles Baudelaire, em "Poetas franceses do século XIX". [organização e tradução José Lino Grünewald]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

§

A giganta
Pois quando a Natureza, em seu capricho exato,
Gerava estranhos seres raros, dia a dia,
Uma giganta moça – eis do eu gostaria,
Para viver-lhe aos pés com a volúpia de um gato.
Ver seu corpo florir com a flor de sua alma
E crescer livremente em seus terríveis jogos;
Ver se não teria no peito alguma oculta chama,
Com as chispas molhadas que mostra nos olhos.
Percorrer à vontade a realeza das formas,
Escalar a vertente dos joelhos enormes
E, quando os sóis do estio, à complacência alheios,
Estendem-na, cansada, ao longo da campina,
Dormir descontraído à sombra dos seus seios,
Como abrigo tranqüilo ao pé de uma colina.


XIX
La géante
Du temps que la Nature en sa verve puissante
Concevait chaque jour des enfants monstrueux,
J'eusse aimé vivre auprès d'une jeune géante,
Comme aux pieds d'une reine un chat voluptueux.
J'eusse aimé voir son corps fleurir avec son âme
Et grandir librement dans ses terribles jeux;
Deviner si son coeur couve une sombre flamme
Aux humides brouillards qui nagent dans ses yeux;
Parcourir à loisir ses magnifiques formes;
Ramper sur le versant de ses genoux énormes,
Et parfois en été, quand les soleils malsains,
Lasse, la font s'étendre à travers la campagne,
Dormir nonchalamment à l'ombre de ses seins,
Comme un hameau paisible au pied d'une montagne.
- Charles Baudelaire [tradução Décio Pignatari] em "Poesia pois é poesia 1950-2000". Décio Pignatari. Cotia SP: Ateliê Editorial | Campinas SP: Editora da UNICAMP, 2004, p. 273.

§

Sed non satiata
Bizarra divindade, escura como as noites,
Em mesclado perfume de almíscar e havana,
Obra de algum obi, o Fausto da savana,
Ventre de ébano, bruxa em negras meias-noites,
Eu prefiro ao constance, ao ópio ou ao nuits,
O elixir dessa boca onde o amor se engalana;
Quando a ti meus desejos vão em caravana,
Teus olhos, a cisterna onde eu bebo aos açoites.
Por estes grandes olhos negros em fervor
Por ti, demo sem pena! A mim, menos calor;
Não sou o Estige a nove vezes te abraçar,
E aí! eu sem poder, Megera libertina,
Para quebrar teu brio e então te encurralar,
No inferno de teu leito a virar Proserpina!


XXVI
Sed non satiata

Bizarre déité, brune comme les nuits,
Au parfum mélangé de musc et de havane,
Oeuvre de quelque obi, le Faust de la savane,
Sorcière au flanc d'ébène, enfant des noirs minuits,
Je préfère au constance, à l'opium, au nuits,
L'élixir de ta bouche où l'amour se pavane;
Quand vers toi mes désirs partent en caravane,
Tes yeux sont la citerne où boivent mes ennuis.
Par ces deux grands yeux noirs, soupiraux de ton âme,
Ô démon sans pitié! verse-moi moins de flamme;
Je ne suis pas le Styx pour t'embrasser neuf fois,
Hélas! et je ne puis, Mégère libertine,
Pour briser ton courage et te mettre aux abois,
Dans l'enfer de ton lit devenir Proserpine!
- Charles Baudelaire, em "Poetas franceses do século XIX". [organização e tradução José Lino Grünewald]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

§

Remorso póstumo
Quando fores dormir, ó bela tenebrosa
Num negro mausoléu de mármores, e não
Tiveres por alcova e morada senão
Uma fossa profunda e uma tumba chuvosa;
Quando a pedra, oprimindo essa carne medrosa
E esses flancos sensuais de morna lassidão,
Impedir de querer e arfar seu coração
E teus pés de seguir a trilha aventurosa,
O túmulo que tem seu confidente em mim
– Porque o túmulo sempre há de entender o poeta –,
Na insônia sepulcral destas noites sem fim,
Dir-te á: "De que te serviu cortesã incompleta,
Não ter tido o que em vão choram os mortos sós?"
– E o verme te roerá como um remorso atroz. 


XXXIII
Remords posthume
Lorsque tu dormiras, ma belle ténébreuse,
Au fond d'un monument construit en marbre noir,
Et lorsque tu n'auras pour alcôve et manoir
Qu'un caveau pluvieux et qu'une fosse creuse;
Quand la pierre, opprimant ta poitrine peureuse
Et tes flancs qu'assouplit un charmant nonchaloir,
Empêchera ton coeur de battre et de vouloir,
Et tes pieds de courir leur course aventureuse,
Le tombeau, confident de mon rêve infini
(Car le tombeau toujours comprendra le poète),
Durant ces grandes nuits d'où le somme est banni,
Te dira: «Que vous sert, courtisane imparfaite,
De n'avoir pas connu ce que pleurent les morts?»
— Et le ver rongera ta peau comme un remords
- Charles Baudelaire, em "Flores das flores do mal de Baudelaire". [tradução e notas de Guilherme de Almeida; ilustrações de Henri Matisse; apresentação de Manuel Bandeira; posfácio de Marcelo Tápia]. Edição bilíngue. São Paulo: Editora 34, 2010. 

§

Spleen
Quando, pesado e baixo, o céu como tampa
Sobre a alma soluçante, assolada aos açoites,
E que deste horizonte, a cercar toda a campa
Despeja-nos um dia mais triste que as noites;
Quando se transformou a Terra em masmorra úmida,
Por onde essa esperança, assim como um morcego,
Vai tangendo paredes ante uma asa túmida
Batendo a testa em tetos podres, sem apego;
Quando a chuva estirou os seus longos filames
Como as grades de ferro em uma ampla cadeia,
E um povoado mudo de aranhas infames
Até os nossos cérebros estende as teias,
Súbito, os sinos saltam com ferocidade
E atiram para o céu um gemido fremente,
Tal aquelas errantes almas sem cidade
Que ficam lamentando-se obstinadamente.
– E féretros sem fim, sem tambor ou pavana,
Lentos desfilam dentro mim; e a Esperança,
Vencida, chora, a Angústia, feroz e tirana,
A negra flâmula em meu curvo crânio lança.


LXXVIII
Spleen
Quand le ciel bas et lourd pèse comme un couvercle
Sur l'esprit gémissant en proie aux longs ennuis,
Et que de l'horizon embrassant tout le cercle
II nous verse un jour noir plus triste que les nuits;
Quand la terre est changée en un cachot humide,
Où l'Espérance, comme une chauve-souris,
S'en va battant les murs de son aile timide
Et se cognant la tête à des plafonds pourris;
Quand la pluie étalant ses immenses traînées
D'une vaste prison imite les barreaux,
Et qu'un peuple muet d'infâmes araignées
Vient tendre ses filets au fond de nos cerveaux,
Des cloches tout à coup sautent avec furie
Et lancent vers le ciel un affreux hurlement,
Ainsi que des esprits errants et sans patrie
Qui se mettent à geindre opiniâtrement.
— Et de longs corbillards, sans tambours ni musique,
Défilent lentement dans mon âme; l'Espoir,
Vaincu, pleure, et l'Angoisse atroce, despotique,
Sur mon crâne incliné plante son drapeau noir.
- Charles Baudelaire, em "Poetas franceses do século XIX". [organização e tradução José Lino Grünewald]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

§


Quadros Parisienses
Tableaux Parisiens


A uma passante
A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;
Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.
Brilho... e a noite depois! – Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!


XCIII
À une passante
La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... puis la nuit! — Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité?
Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!
- Charles Baudelaire, em "Flores das flores do mal de Baudelaire". [tradução e notas de Guilherme de Almeida; ilustrações de Henri Matisse; apresentação de Manuel Bandeira; posfácio de Marcelo Tápia]. Edição bilíngue. São Paulo: Editora 34, 2010. 

§


O Vinho
Le Vin

A alma do vinho
A alma do vinho assim cantava nas garrafas:
"Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que me abafas,
Um cântico em que há só fraternidade e luz!
Bem sei quanto custou, na colina incendida,
De causticante sol, de suor e de labor,
Para fazer minha alma e engendrar minha vida;
Mas eu não hei de ser ingrato e corruptor,
Porque eu sinto um prazer imenso quando baixo
À goela do homem que já trabalhou demais,
E seu peito abrasante é doce tumba que acho
Mais propícia ao prazer que as adegas glaciais.
Não ouves retirar a domingueira toada
E esperanças chalrar em meu seio, febris?
Cotovelos na mesa a manga arregaçada;
Tu me hás de bendizer e tu serás feliz:
Hei de acender-te o olhar da esposa embevecida;
A teu filho farei voltar a força e a cor
E serei para tão tenro atleta da vida
Como o óleo e os tendões enrija ao lutador.
Sobre ti tombarei, vegetal ambrosia,
Grão precioso que lança o eterno Semeador,
Para que enfim do nosso amor nasça a poesia
Que até Deus subirá como uma rara flor!"


CIV

L'Ame du Vin
Un soir, l'âme du vin chantait dans les bouteilles:
«Homme, vers toi je pousse, ô cher déshérité,
Sous ma prison de verre et mes cires vermeilles,
Un chant plein de lumière et de fraternité!
Je sais combien il faut, sur la colline en flamme,
De peine, de sueur et de soleil cuisant
Pour engendrer ma vie et pour me donner l'âme;
Mais je ne serai point ingrat ni malfaisant,
Car j'éprouve une joie immense quand je tombe
Dans le gosier d'un homme usé par ses travaux,
Et sa chaude poitrine est une douce tombe
Où je me plais bien mieux que dans mes froids caveaux.
Entends-tu retentir les refrains des dimanches
Et l'espoir qui gazouille en mon sein palpitant?
Les coudes sur la table et retroussant tes manches,
Tu me glorifieras et tu seras content;
J'allumerai les yeux de ta femme ravie;
À ton fils je rendrai sa force et ses couleurs
Et serai pour ce frêle athlète de la vie
L'huile qui raffermit les muscles des lutteurs.
En toi je tomberai, végétale ambroisie,
Grain précieux jeté par l'éternel Semeur,
Pour que de notre amour naisse la poésie
Qui jaillira vers Dieu comme une rare fleur!»
- Charles Baudelaire, em "Flores das flores do mal de Baudelaire". [tradução e notas de Guilherme de Almeida; ilustrações de Henri Matisse; apresentação de Manuel Bandeira; posfácio de Marcelo Tápia]. Edição bilíngue. São Paulo: Editora 34, 2010. 

§


Flores do Mal
Fleurs du mal


A Beatriz
Num solo hostil, crestado e cheio de aspereza,
Enquanto eu me queixava um dia à natureza,
E de meu pensamento ao acaso vagando
Fosse o punhal no coração sem pressa afiando,
Em pleno dia eu vi, sobre a minha cabeça,
Prenúncio de borrasca, uma nuvem espessa,
Trazendo um bando de demônios maliciosos,
Semelhantes a anões perversos e curiosos.
Entreolham-se a mirar-me, aguda e friamente,
E, como o povo que na rua olha um demente,
Eu ps via rir, entre si cochichando,
Piscando os olhos e também sinais trocando:
“Contemplemos em paz essa caricatura
Que do fantasma de Hamlet imita a postura,
Os cabelos ao vento e o ar sempre hesitante.
Não causa pena ver agora esse farsante,
Esse idiota, esse histrião ocioso, esse indigente,
Que seu papel de artista ensaia à nossa frente,
Querer interessar, cantando as suas dores,
Os grilos, os falcões, os córregos e as flores,
E mesmo a nós, que concebemos esses prólogos,
Aos berros recitar na praça os seus monólogos?”
Com meu orgulho sem limite, eu poderia
Domar a nuvem dos anões em gritaria,
Deles desviando a fronte esplêndida e serena,
Caso não visse erguer-se, em meio à corja obscura
- Crime que até a própria luz do sol abala! -
A deusa a cujo olhar outro nenhum se iguala,
Que com eles de minha angústia escarnecia,
E às vezes um afago imundo lhes fazia.


CXV
La Béatrice
Dans des terrains cendreux, calcinés, sans verdure,
Comme je me plaignais un jour à la nature,
Et que de ma pensée, en vaguant au hasard,
J'aiguisais lentement sur mon coeur le poignard,
Je vis en plein midi descendre sur ma tête
Un nuage funèbre et gros d'une tempête,
Qui portait un troupeau de démons vicieux,
Semblables à des nains cruels et curieux.
À me considérer froidement ils se mirent,
Et, comme des passants sur un fou qu'ils admirent,
Je les entendis rire et chuchoter entre eux,
En échangeant maint signe et maint clignement d'yeux:
— «Contemplons à loisir cette caricature
Et cette ombre d'Hamlet imitant sa posture,
Le regard indécis et les cheveux au vent.
N'est-ce pas grand'pitié de voir ce bon vivant,
Ce gueux, cet histrion en vacances, ce drôle,
Parce qu'il sait jouer artistement son rôle,
Vouloir intéresser au chant de ses douleurs
Les aigles, les grillons, les ruisseaux et les fleurs,
Et même à nous, auteurs de ces vieilles rubriques,
Réciter en hurlant ses tirades publiques?»
J'aurais pu (mon orgueil aussi haut que les monts
Domine la nuée et le cri des démons)
Détourner simplement ma tête souveraine,
Si je n'eusse pas vu parmi leur troupe obscène,
Crime qui n'a pas fait chanceler le soleil!
La reine de mon coeur au regard nonpareil
Qui riait avec eux de ma sombre détresse
Et leur versait parfois quelque sale caresse.
- Charles Baudelaire [tradução Ivan Junqueira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

§

Revolta
Révolte 

As Litânias de Satã
Ó tu, o Anjo mais belo e também o mais culto,
Deus que a sorte traiu e privou do seu culto,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Ó Príncipe do exílio a quem alguém fez mal,
E que, vencido, sempre te ergues mais brutal,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu que vês tudo, ó rei das coisas subterrâneas,
Charlatão familiar das humanas insânias,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu que, mesmo ao leproso, ao pária infame, ao réu
Ensinas pelo amor as delícias do Céu,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu que da morte, tua velha e forte amante,
Engendraste a Esperança – a louca fascinante!

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu que dás ao proscrito esse alto e calmo olhar
Que faz ao pé da forca o povo desvairar,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu que sabes onde é que em terras invejosas
O Deus ciumento esconde as pedras preciosas,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu cujo claro olhar conhece os arsenais
Onde dorme sepulto o povo dos metais,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu cuja larga mão oculta os precipícios
Ao sonâmbulo a errar na orla dos edifícios,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu que, magicamente, abrandas como mel
Os velhos ossos do ébrio moído num tropel,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu que ao homem que é fraco e sofre deste o alvitre
De poder misturar ao enxofre o salitre,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu que pões tua marca, ó cúmplice sutil,
Sobre a fronte do Creso implacável e vil,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Tu que, abrindo a alma e o olhar das raparigas, a ambos
Dás o culto da chaga e o amor pelos molambos,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Do exilado bordão, lanterna do inventor,
Confessor do enforcado e do conspirador,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

Pai adotivo que és dos que, furioso, o Mestre,
O Deus Padre, expulsou do paraíso terrestre,

Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria!

ORAÇÃO
Glória e louvor a ti, Satã, nas amplidões
Do Céu, em que reinaste, e nas escuridões
Do Inferno, em que, vencido, sonhas com prudência!
Deixa que eu, junto a ti, sob a Árvore da Ciência,
Repouse, na hora em que, sobre a fronte, hás de ver
Seus ramos como um Templo novo a se estender!


CXX
Les Litanies de Satan

Ô toi, le plus savant et le plus beau des Anges,
Dieu trahi par le sort et privé de louanges,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Ô Prince de l'exil, à qui l'on a fait tort
Et qui, vaincu, toujours te redresses plus fort,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi qui sais tout, grand roi des choses souterraines,
Guérisseur familier des angoisses humaines,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi qui, même aux lépreux, aux parias maudits,
Enseignes par l'amour le goût du Paradis,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Ô toi qui de la Mort, ta vieille et forte amante,
Engendras l'Espérance, — une folle charmante!

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi qui fais au proscrit ce regard calme et haut
Qui damne tout un peuple autour d'un échafaud.

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi qui sais en quels coins des terres envieuses
Le Dieu jaloux cacha les pierres précieuses,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi dont l'oeil clair connaît les profonds arsenaux
Où dort enseveli le peuple des métaux,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi dont la large main cache les précipices
Au somnambule errant au bord des édifices,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi qui, magiquement, assouplis les vieux os
De l'ivrogne attardé foulé par les chevaux,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi qui, pour consoler l'homme frêle qui souffre,
Nous appris à mêler le salpêtre et le soufre,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi qui poses ta marque, ô complice subtil,
Sur le front du Crésus impitoyable et vil,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Toi qui mets dans les yeux et dans le coeur des filles
Le culte de la plaie et l'amour des guenilles,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Bâton des exilés, lampe des inventeurs,
Confesseur des pendus et des conspirateurs,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

Père adoptif de ceux qu'en sa noire colère
Du paradis terrestre a chassés Dieu le Père,

Ô Satan, prends pitié de ma longue misère!

PRIÈRE
Gloire et louange à toi, Satan, dans les hauteurs
Du Ciel, où tu régnas, et dans les profondeurs
De l'Enfer, où, vaincu, tu rêves en silence!
Fais que mon âme un jour, sous l'Arbre de Science,
Près de toi se repose, à l'heure où sur ton front
Comme un Temple nouveau ses rameaux s'épandront!
- Charles Baudelaire, em "Flores das flores do mal de Baudelaire". [tradução e notas de Guilherme de Almeida; ilustrações de Henri Matisse; apresentação de Manuel Bandeira; posfácio de Marcelo Tápia]. Edição bilíngue. São Paulo: Editora 34, 2010. 

§


A morte
La mort

A morte dos amantes
Teremos leitos só rosas ligeiras
Divãs de profundeza tumular,
E estranhas flores sobre prateleiras,
Sob os céus belos a desabrochar.

A arder de suas luzes derradeiras,
Nossos dois corações vão fulgurar,
Tochas a refletir duas fogueiras
Em nossas duas almas, este par

Gêmeos espelhos. Por tarde mediúnica,
Nós trocaremos uma flama única
Um adeus que é um soluço tão cruel;

Pouco depois, um anjo abrindo as portas,
Virá vivificar, o mais fiel,
Os espelhos sem luz e as chamas mortas.


CXXI
La Mort des Amants

Nous aurons des lits pleins d'odeurs légères,
Des divans profonds comme des tombeaux,
Et d'étranges fleurs sur des étagères,
Ecloses pour nous sous des cieux plus beaux.

Usant à l'envi leurs chaleurs dernières,
Nos deux coeurs seront deux vastes flambeaux,
Qui réfléchiront leurs doubles lumières
Dans nos deux esprits, ces miroirs jumeaux.

Un soir fait de rose et de bleu mystique,
Nous échangerons un éclair unique,
Comme un long sanglot, tout chargé d'adieux;

Et plus tard un Ange, entr'ouvrant les portes,
Viendra ranimer, fidèle et joyeux,
Les miroirs ternis et les flammes mortes.
- Charles Baudelaire, em "As flores do mal". [tradução Jamil Almansour Haddad]. São Paulo: Max Limonad, 1981.

§


FLORES DO MAL (3ª edição 1868)
FLEURS DU MAL (Troisieme edition 1868)



Spleen e ideal
Spleen et idéal

O rebelde
Um anjo em fúria qual uma águia cai do céu;
Segura, a garra adunca, os cabelos do ateu
E, sacudindo-os, diz: “À regra serás fiel!”
(Sou teu Anjo guardião, não sabias?) És meu!

Pois é preciso amar, sorrindo à pior desgraça,
O perverso, o aleijado, o mendigo, o boçal,
Para que estendas a Jesus, quando ele passa,
Com tua caridade um tapete triunfal.

Eis o amor! Antes que a alma tenhas em ruínas,
Teu êxtase reaviva à glória e à luz divinas;
Esta é a Volúpia dos encantos Celestiais!

E o Anjo, que a um tempo nos exalta e nos lamenta,
Com punhos de gigante e anátema atormenta;
Mas o ímpio sempre diz: “Não serei teu jamais!”


Le rebelle
Un Ange furieux fond du ciel comme un aigle, 
Du mécréant saisit à plein poing les cheveux, 
Et dit, le secouant: «Tu connaîtras la règle! 
(Car je suis ton bon Ange, entends-tu?) Je le veux!

Sache qu'il faut aimer, sans faire la grimace, 
Le pauvre, le méchant, le tortu, l'hébété,
Pour que tu puisses faire à Jesus, quand il passe, 
Un tapis triomphal avec ta charité.

Tel est l'Amour! Avant que ton coeur ne se blase,
À la gloire de Dieu rallume ton extase; 
C'est la Volupté vraie aux durables appas!»

Et l'Ange, châtiant autant, ma foi! qu'il aime, 
De ses poings de géant torture 1'anathème;
Mais le damné répond toujours: «Je ne veux pas!»
- Charles Baudelaire [tradução Ivan Junqueira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

§


MARGINALIA (1866)
LES ÉPAVES (1866)


O crepúsculo romântico
Quão belo é o sol quando no céu se ergue risonho,
E qual uma explosão nos lança o seu bom-dia!
– Feliz quem pode com amor e ébria alegria
Saudar-lhe o ocaso mais glorioso do que um sonho!

Recordo-me! Eu vi tudo, a flor, o sulco, a fonte,
Murchar sob o esplendor dessa pupila que arde…
– Corramos todos sem demora ao poente, é tarde,
Para abraçar um raio oblíquo no horizonte!

Mas eu persigo em vão o Deus que ora se ausenta;
A irresistível Noite o seu império assenta,
Úmida, negra, erma de estrelas ou faróis;

Um odor de sepulcro em meio às trevas vaga,
E junto aos pantanais meu pé medroso esmaga
Inesperadas rãs e frios caracóis.


I
Le Coucher du Soleil Romantique

Que le soleil est beau quand tout frais il se lève,
Comme une explosion nous lançant son bonjour! 
— Bienheureux celui-là qui peut avec amour 
Saluer son coucher plus glorieux qu'un rêve!

Je me souviens!... J'ai vu tout, fleur, source, sillon, 
Se pâmer sous son oeil comme un coeur qui palpite... 
— Courons vers l'horizon, il est tard, courons vite, 
Pour attraper au moins un oblique rayon!

Mais je poursuis en vain le Dieu qui se retire; 
L'irrésistible Nuit établit son empire, 
Noire, humide, funeste et pleine de frissons;

Une odeur de tombeau dans les ténèbres nage, 
Et mon pied peureux froisse, au bord du marécage, 

Des crapauds imprévus et de froids limaçons.
- Charles Baudelaire [tradução Ivan Junqueira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

§


Poemas condenados
Pièces condamnées 

O letes
Vem ao meu peito, ó surda alma ferina,
Tigre adorado, de ares indolentes,
Quero aos meus dedos mergulhar frementes
Na áspera lã de tua espessa crina;

Em tuas saias sepultar bem junto
De teu perfume a fronte dolorida,
E respirar, como uma flor ferida,
O suave odor de meu amor defunto.

Quero dormir o tempo que me sobre!
Num sono que ao da morte se confunde
Que o meu carinho sem remorso inunde
Teu corpo luzidio como o cobre.

Para engolir-me a lágrima que escorre
O abismo de teu leito nada iguala;
O esquecimento por teus lábios fala
E a água do Letes nos teus lábios corre.

O meu destino, agora meu delírio,
Hei de seguir como um predestinado;
Mártir submisso, ingênuo condenado,
Cujo fervor atiça o seu martírio,

Sugarei, afogando o ódio malsão,
Do mágico nepentes o conteúdo
Nos bicos desse colo pontiagudo,
Onde jamais pulsou um coração.


IV
Le léthé

Viens sur mon coeur, âme cruelle et sourde,
Tigre adoré, monstre aux airs indolents; 
Je veux longtemps plonger mes doigts tremblants 
Dans l'épaisseur de ta crinière lourde;

Dans tes jupons remplis de ton parfum 
Ensevelir ma tête endolorie, 
Et respirer, comme une fleur flétrie, 
Le doux relent de mon amour défunt.

Je veux dormir! dormir plutôt que vivre! 
Dans un sommeil aussi doux que la mort, 
J'étalerai mes baisers sans remords 
Sur ton beau corps poli comme le cuivre.

Pour engloutir mes sanglots apaisés 
Rien ne me vaut l'abîme de ta couche; 
L'oubli puissant habite sur ta bouche, 
Et le Léthé coule dans tes baisers.

À mon destin, désormais mon délice, 
J'obéirai comme un prédestiné; 
Martyr docile, innocent condamné, 
Dont la ferveur attise le supplice,

Je sucerai, pour noyer ma rancoeur, 
Le népenthès et la bonne ciguë 
Aux bouts charmants de cette gorge aiguë 

Qui n'a jamais emprisonné de coeur.
- Charles Baudelaire [tradução Ivan Junqueira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

§


Galanteios
Galanteries

Os olhos de Berta
Podeis bem desprezar os olhos mais famosos,
Olhos de meu amor, dos quais foge e se eleva
Não sei o quê de bom, de doce como a treva!
Vertei vosso fascínio obscuro, olhos graciosos!

Olhos de meu amor, arcanos adorados,
Fazei-me recordar essas mágicas furnas
Em que, por trás de imóveis sombras taciturnas,
Cintilam vagamente escrínios ignorados!

Tem meu amor olhos tão negros quanto vastos,
Como os teus, Noite imensa,e , como os teus, preclaros!
Sonhos de Amor e Fé são seus lampejos raros,
Que fulguram ao fundo, orgiásticos ou castos


IX
Les yeux de Berthe

Vous pouvez mépriser les yeux les plus célèbres,
Beaux yeux de mon enfant, par où filtre et s'enfuit
Je ne sais quoi de bon, de doux comme la Nuit!
Beaux yeux, versez sur moi vos charmantes ténèbres!

Grands yeux de mon enfant, arcanes adorés,
Vous ressemblez beaucoup à ces grottes magiques
Où, derrière l'amas des ombres léthargiques,
Scintillent vaguement des trésors ignorés!

Mon enfant a des yeux obscurs, profonds et vastes,
Comme toi, Nuit immense, éclairés comme toi!
Leurs feux sont ces pensers d'Amour, mêlés de Foi,

Qui pétillent au fond, voluptueux ou chastes.
- Charles Baudelaire [tradução Ivan Junqueira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

§


Epígrafes
Épigraphes

Sobre o Tasso na prisão de Eugène Delacroix
O poeta na masmorra, em desalinho, aflito,
Calcando sob o pé convulso um manuscrito,
Com olhar de terror mede a extensão da escada
Cuja vertigem lhe atordoa a alma abismada.

Risos frenéticos que ecoam na prisão
Ao estranho e ao absurdo arrastam-lhe a razão;
A Dúvida que o cerca e o ridículo Medo
O envolvem num horrendo e multiforme enredo.

Esse gênio encerrado em calabouço infame,
Os esgares, os ais e os duendes cujo enxame
Turbilhona por trás de seu alerta,

Esse que do êxtase o terror ora desperta,
Eis teu emblema, alma de frêmitos obscuros,
Que a Realidade abafa entre os quatro muros!


XVI
Sur Le Tasse en prison d'Eugène Delacroix

Le poète au cachot, débraillé, maladif,
Roulant un manuscrit sous son pied convulsif,
Mesure d'un regard que la terreur enflamme
L'escalier de vertige où s'abîme son âme.

Les rires enivrants dont s'emplit la prison
Vers l'étrange et l'absurde invitent sa raison;
Le Doute l'environne, et la Peur ridicule,
Hideuse et multiforme, autour de lui circule.

Ce génie enfermé dans un taudis malsain,
Ces grimaces, ces cris, ces spectres dont l'essaim
Tourbillonne, ameuté derrière son oreille,

Ce rêveur que l'horreur de son logis réveille,
Voilà bien ton emblème, âme aux songes obscurs,

Que le Réel étouffe entre ses quatre murs!
- Charles Baudelaire [tradução Ivan Junqueira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

§


Peças várias
Pièces diverses

A uma Malabarense
Teus pés são finos como as tuas mãos, e a anca 
Roliça causa inveja à mais graciosa branca; 
Teu corpo suave e terno o artista ao sonho impele; 
Teus olhos negros são mais negros do que a pele. 
No país quente a azul que te serviu de limbo, 
Teu oficio é acender de teu amo o cachimbo, 
Os cântaros prover de águas frescas e odores, 
Do leito pôr em fuga insetos zumbidores, 
E, mal a aurora põe o plátano a cantar, 
Comprar bananas e ananases no bazar. 
Todos os dias, pés descalços, vais andando 
E antigas árias nunca ouvidas murmurando; 
E quando a tarde faz do céu uma fogueira, 
Repousas docemente o corpo numa esteira, 
Com sonhos a flutuar, cheios de colibris, 
E sempre, como tu, floridos e gentis. 

Por que, menina, queres ver a nossa França, 
País rico de gente e pobre de esperança, 
E, confiando a existência aos rudes marinheiros, 
Dizer adeus aos teus sensuais tamarineiros? 
Tu, seminua, envolta em musselina leve, 
Toda trêmula além, sob o granizo e a neve, 
Como lamentarias os teus ócios francos, 
Se, o corpete brutal a constranger-te os flancos, 
Fosses buscar o teu sustento em nossas lamas 
E vender o perfume estranho que derramas, 
O olhar absorto, perscrutando em meio aos miasmas, 
Dos coqueirais ao longe os pálidos fantasmas!


XX
À une Malabaraise

Tes pieds sont aussi fins que tes mains, et ta hanche
Est large à faire envie à la plus belle blanche;
À l'artiste pensif ton corps est doux et cher;
Tes grands yeux de velours sont plus noirs que ta chair.
Aux pays chauds et bleus où ton Dieu t'a fait naître,
Ta tâche est d'allumer la pipe de ton maître,
De pourvoir les flacons d'eaux fraîches et d'odeurs,
De chasser loin du lit les moustiques rôdeurs,
Et, dès que le matin fait chanter les platanes,

D'acheter au bazar ananas et bananes.
Tout le jour, où tu veux, tu mènes tes pieds nus,
Et fredonnes tout bas de vieux airs inconnus;
Et quand descend le soir au manteau d'écarlate,
Tu poses doucement ton corps sur une natte,
Où tes rêves flottants sont pleins de colibris,
Et toujours, comme toi, gracieux et fleuris.

Pourquoi, l'heureuse enfant, veux-tu voir notre France,
Ce pays trop peuplé que fauche la souffrance,
Et, confiant ta vie aux bras forts des marins,
Faire de grands adieux à tes chers tamarins?
Toi, vêtue à moitié de mousselines frêles,
Frissonnante là-bas sous la neige et les grêles,
Comme tu pleurerais tes loisirs doux et francs
Si, le corset brutal emprisonnant tes flancs
Il te fallait glaner ton souper dans nos fanges
Et vendre le parfum de tes charmes étranges,
Oeil pensif, et suivant, dans nos sales brouillards,

Des cocotiers absents les fantômes épars!
- Charles Baudelaire [tradução Ivan Junqueira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

§


Pilherias
Bouffonneries

Um alegre cabaré
Na estrada de Bruxelas a Uccle

Você que adora os esqueletos
Mais os emblemas detestados,
Tempera voluptuosidades,
(Fossem os simples omeletes!)

Velho faraó, Monselet!
Frente a tal figura imprevista,
Eu sonhei com você: À vista
Desse cemitério, Café.


XXIII
Un Cabaret folâtre sur la route de Bruxelles à Uccle 

Vous qui raffolez des squelettes
Et des emblèmes détestés,
Pour épicer les voluptés,
(Fût-ce de simples omelettes!) 

Vieux Pharaon, ô Monselet!
Devant cette enseigne imprévue,
J'ai rêvé de vous: À la vue

Du Cimetière, Estaminet!
- Charles Baudelaire, em "Poetas franceses do século XIX". [organização e tradução José Lino Grünewald]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

§


JUVENÍLIA E POEMAS DIVERSOS

POEMES DIVERS


Soneto
Haveis, querida irmã, cuja alma é de poetisa,
Visto uma aldeia de vermelho e toda em gozo,
Quando em júbilo o céu à terra se harmoniza,
Num domingo banhado por um sol radioso?

Quando ergue o campanário a sua voz possante,
E a cidade mantém desde cedo acordada,
Quando moços e velhos, em traje elegante,
Se apressam para a missa que será rezada,

E em vosso espirito mundano ganha altura
O som de um órgão e de um sino na lonjura,
Não exalastes um suspiro involuntário?

Tal devoção do campo, estrídula e sincera,
Não terá ela – triste e doce relicário –
Lembrando que o domingo tanto amor vos dera?


Sonnet
Vous avez, compagnon dont le cœur est poète,
Passé dans quelque bourg tout paré, tout vermeil,
Quand le ciel et la terre ont un bel air de fête,
Un dimanche éclairé par un joyeux soleil;

Quand le clocher s’agite et qu’il chante à tue-tête,
Et tient dès le matin le village en éveil,
Quand tous pour entonner l’office qui s’apprête,
S’en vont, jeunes et vieux, en pimpant appareil;

Lors, s’élevant au fond de votre âme mondaine,
Des sons d’orgue mourant et de cloche lointaine
Vous ont-ils pas tiré malgré vous un soupir?

Cette dévotion des champs, joyeuse et franche,
Ne vous a-t-elle pas, triste et doux souvenir,

Rappelé qu’autrefois vous aimiez le dimanche?
- Charles Baudelaire [tradução Ivan Junqueira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

§

Pesadelo
(Esboço)

I
Retrato do poeta e da amada. Mistura de corações. Céu sem nuvem. Beatitude.

II
Ciúme do rei. Ele intima o poeta a lhe emprestar sua amante. Recusa do amado. Ameaças do tirano (Luís-Filipe)! Mensagem real anunciando uma vingança inaudita.

III
Um mesmo leito reuniu os dois amantes. Sono profundo dos combatentes. Um rumor imperceptível surgiu ao longe...

IV
(Crescendo dos djins.) Ruídos de espadas. Canhões rodantes, turba retumbante. Um exército em marcha. Tumulto enorme sobre o cais.

V
O que vem se detém; abre-se a porta em nome do rei! É o exército inteiro, tambor-mor à frente, que, sob os olhos do amado, paralisado de horror, vem violar sua amante. Descrição plástica dos executantes da obra infame. Trajes, gestos, posturas diversas de infantaria, cavalaria e das armas especiais.

VI
O poeta enlouqueceu. A musa somente lhe envia rimas sem sentido... Maldição!!


Cauchemar
(Canevas)

I
Portrait du poète et de la bien-aimée. Mélange des cœurs. Ciel sans nuage. Béatitude. 

II
Jalousie du roi. Il somme le poète de lui prêter sa maîtresse. Refus du bien-aimé. Menaces du tyran (Louis-Philippe)! Message royal annonçant une vengeance inouïe. 

III
Une même couche a réuni les deux amants. Sommeil profond des lutteurs. Une rumeur imperceptible surgit dans le lointain... 

IV 
(Crescendo des djinns.) Bruit d'épées. Canons roulants, foule grondante. Une armée en marche. Tumulte énorme sur le quai. 

V
Ce qui vient s'arrête; la porte s'ouvre au nom du roi! C'est l'armée tout entière, tambour-major en tête, qui, sous les yeux du bien-aimé, paralysé d'horreur, vient souiller sa maîtresse. Description plastique des exécuteurs de l'œuvre infâme. Costumes, gestes, attitudes divers de l'infanterie, de la cavalerie et des armes spéciales. 

VI

Le poète est devenu fou. La muse ne lui envoie plus que des rimes insensées... Malédiction!!
- Charles Baudelaire, em "Poetas franceses do século XIX". [organização e tradução José Lino Grünewald]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

§


PEQUENOS POEMAS EM PROSA
O Spleen de Paris

PETITS POÈMES EN PROSE

Le Spleen de Paris


O estrangeiro
— A quem mais amas tu, homem enigmático, dize: teu pai, tua mãe, tua irmã ou teu irmão? 
— Eu não tenho pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão. 
— Teus amigos? 
— Você se serve de uma palavra cujo sentido me é, até hoje, desconhecido. 
— Tua pátria? 
— Ignoro em qual latitude ela esteja situada. 
— A beleza? 
— Eu a amaria de bom grado, deusa e imortal. 
— O ouro? 
— Eu o detesto como vocês detestam Deus. 
— Quem é então que tu amas, extraordinário estrangeiro?
— Eu amo as nuvens... as nuvens que passam lá longe... as maravilhosas nuvens!


I
L'étranger

"Qui aimes-tu le mieux, homme énigmatique, dis ? ton père, ta mère, ta sœur ou ton frère?
- Je n'ai ni père, ni mère, ni sœur, ni frère.
- Tes amis?
- Vous vous servez là d'une parole dont le sens m'est resté jusqu'à ce jour inconnu.
- Ta patrie?
- J'ignore sous quelle latitude elle est située.
- La beauté?
- Je l'aimerais volontiers, déesse et immortelle.
- L'or?
- Je le hais comme vous haïssez Dieu.
- Eh! qu'aimes-tu donc, extraordinaire étranger?

- J'aime les nuages... les nuages qui passent... là-bas... là-bas... les merveilleux nuages!"
- Charles Baudelaire [tradução Aurélio Buarque de Holanda Ferreira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

§

Um hemisfério numa cabeleira
Deixa-me respirar bastante, bastante, o odor de teus cabelos,  neles mergulhar toda a minha face, como um homem agitado dentro  da água de um manancial e sacudi-los com minha mão como um lenço aromático a fim de abanar as lembranças no ar.
Se pudesses saber tudo o que vejo! tudo o que sinto! tudo o que escuto em teus cabelos! Minha alma viaja sobre o perfume como a alma de outros homens sobre a música.
Teus cabelos contêm um sonho inteiro cheio de mastros e de velames; contêm os imensos mares dos quais as monções me transportam a climas encantadores, onde o espaço é mais azul e mais profundo, onde a atmosfera é perfumada pelas frutas, pelas folhas e pela pele humana.
No oceano de tua cabeleira, entrevejo um porto formigando em cantos melancólicos, homens vigorosos de todas as nações e navios de todas as formas desenhando suas arquiteturas delgadas e complicadas sobre um vasto céu onde se emproa o calor eterno.
Nas carícias de tua cabeleira, reencontro os langores das longas horas passadas sobre um divã, no camarote de um belo navio, embalados pelo balanço imperceptível do porto, entre os vasos de flores e as bilhas refrescantes.
No foco ardente de tua cabeleira, respiro o odor do tabaco misturado com o ópio e o açúcar; na noite de tua cabeleira, vejo resplandecer o infinito do azul tropical; sobre as bordas de penugem de tua cabeleira, embriago-me com os aromas do alcatrão, do almíscar e do óleo de coco.
Deixa-me morder longamente tuas tranças espessas e negras. Quando mordisco teus cabelos elásticos e rebeldes, parece-me que devoro lembranças.


Un hémisphère dans une chevelure
      Laisse-moi respirer longtemps, longtemps, l'odeur de tes cheveux, y plonger tout mon visage, comme un homme altéré dans l'eau d'une source, et les agiter avec ma main comme un mouchoir odorant, pour secouer des souvenirs dans l'air.
      Si tu pouvais savoir tout ce que je vois! tout ce que je sens! tout ce que j'entends dans tes cheveux ! Mon âme voyage sur le parfum comme l'âme des autres hommes sur la musique.
      Tes cheveux contiennent tout un rêve, plein de voilures et de mâtures; ils contiennent de grandes mers dont les moussons me portent vers de charmants climats, où l'espace est plus bleu et plus profond, où l'atmosphère est parfumée par les fruits, par les feuilles et par la peau humaine.
      Dans l'océan de ta chevelure, j'entrevois un port fourmillant de chants mélancoliques, d'hommes vigoureux de toutes nations et de navires de toutes formes découpant leurs architectures fines et compliquées sur un ciel immense où se prélasse l'éternelle chaleur.
      Dans les caresses de ta chevelure, je retrouve les langueurs des longues heures passées sur un divan, dans la chambre d'un beau navire, bercées par le roulis imperceptible du port, entre les pots de fleurs et les gargoulettes rafraîchissantes.
      Dans l'ardent foyer de ta chevelure, je respire l'odeur du tabac mêlé à l'opium et au sucre; dans la nuit de ta chevelure, je vois resplendir l'infini de l'azur tropical; sur les rivages duvetés de ta chevelure je m'enivre des odeurs combinées du goudron, du musc et de l'huile de coco.

      Laisse-moi mordre longtemps tes tresses lourdes et noires. Quand je mordille tes cheveux élastiques et rebelles, il me semble que je mange des souvenirs.
- Charles Baudelaire, em "Poetas franceses do século XIX". [organização e tradução José Lino Grünewald]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

§

Embriaga-te
Deve-se estar sempre bêbado. Está tudo aí: é a única questão. A fim de não se sentir o fardo horrível do Tempo que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra, é preciso te embriagares sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te.
E se alguma vez, sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de uma vala, na sombria solidão de teu quarto, tu acordas com a embriaguez já minorada ou finda, peça ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que foge, a tudo aquilo que geme, a tudo aquilo que gira, a tudo aquilo que canta, a tudo aquilo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio, te responderão: "É a hora de se embriagar! Para não ser como os escravos martirizados no Tempo, embriaga-te; embriaga-te sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, a teu gosto."


XXXIII
Enivrez-vous

Il faut être toujours ivre. Tout est là: c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve. 
Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront: "Il est l'heure de s'enivrer! Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."
- Charles Baudelaire, em "Poetas franceses do século XIX". [organização e tradução José Lino Grünewald]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

§

Epílogo
De coração contente escalei a montanha,
De onde se vê – prisão, hospital, lupanar,
Inferno, purgatório – a cidade tamanha,

Em que o vício, como uma flor, floresce no ar.
Bem sabes, ó Satã, senhor de minha sina,
Que eu não vim aqui para lacrimejar.

Como o amásio senil de velha concubina,
Vim para me embriagar da meretriz enorme,
Cujo encanto infernal me remoça e fascina.

Quer quando em seus lençóis matinais ela dorme,
Rouca, obscura, pesada, ou quando em rosicleres
E áureos brilhos venais pompeia multiforme,

– Amo-a, a infame capital! Às vezes dais,
Ó prostitutas e facínoras, prazeres
Que nunca há de entender o comum dos mortais.
.

Epilogue 
Le coeur content, je suis monté sur la montagne 
D'où l'on peut contempler la ville en son ampleur, 
Hôpital, lupanar, purgatoire, enfer, bagne,

Où toute énormité fleurit comme une fleur. 
Tu sais bien, ô Satan, patron de ma détresse, 
Que je n'allais pas là pour répandre un vain pleur;

Mais comme un vieux paillard d'une vieille maîtresse, 
Je voulais m'enivrer de l'énorme catin 
Dont le charme infernal me rajeunit sans cesse.

Que tu dormes encor dans les draps du matin, 
Lourde, obscure, enrhumée, ou que tu te pavanes 
Dans les voiles du soir passementés d'or fin,

Je t'aime, ô capitale infâme! Courtisanes 
Et bandits, tels souvent vous offrez des plaisirs 
Que ne comprennent pas les vulgaires profanes.
- Charles Baudelaire [tradução Manuel Bandeira]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 


§
Charles-Pierre Baudelaire - by Mephistopheies

PARAÍSOS ARTIFICIAIS
O poema do haxixe

LES PARADIS ARTIFICIELS
Le Poème du Hashish

O gosto do infinito
Os que sabem observar-se a si próprios e guardam a memória de suas impressões, os que souberam, como Hoffmann, construir seu barômetro espiritual, puderam por vezes notar, no observatório do pensamento, belas estações, dias felizes, minutos deliciosos. Há dias em que o homem desperta com um gênio jovem e vigoroso. Mal as suas pálpebras se libertam do sono que as selava, o mundo exterior oferece-se a ele com um poderoso relevo, uma nitidez de contornos, uma riqueza de cores admiráveis. O mundo moral abre as suas vastas perspectivas, plenas de claridades novas. O homem contemplado com esta beatitude, infelizmente rara e passageira, sente-se ao mesmo tempo mais artista e mais justo, mais nobre, para dizer tudo em uma só palavra. Mas o que há de mais singular neste estado excepcional do espírito e dos sentidos, a que posso sem exagero chamar paradisíaco, se o comparar com as pesadas trevas da existência comum e cotidiana, é não ter sido ele criado por nenhuma causa visível e fácil de definir. Será o resultado de uma boa higiene e de um regime comedido? Essa é a primeira explicação que se oferece ao espírito, mas muitas vezes somos obrigados a reconhecer que tal maravilha, essa espécie de prodígio, se produz como se fosse o efeito de uma força superior e invisível, exterior ao homem, após um período em que este abusou das suas faculdades físicas. Diremos que se trata da recompensa da oração assídua e dos ardores espirituais? É certo que uma elevação constante do desejo, uma tensão das forças espirituais para o céu, seria o regime mais próprio para criar essa saúde moral, tão resplandecente e glorioso; mas em virtude de que lei absurda se manifesta ela, por vezes após culposas orgias da imaginação, após um abuso sofístico da razão, que está para o seu uso honesto e sensato como o contorcionismo está para a ginástica sã? Por tudo isto, prefiro considerar essa condição anormal do espírito como uma verdadeira graça, como um espelho mágico em que o homem é convidado a ver-se em beleza, isto é, tal como deveria e poderia ser; uma espécie de excitação angélica, uma chamada à ordem sob uma forma laudatória. Assim certa escola espiritualista, que tem seus representantes na Inglaterra e na América, considera os fenômenos sobrenaturais como aparições de fantasmas, almas do outro mundo, etc... manifestações da vontade divina, aplicada em despertar no espírito do homem a lembrança das realidades invisíveis.
Aliás, este estado singular é de encantamento, em que todas as forças se equilibram, em que a imaginação, embora maravilhosamente poderosa, não arrasta atrás de si o senso moral para as perigosas aventuras, em que uma sensibilidade requintada deixa de ser torturada por nervos doentes, comuns conselheiros do crime ou do desespero; esse estado maravilhoso, repito, não tem sintomas anunciadores. É tão imprevisto como o fantasma. É uma espécie de visitação, mas uma visitação intermitente, de que deveríamos extrair, se fôssemos sensatos, a certeza de uma existência melhor e a esperança de alcançá-la pelo exercício quotidiano da vontade. Esta acuidade do pensamento, este entusiasmo dos sentidos e do espírito, devem ter aparecido ao homem, em todos os tempos, como o primeiro dos bens; por isso, considerando apenas a volúpia imediata, sem se preocupar com a violação das leis da sua constituição, procurou na ciência física, na farmácia, nos mais grosseiros licores, nos perfumes mais sutis, em todos os climas e em todos os tempos, os meios de fugir, mesmo apenas por algumas horas, ao seu habitáculo de lobo e, como diz o autor de Lázaro, “arrebatar o paraíso num só gesto”. Ai de nós! os vícios do homem, por mais cheios de horror que os imaginemos, contêm a prova (que mais não fosse, apenas a infinita expansão deles mesmos!) do seu gosto do infinito; simplesmente, é um gosto que muitas vezes se engana no caminho. Poder-se-ia tomar num sentido metafórico o vulgar provérbio: Todos os caminhos levam a Roma, e aplicá-lo ao mundo moral; tudo leva à recompensa ou ao castigo, duas formas da eternidade. O espírito humano regurgita de paixões; tem-nas para dar e vender, para me servir de uma outra locução trivial; mas este espírito infeliz, cuja depravação natural é tão grande como a súbita aptidão, quase paradoxal, para a caridade e para às virtudes mais árduas, é fecundo em paradoxos que lhe permitem empregar no mal o excesso de paixões transbordante. Não julga nunca vender-se em bloco. Esquece, em sua fatuidade, que joga com alguém mais esperto e mais forte do que ele, e que o Espírito do Mal, mesmo quando não lhe entregamos mais do que um cabelo, não tarda por levar-nos a cabeça inteira. Esse senhor visível da natureza visível (falo do homem) quis, pois, criar o paraíso graças à farmácia, às bebidas fermentadas, tal como um maníaco que substituísse móveis sólidos e jardins verdadeiros por cenários pintados em tela e montados sobre armações. É nesta depravação do sentido do infinito que está, na minha opinião, a razão de todos os excessos culposos, desde a embriaguez solitária e concentrada do escritor que, obrigado a procurar no ópio o alívio de uma dor física, e tendo assim descoberto um manancial de gozos mórbidos, faz dele pouco a pouco a sua única higiene e como que o sol da sua vida espiritual, até à bebedeira mais repugnante dos subúrbios que, com o cérebro cheio de fogo e de glória, se refestela ridiculamente no lixo da rua.
Entre as drogas mais capazes de criar a que chamo o Ideal artificial, deixamos de lado os licores que rapidamente levam ao furor material e abatem a força espiritual, e os perfumes cujo uso excessivo, ao mesmo tempo que torna a imaginação do homem mais sutil, esgota gradualmente as suas forças físicas – as duas mais enérgicas substâncias, aquelas cujo emprego é mais cômodo e está mais à mão, são o haxixe e o ópio. A análise dos efeitos misteriosos e dos prazeres mórbidos que estas drogas podem engendrar, dos castigos inevitáveis que resultam do seu uso prolongado e, finalmente, da própria imortalidade implícita nessa procura de um falso ideal, constitui a matéria deste estudo.
O trabalho sobre o ópio foi feito, e de uma maneira tão brilhante, médica e poética ao mesmo tempo, eu não me atreveria a acrescentar-lhe fosse o que fosse. Contentar-me-ei, pois, num outro estudo, com dar a análise deste livro incomparável, que nunca foi traduzido em França. O autor, homem ilustre, de poderosa e requintada imaginação, hoje retirado e silencioso, ousou, com candura trágica, relata os gozos prazeres e as torturas que em tempos encontrou no ópio, e a parte mais dramática do seu livro é aquela em que fala dos esforços sobre-humanos de vontade que teve de fazer para fugir à danação a que imprudentemente se votara.
Hoje falarei apenas do haxixe, e falarei dele segundo informações numerosas e minuciosas, extraídas das notas ou das confidências de homens inteligentes que a ele se tinham entregue durante muito tempo. Somente, fundirei esses diversos documentos numa espécie de monografia, escolhendo uma alma, fácil aliás de explicar e definir, como tipo próprio para as experiências desta natureza.


I
Le Goût de l’infini

Ceux qui savent s’observer eux-mêmes et qui gardent la mémoire de leurs impressions, ceux-là qui ont su, comme Hoffmann, construire leur baromètre spirituel, ont eu parfois à noter, dans l’observatoire de leur pensée, de belles saisons, d’heureuses journées, de délicieuses minutes. Il est des jours où l’homme s’éveille avec un génie jeune et vigoureux. Ses paupières à peine déchargées du sommeil qui les scellait, le monde extérieur s’offre à lui avec un relief puissant, une netteté de contours, une richesse de couleurs admirables. Le monde moral ouvre ses vastes perspectives, pleines de clartés nouvelles. L’homme gratifié de cette béatitude, malheureusement rare et passagère, se sent à la fois plus artiste et plus juste, plus noble, pour tout dire en un mot. Mais ce qu’il y a de plus singulier dans cet état exceptionnel de l’esprit et des sens, que je puis sans exagération appeler paradisiaque, si je le compare aux lourdes ténèbres de l’existence commune et journalière, c’est qu’il n’a été créé par aucune cause bien visible et facile à définir. Est-il le résultat d’une bonne hygiène et d’un régime de sage ? Telle est la première explication qui s’offre à l’esprit ; mais nous sommes obligés de reconnaître que souvent cette merveille, cette espèce de prodige, se produit comme si elle était l’effet d’une puissance supérieure et invisible, extérieure à l’homme, après une période où celui-ci a fait abus de ses facultés physiques. Dirons-nous qu’elle est la récompense de la prière assidue et des ardeurs spirituelles ? Il est certain qu’une élévation constante du désir, une tension des forces spirituelles vers le ciel, serait le régime le plus propre à créer cette santé morale, si éclatante et si glorieuse ; mais en vertu de quelle loi absurde se manifeste-t-elle parfois après de coupables orgies de l’imagination, après un abus sophistique de la raison, qui est à son usage honnête et raisonnable ce que les tours de dislocation sont à la saine gymnastique ? C’est pourquoi je préfère considérer cette condition anormale de l’esprit comme une véritable grâce, comme un miroir magique où l’homme est invité à se voir en beau, c’est-à-dire tel qu’il devrait et pourrait être ; une espèce d’excitation angélique, un rappel à l’ordre sous une forme complimenteuse. De même une certaine école spiritualiste, qui a ses représentants en Angleterre et en Amérique, considère les phénomènes surnaturels, tels que les apparitions de fantômes, les revenants, etc., comme des manifestations de la volonté divine, attentive à réveiller dans l’esprit de l’homme le souvenir des réalités invisibles.
D’ailleurs cet état charmant et singulier, où toutes les forces s’équilibrent, où l’imagination, quoique merveilleusement puissante, n’entraîne pas à sa suite le sens moral dans de périlleuses aventures, où une sensibilité exquise n’est plus torturée par des nerfs malades, ces conseillers ordinaires du crime ou du désespoir, cet état merveilleux, dis-je, n’a pas de symptômes avant-coureurs. Il est aussi imprévu que le fantôme. C’est une espèce de hantise, mais de hantise intermittente, dont nous devrions tirer, si nous étions sages, la certitude d’une existence meilleure et l’espérance d’y atteindre par l’exercice journalier de notre volonté. Cette acuité de la pensée, cet enthousiasme des sens et de l’esprit, ont dû, en tout temps, apparaître à l’homme comme le premier des biens ; c’est pourquoi, ne considérant que la volupté immédiate, il a, sans s’inquiéter de violer les lois de sa constitution, cherché dans la science physique, dans la pharmaceutique, dans les plus grossières liqueurs, dans les parfums les plus subtils, sous tous les climats et dans tous les temps, les moyens de fuir, ne fût-ce que pour quelques heures, son habitacle de fange, et, comme dit l’auteur de Lazare : « d’emporter le Paradis d’un seul coup. » Hélas! les vices de l’homme, si pleins d’horreur qu’on les suppose, contiennent la preuve (quand ce ne serait que leur infinie expansion !) de son goût de l’infini ; seulement, c’est un goût qui se trompe souvent de route. On pourrait prendre dans un sens métaphorique le vulgaire proverbe : Tout chemin mène à Rome, et l’appliquer au monde moral ; tout mène à la récompense ou au châtiment, deux formes de l’éternité. L’esprit humain regorge de passions ; il en a à revendre, pour me servir d’une autre locution triviale ; mais ce malheureux esprit, dont la dépravation naturelle est aussi grande que son aptitude soudaine, quasi paradoxale, à la charité et aux vertus les plus ardues, est fécond en paradoxes qui lui permettent d’employer pour le mal le trop-plein de cette passion débordante. Il ne croit jamais se vendre en bloc. Il oublie, dans son infatuation, qu’il se joue à un plus fin et plus fort que lui, et que l’Esprit du Mal, même quand on ne lui livre qu’un cheveu, ne tarde pas à emporter la tête. Ce seigneur visible de la nature visible (je parle de l’homme) a donc voulu créer le Paradis par la pharmacie, par les boissons fermentées, semblable à un maniaque qui remplacerait des meubles solides et des jardins véritables par des décors peints sur toile et montés sur châssis. C’est dans cette dépravation du sens de l’infini que gît, selon moi, la raison de tous les excès coupables, depuis l’ivresse solitaire et concentrée du littérateur, qui, obligé de chercher dans l’opium un soulagement à une douleur physique, et ayant ainsi découvert une source de jouissances morbides, en a fait peu à peu son unique hygiène et comme le soleil de sa vie spirituelle, jusqu’à l’ivrognerie la plus répugnante des faubourgs, qui, le cerveau plein de flamme et de gloire, se roule ridiculement dans les ordures de la route.
Parmi les drogues les plus propres à créer ce que je nomme l’Idéal artificiel, laissant de côté les liqueurs, qui poussent vite à la fureur matérielle et terrassent la force spirituelle, et les parfums dont l’usage excessif, tout en rendant l’imagination de l’homme plus subtile, épuise graduellement ses forces physiques, les deux plus énergiques substances, celles dont l’emploi est le plus commode et le plus sous la main, sont le haschisch et l’opium. L’analyse des effets mystérieux et des jouissances morbides que peuvent engendrer ces drogues, des châtiments inévitables qui résultent de leur usage prolongé, et enfin de l’immoralité même impliquée dans cette poursuite d’un faux idéal, constitue le sujet de cette étude.
Le travail sur l’opium a été fait, et d’une manière si éclatante, médicale et poétique à la fois, que je n’oserais rien y ajouter. Je me contenterai donc, dans une autre étude, de donner l’analyse de ce livre incomparable, qui n’a jamais été traduit en France dans sa totalité. L’auteur, homme illustre, d’une imagination puissante et exquise, aujourd’hui retiré et silencieux, a osé, avec une candeur tragique, faire le récit des jouissances et des tortures qu’il a trouvées jadis dans l’opium, et la partie la plus dramatique de son livre est celle où il parle des efforts surhumains de volonté qu’il lui a fallu déployer pour échapper à la damnation à laquelle il s’était imprudemment voué lui-même.
Aujourd’hui, je ne parlerai que du haschisch, et j’en parlerai suivant des renseignements nombreux et minutieux, extraits des notes ou des confidences d’hommes intelligents qui s’y étaient adonnés longtemps. seulement, je fondrai ces documents variés en une sorte de monographie, choisissant une âme, facile d’ailleurs à expliquer et à définir, comme type propre aux expériences de cette nature.
- Charles Baudelaire [tradução José Saramago]. em "Charles Baudelaire – poesia e prosa". [organização Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. 

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Baudelaire et les vampires de Paris
FORTUNA CRÍTICA DE CHARLES BAUDELAIRE NO BRASIL
ABES, Gilles Jean. Reflexos de um vitral partido sobre um mito: tradução da correspondência de Charles Baudelaire de 1832 a 1842. (Tese Doutorado em Estudos da Tradução). Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, 2011.
ABES, Gilles Jean. A ignorância dos dois Carlos Drummond e Baudelaire: Criação poética e conhecimneto. (Dissertação Mestrado em Literatura). Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, 2007.
ABES, Gilles Jean. Análise e Cotejo de Traduções: o caso das epístolas de Baudelaire. Revista Belas Infiéis, v. 4, p. 99-110, 2015.
ABES, Gilles Jean. As veredas do gênero epistolar: História e fortuna da correspondência de Baudelaire. Lettres Francaises (UNESP Araraquara), v. 1, p. 45-63, 2015.
ABES, Gilles Jean. A incompletude dos dois Carlos: Drummond/Baudelaire e a confecção poética. Miscelânea (Assis. Online), v. 7, p. 56-73, 2010.
ABES, Gilles Jean. Charles Baudelaire e sua primeira crítica de arte - tradução de uma carta de 1838 endereçada ao coronel Aupick. Scientia Traductionis, v. 0, p. 135, 2010.
BASTOS, C. T.. Baudelaire no idioma vernáculo. Rio de Janeiro: São José, 1963. 
Charles Baudelaire © photos Thinkstock
BRUNET, Jacqueline Nunes. Une brève lecture du SPLEEN DE PARIS, recueil en prose de Charles Baudelaire. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, 2012.
ABES, Gilles Jean. Ivan Junqueira, tradutor de Baudelaire: Eco de um histórico eco. Travessias (UNIOESTE. Online), v. 8, p. 1-15, 2010.
ABES, Gilles Jean. Análise de uma tradução dos Pequenos poemas em prosa de Baudelaire.. Anuário de Literatura, v. 15, p. 207-215, 2010.
ABES, Gilles Jean. O mito da revolta versus as cartas de Baudelaire: o peso da família burguesa.. REEL. Revista Eletrônica de Estudos Literários, v. 6, p. 1-23, 2010.
ABES, Gilles Jean; TORRES, Marie-Hélène Catherine. De Carlos Baudelaire a Charles Drummond de Andrade: Formação poética e colisões temáticas. Glauks (UFV), v. 10, p. 375-404, 2010.
ABES, Gilles Jean. A tradução das epístolas baudelairianas: Novas perspectivas do mito Baudelaire, o ?Príncipe das carniças?.. Caligrama (UFMG), v. 15, p. 27-47, 2010.
ABES, Gilles Jean. Apagamento do estrangeiro na tradução: o destino da forma a partir das cartas do poeta Charles Baudelaire. In: XI Congresso Internacional da ABRAPT/ V Congresso Internacional de Tradutores, 2013, Florianópolis. Estudos da Tradução e diálogo interdisciplinas. Florianópolis: UFSC, 2013. v. 1. p. 161-162.
ALMEIDA, Eduardo Augusto Alves de.. Charles Baudelaire: contemporâneo do passado, do presente e do futuro. Revista Poiésis, v. 1, p. 73-84, 2012.
ALMEIDA, Maria Gorete de.. A modernidade poética em Charles Baudelaire e Walter Benjamin. (Dissertação Mestrado em Filosofia). Universidade Federal do Ceará, UFC, 2005.
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Charles Baudelaire, por Georges
Rochegrosse e Eugène Decisy
OUTRAS FONTES E REFERÊNCIAS DE PESQUISA
::  não gosto de plágio: traduções de Baudelaire no Brasil. Acesse AQUI.
:: Alguma Poesia - Carlos Machado


© Obra de Charles-Pierre Baudelaire em domínio público



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Como citar:

FENSKE, Elfi Kürten. (pesquisa, seleção e organização). Charles Baudelaire - o poeta modernista. Templo Cultural Delfos, maio/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 7.5.2016.



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Um comentário:

  1. Maravilhoso o trabalho de vocês. Eu mesma tenho compartilhado. Hoje mesmo o fiz. Sou Dalma Nascimento e em agosto já escrevi algumas frases elogiando o trabalho excelente, extraordinário desse Templo da Cultural. Estou lançando este ano um livro sobre Baudelaire e enviarei para o grupo.

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