Ana Cristina Cesar - movimentos e fragmentos poéticos

Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
"é sempre mais difícil
ancorar um navio no espaço"
- Ana Cristina Cesar, poema "Recuperação da adolescência".

Ana Cristina Cruz Cesar (Rio de Janeiro RJ, 2 de junho de 1952 - idem, 29 de outubro de 1983). Poeta, ensaísta, tradutora. Filha de Maria Luiza César e do sociólogo e jornalista Waldo Aranha Lenz César, um dos responsáveis, com o editor Ênio Silveira (1925-1996), pela fundação da editora ecumênica Paz e Terra. Aos sete anos, Ana Cristina tem seus primeiros poemas publicados no jornal Tribuna da Imprensa. Entre 1969 e 1970, interrompe o curso clássico no Colégio de Aplicação da Faculdade Nacional de Filosofia, para estudar inglês no Richmond School for Girls, em Londres, pelo programa de intercâmbio da juventude cristã. Ingressa, em 1971, na Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Desde a vida universitária, participa ativamente da cena cultural carioca e do movimento da poesia marginal, convivendo com poetas como Cacaso (1944-1987) e intelectuais como Heloísa Buarque de Hollanda (1939). Ainda em 1971, inicia a atuação como professora, em escolas de 2º grau e de idiomas. Após a conclusão da graduação, em 1975, colabora para publicações como Opinião, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo, com destaque para Beijo, importante periódico de cultura, com sete números impressos, cujo processo acompanha desde sua criação. Em 1979 lança, de forma independente, o primeiro livro de poesia, Cenas de Abril. Seguem-se Correspondência Completa, uma carta ficcional, e Luvas de Pelica, publicado em 1980. Dessa mesma época datam as primeiras traduções, atividade que se torna objeto de estudo na pós-graduação: em 1981, torna-se mestre em teoria e prática da tradução literária pela Universidade de Essex, Inglaterra. De volta ao Brasil, é contratada como analista de textos pela Rede Globo de Televisão e lança, em 1982, A Teus Pés - reunião de títulos publicados até então e ainda o inédito que nomeia o volume. Aos 31 anos, em 1983, comete suicídio. Após sua morte, o poeta e amigo Armando Freitas Filho (1940) organiza sua obra e promove o lançamento dos livros Inéditos e Dispersos, em 1985, Escritos da Inglaterra, 1988, e Escritos no Rio, 1993.
Comentário crítico
Embora comumente identificada aos poetas marginais da década de 1970, Ana Cristina Cesar emprega os procedimentos comuns ao grupo a fim de criticá-los desde o interior: simula o discurso confessional a partir de falsas correspondências e diários; alcança o tom coloquial parodiando textos da tradição literária.
Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
Em Final de uma Ode, de Cenas de Abril (1979), o eu lírico afirma: "[...] Quisera / dividir o corpo em heterônimos - medito aqui / no chão, imóvel tóxico do tempo". Se a confissão do desejo sugere a sinceridade autobiográfica, a formulação o inscreve no cânone da poesia portuguesa, dada a referência a Fernando Pessoa, sugerida em "heterônimos", e ainda em outros trechos da composição.
Já Correspondência Completa (1980) é paródia desde o título, pois se compõe de apenas uma carta. A remetente, além disso, chama-se Júlia, numa quebra da identificação entre autora do livro e autora da carta, o que impede, ao leitor, a certeza de uma confissão verdadeiramente autobiográfica. No que diz respeito à linguagem, há ambiguidades e lacunas, colocando para o leitor enigmas, e não a possibilidade de identificação.
A trajetória da autora, que pode ser acompanhada em Inéditos & Dispersos - reunião de poemas escritos desde os nove anos de idade -, revela busca pessoal da expressão poética: os primeiros versos são em geral líricos, metrificados e rimados. Já em A Teus Pés (1982) são longos, apresentando tom de conversa, e frequentemente questionam a sociedade conservadora e o lugar nela destinado à mulher. É o que se lê em Sete Chaves: "[...] Não sou dama nem mulher / moderna".
A existência de uma literatura dita feminina é tema dos ensaios da autora, interessada em problemas teóricos como as relações entre literatura e história, invenção e confissão, originalidade e intertexto. Também nesses escritos se revela a ausência de identificação entre Ana Cristina e a geração marginal: "A limpidez da sinceridade nos engana, como engana a superfície tranquila do eu", escreve ela em O Poeta É um Fingidor.
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:: Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural  (31.12.2015).


Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
OBRA DE ANA CRISTINA CESAR
Poesia e prosa
:: Cenas de abril. Rio de Janeiro: Edição da autora, 1979.
:: Correspondência completa. [carta ficcional]. Rio de Janeiro: Edição da autora, 1979.
:: Luvas de pelica. [diário poético]. Rio de Janeiro: Edição da autora, 1980.
:: A teus pés[reúne os livros: Cenas de abril, Correspondência completa, Luvas de pelica  e Inéditos e dispersos]. São Paulo: Brasiliense, 1982; São Paulo: Ática / IMS, 1998.
:: Inéditos e dispersos (prosa e poesia).. [organização Armando Freitas Filho]. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985.
:: Novas seletas [organização Armando Freitas Filho; com um ensaio de Silviano Santiago]. Rio de Janeiro: Ediouro/Nova Fronteira, 2004.
Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C..
 - Acervo IMS]
:: Antigos e soltos - poemas e prosas da pasta rosa. [organização e estudo introdutório de Viviana Bosi].. (edição fac-similar). Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2008.
:: Poética. [curadoria editorial e apresentação Armando Freitas Filho; posfácio Viviana Bosi]. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

Ensaios
:: Literatura não é documento. Rio de Janeiro: MEC/Funarte, 1980.
:: Escritos no Rio. (ensaios e artigos).. [organização e prefácio Armando Freitas Filho]. São Paulo: Editora Brasiliense/Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1993.
:: Escritos da Inglaterra(ensaios e artigos).. [organização e prefácio Armando Freitas Filho]. São Paulo: Brasiliense, 1988.
:: Crítica e tradução. [reunião dos 3 livros anteriores e poesias traduzidas inéditas]. São Paulo: Editora Ática, 1999.

Desenhos e anotações
:: Caderno de desenhos[com desenhos e anotações da poeta durante sua estada nas cidades inglesas de Portsmouth e Colchester, em 1980]. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1980.

Correspondência
:: Ana Cristina Cesar – Correspondência incompleta. [organização Heloisa Buarque de Hollanda e Armando Freitas Filho]. São Paulo: Aeroplano/IMS, 1999; reedição.  Selo HB; E-galáxia, 2016.

Biografia
:: Ana Cristina Cesar – O sangue de uma poeta. [autor Italo Moriconi]. E-galáxia, 2016.

Antologias [participação]
:: Os cem melhores poemas brasileiros do século. [seleção e organização Ítalo Moriconi]. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001.
:: 26 Poetas hoje. [Organização Heloisa Buarque de Hollanda]. Rio de Janeiro: Aeroplano, 6ª ed., 2007; reedição. Selo HB; E-galáxia, 2016.


“Enquanto leio meus textos se fazem descobertos. É difícil escondê-los no meio dessas letras. Então me nutro das tetas dos poetas pensados no meu seio.”
- Ana Cristina Cesar, em "Inéditos e dispersos".



Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
TRADUÇÃO E EDIÇÕES ESTRANGEIRAS
Espanhol
:: Antología poética. [tradução Alicia Torres]. Caracas: Planeta Venezolana, 1989. 
:: Antología poética. [tradução Alicia Torres]. Bogotá: Fundación para la Investigación y la Cultura, Tiempo Presente, 1990. 
:: Guantes de Gamuza y Otros Poemas. (Bilingüe).. [seleção, tradução e notas de Teresa Arijon e Sandra Almeida]. Córdoba: Bajo de la Luna, 1992.
:: Álbum de Retazos: Antología Crítica (Bilingüe): Poemas, cartas, imágenes, inéditos. [tradução Luciana Di Leone, Florencia Garramuño e Ana Carolina Puente]. Buenos Aires: Corregidor, ca.2006.

Francês 
:: Gants de Peau: Et Autres Poèmes. [tradução Michel Riaudel]. Paris: Chandeigne, 2005.

Inglês
:: Intimate Diary by Ana Cristina César. [tradução Patricia E. Paige, Celia McCullough e David Treece]. London: Boulevard, 1997.

Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
POEMAS ESCOLHIDOS DE ANA CRISTINA CESAR

casablanca
Te acalma, minha loucura!
Veste galochas nos teus cílios tontos e habitados!
Este som de serra de afiar as facas
não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardias...
Estas molas a gemer no quarto ao lado
Roberto Carlos a gemer nas curvas da Bahia
O cheiro inebriante dos cabelos na fila em frente no cinema...
As chaminés espumam pros meus olhos
As hélices do adeus despertam pros meus olhos
Os tamancos e os sinos me acordam depressa na madrugada
                           [feita de binóculos de gávea

e chuveirinhos de bidê que escuto rígida nos lençóis de pano
- Ana Cristina Cesar, em "Poética". São Paulo: Companhia das Letras, 2013.


Dias não menos dias
Chora-se com a facilidade das nascentes
Nasce-se sem querer, de um jato, como uma dádiva
(às primeiras virações vi corações se entrefugindo todos
ninguém soubera antes o que havia de ser não bater
as pálpebras em monocorde

e a tarde
pendurada ro raminho de um
fogáceo arborescente
deixava-se ir
muda feita uma coisa ultima.
- Ana Cristina Cesar, em "Poética". São Paulo: Companhia das Letras, 2013.


enciclopédia
Hácate ou Hécata, em gr. Hekáté. Mit. gr.
Divindade lunar e marinha, de tríplice
forma (muitas vezes com três cabeças e
três corpos). Era uma deusa órfica,
parece que originária da Trácia. Enviava
aos homens os terrores noturnos, os fantasmas
e os espectros. Os romanos a veneravam

como deusa da magia infernal.
- Ana Cristina Cesar, em "Poética". São Paulo: Companhia das Letras, 2013.


Estou atrás
do despojamento mais inteiro
da simplicidade mais erma
da palavra mais recém-nascida
do inteiro mais despojado
do ermo mais simples
do nascimento a mais da palavra.
- Ana Cristina Cesar (28.5.69), em "Inéditos e dispersos". [organização Armando Freitas Filho]. São Paulo: Editora Ática/IMS, 1999.


Fagulha
Abri curiosa
o céu.
Ana Cristina Cesar
Assim, afastando de leve as cortinas.

Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando

Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio

Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
- Ana Cristina Cesar, em "A teus pés". São Paulo: Brasiliense, 1982.


Flores do mais
Devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
mais
- Ana Cristina Cesar, em "Inéditos e dispersos". [organização Armando Freitas Filho]. São Paulo: Editora Ática/IMS, 1999.


Instruções de bordo
Ana Cristina Cesar - menina
[Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
[para você, A. C., temerosa, rosa, azul-celeste]

Pirataria em pleno ar.
A faca nas costelas da aeromoça.
Flocos despencando pelos cantos dos
lábios e casquinhas que suguei atrás
da porta.
Ser a greta,
o garbo,
a eterna liu-chiang dos postais vermelhos.
Latejar os túneis lua azul celestial azul.
Degolar, atemorizar, apertar
o cinto o senso a mancha
roxa na coxa: calores lunares,
copas de champã, charutos úmidos de
licores chineses nas alturas.
Metálico torpor na barriga
da baleia.
Da cabine o profeta feio,
de bandeja.
Três misses sapatinho fino alto esmalte nau
dos insensatos supervoos
rasantes ao luar
despetaladamente
pelada
pedalar sem cócegas sem súcubos
incomparável poltrona reclinável.
- Ana Cristina Cesar, em "Poética". São Paulo: Companhia das Letras, 2013.


Noite carioca
Diálogo de surdos, não: amistoso no frio.
Atravanco na contramão. Suspiros no
contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta
do mundo: essa que não tem nenhum segredo.
-  Ana Cristina Cesar, em "A teus pés". São Paulo: Editora Ática/IMS, 1998.



Olho muito tempo o corpo de um poema
Olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas.
- Ana Cristina Cesar, "A Teus Pés (1982). em "Os cem melhores poemas brasileiros do Século". [seleção e organização Ítalo Moriconi]. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001.


Poesia
jardins inabitados pensamentos
pretensas palavras em
pedaços
jardins ausenta-se
a lua figura de
uma falta contemplada
jardins extremos dessa ausência
de jardins anteriores que
recuam
ausência freqüentada sem mistério
céu que recua
sem pergunta
- Ana Cristina Cesar, em "A teus pés". São Paulo: Brasiliense, 1982.


Samba-canção
Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça,
Ana Cristina Cesar (Maranhão, 1972)
pelo telefone – taí,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhando na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,

mas tantas, tantas fiz...
- Ana Cristina Cesar, em "A teus pés". São Paulo: Brasiliense, 1982.



Soneto
Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina

E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?
- Ana Cristina Cesar, em "A teus pés". São Paulo: Brasiliense, 1982.


Psicografia
Também eu saio á revelia
E procuro uma síntese nas demoras
Cato obsessões com fria têmpera e digo
Do coração: não soube e digo
Da palavra: não digo(não posso ainda acreditar
Na vida) e demito o verso como quem acena
E vivo como quem despede a raiva de Ter visto.
-  Ana Cristina Cesar, em "A teus pés". São Paulo: Editora Ática/IMS, 1998.


Quartetos
Desdenho os teus passos
Retórica triste:
Sorrio na alma
De ti nada existe

Eu morro e remorro
Na vida que passa
Eu ouço teus passos
Compasso infernal

Nasci para a vida
De morte vivi
mas tudo se acasa
silêncio. Morri
- Ana Cristina Cesar, em "Inéditos e dispersos". [organização Armando Freitas Filho]. São Paulo: Editora Ática/IMS, 1999.


Que deslize
Onde seus olhos estão
as lupas desistem.
O túnel corre, interminável
pouco negro sem quebra
de estações.
Os passageiros nada adivinham.
Deixam correr
Não ficam negros
Deslizam na borracha
carinho discreto
pelo cansaço
que apenas se recosta
contra a transparente

escuridão.
-  Ana Cristina Cesar, em "A teus pés". São Paulo: Editora Ática/IMS, 1998.


Tu queres sono: despe-te dos ruídos
Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e
dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de
teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a
tua sonora forma de dar, e os outros corpos
que se deitam e se pisam, e as moscas
que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor (não ouças)
que se prepara para carpir tua vigília, e os cantos que
esqueceram teus braços e tantos movimentos
que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela
e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono..
-  Ana Cristina Cesar, em "A teus pés". São Paulo: Editora Ática/IMS, 1998.


Ulysses
E ele e os outros me veem.
Quem escolheu este rosto para mim?
Empate outra vez.
Ele teme o pontiagudo
estilete da minha arte tanto quanto
eu temo o dele.
Segredos cansados de sua tirania.
Tiranos que desejam ser destronados.
Segredos, silenciosos, de pedra,
sentados nos palácios escuros
de nossos dois corações:
segredos cansados de sua tirania.
Tiranos que desejam ser destronados.
O mesmo quarto e a mesma hora
toca um tango
uma formiga na pele
da barriga,
rápida e ruiva,
uma sentinela: ilha de terrível sede.
Conchas humanas.
- Ana Cristina Cesar, em "A teus pés". São Paulo: Editora Ática/IMS, 1998.


Um beijo

Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C..
- Acervo IMS]
que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor
- Ana Cristina Cesar, em "Poética". São Paulo: Companhia das Letras, 2013.


Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]

FORTUNA CRÍTICA DE ANA CRISTINA CESAR
ALBUQUERQUE, Virgínia Coeli Passos de.. Fotogramas de um coração conceitual: faces poéticas de Ana Cristina Cesar. (Dissertação Mestrado em Estudos Literários). Universidade Federal do Espírito Santo, UFES, 1999.
ALMEIDA, Elizama. Um caderno de Ana Cristina. in: IMS - acervo/noticias. Disponível no link. (acessado em 1.1.2016).
ALVES, Maria Lúcia Barbosa. Sob os óculos escuros: rostos, mitos, incômodos de Ana Cristina Cesar. (Dissertação Mestrado em Letras. Universidade Federal do Ceará, UFC, 2006.
ALVES, Maria Lúcia Barbosa. Ana Cristina Cesar: um corpo de crítica. (Tese Doutorado em Estudos da Linguagem). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, 2013.
ALVES, Maria Lúcia Barbosa. Ana Cristina Cesar e algumas lições da sala de aula. In: ARAGÃO, Maria do Socorro Silva de; PONTES, Antonio Luciano; ADERALDO, Marisa Ferreira.. (Org.). Estudos em linguística, literatura e ensino. 1ª ed., Fortaleza: UECE, 2007, v. 1, p. 227-236.
ALVES, Paulo Ricardo. Uma possível Ana Cristina Cesar. in: Revista Cult, nº 184. Disponível no link. (acessado em 31.12.2015).
ARAÚJO, André Luís de. Ana Cristina Cesar: o devir de um corpo. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, 2004.
ARAÚJO, André Luís de. Ana Cristina Cesar: o devir de um corpo. Em Tese (Belo Horizonte), v. 9, p. 21-30, 2005.
BASTOS, Laíse Ribas. Entre Ana Cristina Cesar, o nome e o texto. Boletim de Pesquisa NELIC (on-line), v. 3, p. 204-218, 2010.
BOAVENTURA, Cristiana Tiradentes. A crítica de Ana Cristina Cesar em Escritos no Rio. 1ª ed., 2008. 138p.
Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
BOAVENTURA, Cristiana Tiradentes. A crítica de Ana Cristina Cesar em Escritos no Rio. (Dissertação Mestrado em Literatura Brasileira). Universidade de São Paulo, USP, 2007.
BOSI, Viviana; ZULAR, R.; FALEIROS, Alvaro (Org's.). Sereia de papel. Visões de Ana Cristina Cesar. 1ª ed., Rio de Janeiro: Eduerj, 2015. v. 1. 212p.
BOSI, Viviana. O risco do gato. in: SÜSSEKIND, Flora; DIAS, Tânia; AZEVEDO, Carlito (Orgs.). Vozes femininas: gênero, mediações e práticas da escrita. Rio de Janeiro: 7Letras: Fundação Casa Rui Barbosa, 2003.
BRUM, Janaina Cardoso. Da "Falta do Dizer" ao "Dizer da Falta": a reflexão sobre a produção de sentidos na poesia de Ana Cristina Cesar. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Católica de Pelotas, UCPEL, 2009.
CAMARGO, Maria Lucia de Barros. Atrás dos olhos pardos: uma leitura da poesia de Ana Cristina Cesar. (Tese Doutorado em Letras). Universidade de São Paulo, USP, 1990.
CAMARGO, Maria Lucia de Barros. Atrás dos olhos pardos: uma leitura da poesia de Ana Cristina Cesar. 1ª ed., Chapecó - SC: Argos, 2003. v. 1. 328p.
CARDOSO, Tania Cardoso de.. Entre vozes, silêncio um sujeito se inscreve na experiência da escrita poética: a poesia de Ana Cristina Cesar. (Tese Doutorado em Letras). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, 2010.
CARDOSO, Tania Cardoso de.. O sujeito poético em Ana Cristina Cesar. Letras de Hoje (Impresso), v. 46, p. 78-86, 2011.
CIPULLO, Silvia Maria Fernandes. Ana Cristina Cesar lê Drummond. (Dissertação Mestrado em Literatura). Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, 1994.
COMIN, Clarissa Loyola. Poética - Ana Cristina Cesar. revista versalete, v. 2, p. 313-318, 2014.
CORTIVO, Raquel Aparecida Dal.. A dor visível do poema: a oscilante escritura de Ana C.. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP,  São José do Rio Preto, 2002.
CORTIVO, Raquel Aparecida Dal.. E a última, eu já te contei?: a expressividade dos traços narrativos na poesia de Ana Cristina Cesar. In: IX SEminário Mulher e Literatura, 2001, Belo Horizonte. IX Seminário Mulher e Literatura: ANAIS. Belo Horizonte: Gráfica Editora Tavares LTDA., 2001.
COSTA, Cristina Henrique da.. Ana Cristina Cesar: La poète, une femme à imaginer, ni tout à fait la même, ni tout à fait une autre. Quadrant (Montpellier), v. 25, p. 261-282, 2009.
DIAS, Juliana Silva; SILVA, R. L.; SALOMÃO, M. H.. Ana Cristina César: uma obra que se abre para significações múltiplas. Mosaico (São José do Rio Preto), v. 7, p. 235-249, 2008.
DUARTE, Maria Carolina Falcão. Aparências fluidas em Ana Cristina Cesar. Revista do SELL, v. 2, p. 533-545, 2011.
FERNANDES, Aline de Oliveira. Escritos de artistas e processo de criação na arte contemporânea. Auto Ficção e Auto Biografia. (Dissertação Mestrado em artes). Universidade Estadual do Rio de Janeiro, UFRJ, 2014.
FERREIRA, Alba Valéria Cordeiro. Feminino plural:uma leitura da poética de Ana Cristina Cesar. (Dissertação Mestrado em Literatura Brasileira). Universidade Federal Fluminense, UFF, 2002.
FERRO, Letícia Costa e Silva.. "A lira hesitante de Ana Cristina Cesar". (Dissertação Mestrado em Letras e Linguística). Universidade Federal de Goiás, UFG, 2010.
FERRO, Letícia Costa e Silva.. "Forma sem norma: a poética híbrida de Ana Cristina Cesar". (Monografia Graduação em Letras). Universidade Federal de Goiás, UFG, 2005.
FERRO, Letícia Costa e Silva; MARTINS, P. F. S.; RIBEIRO, R. R.. Percursos da lírica brasileira contemporânea: Affonso Romano de Sant´Anna, Ana Cristina Cesar, Orides Fontela. Signotica (UFG), v. 1, p. 179-192, 2006.
FRANCHETTI, Paulo. na beira do andaime. in: Germina Literatura. Disponível no link. (acessado em 31.12.2015).
FREITAS, Euds Cosme de.. Qualquer Coisa de Intermédio: a Marginalidade Andrógina de Ana Cristina Cesar. (Dissertação Mestrado em Estudos de Linguagens). Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS, 2011.
FREITAS, Mariana Nunes de.. Formas das Escritas do eu em Ana Cristina César. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal de Uberlândia, UFU, 2014.
GALVÃO, Raquel Machado. Em suspenso e sob suspeita: Leitura crítica sobre as experiências poéticas de Ana Cristina Cesar. (Dissertação Mestrado em Literatura e Diversidade Cultural). Universidade Estadual de Feira de Santana, UEFS, 2015.
GHIZZI NETO, Joacy. Ana Cristina Cesar e Paulo Leminski trocam cartas. Travessia (UFSC), v. 1, p. 265-280, 2013.
GLEIZE, Lênia Pisani. Ecos ingleses em A teus pés, de Ana Cristina Cesar. Fazendo Gênero 9, Diásporas, diversidades, Deslocamentos, 23 a 26 de agosto de 2010. Disponível no link. (acessado em 1.1.2016). 
GOMES, Adriana de Freitas. A Voz da Mulher no Contexto Tradutório: Análise da Tradução de "Bliss", de Katherine Mansfield, para o Português, por Ana Cristina Cesar. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF, 2006. 
GOMES, Adriana de Freitas; OLIVEIRA, Maria Clara Castellões de.. Ana Cristina Cesar, tradutora de Katherine Mansfield. Ipotesi (UFJF), v. 13, p. 41-56, 2009.
GOMES, Adriana de Freitas. Ana Cristina Cesar - A tradução como exercício de recriação. Revista Gatilho (PPGL/ UFJF. Online), v. 4, p. ano 2, 2006. Disponível no link. (acessado em 1.1.2016).
GONÇALVES, Cristiane Roveda. Quem tem medo de Ana Cristina Cesar?. Boletim de Pesquisa NELIC (Impresso), v. 3, p. 195-203, 2010.
GONÇALVES, Daniel José. O desbunde como manifestação política: a identidade de gênero na obra de Ana Cristina Cesar. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Paraná, UFPR, 2008.
Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
HABKOST, Nestor M.. Luvas de pelica ou da máquina intersubjetiva de visibilidade. in: Travessia. Disponível no link. (acessado em 31.12.2015).
HERINGER, Carolina. Obra de Ana Cristina César permanece viva. Puc-riodigital, 10.03.2009. Disponível no link. (acessado em 1.1.2016).
JUNQUEIRA, Ivan. A presença poética feminina. Ensaios Escolhidos. São Paulo: A Girafa Editora, 2005, p. 483 - 506.
JUSTINO, Katiuce Lopes. Conversa de Senhoras: A performance do feminino em Ana Cristina Cesar. (Tese Doutorado em Letras). Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, 2014. 
LEONE, Luciana Maria di.. Ana C.: as tramas da consagração. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, 2007. Disponível no link. (acessado em 1.1.2016).
LEONEL, Valéria de Cássia. A escrita confessional de Ana Cristina César. (Dissertação Mestrado em Letras). Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações, UNINCOR, 2006.
LIMA, Dhandara Soares de.. Da despersonalização à impessoalidade na poesia de Ana Cristina César. (Dissertação Mestrado em Letras -Linguagem e Sociedade). Universidade Estadual do Oeste do Paraná, UNIOESTE, 2013.
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Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
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VIEGAS, Ana Claudia. Bliss & blue: segredos de Ana C.. (Selo Universidade - 86, Literatura). São Paulo: Annablume, 1998. 
WILLMER, Rhea Silvia. Ana Luísa Amaral e Ana Cristina Cesar, modos de pensar o feminino na poesia contemporânea em português. (Tese Doutorado em Letras). Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, 2014.
WILLMER, Rhea Silvia. Ana Cristina César: poesia em feminino e experiência urbana. In: Aline Alves Arruda; Ana Caroline Barreto Neves; Constância Lima Duarte; Kelen Benfenatti Paiva; Maria do Rosário Alves Pereira. (Org.). A Escritura no Feminino: Aproximações. 1ª ed., Florianópolis: Editora Mulheres, 2011, v. 1, p. 155-163.
WILLMER, Rhea Silvia; ED., A. M. D.. Ana Cristina Cesar e Ana Luisa Amaral: dar voz às musas. In: Congresso Internacional La Lengua Portuguesa, 2014, Salamanca. La Lengua Portuguesa, Estudios sobre literatura y cultura de exprésion portuguesa. Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca, 2014. v. 1. p. 1111-1120.



"Cada texto poético está entremeado com outros textos poéticos. Ele não está sozinho. É uma rede sem fim. É o que a gente chama de intertextualidade. Então, um remete ao outro... Aqui mesmo tem um índice onomástico que dá algumas pistas de autores com os quais eu cruzo, que até, às vezes eu copio, cito descaradamente. Então, a poesia está sempre fazendo isso....Todo autor de literatura faz isso, só que uns dizem e outros não dizem. Todo o autor, de repente, está muito atento ao que ele lê, ao que ele ouve, e incorpora isso no próprio texto.... Foi onde eu cruzei, quem eu citei, quem eu li, quem o texto namora, sabe."
- Ana Cristina Cesa, em "Escritos no Rio". São Paulo: Editora Brasiliense, 1993. 

Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana Cristina Cesar - Acervo IMS]

MANUSCRITOS DE ANA CRISTINA CESAR

Original do poema 'Chove', de 11 de outubro de 1965, com as anotações de Ana Cristina.
[Arquivo Ana Cristina Cesar - Acervo IMS]
Chove
A chuva cai.
Os telhados estão molhados,
Os pingos escorrem pelas vidraças.
O céu está branco,
O tempo está novo.
A cidade lavada.
A tarde entardece,
Sem o ciciar das cigarras,
Sem o jubilar dos pássaros,
Sem o sol, sem o céu.
Chove.
A chuva chove molhada,
No teto dos guarda-chuvas.
Chove.
A chuva chove ligeira,
Nos nossos olhos e molha.
O vento venta ventado,
Nos vidros que se embalançam,
Nas plantas que se desdobram.
Chove nas praias desertas,
Chove no mar que está cinza,
Chove no asfalto negro,
Chove nos corações.
Chove em cada alma,
Em cada refúgio chove;
E quando me olhaste em mim,
Com os olhos que me seguiam,
Enquanto a chuva caía
No meu coração chovia
A chuva do teu olhar.
- Ana Cristina Cesar, em "Inéditos e dispersos". [organização Armando Freitas Filho]. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985.

Original do poema 'Protuberância', de 1 de agosto de 1968. [Arquivo Ana Cristina Cesar - Acervo IMS]

Protuberância
Este sorriso que muitos chamam de boca
É antes um chafariz, uma coisa louca
Sou amativa antes de tudo
Embora o mundo me condene
Devo falar em nariz(as pontas rimam por dentro)
Se nos determos amanhã
Pelo menos não haverá necessidades frugais nos espreitando
Quem me emprestar seu peito ma madrugada
E me consolar, talvez tal vez me ensine um assobio
Não sei se me querem, escondo-me sem impasses
E repitamos a amadora sou
Armadora decerto atrás das portas
Não abro para ninguém, e se a pena é lépida, nada me detém
É sem dúvida inútil o chuvisco de meus olhos
O círculo se abre em circunferências concêntricas que se
Fecham sobre si mesmas
No ano 2001 terei (2001-1952=) 49 anos e serei uma rainha
Rainha de quem, quê, não importa
E se eu morrer antes disso
Não verei a lua mais de perto
Talvez me irrite pisar no impisável
E a morte deve ser muito mais gostosa
Recheada com marchemélou
Uma lâmpada queimada me contempla
Eu dentro do templo chuto o tempo
Um palavra me delineia
VORAZ
E em breve a sombra se dilui,
Se perde o anjo.
- Ana Cristina Cesar, em "Poética". São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

Manuscrito "Descuido não (concentração), de Ana Cristina Cesar [Arquivo Ana Cristina Cesar - Acervo IMS]
Descuido não (concentração)
Lembrar da caretice que você não gosta.
Reaproveitar o casaquinho de banlon.
Quando você mal pensa que é novidade, não é.
existe uma medida entre o descuido e a
premeditação – trata-se do cuidado (floating attention). Daí escapam maps of England,
birds, pessoas seguindo numa certa direção,
bichos que vão virando gente, discretamente eróticos, desejando
mancha transparente e diluída de aquarela cor de rosa, see?
Medida exata entre o acaso e a estrutura.
Aprender fazendo, baby.
começar pelas médias (daí para pequenas, depois para grandes). 
- Ana Cristina Cesar, em "Caderno de desenhos". [com desenhos e anotações da poeta durante sua estada nas cidades inglesas de Portsmouth e Colchester, em 1980]. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1980.



Poema "Uma poesia de Criança", de Ana Cristina Cesar (datilografado) de agosto de 1958.
[Arquivo Ana Cristina Cesar - Acervo IMS]


Ana Cristina Cesar, por João Pinheiro

ALGUNS POEMAS TRADUZIDOS POR ANA CRISTINA CESAR

Sylvia Plath

Palavras
Golpes,
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto
Do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

Words
Axes
After whose stroke the wood rings,
And the echoes!
Echoes travelling
Off from the center like horses.

The sap
Wells like tears, like the
Water striving
To re-estabilish its mirror
Over the rock

That drops and turns,
A white skull,
Eaten by weedy greens
Years later I
Encounter them on the road —

Words dry and riderless,
The indefatigable hoof-taps.
While
From the bottom of the pool, fixed stars
Govern a life.
- Sylvia Plath, in: CESAR, Ana Cristina [tradução],  "Escritos da Inglaterra". São Paulo. Editora Brasiliense, 1988, p. 173.



ACERVO ANA CRISTINA CESAR

Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana Cristina Cesar - Acervo IMS]
O Acervo Ana Cristina Cesar chegou ao Instituto Moreira Salles em quatro etapas que se sucederam entre setembro de 1999 e setembro de 2005. É formado de biblioteca de cerca de 797 itens, entre livros e periódicos, revistas de artes e teses de doutorado, catalogada; e de arquivo com aproximadamente: produção intelectual contendo 300 documentos, entre os quais anotações de leitura, crítica literária, poemas e cadernos de notas, correspondência com 40 itens, 590 recortes de jornais e de revistas, desenhos, quatro documentos audiovisuais e provas de impressão de livros. O acervo conta ainda com a máquina de escrever da poeta.
:: Instituto Moreira Salles - IMS



NAS REDES SOCIAIS
:: Fanpage Ana Cristina Cesar


Ana Cristina Cesar - [Arquivo Ana C.. - Acervo IMS]
REFERÊNCIAS E OUTRAS FONTES DE PESQUISA
:: A voz da poesia
:: Antonio Miranda
:: Enciclopédia Itaú Cultural
:: O suicidário
:: Releituras



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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Ana Cristina Cesar - movimentos e fragmentos poéticos. Templo Cultural Delfos, dezembro/2015. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 26.6.2016.



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Um comentário:

  1. Parabéns pelo site! Não conhecia o trabalho de vocês e fiquei surpreso quando - buscando na internet - encontrei uma página com informações desta qualidade. Com o site descobri informações relevantes sobre a vida da poeta, Ana Cristina Cesar, que há alguns meses me despertou a curiosidade. Outro êxito do site são os poemas da escritora - uma jóia - continuem assim!

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