Anna Akhmátova - linguagem e mitopoética

Anna Akhmátova, por Natan Altman (1914)
Anna Akhmátova nasceu em Odessa, Ucrânia, com o nome Anna Gorenko, em 23 de junho de 1889. Cedo se interessou pela poesia, paixão que o pai não apoiava e que a obrigou a adotar o pseudónimo Anna Akhmátova (apelido da bisavó materna). Em 1907, ingressou na escola de Direito em Kiev e, em 1910, casou-se com o poeta e crítico Nikolai Gumliev.
Em 1912, nasceu Lev, filho do casal, mesma data em que Anna publicou o seu primeiro livro, o que lhe abriu as portas para a cena literária de São Petersburgo. Akhmátova tornou-se, em conjunto com Gumliev, líder do Acmeismo – movimento literário russo que, em oposição ao Simbolismo, defendia o verso lúcido e cuidadosamente construído.
Em 1918, a poeta divorciou-se de Gumliev, voltando a casar-se por duas vezes, primeiro com Vladimir Shileiko e depois com Nikolai Punin.
Em 1921, após o assassinato de Gumliev pelos bolcheviques, as oportunidades de publicação escassearam para Akhmátova (dada a ligação que mantinha com Gumliev), o que fez com que se dedicasse à crítica literária de autores como Púchkin e à tradução. A mudança da situação política permitiu a entrada de Akhmátova no Sindicato de Escritores. No entanto, o agravamento da 2ª Guerra Mundial levou à sua expulsão do Sindicato, bem como à banição oficial da sua poesia. Morreu em Leninegrado, cidade onde viveu grande parte da sua vida, em 1966.
Entre os seus trabalhos mais aclamados encontra-se Réquiem, uma reação ao período de terror stalinista. Na área da tradução, Akhmátova trabalhou autores como Victor Hugo, Rabindranath Tagore e Giacomo Leopardi.
Algumas obras da poeta: Entardecer (1912), Rosário (1914), Rebanho branco (1916), Anno Domini MCMXXI (1922), Réquiem (1963).
:: Fonte: L&PM Editores (acessado em 26.6.2016)



OBRA EM PORTUGUÊS DE ANNA AKHMÁTOVA
Anna Akhmatova, por Saryan Martiros (1946)
Livros
:: Réquiem: Ana Akhmátova. [tradução de Aurora F. Bernardini e Hadasa Cytrynowicz]. Edição bilíngue. São Paulo: Art Editora, 1991.
:: Prosas escolhidas e poema sem herói. Anna Akhmátova. [tradução Filipe Guerra e Nina Guerra]. Lisboa: Relogio D'água, 2001.
:: Poemas. Anna Akhmatova. [seleção, tradução e notas de Joaquim Manuel Magalhaes e Vadim Dmitriev]. Lisboa: Relógio D´água, 2003.
:: Anna: a voz da Rússia: vida e obra de Anna Akhmátova. [autor, tradutor Lauro Machado Coelho]. São Paulo: Algol Editora, 2008.
:: Anna Akhmátova: antologia poética. [seleção, tradução, apresentação e notas Lauro Machado Coelho]. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2009.

Antologias (participação)

:: Poesia russa moderna. [tradução de Augusto de Campos; Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman]. 6ª ed., revisada e ampliada. Coleção Signos. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.
:: Poesia da recusa. [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.
:: Poemas russos. [organização Mariana Pithon e Nathalia Campos; vários tradutores]. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2011.



Anna Akhmatova, por Olga Kardovskaya (1914)
POEMAS  SELECIONADOS DA POETA ANNA AKHMÁTOVA (EDIÇÃO BILÍNGUE)

Asa

Eu vivo como um cuco no relógio.
Não invejo os pássaros livres.
Se me dão corda, canto.

Só aos inimigos

Se deseja
Tanto.

1911

.

Я живу, как кукушка в часах,
Не завидую птицам в лесах.
Заведут - и кукую.

Знаешь, долю такую

Лишь врагу
Пожелать я могу.

1911

- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това), no livro "Poesia da recusa". [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§


Torci os dedos sob a manta escura...

Torci os dedos sob a manta escura...
"Por que tão pálida?" ele indaga.
– Porque eu o fiz beber tanta amargura
Que o deixei bêbado de mágoa 

Como esquecer? Ele saiu sem reação,

A boca retorcida, em agonia...
Desci correndo, sem tocar no corrimão, 
E o encontrei no portão, quando saía.

"É tudo brincadeira, por favor,

Não parta, eu morro se você se for.
E ele, com um sorriso frio, isento,
Me disse apenas: "Não fique ao relento"

1911

.

Сжала руки под тёмной вуалью...

Сжала руки под тёмной вуалью...
"Отчего ты сегодня бледна?"
- Оттого, что я терпкой печалью
Напоила его допьяна.

Как забуду? Он вышел, шатаясь,

Искривился мучительно рот...
Я сбежала, перил не касаясь,
Я бежала за ним до ворот.

Задыхаясь, я крикнула: "Шутка

Всё, что было. Уйдешь, я умру."
Улыбнулся спокойно и жутко
И сказал мне: "Не стой на ветру".

1911

- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това), no livro "Poesia da recusa". [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§


Cleópatra

                                                                            Os palácios de Alexandria
                                                                            Cobriram-se de sombras suaves.
                                                                                                            PÚSCHKIN

Ela já beijara os lábios de Antônio, sem vida,

E chorava, de joelhos, ante Augusto, vencida…
E os servos a traíram. Sob a águia de Roma
As trombetas ressoam. E o crepúsculo assoma.

E chega o último escravo de sua beleza,

Alto e solene, num sussurro, ele pondera:
“Vão te levar para ele… em triunfo… como presa…”
Mas a curva do colo do cisne não se altera.

Amanhã acorrentarão seus filhos. Pouco lhe resta:

Brincar com este rapaz até perder a mente
E, de piedade, a víbora negra – último gesto –
Depor no peito moreno com a mão indiferente.

1940

.

Клеопатра

Александрийские чертоги
Покрыла сладостная тень.
Пушкин

Уже целовала Антония мертвые губы,

Уже на коленях пред Августом слезы лила...
И предали слуги. Грохочут победные трубы
Под римским орлом, и вечерняя стелется мгла.

И входит последний плененный ее красотою,

Высокий и статный, и шепчет в смятении он:
«Тебя — как рабыню... в триумфе пошлет пред собою...»
Но шеи лебяжьей все так же спокоен наклон.

А завтра детей закуют. О, как мало осталось

Ей дела на свете — еще с мужиком пошутить
И черную змейку, как будто прощальную жалость,
На смуглую грудь равнодушной рукой положить.

1940

- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това), no livro "Poesia da recusa". [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§


Lendo Hamlet

Anna Akhmatova, por Yuri Annenkov (1921)
O cemitério. Inflete um rio anil
À direita, no vazio do terreno.
Tu me disseste:
“Vai para um convento!
Ou se queres desposa um imbecil…”
Estas coisas só um príncipe diz,
Discurso que se grava na memória 
Por séculos a fio e que se desliza
Manto de zibelina pelas costas.

1909

.

Читая Гамлета

У кладбища направо пылил пустырь,
А за ним голубела река.
Ты сказал мне: "Ну что ж, иди в монастырь
Или замуж за дурака..."
Принцы только такое всегда говорят,
Но я эту запомнила речь, –
Пусть струится она сто веков подряд
Горностаевой мантией с плеч.

1909

- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това). 'Dístico'. {tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman}. no livro "Poesia russa moderna". [tradução de Augusto de Campos; Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman]. 6ª ed., revisada e ampliada. Coleção Signos. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.

§


Do ciclo os mistérios do ofício

Não me importa o exército das odes, 
Nem o jogo torneado da elegia.
Nos versos, tudo é fora de propósito.
Não como entre as pessoas, - me dizia. 

Saibam vocês, o verso, é do monturo

Que eles se alenta, sem vexame disso,
Como um dente-de-leão pegado ao muro,
Anserina, bardana, erva-de-lixo. 

Grito de zanga, um travo de alcatrão,

Um bolor misterioso que esverdinha... 
E eis o verso, furor e mansidão,
Para alegria de vocês e minha.

1940

.

Цикл Тайны Ремесла

Мне ни к чему одические рати 
И прелесть элегических затей. 
По мне, в стихах всё быть должно некстати, 
Не так, как у людей.
Когда б вы знали, из какого сора 
Растут стихи, не ведая стыда, 
Как жёлтый одуванчик у забора, 
Как лопухи и лебеда.
Сердитый окрик, дёгтя запах свежий, 
Таинственная плесень на стене... 
И стих уже звучит, задорен, нежен, 
На радость вам и мне.

1940

- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това). 'Dístico'. {tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman}. no livro "Poesia russa moderna". [tradução de Augusto de Campos; Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman]. 6ª ed., revisada e ampliada. Coleção Signos. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.

§


Dístico

Que outros me louvem – seu louvor é cinzas.
Que me reproves – teu rancor, alvíssaras.

1931

.

Двустишие

От других мне хвала — что зола.
От тебя и хула — похвала.

1931

- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това). 'Dístico'. {tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman}. no livro "Poesia russa moderna". [tradução de Augusto de Campos; Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman]. 6ª ed., revisada e ampliada. Coleção Signos. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.

§


Eu visitei o poeta

Para Aleksandr Blok

Eu visitei o poeta 

ao meio-dia em ponto. Domingo.
Quietude no amplo quarto
e, fora das janelas, o frio
e um sol cor de amoras silvestres,
envolto em névoa hirsuta e azulada...
Com que olhar aguçado o taciturno
anfitrião olhava para mim!
Tinha olhos daquele tipo
de que a gente nunca se esquece;
melhor seria, cuidadosa,
eu não devolver seu olhar.
Mas me lembrarei sempre da conversa,
o meio dia nevoento, domingo,
naquela casa alta e cinzenta,
junto aos portões do Nevá para o mar.

janeiro de 1914

.

"Я пришла к поэту в гости..."

Александру Блоку

Я пришла к поэту в гости.

Ровно полдень. Воскресенье.
Тихо в комнате просторной,
А за окнами мороз.
И малиновое солнце
Над лохматым сизым дымом...
Как хозяин молчаливый
Ясно смотрит на меня.
У него глаза такие,
Что запомнить каждый должен,
Мне же лучше, осторожной,
В них и вовсе не глядеть.
Но запомнится беседа,
Дымный полдень, воскресенье,
В доме сером и высоком
У морских ворот Невы.

Январь 1914

- Anna Akhmátova (Анна Ахматова). "Eu visitei o poeta | Я пришла к поэту в гости".. [tradução Lauro Machado Coelho]. no livro "Poemas russos". [organização Mariana Pithon e Nathalia Campos]. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2011, p. 63.

§


Aprendi a viver com simplicidade, com juízo,

a olhar o céu, a fazer minhas orações,
a passear sozinha até a noite,
até ter esgotado esta angústia inútil.
Enquanto no penhasco murmuram as bardanas
e declina o alaranjado cacho da sorveira,
componho versos bem alegres
sobre a vida caduca, caduca e belíssima.
Volto para casa. Vem lamber a minha mão
o gato peludo, que ronrona docemente,
e um fogo resplandecente brilha
no topo da serraria, à beira do lago.
Só de vez em quando o silêncio é interrompido
pelo grito da cegonha pousando no telhado.
Se vieres bater à minha porta,
é bem possível que eu sequer te ouça.

1912

.

Я научилась просто, мудро жить

Смотреть на небо и молиться богу, 
И долго перед вечером бродить, , 
Чтоб утомить ненужную тревогу.
Когда шуршат в овраге лопухи 
И никнет гроздь рябины жёлто-красной, 
Слагаю я весёлые стихи 
О жизни тленной, тленной и прекрасной.
Я возвращаюсь. Лижет мне ладонь 
Пушистый кот, мурлыкает умильней, 
И яркий загорается огонь 
На башенке озёрной лесопильни.
Лишь изредка прорезывает тишь 
Крик аиста, слетевшего на крышу. 
в дверь И если мою ты постучишь, 
Мне кажется, я даже не услышу.

1912

- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това), no livro "Anna Akhmátova: antologia poética". [seleção, tradução, apresentação e notas Lauro Machado Coelho]. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2009.

§


Música

Algo de miraculoso arde nela,
fronteiras ela molda aos nossos olhos.
É a única que continua a me falar
depois que todo o resto tem medo de estar perto.
Depois que o último amigo tiver desviado o seu olhar
ela ainda estará comigo no meu túmulo,
como se fosse o canto do primeiro trovão,
ou como se todas as flores explodissem em versos.
.

Музыка

В ней что-то чудотворное горит,
И на глазах ее края гранятся.
Она одна со мною говорит,
Когда другие подойти боятся.
Когда последний друг отвел глаза,
Она была со мной в моей могиле
И пела словно первая гроза
Иль будто все цветы заговорили.
- Anna Akhmátova (Анна Ахматова), no livro "Anna: a voz da Rússia: vida e obra de Anna Akhmátova". [autor e tradutor Lauro Machado Coelho]. São Paulo: Algol Editora, 2008.

§


O veredicto
E a pétrea palavra caiu
sobre o meu peito ainda vivo.
Pouco importa: estava pronta.
Dou um jeito de aguentar.

Hoje, tenho muito o que fazer:
devo matar a memória até o fim.
Minha alma vai ter de virar pedra.
Terei de reaprender a viver.

Senão... o ardente ruído do verão
é como uma festa debaixo da janela.
Há muito tempo eu esperava
por este dia brilhante, esta casa vazia.

Casa Fontán, 22/6/1939
.

Приговор
И упало каменное слово
На мою еще живую грудь.
Ничего, ведь я была готова,
Справлюсь с этим как-нибудь.

У меня сегодня много дела:
Надо память до конца убить,
Надо чтоб душа окаменела,
Надо снова научиться жить.

А не то... Горячий шелест лета,
Словно праздник за моим окном.
Я давно предчувствовала этот
Светлый день и опустелый дом.
- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това),  do poema “Réquiem”, no livro "Anna Akhmátova: antologia poética". [seleção, tradução, apresentação e notas Lauro Machado Coelho]. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2009.

§

Tantas vezes maldizia
Este céu e esta terra,
As mãos do moinho com musgo
Agitando-se pesadas!
No anexo está um morto,
Hirto e grisalho, num banco,
Como há três anos atrás.
Os ratos roem os livros,
Para a esquerda verga a chama
Da vela de estearina.
E canta e canta odioso
O guizo de Níjni-Novgorod
Uma singela canção
Da minha aldeia amarga.
E pintadas vivamente
Erguem-se rectas as dálias
Pelo carreiro de prata
Com corações e absinto.
Foi assim: a reclusão
Tornou-se segunda pátria,
Mas da primeira não ouso
Nem nas preces recordar.

Julho de 1915
.

Столько раз я проклинала
Это небо, эту землю,
Этой мельницы замшелой
Тяжко машущие руки!
А во флигеле покойник,
Прям и сед, лежит на лавке,
Как тому назад три года.
Так же мыши книги точат,
Так же влево пламя клонит
Стеариновая свечка.
И поет, поет постылый
Бубенец нижегородский
Незатейливую песню
О моем веселье горьком.
А раскрашенные ярко
Прямо стали георгины
Вдоль серебряной дорожки,
Где улитки и полынь.
Так случилось: заточенье
Стало родиной второю,
А о первой я не смею
И в молитве вспоминать.

Июль 1915
- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това), no livro "Anna Akhmatova: Poemas". [seleção, tradução e notas de Joaquim Manuel Magalhaes e Vadim Dmitriev]. Lisboa: Relógio D'Água, 2003, p. 27.


Anna Akhmatova, em desenho de Modigliani

FORTUNA CRÍTICA DE ANNA AKHMÁTOVA
ANDRADE, Homero Freitas de.. Anna de Todas as Rússias. Aproximações Europa de Leste. Em Língua Portuguesa, Lisboa, v. 28, p. 122-125, 1989.
CARVALHO, Maria do Socorro. A última rosa: a guerra permanente de Anna Akhmátova. Revista Garrafa (PPGL/UFRJ), v. 24 - 1, p. S/N-s/n, 2011.
Anna Akhmatova, por Kuzma Petrov-Vodkin (1922)
CRUZ, Antonio Donizeti da.. Mito e linguagem em Anna Akhmátova. In: Simpósio Nacional de Ciências Humanas - Universidade e Sociedade, 2006, Marechal Cândido Rondon. Programação e Resumos do Simpósio Nacional de Ciências Humanas - Universidade e Sociedade. Marechal Cândido Rondon - PR: Líder, 2006. v. 1. p. 68-68.
FILME. "The Anna Akhmatova File" (1989), filme de Semion Aranovich (1934 - 1995). in: Revista Modo de Usar, 23.1.2011. Disponível no link. (acessado em 23.6.2016).
GURGEL, Rodrigo. Anna Akhmátova e o jugo da utopia. in: Rodrigo Gurgel - Literatura e Escrita Criativa, 29.10.2011. Disponível no link. (acessado em 23.6.2016).
JOVANOVIC, Vojislav Aleksandar.. Uma voz emocionada (A delicada poesia de Anna Akhmátova, vítima e testemunha de meio século de História da URSS).. Veja, S. Paulo, p. 103 - 104, 4 dez. 1991.
KEMPINSKA, Olga Donata Guerizoli. A tradução do efeito humorístico. Itinerários, Araraquara, n. 38, p.47-58, jan./jun. 2014. Disponível no link. (acessado em 23.6.2016).
KEMPINSKA, Olga Donata Guerizoli. O ritmo e o gênero. in: Remate de Males, Campinas-SP, (34.1): pp. 113-126, Jan./Jun. 2014. Disponível no link. (acessado em 23.6.2016).
MORAES, Milene. "Anna Akhmátova: a poesia como resistência". In: III Colóquio Mulheres em Letras/I Encontro Nacional Mulheres em Letras, 2011. Anais do I Encontro Nacional Mulheres em Letras, 2011.
PARISOT, Christian. Modigliani. biografia. [tradução de Julia da Rosa Simões]. Série Biografias L&PM, 2006.
PILATI, Alexandre. A voz de todas as Rússias. in: Especial, Caderno C - Correio Braziliense, 13 de dezembro de 2008. Disponível no link. (acessado em 26.6.2016).
SOARES, Sonia Branco. A Bachiana Brasileira de Anna Akhmátova. [tradução e artigo Sonia Branco Soares]. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.


Nikolai Gumilev, Lev Gumilev and Anna Akhmatova (1913)

O último brinde
Bebo à casa arruinada,
às dores de minha vida,
à solidão lado a lado
e à ti também eu bebo –

            aos lábios que me mentiram,

            ao frio mortal nos olhos,
             ao mundo rude e brutal
             e a Deus que não nos salvou.
.

Последний тост
Я пью за разорённый дом,
За злую жизнь мою,
За одиночество вдвоём,
И за тебя я пью,—

За ложь меня предавших губ,
За мертвый холод глаз,
За то, что мир жесток и груб,
За то, что Бог не спас.
- Anna Akhmátova (А́нна Ахма́това), no livro "Anna Akhmátova: antologia poética". [seleção, tradução, apresentação e notas Lauro Machado Coelho]. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2009.



Anna Akhmatova, por Zinaida Serebriakova (1922)
OUTRAS FONTES E REFERÊNCIAS DE PESQUISA
:: Literatura Russa
:: Ponto Virgulina - Revista de Tradução Literária
:: Rodrigo Gurgel - Literatura e Escrita Criativa


NA REDE
:: Página de Literatura Russa (facebook)


© Direitos reservados aos seus herdeiros

© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske em colaboração com José Alexandre da Silva


=== === ===
Trabalhos sobre o autor:
Caso, você tenha algum trabalho não citado e queira que ele seja incluído - exemplo: livro, tese, dissertação, ensaio, artigo - envie os dados para o nosso "e-mail de contato", para que possamos incluir as referências do seu trabalho nesta pagina. 

Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Anna Akhmátova - linguagem e mitopoética. Templo Cultural Delfos, junho/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
____

** Página atualizada em 26.6.2016.




Licença de uso: O conteúdo deste site, vedado ao seu uso comercial, poderá ser reproduzido desde que citada a fonte, excetuando os casos especificados em contrário. 
Direitos Reservados © 2016 Templo Cultural Delfos

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradecemos a visita. Deixe seu comentário!