August Stramm - poeta expressionista alemão

August Stramm
August Stramm (1874-1915), poeta alemão. Formado em Filosofia na universidade de Halle, trabalhou como inspetor dos correios em Bremen. Convocado para lutar na I Guerra Mundial, faleceu em combate na frente russa. O poeta, que integrou o grupo da revista literária Der Sturm, foi um dos autores mais talentosos e inventivos do expressionismo alemão, abandonando a métrica e fraturando a sintaxe de forma radical. Além da poesia, escreveu também para o teatro. No Brasil, foi traduzido por Augusto e Haroldo de Campos (este último publicou um ensaio sobre o poeta, acompanhado de traduções, no livro O Arco-Íris Branco).
:: Fonte: Revista Zunaí. (acessado em 12.2.2016).


"August Stramm nos legou um conjunto de poemas que apesar de pouco extenso impressiona vivamente pela obsessão temática, pela audácia textural e pela radicalidade do discurso. Em sua verticalização aguda e agressiva, seus hirtos construtos líricos nos aguardam: estalactites de sangue no fundo escuro da insondável caverna do mistério humano – brilham se iluminados e de tão densos e sucintos parecem cortar como faca em nossa emoção e sensibilidade."
- Augusto de Campos, in:
August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.
 



OBRAS PUBLICADAS NO BRASIL
Poesia
:: Os estenogramas líricos, de August Stramm. [tradução e ensaio Haroldo de Campos]. in: CAMPOS, Haroldo de.. O arco-íris branco. Rio de Janeiro: Imago 1997, p.109-127. 
:: August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

Antologia (participação)
CAVALCANTI, Claudia (org. e trad.). Poesia expressionista alemã. São Paulo: Estação Liberdade, 2000. 

August Stramm

POEMAS (BILÍNGUE) ESCOLHIDOS DE AUGUST STRAMM  

a caminho da igreja
Montanhas soam
Teu andar vibra sóis
As mãos fulgem
Luzes
Estrelas
A torre da igreja dominga
Murmura
Onde está você


kirchgang
Die Berge läuten
Dein Gang wippt Sonnen
Die Hände funkeln
Lichten
Sternen
Der Kirchturm sonntagt
Raunt
Wo bist Du.
- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.


§
 Do livro DU – Você

Encontro
O portão agarra com fitas listras
Meu bastão bate
Retine
No escanchado marco de pedra.
O riso
Aterroriza
No escuro
Ilusexcitante
Em
Tremor cálido
Tropeça
Brusco
O pensamento.
Um beijo negro
Furta arisco porta afora
O lampião
Bruxu
Luz
Atrás
Dele
No beco.


Verabredung
Der Torweg fängt mit streifen Bändern ein
Mein Stock schilt
Klirr
Den frechgespreizten Prellstein.
Das Kichern
Schrickt
Durch Dunkel
Trügeneckend
In
Warmes Beben
Stolpern
Hastig
Die Gedanken.
Ein schwarzer Kuß
Stiehlt scheu zum Tor hinaus
Flirr
Der Laternenschein
Hellt
Nach
Ihm
In die Gasse.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Infiel
Teu riso chora em meu peito
Os lábios irabrasados ferrolham
No hálito farejam murchifolhas!
Teu olhar traicida-se
E
Precipita palavras vociferantes!
Esquecer
Esmigalhar nas mãos!
Livre
Corteja a fímbria do teu vestido
Coleante
Do alto!


Untreu
Dein Lächeln weint in meiner Brust
Die glutverbissnen Lippen eisen
Im Atem wittert Laubwelk!
Dein Blick versargt
Und
Hastet polternd Worte drauf.
Vergessen
Bröckeln nach die Hände!
Frei
Buhlt dein Kleidsaum
Schlenkrig
Drüber rüber!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Passar
A casa faísca nas estrelas
Meu passo para e esfria.
Em teu seio meu cérebro dorme.
Dúvidas me devoram!
Pleno
Sombra teu busto na janela
A espreita me cala
Estrelas roçam ferro em brasa
Meu coração
Carboniza!
Em tua janela
Gela
Cinza de brisa
Os pés arrastam um peso vazio!


Vorübergehn
Das Haus flackt in den Sternen
Mein Schritt verhält und friert.
In deinem Schoße schläft mein Hirn.
Mich fressen Zweifel!
Voll
Schattet deine Büste in dem Fenster
Das Spähen hüllt mich lautlos
Die Sterne streifeln glühes Eisen
Mein Herz
Zerkohlt!
An deinem Fenster
Eist
Ein Windhauch Asche.
Die Füße tragen weiter leere Last!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Sonho
Pelos arbustos estrelas se enroscam
Olhos submergem fumam afundam
Murmuram balbúcios
Flores fendem
Olores instilam
Borrascas inundam
Ventos vagam tragam apagam
Lenços se rasgam
Cair assusta na noite funda.


Traum

Durch die Büsche winden Sterne
Augen tauchen blaken sinken
Flüstern plätschert
Blüten gehren
Düfte spritzen
Schauer stürzen
Winde schnellen prellen schwellen
Tücher reißen
Fallen schrickt in tiefe Nacht.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Desesperado
No alto ressoa um seixo agudo
A noite verte vidro
O tempo estaca
Eu
Cascalho
Tu
Te
Vidras!


Verzweifelt
Droben schmettert ein greller Stein
Nacht grant Glas
Die Zeiten stehn
Ich
Steine.
Weit
Glast
Du!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Melancolia
Trilhar testar
Viver tenta
Estuante estar
Olhares buscam
Expirar cresce
O porvir
Grita!
E
Mude
Ser.


Schwermut

Schreiten Streben
Leben sehnt
Schauern Stehen
Blicke suchen
Sterben wächst
Das Kommen
Schreit!
Tief
Stummen
Wir.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Intimidade
O ouvir fala 
Brasas fremem
Esgares esguelham
Sangue suspira
Teu joelho dobra
Os rios ferventes
Lavam
Lava
No mar
E
Nossas almas
Mur
Muram
Em
Si.


Heimlichkeit
Das Horchen spricht
Gluten klammen
Schauer schielen
Blut seufzt auf
Dein Knie lehnt still
Die heißen Ströme
Brausen
Heiß
Zu Meere
Und
Unsere Seelen
Rauschen
Ein
In
Sich.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Desejo
Mãos esticam
Rigidez treme
Terra cresce da terra
Teu perto longeia
O passo afunda
O estar persegue o ido
Um olhar
Tem
É!
Vanilusão
Eueja!


Sehnen
Die Hände strecken
Starre bebt
Erde wächst an Erde
Dein Nahen fernt
Der Schritt ertrinkt
Das Stehen jagt vorüber
Ein Blick
Hat
Ist!
Wahnnichtig
Icht!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Reencontro
Teu passo treme
O olho morre no olhar
O vento
Agita
Pálidos panos.
Tu
Te re
Tornas!
O tempo corteja o espaço!


Wiedersehen

Dein Schreiten bebt
In Schauen stirbt der Blick
Der Wind
Spielt
Blasse Bänder.
Du
Wendest
Fort!
Den Raum umwirbt die Zeit!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Crepúsculo
O claro acorda o escuro
O escuro aborta a luz
O espaço rompe os espaços
Farrapos afogam-se na solidão!
A alma dança
E
Oscila e oscila
E
Estremece no espaço
Você!
Meus membros buscam-se
Meus membros roçam-se
Meus membros
Oscilam afundam afundam afogam-se
Na
Imensidão
Você!

O claro aborta o escuro
O escuro devora a luz!
O espaço se afoga na solidão
A alma
Ferve
Ferrolha-se
Para!
Meus membros
Giram
Na
Imensidão
Você!

O claro é luz!
A solidão sorve!
A imensidão escorre
Rasga
Me
Em
Você!
Você!


Dämmerung
Hell weckt Dunkel
Dunkel wehrt Schein
Der Raum zersprengt die Räume
Fetzen ertrinken in Einsamkeit!
Die Seele tanzt
Und
Schwingt und schwingt
Und
Bebt im Raum
Du!
Meine Glieder suchen sich
Meine Glieder kosen sich
Meine Glieder
Schwingen sinken sinken ertrinken
In
Unermeßlichkeit
Du!

Hell wehrt Dunkel
Dunkel frißt Schein!
Der Raum ertrinkt in Einsamkeit
Die Seele
Strudelt
Sträubet
Halt!
Meine Glieder
Wirbeln
In
Unermeßlichkeit
Du!

Hell ist Schein!
Einsamkeit schlürft!
Unermeßlichkeit strömt
Zerreißt
Mich
In
Du!
Du!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Compromisso
Teu andar sorri pra mim
E
Toma meu coração.
O aceno prende e afia.
Na sombra do teu vestido
Alça-se
Oscilante
Ameaçador
Murmura!
Ondeias e ondeias.
Meu punho agarra às cegas.
O Sol sorri!
E
Coxeia débeis medos!
Perdido perdido!


Begegnung
Dein Gehen lächelt in mich über
Und
Reißt das Herz.
Das Nicken hakt und spannt.
Im Schatten deines Rocks
Verhaspelt
Schlingern
Schleudert
Klatscht!
Du wiegst und wiegst.
Mein Greifen haschet blind.
Die Sonne lacht!
Und
Blödes Zagen lahmet fort
Beraubt beraubt!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Maldição
Vedas e vetas!
Incêndios uivam
Chamas
Queimam!
Nem eu
Nem tu
Nem ti!
A mim!
Mim!


Fluch
Du sträubst und wehrst!
Die Brände heulen
Flammen
Sengen!
Nicht Ich
Nicht Du
Nicht Dich!
Mich!
Mich!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Passeio noturno
Na noite declinante
Cala-se o nosso passo
Mãos palor temem um tremor convulso
Luz ceifa sombras em nossa cabeça
Nas sombras
Nós!
Alta reluz a estrela
O álamo pende acima
E
Ergue a terra consigo
A terra em sono abraça o céu desnudo.
Tremes e tramas
Teus lábios molham
O céu beija
E
Nos nasce o beijo!


Abendgang
Durch schmiege Nacht
Schweigt unser Schritt dahin
Die Hände bangen blaß um krampfes Grauen
Der Schein sticht scharf in Schatten unser Haupt
In Schatten
Uns!
Hoch flimmt der Stern
Die Pappel hängt herauf
Und
Hebt die Erde nach
Die schlafe Erde armt den nackten Himmel.
Du schaust und schauerst
Deine Lippen dünsten
Der Himmel küßt
Und
Uns gebärt der Kuß!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

 Do livro TROPFBLUT – Gotas de Sangue

August Stramm
Alvorada
A noite
Geme
Às seivas sonolentas
Beijos.
O ferro ringe opaco.
O ódio se estira
E
Arrasta o sonho entre os sulcos.
Rir pesa
O bosque lanceia as sombras.
No olho choram
Estrelas
E se afogam.


Wecken
Die Nacht
Seufzt
Um die schlafen Schläfen
Küsse.
Eisen klirrt zerfahlen.
Haßt reckt hoch
Und
Schlurrt den Traum durch Furchen.
Wiehern stampft
Schatten lanzt der Wald.
Ins Auge tränen
Sterne
Und
Ertrinken.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Campo de batalha
Torrões moles afrouxam o ferro
Sangues filtram flocos de limo
Crostas migalham
Carnes lamam
Amamentar estua nos destroços
Entrematanças
Chispam
Olhos de crianças.


Schlachtfeld

Schollenmürbe schläfert ein das Eisen
Blute filzen Sickerflecke
Roste krumen
Fleische schleimen
Saugen brünstet um Zerfallen.
Mordesmorde
Blinzen
Kinderblicke.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Ferida
A terra sangra sob o capacete
Estrelas caem
O universo tacteia.
Calafrios rangem
Rede
Moínham solidões.
Névoa
Chora
Longe
Teu olhar.


Wunde
Die Erde blutet unterm Helmkopf
Sterne fallen
Der Weltraum tastet.
Schauder brausen
Wirbeln
Einsamkeiten.
Nebel
Weinen
Ferne
Deinen Blick.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Assalto
De todos os ângulos terrores uivam quere
Ácida
Açoita
A vida
Ante
Si
Aqui
A morte arfante
Os céus farrapam
O horror ceifa selvagante os cegos.


Sturmangriff
Aus allen Winkeln gellen Fürchte Wollen
Kreisch
Peitscht
Das Leben
Vor
Sich
Her
Den keuchen Tod
Die Himmel fetzen.
Blinde schlächtert wildum das Entsetzen.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Ocaso
O ócio tece
O torpor anoitece
O orar pesa
O sol chaga
Afaga
Você.


Abend
Müde webt
Stumpfen dämmert
Beten lastet
Sonne wundet
Schmeichelt
Du.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Caído
O céu vela o olho
A terra unha a mão
O ar zumbe
Chora
E
Entrelaça
Lagrimulheres
Dentre
Madeixas


Gefallen
Der Himmel flaumt das Auge
Die Erde krallt die Hand
Die Lüfte sumsen
Weinen
Und
Schnüren
Frauenklage
Durch
Das strähne Haar.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Guarda
A noite embala as pálpebras
O sono pisca e chispa
O inimigo farisca
O cachimbo
Faísca
E Todos os espaços
Tremem
Miúdos
Mudos.


Wacht
Die Nacht wiegt auf den Lidern
Müdigkeit falckt und neckt
Der Feind verschmiegt
Die Pfeife schmugt
Verloren
Und
Alle Räume
Frösteln
Schrumpfig
Klein.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Guerra
A dor draga
A espera encara o horror
Parturir estremece
Gestar estira os membros
A hora sangra
A pergunta ergue o olho
O tempo pare
Cansaço
Pro
Cria
A morte.


Krieg
Wehe wühlt
Harren starrt entsetzt
Kreißen schüttert
Bären spannt die Glieder
Die Stunde blutet
Frage hebt das Auge
Die Zeit gebärt
Erschöpfung
Jüngt
Der
Tod.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Projétil
O céu lança núvens
E estala em fumaça.
Faíscas riscam.
Pés roçam pós.
Olhos casquinam no caos
E
Desesguelham.


Schrapnell
Der Himmel wirft Wolken
Und knattert zu Rauch.
Spitzen blitzen.
Füße wippen stiebig Kiesel.
Augen kichern in die Wirre
Und
Zergehren.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Patrulha
Pedras pontam
Janela ri traição
Galhos esganam
Montes moitas desfolham sussurros
Guincham
Morte


Patrouille

Die Steine feinden
Fenster grinst Verrat
Aeste würgen
Berge Sträucher blättern raschlig
Gellen
Tod.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Temor
Os céus pendem
Sombras sequestram nuvens
Medos
Saltam
Estreitam
Estiram
Cavam
Rôta
Bôta
Resiste
A
Cunha
Cova.


Zagen
Die Himmel hangen
Schatten haschen Wolken
Aengste
Hüpfen
Ducken
Recken
Schaufeln
Müde
Stumpft
Versträubt
Die
Gehre
Gruft.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§
 

Túmulo de guerra
Estacas imploram braços em cruz
A escrita teme o pálido imprevisto
Flores desafiam
Pós se encolhem
Lágrima
Treme
Espelha
Esquecer.


Krieggrab
Stäbe flehen kreuze Arme
Schrift zagt blasses Unbekannt
Blumen frechen
Staube schüchtern.
Flimmer
Tränet
Glast
Vergessen.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Zona de combate
Assombrolhos esquadrinham campos rotos
Acima abaixo
Abaixo acima
O sol
Explode
O sol pedra
E
Desexplode.


Kampfflur
Glotzenschrecke Augen brocken wühles Feld
Auf und nieder
Nieder auf
Brandet
Sonne
Steinet Sonne
Und
Verbrandet.

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§


Sentinela
A cruz da torre assusta uma estrela
O cavalo arfa fumaça
O ferro ringe sonolento
Névoas afogam
Chuvas
Congelam calafrios
Afagam
Sussurram
Você!


Wache
Das Turmkreuz schrickt ein Stern
Der Gaul schnappt Rauch
Eisen klirrt verschlafen
Nebel Streichen
Schauer
Starren Frösteln
Frösteln
Streicheln
Raunen
Du!

- August Stramm - Poemas-estalactites. [tradução Augusto de Campos]. Coleção Signus 44. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.

§

Os estenogramas líricos

Sinal
O tambor compassa
o clarim cresce
e
a morte encosta-se
a cabeça com a morte que tatala
se eriça
ir ir
resistir
vai
e vai e vai
e vai e vai
e vai e vai e vai e vai
vai
compassa
vai



Signal
Die Trommel stapft
das Horn wächst auf
und
Sterben stemmt
das Haupt durch flattre Sterben
sträubt
Gehen Gehen
Sträuben
geht
und geht und geht
und geht und geht
und geht und geht und geht und geht
geht
stapft
geht.
- August Stramm, "Os estenogramas líricos de August Stramm". [tradução Haroldo de Campos
]. in: CAMPOS, Haroldo de.. O arco-íris branco. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

§

Luar
Lívidos langues
Lábeis flexíveis
Gatos odoram
Flores fremem
Águas lambem
Ventos soluçam
A luz desnuda seios agudos
O tacto geme em minha mão.


Mondschein
Bleich und müde
Schmieg und weich
Kater duften
Blüten graunen
Wasser schlecken
Winde schluchzen
Schein entblößt die zitzen Brüste
Fühlen stöhnt in meine Hand.

- August Stramm, "Os estenogramas líricos de August Stramm" [tradução Haroldo de Campos. ]. in: CAMPOS, Haroldo de.. O arco-íris branco. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

§

Inconstância
Meu buscar busca!
Mil vezes me transformo
Me apalpo
E tateio-te
E te apanho!
Anseio-me!
E a ti, a ti, tu
Mil vezes tu
E sempre tu
Multívia tu
Nosfusão
Confusão
Circunfusa
Cada vez mais difusa
Através da
Ambifusão
Tu
Te
Me!


Wankelmut
Mein Suchen sucht!
Viel tausend wandeln Ich!
Ich taste Ich
Und fasse Du
Und halte Dich!
Versehne Ich!
Und Du und Du und Du
Viel tausend Du
Und immer Du
Allwege Du
Wirr
Wirren
Wirrer
Immer wirrer
Durch
Die Wirrnis
Du
Dich
Ich!

- August Stramm, "Os estenogramas líricos de August Stramm" [tradução Haroldo de Campos]. in: CAMPOS, Haroldo de.. O arco-íris branco. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

§

Recordação
mundos emudecem para fora de mim
mundos mundos
negror e palor e cor!
luz na luz!
arder flamejar chamejar
agitar flutuar viver
acercar-se caminhar
caminhar
todos os dorido-esvaídos desejos
todas as acre-escorridas lágrimas
todas as áspero-escarnecidas ânsias
todos os frios fogos sufocados
através da fervitorrente de meu sangue
através do incêndio de meus nervos
através do pensamento-labareda
tempestuam tempestuam
rompem rampam
rodoviam
a ti
a via
a via
a via
para mim!
a ti
a via
meclamorosa
a ti
a via
telírioterna
a ti
a via
flamirrasgada
a ti
a via
impercorrida
nunca
encontrada
via
para
mim!


Erinnerung
Welten schweigen aus mir raus
Welten Welten
Schwarz und fahl und licht!
Licht im Licht!
Glühen Flackern Lodern
Weben Schweben Leben
Nahen Schreiten
Schreiten
All die weh verklungenen Wünsche
All die harb zerrungenen Tränen
All die barsch verlachten Aengste
All die kalt erstickten Gluten
Durch den Siedstrom meines Blutes
Durch das Brennen meiner Sehnen
Durch die Lohe der Gedanken
Stürmen
Bogen bahnen
Regen wegen
Dir
Den Weg
Den Weg
Den Weg
zu mir!
Dir
Den Weg
Den ichumbrausten
Dir
Den Weg
den duumträumten
Dir
Den Weg
Den flammzerrissenen
Dir
Den Weg
Den unbegangenen
Nie
Gefundenen Weg
zu
Mir!

- August Stramm, "Os estenogramas líricos de August Stramm" [tradução Haroldo de Campos]. in: CAMPOS, Haroldo de.. O arco-íris branco. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

§

August Stramm
© Obra em domínio público

© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske em colaboração com José Alexandre da Silva

=== === ===

Trabalhos sobre o autor:
Caso, você tenha algum trabalho não citado e queira que ele seja incluído - exemplo: livro, tese, dissertação, ensaio, artigo - envie os dados para o nosso "e-mail de contato", para que possamos incluir as referências do seu trabalho nesta pagina.

Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten; SILVA, José Alexandre da.. (pesquisa, seleção e organização). August Stramm - poeta expressionista alemão. Templo Cultural Delfos, fevereiro/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
____
** Página atualizada em 13.2.2016.



Licença de uso: O conteúdo deste site, vedado ao seu uso comercial, poderá ser reproduzido desde que citada a fonte, excetuando os casos especificados em contrário. 
Direitos Reservados © 2016 Templo Cultural Delfos

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradecemos a visita. Deixe seu comentário!