Cecília Meireles: poeta e educadora

Cecília Meireles - foto: (...)

Cecília Meireles é reconhecida hoje como uma das mais importantes vozes líricas da literatura brasileira e das literaturas de língua portuguesa. Seu lirismo é marcado pela exploração sonora da língua e por movimentos rítmicos que conferem musicalidade aos versos e, ao mesmo tempo, ajustam-se aos movimentos da alma. O vigor das imagens, a qualidade formal dos versos, a variabilidade das formas poéticas (soneto, canção, epigrama, elegia...), aliados ao tratamento filosófico dado aos temas, explicam esse lugar especial que Cecília ocupa na história da nossa poesia.
Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasce no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901. Órfã de pai e de mãe aos três anos de idade, é educada pela avó materna, Jacintha Garcia Benevides, natural da ilha de São Miguel, nos Açores. Essa avó exerce muita influência sobre a sua formação, cultivando no espírito da futura escritora, desde cedo, o interesse pela pátria portuguesa, sobretudo os Açores, assim como pela cultura indiana e pelo Oriente como um todo. Provavelmente é essa ascendência açoriana que imprime no imaginário da autora o tema da viagem como um apelo recorrente na sua produção literária, que surge inclusive no título de uma de suas obras.
Publica o seu primeiro livro de poemas, intitulado Espectros, em 1919. Segue-se um período de intensas atividades literárias, época em que se encontra com um grupo de escritores que, entre 1919 e 1927, funda as revistas Árvore Nova, Terra de Sol e Festa. Em torno da revista Festa reúnem-se autores como Andrade Muricy, Adelino Magalhães, Tasso da Silveira e Murillo Araújo, que formam, no Rio de Janeiro, a corrente do Modernismo brasileiro que se convencionou chamar “espiritualista”. O convívio de Cecília Meireles com os intelectuais do grupo deve-se ao fato de eles apresentarem uma proposta independente das coordenadas gerais do movimento modernista de São Paulo e de introduzirem, na criação, o diálogo com o pensamento filosófico. Sem responder diretamente aos propósitos de afirmação da nacionalidade e de inovações formais e ideológicas, o grupo ligado à Festa pretende ampliar os limites do projeto modernista em prol de uma arte mais universalista.

Cecília Meireles - foto: Folhapress
Nos anos 20, a autora publica os livros Nunca mais..., Poema dos poemas (1923) e Baladas para El-Rei (1925), obras que revelam a presença da cultura oriental na sua formação, especialmente o livro de 1925. Percebe-se, também, a repercussão do movimento simbolista sobre a produção poética desse período, revelada na exploração da sonoridade, nas imagens imprecisas e de tonalidade mística. Nesta época, escreve ainda os poemas do livro Cânticos, que só serão publicados em 1981.
Preocupada com assuntos relativos ao ensino, Cecília trabalha para o Diário de Notícias do Rio de Janeiro (1930-1933), escrevendo diariamente uma página sobre educação. Essas crônicas seguem sendo publicadas em outros periódicos cariocas. Em 1935, Cecília é convidada a lecionar Literatura Luso-brasileira e, em seguida, Técnica e Crítica Literária na Universidade do Distrito Federal (Rio de Janeiro), onde permanece até 1938. O livro Viagem recebe o prêmio de poe­sia Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, de 1938, sendo publicado em Portugal em 1939. Considerado o tom acentuadamente inovador do Modernismo, Viagem revela uma renovação equilibrada, situando-se entre a tradição e a modernidade. A premiação tem o efeito de consagrar oficialmente a poesia de Cecília Meireles no Brasil e no exterior. O livro representa o alcance da maturidade literária, pois sua obra assume uma feição própria e singular na poesia brasileira do século XX, justamente devido ao equilíbrio entre o clássico e o moderno, tanto do ponto de vista formal quanto temático.
Na seqüência de Viagem, outras publicações no âmbito da poesia consagram definitivamente a escritora, destacando-se as seguintes obras: Vaga música (1942), Mar absoluto e outros poemas (1945), Retrato natural (1947), Amor em Leonoreta (1951), Doze noturnos da Holanda e O aeronauta (1952), Romanceiro da Inconfidência (1953), Canções (1956), Metal rosicler (1960), Poemas escritos na Índia (1962) e Solombra (1963). Em 1964, lança uma coletânea de poemas para crianças, intitulada Ou isto ou aquilo, livro que inaugura uma nova fase da poesia infantil brasileira, tornando-se um clássico da produção poética para a infância.
Cecília Meireles faz muitas viagens ao exterior, entre elas, aos dois países pelos quais tinha muito interesse cultural: Portugal e Índia. O livro Poemas escritos na Índia, publicado em 1962, é resultante de sua viagem a esse país, em 1953, sobre o qual escreveu também um conjunto de crônicas. Nessas publicações, a autora revela a natureza do homem indiano, sua simplicidade e comunhão com a natureza. Em 9 de novembro de 1964, a escritora falece em sua cidade natal.
Estudiosa da literatura, inclusive a destinada à criança, pesquisadora da tradição religiosa oriental, do folclore açoriano e brasileiro, da filosofia ocidental, tradutora de obras fundamentais da literatura universal, entre as quais Bodas de sangue e Yerma, de Federico García Lorca, e Orlando, de Virginia Woolf, Cecília Meireles participa ativamente da cultura e da educação brasileiras do século XX. Mas a sua produção poética ultrapassa fronteiras cronológicas, geográficas e artísticas, e sua contribuição para a educação no Brasil continua atual e instigante.
:: Fonte: Texto de Ana Maria Lisboa de Mello, que pode ser encontrado no livro Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. | reproduzido da L&PM Editora. (acessado em 1.6.2016).
:: Cecília Meireles - fortuna crítica. acesse AQUI!


Autorretrato, por Cecília Meireles.

"Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário que de um lado era amor e, de outro, esquecimento."
- Cecília Meireles, do livro "Retrato Natural", 1949.


“(...) Nasci no Rio de Janeiro, três meses depois da morte do meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas ao mesmo tempo me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno. Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento da minha personalidade.”
- Cecília Meireles


“(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.”
- Cecília Meireles, em "YUNES, Eliana. Cecília Meireles: a ascese poética. in: Mulheres de Palavra. São Paulo: Loyola, 2003, p. 113-162.



CRONOLOGIA DA VIDA E OBRA DE CECÍLIA MEIRELES
Cecília Meireles, Arpad Szénes (c. 1945)
1901 - Cecília Meireles nasce no Rio de Janeiro, em 7 de novembro; seu pai morre três meses antes de seu nascimento.
1904 - Morre sua mãe; passa a ser criada pela avó materna, Jacinta Garcia Benevides.
1910 - Recebe das mãos de Olavo Bilac (1865 - 1918), então inspetor escolar do Distrito Federal, medalha de ouro por "distinção e louvor" no curso primário da Escola Estácio de Sá.
1917 - Forma-se na Escola Normal do Instituto de Educação e segue carreira no magistério.
1919 - Estréia com o livro de sonetos Espectros.
1922 - Casa-se com o artista plástico português Fernando Correia Dias (1893 - 1935). , com quem tem três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada. Suas filhas lhe dão cinco netos. E tem poemas publicados no primeiro número da revista literária Árvore Nova. E publica em Lisboa – Portugal, o ensaio “O Espiríto Vitorioso”, uma apologia do simbolismo.
1923 – Publica Nunca mais... e Poema dos Poemas.
1925 – Publica Baladas para El-Rei.
1929 - Publica a tese O Espírito Vitorioso, com o qual defende a cadeira de literatura brasileira da Escola Normal do Instituto de Educação.
1930 - Escreve crônicas e artigos sobre educação no Diário de Notícias, defendendo novos parâmetros para a questão e criticando o governo Getúlio Vargas (1882 - 1954). Tem poemas publicados na coletânea 9 Poetas Nuevos del Brasil, organizada pelo escritor Enrique Bustamante y Ballivian (1883 - 1937), no Peru.
1930 a 1931 - Mantém no Diário de Notícias uma página diária sobre problemas de educação.
1931 - Começa a escrever sobre educação para o jornal A Nação, e vai até 1934. Morre sua avó.
1932 - Assina, com os educadores Fernando de Azevedo (1894 - 1974), Anísio Teixeira (1900 - 1971), Afrânio Peixoto (1876 - 1947), entre outros, o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, marco da renovação educacional do Brasil.
1934 - Funda a primeira biblioteca infantil do Brasil, no Centro Cultural Infantil do Pavilhão Mourisco, bairro Botafogo – Rio de Janeiro. Que não fica aberta por mais de quatro anos, por causa de intrigas políticas. Neste ano, faz sua primeira viagem ao exterior, para Portugal, onde difundi a cultura, literatura e o folclore brasileiro, numa série de conferências em Lisboa e Coimbra.
1935 - O marido se suicida. Começa a dar aulas de literatura luso-brasileira e de técnica e crítica literária na Universidade do Distrito Federal, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. E escreve sobre folclore no Jornal A Manhã. E crônicas para o Correio Paulistano e dirige a Revista Travel in Brazil, no Rio. Além das atividades no Centro Infantil do Pavilhão Mourisco.
1935 a 1938 - Leciona Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ).
1936 – Mantém sua colaboração, com o jornal Correio Paulistano, escrevendo Crônicas.
1936 a 1938 – Colabora ativamente com o Jornal A Manhã e na Revista Observador Econômico.
Cecília Meireles [retrato]. O Estado de São Paulo,
São Paulo, 28 jun. 1969.
1938 - Recebe o Prêmio Olavo Bilac de poesia, da Academia Brasileira de Letras - ABL, pelo livro Viagem, por sugestão do então relator da comissão de poesia, o escritor Cassiano Ricardo (1885 - 1974), o que levanta polêmica, por ser pela primeira vez concedido a uma mulher e artista de corrente inovadora.
1939 - Lança Viagem, considerado o livro que a insere no modernismo; Olhinhos de Gato passa a ser publicado em capítulos na revista portuguesa Ocidente, até o ano seguinte.
1940 - Casa-se pela segunda vez, com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinicius da Silveira Grilo. Viaja para o México e para os Estados Unidos. Ainda, dá aulas de literatura e cultura brasileiras na Universidade do Texas; e é responsável pela RevistaTravel in Brazil.
1947 - Estréia a peça O Menino Atrasado, na Sociedade Pestalozzi.
1951 - É secretária do 1º Congresso Nacional de Folclore, realizado pela Comissão Nacional de Folclore, no Rio Grande do Sul; aposenta-se do cargo de diretora da prefeitura do Rio de Janeiro, Distrito Federal.
1952 – Recebe e torna-se oficial da Ordem de Mérito do Chile, honraria concedida pelo país vizinho. E realiza numerosas viagens aos Estados Unidos, à Europa, à Ásia e à África, fazendo conferências, em diferentes países, sobre Literatura, Educação e Folclore, em cujos estudos se especializou.
1953 – Torna-se sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia, em 1953. É agraciada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhí – Índia.
1958 - Publica Obra Poética, coletânea de todos os seus livros anteriores, menos os três primeiros.
1962 - Recebe o Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
1963 - Escreve crônicas semanais para a Folha de S.Paulo; ganha o Prêmio Jabuti de tradução, da Câmara Brasileira do Livro - CBL, por Poemas de Israel, de diversos autores. E Seu nome é dado à Escola Municipal de Primeiro Grau, no bairro de Cangaíba, São Paulo (SP).
Cecília Meireles, por Ereio.
1964 - Ganha o Prêmio Jabuti de poesia, da CBL, pelo livro Solombra. Falece no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964, sendo-lhe prestadas grandes homenagens públicas. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e Cultura. Ainda em 1964, é inaugurada a Biblioteca Cecília Meireles em Valparaiso - Chile.
1965 - Recebe o Prêmio Machado de Assis da ABL, post mortem, pelo conjunto de sua obra. O Governo do então Estado da Guanabara denomina Sala Cecília Meireles o grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro. Em São Paulo (SP), torna-se nome de rua no Jardim Japão.
1974 - Seu nome é dado a uma Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho, bairro de São Mateus, em São Paulo (SP).
1989 - Uma cédula de cem cruzados novos, com a efígie de Cecília Meireles, é lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ).
1991 - O nome da escritora é dado à Biblioteca Infanto-Juvenil no bairro Alto da Lapa, em São Paulo (SP).
2001 - O governo federal, por decreto, instituiu o ano de 2001 como "O Ano da Literatura Brasileira", em comemoração ao sesquicentenário de nascimento do escritor Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Cecília Meireles, Murilo Mendes e José Lins do Rego.


“Liberdade essa palavra, que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique, e não há ninguém que não entenda.”
- Cecília Meireles, no livro "Romanceiro da Inconfidência".


OBRA DE CECÍLIA MEIRELES
Poesia
retrato Cecília Meireles, desenhado por Arpad Szenes, 1942
:: Espectros. 1919.
:: Nunca mais... e poema dos poemas. 1923.
:: Baladas para El-Rei. 1925.
:: Viagem. 1939.
:: Vaga Música. 1942.
:: Mar absoluto. 1945.
:: Retrato natural. 1949.
:: Amor em Leonoreta. 1951.
:: Doze noturnos de Holanda/O aeronauta. 1952.
:: Romanceiro da Inconfidência. 1953.
:: Pequeno oratório de Santa Clara. 1955.
:: Pistóia, cemitério militar brasileiro. 1955.
:: Espelho Cego. 1955.
:: Canções. 1956.
:: Romance de Santa Cecília. 1957.
:: A Rosa. 1957.
:: Obra poética. 1958.
:: Metal Rosicler. 1960.
:: Poemas escritos na Índia. 1962.
:: Antologia poética. 1963.
:: Solombra. 1963.
poesia (edição póstuma)
:: Crônica trovada da cidade de Sam Sebastiam do Rio de Janeiro no Quarto Centenário de Sua Fundação pelo Capitão-Mor Estácio de Sá. 1965.
:: Poemas italianos. 1968.
:: Morena, pena de amor. 1976.
:: Cânticos. 1983.
:: Oratório de Santa Maria Egipcíaca. 1996.
:: Poesia completa de Cecília Meireles (edição do centenário).. [organização, introdução e estabelecimento de texto Antonio Carlos Secchin]. 2 vols. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. 
:: Palavras e pétalas – antologia de Cecília Meireles. [organização, seleção e introdução Antonio Carlos Secchin]. Rio de Janeiro: Desiderata, 2008.
:: Cecília Meireles - Cecília de Bolso. [organização e apresentação de Fabrício Carpinejar]. Porto Alegre: Coleção L&PM Pocket, 2008.
:: Romanceiro da inconfidência. Cecília Meireles. [organização e apresentação de Ana Maria Lisboa de Mello]. Porto Alegre: Coleção L&PM Pocket, 2008.


Crônica e prosa
:: Eternidade de Israel. 1959.
:: Escolha o seu sonho. 1964.
 crônica (edição póstuma)
:: Inéditos. 1967.
:: Ilusões do mundo. 1967.
:: Crônicas em geral. 2 vols. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.
:: Crônicas de viagem. 3 vols. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.
:: Crônicas de educação. 5 vols.. [organização Leodegário A. de Azevedo Filho]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
:: Episódio humano: prosa, 1929-1930. [organizado e apresentado pela própria autora]. Rio de Janeiro: Desiderata, 2007.

Infanto-juvenil
Mar absoluto - 1ª edição.
:: Giroflê, Giroflá. 1956.
:: Ou isto ou aquilo. 1964 .
infanto-juvenil (edição póstuma)
:: Ou Isto ou Aquilo e Poemas Inéditos. 1969.
:: O Estudante Empírico. 1974.
:: Olhinhos de Gato. 1980.
:: A festa das letras. [Cecília Meireles e Josué de Castro]. 1996.
:: Canção da tarde no campo. São Paulo: Global Editora, 2001.

Didático
:: Criança, meu amor. 1924.
:: Rute e Alberto resolveram ser turistas. 1939.
:: Rute e Alberto. 1945.
:: Rui: pequena história de uma grande vida. (biografia). 1949.

Conferência
:: 3 Conferências sobre cultura hispano-americana. 1959.

Ensaios
:: Notícia da poesia brasileira. 1935.
:: Batuque, samba e macumba. 1944.
:: Problemas de literatura infantil. 1951.
:: Panorama folclórico dos açores especialmente da Ilha de São Miguel. 1958.
:: Rabindranath Tagore and the East West Unity. 1962.
:: As artes plásticas no Brasil. s.d.
:: A bíblia na poesia prasileira. s.d.
ensaio (edição póstuma)
:: Artes populares. 1968.

Tese
:: O Espírito Vitorioso. 1929.

Teatro
:: O Ás de Ouros. 1947.
:: O jardim1947.
:: Auto do Menino Atrasado. [Estréia com Direção de Olga Obry e Martim Gonçalves. música de Luis Cosme; marionetes, fantoches e sombras feitos pelos alunos do curso de teatro de bonecos].1966.

Aquarelas e estudos
:: Batuque, samba e macumba: estudos de gesto e de ritmo 1926-1934. Cecilia Meireles. Rio de Janeiro: Funarte | Instituto nacional do folclore, 1983; 2ª ed., São Paulo: Martins fontes, 2003.

Gravações de poemas
(outros meios)
1956/1964 - Gravação de poemas por Margarida Lopes de Almeida, Jograis de São Paulo e pela autora (Rio de Janeiro - Brasil).
1965 - Gravação de poemas pelo professor Cassiano Nunes (New York - USA).

Filmografia
1972 - Filme "Os inconfidentes", direção de Joaquim Pedro de Andrade, argumento baseado em trechos de "O Romanceiro da Inconfidência".

Obra de Cecília Meireles traduzida
Espanhol
Cecília Meireles - foto (...)
:: La poesía de Cecília Meireles: estudio y antologia. [tradução e estudo Cipriano Santiago Vitureira]. Montevideo: Instituto de Cultura Uruguayo-Brasileño, 1965.
:: Ojitos de Gato (Olhinhos de gato).. [tradução Roberto Romero Escalada]. Buenos Aires: Centro de Estudos Brasileños, 1978.
:: Mapa falso y otros poemas. [tradução Santiago Kovadloff]. Buenos Aires: Calicanto, 1979.
:: El estudiante empírico. (O estudante empírico).. [tradução Eduardo Estévez]. Maracay: La Liebre Libre, 1992.

Francês 
:: Poésie. [tradução Gisèle Szlezinger Tygel]. Paris: Seghers, 1967.

Inglês 
:: Cecília Meireles: poems in translation. (Poemas em tradução).. [tradução Henry Hunt Keith e Raymond S. Sayers]. Washington: Brazilian-American Cultural Institute, 1977.

Italiano
:: Passeggiate romane. [tradução Mercedes La Valle]. Palermo: Ila-Palma, 1990.
:: Nostalgie romane. (Saudades romanas).. [tradução Mercedes La Valle]. Palermo: Ila-Palma, 1991.
:: A sua poesia é traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu.

Traduções realizadas por Cecília Meireles de autores estrangeiros
Traduziu peças teatrais
de Federico Garcia Lorca, Rabindranath Tagore, Rainer Rilke e Virginia Wolf.

"Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa. Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo... A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea.”
- Paulo Rónai - Crítico literário.


CECÍLIA MEIRELES FUNDA A 1ª BIBLIOTECA INFANTIL DO BRASIL
Cecília Meireles
Em 1934, com o marido, inaugura o Centro de Cultura Infantil do Pavilhão do Mourisco, no Rio de Janeiro, onde, instala a primeira Biblioteca Infantil do país. A Biblioteca Infantil, mais do que um sonho de Cecília Meireles embalado desde a infância, é um sucesso no Rio de Janeiro até 37, quando o Interventor do Distrito Federal invade o Centro e apreende As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, um clássico norte-americano, sob acusação de comunismo. O caso repercute no Brasil e no exterior. Depois da invasão, o Centro de Cultura Infantil é fechado pelo Estado Novo.
Cecília Meireles rompe tabus de uma sociedade, deixando sua marca na história brasileira como defensora universal da educação.

Cecília Meireles - sobre a infância e a literatura infantil:

“A literatura precede o alfabeto. Os iletrados possuem a sua literatura. Os povos primitivos, ou quaisquer agrupamentos humanos alheios ainda às disciplinas de ler e escrever, nem por isso deixam de compor seus
cânticos, suas lendas, suas histórias; e exemplificam sua experiência e sua moral com provérbios, adivinhações, representações dramáticas – vasta herança literária transmitida dos tempos mais remotos, de memória em memória e de boca em boca.”
- Cecília Meireles, no livro “Problemas da literatura infantil”. 1979, p. 19.


“Não há quem não possua, entre suas aquisições da infância, a riqueza das tradições recebidas por via oral. Elas precederam os livros, e muitas vezes os substituíram. Em certos casos, elas mesmas foram o conteúdo desses livros. O negro na sua choça, o índio na sua aldeia, o lapão metido no gelo, o príncipe em seu alácio, o camponês à sua mesa, o homem da cidade em sua casa, aqui, ali, por toda parte desde que o mundo é mundo, estão contando uns aos outros o que ouviram contar, o que lhes vem de longe, o que serviu a seus antepassados, o que vai servir a seus netos, nesta marcha da vida.”
- Cecília Meireles, no livro “Problemas da literatura infantil”. 1979, p. 42.




“A alma infantil, como aliás a alma humana, não se revela jamais completa e subitamente como uma janela que se abre deixando ver todo um cenário. Suas comunicações com o exterior – e até consigo mesma – se fazem veladamente, aos poucos, mediante detalhes de tão grande reserva que freqüentes vezes passam de todo despercebidos.”
- Cecília Meireles



Cecília Meireles, foto 1959.
POEMAS ESCOLHIDOS DE CECÍLIA MEIRELES

A bailarina
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
- Cecília Meireles, no livro "Ou isto ou aquilo". Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1990.

§

A chuva chove... 
A chuva chove mansamente... 
como um sono Que tranquilize,
 pacifique, resserene...
 A chuva chove mansamente... 
Que abandono! 

A chuva é a música de um poema de Verlaine...

E vem-me o sonho de uma véspera solene, 
Em certo paço, já sem data e já sem dono... 
Véspera triste como a noite, que envenene 
A alma, evocando coisas líricas de outono...
- Cecília Meireles, no livro "Nunca mais e poema dos poemas". 1923.

§

Assovio
Ninguém abra a sua porta
para ver que aconteceu:
saímos de braço dado,
a noite escura mais eu.

Ela não sabe o meu rumo,
eu não lhe pergunto o seu:
não posso perder mais nada,
se o que houve já se perdeu.

Vou pelo braço da noite,
levando tudo que é meu:
— a dor que os homens me deram,
e a canção que Deus me deu.
- Cecília Meireles, no livro "Viagem". 1939.

§

Canção da menina antiga
Esta é a dos cabelos louros
e da roupinha encarnada,
que eu via alimentar pombos,
sentadinha numa escada.
Seus cabelos foram negros,
seus vestidos de outras cores,
e alimentou, noutros tempos,
a corvos devoradores.
Seu crânio está vazio,
seus ossos sem vestimenta,
– e a terra haverá sabido
o que ela ainda alimenta.
Talvez Deus veja em seus sonhos
– ou talvez não veja nada –
que essa é a dos cabelos louros
e da roupinha encarnada.
Que do alto degrau do dia
às covas da noite, escuras,
desperdiçou sua vida
pelas outras criaturas...
- Cecília Meireles, em "Vaga música". 1942.

§

Conveniência
CONVÉM que o sonho tenha margens de nuvens rápidas
e os pássaros não se expliquem, e os velhos andem pelo sol,
e os amantes chorem, beijando-se, por algum infanticídio

Convém tudo isso, e muito mais, e muito mais...
E por esse motivo aqui vou, como os papéis abertos
que caem das janelas dos sobrados, tontamente...

Depois das ruas, e dos trens, e dos navios,
encontrarei casualmente a sala que afinal buscava,
e o meu retrato, na parede, olhará para os olhos que levo.

E encolherei meu corpo nalguma cama dura e fria.
(Os grilos da infância estarão cantando dentro da erva...)
E eu pensarei: «Que bom! nem é preciso respirar!...»
- Cecília Meireles, no livro "Viagem". 1939.

§

Canção do amor-perfeito
Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.

Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.

Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.
- Cecília Meireles, no livro "Retrato natural". 1949.

§

Gaita de lata
Se o amor ainda medrasse,
aqui ficava contigo,
pois gosto da tua face,

desse teu riso de fonte,
e do teu olhar antigo
de estrela sem horizonte.

Como, porém, já não medra,
cada um com a sorte sua!

(Não nascem lírios de lua
pelos corações de pedra...)
- Cecília Meireles, no livro "Vaga música". 1942.

§

Herança
Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto
pelo chão.
Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,
porque vinha de um coração?
E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos,
do pranto que caiu dos meus olhos passados,
que experiência, ou consolo, ou premio, alcançarão?
- Cecília Meireles, no livro “Viagem”, 1939.

§

Hoje desaprendo o que tinha aprendido até hoje...
Hoje desaprendo o que tinha aprendido até hoje
e que amanhã recomeçarei a aprender.
Todos os dias desfaleço e desfaço-me em cinza efêmera:
todos os dias reconstruo minhas edificações, em sonho eternas.
Esta frágil escola que somos, levanto-a com paciência
dos alicerces às torres, sabendo que é trabalho sem termo.

E do alto avisto os que folgam e assaltam, donos de riso e pedras.
Cada um de nós tem sua verdade, pela qual deve morrer.

De um lugar que não se alcança, e que é, no entanto, claro,
minha verdade, sem troca, sem equivalência nem desengano
permanece constante, obrigatória, livre:
enquanto aprendo, desaprendo e torno a reaprender. 
- Cecília Meireles, no livro "Cecília de bolso". [organização Fabrício Carpinejar]. Porto Alegre: L&PM, 2010.

§

Música
NOITE perdida,
Não te lamento:
embarco a vida

no pensamento,
busco a alvorada
do sonho isento,

puro e sem nada,
— rosa encarnada,
intacta, ao vento.

Noite perdida,
noite encontrada,
morta, vivida,

e ressuscitada...
(Asa da lua
quási parada,

mostra-me a sua
sombra escondida,
que continua

a minha vida
num chão profundo!
— raíz prendida

a um outro mundo.)
Rosa encarnada
do sonho isento,

muda alvorada
que o pensamento
deixa confiada

ao tempo lento..
Minha partida,
minha chegada,

é tudo vento...

Ai da alvorada!
Noite perdida,
noite encontrada...
- Cecília Meireles, no livro "Viagem". 1939.

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Veja mais Poemas de Cecília Meireles. AQUI!



EXCERTOS DA OBRA DE CECÍLIA MEIRELES


"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebe-lo."
- Cecília Meireles, em "Obra em prosa".  vol. 1. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1998, p. 366.

§

" O vento vem vindo de longe,/a noite se curva de frio;/debaixo da água vai morrendo/meu sonho, dentro de um navio..."
-  Cecília Meireles, do poema "canção", no livro 'Obra poética'. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1958, p. 18.

§

"Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira."
- Cecília Meireles, do poema "Desenho", no Livro "Mar absoluto".

§

"O homem tendo que atender a tantas coisas que inventou, secretamente pergunta a si mesmo se valeria a pena tê-las inventado, para assim limitar sua liberdade, para assim ter de ficar como um operário vigilante junto a engrenagens que, ao menor descuido o sacrificarão – sentindo, no entanto, que a vida verdadeira não é aquela posição atenta do dever, exclusivo, monótono, mesquinho, mas uma participação nesse sentimento total do universo, nessa gravitação geral em que os acontecimentos libertam seus ritmos na plenitude de seu poder de realização."
- Cecília Meireles, em Crônica “Equilíbrio”, de 1932.


DEPOIMENTOS SOBRE CECÍLIA MEIRELES
“Para Cecília
Cecília Meireles - foto (...)
Vemo-la tão bela, a essa orgulhosa, modesta e discreta, avançando com o seu passo de ave em mar espelho, (...) uma mulher entre as mulheres, certamente singular pela beleza, mas semelhante aos semelhantes. No entanto, habitava-a a voz de "Solombia" e dela se desprendia, também, a voz do Arcanjo - saudosa e solitária, a voz de quem volta do amor e da morte, de suas experiências terríveis, de onde os outros mortais sempre retornam silenciosos." 
- Schmidt - A grande Cecília.

"Extremamente musical, com metáforas fortemente sensoriais e sua insistência no uso da primeira pessoa, Cecília Meireles parece ter cantado sempre o mesmo tema: "a busca do eterno no transitório, do transcendente no contingente, do milênio no minuto."
- Davi Arrigucci Jr., crítico e ensaísta, sobre Cecília Meireles e sua obra.


“Cecília, és libérrima e exata Como a concha. Mas a concha é excessiva matéria, E a matéria mata. Cecília, és tão forte e tão frágil Como a onda ao termo da luta. Mas a onda é água que afoga: Tu, não, és enxuta. Cecília é como o ar, Diáfana, diáfana. Mas o ar tem limites: Tu, quem te pode limitar? Definição: Concha, mas de orelha; Água, mas de lágrimas; Ar com sentimento. _ Brisa, viração Da asa de uma abelha.”
- Manuel Bandeira, 1970, p.186-187.


“Ela é desses artistas que tiram seu ouro onde o encontram, escolhendo por si, com rara independência. E seria este o maior de sua personalidade, o ecletismo, se ainda não fosse maior o misterioso acerto, dom raro com que ela se conserva sempre dentro da mais íntima e verdadeira poesia.”
- Mário de Andrade


"Cecília, és tão forte e tão frágil. Como a onda ao termo da luta. Mas a onda é água que afoga: Tu, não, és enxuta."
- Manuel Bandeira



"Cecília levita, como um puro espírito... Por isso ela se move, "viaja", sonha com navios, com nuvens, com coisas errantes e etéreas, móveis e espectrais, transformando em pura poesia essa caminhada. Uma das excepcionalidades de Cecília Meireles: a composição de uma poesia densamente feminina, não apenas a poesia feita por alguém que é mulher, mas obra de mulher, de um sem número de perspectivas sobre as coisas que os homens não teriam, poesia na qual uma das grandes forças é a delicadeza, e delicadeza de poeta, que transfigura a vida em canto..."
- Ana Cristina Cesar, poeta e tradutora brasileira.




























Cecília Meireles - foto (...)
POESIA CECÍLIA MEIRELES MUSICADA
Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner.

Poemas musicados
Canteiros, de Fagner Baseado no poema "Marcha", de Cecília Meireles.




Alain Oulman inspirou-se até ao divino, neste poema de Cecília Meireles, que Amália Rodrigues nos canta, como só ela sabia cantar Oulman. Então reparem na introdução musical do Fado, parece mesmo a preparar terreno para o poema e para a voz da Diva.




"Modinha", poesia de Cecília Meireles (7/11/1901 — 9/11/1964), ganhou versão musical feita pelo cantor e compositor Carlos Walker. A canção está presente no disco "A Frauta de Pã" (Frauta, com "r" mesmo), lançado em 1975 pela RCA Victor. Não por acaso, o LP - o primeiro do artista - foi dedicado à memória de Cecília Meireles e de Cassiano Ricardo, dois dos maiores poetas da língua portuguesa.





MANUSCRITOS DE CECÍLIA MEIRELES
Manuscrito de Cecília Meireles, em Cataguases - MG.


MEIRELES, Cecília, 1901-1964
[Carta], 1956 Out. 9, Rio [de Janeiro a Adolfo] Casais Monteiro, [s.l.] / Cecília Meireles. — [1] p. Autógrafo a tinta azul, assinado. — Envia colaboração para O Estado de São Paulo, acrescentando: «Telefone um destes dias, e venha contar-nos as suas aventuras literárias nestes Brasis! Desejo que a Senhora esteja melhor, mas não tenho coragem para pedir-lhe que a traga, antes de conhecer estas minhas escadas babilónicas…». — Tem junto duas folhas com os poemas Descripção e Amor.
- BNP Esp. E15/2203-2205.


Cecília Meireles - homenagem a Ouro Preto MG

Carta de Henriqueta Lisboa à Cecília Meireles.

AMIZADES LITERÁRIAS
Bandeira, Drummond, Cecília e Vinicius


Cecília Meireles - cédula comemorativa

Cecília Meireles, por CL.
Cântico XIII - Renova-te
Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado, 
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.
- Cecília Meireles, no livro "Cânticos". 1982.


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© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske


Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Cecília Meireles: poeta e educadora. Templo Cultural Delfos, fevereiro/2011. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página em reformulação e atualização em: 2.6.2016. Grata pela compreensão, volte mais tarde!!!



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5 comentários:

  1. Este blog, é sensacional, premia a tecnologia, usando-a com esmero, seletividade, com temas universais e informação multimídia! É um desconforto para quem o faz não com simplicidade mas sem intencionalidade. Parabéns e sucesso sempre!

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    Respostas
    1. Obrigada Adriana!
      Agradeço a visita e o elogio, ficamos muito contentes com ele.
      Aliás, aproveito para pedir perdão pela demora ao responder seu comentário, é que nem sempre encontramos tempo.
      Volte sempre!
      Abraços

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  2. Respostas
    1. Olá Lia,
      obrigada! Fico feliz que tenha gostado.
      Volte sempre!
      Abraços

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