João Bernardo de Miranda - uma simbiose de palavras entre ficção realidade

João Bernardo de Miranda - foto: Clemente Santos|ANGOP
João Bernardo de Miranda nasceu a 18 de Julho de 1953 em Caxito-Dande, província do Bengo. Licenciado em Direito é jornalista, embaixador de carreira, escritor e político.
Desempenhou já as funções de Deputado do MPLA e Ministro das Relações Exteriores da República de Angola, de 1999 a 2008. João Bernardo de Miranda é membro fundador da União dos Jornalistas Angolanos (UJA). É ainda membro da União dos Escritores Angolanos (UEA). Jurista, e actual governador da província do Bengo, exerceu a função de enviado especial da União Africana na Guiné Bissau, e teve como missão, a nível desta organização, instaurar a reconciliação para as eleições presidenciais e reforma da defesa e segurança. Enquanto jurista e jornalista, João Miranda exerceu ainda os cargos de vice-ministro da Comunicação Social, e vice-ministro das Relações Exteriores. É membro da Ordem dos Advogados de Angola. 
Publicou Nambuangongo (1998), um romance sobre a guerra povoação do norte de Angola, na província do Bengo, ocupada pelos nacionalistas angolanos no início da guerra anti-colonial, em 1961. Nambuangongo só veio a ser retomada pelo exército português em Agosto, ainda deste ano, porém, a guerra durou mais treze anos. Os escritores portugueses: Manuel Alegre, Fernando Assis Pacheco e José Cardoso Pires, foram soldados em Nambuangongo. João Miranda publicou também, “Pathelo-a-Kuma”, o menino de inteligente (2003), levada à cena em Portugal, Porto, pelo encenador João Luiz.

"O país começava assim a chover em abundância. Além de molhar a terra e florescer os campos, também iniciava a lavagem dos corações dos ódios acumulados…"
- João Miranda, no livro "Hebo". Luanda: Texto Editores, 2012.

João Bernardo de Miranda - foto: Clemente Santos|ANGOP
OBRAS DE JOÃO BERNARDO DE MIRANDA
Narrativas (romance histórico)
:: Nambuangongo. [prefácio Domingos Van-Dúnem]. Colecção Autores de língua portuguesa. Lisboa: Dom Quixote, 1998; 2ª ed., Luanda: Texto Editores, 2012.
:: HeboLuanda: Texto Editores, 2012.

Conto (infanto-juvenil)
:: Pathelo-a-Kuma - o menino inteligenteLisboa: Dom Quixote, 2003; 2ª ed., Colecção Tenda das Letras. Luanda: Edição do Ministério da Cultura e do Instituto Nacional das Indústrias Culturais (INIC), 2013.


"João Miranda deixa expressa uma situação ainda ignorada que gera conflitos e divisionismos. Encaremos realisticamente as potencialidades de João Miranda, que tem todas as qualidades para movimentar ideias e abrir diálogo saudável e construtivo.
Os seus personagens são criaturas de corpo e alma. Estão connosco e reclamam o enquadramento social que todos nós ansiamos para a glorificação da nossa Terra-Mãe. O estender das mãos para a fraternidade universal."
- Domingos Van-Dúnem, em "Prefácio" do livro "Nambuangongo", de João Miranda. Luanda: Texto Editores, 2012.


"Na verdade, a impiedosa vara metálica da guerra civil de Angola tinha batido forte no tecido social de todas as famílias. Daí que, no quadro da história geral da mesma guerra, cada família angolana tem a sua, em particular, para contar…"
- João Miranda, no livro "Hebo". Luanda: Texto Editores, 2012.

João Bernardo de Miranda - foto: Clemente Santos|ANGOP
FORTUNA CRÍTICA DE JOÃO BERNARDO DE MIRANDA
ANGOLA.Autores. João Bernardo de Miranda. in: Angola: Obras, Autores e Escritores, 20 de julho de 2016. Disponível no link. (acessado em 25.8.2016).
FORTUNATO, Jomo. "Hebo" novo romance de João Miranda. in: Jornal Cultura/Angola, 9 de agosto de 2012. Disponível no link. (acessado em 25.8.2016).
MIRANDA, João. Operações de paz em Angola: cooperação. in: Angola| Portugal: negócios.- nº 26 (Jul./Set. 1995), p. 32, 34-35.
NAMBUANGONGO - Miranda, João Bernardo - Publicações Dom Quixote-1998. in: O Quitexe de Literatura, 17.6.2007. Disponível no link. (acessado em 25.8.2016).
PORTAL ANGOP. João Miranda nomeado enviado especial do presidente da Comissão de UA para a Guiné Bissau. in: Portal Angop, 6 de abril de 2009. Disponível no link. (acessado em 25.8.2016).


"– Como sabes Massanga, a guerra contra os brancos já começou. Em Kibaxe, lá nos Ndembos, em Nambuangongo, no Kitexi e em muitos sítios aí em cima, mataram todos os brancos. Outros fugiram para Luanda. O Mbuta Muntu, o grande chefe que está a dirigir tudo isso, mandou também matar todos os filhos dos brancos com pretas. Por isso é que o teu tio Pianga devia matar-te. A ordem de Mbuta Muntu diz que os filhos dos brancos com pretas devem ser mortos pelos seus tios. (…)"
- João Miranda, no livro "Nambuangongo". [prefácio Domingos Van-Dúnem]. Colecção Autores de língua portuguesa. Lisboa: Dom Quixote, 1998.


***
“ O nosso querido chefe supremo Tata Holden determina para que doravante jamais se molestem os mestiços nem os assimilados. Os mestiços são nossos sobrinhos, são nossos filhos. Os assimilados são nossos irmãos. O nosso querido chefe supremo nunca ordenou que se matassem os nossos sobrinhos. Nunca mandou prender ou matar os nossos irmãos assimilados. Tudo o que aconteceu foi obra dos delegados, traidores da pátria.”
- João Miranda, no livro "Nambuangongo". [prefácio Domingos Van-Dúnem]. Colecção Autores de língua portuguesa. Lisboa: Dom Quixote, 1998.


***
“ Enquanto isso, o comboio da revolução foi rasgando a densa nuvem preta que ensombrou o país. Prosseguiu a sua marcha que se julgava inexorável. Anos depois do trajecto o comboio parou por avaria num apeadeiro, e todos os ocupantes saídos incólumes de temporal de Maio desertaram-no. Apanharam um outro que vinha em sentido contrário, do Planeta Nova Era:
- Estão a dizer que cabemos neste comboio?!
- Sim, meu filho, neste, aqui, cabemos todos…
- Mas todos quem?
- Todos nós, os filhos desta terra que se chama Angola.
- Também os lacaios do imperialismo ou fantoches, os fraccionistas, etc…viajarão connosco?
- Meu filho, eu já não me lembrava desses epítetos. Olhe para os meus cabelos brancos. Eu já vivi tanta coisa desde que começamos. Por tudo quanto já passamos o melhor é amnistiarmo-nos mutuamente. Esquecer…”
- João Miranda, no livro "Nambuangongo". [prefácio Domingos Van-Dúnem]. Colecção Autores de língua portuguesa. Lisboa: Dom Quixote, 1998.




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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). João Bernardo de Miranda - uma simbiose de palavras entre ficção realidade. Templo Cultural Delfos, agosto/2016. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 25.8.2016.




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