Poemas de paz

Paz, Pablo Picasso
A paz sem vencedor e sem vencidos
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos 
A paz sem vencedor e sem vencidos 
Que o tempo que nos deste seja um novo 
Recomeço de esperança e de justiça 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos 

A paz sem vencedor e sem vencidos 

Erguei o nosso ser à transparência 
Para podermos ler melhor a vida 
Para entendermos vosso mandamento 
Para que venha a nós o vosso reino 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos 

A paz sem vencedor e sem vencidos 

Fazei Senhor que a paz seja de todos 
Dai-nos a paz que nasce da verdade 
Dai-nos a paz que nasce da justiça 
Dai-nos a paz chamada liberdade 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos 

A paz sem vencedor e sem vencidos 
- Sophia de Mello Breyner Andresen, em "Dual". 


Ode à paz
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, 
Pelas aves que voam no olhar de uma criança, 
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza, 
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança, 
Pela branda melodia do rumor dos regatos, 

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia, 
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos, 
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria, 
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes, 
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos, 
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes, 
Pelos aromas maduros de suaves outonos, 
Pela futura manhã dos grandes transparentes, 
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra, 
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas 
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra, 
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna, 
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz. 
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira, 
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz, 
Abre as portas da História, 
                               deixa passar a Vida! 
- Natália Correia, em "Inéditos (1985/1990)". 



Flores da paz, Pablo Picasso (1958)
Paz
Calado ao pé de ti, depois de tudo, 
Justificado 
Como o instinto mandou, 
Ouço, nesta mudez, 
A força que te dobrou, 
Serena, dizer quem és 
E quem sou. 
- Miguel Torga, em "Diário (1939)".


Paz
Irreprimível natureza 
exacta medida do sem-fim 
não atinjas outras distâncias 
que existem dentro de mim. 

Que os meus outros rostos não sejam 
o instável pretexto da minha essência. 
Possam meus rios confluir 
para o mar duma só consciência. 

Quero que suba à minha fronte 
a serenidade desta condição: 
harmonia exterior à estátua 
que sabe que não tem coração. 
- Natália Correia, em "Poemas (1955)". 


Paz!
E a Vida foi, e é assim, e não melhora. 
Esforço inutil, crê! Tudo é illuzão... 
Quantos não scismam n'isso mesmo a esta hora 
Com uma taça, ou um punhal na mão! 

Mas a Arte, o Lar, um filho, Antonio? Embora! 
Chymeras, sonhos, bolas de sabão. 
E a tortura do além e quem lá mora! 
Isso é, talvez, minha unica afflicção... 

Toda a dor pode suspportar-se, toda! 
Mesmo a da noiva morta em plena boda, 
Que por mortalha leva... essa que traz... 

Mas uma não: é a dor do pensamento! 
Ai quem me dera entrar n'esse convento 
Que ha além da Morte e que se chama A Paz! 
- António Nobre, em "Só". (grafia original)


Peço a paz
Peço a paz 
e o silêncio 

A paz dos frutos 
e a música 
de suas sementes 
abertas ao vento 

Peço a paz 
e meus pulsos traçam na chuva 
um rosto e um pão 

Peço a paz 
silenciosamente 
a paz a madrugada em cada ovo aberto 
aos passos leves da morte 

A paz peço 
a paz apenas 
o repouso da luta no barro das mãos 
uma língua sensível ao sabor do vinho 
a paz clara 
a paz quotidiana 
dos actos que nos cobrem 
de lama e sol 

Peço a paz e o 
silêncio 
- Casimiro de Brito, em "Jardins de guerra". 



The dance of youth, Pablo Picasso (1961)
Qualquer coisa de paz
Qualquer coisa de paz. Talvez somente 
a maneira de a luz a concentrar 
no volume, que a deixa, inteira, assente 
na gravidade interior de estar. 

Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente, 
uma ausência de si, quase lunar, 
que iluminasse o peso. E a corrente 
de estar por dentro do peso a gravitar. 

Ou planalto de vento. Milenária 
semeadura de meditação 
expondo à intempérie a sua área 

de esquecimento. Aonde a solidão, 
a pesar sobre si, quase que arruína 
a luz da fronte onde a atenção domina. 
- Fernando Echevarría, em "Figuras". 



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Calane da Silva - a paixão pela palavra

Raúl Alves Calane da Silva - foto: (...)
Raúl Alves Calane da Silva, mas mais conhecido por Calane da Silva (Maputo, 20 de Outubro de 1945), poeta, escritor e jornalista. Anos, muitos dos quais dedicados à vida das artes e das letras.
Licenciado em ensino de língua portuguesa pela Faculdade de Línguas da Universidade Pedagógica de Maputo, Mestre e Doutorado em linguística portuguesa, vertente lexicologia, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Começou a fazer jornalismo em 1969, tendo atingido o topo de carreira em 1991, tendo sido, durante a sua vida profissional, redator e editor-chefe dos principais órgãos de informação em Moçambique.
Foi co-fundador e Chefe de Redação da Revista Tempo, Chefe de Redação do matutino Notícias, do semanário Domingo, publicados em Maputo, e ainda Diretor de Informação e Administrador da Televisão de Moçambique. Foi também Delegado-Adjunto da Agência Lusa e correspondente, em Moçambique, do Jornal Notícias, do Porto, Portugal.Foi professor na Escola de Jornalismo, em Maputo, e da Escola Portuguesa de Moçambique.Foi monitor-finalista de literatura portuguesa e brasileira e é, neste momento, professor de literaturas africanas em língua portuguesa e de didática da literatura na Universidade Pedagógica, em Maputo.
Mas não é só. Calane da Silva é muito mais. Ocupou, ocupa e dedica-se a diversas outras atividades: É Diretor do Centro Cultural-Brasil-Moçambique. É membro fundador da Associação dos Escritores de Moçambique e membro também do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, um órgão da CPLP.
Calane da Silva participou em diversos congressos, conferências, seminários e publicou vários livros, várias obras literárias e acadêmicas de investigação. Prefaciou inúmeras obras de escritores moçambicanos e textos de apresentação de obras de artes plásticas de artistas nacionais e estrangeiros.
:: Fonte: Voa Português/ voz da américa (acessado em 12.9.2015).


Dádiva de palavra
Deram-me água e fogo 
            para fazer vida. 
Deram-me a palavra  
              para construir o sonho
- Calane da Silva, em "Lírica do imponderável e outros poemas do ser e do estar". Maputo: Imprensa Universitária, 2004.


Raúl Alves Calane da Silva - foto: (...)

PRÊMIO
2010 - Prémio José Craveirinha, da Associação Moçambicana dos Escritores e pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa, pela contribuição para o desenvolvimento das artes e letras do nosso país.


“ (…) Aprendi que a palavra, o tal Verbo, é, afinal, o Ser, a palavra Ser, que é Amor dentro de cada um de nós, onde cabe o todo poderoso “Posso”, acção criativa e criadora, autêntica palavra-milagre, que nos faz desapegar do ego, da mente egóica, que permite ultrapassar todos os obstáculos e que nos liberta dos liames egóicos e que, por isso, pode e é também Luz curadora. (…) “
- Calane da Silva, em "Gotas de Sol: a manifestação da palavra".

Raúl Alves Calane da Silva - foto: (...)
OBRAS DE CALANE DA SILVA
Poesia
:: Dos meninos da Malanga. Maputo: Cadernos Tempo, 1982.
:: Lírica do Imponderável e outros poemas do ser e do estar. Maputo: Imprensa Universitária, 2004.

Conto
:: Xicandarinha na lenha do mundo. [Capa de Chichorro]. Colecção Karingana. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 1988. 

Romance
:: Nyembêtu ou as Cores da Lágrima. Romance. Lisboa: Texto Editores. 2008.

Infantil (poesia e prosa)
:: Gotas de Sol: a manifestação da palavra. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 2006.
:: Pomar e Machamba ou Palavras. Maputo: Imprensa Universitária, 2009.
:: O João à procura da palavra poesia. Maputo: Imprensa Universitária, 2009.

Tese
Raúl Alves Calane da Silva - foto: (...)
:: Do léxico à possibilidade de campos isotópicos literários.  (Tese Doutorado em Linguística). Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2009. Disponível no link. (acessado em 13.9.2015).

Ensaio
:: Olhar Moçambique. Maputo: Centro de Formação Fotográfica, 1994.
:: Gil Vicente: folgazão racista? (O riso e o preconceito racial no retrato de algumas minorias na obra vicentina). Maputo: Imprensa Universitária, 2002.
:: A Pedagogia do Léxico: O Estiloso Craveirinha. As escolhas leixicais bantus, os neologismos luso-rongas e a sua função estilística e estético-nacionalista nas obras Xigubo e Karingana wa Karingana. Maputo: Imprensa Universitária, 2002.
:: Tão bem palavra: estudos de linguística sobre o português em Moçambique com ênfase na interferência das línguas banto no português e do português no banto. Maputo: Imprensa Universitária, 2003.

Co-autoria
:: Ao mata bicho: textos publicados no semanário “O brado Africano”. [textos de António rui de Noronha, António Sopa, Calane da Silva, Olga Iglésias Neves]. Lisboa: Texto Editores, 2006.

Antologia (participação)
:: Nunca mais é sábado: antologia de poesia moçambicana. [organização e prefácio Nelson Saúte; revisão tipográfica Álvaro B. Marques; gravuras Miguel César].  Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2004, 426p.
:: A arqueologia da palavra e a anatomia da língua. [organização Amosse Mucavele]. Maputo: Revista Literatas, 2013. Disponível no link. (acessado em 12.9.2015).


Abro-me
E quando simplesmente
me liberto
há algo indefinido
- a solidão da minha liberdade...
- Calane da Silva, em "Lírica do imponderável e outros poemas do ser e do estar". Maputo: Imprensa Universitária, 2004.

Raúl Alves Calane da Silva - foto: Jay Garrido
FORTUNA CRÍTICA DE CALANE DA SILVA
ABREU, Filomena. Calane da Silva - "deram-me a palavra para construir o sonho". [entrevista]. Villas e Golfe. Disponível no link. (acessado em 15.9.2015).
BOSSONG, G.; DÖHLA, Hans-Jörgen; MONTERO-MUÑOZ, Raquel. Lenguas em diálogo: el iberromance y su diversidad lingüística y literaria. Iberroamericana Editorial, 2008.
CHAVES, Rita de Cássia Natal. Angola e Moçambique: experiência colonial e territórios literários. São Paulo: Ateliê Editorial, 2005.
FLORY, Sueli Fadul Villiboi; MACEDO, Tania; MAQUÊA, Vera; SANTILLI, Maria Aparecida. Literaturas de Língua Portuguesa. São Paulo: Arte & Ciência, 2007.
GAZETA. Dos meninos da Malanga - tajectória política de um escritor. Tempo Cultural, Gazeta. Disponível no link. (acessado em 13.9.2015).
KOOTENAAR, N.; MEYER, B.. Nouveaux visages de la litteráture Africaine. Rodopi, 2009.
LABAN, Michel. Écrivains et pouvoir politique au Mozambique après l'indépendence. in Lusotopie 1995: transitions libérales em Afrique lusophone. Kathala Editions, 1995.
MAIER, Karl. Conspicuous destruction: war, famine and the reform process in Mozambique. Human Rights Watch, 1992.
MEDINA, Cremilda. Povo e personagem. Editora da ULBRA, 1996.
MEDINA, Cremilda. A arte de tecer o presente: narrativa e cotidiano. São Paulo: Summus Editorial, 2003.
OWONMOYELA, Oyenkan. A history of twentieth-century African literatures. University of Nebrasca Press, 1993.
SILVA, Calane da. Xicandarinha na lenha do mundo (conto). in: Contos de Aula, 11.5.2009. Disponível no link. (acessado em 13.9.2015).
SILVA, Manoel de Souza. Do alheio ao próprio: a poesia em Moçambique. São Paulo: EDUSP, 1996.

Um tempo
  à Fernanda Angius, um improviso
             para 16 de outubro

No gesto
   cumpre-se
   um tempo
palavra sôfrega
     de futuros.

No amor
    aniversariza-se
     o sentimento
rompendo
      Os nossos muros.
- Calane da Silva, em "Lírica do imponderável e outros poemas do ser e do estar". Maputo: Imprensa Universitária, 2004.


Raúl Alves Calane da Silva - foto: (...)
AFRICA EM PAUTA 
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"Apaixonei-me definitivamente pela palavra, essa nota musical do criador em nós."
- Calane da Silva, em 'ABREU, Filomena. Calane da Silva - deram-me a palavra para construir o sonho'. [entrevista]. Villas e Golfe/Mozambique.


Raúl Alves Calane da Silva - foto: (...)
REFERÊNCIAS E OUTRAS FONTES DE PESQUISA
:: Cátedra de Português/ Instituto Camões e Univ. Eduardo Mondlane Moçambique.

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António Vilhena - poeta e cronista português

Antonio Vilhena - arquivo do autor
António Manuel Vilhena (Beja - Portugal, 14 de outubro de 1960)Licenciado em psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências de Educação da Universidade de Coimbra, mestre em Estudos Clássicos e doutorado em Mundo Antigo pela Faculdade de Letras na Universidade de Coimbra. Membro convidado do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Faculdade de Letras de Universidade de Coimbra. Poeta, cronista e autor de livros infantis. Desempenha, actualmente, as funções de Curador da Casa da Escrita, em Coimbra. Foi vereador na Câmara Municipal de Coimbra de 2009 a 2013.
 Pedimos emprestadas as palavras da doutora Nair de Nazaré Castro Soares, catedrática da Universidade de Coimbra que prefaciou o livro "Cartas a um Amor ausente":
"No êxtase da palavra e do silêncio, entretece o poeta o sonho que o percorre, no espaço sem tempo e sem lugar, e anuncia imperecível, transfigurada, a verdade que o transcende. Em Cartas a Um Amor Ausente, o amor é a substância primeira, o sujeito e o objecto da narrativa poética. Dali parte, ali regressa. E, nesse amor tão escrupuloso, o autor põe uma tão comovida atenção, uma tal graça ingénua na estilização do mundo que é o seu, que a sua palavra, o que nos dá a ver, leva-nos a afirmar com Hölderlin que a poesia é a mais inocente das actividades. (…)"
:: Fonte: o autor


 “Sem embargo da crescente revelação de dotes para a realização cativante noutros tipos de criação literária, com a literatura para crianças a crescer por entre a crónica e a ficção de narrativa breve, a vocação literária de António Vilhena permanece fiel à primazia da poesia lírica, que tão precocemente se afirmou sobre a herança mítica e a tradição do canto da mátria alentejana. Memória afectiva da subjectividade e memória cívica da comunidade, sem engodos de evasão pitoresca ou nostálgica, essa presença originária do Alentejo – matriz existencial e metáfora sinérgica do inconformismo social e do anseio existencial de um bem maior – desdobra-se ao longo da obra de António Vilhena e interage alusivamente com outras eficientes figurações para dizer a inquietação e o horizonte da vida como travessia. Mas sobre tudo isso se descobre, afinal desde Do Ventre da Terra (1987) até Trança d’ Água (1989), desde Mais Felizes que o Sonho (1996) até Canto Imperecível das Aves (2012), uma estruturante poética dos Elementos arquetípicos: primeiro, emergiu a lírica da terra convulsa (e do eros latejante), mas trazendo já em «Liberdade» o elemento purificador da água, de tal modo que ambas, terra e água, logo crepitavam ao fogo (Ardor de todas as palavras / Que acreditam no desejo»), para depois se expandirem pelo ar que no Canto Imperecível das Ave* é espaço vibrante da luz que fulgura no encontro das energias amorosas (e da Luz iniciática que promete outro Conhecimento).”
- José Carlos Seabra Pereira, na "apresentação" do livro de poesia "Canto Imperecível das Aveas", de António Vilhena. 


Antonio Vilhena - foto: (...)
OBRA DE ANTÓNIO VILHENA
Poesia
:: Do ventre da terra. Ediliber Edições, 1987.
:: Trança d`água. [prefácio José Carlos Seabra Pereira; ilustrações João Carlos; fotografia Luís Carregã]. Coimbra: Académica Editora, 1989.
:: Mais felizes que o sonho. [prefácio Fernando Dacosta]. Coimbra: Mar da Palavra Edições, 1996.
:: Canto imperecível das avesCoimbra: Caracol Edições, 2012.
:: Templo do fogo insaciável. [apresentação Susana Pita Soares]. Coimbra: Caracol Edições, 2013.

Prosa poética
:: A eterna paixão de nunca estar contente. [prefácio de Natália Correia]. Coimbra: Académica Editora, 1991.
:: Cartas a um amor ausente. [prefácio Nair de Nazaré Castro Soares]. Coimbra: Caracol Edições, 2014.

Crónica 
:: Diálogos de rosa e espada. [prefácio Maria Teresa Roberto]. Colecção Maré alta. Coimbra: Mar da Palavra Edições, 2004.

Infantil
:: O piano adormecido. [ilustrações Andreia Travassos]. Coimbra: Mar da Palavra Edições, 2006.
:: A formiga barriguda[ilustrações Inês Massano]. Coimbra: Caracol Edições, 2012.
:: As férias da formiga barriguda[ilustrações Inês Massano]. Coimbra: Caracol Edições, 2013.
:: A orquestra da formiga barriguda e os sons da água. [ilustrações Inês Massano]. Coimbra: Caracol Edições, 2014.
:: Picó seis dedos no planeta azul. 2016.

Obras no prelo para 2016/2017
:: Poesia - Só Há Uma Vida e Uma Morte
:: Crônicas - A Valsa dos Insultos

:: Infantil - Os Olhos do Coração


Antonio Vilhena - arquivo do autor


POEMAS ESCOLHIDOS DE ANTÓNIO VILHENA

Alentejo
Quando as sombras sobem na parede branca
dos montes alentejanos o sol afoga-se no ocaso,
é nesses momentos que sinto os teus olhos
e vejo o amor derramado na paisagem do sul.

O que fica, quando a noite se abeira das bocas,
é uma chilreada de beijos, uma pressa lenta
perpetuando a intimidade no horizonte.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.



Ama-me
Dás a sombra onde a luz oculta a silhueta do corpo
só damos o que não nos pertence
e se recebemos do outro a parte de cada um
fica escrito que o mar não é um rio
nem nós somos as margens desse leito.

Se me amares a luz dará sentido às coisas
e não separará o fogo do ar.

Se não me amares tudo será separado
pela água, como se fossemos a pira do efémero.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.



Amor oculto
Há um amor indizível à espera dos corpos 
um amor quase oculto feito de sombras 
e desejos que não cabem 
nas palavras de um amor convencional.
Há um arco sem fim entre as margens
dessa espera, um dragão de fogo renascido
na esperança onde a solidão é coisa 
de adolescentes e de amantes separados.
Há a voz indelével como as águas livres 
da montanha o eco e a insónia no rubor
da tua face branca onde adormecem
as noites e o luar das mãos. 
- António Vilhena, em "Só há uma vida e uma morte". 2015 (inédito).


Beleza
Não sabia que existias…Só se ama o que se conhece!
Quem espera traz uma esperança antiga,
uma praça em festa de solidão oculta.
Às vezes, é preciso que as velas ardam até ao fim.
Depois, vem a madrugada e o chocalhar dos rebanhos,
os trilhos, o incenso, a voz e o horizonte iniciático.
A beleza nos sentidos é um rio de fogo,
atravessa-nos como a paixão imperativa,
véu intemporal de um amor para sempre. 
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Claustro
Quando ficava só
todas as palavras sucumbiam à mudez
as sombras, quase monásticas, atravessavam os claustros
as tuas mãos resgatavam as conversas inacabadas.

Por detrás das colunas ancestrais
o sol desenhava o teu rosto no rendilhado da pedra.

Era de filigrana a paciência
o tempo era um véu de linho. 
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Cuidar de ti
Cuidar de ti é trazer a Primavera cativa
os aromas do amor num aquário azul
peixes e beijos desenhados na boca.
Cuidar de ti é acordar corpo a corpo
eternidade dos instantes sem pressa
num mar de desejos em pleno fogo.
Cuidar de ti é ser tudo quanto somos
guardar o antes e o depois na melodia
de um verso que viva dentro de nós.
Cuidar de ti é dar-te sem que me peças
nunca é muito se nos damos ao outro
e ao sonho nesse mar a que regressas.
- António Vilhena, em "Só há uma vida e uma morte". 2015 (inédito).



Demora
Desce a tarde onde a noite espera depois do sol.
Quem demora e não sabe a pressa do amor agora
chega depois, chega tarde, às dobras do lençol
como se chegasse cedo com pressa de ir embora.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Dor
Quando o nosso amor está doente 
as estrelas parecem ainda mais distantes 
há uma dor indizível sob a pele mesmo se não dizemos nada.
Sei do que falas quando falas dessa dor 
que nos acorda ao nascer do dia
e se entranha quando as aves nocturnas saem para a caçada.
A dor mais funda é onde a liberdade atravessa o olhar 
como um rio levada na corrente inadiável 
de um amor inteiro sem lágrimas.
- António Vilhena, em "Só há uma vida e uma morte". 2015 (inédito).


Dúvida
Tenho muitas dúvidas.
A vida é o que fazemos por ela.
Tenho poucas verdades absolutas.

Guardo sempre no silêncio os nomes
que revelaram outros sinónimos
da beleza que atravessa a paixão.

Se me disserem eu sei
se não disserem eu recordo.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


É tão nosso...
É tão nosso este amor, poético e puro, sorridente e alegre! 
É tão nosso o cheiro a manhã, o pão quente partilhado, 
com meio-beijo ou beijo inteiro, a gargalhada esvoaçante.
É tão nosso o olhar que derramamos sobre a varanda
em busca do sol ou, ainda, quando ficamos em silêncio
adivinhando as viagens nos corpos tatuados a sémen.
É tão nosso esse gesto de pedir colo sem dizer nada
com a ponta dos dedos e acrobacias sensuais.
É tão nosso o tempo sem pressa e as palavras da noite 
segredadas na pele, iluminada de horizontes e sonhos.
É tão nosso não pedir nada, ser apenas de cada um
onde permanece o muito que nos quer.
- António Vilhena, em "Só há uma vida e uma morte". 2015 (inédito).


Espera
Há-de chegar esse dia
em que um de nós não terá a mão do outro,
em que o sentido das coisas não terá sentido nenhum.

Aprendemos a vida vivendo-a
e partilhando a metade do outro que nos completa.
Quando olho as estrelas ao teu lado
vejo nos teus olhos o brilho da paixão
a menina de saia rodada saltitando na hora do recreio.

Aprendemos a esperar um pelo outro.
Os anos foram gastando os dias e, de tanto esperar,
as noites desaguaram nos sonhos
até o vento içar nos corpos o templo do fogo.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Esperar
Esperar por ti foi inventar a paciência
juntar as partes desavindas na procura
depois de tanta ira e tanta ausência
em regressos e idas de pouca dura.

Esperar por ti foi uma invenção
um capricho do corpo resgatado
onde o vício foi medo e paixão
depois de tudo ter acabado.

Esperar por ti foi sobreviver ao silêncio
no dia em que a noite deixou de o ser
e em que o mar abraçou o rio
como se o poeta nascesse para morrer.

Finalmente, há um horizonte sem fim
no teu rosto de menina quando a tarde
traz os ventos e os melros ficam assim:
olhando nos teus lábios o fogo que arde.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.

Espigas
As palavras são como as espigas
podem ser o excesso depois do olhar.
A planície inteira dentro de mim
sem palavras, com silêncio e emoções
é o Alentejo: horizonte e distância.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Íris
Procuro os silêncios permitidos
o perfume no olhar, o instante e a confidência.

Esse encontro transformou as pequenas
semelhanças na cordilheira das memórias.

Dos escassos relâmpagos verdes
as tuas íris permaneceram
bailarinas da esperança. 
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Lembrar
Lembrar-me de ti
era inventar as rotas das viagens que desenhámos
nos vidros embaciados quando o sonho se confundia
com o sono da manhã.

Lembrar-me de ti
era desejar-te o corpo de rosas na praia branca
onde a nudez tinha segredos e os seios aureolados,
sóis de luz, cerziam os meus olhos.

Lembrar-me de ti
é esconder-te, ainda, no silêncio das verdades inteiras
onde nada se esquece para ser lembrado nos dias
vindouros onde gastaremos a pele.

Lembrar-me de ti
será prometer-te paciência quando a paixão resiste
aos fins de tarde depois dos pássaros misturarem
os sons no ancoradouro da espera.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.



Memória
Gastámos a pele num areal sem gaivotas
incendiados na lava do desejo onde outrora
trocavam escravos de outras especiarias.
Nas bocas de Agosto a sede trouxe
a espuma do efémero depois do sol.

Somámos a solidão das rosas e os aromas
da viagem que acrescenta sonho ao horizonte.
Gastámos os sentidos sem sabermos um do outro
e os dias imaginados num poema escrito avulso
na face do vento.

Quando não estás a pele desoculta as cicatrizes
como se o nevoeiro desnudasse o passado
e a urgência do presente te trouxesse
desse tempo em que o teu olhar
fugidio se fundia na cumplicidade antiga
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Olhei-te nos olhos
estavam lá todas as paisagens que cresceram no silêncio, 
onde apenas sobrevivem os que se entregam pelo coração.
Vi o que outros não viram antes e, talvez, os que hão-de vir.
Vi a púrpura nos lábios, tinta de muitos poemas, 
subtraída ao luar nesse imenso espelho de água, 
onde se afogam as mágoas e as tormentas.
Vi o Adamastor sulcando a porta das especiarias, 
temor de naus e caravelas antes e depois de Calecute. 
Vi o Minotauro lançando-se sobre o linho indefeso das Vestais. 
Vi o que outros não viram antes e, talvez, os que hão-de vir. 
Vi a beleza num castiçal luminoso, cercado de sombras e de medos 
sob a mão indizível do mestre-de-cerimónias. 
Onde se abriam rosas, havia paredes brancas e barra azul 
para perpetuares as manhãs e o céu nos meus olhos. 
Vi o que chega tarde e nunca vai embora: a arte inquieta dos instantes, 
dividindo os dias e as noites numa cegueira cúmplice. 
Vi o que outros não viram antes e, talvez, os que hão-de vir. 
- António Vilhena, em "Só há uma vida e uma morte". 2015 (inédito).


Ousar
Não é fácil ocultar as cicatrizes
o tempo passa e alimentam a dúvida existencial.

Seremos capazes?
Somos, pelo menos, obrigados a tentar.
Há um dever de resistência pela própria vida. 
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Palavras
Se dizes o que quero ouvir, eu gosto.
Mas se dizes o que devo ouvir, eu penso.
Prefiro sempre aprender a gostar,
mesmo que seja estranho o que dizes.

Nem sempre as palavras trazem
nenúfares para receber os sentidos.
Gosto das palavras que deixam
uma pétala onde repousas o olhar. 
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Planície
Nos seus rostos não há lugar para ironias
a planície inteira está na pele
queimada como tatuagem da terra.
Quando a noite chega
os círios sinalizam
os percursos da intimidade
e a solidão ganha vida nas trevas
dos que ficam sem companhia.
Nunca um alentejano cantou sozinho,
a sua voz ecoa solidária, o silêncio atravessa
um tambor de paixões
orquestrando o amor de Orpheu e Eurídice.
- António Vilhena, em "Canto imperecível das aves". Coimbra: Caracol Edições, 2012.


Sabedoria
Somos feitos de paciência e nervos.
Temos tantas vidas na vida que sabemos e ocultamos.
Se o que somos é muito mais do que parecemos
parecer o que ocultamos é sabedoria. 
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Saudade
Olho-te na fotografia. Está lá um horizonte,
uma página à tua espera para escreveres, depois
de tanta ausência. Estão lá as linhas convergentes
como uma nódoa de esperança na pele branca
do poema. Não sou capaz de dizer os instantes à
beira do cais, onde aceno aos navios que outrora
visitaram os meus sonhos, como se estivesses nas
rotas de todos os encontros e as tuas mãos fossem
velas puídas pelo tempo. Olho-me na fotografia.
Acrescento-lhe os anos, mas não posso inventar
o que não vivemos.
- António Vilhena, em "Canto imperecível das aves". Coimbra: Caracol Edições, 2012.


Silêncio
Quando digo que vivíamos em silêncio um no outro,
não ignoro que tanta ausência significou outros encontros
mas o teu perfume permanece como o amor nas cartas.
Embriagados na punção licorosa dos beijos
tropeçamos, ainda, na efémera luz da manhã
onde a seda magoa os dedos.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Sonho
Quando o tempo era jovem
era velho o sonho que trazia dentro de mim.
Agora, o tempo velho deu lugar a um sonho novo.

Já não sei se sinto a sombra desse lugar
onde os teus olhos me traziam cativo.

Hoje sou refém do tempo
em que a liberdade de pensar
o futuro esculpe no jovem
o tempo velho de um sonho novo.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Tempo
A idade fez-te esquecer algumas palavras:
o tempo gasta a novidade.
Mas há verdades que atravessam o tempo
como se nunca envelhecessem.

É dessas palavras que falo. Tu sabes...
Quando um dia te lembrares das emoções
e das palavras sob as tardes,
talvez a noite ilumine a memória
e eu não esteja à tua beira
para partilhar as galáxias
espelho de viagens no rosto gasto.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Terra
Na noite silenciosa oiço o chocalhar do gado na planície
profunda. Os únicos sons chegam com a natureza:
as aves, os rebanhos de vacas e de ovelhas. Para
se chegar a este lugar é preciso amargar muito pó de
terra batida. Sinto que regressei à minha matriz ancestral,
ao “humus”, onde Anteu recriou a moira, o
destino, para os gregos antigos.
Há neste aconchego da terra o conforto do despojamento
e a indiferença pela intriga e a inveja. Aqui, lê-se
Homero. Tenho a companhia da lua crescente, os olhos
imaginários e a respiração da esperança. 
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Tudo
Nos poemas onde as metáforas
e as tranças se desnudam
as cumplicidades e os abraços
enlaçam as árvores
entre o perto e o longe
nesse mar de sargaços
onde tudo parece pouco
quando estamos a dois
e o tempo antes de o ser
era mais que o teu nome
num vale de pétalas.
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


Vida
A vida não é um desejo agrilhoado
cobiça do fogo entre dias, noites
e nomes que trazemos do passado. 
- António Vilhena, em "Templo do fogo insaciável". Coimbra: Caracol Edições, 2013.


FORTUNA CRÍTICA DE ANTÓNIO VILHENA
COSTA, Viegas Fernandes da.. Cartas a um amor ausente. in Blog Viegas da Costa. Disponível no link. (acessado em 16.9.2015).
SOUSA, Pedro Miguel. "Cartas a um amor ausente" de António Vilhena. in: blog pedromiguelsousa, 4 de agosto de 2014. Disponível no link. (acessado em 17.9.2015).


"Manifesto pela paixão"
Anda o mundo triste, falta-lhe o brilho das horas completas. Andam caladas as vozes do coração, os rios já não transbordam, há um mau feitio que não nos deixa ser felizes. Há um cheiro nauseabundo entranhado na pele que sufoca as emoções, vestígios de medo em busca do sorriso certo para semear manhãs nos olhos dos amantes.
É tudo a metade, tudo incompleto, feito para não existir. É esta vida que não se chega a viver até ao fim que faz sofrer a humanidade, que tem um corpo mas apenas metade do coração.(...).

- António Vilhena, em "A eterna paixão de nunca estar contente". Coimbra: Académica Editora, 1991.



Antonio Vilhena - foto: (...)
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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). António Vilhena - poeta e cronista português. Templo Cultural Delfos, setembro/2015. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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** Página atualizada em 27.8.2016.




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