"A arte é o espelho da pátria.
O país que não preserva os seus valores culturais j
amais verá a imagem de sua própria alma."
- Chopin

Cora Coralina - venho do século passado e trago comigo todas as idades



Cora Coralina
"Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.
Creio na força imanente
que vai gerando a família humana,
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana,
na superação dos erros
e angústias do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher tudo fácil.
Antes acreditar do que duvidar"
- Cora Coralina, in "Ofertas de Aninha", no livro Vintém de Cobre: Meias Confissões de Aninha, 6ª ed. Global Editora (1996).

Cora Coralina (Aninha)
Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretas, nasceu no estado de Goiás (Goiás Velho) em 1889. Filha de Jacinta Luíza do Couto Brandão Peixoto e do Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães.

Em 25 de novembro de 1911 deixa Goiás indo morar no interior de São Paulo. Volta para Goiás em 1954, depois de 45 anos.


“Sai desta cidade em 25 de novembro de 1911 e voltei em 22 de março de 1956. Deixei filhos, nora, genros, netos e bisnetos. A força da terra, das raízes que me chamavam eram mais fortes e sobrepôs a todos esses afetos familiares. Quando eu voltei, não tinha intenção de permanecer, tinha a intenção de matar saudades velhas e carregar saudades novas.”
- Cora Coralina, no Especial Literatura, TVE, 1985.


Cora Coralina era chamada Aninha da Ponte da Lapa. Tendo apenas instrução primária e sendo doceira de profissão.

Publicou seu primeiro livro aos 75 anos de idade. Ficou famosa principalmente quando suas obras chegaram até as mãos de Carlos Drummond de Andrade, quando ela tinha quase 90 anos de idade.

Cora Coralina não se filiou a nenhuma corrente literária. Com um estilo pessoal, foi poeta e uma grande contadora de histórias e coisas de sua terra. O cotidiano, os causos, a velha Goiás, as inquietações humanas são temas constantes em sua obra, considerada por vários autores um registro histórico-social do século XX.

Faleceu em 10 abril de 1985 em Goiânia.


“Quando escrevo, escrevo por um impulso interior que me vem do insondável que cada um de nós trás consigo. Mas uma coisa eu digo a você: ontem nós falamos nas pessoas que ainda estão voltadas para o passado. E eu digo a você: não há ninguém que não faça sua volta ao passado ao escrever. Nós todos fazemos. Nós todos pertencemos ao passado. Todos nós. Queira ou não queira. É de uma forma instintiva. Nós todos estamos ligados muito mais aos nossos avós do que aos nossos pais.”
- In: Cora Política Coralina, 1984.


CRONOLOGIA VIDA E OBRA DE CORA CORALINA
Cora Coralina, jovem.
1889 - Nasce Ana Lins do Guimarães Peixoto Bretas (Cora Coralina), na cidade de Goiás, em 20 de agosto. Filha de Jacinta Luíza do Couto Brandão Peixoto e do Desembargador Francisco de Paula Lins do Guimarães.
1900 - Impedida de freqüentar regularmente a escola, descobre a literatura lendo os almanaques encontrados em sua casa e começa a escrever seus primeiros versos.
1905 - Passa a freqüentar os saraus literários realizados na residência de um advogado da cidade, em que, sem revelar o nome do autor, lê publicamente seus poemas.
1907 - Tem pela primeira vez seus poemas publicados no jornal O Paiz. Trabalha como redatora do jornal A Rosa.
1910 - Publica seus primeiros poemas no jornal O Paiz e pela primeira vez utiliza pseudônimo Cora Coralina, que adota em toda sua carreira literária. Publica o seu primeiro conto "Tragédia na Roça" no Anuário Histórico Geográfico e Descritivo do Estado de Goiás .
1911 - Grávida, sai da cidade com Cantídio Tolentino de Figueiredo Brêtas, que havia sido designado delegado de polícia da Vila de Goiás nesse ano.
1912 - Instalam-se na cidade de Jaboticabal, interior de São Paulo.
1914 - Colabora no Jornal O Democrata, em que seu marido trabalha como redator. Em seus artigos faz reivindicações em favor dos pobres e idosos da cidade. Defende a criação da Escola de Agronomia de Jaboticabal.
1921 - Publica no jornal O Estado de S. Paulo o artigo "Idéias e Comemorações", elogiado pelo escritor Monteiro Lobato (1882 - 1948).
1923 - O casal adquire uma chácara onde a poeta passa a cultivar e comercializar flores. Colabora no jornal A Informação Goiana.
1925 - Viaja com o marido para São Paulo e oficializam o casamento. Em lua-de-mel, vão para o Rio de Janeiro.
1926 - Muda-se com a família para São Paulo.
1932 - Apóia a Revolução Constitucionalista e colabora no jornal O Estado de S. Paulo.
1934 - Morre seu marido e para sustentar a família abre uma pensão.
Cora Coralina
1936 - Conhece o editor José Olympio (1902 - 1990) e passa a vender os livros da sua editora.
1937 - Muda-se para Penápolis, São Paulo, onde abre uma casa de retalhos e colabora no jornal O Penapolense.
1940 - Instala-se em Andradina, São Paulo, e inaugura uma casa de tecidos. Adquire uma chácara na vila Alfredo de Castilho e se torna lavradora. Pouco tempo depois adquire dois novos sítios, no primeiro passa a produzir algodão e o segundo destina ao aluguel para o descanso das boiadas que, vindas de Mato Grosso, vão para o Matadouro de Araçatuba. Colabora no periódico O Jornal da Região.
1954 - Vende seus bens de São Paulo para seu filho e retorna para a vila de Goiás, onde produz doces.
1959 - Conhece o advogado Tarquínio de Oliveira, que a estimula a publicar seus poemas por uma editora paulista, então aprende datilografia e passa a limpo suas poesias.
1959 - Em companhia de Tarquínio de Oliveira encontra-se com o escritor Antônio Olavo Pereira (1913), irmão de José Olympio e administrador de sua editora em São Paulo.
1976 - É homenageada pelo Grêmio Lítero-Musical Carlos Gomes, sediado em Goiânia.
1979 - Recebe carta do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987) enaltecendo-a como uma das grandes poetas nacionais. Os dois poetas passam a se corresponder freqüentemente.
1980 - No Rio de Janeiro, é homenageada como uma das dez mulheres do ano nas letras nacionais. Drummond publica um artigo elogiando seus poemas no Caderno B do Jornal do Brasil.
1981 - Como tributo a seu trabalho literário recebe o Troféu Jaburu, doado pelo Conselho de Cultura do Estado de Goiás.
1982 - É reverenciada, em São Paulo, no 1º Festival Mulheres nas Artes. E participa do recital em sua homenagem promovido pela Fundação Ação Social do Palácio do Governo de Goiás.
Cora Coralina
1983 - Recebe o título de doutora honoris causa conferido pela Universidade Federal de Goiás. É homenageada pelo Senado, em solenidade promovida pela Fundação Pedroso Horta, pela Secretaria de Cultura do Governo de Goiás e pela Fundação Cultural. É agraciada com a Comenda da Ordem do Mérito do Trabalho, conferida pelo presidente da República, João Baptista Figueiredo (1919 - 1999), por seus méritos na promoção da cultura goiana.
1984 - Torna-se membro da Academia Goiana de Letras. Recebe o grande prêmio de crítica da Associação Paulista de Crítica de Arte - APCA e o Troféu Juca Pato da União Brasileira de Escritores - UBE reconhecida como Símbolo Brasileiro do Ano Internacional da Mulher Trabalhadora pela FAO.
1985 - Morre no dia 10 de abril, em Goiânia, e é enterrada na cidade de Goiás, onde é fundada a Casa de Cora Coralina, instituição que zela pela preservação de sua memória.


"A estrada da vida é uma reta marcada de encruzilhadas.
Caminhos certos e errados, encontros e desencontros
do começo ao fim.
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."
- Cora Coralina, "Exaltação a Aninha", Vintém de Cobre: meias 
confissões de Aninha.


OBRAS PUBLICADAS DE CORA CORALINA - PRIMEIRAS EDIÇÕES
Poemas de Cora Coralina
Poesia
CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1965.
­­­­­­­­­­­­­­­­­­­_______ . Meu Livro de Cordel. Livraria e Editora Cultura Goiana, 1976, p. 93.
_______ . Vintém de Cobre: Meias Confissões de Aninha. UFG Editora, 1983, p. 195.
_______ . O tesouro da Casa Velha. [publicação póstuma]. São Paulo: Global, 1996.
_______ . Vila Boa de Goyáz. [publicação póstuma]. São Paulo: Global, 2001.

Casa Velha da Ponte
Conto
CORALINA, Cora. Estórias da Casa Velha da Ponte. São Paulo: Global, 1985.

Infantil e juvenil
CORALINA, Cora. Os Meninos Verdes. São Paulo: Global, 1986.
_______ . A Moeda de Ouro que um Pato Engoliu. [publicação póstuma]. São Paulo: Global, 1999.
_______ . O Prato Azul-Pombinho. [publicação póstuma]. São Paulo: Global, 2002.



"Entre pedras que me esmagavam levantei a pedra rude dos meus versos."
- Cora Coralina, in "Das pedras", Meu livro de cordel.



CORA CORALINA - RECONHECIMENTO – HOMENAGENS, COMENDAS E PRÊMIOS.
1962 - Cidadã Andradinense – Andradina-SP.
1970 - Membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, Goiânia-GO.
Cora Coralina
1973 – Premio de Contribuição à cultura goiana – Literatura – UBE. Goiânia-GO.
1976 - Intelectual do Ano - Grêmio Litero Teatral Carlos Gomes, Goiânia-GO.
1977 - Membro da Arcádia Goiana de Cultura, Goiânia-GO.
1977 - Medalha Ana Néri – Sociedade Brasileira de Educação e Integração – São Paulo-SP.
1978 - Comenda do Mérito Anhanguera – Governo do Estado de Goiás, Goiânia-GO.
1978 - Medalha do Sesquicentenário da Fundação de Jaboticabal – Jaboticabal-SP.
1980 - Dez Mulheres do Ano, Conselho Nacional de Mulheres do Brasil, Rio de Janeiro-RJ.
1981 - Recebe o Troféu Jaburu, doado pelo Conselho de Cultura do Estado de Goiás, pelo seu trabalho literário.
____ . Medalha Veiga Valle, Organização Vilaboense de Artes e Tradições, Cidade de Goiás-GO.
____ . Expressão da Cultura, Academia Goiana de Letras e Fundação Projeto Rondon, Goiânia-GO.
1982 - Prêmio Fernando Chinaglia – UBE – Rio de Janeiro.
____ . Sócio Honorário da Casa do Poeta Brasileiro, Santos-SP.
____ . Medalha Tiradentes, Governo do Estado de Goiás, Goiânia-GO.
____ . Medalha Antônio Joaquim de Moura Andrade, Câmara Municipal de Andradina, Andradina-SP e Serviço Social do Comércio, São Paulo-SP.
1983 - Recebe o título de doutora honoris causa, conferido pela Universidade Federal de Goiás.
____ . Mulher do Ano, Grêmio Litero Teatral Carlos Gomes, Goiânia-GO.
____ . É agraciada com a Comenda da Ordem do Mérito do Trabalho, conferida pelo presidente da República, João Baptista Figueiredo (1919 - 1999), por seus méritos na promoção da cultura goiana.
Cora Coralina
1984 - Recebe o Troféu Juca Pato, da União Brasileira de Escritores (UBE) e Folha de São Paulo, São Paulo.
____ . É reconhecida como Símbolo Brasileiro do Ano Internacional da Mulher Trabalhadora pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
____ . Cidadã Jaboticabalense, Jaboticabal-SP.
____ . Cidadã Goianiense, Goiânia-GO.
____ . Grande Prêmio da Crítica – Associação Paulista de Críticos de Arte, São Paulo-SP.
____ . Membro da Academia Goiana de Letras, Goiânia-GO.
1985 - Personalidade do Ano - Literatura, Rotary Club de São Paulo, São Paulo-SP.


Cora Coralina, Lezio Junior.

CORA CORALINA E A SEMANA DE 22

“Eu só me libertei da dificuldade poética depois do modernismo de 22, mas não acompanhei o movimento. Não sei como – não posso explicar como - me achei dentro daquela mudança. Em primeiro lugar, poesia para mim é comunicação; em segundo lugar é invenção, porque só o gênio cria. Hoje nós temos que achar a poesia na realidade da vida e a vida toda é poesia.
Porque onde há vida, há poesia. Poesia para mim é um ato visceral. É um impulso que vem de dentro e se eu não obedecê-lo me sinto angustiada. (...) Todo o poeta é meu preferido. Gosto dos poetas de 22. Mas para mim o fundamental é a poesia que busque inspiração na realidade. Não suporto os poetas do imaginário que fazem sua arte do caracol das palavras.”
- Cora Coralina, Revista Análise, 1984, p. 10-11.


A MÁQUINA DE ESCREVER
A velha máquina de escrever...
“Querida amiga D. Cora Coralina, (...) A máquina de escrever é sua por direito de conquista. Não agradeça, portanto. Comprei essa Hermes Baby há alguns anos na convicção de que me serviria a escrever poemas. Tempo consumido em escritos econômicos, negócios, administração. Vejo que ela tinha um destino certo. E o realiza agora. (...) Certamente, um dia, será célebre nas obras de Cora Coralina e com maior beleza e valor. Não me agradeça. A máquina queira um dono côo a senhora. Teria fugido de mim mais cedo ou mais tarde. (...) Ela já era sua. Perdoe que não a tenha encontrado mais cedo.”
- Tarquínio J. B. de Oliveira – escritor, S. Paulo, 15 julho 60.


“O grande livro que sempre me valeu e que aconselho aos jovens, um dicionário. Ele é o pai, é tio, é avô, é amigo e é um mestre. Ensina, ajuda, corrige, melhora, protege. Dá origem da gramática e o antigo das palavras. A pronúncia correta, a vulgar e a gíria. Incorporou ao vocabulário todos os galicismos, antes condenados. Absolveu o erro e ressalvou o uso. Assimilou a afirmação de um grande escritor: é o povo que faz a língua. Outro escritor: a língua é viva e móvel. Os gramáticos a querem estática, solene, rígida. Só o povo a faz renovada e corrente sem por isso escrever mal.”
- Cora Coralina, in "Voltei", do livro 'Vintém de Cobre: meias confissões de Aninha' - 6ª ed. Global Editora (1996).



"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...)."
- Carlos Drummond de Andrade.



“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida,
removendo pedras e plantando flores.”

A poetisa e contista Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, a Cora Coralina,
entre os frequentadores do Gabinete Literário Goiano



CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE E A PROJEÇÃO NACIONAL DE CORA CORALINA
A repercussão nacional veio com a publicação da segunda edição de Poemas dos Becos de Goiás, em 1978, pela Editora da Universidade Federal de Goiás. Um dos exemplares foi encaminhado ao poeta Carlos Drummond de Andrade, que, não possuindo referências sobre a poetisa, enviou uma carta* à universidade:

“Cora Coralina. Não tenho o seu endereço, lanço estas palavras ao vento, na esperança de que ele as deposite em suas mãos. Admiro e amo você como alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu verso é água corrente, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais. Ah, você me dá saudades de Minas, tão irmã do teu Goiás! Dá alegria na gente saber que existe bem no coração do Brasil um ser chamado Cora Coralina. Todo o carinho, toda a admiração do seu.”
- Carlos Drummond de Andrade, Rio de Janeiro, 14 de julho de 1979.

Aninha, respondeu:
“Carlos Drummond de Andrade. Meu amigo, meu Mestre. Com alguma demora no recebimento de sua Mensagem e maior da minha parte, vai aqui na pobreza deste papel de que só vale o branco, meu agradecimento àquele que de longe e do alto atentou para a pequena escriba, sem lauréis e sem louros, sem referências a mencionar. Sua palavra, espontânea e amiga, fraterna veio como uma vertente de água cristalina e azul para a sede
de quem fez longa e dura caminhada ao longo da vida. Abençoado seja o homem culto que entrega ao vento palavras novas que tão bem ressoam no coração de quem tão pouco as tem ouvido. Despojada de prêmios e de láureas caminha na vida como o trabalhador que bem fez rude tarefa, sozinho, sem estímulos e no fim contempla tranqüilo e ainda confiante a
tulha vazia. Meu Mestre. Meu Irmão. Que mais acrescentar? Eu sou aquela menina despenteada e descalça da Ponte da Lapa. Eu sou Aninha.”
- Cora Coralina. Cidade de Goiás, 02 de setembro de 1979.

Essa carta foi à chancela para sua projeção nacional, consolidada com a Crônica “Cora Coralina, de Goiás”, publicada no Jornal do Brasil, transcrita na integra:
Crônica "Cora Coralina, de Goiás - Drummond - JB.
“Cora Coralina, de Goiás. Este nome não inventei, existe mesmo, é de uma mulher que vive em Goiás: Cora Coralina. Cora Coralina, tão gostoso pronunciar esse nome, que começa aberto em rosa e depois desliza pelas entranhas do mar, surdinando música de sereias antigas e de Dona Janaina moderna. Cora Coralina, para mim a pessoa mais importante de Goiás. Mais que o Governador, as excelências parlamentares, os homens ricos e influentes do Estado. Entretanto, uma velhinha sem posses, rica apenas de sua poesia, de sua invenção, e identificada com a vida como é, por exemplo, uma estrada. Na estrada que é Cora Coralina passam o Brasil velho e o atual, passam as crianças e os miseráveis de hoje.
O verso é simples, mas abrange a realidade vária. Escutemos: “Vive dentro de mim/uma cabocla velha/de mau olhado,/acocorada ao pé do borralho, olhando pra o fogo”. “Vive dentro de mim/a lavadeira do Rio Vermelho. Seu cheiro gostoso d’água e sabão”. “Vive dentro de mim/a mulher cozinheira. Pimenta e cebola. Quitute bem-feito”. “Vive dentro de mim/a mulher proletária./Bem linguaruda,/ desabusada, sem preconceitos”. “Vive dentro de mim/a mulher da vida./Minha irmãzinha.../tão desprezada,/tão murmurada...” Todas as vidas. E Cora Coralina as celebra todas com o mesmo sentimento de quem abençoa a vida. Ela se coloca junto aos humildes, defende-os com espontânea opção, exalta-os, venera-os. Sua consciência humanitária não é menor do que sua consciência da natureza. Tanto escreve o Ode às Muletas como a Oração do Milho. No primeiro texto, foi a experiência pessoal que a levou a meditar na beleza intrínseca desse objeto (“Leves e verticais. Jamais sofisticadas./Seguras nos seus calços/de borracha escura. Nenhum enfeite ou sortilégio”). No segundo poema, o dom de aproximar e transfigurar as coisas atribui ao milho estas palavras: “Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece./Sou o cocho abastecido donde rumina o gado./Sou a pobreza vegetal agradecida a Vós, Senhor”. Assim é Cora Coralina: um ser geral, “coração inumerável”, oferecido a estes seres que são outros tantos motivos de sua poesia: o menor abandonado, o pequeno delinqüente, o presidiário, a mulher-da-vida. Voltando-se para o cenário goiano, tem poemas sobre a enxada, o pouso de boiadas, o trem de gado, os becos e sobrados, o prato azul-pombinho, último restante de majestoso aparelho de 92 peças, orgulho extinto da família. Este prato faz jus a referência especial, tamanha a sua ligação com os usos brasileiros tradicionais, como o rito da devolução: “Às vezes, ia de empréstimo/ à casa da boa Tia Nhorita./E era certo no centro da mesa/de aniversário, com sua montanha/de empadas bem tostadas/No dia seguinte, voltava,/conduzido por um portador/que era sempre o Abdenago, preto de valor,/de alta e mútua Confiança./Voltava com muito-obrigados/e, melhor cheinho/de doces e salgados./Tornava a relíquia para o relicário...”
Cora Coralina
Relicário é também o sortido depósito de memórias de Cora Coralina. Remontando à infância não a ornamenta com flores falsas: “Éramos quatro as filhas de minha mãe./Entre elas ocupei sempre o pior lugar”. Lembra-se de ter sido “triste, nervosa e feia./Amarela, de rosto empalamado./De pernas moles, caindo à toa”. Perdera o pai muito novinha. Seus brinquedos eram coquilhos de palmeira, caquinhos de louça, bonecas de pano. Não era compreendida.
Tinha medo de falar. Lembra com amargura essas carências, esquecendo-se de que a tristeza infantil não lhe impediu, antes lhe terá reparado a percepção solidária das dores humanas, que o seu verso consegue exprimir tão vivamente em forma antes artesanal do que acadêmica. Assim é Cora Coralina, repito: mulher extraordinária, diamante goiano cintilado na solidão e que pode ser contemplado em sua pureza no livro Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Não estou fazendo comercial de editora, em época de festas. A obra foi publicada pela Universidade Federal de Goiás. Se há livros comovedores, este é um deles.
Cora Coralina, pouco conhecida dos meios literários fora de sua terra, passou recentemente pelo Rio de Janeiro, onde foi homenageada pelo Conselho Nacional de Mulheres do Brasil, como uma das 10 mulheres que se destacaram durante o ano. Eu gostaria que a homenagem fosse também dos homens. Já é tempo de nos conhecermos uns aos outros sem estabelecer critérios discriminativos ou simplesmente classificatórios. Cora Coralina, um admirável brasileiro. Ela mesmo se define: “Mulher sertaneja, livre, turbulenta, cultivadamente rude. Inserida na gleba. Mulher terra. Nos meus reservatórios secretos um vago sentido de analfabetismo”. Opõe à morte “aleluias festivas e os sinos alegres da Ressurreição. Doceira fui e gosto de ter sido. Mulher operária”. Cora Coralina: gosto muito deste nome, que me invoca, me bouleversa, me hipnotiza, como no verso de Bandeira.”
- Carlos Drummond de Andrade. Jornal do Brasil, cad. B, 27-12-80.

Ambos passaram a se corresponder nos anos seguintes. E Drummond, continuou promovendo a obra de Cora Coralina.

"Minha pena (esferográfica) é a enxada que vai cavando,
é o arado milenário que sulca.
Meus versos têm relances de enxada, gume de foice
e o peso do machado.
Cheiro de currais e gosto de terra.
(...)"
- Cora Coralina, In. Poema "A gleba me transfigura".


CORA CORALINA E JORGE AMADO - ENTRE ENCONTROS E CORRESPONDÊNCIAS
Cora Coralina e Jorge Amado na Casa Velha da Ponte.
O primeiro contato se efetivou através de um bilhete de Jorge Amado e de uma carta de Cora em resposta:
Quero crer que Cora Brêtas, de Goiânia, e Cora Coralina de Jesus, [confundindo-a com a escritora Leodegária de Jesus] de Goyaz Velho, sejam a mesma pessoa. É certo ou estou em erro? Mande-me dizer.
- Jorge Amado


Resposta de Cora:
Jorge Amado. Em hora aprazível tem chegado a Goiás suas mensagens, Zélia presente e euos agradeço de cór. Cora Coralina de Jesus, do Coração de Jesus, de Jesus Maria e José, de São Paulo e de São Pedro, do Menino Jesus de Praga ou não, de todos os santos milagrosos. (...) e Amado filho muito nobre de Pirangi, da boa terra de São Jorge. (...) Para o endereço apenas Cora Coralina que a cidade é mesmo uma coisinha e eu não tenho xará. (...) Vai esta com um volume de meus escritinhos. É o que posso oferecer, e o faço com singeleza e algum acanhamento. Você que é escritor, revestido, condecorado e urbano, passe os olhos e releve. (...) Jorge meu irmão rico, saibam você e a Zélia de que tem nesta Cidade de Goiás uma contadeira de verdades e mentiras que os quer bem de todo o coração.
- Cora Coralina

Após esse contato, Cora Coralina e Jorge Amado, passaram a se corresponder. Essa correspondência é inédita, algumas foram publicadas recentemente em “A economia simbólica dos Acervos Literários: Itinerários de Cora Coralina, Hilda Hilst e Ana Cristina César. (Tese de Doutorado) Brasília: UnB, jun. 2011, de Clóvis Carvalho Britto”.

Cora Coralina
"A vida é sempre boa. Saber viver é a grande sabedoria e nós todos temos a faculdade de fazê-la sempre melhor. Além da vida material que está a nossa volta, temos também a nossa vida interior, mais válida que a material. Depende de nós fazê-la melhor."
- Cora Coralina, Especial Literatura, n.° 14, TVE, 29/1/1985.


CORA CORALINA, A DOCEIRA DA CASA VELHA DA PONTE DO RIO VERMELHO DE GOYAZ VELHO
Cora Coralina, a doceira
Doceira de profissão e poetisa por vocação, Cora Carolina tinha as mãos precisas para o verbo e para o açúcar. Apesar de se considerar mais cozinheira do que escritora dominava as duas artes, mesmo só tendo publicado seu primeiro livro aos 75 anos.


“Sou mais doceira e cozinheira
do que escritora, sendo a culinária
a mais nobre de todas as Artes:
objetiva, concreta, jamais abstrata
a que está ligada à vida e
à saúde humana.”
- Cora Coralina, trecho do poema: Quem É Você?




“Faz tempo, queria contar para sua ternura,
essas coisas miúdas que nós entendemos.
Ah! Meu amigo e confrade...
As rolinhas... as últimas, fogo-pagou, cantaram a cantiga
da despedida no telhado negro da Velha Casa.
Cantaram em nostalgia toda uma certa manhã passada.
Olhei. Eram cinco, as derradeiras.
Levantaram vôo e se foram para sempre.”
- Cora Coralina, 1983.


Cora Coralina, TV Integração canal 11.
com depoimentos da poetisa Cora Coralina.




O RETORNO
Cora Coralina
“Sim, foi naquele meio, afastada de tudo o que me prendia, sozinha, longe da vida de meus filhos (porque uma mãe quando mora com os filhos vive a vida de todo o mundo, menos a dela). Quando eu senti uma necessidade imprecisa, obscura de me por de longe, eu tinha qualquer coisa que me forçava a isso. Em Goiás, vamos dizer assim,
abriram-se as portas do pensamento e escrevi o primeiro livro publicado.”
- Cora Coralina, In: Araújo, 1977.


“Nós temos dentro de nós um porãozinho. Ele abre e fecha
automaticamente. E as coisas caíram dentro do meu porão. E o porão
se fechou. E ficou fechado durante quarenta e cinco anos. O tempo
todo que eu estive fora da minha cidade. E eu senti a necessidade de
abrir esse porão voltando. Lá não. Tinha que voltar para abrir o porão.
Aqui é que o meu porão tina que ser aberto soltando as coisas de
dentro. Soltando o passado de dentro.”
- Cora Coralina


A REVOLTA
“Meus amigos me esqueceram. As revistas que apareceram em Goiânia, jamais me pediram uma crônica sequer. Eu poderia ter colaborado e muito. Havia muita coisa a ser escrita dentro da história de Goiás. Preferiram encomendar crônicas de fora, Eneida e outros nomes, que falavam da Guanabara. Eu fui ficando de lado, angustiada, aborrecida, frustrada. Por isso dediquei-me de corpo inteiro a fabricação de doces, sem deixar de escrever meus contos e poemas. É uma espécie de revolta que tenho comigo. Escrevi bastante naquela época, mas nunca bati na porta de ninguém para a publicação de meus trabalhos. (...) Ai está o motivo de meu apego aos doces, é uma réplica a esse alheamento que os jornais fizeram da minha pessoa literária.”
- Cora Coralina


A MEMÓRIA
Cora Coralina
Cora Coralina reescreve Goiás, promovendo uma arqueologia do passado através das imagens que construiu. Seu ato de registrar, através da escrita, cenários e personagens historicamente silenciados, constituiu em uma forma de perenização e resistência.


"Alguém deve rever, escrever e assinar os autos do Passado
antes que o Tempo passe tudo a raso.
É o que procuro fazer, para a geração nova, sempre
atenta e enlevada nas estórias, lendas, tradições, sociologia
e folclore de nossa terra.
Para a gente moça, pois, escrevi este livro de estórias.
Sei que serei lida e entendida."
- Cora Coralina, "Ao Leitor", 1980, p. 39.


GOYAZ VELHO
A poetisa deixa transparecer sua opção no antológico poema Minha Cidade:
Igreja da boa morte em goias velho
Goiás, minha cidade
[…]
Eu sou aquela
menina feia da
ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.
Eu sou aquela
mulher,
que ficou velha,
esquecida,
nos teus larguinhos
e nos teus becos
tristes,
contando estórias,
fazendo
adivinhação.
Cantando teu
passado.
Cantando teu futuro.
Eu sou aquele teu
muro [...]
vista do largo do rosário goias velho.
Eu sou estas casas
encostadas
cochichando umas
com as outras.
Eu sou a ramada
dessas árvores […]
Eu sou o caule
dessas trepadeiras […]
Minha vida,
meus sentidos,
minha estética,
todas as vibrações
de minha
sensibilidade de
mulher
têm, aqui, suas
raízes.
Eu sou a menina
feia
da ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.
- Cora Coralina, in "Minha Cidade", 1980, p. 47-49.

Na verdade, Cora regressou, sem o intuito de permanecer. Dois foram os motivos de seu retorno: lutar pela compra de sua casa natal; e iniciar uma espécie de “pesquisa de campo”, uma coleta de dados que orientariam a elaboração dos poemas de seu livro tão almejado. Este segundo fato, pouco divulgado, é fundamental para compreendermos o processo criativo de Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Não por acaso o jornal Cidade de Goiás, publicou em 8 de abril de 1956 a seguinte nota: “Em visita a esta cidade encontra-se entre nós a Sra. D. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretãs (...). Inteligência viva e palestra fluente, Cora Coralina esta colhendo dados para trabalho seu sobre.



"Eu brincava, rodava, virava roda,
e o antigo mandrião se enchia
e vento balão.
Aninha cantava, desentoada, desafinada,
boba que era.
Meu mandrião, vento balão,
roda pião, vintém na mão."
- Cora Coralina, In. Vintém de Cobre.


“Mergulhar na obra de Cora, Aninha, a Mulher Guerreira, a Rapsoda, a Cigarra Cantadeira e Formiga Diligente (...) é uma lírica, telúrica e emocionante aventura: é um evocar de dados, lembranças, referências às nossas raízes e, acima de tudo, esplêndida imagem de uma vida forte e sabiamente vivida e muito bem expressa na sua palavra poética.”

- Marietta Telles Machado.


POEMAS ESCOLHIDOS DE CORA CORALINA

Meu destino
Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...
- Cora Coralina


Mascarados
Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.
- Cora Coralina, no Caderno "Folha Ilustrada", São Paulo: Folha de São Paulo, edição de 04/07/2001.



Cora Coralina
O passado 
[...] O passado... 
Homens sem pressa, 

talvez cansados,
descem com leva
madeirões pesados,
lavrados por escravos
em rudes simetrias,
do tempo das acutas.
Inclemência.
Caem pedaços na calçada.
Passantes cautelosos
desviam-se com prudência.
Que importa a eles o sobrado?
Gente que passa indiferente,

olha de longe,
na dobra das esquinas,
as traves que despencam.
-Que vale para eles o sobrado?
Quem vê nas velhas sacadas
de ferro forjado
as sombras debruçadas?
Quem é que está ouvindo
o clamor, o adeus, o chamado?...
Que importa a marca dos retratos na parede?
Que importam as salas destelhadas,
e o pudor das alcovas devassadas...
Que importam?
E vão fugindo do sobrado,
aos poucos,
os quadros do Passado. 
- Cora Coralina


Velho
Estás morto, estás velho, estás cansado!
Como um suco de lágrimas pungidas
Ei-las, as rugas, as indefinidas
Noites do ser vencido e fatigado.
volve-te o crepúsculo gelado
Que vai soturno amortalhando as vidas
Ante o repouso em músicas gemidas
No fundo coração dilacerado.
A cabeça pendida de fadiga,
Sentes a morte taciturna e amiga,
Que os teus nervosos círculos governa.
Estás velho estás morto! Ó dor, delírio,
Alma despedaçada de martírio
Ó desespero da desgraça eterna.
- Cora Coralina



Pedras
Os morros cantam para meus sentidos
a música dos vegetais
que se movem ao vento.

As pedras imóveis me enviam
uma benção ancestral.
Debaixo da minha janela
se estende a pedra-mãe.

Que mãos calejadas
e imensas mãos sofridas de escravos
a teriam posto ali,
para sempre?

Pedras sagradas da minha cidade,
nossa íntima comunicação.
Lavada pelas chuvas,
queimada pelo sol,
bela laje velhíssima e morena.

Eu a desejaria sobre meu túmulo
e no silêncio da morte,
você, uma pedra viva, e eu,
teríamos uma fala
do começo das eras.
- Cora Coralina, in. "Villa Boa de Goiaz", São Paulo: Global Editora, 2001, pág. 93. 



O chamado das Pedras
A estrada está deserta.
Vou caminhando sozinha.
Ninguém me espera no caminho.
Ninguém acende a luz.
A velha candeia de azeite
de lá muito se apagou.

A caminhada ...
Tudo deserto.
A longa caminhada.
A longa noite escura.
Ninguém me estende a mão.
E as mãos atiram pedras.
Sozinha...

Errada a estrada.
No frio, no escuro, no abandono.
Tateio em volta e procuro a luz.
Meus olhos estão fechados.
Meus olhos estão cegos.
Vêm do passado.

Num bramido de dor.
Num espasmo de agonia
Ouço um vagido de criança.
É meu filho que acaba de nascer.

Sozinha...
Na estrada deserta,
Sempre a procurar
o perdido tempo que ficou pra trás.

Do perdido tempo.
Do passado tempo
escuto a voz das pedras:

Volta...Volta...Volta...
E os morros abriam para mim
Imensos braços vegetais.

E os sinos das igrejas
Que ouvia na distância
Diziam: Vem... Vem... Vem...

E as rolinhas fogo-pagou
Das velhas cumeeiras:
Porque não voltou...
Porque não voltou...
E a água do rio que corria
Chamava...chamava...

Vestida de cabelos brancos
Voltei sozinha à velha casa deserta.
- Cora Coralina, do "Meu Livro de Cordel", 8°ed., 1998.




 Meu Epitáfio
Morta... serei árvore 
Serei tronco, serei fronde 
E minhas raízes 
Enlaçadas às pedras de meu berço 
são as cordas que brotam de uma lira. 

Enfeitei de folhas verdes 
A pedra de meu túmulo 
num simbolismo 
de vida vegetal. 

Não morre aquele 
que deixou na terra 
a melodia de seu cântico 
na música de seus versos. 
- Cora Coralina, do "Meu Livro de Cordel", 1998. 




Assim eu vejo a vida
A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
- Cora Coralina, [O poema acima, inédito em livro], foi publicado pelo jornal "Folha de São Paulo" — caderno "Folha Ilustrada", edição de 04/07/2001.



Aninha e suas pedras 
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha 
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas 
e não entraves seu uso
aos que têm sede. 
- Cora Coralina, do livro "Vintém de Cobre: Meias Confissões de Aninha", 6ª ed. Global Editora, 1997, pág. 139.



Conclusões de Aninha
Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.

Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?

Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.

Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.
- Cora Coralina, do livro "Vintém de Cobre: Meias Confissões de Aninha", 6ª ed. Global Editora, 1997, pág. 160.


Todas as vidas
Vive dentro de mim 
uma cabocla velha 
de mau-olhado, 
acocorada ao pé do borralho, 
olhando para o fogo. 
Benze quebranto. 
Bota feitiço... 
Ogum. Orixá. 
Macumba, terreiro. 
Ogã, pai-de-santo...

Vive dentro de mim 

a lavadeira do Rio Vermelho. 
Seu cheiro gostoso 
d’água e sabão. 
Rodilha de pano. 
Trouxa de roupa, 
pedra de anil. 
Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim 

a mulher cozinheira. 
Pimenta e cebola. 
Quitute bem feito. 
Panela de barro. 
Taipa de lenha. 
Cozinha antiga 
toda pretinha. 
Bem cacheada de picumã. 
Pedra pontuda. 
Cumbuco de coco. 
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim 

a mulher do povo. 
Bem proletária. 
Bem linguaruda, 
desabusada, sem preconceitos, 
de casca-grossa, 
de chinelinha, 
e filharada.

Vive dentro de mim 

a mulher roceira. 
- Enxerto de terra, 
meio casmurra. 
Trabalhadeira. 
Madrugadeira. 
Analfabeta. 
De pé no chão. 
Bem parideira. 
Bem criadeira. 
Seus doze filhos, 
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim 

a mulher da vida. 
Minha irmãzinha... 
tão desprezada, 
tão murmurada... 
Fingindo ser alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim: 

Na minha vida - 
a vida mera das obscuras. 
- Cora Coralina, em "Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais", 1965. 



Meias impressões de Aninha
(Mãe)
Renovadora e reveladora do mundo 
A humanidade se renova no teu ventre. 
Cria teus filhos, 
não os entregue à creche. 
Creche é fria, impessoal. 
Nunca será um lar 
para teu filho. 
Ele, pequenino, precisa de ti. 
Não o desligues da tua força maternal. 

Que pretendes mulher? 
Independência, igualdade de condições... 
Emprego fora do lar? 
És superior àqueles 
que procuras imitar. 
Tens o dom divino 
de ser mãe 
Em ti está presente a humanidade. 
Mulher, não te deixes castrar. 
Serás um animal somente de prazer 
e ás vezes nem mais isso. 
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar. 
Tumultuada, fingindo ser o que não és. 
Roendo o teu osso negro da amargura. 
Cora Coralina, do livro "Vintém de Cobre: Meias Confissões de Aninha", 6ª ed. Global Editora, 1997, pág. 171.



Ode às muletas
Muletas novas, prateadas e reluzentes. 
Apoio singelo e poderoso 
de quem perdeu a integridade 
de uma ossatura intacta, 
invicta em anos de andanças domésticas. 
Muletas de quem delas careceu 
depois de ter vencido longo 
tempo e de ter dado voltas ao mundo 
sem deixar a sua casa. 

Andarilha que fui 
de boas tíbias e justo fêmur, 
jamais reumáticos. 
Um dia o inesperado trambolhão, 
escada abaixo. 
Como sempre, as vizinhas 
prestativas, maravilhosas correm. 
Um vizinho possante 
me levanta em braços 
de gigante. 
Uma ambulância. 
Goiânia. Parentes à espera. 
Filhos que chegam de longe. 

A Clínica. 
Por sinal que Santa Paula. 
Médicos ortopedistas, 
dos anos de meus netos. 
Gente moça. Enfermeiras, atendentes. 
Colegas fraturados. 
Jovens e velhos, indistintamente. 
Viveiro. Cultura de acidentados, 
as estradas asfaltadas, 
as ruas alegres da cidade, 
as casas. 
Desastrados meios de locomoção. 
A ânsia incontida da velocidade. 
A pressa da chegada - a mesa de operação. 

A sala de cirurgia inapelavelmente branca. 
A mesa estreita operatória. 
Até o dia muito breve 
da cirurgia eletrônica. 

Agora: o soro, o oxigênio. 
Picadas leves. 
O branco invade o submundo sensitivo. 

O bloqueio nervoso. 
Nada mais. A omissão total. 
O inconsciente, o inerte. 
Atentos o anestesista, 
o cardiologista. 
Médicos amigos presentes 
formam a corrente magnética, 
vibratória, propiciatória. 

O cirurgião, absoluto, corta. 
Pinça, acerta, ajeita, aparafusa 
plaquetas metálicas, 
irmanando ossos fraturados. 
Depois... a volta triunfal 
à Vida. 
Vida! Como és bela na ânsia 
do retorno. Flores! Amigas. 

A cadeira de rodas no pátio, ao sol. 
A troca de cumprimentos. 
Cordialidade entre quebrados. 
A alta. 

A casa humana, hospitaleira, 
carinhosa e fraterna. 
Abençoada casa de sobrinhos 
superamigos. 
Cheia de meninos, 
daqueles do Evangelho 
que se achegavam a Jesus. 
Carinhosos no me trazerem 
o copo d’água, a almofada. 

As muletas fora de alcance. 
Sutis no abrir e fechar portas. 
Acender e apagar botões de luz. 
Meus queridos meninos 
do tempo de Jesus. 
(Para vocês esta pequenina estrofe de carinho e gratidão.) 

Muletas utilíssimas!... 
Pudesse a velha musa 
vos cantar melhor!... 
Eu as venero em humilde gratidão. 
Leves e verticais. Jamais sofisticadas. 
Seguras nos seus calços 
de borracha escura. 
Nenhum enfeite ou sortilégio. 
Fidelíssimas na sua magnânima 
utilidade de ajudar a novos passos. 
Um dia as porei de parte, 
reverente e agradecida. 

Seja de uma grande bênção 
aquele que as criou 
em hora sagrada. Inspiração do alto. 

Vieram vindo devagarinho. Transformações 
várias através dos séculos. 
Foi bastão primeiro do indigente, 
desvalido, encanecido, peregrino 
em distantes romarias. 
Varapau do serrano em agrestes serranias. 
Bordão de frade penitente, mendincante. 
Menestrel em tempos idos 
tateando incertos passos. 
Rapsodos descantando 
romanças e baladas 
pelos burgos, castelos, castelanias. 
Cajado patriarcal de pastores, 
santos e profetas. 
Vara simbólica de autoridades 
em remotas eras. 

Subiu a dignidade eclesiástica 
e foi o báculo episcopal. 

Entrou no convívio social. 
Bengala moderna, urbana, requinte 
e complemento da juventude. 
Estética e estilística dos moços. 

Bengalão respeitável dos velhos, 
encastoado em prata e ouro, 
iniciais gravadas, 
acrescentava algo ao ancião - respeito, veneração 
aos seus passos tardos. 

Bengala de estoque... 
arma traiçoeira do malandro 
e do sicário. 
Bengalas de junco, de prata, 
de marfim e de unicórnio... 
encastoados em ouro e pedras finas. 

Subiu e galgou. Uso e desuso. 
Modificada, acertada à necessidade humana 
reaparece, amparo e proteção. 
Transformação técnica, 
- muletas ortopédicas. 

Do primitivo bordão 
à sua excelsa utilidade 
e ao seu préstimo constante 
e inexcedível, 
eu as canto numa ode de imensa gratidão. 

Bengala branca sem igual! 
Quem não as viu um dia 
sobrelevando a multidão 
e deixou de atender ao seu sinal!... 

Alçada pelo cego, ela faz 
parar o trânsito 
e atravessa incólume 
ruas e avenidas das cidades 
grandes num consenso 
dignificante da beleza universal, 
estabelecido pelos povos 
civilizados na Convenção Internacional 
de Proteção e Direito dos Cegos 
de todo o mundo. 
Mais do que as muletas 
que nos dão apoio, 
eu me curvo reverente ante 
a bengala branca do cego 
que é a própria luz de seus olhos mortos 
em meio à multidão 
vidente. 
- Cora Coralina, em "Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais", 1965. 


Mulher da vida
[Contribuição para o Ano Internacional da Mulher, 1975]
Mulher da Vida, 
Minha irmã. 

De todos os tempos. 
De todos os povos. 
De todas as latitudes. 
Ela vem do fundo imemorial das idades 
e carrega a carga pesada 
dos mais torpes sinônimos, 
apelidos e apodos: 
Mulher da zona, 
Mulher da rua, 
Mulher perdida, 
Mulher à-toa. 

Mulher da Vida, 
Minha irmã. 

Pisadas, espezinhadas, ameaçadas. 
Desprotegidas e exploradas. 
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito. 

Necessárias fisiologicamente. 
Indestrutíveis. 

Sobreviventes. 
Possuídas e infamadas sempre 
por aqueles que um dia 
as lançaram na vida. 
Marcadas. Contaminadas. 
Escorchadas. Discriminadas. 

Nenhum direito lhes assiste. 
Nenhum estatuto ou norma as protege. 
Sobrevivem como erva cativa 
dos caminhos, 
pisadas, maltratadas e renascidas. 

Flor sombria, sementeira espinhal 
gerada nos viveiros da miséria, 
da pobreza e do abandono, 
enraizada em todos os quadrantes 
da Terra. 

Um dia, numa cidade longínqua, essa 
mulher corria perseguida pelos homens 
que a tinham maculado. Aflita, ouvindo 
o tropel dos perseguidores e o sibilo 
das pedras, 
ela encontrou-se com a Justiça. 
A Justiça estendeu sua destra poderosa 
e lançou o repto milenar: 
“Aquele que estiver sem pecado 
atire a primeira pedra”. 

As pedras caíram 
e os cobradores deram as costas. 

O Justo falou então a palavra 
de equidade: 
“Ninguém te condenou, mulher... nem 
eu te condeno”. 

A Justiça pesou a falta pelo peso 
do sacrifício e este excedeu àquela. 
Vilipendiada, esmagada. 
Possuída e enxovalhada, 
ela é a muralha que há milênios 
detém as urgências brutais do homem 
para que na sociedade 
possam coexistir a inocência, 
a castidade e a virtude. 

Na fragilidade de sua carne maculada 
esbarra a exigência impiedosa do macho. 

Sem cobertura de leis 
e sem proteção legal, 
ela atravessa a vida ultrajada 
e imprescindível, pisoteada, explorada, 
nem a sociedade a dispensa 
nem lhe reconhece direitos 
nem lhe dá proteção. 
E quem já alcançou o ideal dessa mulher, 
que um homem a tome pela mão, 
a levante, e diga: minha companheira. 

Mulher da Vida, 
Minha irmã. 

No fim dos tempos. 
No dia da Grande Justiça 
do Grande Juiz. 
Serás remida e lavada 
de toda condenação. 

E o juiz da Grande Justiça 
a vestirá de branco 
em novo batismo de purificação. 
Limpará as máculas de sua vida 
humilhada e sacrificada 
para que a Família Humana 
possa subsistir sempre, 
estrutura sólida e indestrutível 
da sociedade, 
de todos os povos, 
de todos os tempos. 
Mulher da Vida, 
Minha irmã. 

Declarou-lhes Jesus: "Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no Reino de Deus”. 
Evangelho de São Mateus 21, 31. 
- Cora Coralina, em "Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais", 1965. 


Oração do milho, de Cora Coralina, recitado por Lauro Moreira.



FORTUNA CRÍTICA DE CORA CORALINA
[Bibliografia sobre Cora Coralina]
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ARAÚJO, Celso. Os pensamentos de Cora. Jornal de Brasília, Brasília, 1977.
ARAÚJO, Márcia Melo; MORAES, André Cezar. Cora Coralina: memória e representação do eu na construção da consciência social. Letrônica, v. 3, n. 1, p. 345 - 354, julho 2010. Disponível no link
Cora Coralina, por Netto
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BARBOSA. Maria José Somerlate. [University of Iowa – USA]. A via-láctea da palavra: Adélia Prado e Cora Coralina. In: DUARTE C. L.; EDUCARDO de A. D; BEZERRA, K. da C. (Orgs.) Gêneros e representações na literatura Brasileira. 2002. Pós-graduação (Letras/Estudos Literários), - UFMG, Belo Horizonte, 2002. (Col.Mulher & Literatura,2).
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Cora Coralina (...)
BRITTO, Clovis Carvalho; CURADO, Maria Eugênia. A ironia como projeto: movimentos da narrativa de Cora Coralina no campo literário brasileiro. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, nº. 34. Brasília, julho-dezembro de 2009, pp. 95-116. Dispónível no link.
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CAMARGO, Flávio Pereira. Cora Coralina e a tradição poética moderna e modernista. IX Congresso Internacional da ABRALIC, Porto Alegre - RS, 2004. Disponível no link.
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CORA Coralina – Especial Literatura, n.° 14, TVE, 29/1/1985.
CORA Coralina confessa que viveu. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 ago. 1971. p. 19. Suplemento Literário.
CORA Coralina, aos 92 anos: eu sou a própria terra. Correio Brasiliense, Brasília, 20 dez. 1981.
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CORALINA, Cora. Depoimento. Revista Goiana de Artes. Goiânia: Ed. Da UFG, v. 2, n. 2, p. 139-177, 1981.
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CORNETTE, Renan Pires; YOKOZAWA, Solange Fiúza. Cora Coralina e Carlos Drummond de Andrade: confluências poéticas. In: Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão da UFG – CONPEEX. Goiânia: Anais eletrônicos do XIII Seminário de Iniciação Científica [CDROM], 2005.
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DELGADO, Andréa Ferreira. A invenção de Cora Coralina na batalha das memórias. (Tese Doutorado em História) Campinas: Unicamp, 2003.
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"Cora Coralina, para mim,
é um ícone de perseverança,
de ânimo para trabalhar,
de força e feminilidade."

- Lili Detoni.
EXPOSIÇÃO: Cora Coralina: coração do Brasil. (Em comemoração aos 120 anos de nascimento da escritora Cora Coralina, nascida na Cidade de Goiás - GO.) curadoria: Júlia Peregrino; texto: Kátia da Costa Bezerra; cenografia: Daniela Thomas e Felipe Tassara. Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ - de 11/Jan. a 13/Mar.2009; e Museu da Língua Portuguesa, São Paulo, SP, de 29/Set. a 13/Dez.2009. Catálogo de exposição no Museu da Língua Portuguesa. São Paulo: Museu da Língua Portuguesa, 2009. 80 p.
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YOKOZAWA, Solange Fiuza Cardoso. Estórias da velha rapsoda da Casa da Ponte. Porto Alegre, n. 39, p.195-212, jan./jun. 2006. Disponível no link

“[...] sua obra não conta apenas o que lhe aconteceu em outros tempos, mas também o processo pelo qual o seu passado se transformou em seu presente, construindo seu próprio tempo nas injunções da existência, permitindo ao leitor compartilhar de uma maneira ou de outra, no exercício de sua própria experiência dos objetos cortantes, e a tensão em que ela se mantém é a do próprio pensamento que se vigia contra os riscos da embotadura.”
- Marlene Gomes Vellasco, pesquisadora goiana, 1999.




DOCUMENTÁRIOS SOBRE CORA CORALINA
Curta metragem O Chamado das Pedras.

Título original: Cora Coralina: O Chamado das Pedras
Gênero/formato: Documentário, 35 mm.
Direção/Roteiro: Waldir Pina de Barros
Ano/País: 2008 - Brasil
Duração: 22 min – Cor: Colorido
Sinopse: Documentário que narra a vida e a obra da poetisa goiana Cora Coralina, através da colagem de trechos selecionados de seus poemas e inserções de depoimentos assim com a exploração fotogênica da paisagem natural - Serra Dourada - da paisagem urbana - a Goiás do passado - da visitação aos álbuns fotográficos das famílias goianas, do Museu das Bandeiras, do Museu Conde dos Arcos, do Museu Casa de Cora, e de antigas fazendas do município de Goiás. Um Goiás denso de ancestralidades, o Goiás de Cora.


Da Casa Velha da Ponte


SOU RAIZ
Sou raiz, e vou caminhando
sobre as minhas raízes tribais.
Velhas jardineiras do passado ...
Condutores e cobradores, vós me levastes de mistura
com os pequenos e iletrados, pobres e remendados ...
Destes-me o nível dos humildes em tantas lições de vida.
Passante das estradas rodageiras, boiadeiros e comissários,
aqui fala a velha rapsoda.
Escuto na distância o sonido augusto do berrante que marca
o compasso das manadas que vão pelas estradas.
O mugido, o berro, o chamado da querência, a aguada,
o barreiro salitrado, a solta, o curral, a porteira,
a tronqueira, o cocho, o moirão, a salga, o ferro de marcar,
rubro, esbraseado. A castração impiedosa.
Eu sou a gleba e nada mais pretendo ser.
Mulher primária, roceira, operária, afeita à cozinha,
ao curral, ao coalho, ao barreleiro, ao tacho.
Seguro sempre nas mãos cansadas a velha candeia
de azeite veletudinária e vitalícia do passado.
Viajei nas velhas e valentes jardineiras
do interior roceiro, suas estradas de terra,
lameiros e atoleiros, seus heróicos e anônimos condutores
e cobradores, práticos, sabidos daqueles motores desgastados,
molas e lataria rangentes.
Santos milagreiros eram eles. Onde estarão?
Viajei de par com os humildes que tanto me ensinaram.
Viajantes das velhas jardineiras, meus vizinhos
das estradas viaje iras ...
Meus trabalhadores: Manoel Rosa, José Dias, Paulo, Manoel,
João, Mato Grosso, plantadores e enxadeiros, meus vizinhos sitiantes,
onde andarão eles?
Andradina, Castilho, Jaboticabal, comissários e boiadeiros, tangerinos,
esta página é toda de vocês.
Fala de longe a velha rapsoda.
- Cora Coralina, em "Vintém de Cobre: meias confissões de Aninha, 6ª ed. São Paulo: Global Editora, 1997, pág. 111.



Cora Coralina, programa de "Lá pra cá", TVBrasil - parte I


Cora Coralina, programa de "Lá pra cá", TVBrasil - parte II



Eu sou a velha
mais bonita de Goiás.
Namoro a lua.
Me dou bem
com o rio Vermelho.
Tenho segredo
com os morros
que não é de adivinhá.
- Cora Coralina, em "Não conte pra ninguém". Meu livro de cordel.





SOBRE GUIMARÃES ROSA, ESCREVEU:
"O melhor roteiro é sempre ler e assimilar o que lê. Ler para aprender, procurar vencer. A maior dificuldade de todos escritores se limita a duas palavras: escrever bem. Então o roteiro é esse. Procurar ler para aprender. Ninguém escreve bem sem ler muito e procurar assimilar o máximo. Assimilar não é imitar. (...) Eu sou uma grande leitora de
Guimarães Rosa e uma grande admiradora dele, muito antes dele ser aceito. A literatura dele não é uma literatura fácil, principalmente nos dois maiores livros dele, Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas (...) Agora há os imitadores de Guimarães Rosa, mas imitar é uma coisa e assimilar é outra. Então eu digo, a gente deve ler, reler, transler. Ser dono dele. Não precisa abrir o livro no começo. Abre ao acaso e só fecha quando cansou, quando já não tem mais tempo. Ponha sempre perto de sua cama ao alcance de suas mãos, ao alcance de seu tempo."
- Cora Coralina, In: "Cora Contemporânea Coralina", 1984.


MUSEU CASA DE CORA CORALINA
Casa Velha da Ponte , atual Museu Casa Cora Coralina.
Velho sobrado
Um montão disforme. Taipas e pedras, 
abraçadas a grossas aroeiras, 
toscamente esquadriadas. 
Folhas de janelas. 
Pedaços de batentes. 
Almofadados de portas. 
Vidraças estilhaçadas. 
Ferragens retorcidas. 

Abandono. Silêncio. Desordem. 
Ausência, sobretudo. 
O avanço vegetal acoberta o quadro. 
Carrapateiras cacheadas. 
São-caetano com seu verde planejamento, 
pendurado de frutinhas ouro-rosa. 
Uma bucha de cordoalha enfolhada, 
berrante de flores amarelas 
cingindo tudo. 
Dá guarda, perfilado, um pé de mamão-macho. 
No alto, instala-se, dominadora, 
uma jovem gameleira, dona do futuro. 
Cortina vulgar de decência urbana 
defende a nudez dolorosa das ruínas do sobrado 
- um muro. 

Fechado. Largado. 
O velho sobrado colonial 
de cinco sacadas, 
de ferro forjado, 
cede. 

Bem que podia ser conservado, 
bem que devia ser retocado, 
tão alto, tão nobre-senhorial. 
O sobradão dos Vieiras 
cai aos pedaços, 
abandonado. 
Parede hoje. Parede amanhã. 
Caliça, telhas e pedras 
se amontoando com estrondo. 
Famílias alarmadas se mudando. 
Assustados - passantes e vizinhos. 
Aos poucos, a “fortaleza” desabando. 

Quem se lembra? 
Quem se esquece? 

Padre Vicente José Vieira. 
D. Irena Manso Serradourada. 
D. Virgínia Vieira 
- grande dama de outros tempos. 
Flor de distinção e nobreza 
na heráldica da cidade. 
Benjamim Vieira, 
Rodolfo Luz Vieira, 
Ludugero, 
Ângela, 
Débora, Maria... 
tão distante a gente do sobrado... 

Bailes e saraus antigos. 
Cortesia. Sociedade goiana. 
Senhoras e cavalheiros... 
- tão desusados... 

O Passado... 

A escadaria de patamares 
vai subindo... subindo... 
Portas no alto. 
À direita. À esquerda. 
Se abrindo, familiares. 

Salas. Antigos canapés. 
Cadeiras em ordem. 
Pelas paredes forradas de papel, 
desenho de querubins, segurando 
cornucópia e laços. 
Retratos de antepassados, 
solenes, empertigados. 
Gente de dantes. 

Grandes espelhos de cristal, 
emoldurados de veludo negro. 
Velhas credências torneadas 
sustentando 
jarrões pesados. 
Antigas flores 
de que ninguém mais fala! 
Rosa cheirosa de Alexandria. 
Sempre-viva. Cravinas. 
Damas-entre-verdes . 
Jasmim-do-cabo. Resedá. 
Um aroma esquecido 
- manjerona. 

O Passado... 

O salão da frente recende a cravo. 
Um grupo de gente moça 
se reúne ali. 
“Clube Literário Goiano”. 
Rosa Godinho. 

Luzia de Oliveira. 
Leodegária de Jesus, 
a presidência. 
Nós, gente menor, 
sentadas, convencidas, formais. 
Respondendo à chamada. 
Ouvindo atentas a leitura da ata. 
Pedindo a palavra. 
Levantando ideias geniais. 
Encerrada a sessão com seriedade, 
passávamos à tertúlia. 
O velho harmônio, uma flauta, um bandolim. 
Músicas antigas. Recitativos. 
Declamavam-se monólogos. 
Dialogávamos em rimas e risos. 
D. Virgínia. Benjamim. 
Rodolfo. Ludugero. 
Veros anfitriões. 
Sangrias. Doces. Licor de rosa. 
Distinção. Agrado. 
O Passado… 
Homens sem pressa, 
talvez cansados, 
descem com leva 
madeirões pesados, 
lavrados por escravos 
em rudes simetrias, 
do tempo das acutas. 
Inclemência. 
Caem pedaços na calçada. 
Passantes cautelosos 
desviam-se com prudência. 

Que importa a eles o sobrado? 

Gente que passa indiferente, 
olha de longe, 
na dobra das esquinas, 
as traves que despencam. 
- Que vale para eles o sobrado? 
Quem vê nas velhas sacadas 
de ferro forjado 
as sombras debruçadas? 
Quem é que está ouvindo 
o clamor, o adeus, o chamado?… 
Que importa a marca dos retratos na parede? 
Que importam as salas destelhadas, 
e o pudor das alcovas devassadas… 
Que importam? 

E vão fugindo do sobrado, 
aos poucos, 
os quadros do Passado. 
- Cora Coralina, em "Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais", 1965. 

Endereço e contato:
Rua Dom Cândido, 20 Centro CEP 76.600-000 Cidade de Goiás – Goiás Fone/Fax: (62) 3371-1990
Site visita virtual 

Documentário Mulheres Brasileiras, TV Cultura



"Na estrada que é Cora Coralina passam o Brasil velho e o atual,
passam as crianças e os miseráveis de hoje.
O verso é simples, mas abrange a realidade vária."
- Carlos Drummond de Andrade.




REFERÊNCIAS E FONTES DE PESQUISA
Antonio Miranda

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